2011-05-06

apiedai-vos da nação



«_Meus amigos e meus companheiros,
apiedai-vos da nação que está cheia de crenças
e vazia de religião

Apiedai-vos da nação que veste uma roupa
que não é por si tecida,
que come um pão que não semeia
e bebe um vinho que não sai das suas uvas.

Apiedai-vos da nação que acolhe o fanfarrão como herói
e ignora o conquistador.

Apiedai-vos da nação que despreza a paixão no seu sonho
e no entanto se submete no despertar.

Apiedai-vos da nação que não ergue a sua voz
a não ser num funeral
e que não se rebela
excepto quando tem o pescoço entre a espada e a parede.

Apiedai-vos da nação cujo chefe é uma raposa,
cujo filósofo é um farsante
e cuja arte é a do remendo e da imitação.

Apiedai-vos da nação que acolhe o seu novo governante
com trombetas e se despede dele com cornetas,
para acolher o seguinte novamente com trombetas.

Apiedai-vos da nação cujos sábios estão envelhecidos
e cujos jovens ainda estão no berço.

Apiedai-vos da nação dividida em fragmentos
em que cada fragmento julga ser uma nação.»



jametinhasdito Kahlil Gibran,
in O Jardim do Profeta, 1923,
ed. Coisas de ler, 2001, trad. Ana Sampaio
observações são bem vindas ;_)))

2 comentários:

Anónimo disse...

Muito interessante, António, e muito apropriado.
jmco

Pedrasnuas disse...

Simplesmente fantástico!!!;)