2019-04-04

Motivos familiares



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hoje demitiu-se Carlos Martins, no seguimento de uma campanha de maledicência da «direita política», aproveitada por inúmeros oportunistas comentadores ou políticos, acerca das relações familiares de membros do Governo



 

o ex-secretário de Estado do Ambiente nem sequer constava nas invectivas iniciais da campanha orquestrada à vista das eleições mas a demissão do familiar por si nomeado em 2016 e renomeado em 2018 para adjunto do respectivo gabinete, Armindo dos Santos Alves, apesar de considerada pelo ministro Matos Fernandes como suficiente para "resolver a questão", gerou uma escalada na febre eleitoralista e originou uma demissão por motivos familiares...



ainda não sabemos se tudo ficará por aqui e de pouco adiantará invocar-se antecedentes neste e em Governos anteriores ou noutros órgãos de soberania, departamentos do Estado, empresas públicas e privadas com maior ou menor presença de altas ou baixas patentes partidárias de várias cores com tendência para as mesmas de sempre e... ah poizé... mais as respectivas "senhoras" ou parentes diversos
 

mas a memória ainda tem algum efeito e o jametinhascompadrio dos tempos de Cavaco Silva é praticamente imbatível









observações são bem vindas, obrigado ;_)))

2019-02-06

adulteração indesculpável, a perpetuar o preconceito contra as mulheres

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outro caso de má imprensa é a forma como o Público decide adulterar esta notícia para promover e perpetuar o preconceito e a injusta discriminação na origem da violência de género e da sua incivilizada aceitação social, do povão às elites, incluindo, pelos vistos, a administração da justiça e a comunicação social

obviamente não há nenhum "caso das mulheres adúlteras", antes um caso de censura a uma decisão judicial preconceituosa

sim, deveria antes ser noticiado que um dos magistrados responsáveis pela ignomínia de uma sentença baseada em preconceitos de género foi sancionado com a pena disciplinar de advertência, esse é o caso a informar!



na realidade, a decisão judicial avaliada no processo disciplinar em que foi advertido um dos responsáveis, assenta numa interpretação preconceituosa contra as mulheres, idêntica à interpretação presente nas barbaridades quotidianas a que o País assiste, que só este ano já fez 9 vítimas mortais, todas mulheres, mas com um incomensurável acervo de atrocidades, na maioria impunes - e impunes fundamentalmente ao abrigo de uma cultura de preconceitos, na origem da ausência ou desistência de queixa por parte das vítimas, na ausência ou inconsequência de averiguação, prevenção e punição dos crimes e da violência de toda a espécie contra as mulheres

nessa inqualificável decisão, os juízes consideraram "gravíssimo o adultério das mulheres" e que "ainda há pouco tempo" - em 1886 (!?) - a lei portuguesa punia poucochinho ("pena pouco mais que simbólica") o assassinato da mulher adúltera, invocando igualmente a Bíblia (!?) para fundamentar o inacreditável medievalismo, pior, o deplorável anacronismo da sua própria mentalidade, que informou o preconceituoso acórdão da discórdia, num machismo de antanho a comprometer a aspiração de justiça a que a vítima, a sociedade e a necessária prevenção criminal têm direito

os factos são conhecidos e incontestáveis: o criminoso desculpado pela desDitosa decisão em causa, agrediu barbaramente a mulher com um pau cheio de pregos na ponta, enquanto a vítima indefesa estava sequestrada por outro criminoso, um comparsa também com pena suspensa

é a isto que se chama "o caso das mulheres adúlteras"?



a mulher, vítima das agressões, infelizmente não teve direito a nenhuma atenuação: foi manietada e impedida de se defender pelos dois agressores conluiados que a agrediram selvaticamente

e os jornais? levam a título a infame cobardia? a selvática agressão? o preconceito? a violência de género? o medievalismo da decisão judicial? a interpretação "bíblica" das leis de Portugal, uma República laica e subscritora da Declaração Universal dos Direitos Humanos? pois o destaque vai para "as mulheres adúlteras", em que não há nenhum crime e nunca esteve sob acusação nem em julgamento

assim, não... ;(



observações são bem vindas, obrigado ;_)))