2008-12-30

Gaivotecnolampad'ecológica




















he he...

a ditosa de final de ano é tecnologicamente avançada, iluminadora, com top spin, asas de metal e aproveita o sol e o vento quase tão bem como as demais (e outros seres naturais) o fazem desde o princípio dos tempos

o sol é uma fonte imensa de energia, aproveitada em proporção ínfima no que respeita à utilização humana para aquecimento de águas e ar ou para produção de energia eléctrica

ainda assim, há notícias promissoras: a Central Fotovoltaica de Amareleja, em Moura, cuja ligação experimental se realizou no final de 2007, começou ontem a funcionar e tem 46 MW (megawatt) de capacidade instalada, pelo que deverá produzir 93 milhões de kWh (kilowatt/hora) e evitar a emissão de 89 mil toneladas de CO2 (dióxido de carbono) por ano

agora que os dias recomeçam a crescer (aos poucos: «Natal, bico de pardal», lembra quem sabe)no hemisfério Norte, celebrado que foi o nascimento de Cristo Rei Sol, iniciado que está o novo ano tibetano e em véspera do nosso ano Novo, vai um jametinhasdito solar e solsticial de vento em popa às energias novas que todos merecemos

Feliz, luminoso e solar 2009 !!!





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2008-12-20

Um Feliz Natal

Em tempo de advento, é salvífico formular votos festivos, em especial a quem queremos bem.

Que os leitores do Ditos celebrem a Quadra Festiva em companhia de quem amam, com saúde, harmonia e poesia!!

Neste caso, os versos votivos são gentilmente emprestados por quem sabe a poesia dos afectos!!!

Por tudo, um Feliz Natal ao Amigo Salvador, extensivo a tutti quanti ;->>>


«É neste pequeno intervalo
Das nossas vidas apressadas
Tão ocupadas com o inadiável.

É nesta curta pausa
Das nossas vidas comprimidas
Entre a agitação e o supérfluo.

É na espuma destes dias
Quando o dever reclama
Que se cumpra o ritual.
É na urgência de um gesto

No balbuciar de uma palavra
No gotejar de um aceno
Que se cumpre o Natal.

Mas que se cumpra, ainda assim
Que se saúde, ainda assim
Mais este Natal.

Seja o que for que represente
Signifique o que signifique
Um Feliz Natal.»

Salvador Peres




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2008-12-10

a la Titanic























às vezes há premonições...

provavelmente o nomezinho em nada contribuiu mas com o "afogamento" da marina da (ainda!!!) Expo98, o respectivo restaurante também se afundou em águas paradas

Titanix ? jametinhasdito !!!





















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o que faz falta

segundo a TSF, Guilherme Silva, máderense ex-líder parlamentar do PSD, jámetinhadito «que haja plenários da Assembleia da Republica apenas à terça, quarta ou quinta-feira, para evitar o problema das faltas dos deputados que saem mais cedo para o fim-de-semana»

mas Jaime Game, o Presidente da Assembleia da República e pessoa de bem, discorda, felizmente

ora, pode ser desmotivante o ambiente parlamentar em geral ou especialmente no PSD mas suprimir as obrigações como expediente para obviar à tentação de as incumprir é algo que só lembra ao diabo, salvo seja...

quem diria? _ ainda ouviremos a direita a cantar saudosamente "o que faz falta é animar a malta", podia bem ser o hino das sextas-feiras do proletariado deputacional...

«O incidente do prolongado fim-de-semana dos 48 deputados dá que pensar. Pensar que a dignidade das funções, quaisquer que elas sejam, depende do carácter e da integridade de quem as exerce. E em torno destes princípios devemo-nos unir ou separar», diz Baptista-Bastos, no Diário de Notícias de hoje, em registo com o seu quê de moralista

então, deu-se o caso: o salvo seja separou-se!!!





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2008-12-04

Dezembral





mesmo fácil, dá direito a prémio, como sempre !




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estacionar

a comandante do "Natália Correia" iniciou as operações de descolagem e já com o avião no ar faz a habitual comunicação de boas vindas aos senhores passageiros mais indicações do tempo durante o percurso e à chegada bem como a previsão da duração total do voo

alguns dos senhores passageiros trocam olhares, assentindo leve e tacitamente na cumplicidade de participar numa nova era, com todos os pros e contras das novidades, como seja a de se fazerem transportar em aeronave pilotada por uma mulher, mais uma barreira vencida na corrida de obstáculos da igualdade (de oportunidades!) de género, talvez um brinde interior, uma estranheza e outras sensações para o somatório que as grandes viagens sempre trazem

um dos senhores passageiros comenta abertamente para o comissário de bordo: com que então uma mulher, hein...? mas estamos bem entregues, não é verdade?

a confirmação veio sorridente e apaziguadora, que sim, com certeza, já voámos muitas milhas com esta comandante e de todas as vezes o voo é sempre impecável

para desfecho, a perplexidade chegou pelo jametinhasdito sexista, machista e automobilista: claro, imagino, o voo não há problema mas o que me preocupa é depois para estacionar o avião!!!

he he ...
;-)))



observações são bem vindas, obrigado
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2008-11-24

de Estado

para variar, o Ditos repousa brevemente na actualidade:

face a pressões reais, irreais e antecipadas, como tem que ser em política, o Presidente Cavaco Silva manifestou ao País que nada ter a ver com as trapalhadas em que está envolvido o BPN, recentemente nacionalizado numa inusitada vaga pós-PREC e à boleia da mega crise financeira globalizada

porém, os lobos do costume não desarmam e querem sangue pouco importa de onde - Cavaco não se demarcou do seu ex-Ministro Dias Loureiro (lembram-se: «Pai, sou Ministro!») que actualmente é também membro do Conselho de Estado, aliás como outras figuras conhecidas do vai-vem das órbitas partidárias

ao que Sua Excelência mandou que estudassem a lei, coisa pouco habitual em jornalismo e politiquês, pelo que o recado é bem dado

e razões tem Cavaco para a nervoseira: o Presidente da República não pode destituir membros do Conselho de Estado, é que sempre há umas diferençazinhas para com alguns regimes africanos e sul-americanos mais ortodoxos quanto à plenitude dos poderes instituídos, em muitos casos há bem mais do que os (ironicamente, pois claro) almejados 6 meses

então fica tudo sobre a consciência do próprio/visado/interessado?

sim ! apesar da esfarrapada remissão, jametinhasdito, para o entendimento do amigo de longa data actualmente inquilino em Belém

num caso algo parecido parecido com um concurso «a ver quem é que não sabe nada de nada», é também curiosa uma norma sobre a eventual, hipotética e académica perseguição criminal de um membro do Conselho de Estado, susceptível de operar uma certa partilha de responsabilidade quanto ao seguimento ou não do processo

mas é só mera curiosidade, ninguém me convence que era esse, afinal,o Cavacal recado...

«Artigo 14.º(Inviolabilidade)
1 . Nenhum membro do Conselho de Estado pode ser detido ou preso sem autorização do Conselho, salvo por crime punível com pena maior e em flagrante delito.2. Movido procedimento criminal contra algum membro do Conselho de Estado e indiciado este definitivamente por despacho de pronúncia ou equivalente, salvo no caso de crime punível com pena maior, o Conselho decidirá se aquele deve ou não ser suspenso para efeito de seguimento do processo.»



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lanceiros




















gaivota, enfim, gaivota, não sou

mas, ainda assim, onde estou ?






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2008-11-22

anúncio


ir de avião ao Porto ainda é uma alternativa, enquanto o TGV não se decide e apesar do Terminal 2, essa pequenina amostra do inferno que será a deslocação ao aeroporto da Ota, digo, de Canha, nos arredores da bela vila de Alcochete

com sorte, apanha-se o jornal Público e a sua particularidade de ter uma edição local, diferente em algumas páginas da edição de Lisboa - já houve uma edição Centro mas Coimbra, Viseu e Leiria não se aguentaram na paisagem da bipolaridade que marca o pequeno território do nosso grande País

as diferenças são curiosas, mas isso fica para outro jametinhasdito - mais uma corrida, mais uma viagem e o Porto aqui tão perto, diria Sérgio Godinho

histórias como a que o anúncio conta e deixa por contar já aconteceram vezes incontáveis mas é peculiar ver a sua colorida expressão em anúncio de jornal

os motivos porque alguém se dispõe ao ridículo são os mesmos das cartas de amor de Fernando Pessoa, talvez apenas fé e descaramento ou outros por explicar, sem razão

mas se alguém crê, jametinhasdito, que interessam explicações, consequências ou seja o que for ?

há momentos que tornam azul o mundo, ainda mais azul, e também por isso o azul fica tão bem no anúncio

serão momentos que paralisam?

tudo a sorver, sentidos demasiado preenchidos para elaborar seja o que for, uma calma que não deixa ver claro, nem escuro, não deixa ver - mais nada ?

e depois? depois haverá todo um processo, de consciência e dúvida, em alternância introspectiva, interrogativa e interpelativa ?

em que a imagem volta, torna a voltar, se não é a imagem é a sensação que aparece e reaparece ou então é só o coração a trepitar, à procura de nova calibração, de novo equilíbrio ?
um não sei quê que se sucede ?

será que depois tudo desemboca num gesto ? numa procura ? num grito ?

depois passa ? esquece ? e enquanto não passa e não esquece é quando algo acontece ?

no caso deu em anúncio de jornal mas em Nova Iorque, o ano passado, passou por correio electrónico mensagem idêntica, olhares cruzados no metro, a possibilidade ínfima de reencontro é testada de lista de contactos em lista de contactos, todos conhecemos alguém que conhece alguém que conhece alguém e as correntes&redes, a electrónica&comunicações, as multivias&informais, tornam o mundo pequenino, aldeia global, não importa a escala

essa história de Nova Iorque, hoje de antologia sociológica, deu em reencontro e namoro, a coisa durou uns meses, deu uma certa vivência, entrevistas e depoimentos, histórias para contar, talvez bagagem... e nada mais, ou seja, pouco

mas, ainda a la Sérgio Godinho que tão bem encanta os aforismos populares, a vida é feita de pequenos nadas

oxalá o anúncio azuleje o dia ao mais belo sorriso e, em geral, a quem sorri

bom dia!



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2008-11-21

tecnicamente

claro que não é apenas em Portugal que o jornalismo é jornalismo, para o bem e para o mal...

a afamada Reuters também tem o gene comum do "24 horas" e do "Jornal do Crime", se é que ainda existem

na espuma dos dias e por entre as sucessivas vagas em que nos é oferecida, dose após dose, a incomensurável magnitude da crise, descobriu-se um sobrevivente da chacina de Pinochet

certo dissidente, de seu nome German Cofre embora até agora anónimo, preso pela ditadura há 35 anos, afinal regressou das trevas e apresentou-se vivo, ilibando o facínora quanto a uma identificação da calamitosa lista de atrocidades - o tipo de lista que nunca é suficientemente exaustiva mas afinal também pode ter algo a descontar

mas o regressado enfrenta várias perplexidades, humanas e administrativas

ninguém se lembra dele, não o reconhecem, há que investigar - o que se compreende, até pelo efeito resistente de um quadro mental consolidado em décadas, pensão aos familiares e homenagens memoriais

e como lidar com a situação ?

bem, uma hipótese é pesquisar a ficção, mais a realidade, afinal a literatura tem exemplos vários de ressuscitação, mesmo se não há paralelo com Lázaro ou Cristo

já a Justiça tem que se fundamentar nos elementos disponíveis à apreciação do julgador, sejam certidões e relatórios, sejam perícias e testemunhos: o ponto de partida é claro: "Technically he is dead," investigating judge Carlos Gajardo told reporters. "We have to determine his true identity ... I don't know of another case (like this)."

tecnicamente morto?

jametinhasdito!

há uma autópsia por escrever, no Tribunal do Chile!!

quanto ao reaparecido, paz à sua vida!!!

he he ...



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2008-11-19

narrativa

parece, em Harvard, que há uma classificação para os modos de aprender:

ora por via axiomática, segundo teoremas, proposições, leis...

ora mediante story telling...

narrativa, portanto!

jametinhamdito, por aqui mais perto, que começamos a aprender pelo que ouvimos e vemos fazer, pelo que nos vão contando

o estudo vem depois

e o mais importante da vida, o que nos faz como gente, é o que sorvemos das histórias que vamos sabendo, o que nos contam as gentes: as nossas, primeiro; as que conhecemos, depois; as que procuramos conhecer, a todo o tempo

durante a vida inteira

ou uma narrativa mais



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incerto















assim vai o mundo... assim fica!




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2008-11-16

Sebastião sonha tudo














«O sonho é a realidade antes de acontecer», jametinhadito Sebastião Fortuna !
artesão, poeta e sonhador de mãos-à-obra, como o provam as instalações (feitas igualmente a poder dos próprios braços e que sucederam ao seu Centro de Artes e Ofícios) onde cria, expõe, ensina e aprende artes de pintores, escultores, ceramistas, canteiros, carpinteiros e outros artistas, estudiosos ou poetas
e até de contadores histórias como a do gato que ensina a voar a gaivota da novela de Luís Sepúlveda, magistralmente dita ao jeito de oração e apenas para exemplificar
num ápice, acontece o diálogo intenso, emocionado e emocionante - aliás, emoção é o mote impressionante do testemunho de Sebastião Fortuna
tudo sob o fio condutor da “procura da verdade” e de “ajudar a tornar um mundo um pouco melhor”, na convicção de tal ser obrigação de cada um e forma de agradecer a vida...

enfim, contas difíceis de fazer mas a experiência não cabe em relato algum e é bem caso de lá ir tirar teimas, de apetite aguçado para múltiplas formas de expressão artística mas sobretudo sorver a intensa narrativa humana e, nada menos, a autêntica força da natureza, talvez proveniente da resistente aldeia no sopé da Serra do Louro, na Arrábida: a Quinta do Anjo*

se de facto, sic, partimos com o mesmo que trazemos à nascença, “nus e descalços”, certo é que a vida tem que ser vivida e realizada de sonho em sonho, pois ao contrário do ideal – que é como a estrelinha que indica o rumo mas não se alcança – o sonho é alcançável, sem desistir, passo a passo

em resumo, conclusão e, não por acaso, jeito ainda de homenagear outro Sebastião, o poeta Sebastião da Gama, um jametinhasdito de júbilo: “Pelo sonho é que vamos” !!!


PELO SONHO É QUE VAMOS
Sebastião da Gama, 1953

«Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.

Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.

Chegamos? Não chegamos?
Partimos. Vamos. Somos.»



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* a dos cheiros a alecrim, tomilho, cardo, medronho, hortelã, amêndoa, noz, azevinho; onde pastam as cabras e as ovelhas, das tenras pastagens à crista coroada a moinhos da Serra do Louro, percorrida por intrépidos caminhantes; e a mesma Quinta do Anjo, aliás, da Ford Palmela, do queijo de Azeitão ou do Moscatel de Setúbal – na realidade com pertença e origem na Quinta do Anjo!

2008-11-11

quentes&boas




também o Ditos celebra o São Martinho, ao sabor quente e bom do ideal da partilha, sobretudo no sentido de quem mais tem para com os mais necessitados, conforme nos legou o Santo homenageado a poder de castanhas

paredes meias com os decisores orçamentais - outro exercício de partilha, por vezes no sentido dos mais necessitados para com os que mais têm, mas isso é outro jametinhasdito! - estão expostos os sem abrigo que o Terreiro do Paço abriga
à beirinha, mesmo, mesmo, da porta por onde são concedidadas avultadas garantias aos desabrigados bancos, legitimamente em nome da defesa dos depositantes e da estabilidade do sistema financeiro

mas é bom que o contribuinte sinta que o esforço orçamental abriga também os desvalidos, que em nada contribuíram para o desaparecimento de tantos milhões que agora faltam ao sistema bancário, financeiro, imobiliário e outros (como o sector automóvel) que agora aparecem a ratear ajudas de Estado
a Câmara Municipal, os diversos Ministérios, os comerciantes da Praça do Comércio, ninguém está a ver ?


jametinhamdito!!!






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2008-11-10

moldes

com a impressionante manifestação dos professores - de sábado passado - há que tirar, pelo menos, uma ilação política de fracasso ministerial: os governantes, como os políticos em geral, têm que ser capazes de reunir boas vontades para as mudanças que propõem, mesmo contra a má vontade contra as mudanças que propõem

mas a vida continua e novos dias seguem com discordâncias no horizonte

soluções?

falta aqui uma perspectiva de apaziguamento, além de algo construtivo, como é próprio e se espera de quem tão mobilizadamente rejeita a mudança

segundo o mobilizador sindicato dos professores, muitos profissionais do ensino e diversos políticos de oposição, incluídos vários da oposição, até nem estão contra a avaliação de desempenho - o principal pomo da discórdia - mas, jametinhasdito, "não nestes moldes" !

bom, se de facto há boa fé de quem apresenta semelhante objecção impõe-se-lhe que apresente outros moldes, os verdadeiros, os melhores !!

ah... já agora, que ofereça as suas propostas em moldes que todos os demais intervenientes aceitem, designamente cada um dos professores, pais, alunos, responsáveis governativos e cidadãos em geral

até para aproveitar o privilégio único de poder discutir, perorar e contra-propor sobre o sistema de avaliação, a que a generalidade dos trabalhadores nunca teve naturalmente acesso, será muito bem vindo o apaziguamento construtivo do sindicato dos professores:

_ apresentem-se de bons moldes !!!




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2008-11-07

enquadramento



«se puderes olhar, vê; se puderes ver, repara», diz Saramago, por suposto Livro dos Conselhos, in "Ensaio sobe a cegueira"

e além do mais, a percepção é selectiva - afinal, além de olharmos o mundo com os nossos olhos, vemos o mundo com o nosso ser

o que vemos depende, pois, de quem somos

sendo certo que o que somos é muito função do que vamos olhando, vendo, reparando - e das ilações que de tudo retiramos, enfim, as nossas circunstâncias

mas para podermos reparar no que é mais relevante, edificante, para sermos pessoas melhores, como poderemos ver "bem" o mundo?

bem, há que olhar melhor - e isso treina-se

por exemplo, os cineastas, pintores e fotógrafos, entre outros tipos de artistas, exercitam o enquadramento, para um melhor recorte, selecção e consciência do mundo - do que querem ver, do que querem trabalhar, do que querem mostrar

em tal exercício, aprendemos a ver melhor, a perceber que a visão da totalidade é inalcançável, a conviver com a escolha de perspectivas, a eleger uma perspectiva para a captação de um instante, bem sabendo que outras se lhe justapõem, como iguais pedacinhos de vida recortados pelo posicionamento, experiência e desejo de cada observador

melhor, de cada interveniente, pois o sujeito que observa interfere com a realidade observada e com as observações subsequentes, tanto mais se oferece a sua particular observação à apreciação e crítica de outros observadores, reconhecendo que cada observação se integra na realidade, observada ou, talvez, a observar

pois que os pedaços de mundo a que temos acesso dependam, ao menos em certa medida, do livre arbítrio, de tal modo que, ao menos nessa medida, vemos o mundo que somos e somos o mundo que vemos

a centelha de vida, o incomensurável inerte, a memória dos tempos idos e vindouros, fará também o seu recorte, sendo de admitir que tudo se completa, alguma vez

se for o caso, se vale a pena reparar, o melhor é tentar estar preparado e, em todos os sentidos, treinar o olhar, para poder ver/ser melhor

porque o que vemos e somos, é o que do mundo recortamos






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2008-11-04

halloween santoral


festiva é a inocência e também a salvação ou o seu desejo feito carne por manifestação da alma

ancestralmente, abrimos ao Além uma fresta, para (re)visitação recíproca, porventura um tanto menos inocente

é bem verdade que as religiões, como o comércio, a vaidade ou apenas a pulsão gregária, tendem a capturar até (ou precisamente por isso) o íntimo mais íntimo de nós, a pretexto da sua exortação colectiva, exultação pública ou exaltação mística - e, bem assim, por qualquer que seja a forma em que se manifesta o Amor

mas ai de nós, mas ai de quem, mas ai dos deuses: valha-nos o fio invisível que tece o universo, universos, os sóis inumeráveis, as infinitas terras e as esferas infindas que servem o epiciclo, que vertem à equação inicial e, revolvidas todas as paralaxes, volvem à pedra primeira, à poeira primitiva de que somos feitos e a que tornaremos em cada grão e em todo o infinito, simultânea e sucessivamente

festejemos, pois, em cada estame, espiga e flor, em cada pão, abraço ou ilusão, semente e cimento da vida por inteiro, incluído o primordial infinito que antecedeu a vida, o infindo suceder que perdurará depois e o continuum instante que nos luz o olhar, que o cruza, acende e reluz, mágico segmento de vida, morte e eternidade - ao menos - caso ou para quem isso tenha importância alguma ...

de todo o modo, desde sempre há um começo e recomeço, nascer e renascer, fim-de-ano e ano-novo-vida-nova, a-vida-são-dois-dias-e-o Carnaval-são-três, cinza para a Fénix reviver, luz ao fundo do túnel, depois da tempestade a bonança, graal imaginário, pura fé e científica esperança

simplesmente, na flor da inocência, na inquietude da máscara, perante a incerteza do desconhecido, pedimos mesmo o impossível, o milagre: a ressurreição, o pão-por-deus, o doce-ou-travessura, a festa, a festa, a festa, a que por ora chamamos Novembro mas certo é que, numa altura ou noutra, foi sempre assim

e porque não halloween?

jametinhasdito!

carpe diem




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Novembral






















ou a Ditosa Gloriosa...







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2008-11-03

de que

«Seria conveniente que os autarcas, últimos garantes da existência perene do PSD, se consciencializassem [de] que eleições quase em simultâneo poderão fazer com que muitas autarquias possam ser tomadas de assalto por uma inércia nacional pró-socialista.»

Luís Filipe Meneses, muitas vezes citado por variada imprensa em secções primas do Ditos, é hoje retomado no Público.pt, a partir de excerto de um fabuloso artigo de verrina partidária entre correlegionários momentaneamente desavindos, publicado no Jornal de Notícias

o texto é toda uma antologia, embora também lhe assente bem a classificação de tempo puramente perdido

o "que" é a correcção efectuada pelo editor de citações do (periódico?) on line «publico.pt», que intercala um preciso [de], como acima sublinhado

jametinhasdito!

parafraseando outra eminência nortista & elitista, penso eu de que !!






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PS - a merecer idêntico reparo, a designação de diversos estabelecimentos "Coisas que eu gosto", como restaurantes e lojas de prendas, nem sempre citando Elis Regina ... !!!

2008-10-31

Eolos

a TSF noticia as dificuldades que enfrentam as «novas fábricas de energia eólica» ...


trata-se mesmo de fabricar vento ?

jametinhasdito !


ora, as ditas "fábricas" são afinal centrais eléctricas, que produzem electricidade a partir da energia do vento, ou seja, a energia eólica é que é aproveitada para "fabricar" electricidade, transformando uma forma de energia noutra

de facto, também o vento é o resultado de transformações de energia

e, bem assim, a utilidade que se retira da electricidade é a sua transformação noutras formas de energia, sucessivamente

no caso da energia eléctrica produzida a partir das "ventoinhas" dá-se mesmo o caso de poder ser usada para ligar o motor de outras "ventoinhas", ou seja, aproveitar o vento para produzir vento, paradoxo da era moderna e do ar condicionado !!!

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PS - o blog está pronto mas ...

bem, o progresso e a história da humanidade desde sempre tiveram enormes afinidades com a energia


no período ínfimo da vida do Homem sobre a Terra, a era da extracção em massa dos combustíveis fósseis corresponde a uma modestíssima fracção, pois o recurso massivo ao petróleo e carvão - como antes a lenha, que levava as legiões romanas a produzir guerras em todo o mundo ... onde é que já ouvimos isto? o Bush anda a ler história da antiguidade ... - é insustentável e totalizará apenas 200 anos ou pouco mais

o que justifica naturalmente a premência de procurar novas formas de obter energia, conservando a que existe (o uso mais racional de energia é evitar o respectivo consumo) e investir no estudo de novas fontes de produção, de preferência renováveis, incluindo o bom do senhor vento - a energia eólica


Eolos é um dos (cem?) nomes de Deus, em veneranda homenagem a insondáveis forças anímicas capazes movimentar o ar, ou seja, fabricar vento

na realidade, Eolos é tributário de Rá, outro dos Seus nomes, porque a matéria que constitui o ar é sujeita a outras insondáveis forças, como a especial energia do sol, que aquece de forma desigual – assimétrica, em linguagem power point – as massas de ar do nosso belo planeta azul, corzinha que também deve algo à luz do sol e às suas frequências de onda, mas isso é outra história

íamos então no aquecimento desigual do ar, causa de diversidade da expansão e densidade, criando diferentes massas de ar, que então se deslocam, gerando o vento – o ar em movimento
aliás, a própria existência e composição do ar deve muito ao sol, pois a sua energia, em ondas radiantes, luminosas e outras, é transformada e aproveitada de várias formas, para o que agora interessa incluindo a fotossíntese, uma extraordinária e poderosa forma de alquimia, que faz da luz … ar

enfim, produzindo reacções químicas e libertando componentes essenciais para a atmosfera e para a vida tal como a conhecemos à superfície da Terra

neste ponto, um parêntesis: o astrofísico espanhol Juan Pérez Mercader, baseado nos estudos científicos, afirma-se convicto na existência de vida para lá da que existe na Terra, ou seja, para «além do mundo» – tudo leva a crer que não se pronunciou quanto à possibilidade da existência de vida no «mundo do além» – ou seja, para lá da que conhecemos, mas isso são ainda outras histórias

por tudo, o ar move-se

ora esse movimento é susceptível de aproveitamento para as actividades humanas, maxime, económicas, dinamizando veleiros e moinhos, a partir da aplicação de princípios de transmissão mecânica vectorial que as civilizações conhecem e desenvolvem desde há milénios

mas a vida em geral já aproveita o vento desde há milhões de anos: por exemplo, talvez desde que os dinossauros iniciaram longinquamente o percurso de evolução que os fez pássaros, estes amiúde pairando sobre as correntes ascendentes de ar quente, para melhor verem e alcançarem alimento, abrigo e companhia

mais recentemente, o homem usa os mesmos princípios através de planadores variados e ainda para outros fins menos lineares

certo é que a carência de energia – aspectozinho que tem historicamente justificado a passagem de uma era para outra – e as exigências de conforto, bem como as perspectivas de lucro, exponenciaram o engenho de indivíduos e comunidades

e assim a força motriz do vento é hoje responsável pela geração de importantes quantidades de electricidade – conceito chave para a industrialização, para a optimização partilhada dos recursos e para os níveis actuais da qualidade de vida

chegamos então à aposta intensiva em meios de produção de electricidade a partir da força do vento, algo a que se poderia chamar “produção eoloeléctrica”, por paralelismo com “produção termoeléctrica” – a partir do calor, resultante da queima de combustíveis, na maioria fósseis – e com “produção hidroeléctrica” – a partir da água, mediante armazenamento em albufeira ou fluxo fluvial, mas centrais «a fio de água»

mas tal possível palavra – eoloeléctrica é perfeitamente plausível segundo as regras usuais – apresenta dificuldades de fonética ou dicção, em várias línguas, e bem sabemos que se a linguagem cria expressões adaptadas ou apropriadas aos conceitos, também a sua formulação prática é inibida ou potenciada pela dificuldade ou facilidade de uso, entre outras explicações menos ortodoxas

por exemplo, “Web log” deu “blog” e “telefone móvel” deu “telemóvel” *


PS2 - * noutros contextos, o conceito prevalecente que foi assimilado e incorporado na linguagem é algo mais simples – em geral, resume-se ao elemento “móvel”

por cá não foi assim, princípio ainda se ensaiou ”portátil” mas depressa o termo se anichou aos computadores, que passaram a ser também portáteis

curiosamente, “celular” tem bastantes adeptos, em várias línguas, incluindo a portuguesa no Brasil, para designar o telefone portátil, por referência ao processo tecnológico envolvido, mesmo para quem não faz ideia dos processos a que a tecnologia recorre para realizar as comunicações “móveis”, ou melhor, sem base em rede fixa

mas como em tantos outros temas na vida, nem sempre estamos todos de acordo - e nem temos que estar, pois é ?


2008-10-30

MagalhãeZito

























eis o amiguinho Magalhães, de que já tanto se falou e disse

resistente, a brincadeiras, a distracções e - jametinhasdito! - a muitos disparates de gente grande, é um computador português - palavras para quê?

poucas, então: só para dizer que é catita de aspecto e jeito, com programas lúdicos e educativos, como a Guida e o Zito, que ajudam a descobrir e a querer aprender

em boa hora vestido de azul, como o planeta que habitamos, oxalá dê a volta ao mundo a aposta na sua distribuição generalizada em condições acessíveis!






observacões são bem vindas

2008-10-27

monte

"a caminho da caça fui a saber das letras

_ atira, que matas um homem! - direito a mim de gadanho...

nem me lembra disparar, mas vi-o lá caído e logo dei conta ao acontecido..."


ah, pois, compadre, vocemecê jametinhadito!!!







observacões são bem vindas

2008-10-23

super homem

o carismático líder da todo-poderosa extrema-direita austríaca apresentava-se em registo viril e votou contra propostas relativas ao estabelecimento de alguns direitos dos homossexuais

jametinhasdito!

pois então não é que se descobre agora que frequantava bares gay e que mantinha uma relação amorosa com um seu correligionário partidário?

cada um é livre de ser hipócrita mas este super nazi andava a vender a máxima do 'bem prega frei Tomás' ... e ninguém via que não bate a bota com a perdigota?

faz lembrar o Hitler, a quem o aparatchik nazi tratou de ultimar a lenda um suposto casamento a bunker fechado... à frente de muitos nazis, fascistas, direitistas, conservadores, moralistas e outros sacristas, que se apregoavam e apregoam muito superiores e afinal ...

a propósito, como é nenhum dos insuperáveis investigadores, romancistas ou comentadores da nossa praça se lembrou ainda de arrancar alguns insondáveis do Salazar por debaixo das saias do íntimo cardeal Cerejeira ?

era a cereja que faltava ao botas!!!




observacões são bem vindas

2008-10-14

coração árabe

o Autor Adalberto Alves, poeta e ensaísta, estudioso e viajante incansável pelos vestígios da cultura e língua árabes no nosso País mas também pelas pontes de encontro dos povos ocidentais e orientais, das suas tradições, sensibilidades e religiões, foi laureado com o prémio Sharjah 2008 para a cultura árabe, atribuído pela Unesco, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura

jametinhamdito que o nosso coração é árabe e oxalá o insígne arabista português prossiga a verdadeira viagem ao mundo das rosas que é a cooperação entre os povos, em especial no âmbito das relações luso-árabes e do seu dicionário, em curso de elaboração, de vocábulos portugueses de origem árabe



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2008-10-03

nosso

o lema é E Pluribus Unum mas jamtinhamdito que às vezes é só para alguns

a transmissão televisiva de jogos internacionais de futebol do emblema com mais adeptos na lusofonia pode ser um bom negócio em termos imediatos mas provavelmente obedecerá à mesma lógica do desenvolvimento sustentável

para poucos ganharem no momento inicial, com prejuízo de muitos, a prazo todos perderão!

ao adjudicar a um canal pago o exclusivo da transmissão de um jogo da UEFA, a empresa que detém os direitos de exploração da imagem do Benfica aposta no curto prazo e consegue realizar interessantes proveitos financeiros mas compromete o estatuto de reconhecimento que muitas ilustres personalidades dirigentes, muitos praticantes exemplares e muitos adeptos anónimos souberam construir ao longo de gerações

troca-se o benefício de alguns milhares pelo descontentamento de muitos milhões

sempre que se escolheu tais caminhos acabou-se com péssimos resultados

desta vez seria diferente ? jametinhasdito!




PS - há uma vantagem imediata adicional, por ventura igualmente precária: a Luz de casa cheia !


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2008-10-01

chumbo

a decisão/indecisão dos poderes e contrapoderes dos Estados Unidos pesa sobre muitos ombros, muitas bolsas, muitos bolsos, all over the world


é a globalização da crise - se os mercados são globais, o seu colapso é um perigoso dominó, repique de sinetas nas aldeias do mundo


nem de propósito, há dias a Cavacal figura presenteou-nos com mais uma alegria e deu de sineta a abrir a bolsa em Wall Street, gesto mítico até para um catedrático da finança, como para um estadista, mesmo para um Presidente de República


mas a inexorável lombriga corroeu por dentro o império dos mercados, o exemplo capitatalista, a suma liberal


o dólar andou tempos e tempos a fazer as delícias a turistas europeus, a magnatas japónicos, a novos-ricos soviétchicos


ajudou à escalada do petróleo nos mercados internacionais, muitas das transacções deslocaram-se para o euro ou para outras praças, regra geral mais próximas da fome de combustíveis para acalentar crescimentos económicos, populacionais e, sobretudo, de níveis de conforto, consumo e ostentação


mais as guerras aqui, ali e por toda a parte, geralmente onde haja, passe ou cheire a petróleo, agravando o problema dos incontroláveis cartéis, a crescente consciência da escassez dos recursos, mais que a sua finitude


boicotes a infraestruturas de petróleo e gás, problemas nucleares, restrições ambientalistas a projectos renováveis, custos acrescidos para novas energias, défice de investigação e longo prazo, longa espera para novas tecnologias


regulações e desregulações sucessivas e sempre legitimadas pelos mais capazes teóricos, hábeis políticos e sequazes comentadores


prevenidos, todos estamos


mas o frenesim eleitoral que o mundo vive por interpostos EUA pode baralhar as contas, se os incontáveis zeros (coisa de 250.000.000.000 US$ era a primeira tranche para os primeiros socorros aos mercados, aos bancos em estado convalescente, aos accionistas crentes, aos empregados descrentes e a outros súbditos do vil metal) não corromperam já as sinapses que conferem legalidade - e, quiça, legitimidade - a bancarrotas adiadas


há que acreditar: todos terão o momento certo de juízo para o sistema encarrilar

a Europa já nem se limita a acreditar, exige!


ficam, jametinhasdito, as perguntas esquecidas:

- há quanto e quanto tempo os EUA alimentam um escandaloso défice, deixam desvalorizar as verdinhas para ajudar às exportações e exageram no consumo interno, vivendo acima das reais e mui liberais possibilidades?

- durante quanto mais tempo a enorme "dona branca" americana soma e segue, ora deixando falir umas instituições (o centenário Lehman Brothers ) mas nacionalizando outras (públicas ou semi-públicas, inclusive, como as entidades federais de garantia de créditos na origem de muitos dos produtos tóxicos agora pulverizados) e salva outras (AIG...) ficando por saber se o Congresso finalmente e aos solavancos libertará os tais 700 biliões (americanos) de dólares - seja lá o que isto for em dinheiro - para resgatar ao sacrosssanto mercado parte do colossal défice bancário e amainar a respectiva crise (por agora) in extremis e sob a esconjurada benemerência do ... Estado?

- por quanto mais tempo continuarão os EUA a disfarçar o maior défice público do mundo à custa do financiamento de guerras um pouco por todo o mapa mundi ?





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2008-09-17

Setembral e mais além


depois da homenagem ao luar de Agosto, a Ditosa em boa hora oferecida ao Ditos trouxe um antecipado Outono, em dias de vento e céu escurecido logo em Setembro!

mais por via de influências de marketing - leve já o seu Outono e comece a pagar apenas na próxima Primavera!! - do que pelo omnipresente e enregelador "fenómeno" aquecimento global ...
talvez afinal o mesmo na origem do que algumas avós queriam dizer com o velhinho "1º de agosto, 1º de Inverno"!!!
mas para que suspensos mundos olha?
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2008-09-11

enter



arte finlandesa, Instituto Camões, Lisboa, Verão 2008




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2008-09-09

pedra & luar




bem pesada em seu poiso, aguardando o eclipse e guardando o silêncio das pedras, a Setembral Ditosa é bem a gosto testemunha a um tempo real e irreal, grande e ínfima, santa e pagã, vigiando a gente, firmemente à espera da circunvolução do céu, visitando e também visitado por estrelas, sonhos e planetas com o mesmo destino: nascer a oriente e vogar rumo a poente, habitando o ser e a representação, ouro e breu, mente e firmamento, em ciclos naturais, bem desde antes do entendimento e quiçá bem para além



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2008-09-07

they can't

hoje terminou o pseudo silêncio do PSD, desde sempre entrecortado, jametinhasdito, por ... uma primeira paginazinha semanal no "Espesso", já para não falar na omnipresente histeria acrobática de tantos barões, muitos dos quais sem nada de jeito a assinalar

e que trunfos sairam da universillyada laranja ?

denúncias disto, queixumes daquilo, um que outro reconhecimento do que tem sido feito, o imperioso alerta para a conveniência de mudança de políticas - tresandando a pedido instante de mudança de partido... - e a habitual promessa de enriquecimento para todos com o PSD no poder

é pouco

sem entusiasmo, sem fé, sem mensagem, sem alternativas concretas, sem descredibilizar ainda que parcialmente os actuais governantes, sem se prevalecer de qualquer crédito indiscutível, assim também não é por esta via que a oposição se constitui em verídica proposta de alternância - que até pode suceder, pese a aparente improbabilidade, mas sem que se vislumbre algo mais que a mera rotação partidária, alguma ideia, algum valor, qualquer centelha

há, todavia, um grito positivo: a passagem do discurso em que Manuela Ferreira Leite apela ao fim do sectarismo partidário, único ponto autocrítico desta antiga dirigente partidária, talvez sem margem de manobra para poder e querer (ou mesmo crer?) muito mais

incrivelmente, depois de criticar o esforço controleiro do partido do Governo, Manuela Ferreira Leite finda a sua tão aguardada intervenção sem abrir a porta às perguntas da comunicação social

em que ficamos ?

além de assim se enredar em manifesta incoerência, será possível conceber tabu mais apagado ?

acham mesmo que assim chegam lá?





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2008-09-06

Cuba & Timor

Gustavo, o furacão, assolou as Caraíbas e ameaçou os Estados Unidos da América do Norte, causando avultados estragos.

A maior fatia da atenção mediática foi direitinha para Nova Orleães, onde medidas excepcionais apressaram o êxodo e forçaram a precaução, mesmo perante o enfraquecimento da força dos ventos ciclónicos e a diminuição da graduação da sua perigosidade, o que se justificava ainda assim face aos dramáticos efeitos de anterior catástrofe com idêntica origem, então o tufão Katrina, persistente na memória de muitas vítimas e familiares.

Desta feita, as coisas correram melhor, apesar de tudo. Mas o 'apesar de tudo' encerra graves perdas em diversos países, habitualmente fustigados nesta época do ano com este género de tempestades e para as quais é difícil ou mesmo impossível constituir defesa segura e perene.

São pois bem vindas as ajudas.

Dos Governos de cada país, naturalmente e em primeiro lugar, o que infelizmente nem sempre sucede a tempo e horas ou com a eficácia necessária.

Pelo que é sempre de assinalar quando a ajuda vem do exterior.

Em regra, a partir de países de maior capacidade económica ou com presença habitual nos cenários em que a ajuda humanitária acontece, como é o exemplo de muitos países da União Europeia, os nórdicos sobretudo.

Ou também a partir de países com afinidades políticas relevantes ou interesses nas regiões afectadas.

Portugal tem já uma tradição de veraneio em Cuba e em todos os anos, no fim do Verão, os noticiários lembram quantos turistas temos nas zonas afectadas, por vezes com pungentes entrevistas telefónicas ou no palco das chegadas do aeroporto de Lisboa.

Recentemente, também demandamos Cuba em busca de cirurgias, como é o caso de algumas especialidades de oftalmologia.

Neste contexto, o gesto altruísta de Timor Leste tem um merecido jametinhadito de júbilo: ai quem me a Cuba !!!

Oxalá o Haiti e outros países castigados pela época de temporal consigam também atrair a solidariedade necessária a apaziguar o sofrimento das populações e apoiar a reconstrução, material e emocional.

Timor é um pequeno país, também carente, mas ao procurar exprimir o imperativo de ajudar no momento da catástrofe, quando é preciso, mesmo lá de tão tão longe, vem demonstrar ao mundo que os hemisférios não são suficientes para afastar a boa vontade e a fraternidade humanas, dando o exemplo da possibilidade imensa que é o arquipélago da solidariedade universal


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2008-09-03

tempo


é bom de ver, ou mesmo pouco vendo, a dúvida é legítima: é o tempo que faz o clima ou é o clima que faz o tempo ?

afinal o sol, o bronze, o toldo, a sombra, as horas benignas, o protector, os raios UVA e UVB, a primeira claridade do dia, o azul (ou será verde? cinza? prata? de espuma?) do mar ou do céu, qualquer céu que se veja, o infinito do horizonte, o aquecimento global, o arrefecimento local, a maré, ver onde se põe o pé, enfim, são conceitos muito relativos...

está visto (mesmo sem estar) e jametinhasdito, o estado do tempo não tem importância !

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2008-08-24

palmeiras

tudo tem a sua ciência, é certo e sabido, tanto quanto há sempre quem se julgue no direito de achar que sabe um pouco de tudo, ao menos de muitas coisas, vá lá, de algumas, eventualmente apenas por recurso ao bom senso, embora sempre falível quando se entra no campo específico das especialidades especializadas


por exemplo, quem é que sabe tudo de palmeiras?
umas nascem e crescem espontaneamente, sabe-se lá onde, dispensando sensos e técnicos!
outras têm localização rigorosa, após aturado estudo técnico-centífico e deliberação cuidadamente planeada, integrando-se em elaborados planos de arquitectura paisagística, a que poucos acedem...

esse mundo é então de iniciados: arquitectos paisagistas, jardineiros, regentes agrícolas, engenheiros agrónomos, agrónomos (se os há, sem engenharia...) ou botânicos, etc !

mas o mundo não acaba nos técnicos e por isso haverá uma hierarquia da coisa: coordenadores, chefes, responsáveis, directores, vereadores, políticos, o costume, pelo menos

depois, é só fazer as contas - quer dizer, a aplicação prática: avaliar o caso concreto, diagnóstico das necessidades (que segundo as melhores leis do marketing podem ser criadas e desenvolvidas expressamente para gerar um produto que lhes dê adequada resposta e mesmo, quiçá, quem sabe, porque não?, vê-se de tudo, hipotética satisfação) e projecto de resolução, arranque, execução, implementação e, além do mais, concretização, os chamados finalmentes

com ideias, imagens reais e virtuais, comparatística, seriação, benchmark, apresentação, arte-final, embrulho e expedição - business as usual, no fim de contas

e semear, ou adquirir de viveiro, no estádio mais interessante, com patine se preciso for - lembrando António Mega Ferreira, sobre a 'Expo98', hoje Parque das Nações, que recentemente afirmou ter há dez anos declarado que a zona seria bem mais simpática depois de decorrida uma década e vangloriando-se do acerto da previsão agora que já lá há árvores! extraordinário, com umas árvores o espaço fica melhor, mesmo se preenchido a cimento até ao milímetro, não tarda a Expo terá patine, os anos passam e ...

bom, mas então e as palmeiras?

ora, um dos magníficos viadutos de Lisboa, baptizado, inaugurado e, no caso, até já em funcionamento, sobrevoa uma estação da crescente rede do Metropolitano, a do Alto dos Moinhos, uma das novas mas ainda subterrânea, à antiga

à antiga mas em zona nova e descampada, confinando com estaleiros das urbanizações contíguas ao Estádio da Luz, do Hospital dos Lusíadas e do arranjo do próprio viaduto, cujas obras se eternizam e enfernizam a (falta de) segurança envolvente

apesar de se descurar o essencial (completar as obras, eliminar os estaleiros e conferir segurança aos utentes do local) o projecto previa certo "arranjo paisagístico" para a entrada da estação do metropolitano - que é também a entrada do Museu da Música e do Auditório da empresa Metropolitando de Lisboa - incluindo uma escultura e ... quatro palmeiras !!!!

as ditas palmeiras, abaixo ilustradas, embelezando a entrada da estação e o complicado cruzamento (verdadeiro nó cego, difícil de desatar) rodoviário, ficaram lindas no local, debaixo do viaduto!

sim, debaixo do viaduto!!

jametinhamdito, palmeiras a crescer debaixo do viaduto!!!

he he he ...

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2008-08-19

verniz olímpico

primeiro, era o sonho, a confiança e a poesia !

- ou, para políticos, dirigentes e comentadores, altas fasquias...

depois, eclipsaram-se algumas estrelas, planetas e satélites...

após o eclipse lunar, a insónia trouxe a excelente medalha olímpica de Vanessa Fernandes - que orgulho, para ela, para a Família, para os portugueses !!

mas numa quinzena em que muitos estão a trabalhar para o bronze, uma medalha de prata é insuficiente - veja-se o exigente editorial, no Diário de Notícias, de João Tavares, um verdadeiro campeão das olimpíadas da basófia - pois querem ouro !!!

a comunicação social ajuda à festa, empolando o bem e o mal, torcendo e distorcendo (v.g. Vicente Moura não se demite coisa nenhuma, apenas lança atoarda inoportuna quanto a hipotética renovação do mandato, que ninguém lhe reconhece nem lhe garantiu) para um suposto record de audiência, desprezando olimpicamente a verdade e o essencial, na mira de confundir o leitor

mas muitos vão no engodo, vivem bem assim: ainda recentemente, as copiosas derrotas do râguebi foram heroicamente celebradas, as modestas fantasias da bola foram e continuam a ser ... fantasiadas ... muito para além dos resultados efectivos

só os atletas olímpicos é que terão que carregar com as consequências da falta de notícias, da falta de competência de dirigentes, da falta de planeamento nas organizações e nas políticas de desporto, competição incluída, na falta de Justiça, desportiva incluída (tristemente sentenciada em fruta variada e café com leite, para chacota geral e indiferença dos responsáveis, legitimamente crentes na eterna impunidade) e até, pelos vistos, jametinhamdito, com a falta de verniz ... olímpico!!!

assim, enquanto dirigentes, políticos e apressados comentadores melhor disputariam medalhas de verniz, há que ter a noção das realidades: à excepção de um ou outro génio eleito, casos raros e pontuais, os resultados desportivos dependem da sistematização e generalização de níveis elevados das condições propiciadas na qualidade e na extensão da prática desportiva geral e de elite, ou seja, de apostas políticas - com meios, objectivos, justiça, responsabilidades definidas e assacáveis, uma vez banida a corrupção que perpetua a mediocridade

isto como condição necessária mas não suficiente...

ora, no desporto - melhor, no que resta ou no que se transformou o desporto - há muitas contingências: o super-nadador Phelps, dotado de condições invulgares e apesar de ter sozinho mais medalhas que alguns países ao fim de sucessivas ou interpoladas olimpíadas... só com muita sorte venceu a prova individual de mariposa (os 100m) - curiosamente, no apuramento dos 200m estilos, que também venceu, concluiu a primeira piscina, mariposa, atrás do português!

que a caravana passe: boa sorte aos atletas da comitiva olímpica para as provas que ainda há a disputar, para o resto das suas carreiras e para as respectivas vidas, futuro desportivo e olímpico incluído

haja fé, paciência de chinês e, já agora, os mínimos olímpicos de verniz ;->>>

















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2008-08-14

Low cost

A precisar de um post low cost, o ditos inspira-se na excelente crónica “check out”, assinada por Aníbal Rodrigues, na Fugas/Público, de 9 de Agosto.

Aí consta, enunciadamente, um belo rol de razões para se poupar combustível na condução automóvel.

E é fácil entender, o bolso agradece, o ambiente também, a mecânica, o espírito de férias, a saúde por via do estado mais relaxado do condutor, maior ponderação na escolha do local para abastecer em busca de condições óptimas de preço e serviço, descontos, promoções, brindes, prémios e outras pontuações…

Enfim, nada de novo mas é sempre bom saber, recordar, insistir, experimentar, reviver. Afinal, é tempo de férias!

Sendo assim, o jametinhasdito vai para o … não dito – é um grandioso janãometinhasdito!!!

É verdade, o cronista entusiasta da condução moderada e ponderação praticamente não se refere a “velocidade”… conceito com o qual é difícil competir, mesmo recorrendo a tão ponderosos argumentos como os expendidos, todos de muito preço…

E, sobretudo, omitindo cuidada, inteligente e deliberadamente qualquer referência a … “acidentes”, “choques”, “sinistralidade rodoviária”, “danos”, “prejuízos”.

Pois o jametinhasdito omissivo é de ouro: mesmo em ocasião propícia a maior disponibilidade mental, o presumível leitor tende a desconsiderar tudo o que soe a problemas e, como bem se sabe, as complicações só acontecem aos outros.

A desgraça da sinistralidade tem sido invocada repetida e intensivamente mas com parcos resultados – positivos, é certo, mas diminutos face à importância e às consequências do tema na sociedade e nas vidas pessoais e familiares dos potenciais interessados: todos nós.

Também o argumento do ambiente percorre o seu trajecto bem devagar…

É pois justo reconhecer a excelente estratégia do cronista, ao ir directamente onde mais dói – o aspectozinho económico, sempre relevante mas com foros de podium em época de crise.

Embora esta, diga-se, custe a aparecer na forma agressiva que persiste na condução automóvel, em estrada ou na cidade, pois continua a ver-se extensas filas e verdadeiras corridas em contra-relógio ou pelo melhor lugar de estacionamento, em cima do passeio que seja - como lembrava o pouco liberal J. C. Espada no Expresso, face ao olímpico desprezo, de autoridades, responsáveis e cidadãos, por tudo e todos, quando o assunto é o automóvel de cada um.

Já o “Sol” vai a estatísticas devastadoras: olhando para os acidentes rodoviários do início de Agosto, um pouco por todos o País, a causa apontada é sempre a mesma, o “excesso de velocidade”. Apenas num dos casos é indicada a “falta de cinto de segurança”, mas é fácil entender que esta não é a razão do acidente mas apenas do tipo de danos e da gravidade das suas consequências.

É claro que em toda a condução automóvel, como em tantas actividades humanas, está presente o risco de acidente. E, infelizmente, há em geral mais factores para além da velocidade, concorrendo para a causa e ocorrência de muitos acidentes.

Mas é notório que os efeitos da velocidade são muitíssimo menosprezados. Bem vinda pois, ainda que a pretexto da poupança de euros, a análise e recomendação dos efeitos positivos de uma condução automóvel mais consciente, pausada e ponderada – há tempo!!!

Tempo de ter tempo ...


observacões são bem vindas

PS - e um honroso salve às propostas low cost do dito Fugas, viajando um pouco por todo o mundo, cá dentro incluído, faunas, floras e aventuras diversas, a nostalgia em Vieira de Leiria - onde se celebra a insuficiência de meios, mesmo voluntária, em busca da imaginação, da simplicidade e, afinal, da vida, em sensações e sentimentos simples e genuínos, experiências que perduram, na pele e por dentro, no coração e na alma, o que vale no fim e valeu desde o princípio - pois há lá melhor ?

2008-07-31

conta que Deus fez

[...]
A mulher só mais tarde se fez:
Foi duma vez
Em que eu e ela nos somámos
E ficámos três.
[...]

Polípio Gomes dos Santos
in Poemas
Colecção "Os olhos e a memória"
Edições Limiar



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2008-07-14

rosé

o Verão leva quase um mês e o Ditos faz o brinde

tempo de férias, a amenizar a dureza dos dias, a elevar pensamentos, a relevar relacionamentos e informalidades desgravatadas, além de recarregar baterias, as mais delas espirituais mas também as do corpo, precisado de descansos, lazeres, doces remansos e prazeres

tudo a celebrar, por exemplo com um refrescante rosé

que não é vinho, jametinhamdito...

o circunspecto e arroseado Finantial Times vai por outras vias e em 30 de Junho, no sempre interessante Life & Arts, a crónica da enóloga Jancis Robinson acerta o passo com o Verão, mundo fora em busca do melhor ... rosé !!!

parece que o problema é haver muitos, conduzindo a grave inquietação e aprofundada investigação: como escolher um que se beba ?

em matérias sofisticadas como esta, convirá distinguir entre provençais e chiaretos, isto para começar, pelo que se recomenda indagar também a crítica da crítica

em tom menos duvidoso, talvez por ter menos por onde se enganar, o nosso Fernando Melo, na Pública de 29 de Junho – véspera da dita crónica do FT, é certo, mas não deve ter havido eno-espionagem, a indagação internacional pelo rosé de eleição já vem desde Maio, pelo menos...

só que o enólogo português também põe mundividência no caso e manda vir do México o chile necessário para incendiar umas quesadillas no cadinho culinário que justificará mais um brinde ao Verão, com o espumante Murganheira rosé bruto a provar que o que é nacional é bom !!!

mais prosaico, só o velhinho Mateus – e mesmo assim, as aparencias iludem pois o digníssimo campeão já vendeu para cima de dez dígitos da peculiar garrafa inspirada no cantil militar da 1ª Grande Guerra

mas outros eno-investidores merecem um brinde e o Ditos reconhece muita realeza ao Monte Seis Reis, mais conhecido pelo premiado Syrah mas com um rosé que certamente daria cor e rubor ao salmonado FT

já agora, nos Seis Reis está incluída uma Rainha, a Santa Isabel, que também em Estremoz deixou marca na história de Portugal

e a quem visite o Monte Seis Reis durante o Verão está reservado outro brinde, qual seja a magnífica exposição de aguarelas de Nuno David, que abrilhanta o lugar em pinceladas de luz e coração, os tons de mui sabedora e afectuosa exaltação da natureza


















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2008-06-30

reforma da reforma

como jametinhamdito - e bem ! - o mundo continua complicado mas interessante

o Diário de Notícias de hoje, em duas informações que aparentemente não se relacionam, ilustra bem a perplexidade e reflexão que as imbrincadas linhas com que se tricota o mundo podem suscitar

Fernanda Ribeiro, uma superatleta de 39 anos, acalenta o sonho de representar Portugal nos próximos Jogos olímpicos - e tenta arduamente concretizar o sonho, treinando com afinco e disputando provas contra (e com... !) atletas mais jovens, contra o tempo - o contra-relógio dos tempos mínimos estabelecidos para o acesso à Olimpíada em várias distâncias - e contra si própria - e, também aqui, com: consigo mesma... !

Gonçalo Amaral, polícia que se tornou conhecido por ter sido afastado com fundamento em excesso de comunicação pública, por um director que manifestamente se excedia em comunicações públicas e que acabou afastado pelo mesmo motivo, vai passar à reforma antecipada, na sequência das atribulações em apreço e aos ... 48 anos !!

jametinhamdito !!!

numa idade em que tantos atletas já ditaram (ou viram ditado) o fim da sua carreira desportiva na modalidade que abraçaram, Fernanda Ribeiro vai buscar forças ao ânimo e ao corpo, num exemplo de determinação, coragem e preserverança, desafiando os limites em busca de uma especial sexta presença em Jogos Olímpicos: a superação em vez da reforma

noutro caso, em idade em que é perfeitamente exigível que cada um dê o seu contributo ao País, em que o País não se pode dar ao luxo de desperdiçar o contributo de cada um e numa área em que a experiência é precisamente o santo e a senha do sucesso profissional, Gonçalo Amaral passa à reforma, por algo absolutamente lateral à actividade que é suposto desempenhar e em que certamente ainda teria muito para dar

como é possível compatibilizar mensagens tão contraditórias ?



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Zimbabwe

em Harare, ex-Salisbury, capital do Zimbabué, ex-Rodésia do Sul (a ex-Rodésia do Norte é a vizinha Zâmbia) vivia-se há anos o fulgor comercial e o fluir intenso de produtos agrícolas que alimentavam a região, também rica em ouro e outros recursos, incluindo a natureza exuberante que serve de filão ao crescimento mundial do turismo, actividade florescente onde há paz e segurança

hoje a calamidade abateu-se sobre o povo do Zimbawe - um povo sofrido, por muitas sucessões e ambições, que historicamente incluiu a ocupação portuguesa e a apropriação inglesa sob o ignominioso "ultimatum" do mapa cor de rosa... para além das atribulações de 2 independências, embargos, guerrilhas e, ultimamente, de uma devastadora ditadura

instalado no poder desde 1980, Robert Mugabe destruiu sistematica e incompetentemente as estruturas produtivas do Zimbabwe e, sobretudo, a confiança que as edificavam

o mais recente episódio é ameaçador, próprio da fase do estertor das ditaduras e dos seus ditadores

Mugabe perdeu as eleições legislativas, apesar das condições anómalas de vantagem de que dispôs; perdeu também a primeira volta das eleições presidenciais, mais uma vez apesar da vantagem da batota a que os ditadores sempre recorrem abusiva e violentamente

mas os resultados não foram publicados na sequência dos actos eleitorais

houve sarrabulho, atropelos inexplicáveis, demoras comprometedoras

Mugabe prosseguiu a violência e perseguição dos adversários, que conseguiu afastar a tempo de realizar mais uma farsa eleitoral - onde é que já vimos tudo isto? muitos dirigentes africanos, e alguns europeus, deram cobertura ao exercício da ignomínia, da violência e da barbárie - no casos dos dirigentes europeus, disseram, em nome do pragmatismo da aproximação entre a Europa e a África, talvez por cinismo, talvez por genuína crença de que tudo é superável por via do bom exemplo europeu, que os povos irmãos africanos algum dia aproveitarão...

de modos que a segunda volta das presidenciais tem o resultado forjado que o ditador conseguiu e, sem mais demoras, apresou-se a tomar posse imediatamente no dia seguinte

e, jametinhamdito, esteve quase a ser no próprio dia !!!

teme-se o pior ...




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2008-05-31

reforçar o quê?

águas torrenciais, como as deste Inverno de Maio, correrão debaixo das pontes de tantos e tantos abalizados comentadores a propósito da feira do PPD/PSD e do seu recente frenesim eleitoral

ainda assim, algumas achegas espreitam ao Ditos e merecem umas poucas linhas

Manuela Ferreira Leite afirma que as "directas já" reforçaram o PSD

jametinhadito!

os candidatos repartiram equilibradamente os votos, trinta e picos por cento para cada, Manuela Ferreira Leite, Pedro Passos Coelho e Pedro Santana Lopes

Patinha Antão, debilitado com apenas dois nomes, praticante de outra modalidade que entrou (ou não saiu, para referenciar, por contraposição, o gesto auto-misericordioso de Neto da Silva, outro descalço de terceiro nome) por equívoco em águas para que não tem escamas, nunca teve qualquer chance mas também não consegue causar pena, eles são mesmo assim uns para os outros, pelos que os cerca de zero por cento que averbou nem tão pouco constituem castigo, nada, nada vezes nada, mesmo

portanto, contas feitas, das directas ninguém se reforçou, nem o PSD

mas caso se possa interpretar como hipotética esperança de reforço o gesto inteligente de Pedro Passos Coelho, que se declarou sem reserva mental para colaborar com o Partido sob a nova liderança (o que poderia conduzir a unir dois terços do PSD em torno da nova Direcção, oxalá, ao menos para adiar um pouco novas peripécias internas pouco edificantes para a imagem dos partidos políticos e da própria democracia) a bem dizer o que é que se está afinal a reforçar? algo de positivo? é que se o saldo for negativo, o respectivo reforço pode redundar em mais negativo ainda

bom sinal não é...





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2008-05-19

Tchiga Pertú



os cidadãos de Cabo Verde podiam hoje ser cidadãos da União Europeia - como os cidadãos da Martinica o são!

mas a vida foi por outras vias e agora a aproximação está sobre a mesa de negociações, com passos políticos adequados à vontade mútua de concretizar níveis de relacionamento e de associação cada vez mais favoráveis a uma verdadeira pertença, digamos que no trajecto de uma
utopia exequível

mais um exemplo: o presidente caboverdiano Pedro Pires reafirmou ontem (20080518) à AFP, o desejo de Cabo Verde trilhar o caminho da aproximação gradual à Europa

realista, inteligente e claro, na mesma entrevista Pedro Pires jametinhadito que prefere encarar a organização dos países africanos em torno de blocos com interesses congregáveis, como a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, em vez do conceito de União dos Estados Africanos, como preconizam a Líbia e o Senegal

e sentencia: "é fundamental consolidar na África os Estados de direito". !

ora aí está um objectivo visionário mas assente em princípios e na experiência das nações, em particular da integração europeia, também inicialmente segmentada a alguns países e em torno da segurança e da economia

com efeito, a União Europeia nasceu da Comunidade Económica Europeia, que por sua vez teve como embrião a Comunidade Económica do Carvão e do Aço... e nos dinheiros do Plano Marshal americano para a reconstrução europeia

esse esforço agregador mas gradual trouxe à Europa os decisivos frutos do desenvolvimento económico, da democratização e da paz

também África poderá beneficiar de ajudas muito potenciadas por um vector organizador, germe de segurança, democracia e desenvolvimento !

num mundo sob inquietantes riscos de desagregação, secessão e guerras fraticidas, é bom que haja líderes africanos que afirmem com a clareza de Pedro Pires o objectivo de unidade em busca de segurança e desenvolvimento para os martirizados povos do continente primordial !!

à luz do primado do direito, das leis e da democracia !!!







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2008-05-14

é Natal, é Natal

quando um homem quiser, certo?

ou mulher!

Paula Teixeira da Cruz, presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, fez publicar recentemente os anúncios públicos da praxe respeitantes ao 4º aditamento à convocatória da Sessão Ordinária iniciada a 22 de Abril de 2008, continuada a 29 e agendada novamente para 13 de Maio - ontem! - com a finalidade de apreciar e, certamente, "Aprovar a isenção de Taxas para as licenças municipais do Concurso Público para execução de trabalhos de concepção, como procedimento a adoptar com vista à selecção do melhor projecto de iluminação e animação da cidade de Lisboa no Natal de 2008, nos termos da proposta, ao abrigo da alínea e) do nº 2 do art.º 53º, da Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro, com a redacção dada pela Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro."

prevenida e atempadamente, a autarquia está, pois, e com as mui auguradas isenções, a tratar das festas do Natal que a passos largos se aproxima

sim, que já a feira do livro está aí a "rebentar", dentro em pouco marcham as festas populares, e seguem-se comemorações várias, mai-los tão bem administrados futebóis, de que nunca estamos de todo isentos, e após as subsequentes férias mais ou menos grandes entramos praticamente na Quadra Festiva Natalícia, que em termos de comércio e iluminação pública vai de antes do São Martinho - ou mesmo desde antes do 5 de Outubro, na versão santânica - até depois dos Reis

e se o primaveril fervor natalício já merecia um valente jametinhasdito, que dizer da notícia de um subsistente abraço e felicitações para 2007 ?



observacões são bem-vindas

2008-05-13

à sombra



voa, doce, o olhar

busca o sentido, o sonho

e cruza um céu azul especial,

a um tempo repartido a certeza e álea

a luz e sombra, chão e ar,

estar e não estar






observacões são bem-vindas

2008-05-05

etudient

do Maio de 68, muitas recordações são feitas e refeitas pelo (re)visto, ouvido e lido bem para além do que à época se vivenciou, pese embora algum registo de desacatos na capital francesa e sem prejuízo do acompanhamento próximo, interessado e fascinado de alguma elite estudantil e intelectual de gerações então adultas ou perto disso

para as gerações então mais jovens, o amadurecimento trouxe outro Maio, a varar de amores

mas o de Paris de França também ficou em muito coração, onde ainda pulsa a utopia, mesmo a das oportunidades perdidas com as duras realidades do mundo que teima em não se deixar endireitar

desses tempos idos, ecoa uma anedota significativa, vá-se lá saber se verdadeira: no calor dos confrontos da estudantada com as forças policiais, estas representando o poder ultrapassado então em contradição na sociedade, os universitários gritavam sibilinos - CRS S S, ao que os iletrados para-militares respondiam - etudient ent ent !!!


observacões são bem-vindas



PS - volto à minha, com pena de não saber deixar aqui a bela melodia, que estive a ouvir e facilmente se evoca:

Maio maduro Maio/
Quem te pintou/
Quem te quebrou o encanto/
Nunca te amou/
Raiava o Sol já no Sul/
E uma falua vinha/
Lá de Istambul/

Sempre depois da sesta/
Chamando as flores/
Era o dia da festa/
Maio de amores/
Era o dia de cantar/
E uma falua andava/
Ao longe a varar

Maio com meu amigo/
Quem dera já/
Sempre depois do trigo/
Se cantará/
Qu'importa a fúria do mar/
Que a voz não te esmoreça/

Vamos lutar/
Numa rua comprida/
El-rei pastor/
Vende o soro da vida/
Que mata a dor/
Venham ver, Maio nasceu/
Que a voz não te esmoreça/
A turba rompeu

«Zeca Afonso»

2008-05-02

neste céu

em dívida de gaivotas, o Ditos acolhe umas que vogam para sempre nas asas de um Poeta

Congresso de gaivotas neste céu/
Como uma tampa azul cobrindo o Tejo/
Querela de aves, pios, escarcéu./
Ainda palpitante voa um beijo./
Donde teria vindo! ( Não é meu...)/
De algum quarto perdido no desejo?/
De algum jovem amor que recebeu/
Mandato de captura ou de despejo?/
É uma ave estranha: colorida,/
Vai batendo como a própria vida,/
Um coração vermelho pelo ar./
E é a força sem fim de duas bocas,/
De duas bocas que se juntam, loucas!/
De inveja as gaivotas a gritar...

Alexandre O'Neill
in No Reino da Dinamarca



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2008-04-28

parabéns, Sr(a)

o Ditos dá os parabéns a José Vitor Malheiros, jornalista do Público e autor habitual de crónicas excelentes sobre o que realmente importa

os parabéns são devidos para além de qualquer aniversário, pela oportuna, inteligente e bem disposta denúncia do abuso de confiança que muitas entidades promovem à custa de dados pessoais a que acederam para finalidade comerciais, profissionais ou institucionais

na sua crónica - como o texto não está em linha, vai para a caixa de comentários - de 22 de de Abril, são referenciados comportamentos já rotineiros de fornecedores, empregadores e outros puxa-sacos, que não se enxergam e atrevem-se mal-educadamente a endereçar "parabéns" aos seus eventuais clientes, colaboradores, associados ou quem quer que seja que algum dia tenha facultado, para outros fins, a respectiva data de nascimento

aos processos automáticos, acrescem verdadeiros figurões, entre os quais dirigentes analfabetos que nem sabem usar o computador mas mandam a secretária endereçar correio electrónico a dar os parabéns em cumprimento burocrático-religioso de tacanha ancestralidade administrativista

os praticantes de tais modalidades, as automáticas e as de puro exercício de hirarquia, acreditam que ficam bem vistos, é a única explicação para o investimento, geralmente sem proveito algum

e como em regra não levam resposta - ou nem a admitem, a caixa de correio electrónica é só de expedição - aqui fica por vingança, especialmente para todo o verdadeiro puxa-saco das mensagens de aniversário, o agradecimento que merecem: obrigado por nada !


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2008-04-24

por aqui, por ali e por aí

é oficial

Berlusconi português, anda por aí

a dinâmica transalpina, o tour de force do bailinho da Madeira e a falta de candidaturas competentes para gerir o País, jametinhadito, animam o eterno enfant terrible a avançar para mais um combate político, pessoal, consigo próprio, contra ventos e marés, contra o lugar comum de não tentar voltar ao lugar onde foi ... infeliz !!!

só de quem sabe porque não fica em casa...





observacões são bem-vindas

2008-04-08

águas mil

é Abril, sempre!

por entre períodos de chuva, as andorinhas sobrevoam e volteiam, trocam olhares em geometrias de surpresa e alegria, de vida

já desde Fevereiro se não viam nos céus de Lisboa, a brincar...

pelo meio, um Março marçagão, de manhã Inverno, à tarde Verão

como sempre!!

as alterações climáticas - ? jametinhasdito! - são muito mais as mesmas do que se quer fazer crer

muitas alterações são mais do mesmo muito mais do que se quer fazer crer

mas deixemos isso, por ora, deixemos muito, deixemos quase tudo

é Abril

sempre!!!




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2008-03-31

revolução

viva a revolução !

desde que substituiu as suas altas funções de irmão de el comandante pelas de irmão de el ex-comandante, Raúl Castro tem feito uma revolução... por dia!

primeiro deu aos cidadãos cubanos a liberdade de comprar computadores

depois veio a liberdade de hospedagem em hotel

agora é a liberdade de usar telemóvel

a continuar a este vertiginoso ritmo, Cuba chegará em breve, talvez ainda na geração Castro - sim, eles jametinhamdito que estão para lavar e durar - à liberdade, igualdade fraternidade da revolução francesa de 1789, ou talvez mesmo à magna carta de 1215, quem sabe se à shengen de sair das cavernas que, na pré-história, constituiu assinalável liberdade!!

mais terra a terra, talvez a seguir sejam permitidos produtos de higiéne pessoal, jornais, rádios, televisões, incluindo a regularização dos já existentes "indirectos" (no Portugal da velha senhora chamavam-se clandestinos, certamente por mais razões que apenas outra terminologia), viajar, criar empresas, aprender e ensinar, sabe-se lá que mais, nem vale a pena tentar a hipótese de livre escolha cultural, religiosa, política... estar-se-ia talvez a exagerar... mas ao menos registe-se a caminhada (longa marcha?) para a chegada de tão ansiada liberalização de inúmeros bens de consumo

talvez os cépticos, como sempre, desvalorizem tais liberdades não apenas por serem a conta gotas mas por se confinarem à mera esfera patrimonial

atenção, porém...

com um computador, um cidadão fica livre de trabalhar, de arquivar informação, de a processar, de se viciar em jogatanas virtuais, enfim, um sem fim de liberdades

num hotel não será difícel imaginar exercícios de liberdades a bel recato de cada cidadão

por telemóvel chega a(lguma, bastante mesmo, quiçá demais) liberdade de comunicação

trata-se afinal de materialidades com imensas potencialidades imateriais, assim iniciando talvez a desmaterizalização histórica do socialismo cubano

e o que mais virá

se vier por bem!!!




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é mentira, é mentira

na edição do «Público» de sábado, 29, há uma saudável esquizofrenia que em imprensa se chama exercício de pluralismo, sobre as mentiras na origem da guerra do Iraque, ainda em curso

José Pacheco Pereira, historiador, político e activista partidário, vitimando-se na defensiva, parte de uma chicana para com o leitor sobre as várias mentiras, classificando-as em boas e más e optando por umas delas, afirma que no caso da forçada legitimação da guerra pelos seus responsáveis políticos, Bush e Blair, embora esquecendo outros, afinal não há mentira – era mesmo genuína convicção, tanto que foi com a maior surpresa que verificaram, por fim, que não havia as invocadas armas de destruição maciça nem a alegada ligação às organizações terroristas; escreve ainda que prova dessa boa fé (ausência de dolo) resulta de os ditos responsáveis não terem cuidado de inventar “uns bidões num armazém, umas ampolas biológicas nalgum sítio. [ ... ] Seria aliás quase impossível de verificar se era verdade ou não”; e conclui - pressupondo embora o completo esquecimento das inúmeras tentativas de forjar provas, corromper relatores, ignorar avisos e dúvidas mais um mundo imenso de protestos - que só a posteriori foi possível verificar o engano

Francisco Teixeira da Mota, advogado, segue outra via: o elenco dos factos, naturalmente muito abreviado, deixando à clara luz os inúmeros discursos e actos oficiais em que se afirmavam certezas absolutas, ameaças incríveis, perigos demolidores, segundo os quais os ditos responsáveis repetiam dispor de provas inquestionáveis (que nunca mostraram, et pour cause...) da devastação eminente; factos invocados, sai com uma conclusão bem mais humilde: parece, afirma, que o arrolar de tais mentiras indicam “que estamos perante um criminoso erro histórico”

as diferenças de opinião são obviamente saudáveis e enriquecedoras, revelando que a mesma realidade pode (e deve) ser vista sob vários ângulos, para nos proporcionar a sua melhor compreensão e, se for o caso, julgamento

mas jametinhamdito que as técnicas de retórica e os factos, a argumentação política e as linhas de raciocínio, as certezas e as cautelas, a arrogância e a humildade, ficam também expostas à transparência nestas duas formulações, de tão conceituados cronistas e em tão bem elaborados artigos de opinião


pois ficam ?



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2008-03-25

queira apitar, por favor


se há quem passe a vida a buzinar no trânsito, também os há bem ordeiros e delicados, de tal modo que precisam de incentivos educados para tanto atrevimento e ainda assim apenas em casos devidamente justificados

e se os há calminhos mesmo em caso de acidente, sem uma pestanejadela que seja, para não perturbar as manobras de socorro, não os há tão ponderados cá por latitudes mais mediterrânicas, em que estamos mais habituados a sinais de trânsito a (tentar) proibir a espontânea buzinadela por tudo e por nada

pelo sim, pelo não, se vir um escocês distraído ou desatento,


jametinhamdito que de quando em quando voltam a clamar pela independência mas com muita serenidade, pelo menos até ver, embora haja quem acredite que ainda nesta geração poderá ouvir: my name is Scotland, Independent Scotland

com os olhos postos no umbigo e nas carreiras partidárias ou políticas mais do que em Timor Leste, no Tibete, no Kosovo ou no País Basco, muitos governantes fazem tábua rasa do provérbio sobre os telhados de vidro e vão olimpicamente atirando pedras aos vizinhos - ou será apenas para obtenção de ganhos negociais no esplendoroso mercado chinês ?



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