2007-12-26

Natal

o Presidente Cavaco Silva concedeu 6 indultos por ocasião do Natal

jametinhamdito: muitos menos do que o ano passado e do que é habitual !

há um ano, um erro (? - esperamos bem!) acabou por manchar a nobreza do acto, por entre minudências processuais mal esclarecidas: terá havido descuido na preparação da proposta ministerial apresentada aos serviços da Presidência da República e o beneficiário de um dos indultos tinha afinal mais contas a prestar à justiça - acontece, mas a mácula deixa a terrível dúvida sobre o rigor da elaboração dos elementos instrutórios dos restantes procedimentos de indulto

assim, embora só impropriamente se possa invocar o "pelo pecador paga o justo " da sabedoria popular, certo é que desta vez a maior exigência e a vontade de não errar - concedendo menos indultos reduz-se a probabilidade de erro - resultaram em menos actos de clemência presidencial, prerrogativa reminescente do poder régio assegurada pela Constituição ao Presidente da República

há uns anos, um dos indultados contou a sua história: industrial, viu a sua fábrica incendiada com grave dano material e perigo para o sustento e bem estar da respectiva família; identificado o malfeitor, foi presente a juiz e saiu em liberdade, continuando a rondar a propriedade da vítima; acto contínuo, levou o meliante para um ermo e deu-lhe umas valentes sarrafadas; foi também presente a juiz mas não teve direito ao mesmo trato: ficou preso, foi julgado e condenado; anos depois, num Natal, foi indultado pelo Presidente de então, com base na situação humanitária, no bom comportamento durante a parte da pena de prisão que cumpriu e na avaliação geral da justiça do caso

enfim, como em muitos outros casos, aquele indulto não ofendeu a consciência colectiva, o senso comum ou a compreensão geral da comunidade - é uma excepção que se justifica

por isso vale a pena defender a subsistência do instituto do indulto, apoiado por análise rigorosa do ponto de vista dos factos, do direito e da moral, como válvula de escape do sistema jurídico punitivo, sujeito a erros como qualquer projecto humano

mas se o Natal é uma celebração cristã, o espírito do Natal é universal - são habituais clemências em quadras festivas maometanas, de que há inúmeros exemplos recentes

ainda há dias, o Rei Abdullah, da Arábia Saudita, concedeu indulto a uma mulher condenada, por ocasião de uma celebração religiosa

bom, o caso tornou-se muito conhecido porque a beneficiária tinha sido condenada no âmbito de um processo de violação... em que fora vítima de 7 meliantes - vá lá, também condenados!!

é que a aplicação pura das leis, ainda que consideradas justas (ao menos - ou apenas? -pelos respectivos aplicadores, supõe-se) chega a ferir o mais elementar sentido de humanidade

vale então a pena celebrar o que resta de humanidade

mesmo que não seja dia de Natal ou para quem não haja dia de Natal, casos em que é da maior valia haver Natal

dia 26 de Dezembro, por exemplo, devia ser Natal !

e nos dias seguintes, todos os dias !!

no mundo inteiro !!!






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2007-12-22

Feliz Inverno



hoje foi o menor dia do ano, escureceu cedo e amanhã, ao acordar, já o Inverno deu as boas vindas

provavelmente será retribuído com um bocejo matinal, espontâneo e delicado, em homenagem a mais um dia

no caso, o dia em que os dias do ano (re)começam a crescer

é Inverno outra vez, e embora haja quem acredite tê-lo avistado em Agosto, é o tempo do nosso «Inverno velho, velho, velho» de que fala o poeta Eugénio de Andrade

de todo o modo, os ciclos são para cumprir e usufruir, pois o ADN humano transporta os humores da natureza e das inexoráveis geometrias e revoluções planetária e astral

perplexo, fascinado e místico, o homem celebrou sempre o solstício de Inverno, desde a monumentalidade megalítica às festas pagãs entretanto assimiladas pelo cristianismo na quadra do Natal, mas ainda assentes nos estados de alma face à trajectória do astro-rei no firmamento, nas crenças da necessidade de replicação espiritual do renascimento da iluminação solar e na aspiração de, em cada ano e em cada dia, renascer

em tempo de pressas e consumismos, é bom retomar a noção de que ainda nos relacionamos teluricamente com os ciclos naturais, do tempo depois do tempo, quem sabe se por todos os tempos...

mas também o tempo da partilha e dos afectos, de recuperar o calor familiar, a magia e a graça das crianças plenas de expectativa, de alegria e, por fim, de um cansaço satisfeito que também nos apazigua e contagia de boas sensações

jametinhamdito que não há melhor !

voto sincero e amigo de um Natal cheio de luz






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2007-12-12

suceder na hora

A elegante Cristina Kirschner (o Financial Times e a Time tratam-na por Fernandez...) acaba de tomar posse do magnífico bastão de prata que simboliza solenemente o cargo de Presidente da República da Argentina.

Advogada (ninguém é perfeito) e política, senadora eleita e admirada, popular apesar da fama de mulher dura, certamente reúne qualidades bastantes para exercer as funções para que foi escolhida por votação expressiva (45%) do eleitorado argentino.

Há no entanto uma peculiaridade relevante no curriculum vitae de Cristina Kirschner, talvez simultaneamente fragilidade e trunfo: era a primeira dama!

Sucede assim ao marido e presidente em funções no mandato anterior, Nestor Kirschner, com quem começou a namorar quando ambos frequentavam a Faculdade de Direito.

A inédita sucessão conjugal (pelo menos em regime republicano) na chefia do Estado, carrega o fardo e a velada suspeita de que se trata de presumível estratagema para fazer reeleger Nestor no mandato seguinte.

Isso faria de Cristina uma Presidente “barriga de aluguer”, para prolongamento da governação por interposto cônjuge. Mentes insidiosas, porém, poderiam sempre alegar, quiçá com propriedade, que foi Nestor o testa de ferro no mandato anterior. Quem o saberá ao certo?

Mas o plano aparente inclui a repetição futura da alternância conjugal, de forma a aproveitar ao máximo a permissão constitucional de reeleição presidencial e garantindo – jametinhamdito! – um total de quatro mandatos ao casal, independentemente de eventual repartição interna de ascendente na governação da Argentina.

Tal é de facto possível, plausível e até provável, porquanto a ingénua República não interdita a sucessão familiar nos cargos de poder desde que cumpridas as formalidades eleitorais. Às vezes, nem isso.

Esclareça-se que a sucessão “republicana” pode ser conjugal (caso do casal Kirschner), fraternal (caso dos manos Castro), parental (Kabila) ou até pessoal, em que o titular sucede a si próprio, tudo à margem do ideal republicano e democrático de rotação nos postos de poder.

Em alguns casos, há necessidade de alguma sofisticação adicional em busca de um mínimo da tão desejada aparência de legitimidade legal.

Para isso, uns tentam mudar a constituição (Chávez), outros estagiam temporariamente em cargo nominal diferente (Putin, que se prepara para nomear o vice-Primeiro Ministro Medvedev para ser eleito interposto Presidente enquanto assume as funções de Primeiro-Ministro) e, claro está, outros há muito piores em desfaçatez e apego ao lugar.

Há republicanos que se sucedem "nas horas", em família e a si próprios.

Está pois na altura de dinamizar a “sucessão na hora”.

Expedientes não faltam...

E se há candidatos!!!






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2007-12-03

pedra



ainda em pedra, a Ditosa dezembrosa... voa como quem não olha aos materiais, olha além do horizonte, persistente no contraponto dos perenes elementos e no grácil esboçar de todos os movimentos, como se fosse perpetuamente!


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2007-12-02

Phone ética

o traçado engraçado de Pedro K., o "Meia Hora" de quinta-feira passada, 29 de Novembro, tenta ridicularizar a designação eleita para a telefonia móvel dos CTT, jametinhamdito, nada mais nada menos que Phone-ix !

mas só se presta a ridículo quem tem algum senso, isto é, se de todo não se desfez já do sentido do ridículo

é que no mundo globalizado de hoje, acredita-se que os desafios mais problemáticos devem superar-se pela via das oportunidades que geram...

e quando já se perdeu a vergonha, o ridículo pode render preciosos cêntimos para o relatório e contas anual

também engraçado é o esforçado emprego do "i" para reforçar o ix (Phone-x tem a mesma fonética) aos distraídos ou menos versados em inglês ... que poderiam ler "fóne-chis", prejudicando talvez o êxito da implementação do famigerado plano de marketing ou dos níveis de rendibilidade projectados

no celebrado verso "alma minha gentil ...", Camões apôs o selo do génio pela deliberação de transformar em figura de estilo um erro da linguagem comum, a cacofonia, mas também pela acumulação com outra provocação, do foro dos costumes, não sendo inocente o recurso à expressão "maminha" que é o resultado fonético do atrevimento poético

tal é permitido a valorosos poetas porque o seu reconhecimento lho permite: aos leitores não restam dúvidas sobre o carácter intencional e poético da ousadia; e porque assim é a arte, infrigir a norma e provocar as mentalidades, impondo um confronto com os limites aceites e procurando a adopção de novos limites

também a recente escolha do título "Deixa-me amar" para designar uma série televisiva (telenovela é um pouco abusivo) se compreende num projecto de deliberada cacofonia, de que o nome é apenas mais um pormenor ditado pelo marketing

há um aproveitamento da notoriedade do erro e da provocação ao nível dos costumes - neste caso, o resultado "mamar" nada terá de poesia, movendo-se tão só na suposta rendibilidade de audiência televisiva da vulgaridade

de igual modo, os CTT terão decidido em cima de aturados estudos de notoriedade e a escolha é mero produto da ditadura do marketing - às malvas com a ética

o resultado fonético pretendido "fónix" é também da ordem da vulgaridade, jargão generalizado - por substituição púdica de outra expressão de fonética aproximada e gosto ainda pior - mas correntemente utilizada por jovens cada vez mais jovens, eventualmente tão jovens que não chegaram ainda ao entendimento do significado escondido pela ténue mutação fonética

mas aos CTT, e sobretudo aos respectivos marketears, não escapam significados nem subentendidos: a aposta na vulgaridade como factor produtivo resulta directamente de projecções económica-financeiras para maximização do retorno do investimento no projecto

e da atitude perante a ética: vale tudo para realizar negócios

vale ?



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2007-11-27

campeão no xadrez

Garry Kasparov passou do xadrez, em que foi campeão, à política e nessa nova quadrícula lidera o movimento (ou partido?) Outra Rússia

que outra será não se sabe mas é certo que a pretende sem Putin - ao menos sem Putin no lugar de domínio czarento do que resta da União Soviética

mas o ex-campeão voltou ao xadrez precisamente pelo afã de se manifestar activamente contra Putin

vai daí foi preso e vê o sol aos quadradinhos durante 5 dias, sob acusação de marcha ilegal

ao que consta, teria apenas autorização para a reunião e manifestação, não para grandes marchas!

jogador de ataque, também na política ensaia movimentos surpreendentes

mas a vida, como a política, em boa parte simbolizadas pelo jogo do xadrez, têm outras regras, nem todas conhecidas, e outros espaços, nem todos delimitados, bem como outros "movedores" de peças, nem sempre se apresentando para o confronto leal, próximo e virtual da arte exercida no tabuleiro das 64 casas de cores alternadas, onde se pratica a elegância, a subtileza e o virtuosismo

no mundo real, jametinhamdito, é a doer, os adversários dispõem de outras regras - ou fazem-nas!

e o resultado pode ser bem mais dramático do que a repartição de pontos entre a vitória, empate ou derrota

entretanto, Kasparov jogou também num outro tabuleiro e escreveu um livro de gestão ("How life imitates chess") em que aplica à vida empresarial alguns dos ensinamentos escaquísticos

o Financial Times achou que não é bem assim, com alguma razão, nem tudo se decide ou trata sentadinho ao tabuleiro depois de infinita preparação teórica e treino afincado

seja como for, ficou por aplicar uma das máximas do celebrado campeão: aprender com os erros... dos outros!

até ao momento, Kasparov passa pela prisão e Putin segue a sua marcha sem pedir licença a ninguém, com larga margem (70%) nas sondagens eleitorais

e já agora, ironias da política, o líder partidário Kasparov defende que não haja eleições, precisamente por antever que legitimarão Putin

é que se nem eleições houver, então o pretendente czar estará mesmo para ficar!!!



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2007-11-26

direito e mundo

o mundo e o direito andam "de par", mas por vezes com assinalável desfazamento

em princípio, temos a ideia de que a realidade evolui e o direito tende a cristalizar, de algum modo, a realidade, em sucessivos patamares evolutivos, tutelando ou disciplinando aquilo que merece tutela ou disciplina à luz do aparato do Estado, corporizando normativamente (e legitimando) a futura intervenção da administração pública e coerciva da Justiça - e assim, com Pulitzer, surpreendemos o carácter conservador do direito

por outro lado, o direito surge muitas vezes a revolucionar e impulsionar as vanguardas sociais, antecipando a modificação das mentalidades, humanizando as sociedades ou edificando o progresso - foi assim em muitas das conquistas sociais no correr dos séculos e é assim pacificamente entendido no edifício e no enorme acervo jurídico da construção das comunidades europeias em torno de um projecto de aproximação económica e política, pretendendo-se também social

mas os avanços sociais e jurídicos não ocorrem necessariamente ao mesmo tempo: umas vezes interpreta-se a lei nova à luz da lei antiga, resistindo à mudança; outras vezes, algo "criativamente", enriquece-se o direito constituído com os alvores de aquisições sociais ou culturais (ética incluída) ainda não recebidas pelo universo formal da legislação e regulamentação em vigor no momento - incluindo, também, o conhecimento científico

isto a propósito do "caso" do cozinheiro com HIV recentemente debatido em reacção a um acórdão tirado em Tribunal de recurso, gerador de controvérsias várias e de um comunicado do Conselho Superior de Magistratura, de 22 de Novembro de 2007

este, começa em grande e jametinhadito: "1- O cidadão em questão não foi objecto de despedimento com justa causa, antes a entidade empregadora considerou a existência de caducidade do contrato de trabalho;"

ora, o cidadão é um ser humano, por definição (da natureza e da moral) e pela Constituição da República (do direito, então) insusceptível de ser objecto seja do que for muito menos de despedimento com ou sem justa causa - se o cidadão foi despedido, foi o sujeito do despedimento e não seu objecto!

depois, também não se explica a substância ou o efeito da diferença entre a reclamada "declaração de caducidade" e o suposto mas negado "despedimento" - ora, esclarecimento é o que se espera de um comunicado do Conselho Superior de Magistratura e não artifícios jurídicos ou manobras de diversão

e fica ainda unm sabor amargo que se repete muitas, muitas vezes, deixando amiúde os olhos aguados de raiva a requerentes de Justiça e perplexidade em múltiplos intervenientes do mundo dos tribunais: o magnífico sistema dos "factos provados" torna preto o que é branco, soalheiro um dia de chuva e cristalino o mais poluído lamaçal, mesmo quando à vista de todos, a psoteriori e para todo o sempre se verifica que o que não é não pode mesmo ser

mas em recurso, o acórdão definitivo oblitera que não se podem alterar os factos "dados" como provados pelas instâncias

mesmo se contra evidência científica, o mais puro bom senso ou repetível averiguação








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2007-11-23

España y las Azores

há dias (18 de Novembro de 2007) veio a público a tardia e caricata confissão de Durão Barroso sobre as informações erradas em que baseou o seu apoio à desatrosa invasão do Iraque em 2003

em entrevista publicada e, entretanto, muito comentada, admitiu que viu documentos com informações que não correspondiam à verdade, reconhecendo agora o que tanta gente percebeu há quatro anos

na realidade, actuando fora do quadro da ONU e perante manifestações veementes no mundo inteiro que insistentemente lhes exigia um mínimo de comprovação sobre as armas de destruição maciça que alegavam existir no Iraque, os participantes da dita reunião dos Açores, preparatória do ultimato ao Iraque e do cenário pretensamente legitimador da agressão unilateral, bem sabiam ao que iam

por muitas razões, fazendo o mal e a caramunha, difilmente alguma vez convencerão alguém de que agiram boa fé

ou, de outro modo, jametinhamdito!

em magnífico post do amigo AZblog, a 19 de Novembro, resume-se a obstinação atitude e a cegueira: o pior cego é o que não quer ver

nesse mesmo dia o diário espanhol Expansión dá pela marosca de Durão Barroso e reparou na passagem que considera fundamental para se entender o porquê da confissão: "El presidente de la Comissión Europea destacó que si Portugal organizó aquella reunión fu a petición de sus aliados y, en especial, de España."

ou seja, o jornal espanhol tenta descobrir a careca de quem sacode a água do capote procurando molhar outrem

dá-se a coincidência de tão desfarrapada desculpa cair no momento em que o seu correlegionário Aznar está sob forte crítica por outras intervenções menos respeitosas para com a soberania de países terceiros, no epicentro do incidente diplomático da cimeira ibero-americana

é claro que não passa pela cabeça de ninguém que a mudança de atitude de Durão Barroso procure encontrar apoios, nomeadamente do actual Governo socialista espanhol, para uma eventual candidatura a novo mandato como presidente da Comissão Européia...

são pequeninos os pontos e finos os fios com que se tecem as grandes teias!


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2007-11-17

inventar



homenagem e agradecimento à Autora, a Ditosa hoje proposta é plena de encantos e mistérios, de que a localização é mero exemplo

correspondendo ao exercício de sensibilidade que é recortar a realidade para a iluminar de fascínio, o desafio é fluir a imaginação para descobrir e atribuir significados ou segredos, suspeitando ou confirmando no vulto o vulcão, no limite a imensidão, no vinco a perfeição

ou espreitando céu e chão, ao espelho, em sucessivas reflexões

todo um caminho, a poder de contracurvas e ilusão, a luz emoldurada entre o céu e o chão, geometrias vencendo suavemente resquícios de escuridão, saboreando merecidos momentos de apaziguadora solidão, promessas de busca, plenitude e coração

mas se quisermos ater-nos à contemplação é ganho o dia, nos jogos de sombra e luz, breu e cal, muro e fuga, ainda céu e chão

decerto lugar de refúgio, o quadro amigo encontra e oferece reforçada protecção e algo mais ao abrigo de inteiras ameias contrapondo a segura rectidão à doçura contraforte de curvilíneas paredes maternais

resumindo: luz, água e pedra, saber, beleza e a eterna força da serenidade

feminografia, então

acertei?



acertamos sempre, esta Ditosa é de imaginar

mas a quem se afoitar a prémio, venha de lá a localização!



observacões são bem-vindas

Lisbonisation

eco da Agenda de Lisboa (2000, António Guterres liderava a presidência portuguesa da União Europeia, desculpem recordar...) a política europeia apressa-se a tentar alcançar quanto definiu ambiciosamente em matéria de metas para uma Europa melhor: crescimento económico, coesão social, competitividade empresarial, emprego, inovação, bem estar dos consumidores, sociedade da informação e do conhecimento

a linguagem europeia (sim, ainda mais que as realidades, as utopias precisam de uma linguagem) assimilou muitas destas palavras na prática discursiva corrente, provenientes directamente dos conceitos eleitos na célebre cimeira de Lisboa da segunda presidência portuguesa da União Europeia - a primeira foi sob os auspícios do Primeiro-Ministro Cavaco Silva e também nela Portugal deu boa conta, demonstrando capacidades que carecem exactamente de demonstração

recentemente, uma nova palavra tem vindo a ser recorrentemente utilizada, lida e ouvida: lisbonisation!

jametinhamdito!!!

o neologismo não é acidental, refere-se justamente à Agenda de Lisboa e à preocupação de responsáveis e analistas quanto à atenção devida à obtenção de resultados em linha com a estratégia europeia definida no seguimento da proposta do Primeiro-Ministro português, António Guterres

para o efeito, afirma-se, espera-se ou exige-se que as novas medidas, metas, práticas, integrem o crescimento, o emprego e a inovação, não apenas na macro política da União Europeia, mas a nível regional, nacional e local

são novas premissas para a análise custo-benefício ou mesmo condições sine qua non para a apresentação de programas ou para a legitimação de atitudes

é uma nova medida para muitos actos: lisbonisation

oxalá tenha sucesso!!!


PS - entretanto, a terceira presidência portuguesa da União Europeia, a decorrer este semestre sob a égide do Primeiro-Ministro José Sócrates, também concorre para a inclusão de Lisboa no vocabulário referencial europeu; na cimeira de Lisboa foram aprovados os termos de um novo texto constitutivo - quase constitucional, mas não se sobrepõe aos textos matriciais dos Tratados de Roma e Mastricht, a que apenas substitui disposições, se bem que extensa e substancialmente quanto às regras de funcionamento; este nosso novo acordo europeu é o Tratado Reformador, assim designado maioritariamente pelos comentadores e órgãos de comunicação internacionais, enquanto a nível nacional se insiste na designação "Tratado de Lisboa"

observacões são bem-vindas

2007-11-14

andem bem

a edição de ontem, 13 de Novembro de 2007, do “Meia Hora” trazia, pela mão da Direcção, um desafio ao leitor: CONSIDERA QUE O APARECIMENTO DOS JORNAIS GRATUITOS CONTRIBUÍRAM PARA QUE MAIS PESSOAS ANDEM INFORMADAS? (sic¸ maiúsculas incluídas)

o tema em si é interessante, actual e oportuno, pese embora alguma repetição sobre o assunto, pois todos os lançamentos de jornais gratuitos têm caído na fraqueza de filosofar, embora amiúde confinando o âmbito da investigação metafísica àquela exacta questão ou à sua pura e simples formulação afirmativa

numa breve experiência junto de alguns leitores, a pergunta transcrita nada mais suscitou além de um breve assentimento verbal ou ligeiro aceno concordante

só chamados à atenção repararam na falta de concordância verbal: ou bem se pergunta se “os jornais gratuitos contribuíram...” ou se “o aparecimento contribuiu...”

o emprego do verbo no plural está errado – o que em si não merece especial reparo, nem mesmo por o jornal se auto intitular de referência, porquanto não sabemos o que afinal lhe servirá de referência; o que inquieta é a expressiva indiferença que este tipo de questões crescentemente suscita, aos profissionais da imprensa (ia dizer da comunicação social mas aqui o negócio é outro) e aos leitores...

sem se livrarem de um jametinhasdito!, fica para outra ocasião o emprego de maiúsculas, que não corresponde ao estilo do jornal, e o “andem informadas”...



observacões são bem vindas



PS - já agora, na panóplia de gratuitos (sendo que o universo de gratuitos é bem mais amplo que os que são distribuídos em papel) o Meia Hora é de facto equilibrado, com moderação na agressividade da publicidade

e se não tem leitura para meia hora, há que reconhecer que tem artigos de interesse - os minutos que lhe são dedicados, quando calha, nem são mal empregues


PS2 - quanto ao efeito dos gratuitos sobre o nível de informação dos cidadãos (urbanos) a resposta poderá completar a pergunta: além de gratuitos, estes novos jornais são pro-activamente disponibilizados aos transeuntes e automobilistas pelo afã de jovens ardinas travestidos em garridos painéis publicitários ambulantes; alguns jornais são disponibilizados em estantes apropriadas em estabelecimentos e empresas ou junto à bilheteira dos parques de estacionamento ou ainda, como o Sexta, também encartados em jornais de circulação paga

por força dessa pro-actividade, há pois um acréscimo de incentivo à leitura e mesmo à retenção de informação, também recebida através da rádio (no carro), televisão (ao pequeno almoço) e internet (no local de trabalho), assim reforçando e cruzando as mensagens das notícias e comentários (e da publicidade) mas de forma apetecível e atractiva pela comodidade, gratuitidade e felicidade com que se preenche os tempos mortos de espera pelos transportes ou durante os trajectos urbanos


PS3 - ainda tentando imprimir mais alma à pergunta, pode também reflectir-se sobre a qualidade da informação – o facto de haver mais (quantidade) informação ou mais disponibilidade (é diferente) da informação, não significa um aumento automático da informação dos leitores

a questão da qualidade poderá aliás ser um limite aos gratuitos, unicamente dependentes da publicidade e nessa medida alheados da independência com que alguns idealistas ainda sonham para dignificação do papel da comunicação social na sociedade

que se saiba, ainda nenhum jornal gratuito trouxe qualquer tema importante à comunidade, como questionar o poder, denunciar abusos, investigar o que nos é ocultado – trata-se de um negócio, dirigido à captação de investimentos publicitários por via da (promessa de) conquista de audiências e não um projecto de comunicação social confiado nos leitores ou no consumo de informação

é certo que o negócio tenderá a melhorar com a progressão do nível de informação dos leitores enquanto público consumidor dos produtos publicitados

mas a informação é só a cenoura para a obtenção de audiências – os leitores são então para os jornais gratuitos o que as curvas da estrada, os locais altos ou os prédios de fachada notável são para as empresas de painéis publicitários, lutando por visibilidade do anúncio

talvez se deva concluir que o interesse em perguntar redunde em mostrar aos anunciantes que os consumidores dos produtos (leitores de jornais gratuitos) até gostam

e ainda "contribuirem" para o modelo de negócio, eh eh ... !

2007-11-13

actualizar (1)

é o que faz a passagem do tempo pelos blogues: algumas mensagens têm que ser actualizadas

vão 3 exemplos:

1 - Jean Charles de Menezes: o jovem electricista imigrante, cidadão brasileiro, seguia de metropolitano a caminho de mais um dia de trabalho, assassinado por polícias britânicos no rescaldo e sob o nervosismo dos bárbaros atentados do fanatismo islâmico em Londres

o caso ainda não está resolvido, com responsabilidades apenas parcialmente assumidas

um júri condenou a actuação da polícia mas sem culpar "os polícias"

ainda assim foi determinada uma multa, de valor correspondente a cerca de 250.000 euros, sendo também da responsabilidade policial o pagamento das custas do processo, de valor correspondente a cerca de 550.000 euros - os processos são caros! - e sem se saber ao certo se tais valores já contemplam alguma compensação à família

o saldo é trágico logo desde o momento fatal: mais uma vida perdida injustificadamente!

2 - Pedro Santana Lopes - para quem alimentava ilusões: talvez se pudesse esperar melhor desempenho na liderança da bancada da oposição do que na chefia do Governo; mas não é o único a confirmar a desilusão e a realidade devolve certos Pedros ao Parque Mayer, onde aliás estariam talvez melhor aproveitados!!

3 - Sarkozy - o Ministro francês do tempo das insurrectas e incendiárias manifestações é hoje o Prsidente de França !!!

há hoje em dia um fenómeno a despontar em Itália, no campo desportivo, que tem algumas semelhanças com aqueles conturbados momentos então protagonizados pela juventude (e não só...) urbana francesa


voltaremos ao tema das actualizações ...


observacões são bem vindas

2007-11-12

calar e ouvir

na magnífica XVII Cimeira Ibero-Americana, este fim de semana, no Chile, a Presidente chilena exortou os chefes de Estado e de Governo participantes : o encontro não pode ficar-se pelas palavras !

jametinhasdito!!

a anfitiriã deve ter rezado para tudo se ficar pelas palavras, eh eh !!!

naturalmente, Michelle Bachelet referia-se a actos e resultados, ou pelo menos, colocando-se os termos no mundo da diplomacia, a metas, estratégias e prazos

mas uma pequena altercação adveio do calor do palavreado do Presidente venezuelano, Chavez, acusando a torto e a direito

ao chegar a vez de José Maria Asnar, o tal do gostinho especial dos Açores, do Iraque e do estranho equívoco sobre a identificação dos assassinos dos atentados de Madrid, o Presidente do Governo espanhol, José Luis Zapatero, defendeu a honra caseira e a "qualificação" do diálogo e das ideias - mais diplomacia da boa, portanto

mas Chávez recalcitrou e fez sobrepor a sua voz às demais - além de Zapatão, também a moderação tentava assegurar o prosseguimento dos trabalhos; e mesmo Michelle Bachelet propôs que não se entrasse em "diálogo" - querendo dizer, tecnicamente, que só há diálogo quando não falam todos ao mesmo tempo, senão só há ruído

enfadado, o Rei de Juan Carlos de Espanha interpelou o falador: "por que não te calas?", dirigiu a Chávez

enfim, o diálogo - de surdos - prossegue, ainda hoje, embora Chávez tenha combinado judiciosamente o seu costumeiro "a mim ninguém me cala" com o voto esperançado de que o episódio não "arrefeça" as boas relações dos bancos, empresas e investidores espanhóis

enfim, por vezes o que custa é ouvir - e nisso nem reis, presidentes e ministros se distinguem
da turba em geral, treinadores de futebol incluídos

é para não estranharmos e, ao menos, em latim nos entendemos





observacões são bem vindas

2007-11-05

pianhas


Novembralmente, eis as vaidosas em danças de silêncio, para lhes recordarmos nós o alarido sobrevoador de observadoras atentas, mesmo se paralelepipedicamente (uf...) apoiadas




observacões são bem vindas

2007-10-29

geografia da educação

com os dados divulgados pelo Ministério da Educação, cada qual pode fazer o seu próprio ranking das escolas e os jornais correm para as parangonas e as vendas, mas também para trabalhos mais ou menos aprofundados, mostrando e tentando demonstrar

há sempre ilações a retirar, por vezes ao abrigo de cuidadas reservas pois nem sempre o que parece é e a evolução trai muitas conclusões precipitadas

mas há que analisar, do elementar para o refinado

sabe-se que a qualidade/falta de qualidade de uma escola não tem o poder de contrariar o ambiente mais ou menos favorável de um estudante ou de um conjunto de alunos em relação às condições efectivas de acesso à educação e à progressão no sistema de ensino

ainda assim, é forçoso reparar em alguns elementos de distribuição geográfica: recorrendo à lista de "10 mais" e "10 menos" publicada pelo Diário de Notícias, verifica-se que nas melhores estão 6 escolas de Lisboa, 2 do Porto, 1 de Cascais e outra de Coimbra; as piores escolas são da Beira Interior, do Alentejo Interior, dos Açores, da Guiné, de Angola e, talvez não por acaso, 2 do Porto

é claro que olhar só para as "mais" e as "menos" apenas permite ver casos limite, o que impede conclusões seguras mas talvez possa indiciar tendências - fica no entanto a ressalva de que se deixa por analisar a maioria das escolas e os diversos casos em que poderiam talvez extrair-se apreciações mais relevantes

e a tendência, com as devidas ressalvas, confirma a regra geral de maior influência do ambiente socio-económico sobre os resultados escolares dos alunos do que a hipotética situação individual das escolas

talvez a análise bairro a bairro não trouxesse grandes novidades quanto à relação entre a localização e os resultados

há contudo um aspecto a considerar: em muitas das melhores escolas, sobretudo nos colégios particulares (incluindo cooperativos, mas quase sempre pertencentes a proprietários privados e não aos pais dos alunos) mas não só, os estudantes não são exclusivamente habitantes do bairro onde se localiza a escola - os pais escolhem a escola (havendo vaga e por vezes com antecedência considerável) e asseguram os meios necessários para as deslocações

já no ensino público a regra (com excepções) é a da afinidade residencial, quer por imposição regulamentar e burocrática, quer pela exiguidade de meios de deslocação que impõe a frequência da escola circum-vizinha, como aliás é mais racional

e assim o ranking vem mostrar à luz do dia as diferenças do estatuto socio-económico que os meios públicos e a política não conseguem superar






observacões são bem vindas

2007-10-28

bons ares




o Ditos dá as boas vindas a um magnífico fotoblog, de seu nome 'fotografares', de muito preço e boa respiração !


à socapa e em genuina prova de estima, surripia-lhe a primeira gaivota, na gusma de outras mais !!


que as há !!!




observacões são bem vindas

2007-10-26

há Sexta

estreia hoje um semanário gratuito: O Mundo à Sexta

ancorado em dois jornais de referência, o Público e a Bola

segundo um responsável, o Sexta antecipa e projecta a realidade

enfim, comum a tantosperiódicos, diários e semanais, pagos, gratuitos ou assim assim (subsidiados) os jornais já quase não trazem notícias

alguns ainda insistem, como o Correio da Manhã ou o (cada vez mais parecido mas ainda assim…) Diário de Notícias

mas as notícias sabem-se logo de manhã e durante o dia pela rádio, televisão e Internet

os jornais ficam-se então pela análise, comentário e, quando assim é, pela investigação

e são trunfos de monta!

justificam a competição acesa pelo mercado de publicidade, em que também concorrem as revistas, aliás uma verdadeira miríade, sob qualquer ou nenhum pretexto

no primeiro editorial, o Director, João Bonzinho, jametinhadito que o Sexta fará a diferença por olhar para onde os outros olham menos e por ser mais criativo que descritivo, procurando um desequilíbrio dos textos grandes em favor de grandes textos

se assim for pode ser uma boa notícia

sobretudo para quem gosta de ler

boa sorte, à Sexta!!



PS – a página do Sexta para navegação na Internet é espectacular!!!




observacões são bem vindas

2007-10-25

Nadir

bela viagem, com Nadir, na Galeria do Diário de Notícias, ao cimo da Av. Liberdade, em Lisboa

percorrem-se cidades, personagens, emoções

o mundo é vário, em forma, substância e cor, mas Nadir jametinhadito que tudo obedece às mesmas linhas





observacões são bem vindas

2007-10-22

cheque à matemática

Há mais algumas escolas no País que seguem o método. É sempre bom que o assunto seja noticiado, pois em tempos de resistência e muitos constrangimentos à aprendizagem todos os incentivos são bem vindos, sobretudo se constituídos por exemplos práticos e eficazes.

Faltar dize que há países em que o método é generalizado no ensino.

Por ora, fica a transcrição do 'Público' (post in progress)



Escola da Parede apostou no xadrez para melhorar os resultados
22.10.2007, Isabel Leiria
Na Escola 31 de Janeiro, o xadrez é uma disciplina como todas as outras, de frequência obrigatória e com direito a programa e avaliação. Os resultados são positivos
A aula é de Matemática, só que no quadro branco não estão algarismos, nem contas, mas um enorme tabuleiro de xadrez colado e algumas peças. Perante duas dezenas de alunos do 2.º ano, o professor Vítor Guerra faz a revisão da matéria dada na semana anterior. Como se pode mover o bispo, o cavalo e a torre? Pergunta quem quer ir mostrar e são vinte braços espetados no ar, acompanhados de muitas vozes a pedir: "Eu! Eu! Eu!"
Vítor Guerra, responsável pelo ensino de xadrez na Escola 31 de Janeiro, num projecto que faz pioneiro no país este quase centenário colégio na Parede, tenta convencer os alunos a trocar um peão por um bispo ou um cavalo por uma rainha. Fazem-se as contas aos pontos de cada peça e exercita-se o cálculo. De boca aberta e olhos arregalados, a turma assiste à negociação entre Vítor e Daniela. O professor quer o rei que a aluna tem e oferece um cavalo e uma dama. Duas. Três. A cada proposta sobem de tom os conselhos dos colegas: "Não aceites, não aceites!", como se tentassem evitar uma tragédia. Entre jogadas e peças comidas, a hora passa rapidamente e os alunos regressam à sua sala habitual."Gosto mais destas aulas porque nas outras aprende-se no caderno e aqui aprende-se a jogar. É divertido, tem muitas peças que parecem pessoas", diz Tomás, sete anos.Raciocínio e saber perderHá quatro anos que o xadrez faz parte do currículo do ensino básico (no 1.º ciclo integra a componente da Matemática) e todos os quase 400 alunos da Escola 31 de Janeiro, do 2.º ao 9.º, têm obrigatoriamente de frequentar esta disciplina. É aliás uma actividade levada tão a sério que tem programa - da posição inicial das peças à técnica do mate com 2 cavalos aprendida no último ano - e é sujeita a avaliação. "Há seis, sete anos começámos a sentir que havia alguns problemas com a Matemática. Por outro lado, notávamos que os alunos davam muitas opiniões mas eram incapazes de argumentar. Não conseguiam construir um caminho para chegar a uma conclusão. Sabíamos de experiências do uso do xadrez em escolas lá fora e decidimos avançar", explica Vítor Rodrigues, director da escola. E ao fim de quatro anos, Vítor Rodrigues não tem dúvidas de que já se notam melhorias, sobretudo entre os alunos que já praticam há mais tempo. "Avançou-se muito ao nível do pensamento lógico, da argumentação. E por causa dos jogos e dos torneios, os miúdos habituam-se a saber ganhar e a saber perder."Formado em Matemática, jogador profissional, árbitro e professor de xadrez, Vítor Guerra é o responsável por este projecto - este ano iniciou-se num outro colégio em Sintra - praticamente desde o início. "Há estudos que indicam que, com a prática do xadrez, há um implemento de 12 a 15 por cento na melhoria dos resultados escolares. Sobretudo entre os que praticam com regularidade e se preparam para os torneios."Na turma que se segue, do 4.º ano, Vítor Guerra já identificou os dois alunos que gostaria que tivessem uma preparação especial. É que para além da hora semanal frequentada por todos, há cerca de 80 que, por demonstrarem grande interesse ou apetência, têm aulas de apoio à competição, em horário pós-lectivo. Inês, 9 anos, é uma delas. Aprendeu a jogar com o avô, continuou a praticar na escola e agora garante que já lhe ganha. "Gosto de jogar porque se pode fazer truques em que as peças ficam encurraladas e comer", explica. De resto, já são visíveis frutos do investimento feito e uma equipa do escalão menores de 10 anos venceu este ano o torneio mundial de escolas, na República Checa. Para muitos, o xadrez tornou-se mais do que uma disciplina e não é raro encontrar alunos a jogar nos intervalos, nos pátios e corredores da escola.Dentro da sala, a prática também é levada a sério. Frente a frente, 26 alunos do 4.º ano protagonizam 13 jogos em simultâneo, como se de um torneio se tratasse. Há uma folha de registo das jogadas para cada um e na mesa só há lugar para o tabuleiro, o lápis, a borracha e o afia. "Estão prontos? Silêncio. Cumprimentem-se [neste momento todos apertam a mão ao seu "adversário"]. Podem começar", indica o professor. Ouve-se pouquíssimo barulho na sala, mas Tomás tem dificuldade em concentrar-se e pede a Vítor que faça os colegas falar mais baixo. "A partir de três, quatro anos de experiência, estes alunos já têm uma grande capacidade de concentração e conseguem ficar três horas a jogar", explica. E a ideia é começar ainda mais cedo, diz Vítor Rodrigues. "Dentro de dois anos esperamos começar com o xadrez como matéria obrigatória logo a partir do 1.º ano. Mas isto implica mudanças na aprendizagem ao nível do pré-escolar."E se no início as famílias estranharam, "agora procuram-nos por causa do xadrez", afirma o director.



observacões são bem vindas

2007-10-15

Luz boa


vai ameno o Outono, os dias têm corrido luzidios e isto não dura sempre...

há, pois, que registar a devida homenagem ao benfazejo e prazenteiro clima que nos tem amenizado a estação, na primeira metade de Outubro!

com os dias claros, a luz tem azulejado os céus e favorecido Lisboa com a claridade tão especial que a distingue

no horizonte, o sol continua a aquecer o oriente - pelas manhãzinhas, a cada dia mais tarde, é certo, mas elevando-se para uma dura prova de fogo de quem está fechado em fábricas, comércios, escritórios ... e para gáudio de quem espreita a rua ou, mais feliz ainda, se percorre jardins e praças, em caminhos de cidade que chegam a parecer tão bucólicos como os que vemos fora de portas ou nos relatam de outros lugares - e a entardecer afogueado a ocidente, em acobreados quase de fantasia, irreais de tanto privilégio

mais próximo das gentes, outros espectáculos são assegurados pela floração sempre inesperada de algumas espécies, em contraposição sinfónica visual com o amarelecimento das folhas, aliás algo interrompido pelo andar soalheiro do Outono que sustém o ouro nos céus e no horizonte, enquanto não nos amareleja ruas, praças e jardins

é o caso das corízias de que o exemplar acima dá boa imagem, ilustração gentilmente emprestadada ao Ditos na sequência de inspirador post do activo AZblog

outro bem haja !


observacões são bem vindas

2007-10-03

obviar à razão

o Sr. Director da Polícia Judiciária exarou a cessacção da comissão de serviço de um Sr. Inspector destacado no Algarve para ivestigar o desaparecimento de uma criança

interpelado, comunicou que tomou tal atitude por "razões óbvias" ...

razões óbvias ?

jametinhasdito!

venham de lá as razões e bem explicadas

para se saber e para legitimar a decisão

mas também para a poder sindicar

eis o racional democrático da obrigação de fundamentação dos actos da administração pública

era o que faltava se qualquer funcionário público se abstivesse de justificar as respectivas decisões, com efeitos na esfera do erário público, recorrendo a uma fórmula vazia e alheada do interesse dos cidadãos em geral e dos interessados no processo em particular

Humebrto Delgado proclamou celebremente um distinto "obviamente, demito-o" dirigido ao afastamento de Salazar em caso de vitória da democracia por via eleitoral - o que não sucedeu por fraude do ditador

mas esse "obviamente" tem natureza política e justifica-se inteiramente no campo da disputa eleitoral, sobretudo onde a censura obrigava ao recurso a subentendidos e meias palavras, sob pena de corte por acção de zelosos revisores do lápis azul

naturalmente, se Delgado tivesse ganho, a óbvia demissão do apegado Presidente do Conselho teria que ser fundamentada

desde logo em norma habilitante, de onde provém a indispensável competência para o acto

e depois pela indicação da razão de ser da decisão, a menos que coubesse dentro da margem de arbítrio - que não de arbitrariedade - que a lei ou a Constituição conferem a certos actos políticos - mas não aos actos de administração, como é o caso da nomeação ou desnomeação de um funcionário em determinada comissão de serviço

há dias, Luís Amado, Ministro dos Negócios Estrangeiros, também invocou "razões óbvias" para justificar a decisão do Governo não receber o Dalai Lama, líder espiritual do budismo tibetano

trata-se igualmente de uma fuga à explicação, decerto controversa, inteiramente imputável a patente manobra de cinismo político muito ususal, aliás, no campo das relações políticas internacionais, como é precisamente o caso uma vez que o dito mal recebido também se apresenta como líder da resistência tibetana à ocupação chinesa e Portugal desempenha actualmente a presidência da União Europeia

mas essa gincana ministerial cabe dentro do arbítrio admitido aos políticos, que são julgados por via eleitoral e da opinião pública, uma vez sujeitos à crítica da oposição, dos grupos de interesse em presença, da comunicação social e dos cidadãos em geral ou mesmo da acção moderadora de outros órgãos de poder, através do sistema democrático de balanços e contrapesos - e Jaime Gama, na qualidade de segunda figura do Estado que decorre das funções de Presidente da Assembleia da República, recebeu o Dalai Lama !

ou seja, aos políticos fica mal recorrerem à fórmula vazia para descartarem o inconveniente de uma justificação ou da falta dela

mas podem agir assim, submetidos que estão ao crivo da popularidade, da opinião de adversários ou comentadores e do voto de cada um nas eleições seguintes

já aos agentes administrativos do Estado, Regiões ou Autarquias é inconcebível semelhante comportamento, sob pena de ilegalidade, desresponsabilização e perpetuação da mediocridade

é que as razões óbvias podem não ser assim tão óbvias

e podem até não ser sequer razões

se o fossem, a explicação seria natural, espontânea e acessível à livre interpretação de todos

com a explicitação das razões, o demitido poderá defender-se, justificar-se ou aprender em caso de erro

e faltará sempre a pedagogia pois os funcionários vindouros que o substituírem no cargo terão balizado o comportamento e o desempenho que se espera e exige, o mesmo se aplicando a agentes com idênticas funções ou sujeitos a exigências análogas

caso não apareçam as explicações e as razões, óbvias ou não, a suspeição recai sobre o decisor e ficam por julgar, à falta de elementos de apreciação, o desempenho ou os resultados que deveriam estar sob exame crítico

e sem crítica informada e livre não há cidadania nem Estado de Direito



observacões são bem vindas

2007-09-28

consenso

"Por uma vez, Santana Lopes conseguiu o inimaginável: o consenso."
David Pontes, "Jornal de Notícias", 28-09-2007

ainda mais impensável: mal refeitos da surpresa do apelo ao ... bom senso, Pedro Santana Lopes prova que não anda por aí a encher pneus nem espaços televisivos mortiços, entre futebolências

levantou-se da cadeira do poder da SIC em protesto por ter sido preterido na insana preferência editorial por futebol

à hora em que outros canais dedicavam exclusiva atenção aos penaltis nos jogos em que o Benfica e o Sporting arriscavam destino idêntico ao FCPorto, Belenenses, Paços de Ferreira e Naval, contra adversários teoricamente mais fracos

no minuto e no momento em que um esforçado repórter entrevistava o aeroporto no expectante frenesim da aterragem do treinador emigrante português do Sado

Mourinho é audiência, qual fogo, gafe ou affair

mas interromper o ex-santo da casa, o ex-Primeiro Ministro, o ex-Sr. TV, pela chegada do mister ? jametinhasdito!

embora sem eleição propriamente dita, Pedro Santana Lopes somou novo episódio inesperado: obteve acordo generalizado a um seu acto e à sua justificação

e logo em terreno estranho, sublinhe-se, num movimento inédito de fuga às câmaras de televisão!

quem dirá que já viu tudo ?


observacões são bem vindas

2007-09-26

bom senso

quem pensava que já viu de tudo ... surpreenda-se:

- Pedro Santana Lopes apela ao “bom senso” e recomenda o adiamento das eleições directas no PSD

jametinhasdito !




observacões são bem vindas

2007-09-16

debate II

em zaping matinal, Jay Leno entrevistava o senador Fred Dalton Thompson, candidato a candidato republicano às próximas eleições presidenciais dos Estados Unidos da América

preparando-se um debate televisivo entre diversos - 8 ? mas ainda continuam a chegar, além dos democratas e, porque não, de independentes corajosos e milionários - candidatos, Fred (para os amigos e para todos os outros) declarava-se pouco entusiasmado com o modelo, denunciando que só serve os organizadores do programa (caça às audiências, entenda-se) e considerando que tal não é a melhor forma de os candidatos explicitarem as suas ideias nem de os cidadãos conhecerem os programas políticos e as personalidades de cada candidato

preferível seria debates dois a dois ... onde é que já se ouviu isto ?

mas, instado, dispos-se a participar, parece que não há maneira de evitar

e depois, jametinhadito Fred, é mais fácil aparecer num debate de políticos do que no Jay Leno Night Show, ou lá o que é ... !


observacões são bem vindas

2007-09-15

debate

lá do vulcão, Pacheco Pereira jametinhadito que a política portuguesa vai menos que morna, sem debate



é bem certo que as temperaturas fogosas já lá vão e resignamo-nos com uns contraditórios resultados desportivos: Évora salta mais além mas o país não chora a ouvir o hino em modalidade pouco ortodoxa nos nossos pergaminhos; Vanessa ganha campeonatos e taças do mundo mas sonha com a olimpíada; no râguebi, uma pesada derrota soube a vitória; em futebol, os empates sabem a derrota e até Cavaco se dá ao labor de comentar a recuperação da tradicional zaragata final



os outros temas que se mantém acesos ainda são piores - crianças, investigações e responsabilidades desaparecidas; a nova lei processual penal entra em vigor de rompante e não é o primeiro caso legislativo em que ninguém deu pelo que lá estava escrito; e mais futebol, com um verdadeiro arco-íris de apitos para ganharem sempre os mesmos



comum a todos os temas: safam-se sempre os mesmos safados!





observacões são bem vindas

2007-09-13

gets life

de volta ao circunspecto Finantial Times, que hoje anunciava sobre o ex-presidente filipino Joseph Estrada: gets life

gets life ? jametinhasdito !

pela caixinha da primeira página poderia pensar-se que o jornal salmão atribuía mais uma vida a Joseph Estrada, à boa maneira de video-jogo ou do mundo virtual do Second Life

ou ainda, quem sabe, do mundo puro e duro da política real, a mesma que põe os políticos a dizer sim e não consoante estejam no poder ou na oposição, e a pô-los sucessivamente (quando não em simultâneo...) no poder e na oposição

mas não, a leitura da coluna direita da segunda página cedo esclarecia, afinal o ex-presidente filipino foi ... condenado a prisão perpétua

que vida ...

mas idiossincrasias destas acontecem com frequência e até numa mesma língua

é o caso de um político (sim, com aos políticos acontecem muitas idiossincrasias!) brasileiro, entrevistado por uma jornalista sobre se considerava justa a acusação de corrupção que lhe moviam e convicto respondeu: absolutamente!

absolutamente ?

sim, o entrevistado afirmava a sua inocência completa, a acusação era absolutamente injusta

no entanto, se a expressão literal parecia confirmar inteiramente a acusação, o contexto permitia compreender a veemência empregue na declaração, retirando-se o significado oposto

mas a idiossincrasia da notícia sobre Joseph Estrada prossegue o seu percurso e lendo a notícia do FT (ou da Reuters) até ao fim, volta-se à primeira forma

pois bem, o ex-presidente, derrubado e julgado em prolongado processo de corrupção, foi efectivamente condenado mas em vez de ir para a prisão foi antes desterrado para o seu resort privado de 18 hectares, para temperar a amarga decisão da justiça com o sabor doce dos milhões que alegadamente arrecadou de modo ilícito

nos próximos tempos, e o processo já leva seis anos, haverá recursos jurídicos, recursos políticos e outros eventuais recursos e o ex-ditador continuará a ver o sol por inteiro e o mais que a sua vista alcance

assim sendo, o enganador título escreve direito por linhas tortas e o condenado está então a tratar da ... vida !

jametinhasdito, that’s life !!!








observacões são bem vindas

segunda fila

foi anunciada para ontem uma actuação severa da Polícia Municipal de Lisboa contra o agressivo e arreliador estacionamento em segunda fila em diversos locias da cidade

mas deve ter acabado também ontem, jametinhasdito!

está tudo na mesma, basta ver a Av. António Augusto Aguiar em toda a sua extensão, a Rua Ramalho Ortigão ou a Av. João Crisóstomo (a propósito, hoje é dia de São Crisóstomo, Doutor da Igreja e Bispo de Constantinopla), neste caso pelo menos na parte junto à esquadra da Polícia, a quem aliás manifestamente pertencem alguns dos veículos em transgressão, presumindo-se que outros pertençam aos próprios polícias ...

o problema é de facto grave, causador de assinalável transtorno pois muitas vezes provoca demora desproporcionada e até irrecuperável na vida de muitos cidadãos

ao parar um carro em segunda fila, mesmo que só por uns minutos para benefício do respectivo condutor, ou de um seu conluiado, fica o trânsito condicionado, com menos uma faixa de circulação, e o afunilamento gera atrasos que se acumulam prolongadamente muito para além da libertação da via

além de muitas vezes se impedir a circulação a viaturas que ficam com a passagem obstruída

há obviamente um excesso de nacional facilitismo, muitos transgressores acham que o prejuízo que causam é mínimo e merecedor de compreensão - e os prejudicados tendem a desculpar, com umas buzinadelas pelo meio mais para aliviar a insatisfação do que em reclamação legítima

mas os responsáveis pela Câmara Municipal - e, bem assim, pela Polícia - têm que admitir uma boa quota parte de culpa

por um lado, pela ausência sistemática de fiscalização e de pedagogia, muitas vezes em negligência ostensiva por se verificar nas barbas da autoridade ou por os prevaricadores serem os seus agentes e funcionários ou até altos responsáveis com direito a motorista, pelo que ficam sem legimidade para actuar

por outro lado, porque raramente se prevê (e ainda mais raramente se respeita...) o espaço suficiente para as paragens de pequena duração que suscitam tantos casos de estacionamento em segunda fila: deixar as crianças na escola, levar um idoso a um consultório, entregar um documento num organismo oficial, tratar de um assunto ou marcar o ponto em serviços da Câmara, pagar uma factura ao balcão de serviços públicos, levantar dinheiro numa caixa multibanco, fazer o totoloto, etc., etc., etc., obviamente com alguns motivos mais legítimos que outros

e quando a autoridade responsável é a primeira incumpridora, dificilmente conseguirá estabelecer a boa ordem ou promover o civismo dos cidadãos

como bem sabe o novo Presidente da Câmara, António Costa, para ser respeitado tem que se dar ao respeito


observacões são bem vindas

2007-09-12

uma escola ...

e que escola !

os noticiários da rádio começaram hoje com informação sobre o início do novo ano escolar, com a habitual agenda cheia de governantes e sindicalistas

mas a RFM noticiou também a inauguração de uma escola em Santarém, construída por Joaquim José Louro, um empresário local que a ofereceu, num acto de generosidade quantificado em 500.000 euros

gesto nobre, muito relevante, digno portanto de destaque adequado

mas outra nota distintiva é a explicação da decisão e da acção: as suas empresas são grandes empregadoras e considera importante que os respectivos trabalhadores disponham de boas condições para a educação e guarda dos filhos, pelo que a esforçada iniciativa de pagar, fazer construir e licenciar a escola é rentável para os seus negócios

note-se: é rentável !!!

evidentemente, trata-se de um conceito especial de rentabilidade, correspondente a uma visão humana e duradoura, noções inexistentes no mundo especulativo e subsídio-dependente em que nos habituámos a viver, rodeados que estamos de empresários do resultado imediato

a enorme visão, o saber e o alcance exemplar da actuação de Joaquim Louro, empresário com a 4ª classe e a escola da vida, provém da alma e do bom coração, que não precisam de saber ler nem escrever para idealizar e realizar os melhores sucessos empresariais e as melhores acções humanas, favorecendo os seus semelhantes e as futuras gerações

apesar de não se encontrar mais referências nos principais órgãos de comunicação, uma pesquisa simples permite verificar que o assunto foi recentemente abordado por periódicos de expressão mais regional: O Ribatejo, Notícias da Manhã e O Mirante

são já conhecidas e habituais as acções mecenáticas praticadas com humildade pelo empresário J. J. Louro, em benefício de trabalhadores e populações das comunidades onde as suas empresas estão implantadas

Joaquim Louro não espera que façam – faz !

assim, sim !!

um jametinhasdito de júbilo para Joaquim Louro !!!




observacões são bem vindas

2007-09-10

contar ou nem por isso...

há dias, um jornalista generalista entrevistava um jornalista especialista:

– então e se o BCE [Banco Central Europeu] aumentar as taxas, o que é que acontece ?

– «nada ! os bancos comerciais já anteciparam a subida de taxas do BCE e o preço do dinheiro tem vindo a aumentar nos mercados, reflectindo-se nos clientes e encarecendo os contratos e empréstimos, pelo que a concretização da esperada medida já não produzirá efeitos...»

jametinhasdito!

os clientes começam logo a pagar um aumento que vai haver...

por acaso, ou talvez não, o BCE decidiu diversamente, não aumentou as taxas e os bancos já estão a mudar a sua posição - para futuros contratos

mas nos contratos anteriores os encargos para o cliente, mesmo injustificados, já não voltam atrás, os juros mais altos já foram cobrados!

ou seja, os clientes pagam antecipadamente por conta dos aumentos com que os bancos contam e já pagaram quando afinal se dão conta de que não chegou a existir o aumento de taxas com que os bancos contavam - e com esse argumento os bancos repercutiram sobre os clientes um encargo inexistente ... (?)

são muitas contas

outras contas que também não bateram como se contava: um dia destes, à tarde, os noticiários anunciaram a eliminação da equipa portuguesa de basquetebol, em importante competição em que participa, a decorrer em Espanha

noticiou-se o regresso da selecção nacional, em função de um resultado insuficiente para prosseguir a prova, uma vez que venceu a selecção da Letónia por margem inferior à que tinha sido anunciada como necessária

porém, à noite a comunicação social desdizia-se: afinal a equipa portuguesa de basquetebol passou à fase seguinte, porque a Espanha perdeu o seu encontro da última jornada do respectivo grupo, que liderava, o mesmo que o nosso

tão inesperada situação foi comunicada a contraciclo mas sem uma explicação cabal, falta a relação de causa efeito, sem a qual a reviravolta é incompreensível – só no dia seguinte alguma comunicação social esboçou explicar que o regulamento da prova ... pa ta ti pa ta tá ...

seguindo em prova, em vez de regressar a casa, a equipa portuguesa viajou para Madrid, em festa, até ao hotel onde esperavam ... a selecção letã, vencida por Portugal

ninguém contava

de facto, nem sempre contamos com o que acontece

muitas vezes nem contamos com o que pode acontecer

outras, também não contamos que aconteça o que pode não acontecer ou mesmo com o que não pode acontecer

isto de contar e não contar tem muito que se conte !!!



observacões são bem vindas

2007-09-06

o mal e a caramunha

dia 4 deste Setembro, terça-feira passada, Eduardo Cintra Torres articulava no Público sobre um relatório publicado pela ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social - a respeito do tratamento noticioso dado aos diferentes candidatos nos principais telejornais durante o período que antecedeu as eleições intercalares de Lisboa

no artigo, o crítico analisa o trabalho da ERC e aponta diversos aspectos e várias incongruências: que o relatório não foi pedido por ninguém; que escolheu o critério do tom desfavorável das notícias para concluir que António Costa foi o mais atingido; e que omitia os dados sobre qual o candidato com mais referências favoráveis, suspeitando que seria precisamente António Costa

dia 5, ontem, Estrela Serrano, na qualidade de vogal da ERC, escreveu um artigo de página inteira criticando o crítico, recorrendo expressivamente a ataque, catilinária, ignorância, estilo caceteiro, desonestidade intelectual, etc., etc., etc., num avolumar de adjectivos pejorativos sobre a pessoa, o profissionalismo, o trabalho e a opinião do crítico

hoje, dia 6, o Público volta a conceder espaço a Eduardo Cintra Torres, que se pronuncia contra a linguagem utilizada por Estrela Serrano e faz a sua avaliação dos factos sob comentário

possivelmente o pingue-pongue (este, o Público tem outro, institucionalizado, entre 2 jornalistas da casa) continuará

no essencial - e esta nota foi pensada logo após leitura da reacção da vogal - o crítico tem razão: Estrela Serrano afirma ipsis verbis que a ERC tem o poder estatutário de produzir o relatório, confirmando inteiramente que não foi pedido por ninguém, como Eduardo Cintra Torres afirmou; que o relatório omite os dados sobre o tom favorável das notícias, tal como o crítico apontou; e ainda que efectivamente as referências recaíram na sua maioria sobre António Costa, exactamente como o crítico antecipou

ou seja, a vogal da Entidade Reguladora recorre a um jornal para criticar Eduardo Cintra Torres com termos agressivos, deselegantes e totalmente infundados

mas comprova factualmente as afirmações do crítico e confessa precisamente a principal nódoa apontada ao relatório, matéria sobre a qual o crítico anunciou a sua desconfiança e denunciou justamente a omissão

com o seu artigo no Público, a vogal revela que Entidade Reguladora dispunha dos dados bem como da respectiva análise estatística mas não os divulgou no relatório concebido para o efeito

só o fez em reacção à denúncia pública de um crítico, em artigo de jornal de mau gosto e transbordando ressentimento

Estrela Serrano zurze a pessoa e o trabalho do crítico mas admite os factos e a omissão sob crítica !

má via para as funções da Entidade Reguladora da Comunicação Social, que por este caminho não se dá ao respeito

faz o mal e a caramunha !!

jametinhadito !!!


observacões são bem vindas

por Setembro


jametinhamdito: não há duas sem três !

e chamei-lhe um figo ...


obrigado, obrigado

; - >



observacões são bem vindas

2007-09-01

ditosa restauracional





mas relativamente a Agosto há concurso!


e prémio!!


os conferiandos estão premiados por inerência ...


mas mesmo assim podem concorrer, eh eh ... !!!




observacões são bem vindas

a gosto




já a setembrar, a Ditosa é de Agosto, em mais um por de sol depois da faina, perdida a sesta, os óculos, a password...

enfim, férias

como no sonho, ou melhor, a vivência da paz, da água e do reencontro com a própria alma é das principais metas das férias

merecidos são o tempo e o espaço para o apaziguamento das lembranças, o retempero das forças, o activar da atenção e dos sentidos, a reunião de energias, a contemplação

e para actividades ou inactividades a gosto

oxalá baste para os próximos onze meses, em que tais momentos decerto ainda rareiam mais

; - >


observacões são bem vindas

2007-08-25

horizonte

por um fio, todo o horizonte e o horizonte de todos !

Eduardo Prado Coelho merece um jametinhasditos de honra, no fio do horizonte !!

em paz, polemizando amena e nobremente, em busca de poesia e luz !!!


observacões são bem vindas

2007-08-18

ar livre - Torga

algumas das leituras ja feitas e siga a bela vida!

alias, jametinhamdito que onde se estah bem eh no campo, principalmente longe da praia, eh eh ...

a proposito, longe tambem de pseudo-polemicas em hora de centenario, releia-se e relembre-se o que mais interessa:

"Ar livre, que nao respiro!
Ou sao pela asfixia?
Miseria de cobardia
Que nao arromba a janela
Da sala onde a fantasia
Estiola e fica amarela!

Ar livre, digo-vos eu!
Ou estamos nalgum museu
De manequins de cartao?
Abaixo!
E ninguem se importe!
Antes o caos que a morte...
De par em par, pois entao?!

Ar livre! correntes de ar
Por toda a casa empestada!
(Vendavais na terra inteira,
A propria dor arejada,
- E nos nesta borralheira
De estufa calafetada!)

Ar livre!
Que ninguem canta
Com a corda na garganta,
Tolhido da inspiracao!
Ar livre, como se tem
Fora do ventre da mae,
Desligado do cordao!

Ar livre, sem restricoes!
Ou ha pulmoes, Ou nao ha!
Fechem as outras riquezas,
Mas tenham fartas as mesas
Do ar que a vida nos dah!"

Miguel Torga
in "Cantico do Homem"



observacões são bem vindas

2007-07-27

leituras

a leitura é um fascínio

como exprimia um campeão de xadrez, a propósito do seu jogo, dizendo que permite aprender com os erros ... dos outros

ai de quem não aprenda com os erros próprios...

mas a leitura é especialmente enriquecedora para a aprendizagem - e esta é a principal arma biológica de que dispõe a espécie humana

os livros são um artifício armadilhado para nos proporcionar simultaneamente os vectores da aprendizagem, o exercício intelectual e o prazer da decifração de mensagens, códigos, enredos, mistérios, romances, histórias, aventuras mil

ler, pois!

mas "quem quer aprender, tem que andar ao ler", diziam os antigos

e a blogosfera complementa exemplarmente o acesso ao conhecimento, digamos, perene, que os livros representam

os "postais" e "comentários" são imediatamente apelativos, quase sem regras, voluntários e de interessante dinamismo, embora se esqueçam mais facilmente que um livro

e então um bom livro, daqueles com quem estabelecemos uma relação cúmplice, de leitura sôfrega, quantas vezes aqui em segredo, escondido dentro de nós enquanto o sorvemos e desvendamos

ah! um bom livro...

oferecer um livro é dizer que queremos um amigo

emprestar um livro... jametinhasdito, só mesmo a um amigo!

e se não podemos oferecer nem emprestar, mas queremos um amigo, recomendamos um livro!

confidenciamos o que estamos a ler...

ou partilhamos o nosso top 5 ou 10, em jeito de rede pesqueira de amizades

e a amizade é salvífica, reciprocamente

por isso há que agradecer as boas recomendações, pessoais, nos jornais, dos comentadores que tais, bloguisféricas e outras mais

o Ditos dá também conta de leituras, embora actuais: “A magia do sensível”, de David Abram, Gulbenkian; “Os últimos dias de Camões”, de Guillaume de la Chapelle, Climepsi; “A casa do sal”, de Cristina Norton, Dom Quixote; “Linda Inês ou o grande desvairo”, de Armando Martins Janeira, Pássaro de Fogo; e “A lógica da sentença”, de José da Costa Pimenta, Petrony

boas leituras

;->>>



PS - livro especialmente interessante é o que está exposto no Museu da Água, até meados de Setembro: "Livro de Pan II", exposição peculiar de J. Rosa Guerra, muito recomendável

um verdadeiro percurso referencial, eis a essência nobre de mais este magnífico "Livro"

para além do gosto pela arte e do profundo respeito pelo seu papel na dignificação da vivência humana, o "Livro de Pan II" representa igualmente os caminhos da introspecção, da reflexão em múltiplos sentidos, da meditação prática em que respira a arte a que J. Rosa Guerra nos vem habituando

e os laços recíprocos da arte e da psicologia são benfazejos à desalienação do artista como à de todos com quem partilha as suas referências e criatividade

imperdível então é subir os degraus de ferro por entre os maquinismos e mecanismos da Museu da Água, e saciar a sede de leitura mesmo onde seriam dispensáveis as palavras

mas elas estão lá!

e para as fruir e compreender não é preciso saber ler nem escrever

eh eh ...




observacões são bem vindas

2007-07-26

Tempo de Férias


parte-se para férias na convicção de libertação, carregamento de energias e intenções, renascimento para outra vida, de disponibilidades várias, Família e Amigos em lugar cimeiro, de algum retemperamento e reflexão pessoal, balanço também para um regresso mais produtivo

conciliação e reconciliação, portanto





vamos embora!


;->>>




PS - o prémio para a localização da(s) Ditosa(s) de Julho será proporcionado no recomeço da época bloguisférica; mas a Manela não pode concorrer, até porque já foi premiada com um incentivo à iniciação nas lides blogueiras, que se aguardam com um jametinhasdito muito agradecido e amigo!



observacões são bem vindas

2007-07-23

stop-at-two

Chris Rapley, ex-chefe de missão do Governo Britâncio na Antártida pretente demonstrar que mantém a cabeça fria no seu próximo cargo de director do Science Museum de Sua Majestade

fã de Conan Doyle e Sherlock Holmes, o “O novo director de um dos principais museus britânicos, o Museu da Ciência, defende uma nova arma no combate ao aquecimento global: o controlo de natalidade”

o Diário Digital é algo parangónico na leitura que faz do The Observer/The Guardian:
Director de museu defende menos filhos contra aquecimento
Numa reportagem publicada este domingo pelo jornal The Observer, Chris Rapley argumenta que uma população menor no futuro significará «menos dióxido de carbono na atmosfera, porque haverá menos pessoas a usar carros e electricidade».
Rapley, que assume oficialmente o cargo a 1 de Setembro, alega que «para atingir esse objectivo basta gastar uma parte do dinheiro necessário para desenvolver soluções tecnológicas, novas centrais nucleares ou produzir combustíveis renováveis».
«Porém, todos decidiram ignorar o assunto silenciosamente», afirma Rapley, que antes de ser escolhido director do museu era o chefe da missão britânica na Antártida
.”

e o homem que veio do frio tem a sua razão

Jeremy Rifkin, reputado conferencista recentemente a proferir uma palestra em Portugal, insistiu na sua tese de que os transportes são apenas o 3º sector poluidor - o 1º é a construção e o 2º a indústria pecuária para produção alimentar

ou seja, 3 sectores directamente relacionados com o total de população

na realidade, qualquer que seja a tecnologia, o planeta é capaz de ter um limite máximo de capacidade para sustentar o crescimento da população

no entanto, receio bem que o estado de coisas se agrave demasiado antes de em absoluta certeza se descobrir se de facto existe tal limite e qual é...

mas mesmo com a estabilização ou redução da população mundial total, o consumo energético deverá continuar a crescer para além dos limites físicos do planeta quanto aos recursos fósseis e capacidade de absorção de emissões poluentes

a questão do crescimento populacional é apenas um dos factores a considerar e não o único, sendo certo que o nosso cientista polar hoje homenageado no Ditos, casado e pai de duas filhas, até já cumpriu a sua parte na política de controlo natalidade que alguns "verdes" defendem para o Império Britânico

então voltamos à mesma: quanto à energia, é preciso apostar na eficiência e redução do consumo energético, bem como em novas soluções de produção de energia, electricidade incluída, que não esgotem os recursos naturais - o complicado é "como"... e "coragem"!

mas os receios relativos à demografia excessiva são de sempre e a humanidade tem uma grande tradição de moderar esse "problema", por diversos meios e com assinalável frequência - só os fanáticos da CEE/UE e os utopistas do acordo de paz no médio oriente tentam frustrar uma das respostas mais consistentes a esse inconveniente desafio...

Chris Rapley, jametinhasdito: o Malthus não está só !!!




PS - mas por vezes escreve-se direito por linhas tortas: por exemplo, a UE nomeou um conhecido pacifista, arreigado amigo dos árabes e fecundo indefectível do consenso mundial, para mediador do conflito israelo-árabe, pelo que é fácil antever-se que não é por causa de Tony Blair que a população no local irá aumentar...





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2007-07-10

Áfricas

há dias, em mais uma entrevista, pergutaram abruptamente a Mia Couto: "que acha da situação de África?"

a resposta foi inteligente: "qual África? há várias Áfricas..."

assim é, de facto, jametinhamdito!

hoje, em Lisboa, Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, revelou-se preocupado e considerou a pobreza, a Sida e as deficiências na saúde os problemas mais graves do continente africano, que são actualmenteo centro dos esforços da ONU, salientando a difícil situação no Darfur, no Sudão, e na Somália

nem uma palavra sobre as ditaduras, a usura e a promoção da guerra civil fraticida que trepana vários povos africanos desde há décadas e que geram a pobreza, a Sida, as deficiências na saúde, a perpetuação da dívida, o Darfur, o Sudão, a Somália, Angola (curioso o despacho "ausente" da Angolapress, que refere vários temas menos o que interessa), Moçambique, o Zimbabwe e por aí diante

a que foge a ONU ?

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2007-07-04

peso dos livros

a biblioteca do Vaticano encerrará a partir do próximo dia 14

o edifício está a dar de si, tem quase 500 anos e suporta 1.600.000 livros

é obra!

e são precisas obras!!

embora seja reconhecido o peso dos livros, eis uma boa confirmação, jametinhamdito!!!

por isso, durante os próximos três anos as estruturas serão reforçadas e modernizadas, avisa a simpática página da Vaticana na internet, com um expressivo sinal de trânsito a assinalar trabalhos na via


as consultas reduzir-se-ão mas continuará a funcionar o curso de Biblioteconomia, na escola anexa à Biblioteca Vaticana


PS - sobre a importância dos livros na vida de cada um, dizia o poeta mexicano Gabriel Zaid:

«¿Qué demonios importa si uno es culto, está al día o ha leído todos los libros?

Lo que importa es cómo se anda, cómo se ve, cómo se actúa después de leer.

Si la calle y las nubes y la existencia de los otros tienen algo que decirnos.

Si leer nos hace, físicamente, más reales.»










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2007-06-08

sem fios

"A não existência de efeitos secundários nesta forma de transformação de energia tem ainda outro efeito, segundo o MIT: a colocação de pessoas ou objectos entre o emissor e o receptor da energia em nada afecta a passagem da energia."

Em nada afecta a passagem da energia ?

jametinhasdito!

O que interessa é saber se afecta ... as pessoas !!!


"Cientistas conseguem transmitir energia com tecnologia sem fios

Investigadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT na sigla inglesa) anunciaram quinta-feira um novo avanço ao conseguirem acender uma lâmpada transmitindo a energia necessária por meio da tecnologia sem fios.
Esta descoberta faz prever que em breve os telemóveis e outros aparelhos electrónicos possam receber energia sem necessidade de estarem ligados à corrente eléctrica.
De acordo com uma artigo publicado quinta-feira na Science Express, uma publicação online da Science, o conceito de envio de energia através da rede sem fios não é novo, mas até agora a sua utilização em larga escala tem sido considerada ineficaz, uma vez que a energia electromagnética gerada iria irradiar em todas as direcções.
Contudo, no Outono, um cientista do MIT, Marin Soljacic, descobriu a maneira de fazer a transferência de energia recorrendo a ondas electromagnéticas definidas.
A chave é fazer com que o aparelho fornecedor e o receptor comuniquem na mesma frequência de modo a receber a energia de forme eficiente, sem a perda até agora considerada.
O princípio é idêntico àquele que permite a um cantor de ópera partir um copo de vidro com a voz, desde que o objecto esteja a comunicar na mesma frequência daquela voz.
O avanço agora conseguido no MIT tem a ver com o facto de pela primeira vez se conseguir a transferência eficaz da energia, sem perdas.
Os cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts conseguiram fazer acender uma lâmpada de 60 watts colocada a dois metros da fonte geradora de energia.
«Foi uma experiência excitante. O processo utilizado é fácil de reproduzir. Não custa nada regressarmos ao trabalho no laboratório e reproduzir o processo sempre que quisermos», comentou Marin Soljacic.
A descoberta permite pensar num futuro próximo em que os aparelhos funcionem sem necessidade pilhas, evitando os problemas associados à sua reciclagem e aos efeitos nocivos dos químicos tóxicos de que são feitas.
No entanto, os cientistas ainda têm muito que trabalhar pois o processo desenvolvido no MIT é eficaz a 40-45%, ou seja, a maior parte da energia gerada pela fonte emissora não chegou à lâmpada.
Marin Soljacic considerou que o processo tem de pelo menos duplicar a sua eficiência, antes de poder competir com as formas tradicionais de fornecimento de energia aos aparelhos eléctricos e electrónicos.
Designado por «WiTricity» (contracção de Wireless - sem fios - e Electricity - electricidade), o processo desenvolvido pelo MIT vai ser desenvolvido não só para miniaturizar o receptor de energia como para aumentar o alcance.
O objectivo é conseguir, por exemplo, que uma única fonte de energia sem fios possa alimentar todos os aparelhos existentes num dado espaço, como a sala de uma casa.
Nos testes até agora efectuados não foram detectados quaisquer danos nos telemóveis, computadores portáteis e cartões de crédito que se encontravam no laboratório, mas o MIT admite a necessidade de mais estudos.
A não existência de efeitos secundários nesta forma de transformação de energia tem ainda outro efeito, segundo o MIT: a colocação de pessoas ou objectos entre o emissor e o receptor da energia em nada afecta a passagem da energia."






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2007-05-25

à saúde

a secção "Science Briefing" do Finantial Times de hoje, assinada por Rebecca Knight, traz várias notícias interessantes:
- o elixir da juventude já existe e engarrafado - é o retinol, uma forma de vitamina A, que hidrata a pele!
- os anéis de Saturno revelam algumas surpresas e o maior é constituído por agrupamentos de partículas mais densos do que se pensava, pelo que a respectiva massa deve ser pelo menos duas vezes superior às estimativas, além de que as ditas partículas estão em permanente colisão entre si, sem a distribuição uniforme que se admitia, ou seja, com intervalos que deixam passar a luz!!
- e o vinho faz bem à saúde !!!

esta última descoberta permite o verdadeiro jametinhasdito: "a drink a day keeps dementia at bay"

é certo que neste ponto a ciência apenas vem confirmar o saber milenar da humanidade, mas o fleumático FT refere um estudo do jornal "Neurology" que recorreu ao método experimental para comprovar que a incidência do consumo moderado de alcool, principalmente vinho, tem efeitos benéficos contra a progressão de doenças do foro neurológico

e as boas notícias são para celebrar com um copo !



PS - como o link só é acessível aos assinantes do jornal, vai anexo o resumo



alcohol consumption, mild cognitive impairment, and progression to dementia. - Solfrizzi, V, D'Introno, A, Colacicco, A, Capurso, C, Del Parigi, A, Baldassarre, G, Scapicchio, P, Scafato, E, Amodio, M, Capurso, A, Panza, F
Objective: To estimate the impact of alcohol consumption on the incidence of mild cognitive impairment and its progression to dementia.Methods: We evaluated the incidence of mild cognitive impairment in 1,445 non-cognitively impaired individuals and its progression to dementia in 121 patients with mild cognitive impairment, aged 65 to 84 years, participating in the Italian Longitudinal Study on Aging, with a 3.5-year follow-up. The level of alcohol consumption was ascertained in the year before the survey. Dementia and mild cognitive impairment were classified using current clinical criteria.Results: Patients with mild cognitive impairment who were moderate drinkers, i.e., those who consumed less than 1 drink/day (approximately 15 g of alcohol), had a lower rate of progression to dementia than abstainers (hazard ratio [HR] 0.15; 95% CI 0.03 to 0.78). Furthermore, moderate drinkers with mild cognitive impairment who consumed less than 1 drink/day of wine showed a significantly lower rate of progression to dementia than abstainers (HR 0.15; 95% CI 0.03 to 0.77). Finally, there was no significant association between higher levels of drinking (>=1 drink/day) and rate of progression to dementia in patients with mild cognitive impairment vs abstainers. No significant associations were found between any levels of drinking and the incidence of mild cognitive impairment in non-cognitively impaired individuals vs abstainers.Conclusions: In patients with mild cognitive impairment, up to 1 drink/day of alcohol or wine may decrease the rate of progression to dementia.(C)2007AAN Enterprises, Inc.



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2007-05-23

desota

ouvido na rádio, o histriónico Ministro das Obras Públicas (ou o raio de nome que agora tiver) e da Ota jametinhadito um novo argumento contra a opção pela margem sul do Tejo para construção do futuro aeroporto de Lisboa

é que tal localização colocaria o aeroporto onde não há gente, nem escolas, nem hotéis !
ou seja, em "pleno deserto" !!!

será o conhecido deserto de Atacoina ? do Gobirreiro ? do Saaralcochete ?

é certo que na zona os aquíferos são subterrâneos enquanto na Ota os rios teriam que ser soterrados

mas talvez Mário Lino seja um verdadeiro iconoclasta e tenha conseguido finalmente o que a oposição mai-los ambientalistas não alcançaram: reverter 30 anos de estudos a favor da Ota e colocar em cima da mesa a necessidade de novos estudos para uma decisão política fundamentada

de preferência, em critérios racionais


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2007-05-17

baby bum

algures no Illinois, um avô babado ofereceu um canhangulo ao adorável neto de seus 10 mesitos

acto contínuo e em coerência familiar de costumes, o pai babado dedilhou pela internet um pedido de licença de porte de arma em nome do rebento

a Polícia do respectivo Estado, ao abrigo da lei, deferiu o requerimento e emitiu uma bela licença de porte de arma, por enquanto mero documento de enxoval

lá mais para diante, mal o licenciado coma os flocos todos de manhã, há-de experimentar uns balázios em amena confraternização familiar, talvez para animar o lanche ou para celebrar a primeira cervejola ou something else...

pouco depois aprenderá a ler, mais tarde será pai e renovará o ciclo dos cowboys no oeste selvagem em que ainda vivem muitas políticas, leis, práticas, instituições, autoridades , cidadãos e eleitores norte-americanos

participará numa ou mais das guerras que os EUA têm em qualquer parte do mundo para manterem o seu poderio, domínio e esbulho

e naturalmente oferecerá um arsenal de afectuosos brindes de armas e munições aos queridos filhos e netos, para que deles fruam e usufruam, perpetuando o ciclo do american dream

brave new world, cada vez mais na mesma

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just do it




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2007-05-13

ver


parafraseando o saramagal conselho:

se puderes olhar, vê!

se puderes ver, repara!!

e se reparares numa gaivota a posicionar-se para ver, se puderes, tira-lhe o retrato !!!



nota: o profissional fotografador não pode concorrer, já ganhou direito ao prémio; obrigado ;->















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2007-05-12

Armenia mate



ante uma tal beleza, o Arménio Aronian sorri como quem encaixa mais uma linda taça!

neste caso, merecidamente, após vitória sobre o actual Campeão do Mundo, o russo Vladimir Kramnik

a Arménia viu nascer o Campeão do Mundo Tigran Petrosian - ó a limpeza como venceu outro Campeão do Mundo, Boris Spassky - e tem com o venerando jogo do xadrez uma relação de especial paixão, fascínio e talento


naturalmente e como jametinhamdito, hoje há certos incentivos antes inimaginados, como é bem exemplo a emissão de moeda com os nomes dos membros da brilhante equipa olímpica da Arménia

um raro gesto de reconhecimento que é simultaneamente notável promoção da modalidade

assim se constrói a auto-estima de um povo, aproveitando as elites para desenvolvimento das suas potencialidades de forma generalizada e sistemática

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2007-05-03

inocência à prova



no magnífico jornal gratuito a 1 centimo por cobrar, o director António Mendonça escreve Oje que "Só no caso de não conseguir prová-la é que, muito provavelmente, será declarado culpado." !





jametinhamdito !!


efectivamente, em Nota intitulada "Estado de Direito", o director do jornal Oje afirma o direito do arguido de "poder provar a sua inocência em Tribunal"

há de facto esse direito, no Estado de Direito

mas não é isso que distingue o Estado de Direito - e mal seria...

o que caracteriza o Estado de Direito é exactamente o contrário, isto é, nenhum cidadão tem que fazer prova da sua inocência

na realidade, é sempre muito difícil fazer "a prova da inocência" - facto negativo

por isso, o que o Estado de Direito veio assegurar é que a realização da Justiça exige antes a prova do crime (dos respectivos pressupostos, dos factos e da culpa) sem a qual prevalece a inocência e sem que o cidadão arguido se veja em situação de "provar" seja o que for

no caso do Estado português, a Constituição da República determina garantias e estrutura de processo criminal - cfr. Artigo 32º números 2 e 5

"Artigo 32.º
(Garantias de processo criminal)
...
2. Todo o arguido se presume inocente até ao trânsito em julgado da sentença de condenação, devendo ser julgado no mais curto prazo compatível com as garantias de defesa.
...
5. O processo criminal tem estrutura acusatória, estando a audiência de julgamento e os actos instrutórios que a lei determinar subordinados ao princípio do contraditório.
A diferença é enorme: nos regimes policiais (o inverso do Estado de Direito) algumas normas permitiam a incriminação de quem não lograsse provar a sua inocência; diversamente, no Estado de Direito, quem acusa é que tem que provar a existência e prática efectiva dos factos, bem como a sua imputação ao arguido e a respectiva culpa, além da demonstração do seu enquadramento em lei penal prévia."

de outro modo não há crime

e o cidadão continua a ser, e bem, considerado inocente até prova - "positiva" dos factos de que é acusado

decorrentes dos preceitos constitucionais típicos do Estado de Direito, diversas normas legais consagram aspectos materiais e processuais que concretizam o princípio da presunção da inocência

por exemplo, o arguido tem o direito de não responder a perguntas, excepto quanto à sua identidade e, se for caso disso, antecedentes criminais

o respeito pelo silêncio e pela passividade do arguido é justamente resultado do primado da presunção de inocência que caracteriza o Estado de Direito - os acusadores que façam prova

no essencial, porém, e embora através de expressão imperfeita, a Nota do Director do jornal Oje pretende realçar a supremacia de legitimidade do Estado de Direito, assegurando que não se pode pedir a cabeça de cada um sem se provar o indispensável fundamento

razão porque a dita Nota, até prova em contrário, presume-se inocente!

; - )




observacões são bem vindas