2011-01-20

voto eficiente


insidiosas correntes propagam oportunístico apelo a voto branco (a pretexto de que assim seria substituída a lista de candidatos) ou nulo por inscrição satírica (antigamente, ao menos, era "revolucionária"...) em protesto contra os "esqueletos no armário" (a propósito, há um interessante blog sobre o assunto no ditoso AZBlog) de vários ou de todos os concorrentes

ora, importa refutar o boato insistente na pessegada do voto em branco ou da sua criativa grafitização

trata-se apenas de reforçar as reais e assustadoras possibilidades de reeleger o candidato residente, procurando confundir os eleitores para facilitar a verdadeira batalha de um dos concorrentes: o grande objectivo do incumbente é decidir o escrutínio logo à primeira volta, pois de contrário o resultado será bem diferente - numa segunda volta, outro galo declamaria!

de facto, para a determinação dos resultados, a legislação eleitoral (quer para a AR, quer para o PR) equipara os votos brancos aos nulos: não valem – mesmo nada, o que aumenta as possibilidades dos ansiados 50% dos votos «expressos» na primeira volta

é que para efeito (a «causa eficiente», em Aristóteles) do apuramento dos votos, nas presidenciais, a Lei é muito simples e clara: ganha o mais votado, desde que tenha mais de metade dos votos validamente expressos

se não tiver mais de metade, vão os dois mais votados a novo sufrágio, quer dizer, à segunda volta!!

ou seja, o voto branco ou nulo é absolutamente ineficiente, tem um efeito zero no apuramento dos resultados - porém, o seu apelo é enganoso, porque favorece ainda mais o que já tem a natural vantagem de estar no lugar

isto quer dizer que, se numa segunda volta, todos os eleitores menos um votassem branco ou nulo, o eleitor que votasse válido num dos candidatos é que escolheria, sozinho, o novo Presidente - todos os seguidores do apelo ao voto branco ou nulo teriam sido eficientemente ludibriados!!

afinal, em vez de branquear ou grafitar o voto, quem não gosta de nenhum dos candidatos podia e devia apresentar-se como candidato, desde que tenha mais de 35 anos de idade

agora com este cardápio, a maneira de ser eficiente é, então, votar mesmo num dos candidatos

mas além de votar de forma eficiente, o que é um direito e um dever cívico, podemos também aspirar a um pouco mais e votar com satisfação, esperança e alegria

mesmo para propensos grafitadores, há maneira melhor de alegrar o voto

é o voto alegre!!!

;_)))



registo de interesses: o Ditos apoia Mafalda e Manuel Alegre a Belém

observações são bem vindas ;->>>

5 comentários:

Lia disse...

Argumentónio,

passei para te dizer olá -(em relação ao post)"voto eficiente" nem sei que te diga,eheheh,valha-nos o post, que me deixa sair daqui alegre.(brincadeirinha:0)))

Beijinho

Anónimo disse...

É claro que tem toda a razão, António. Pessoalmente, perfilho uma campanha - mas não ainda agora - para que o voto branco conte como voto expresso. É um voto de rejeição, expresso. É como uma moção de censura. Deverá contar, mas para isso é preciso que a lei eleitoral seja mudada. Dessa forma, nas legislativas a percentagem de votos brancos poderia determinar que algumas cadeiras de deputados não fossem preenchidas. Esse é um gesto democrático. O que se faz agora ao equiparar o voto branco ao nulo é 100 por cento anti-democrático. É mais uma auto-protecção dos partidos.
Com a legislação actual, o voto branco é altamente desaconselhável em eleições como estas para a Presidência. Acaba por favorecer o actual ocupante do lugar. Eu próprio vou, naturalmente, votar num dos candidatos.
jmco

argumentonio disse...

além dos esclarecimentos da CNE sobre o assunto, chegou a mensagem que seguidamente se partilha, em extracto:

«Gostaria de chamar a vossa atenção para o problema do voto em branco, nas eleições presidenciais.
Isto, porque para além de continuarem a correr e-mails defendendo o voto em branco, como acto de protesto, começam a correr boatos especulativos, que chegam ao ponto de pretenderem fazer crer que, nas presidenciais, se deve votar nulo em vez de em branco, pois o nulo é que conta!...
Em minha opinião, está-se a tentar explorar o facto de, nestas eleições, o voto em branco ter exactamente o mesmo valor que o voto nulo, isto é zero!
De facto, nas presidenciais, o voto em branco não é considerado validamente expresso (como pode ver em www.cne.pt/dl/legis_lepr_2005.pdf)!
Já nas eleições presidenciais de há cinco anos, teria havido uma segunda volta se o voto em branco fosse considerado validamente expresso (Cavaco Silva 2.773.431 votos; Manuel Alegre + Mário Soares + Jerónimo de Sousa + Francisco Louça + Garcia Pereira + brancos = 2.773.552 votos).
Quem não quiser votar em nenhum dos candidatos, mas quiser contribuir para uma segunda volta das eleições presidenciais, não pode votar em branco (estará a anular o voto), não pode anular o voto, pois isso terá o mesmo efeito da abstenção. Quem quiser, acima de tudo, forçar a uma segunda volta, terá de votar num dos candidatos que não se perfilarem como hipotéticos vencedores, à primeira volta.
Mesmo que não tenha muita vontade de o fazer, terá de votar num candidato, seja ele qual for, desde que não seja o que aspira a ser eleito à primeira volta...
Só assim, o seu voto poderá contribuir para que não haja 50 por cento mais um dos votos validamente expressos, na primeira volta!
Se quer contribuir, não hesite!
Divulgue esta informação e vote válido!
Cordiais saudações
Vasco Lourenço»

Joana disse...

Eu votei em branco, pois entendo que é uma forma de demonstrar aos nossos queridos politicos que estou atenta ao que eles fazem, mas que não me identifico com nenhum deles.

Beijinhos

Sofá Amarelo disse...

Nunca votei em branco porque sempre desconfiei que algum dos membros da mesa - que agora são sempre gente de partidos - poria uma cruzinha one eu não quisesse.

Esperemos que se possa ainda votar daqui a 5 anos, pois pelo caminho que isto tomou e com comparações salarazentas às mistura, não sei se temos uma democracia a prazo... ou se a dita já acabou!