2012-03-27

DO 25 DE ABRIL À TROIKA



Por Fernando Cardoso de Sousa
Ten-Cor de Infª na Reforma

Parte I – O 25 de Abril e os ideais

Foi uma longa espera no Terreiro do Paço. Espera que viesse uma ordem para avançarmos e prendermos os membros do governo que víamos espreitar-nos das janelas. Não percebíamos porque é que as ordens não vinham, quando tudo nos parecia tão fácil dali. Mas cumprimos bem e ninguém resolveu agir por conta própria.
Finalmente vieram as ordens para avançarmos e, é claro, já lá não estava ninguém, ou só restavam alguns coronéis, chefes de gabinete ou investidos de outras funções, que resolveram não fugir. E fizeram bem, pois também nada lhes aconteceu, já que ninguém nos tinha mandado prendê-los; até conversaram calmamente com alguns oficiais sobre a justeza do golpe. Mas a missão ainda era (pensávamos nós) capturar membros do governo e assim fomos andando pelos corredores do palácio esperando encontrar algum retardatário. Mas eis senão quando uma porta enorme nos barrou o caminho e, se bem que todos procurassem a chave, ela teimava em não aparecer. Era lógico que os fugitivos tinham fechado a porta à chave, para dificultar a perseguição. Que fazer então? Aparentemente só havia uma solução: arrombar a porta de qualquer forma pois, por muito resistente que fosse, não conseguiria deter militares aguerridos e determinados. Só que…quem é que arromba? Uns não queriam a violência, outros hesitavam em tomar a iniciativa mas todos, de um modo geral, achávamos mal danificar uma porta tão bonita e valiosa, ainda por cima fazendo parte da Fazenda Nacional…e não se arrombou. Ainda procurámos alternativas mas, como não encontrámos, voltámos por onde tínhamos entrado e fomos embora.
Do Terreiro do Paço, um grupo seguiu para a António Maria Cardoso – quartel da PIDE e outro para a Penha de França – quartel da Legião Portuguesa. Eu segui no da Legião e, à medida que nos íamos aproximando, os soldados tomavam posição em prédios contíguos à fortaleza, prontos a ripostar ao primeiro sinal de resistência. E o grosso da coluna lá seguia, imbuída do espirito de missão mais revolucionário e aguerrido.
E esse espírito era necessário, pois começámos a vislumbrar legionários armados, que nos espreitavam do cimo das muralhas. Só que, em vez de tomarem posições defensivas e camufladas, limitavam-se a passear a descoberto e a olhar para nós com curiosidade. Ainda por cima com as armas em bandoleira, daquelas Mauser da I Guerra, em contraste flagrante com o armamento pesado e moderno (para português, claro), que se passeava debaixo dos seus olhos. Era demais!
E chegámos ao portão de entrada que, apesar do adiantado da hora, se encontrava teimosamente fechado. Num ápice as Chaimites tomaram posição, apontando as peças, no que foram seguidas pelo pessoal que, devidamente entrincheirado, visava a porta auxiliar, que fazia parte do imenso portão de ferro. E, quando esperávamos que algumas granadas desfizessem o portão em pedaços, o chefe da força, major Jaime Neves…tocou à campainha. E, nada…
Tocou novamente e, passado um tempo considerável, apareceu alguém à civil que…perguntou o que queríamos. E com uma paciência de Jó, o major lá explicou que se tratava de uma revolução (de que talvez já tivessem ouvido falar) e que estávamos ali para tomar conta do quartel, pelo que deveriam render-se rapidamente, para evitar derramamento de sangue. E a figura fez que tinha percebido, retirou-se e…fechou a porta de novo. E só muito depois lá apareceu o comandante – general Pimenta de Castro – e sua comitiva, a declarar a rendição. Ato contínuo, a tal figura à civil – um coronel reformado – em jeito de encenação e à falta de uma espada, saca da pistola, retira o carregador e deposita o conjunto no chão, em sinal de rendição. Todos respirámos de alívio mas, quando nos preparávamos para entrar calmamente no quartel, o tal coronel reformado, tem um vipe (inspiração momentânea), volta atrás, apanha a pistola do chão, introduz o carregador, arma a pistola e, barrando a entrada no portão, exclama: - “Não me renderei! Só por cima do meu cadáver!”. E ali estávamos nós com 300 armas e 10 canhões apontados aquela figura rocambolesca, sem saber o que fazer. E, mais uma vez, com muita paciência, o major lá explicou ao coronel o ridículo da situação, que voltou a colocar a pistola no chão e entrou à nossa frente.
E, daí a pouco tempo, já confraternizávamos alegremente com o ‘inimigo’, comendo presuntos e chouriços, bem regados com bom vinho, atividade que, pelos vistos, constituía ocupação principal dos legionários.
Ao fim da tarde, apareceu uma força militar toda fresquinha (já não dormíamos há quase 48 horas), com ar muito operacional e determinado, com ordens para nos substituir, começando de imediato a sua ocupação principal que foi “sacar” tudo o que pudesse ter valor. Aí comecei a aprender que a revolução, afinal, pertencia aos que “vinham depois” e achei que seria melhor sair definitivamente de cena e recolher-me a quartéis. E da intenção passei à ação quando, uns dias depois, numa daquelas operações de busca por denúncia de existência de armas escondidas (inexistentes, claro), no interior do Castelo de S. Jorge, vi um furriel sair de um compartimento com o ar mais feliz e alienado deste mundo, pois tinha conseguido roubar um cabide de arame, daqueles que costumamos deitar para o lixo, quando vamos buscar a roupa à lavandaria. Era realmente a altura me ir embora, pois a revolução, para mim, tinha acabado e pertencia agora aos que “vieram depois”.


Parte II – O tempo da “troika”
De certo modo, é essa ainda a sensação que tenho hoje, quando vejo oportunistas sacarem tudo o que conseguem, sem qualquer consideração pelos outros ou pelo país. É como se os dinheiros e património públicos lhes pertencessem e todas as mordomias se justificassem pelos “sacrifícios” que passam (ou passaram). Tal como no pós-25 de Abril, os medíocres, os impreparados, os apressados e os que, de um modo geral, não estão dispostos (ou não têm capacidade) para vencer na vida a pulso de esforço próprio, tomam conta das ocorrências pela via do partido, ou de outra agremiação de troca de favores, desde que as circunstâncias permitam que o façam com um mínimo de risco para si próprios.
No fundo, isso mesmo aconteceu connosco, quando, depois de sairmos do Terreiro do Paço, encontrámos uma multidão entusiasta, que nos vangloriava como reis. E muitos de nós, simples soldados, pouco habituados a banhos de multidão, convencemo-nos que, afinal, éramos mesmo reis, merecedores de todas as regalias e poder quando, na realidade, pouco tínhamos feito com risco verdadeiro. E tantos foram os que se deixaram inebriar pela luxúria do poder, durante o PREC que se seguiu, até descobrirem que, afinal, não eram reis nem génios mas simples soldados ignorantes.
O 25 de Abril deixou muita coisa, boa e má, mas nenhuma tão execrável como aqueles que “vieram depois” e que ainda ocupam muitos dos lugares deixados vagos pelos do antigo regime e pelos que lutaram para que tudo mudasse.
Se calhar, tem de ser mesmo assim e a única esperança é que o sistema vá aprendendo e nós próprios vamos sendo mais capazes de colocar, nos lugares de poder, os tais génios e reis, que temos, mas que teimamos em não valorizar.
Na verdade, se examinarmos os motivos do colapso de sociedades inteiras, como os Vikings ou os Maias, vemos aí razões ligadas à manutenção dos sistemas de poder instituídos, que impediram que soluções verdadeiramente eficazes pudessem surgir. Não propriamente por destruição intencional dos recursos mas por terem criado um vazio de imaginação inerente à incapacidade do poder em gerar um discurso diferente daquele que o fez poder, mesmo que tal signifique o aniquilamento total, como na Alemanha de Hitler ou na Líbia de Kadhafi.
O que faz falta é agir sobre a nossa capacidade coletiva de tomar a iniciativa de definir e resolver os problemas. A base do iceberg compõe-se da incomensurável letargia de um povo demasiado habituado a ser governado, em vez de governar-se. Assim, o verdadeiro mérito de um governo, deste Governo, não estará tanto em sanear as contas públicas (condição sine qua non, é certo) mas sim em libertar a sociedade civil para construir o futuro do País. E, para isso, é necessário destruir as bases em que se constituiu o poder que nos levou a esta crise.





observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-03-19

modos de não mudar



Dos modos

Pequenina a paz que nos vão dando
os que dando se comovem.
É a paz a quatro linhas: Boas Festas.
É a paz da sobremesa: doce de ovos.
É a paz da nebelina: demos graças.
É a paz do não te rales
E não fales
E não faças.

Ana Maria Ferreira
in Arquipélagos da memória, a Torre de Babel e outras histórias
Plural – Gota de água, INCM, 1984


ps - porque jametinhamdito...






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2012-03-14

mestria


ou aprendizado? 


_ O pinheiro manso tem a copa redonda!

_ As pessoas mansas são redondas?


Quem jametinhadito e quem jametinhaperguntado?

Quem é Aprendiz e quem é Mestre  ?





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2012-03-11

Outono




folhas caídas de Outono chegado, a Natureza é Mestre do calendário trocado









a Princesa Magnólia, vestida a rigor,  ilude o Inverno e desponta em flor





















a sul, a ladina Andorinha antecipa e anuncia a Primavera em tempo de ilusão: estão os dias um perfeito Verão




















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2012-03-08

Cesária voa mais alto


jametinhamdito que o movimentado Aeroporto Internacional de São Pedro, na ilha mágica de São Vicente, em Cabo Verde, é hoje em boa hora rebatizado: a ideia já tem meses mas é concretizada numa feliz conjugação de homenagens às Mulheres e em especial a Cesária Évora!

a quem viajou ao ladinho de Cesária sabe muito bem a justíssima homenagem, pela humildade e cativante simpatia mas também, ao sair do avião em S. Pedro, pela calorosa recepção e interminável salva de palmas que os amigos, admiradores e circundantes invariavelmente lhe dedicavam durante o trajecto, a pé, até ao modesto mas digno edifício aeroportuário




parabéns a todos, especialmente a Elas!!

e é tanta sodade!!!

;_)))



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ps - créditos: pela utilização da fotografia é devido um café, margoso

2012-03-07

QREN é você!



jametinhamdito que há uma «guerra de Jardim e manjerona» para saber quem "gere" os fundos europeus do QREN, o ministro das Finanças - que nunca trabalhou numa empresa - ou o da Economia - que também não, mas escrevia lá de fora ...


o que está por dizer é que a Troica externa tem a última palavra a dizer - ou devia ter - e por isso o Primeiro Ministro tem que alterar alguma coisa, que mais não seja para que tudo fique essencialmente na mesma


e falta alguém dizer que uma boa mudança na gestão dos dinheiros europeus seria muito bem vinda para o povo português, por muito que doa a alguns políticos e aos vendedores de automóveis de alta cilindrada onde vai parar o "apoio" a fábricas em segunda mão, a formação profissional para não pagar ordenados, a criação dos mesmos postos de trabalho de sempre (com os milhões de postos de trabalho "criados" com os fundos comunitários toda a população portuguesa estaria várias vezes empregada, um dia que façam as contas ficaremos a saber quantos empregos teria cada português) e a inovação ou a projectos de interesse nacional que nunca viram a luz do dia, talvez por terem sido negociados à noite

então não é de estranhar tanta pressão para tudo continuar na mesma???





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2012-03-04

bus

a Ditosa de Março prefere os transportes públicos !





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2012-02-15

Arte


discurso directo: 

Toda a arte é perfeitamente inútil - Óscar Wilde

A arte só faz sentido se for útil - Antoni Tàpies




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ps - Toda a arte é simultaneamente superfície e símbolo.
Os que penetram para lá da superfície, fazem-no a suas próprias expensas.
Os que lêem o símbolo, fazem-no a suas próprias expensas.
O que a arte espelha realmente é o espectador e não a vida.
A diversidade de opinião sobre uma obra de arte revela que a obra é nova, complexa e vital.
Quando os quando os críticos divergem, o artista está em consonância consigo próprio.
Podemos perdoar um homem que faça uma coisa útil desde que não a admire. A única desculpa para fazer uma coisa inútil é ser objecto de intensa admiração.
Toda a arte é perfeitamente inútil.

Óscar Wilde, in retrato de Dorian Gray (Prefácio)

2012-02-11

20 valores


de média!

jámetinhadito o Eng. Ivo Gonçalves acerca da nota de formatura no Liceu Normal de Pedro Nunes, por ter tido 19 final a Latim e 20 a todas as demais disciplinas

depois cursou engenharia no Instituto Superior Técnico, sempre com as melhores classificações, e fez uma carreia notável no sector energético português, em tempos difíceis e contribuindo para a superação de graves crises -

foi o único gestor público a manter a sua posição após a revolução do 25 de Abril de 1974

deu corpo à electrificação do País, universalizando um serviço que hoje temos por adquirido e essencial

reconhecido escorpião, apesar de muito senhor e acérrimo praticante da sua racionalidade, provou à saciedade que a competência e o sucesso podem perfeitamente compatibilizar-se com os valores éticos, a inteligência, o bom humor e, até, a bonomia!!

muito lhe devemos

um Senhor, acima de 20 valores!!!



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2012-02-10

chaparro


publicada a Resolução da Assembleia da República a instituir o sobreiro como árvore nacional, o jametinhasDitos recupera um post arbóreo, poético e premonitório

Canadá (plátano, na bandeira nacional desde 1965) e China (ginkgo biloba) também têm árvores como símbolos nacionais oficiais mas muitos outros países elegeram evocação em individualizada espécie arbórea: Israel e a figueira, França e o carvalho (símbolo da luz e do conhecimento, significativo para druidas) ou o Líbano e o cedro, só para exemplificar...

por cá e também por respaldo em diploma legal, salve o ditoso e autóctone quercus suber !!!

;_)))


2004-11-24


ó carvalho, ó carvalho

ha' dias assim: ontem comemorou-se ou realizou-se o dia da floresta autoctone

23 de Novembro e' melhor dia para plantar em Portugal do que o dia mundial da arvore, a 21 de Marco, altura em que a nossa inclemente primavera sujeita semelhantes intencoes a provaveis contrariedades

pois em boa hora e bem á medida, ontem a incansavelQuercus foi, além do mais e entre outros pontos altos, para o bosque de Monsanto apregoar a defesa do carvalho, em especial o carvalho autoctone

parafraseando o temperamental poeta Joaquim Pessoa, de quem a propósito e com a devida venia respigo uma estrofe, jametinhamdito que o nosso e bom carvalho portugues carece, muito, de adequada proteccao legal, ó carvalho, ó carvalho, tal como a nossa azinheira e o sobreiro nacional !

«Estes fatos por medida
que vestimos ao domingo
tiram-nos dias de vida
fazem guardar-nos segredos
e tornam-nos tão crueis
que para comprar aneis
vendemos os proprios dedos.» 


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vida


secreta

Només allò que és íntim sobreviu
i, a poc a poc, es converteix en l'àmbit
en què, cansat, reposo del desori
de cada dia.Jo i els meus records
salvats curosament de l'escomesa
duna vida viscuda com qui fa
camí amb el vent de cara i no se sent
gairebé mao compromés amb el ritme
qui li dictem els deures i les modes.

Només l'imaginari converteix
el fer e desfer en una altra lucidesa
agosarada i tràgica. Després,
tot el que quedi escrit a les parets
dels sentits balbs serà vida secreta,
l'única que em pertany i que puc sempre
contemplar, temerari e desembolt,
com qui s'inventa una nova memòria.


jametinhadito Miquel Martí i Pol


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2012-02-03

desacordo


segundo noticia o Público, o recém-nomeado Vasco Graça Moura iniciou a sua presidência com prepotência e jametinhadesdito a aplicação do novo (de 1990! há quem tenha nascido um tanto antes e ainda seja razoavelmente novo...) Acordo Ortográfico no CCB, talvez a sua primeira medida de gestão conhecida na instituição

acontece que a lei governamental obriga as entidades tuteladas pelo Estado quanto à aplicação do sobredito Acordo Ortográfico, votado na Assembleia da República em sequência de convenção internacional entre países lusófonos sobre harmonização da ortografia da língua portuguesa

claro que todas as opiniões são legítimas e cada um é livre de escrever, nos seus documentos pessoais, como bem entender, incluindo a opção por norma ortográfica diversa da que está em vigor: e pode preferir-se qualquer das anteriores, antes ou depois de 1911 e mesmo desde o galaico-português do tempo da fundação da nacionalidade ou mesmo em latim - há também quem escreva em economês, informatiquês e powerpointês, e até quem conferencie em inglês mesmo quando são lusófonos oradores e audiência !!

o que parece contestável é desprezar a lei e os destinatários da instituição para que foi nomeado, apenas para impor a sua convicção pessoal, sem cuidar dos interesses dos colaboradores e audiência do CCB

em coerência, Vasco Graça Moura mandará reescrever os documentos já elaborados, os cartazes já divulgados, as mensagens emitidas e os ofícios já endereçados?

a vindicta de Vasco Graça Moura deverá fazer correr tinta, ao sabor das aderências e contestações quanto ao Acordo Ortográfico, mas agora também quanto a uma nova frente de batalha que é a do respeito, devido em democracia, pela norma legal em vigor e pelo acquis cultural do CCB!!!

trata-se de uma decisão de legalidade muito duvidosa que dificilmente obrigará os colaboradores internos e externos (prestadores de serviços e os próprios serviços da administração pública) e causará algumas contrariedades

veremos se todos amocham e o clima de medo enevoa também o CCB...



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2012-02-02

palavrYmagem




E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam, loucas!
De inveja as gaivotas a gritar...

Alexandre O'Neill





Daria Palotti


créditos: publicado no Facebook pela Associação Andante - A Andante é uma companhia de teatro que tem como objectivo principal a promoção da leitura, a sedução de leitores. Transformamos livros de poesia, romances, contos, em espectáculos de teatro. Sem fins lucrativos. De Alcochete.

ps - o Ditos também tem página no Facebook...


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2012-01-30

voltefactum


segundo informa a imprensa e vários blogues, o éspêsso jametinhadito que uns cavaquistas terão dito que ...

quem se lembra dos factos políticos e do respectivo hodierno Maquiavel ?

por falar em putativa paternidade e no providencial regresso de notícias inventadas para haver conversa, vai daí, conversa puxa conversa e ao domingo, como habitual, em família, o inefável professor Marcelo mandou aos desamparados cavaquistas um recado claro: deixem trabalhar o País, digo, o Governo, digo, o Cavaco!

aliás, no habitual processo de codificação múltipla, a mensagem marcelina era cumulativa: recadiços cavaquistas incluídos, toca a trabalhar, tudo a trabalhar!!

por causa da crise e da troica e do momento e isso... e ... ah... e o Relvas boa vida é um erro de casting, o cozinheiro político Relvas está a mais, fora o Relvas, pim!!!

;_)))



ps - só mais um nível de código marcelês: o Gaspar até que trabalha, a falar é que a porca torce o rabo... então, para aparentar uma troca, alguém sugere um ministro que trabalha pouco e fala muito ?




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2012-01-21

gratuito


esta janeirosa é oferecida ao Ditos pela feliz conjugação de olhar atento e clicar ainda mais atento, ora em amarelo sentado, ora a calcorrear mundo fora, cá dentro!

mas vamos à nossa Ditosa, antes de perguntar onde se acastela


é um caso gratuito: trabalho gratuito, desabafo gratuito!

quem é que isto faz lembrar?


;_)))


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2012-01-20

Adolfinho?


sim, esse mesmo!


mas... de que falamos quando falamos de Hitler?

em entrevista outro dia, à Revista Visão, o dirigente sindicalista Manuel Carvalho da Silva jametinhadito, ao Ministro da Solidariedade: "vá ler os discursos dos governantes do Governo de Vichy, do período de ocupação nazi", referindo-se ao argumentário recorrente do "superior interesse do Estado" e outras vagas alarvidades repetidas com ar pungente por muitos políticos europeus colados e alapados ao statu quo, aos Estados e aos aparelhos partidários, autoritarismos que também germinam, florescem e se encontram em sectores civis, empresariais e outros que tais

«Destinatário desconhecido», em cena até dia 29, com Ana Paula Eusébio, Carlos Medeiros e Fernando Rodrigues, encenados por Ana Paula Eusébio, encena obra da americana Kathrine Kressmann Taylor, adaptada por Bertold Brecht, sobre a amizade, traição e vingança entre um judeu americano e um alemão, amigos e sócios de longa data, que assistem com perspectivas opostas à aparição do fenómeno Hitler e do seu ascendente sobre a nação alemã e o seu povo, bem como aos efeitos devastadores sobre a capacidade de entendimento e livre decisão de muitos seres humanos, e a tragédia consequente sobre parte significativa da humanidade

de muito interesse e mais actual do que possa pensar-se, a peça do Teatro Trêsmaisum revela-nos como o despontar da tragédia é indiciado à clara luz, vivamente denunciado, mas muitas pessoas se obnubilam com o imediato, com promessa de futuros grandiosos assente em cenários de negrume, com a necessidade de inevitáveis reformas estruturais impostas por quem para si arroga a liderança - e de crescendo em crescendo, a redução da escolha tolhe a própria capacidade de escolha: assim se escreveram as mais negras páginas do século XX, numa altura e em geografias onde já havia informação, civilização e democracia

a ver, com olhos de ver






observações são bem vindas obrigado ;_)))

Nota: 10€, Auditório Carlos Paredes, Junta de Freguesia de Benfica, Av. Gomes Pereira, a meio, entre a Estação ferroviária de Benfica e a Estrada de Benfica

2012-01-17

um voto, um farol


sempre relevante mas de realçar em época de crise e quando tudo em volta quase paralisa, Loures inaugura o seu novo Hospital, para melhores serviços de saúde às populações e, em processo participativo, homenagear Carolina Beatriz Ângelo

médica, foi a primeira mulher portuguesa a operar no Hospital de S. José, em Lisboa, e dedicou particular atenção aos temas de saúde das mulheres

militante republicana, foi também activista pelos direitos humanos, em especial das mulheres, e distinguiu-se na defesa do direito de voto, que exerceu em 1911, contra o statu quo e aproveitando hábil interpretação da injusta lei que assegurava aos homens o exclusivo da escolha política eleitoral - diga-se que a sua iniciativa foi acolhida pela justiça portuguesa, por decisão do ilustre magistrado João Baptista de Castro, que em boa hora sentenciou:

«Excluir a mulher [...] é simplesmente absurdo e iníquo e em oposição com as próprias ideias da democracia e justiça proclamadas pelo partido republicano.»


precisa-se, ainda hoje, desta clarividência, contra a discriminação injusta que subsiste, nas mentalidades e em muitas instituições, para além do bom senso e do direito


e, jametinhamdito, do activismo combativo mas inteligente de mulheres como Ana de Castro Osório, Adelaide Cabete e Beatriz Ângelo






observações são bem vindas obrigado ;_)))


nota: o título do post é também inspirado no discurso de lançamento da primeira pedra, em que a Presidente da Comissão se refere ao novo hospital como «uma luz, um farol» 

2012-01-16

acordar



autores e leitores tendem a concordar, o acordar pode ser estranho, assim, assim-assim ou mesmo pior

e depois, se o sonho demorar, temos sempre gestos e palavras para consertar

a vida, essa, essa é que essa, está prestes a gritar, tantas vezes pelo nosso nome

vamos já

;_)))

in ("Sem saída", jámetinhadito) Pedro du Bois


observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-01-13

brrr...


tá frio!


jámetinhadito o cachorrinho!!

e, à maneira antiga, como o incentiva a crise, valeu-lhe um adereço complementar em manufactura de lã!!!

siga-se o exemplo e vá de mantinhas, botija de água quente e peúga de montanha para o serão ;_)))




observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-01-10

altos



_ ó Mãe, porque é que os teus sapatos são assim?


_ é para a Mãe ficar mais alta!

_ isso é batota!!


;_)))



observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-01-04

2012 ?


depois de 100 anos de guerras e destruições...



é preciso ter esperança!!!





observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-01-03

Janeirosas


cantemos as janeiras a 2012 e a quem acreditar num ano esperançoso!




vamos cantar as janeiras
para o ano esperançar
que umas loas primeiras
são sinal de acreditar




observações são bem vindas obrigado ;_)))



ps - Ditosas gentilmente oferecidas por quem viaja sem t(r)emer o frio!

2012-01-01

Viva 2012 !







festa, cor e calor, para um 2012 esperançoso!!!





observações são bem vindas obrigado ;_)))

2011-12-26

dozear




para dois mil e uma dúzia* vamos lá votar:

  • respirar, sonhar, desejar, conviver, festejar e... desatar os nós para libertar 2012, fazer uns laços de abraços para que as palavras esperança e amor nunca saiam do nosso dicionário, a abrir na página da atenção, do afecto, da amizade e do gesto solidário o ano inteiro e seguintes!


    • à meia-noite em ponto, all over the world, nos respectivos fusos... ;_)))





observações são bem vindas obrigado ;_)))

2011-12-21

migrar


em tempo de Advento, vozes do Governo recomendam a portugueses que emigrem, com os habituais algozes sebentos a defenderem os chefes, os donos e o indefensável, como tão bem opina magistral e esmagativamente Ferreira Fernandes, alto e bom som à saída da última página do DN: política seria a celebração de protocolos internacionais prevenindo as condições de empregabilidade, trânsito e estadia de profissionais portugueses expatriados!

mandar emigrar sem ter o trabalho feito é de péssimo gosto e revela impreparação leviana  para o exercício de funções governativas, azar o nosso ... ;(

mas a cereja no topo do bolo estava reservada para a afirmação de Paulo Rangel, que vai mais longe no devaneio migratório e jámetinhadito preferir a criação de uma bela Agência para a Emigração!!


como desde o caçador-recolector, na era do consultor-recolector o ser humano continua a migrar mas agora vai com guia de marcha do Governo e através de agência especializada!!!


isto sim, sempre se arranjam mais uns tachos para os amigalhaços e desenvolve-se a economia nacional: a coisa deve ter uns estatutos pagos a peso de consultoria jurídica aos escritórios de advogados do costume e uns estudos de viabilidade económica apoiados em eminentes pareceres de outros tantos consultores habituais...

sim, a coisa faz-se ;_)))




ps - faz lembrar um poema de Brecht: primeiro convidam os jovens a emigrar, mas eu não me importo porque não sou jovem; depois os professores, mas eu não sou professor; [...] e agora mandam-me emigrar a mim e é tarde demais...



observações são bem vindas obrigado ;_)))

2011-12-11

detalhes


a nossa Ditosa está atenta ao detalhe!

como dizia Saramago: se puderes olhar, vê; se puderes ver, repara!!

observar é uma arte que exige mestria, é preciso aprender!!!


por exemplo, na gramática ornamental das platibandas dos edifícios de decoração clacissista e seus balaústres, acrotérios e coruchéus,  as magníficas pinhas de cerâmica significam "sejam bem vindos" - por sinal, também divisa do Ditos ;_)))

ah... e, na sua geometria piramidal, onde está a Ditosa?

como é quadra de Natal, haverá prémio especial ...





nota: a foto é gentileza do Sofá Amarelo

observações são bem vindas obrigado ;_)))

2011-11-30

Fado sentido


Ana Maria tinha 59 anos


do bairro do Samba ao "Chá das seis" do Miramar, em Luanda, do recomeçar nas Portas do Sol à Grande Noite do Fado e às trovas e cantares de Alfama, todo um Atlântico de lusofonia e saudade na voz de Ana Maria Dias ajudou a tornar o Fado universal

Ana Maria partiu no dia do reconhecimento mundial do Fado como património imaterial da humanidade, pelo que é inteiramente merecida uma justa homenagem a quem surpreendia sempre - e bem o sabia!

numa das suas magistrais interpretações, Ana Maria é certeira e jametinhadito: cantarei até ao fim o Fado que herdei do povo!!

assim é e assim foi: o Fado é universal porque vem do povo, herdeiro de várias culturas cruzadas na lusofonia e em boa hora devolvido ao mundo como toda a arte maior, capaz de tornar universal o que é particular, porque feito de nobres sentimentos e afectos irreprimíveis

exímia também noutras formas de expressão além Fado, provou à saciedade que as distâncias são apenas formais e meramente aparentes, são riquezas expressivas de cores, vozes, melodias, todas massa do mesmo afecto e sentimento

mesmo nos fados mais difíceis, o outro olhar é, também, o nosso!!!







observações são bem vindas obrigado ;_)))

2011-11-24

greve à greve



uma greve criativa




via Antena2

Na Sinfonia do Adeus de Haydn, os músicos vão saindo do palco um a um. A estreia, em 1772, funcionou como um protesto contra màs condições de trabalho. Uma "greve" peculiar. Ver mesmo até ao fim" Igor Gruppman conducts the Mariinsky Theatre Orchestra in Haydn's "Farewell" Symphony, No. 45, 4th mvt!


Além da criatividade, do momento musical e da intervenção, o jametinhasdito de júbilo vai para o respeito e o cuidado de todos os músicos, maestro incluído, em sair sem perturbar a obra nem os que prosseguem o seu trabalho e os legítimos direitos e expectativas de quem está a usufruir!!


Bom trabalho e boa greve!!!


;_)))





observações são bem vindas obrigado ;_)))

2011-11-16

poder louco


na sua página oficial, o Presidente do Iémene exorta a oposição ao diálogo construtivo, o que poderia parecer uma declaração sensata e positiva

porém, no telejornal da manhã, afirmando-se disposto a cumprir o proposto pelo Conselho de Cooperação do Golfo, Ali Abdullah Saleh jametinhadito que «só um louco se agarra ao poder»!...

ora, agarrado ao poder há 33 anos (faz lembrar outras personalidades...) o ditador parece ter sido vítima de uma chispa de lucidez - embora a dúvida seja também legítima, pode ser mero reflexo dos acontecimentos na Líbia, com a selvática chacina do selvático tirano, e da Síria, onde o recrudescimento da repressão atinge o paroxismo apesar das sanções da comunidade internacional e da suspensão da Liga Árabe

Saleh saiu do Iémene em sequência de um atentado em que foi ferido, há meio ano, e depois de regressar já impôs condições para deixar o cargo, para agora falar em 90 dias e 60 dias para abdicar

infelizmente, muita retórica e muitos mortos depois, é de esperar o pior...



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2011-11-12

da Alemanha, com amor












O discurso de Helmut Schmidt foi o discurso de um senhor. Não terá sido um grande discurso em termos de extensão, mas foi um discurso sentido e contido, de resumo do que é a Alemanha hoje e do que foi durante o século XX. Sem hesitações, classificou a actual situação do país e dos alemães como a melhor jamais vivida pela nação, a despeito da grande crise financeira que assola o mundo, ocidental e também oriental. Lembrou que a Alemanha é o país que mais vizinhos tem. Salientou a França e a Polónia, devido aos acidentes de guerra passados, e terminou com o mote da necessária solidariedade com os seus vizinhos, que ajudaram a Alemanha e lhe permitiram chegar à situação que alcançou, “como vizinhos amigos deverão permanecer durante todo o século XXI.” “O maior de todos os deveres da Alemanha é o de manter uma política de boa vizinhança.”

Um abraço, António!

ZMco (gentileza de José Manuel Carvalho-Oliveira)



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documentário

notícia

2011-11-04

iluminosa


sim, uma ditosa num pedestal de luz fica muito Bem na arquitectura e na alegoria!



em sua pose e geometria, um hino à alegria?

bom dia ;_)))




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2011-11-02

referendeuro



depois de muitos salamaleques, cimeiras e seus sobressaltos, muitos políticos regressaram aos seus países com  sorrisos nervosos e ambíguos - um perdão de dívida apaziguava gregos e troianos

mas o nervoso sobrepôs-se e as bolsas chiaram, até na China - o Governo da terra da democracia fala em referendo para que o povo se pronuncie (mas, pelo sim pelo não, mudou as chefias militares...) e a Europa revela a sua face, com ameaças veladas: havendo referendo, é bloqueada a ajuda (!?) financeira

claro que esta história faz lembrar a fábula da rã e do lacrau: ao atravessar o rio à boleia, o lacrau não resiste à sua natureza e dá uma ferroada na rã - será que o euro vai por água abaixo?

na realidade, mesmo com o colossal perdão de 50%, a dívida grega ainda fica muito acima do PIB - e a vencer juro altíssimo, o valor só poderá agravar-se pois teria que haver crescimento - e, pelo contrário, há recessão - para se conseguir amortizar algum capital

o resto é aritmética - e os gregos, desde antes de Euclides, sabem fazer contas


é difícil prever mas Papandreou parece comportar-se como Sócrates e engendrou uma estratégia para... sair da governação - ante a perspectiva da calamidade, as facções partidárias e as ambições de poder provavelmente chumbam o projecto referendário e oferecem de bandeja um bom pretexto para a demissão do governo socialista grego

por falar em ambições de poder, Passos Coelho deverá tomar apontamentos, a tragédia grega é demasiado parecida com a situação portuguesa, além da aritmética ser basicamente a mesma: não temos dinheiro nem, daqui a pouco, quem nos empreste - e o mesmo poderá suceder a outros países ditos periféricos

a Europa, de "Merkozy" aos especuladores privados, ficará também de aflitos - sem devedores, quem lhes assegura o rendimentozinho dos juros? e como escoarão os seus produtos? invadirão a Grécia e voltarão a guerrear entre si?

esta aindanãometinhamdito...




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2011-10-26

a eito


comparando o OE2012 com o OE 2011,



salta à vista: corta-se onde é mais fácil ("quase" exclusivamente prerrogativa do Estado) e eficaz (salários e prestações sociais são as fatias mais pesadas do OE) para se poupar cerca de 3,5 mil milhões de eurosa dúvida maior é a relativa aos reformados e pensionistas, que estão a contribuir segunda vez, depois de terem contribuído durante a vida activa

mas a intervenção nas outras rubricas é pouco significativa em termos de impacto - sem dúvida que em caso de aperto qualquer Governo, partido, gestor ou chefe de família tem que cortar onde é mais relevante, as miudezas podem ficar para depois

de todo o modo,
incluindo Autarquias e Regiões, importa racionalizar o funcionamento do Estado, a começar pela redução para metade ou menos do nº de deputados da Assembleia da República, reforma adiada por interrupção da anterior legislatura

e nada justifica a conversa de campanha do PSD, em tudo contrária à realidade, jametinhasdito com o óbvio objectivo de derrubar o anterior Governo e alcançar o poder com a muleta do interesseiro CDS...
embora o BE (como se esperaria, não servem para outra coisa, sob o disfarce das causas fracturantes) e o PCP (por má consciência e despeito de se verem ultrapassados, mas na realidade tanto lhes faz protestar contra o PSD ou contra o PS, nada mais têm para oferecer a Portugal) tenham agido exactamente como a direita e feito exactamente o que a direita precisava para alcançar o poder


o cinismo a eito, à esquerda e à direita começou logo a evidenciar-se com a recusa dos partidos da oposição parlamentar em integrar soluções governativas de estabilidade, deixando a Sócrates o encargo e o enfado de tudo fazer para sair quanto antes 


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nota: quadro publicado no Jornal de Negócios e replicado no blog Câmara Corporativa
nota2: os tamanhos das caixas de números para o Estado e Autarquias/Regiões estão desproporcionados

2011-10-24

magno conselho


foi hoje publicada no Diário da República a designação, pela Assembleia da República, de quatro membros do conselho regulador, órgão dirigente da ERC - Entidade Reguladora para a Comunicação Social - cfr. Resolução da AR nº 139/2011, de 24 de Outubro

nos termos da Lei nº 53/2005, de 8 de Novembro, compete agora a Alberto Arons Braga de Carvalho, Maria Luísa Roseira da Nova Ferreira de Oliveira Gonçalves,
Raquel Alexandra de Jesus Gil Martins Brízida Castro e Rui Alberto dos Santos Gomes, nos prazos e no respeito dos demais formalismos e preceitos legais, procederem à eleição do quinto membro do Conselho Regulador, bem como do respectivo presidente e vice-presidente

estão assim reunidas as condições para, com um magno jametinhasdito e em cumprimento escrupulos dos seus deveres, nomeadamente com isenção, rigor, independência e elevado sentido de responsabilidade, os membros nomeados pelo órgão representativo dos eleitores portugueses, procederem à indicação de um magno presidente... previamente imposto pelo PSD!



Lei nº 53/2005, de 8 de Novembro

Artigo 24.º
Competências do conselho regulador

1 - Compete ao conselho regulador eleger, de entre os seus membros, o presidente e o vice-presidente, em reunião a ter lugar no prazo de cinco dias a contar da publicação na 1.ª série-A do Diário da República da cooptação prevista no artigo 17.º

Artigo 20.º
Estatuto e deveres

[...]
3 - Os membros do conselho regulador devem exercer o cargo com isenção, rigor, independência e elevado sentido de responsabilidade, não podendo emitir publicamente juízos de valor gravosos sobre o conteúdo das deliberações aprovadas.

Artigo 18.º
Garantias de independência e incompatibilidades

1 - Os membros do conselho regulador são nomeados e cooptados de entre pessoas com reconhecida idoneidade, independência e competência técnica e profissional.

2 - Os membros do conselho regulador são independentes no exercício das suas funções, não estando sujeitos a instruções ou orientações específicas.

Artigo 17.º
Cooptação

1 - No prazo máximo de cinco dias contados da publicação da respectiva lista na 1.ª série-A do Diário da República, os membros designados reunirão, sob convocação do membro mais velho, para procederem à cooptação do quinto membro do conselho regulador.

2 - Após discussão prévia, os membros designados devem decidir por consenso o nome do membro cooptado.

3 - Caso não seja possível obter consenso, será cooptada a pessoa que reunir o maior número de votos.

4 - A decisão de cooptação é publicada na 1.ª série-A do Diário da República nos cinco dias seguintes à sua emissão.




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ps - as Resoluções da AR estão em alta, aliás mantendo-se a dinâmica (daí a quase centena e meia só este ano!!) desde a legislatura anterior, então num contexto de base minoritária de apoio ao Governo: além do mais, talvez por nunca serem de mais tantos e tão bons conselhos, também hoje se pode assinalar (RAR nº 136/2011) a Eleição para o conselho geral do Centro de Estudos Judiciários (entidade que assegura a boa formação dos magistrados) das seguintes personalidades (sic):

António Agostinho Cardoso da Conceição Guedes e Ricardo Manuel de Amaral Rodrigues!!! - sim, este é esse, o do magno gesto em que subrepticiamente embolsou o gravador do jornalista que o entrevistava...

2011-10-21

apetece escrever



às vezes, apetece escrever sobre tudo, ao menos sobre tanta coisa, intenso que é o mundo em ditos e factos susceptíveis de apetecível comentário

de pouco adianta, é certo, mas perpassa a tentação

- crise orçamental gera cortes e reduções aqui e ali, uns percentos se poupa, outros se empobrece, sacrifícios a rodos nem sempre repartidos com justiça- mas como esperar justiça? se a houvesse teriam sido evitados desmandos na origem da  crise e os seus números devastadores: 750 mil funcionários públicos custam 7,5 mil milhões de euros por ano; os juros do défice público ultrapassam os 8 mil milhões de euros; o desastre do BPN que estamos a pagar vai em 9 mil milhões de euros - vale a pena acreditar que vale a pena? que aprendemos com as asneiras do passado? como as assumiremos e responsabilizaremos?

- a ratazana do deserto foi acampar para as tendas eternas, porventura aliviando um pouco a culpa de um povo passivo e conivente por décadas demasiadas para acomodar na consciência geral ou mesmo no subconsciente colectivo, se tal existe, provavelmente, aliviará também um pouco a culpa e a conivência dos países ocidentais, de leste, não-alinhados, desalinhados, emergentes e árabes que ora alimentaram o monstro, ora o sugaram, no jogo sujo da política interna e internacional, uma lástima a preço de milhares de vidas, da hipoteca de gerações, de um passado negro a manchar o presente medonho em que terá que assentar o futuro a construir, pedra sobre pedra, a partir de um zero muitos furos abaixo de zero; e que aprendemos com as asneiras do passado? porque esperam os ditadores em latência ou em funções? guardarão as imagens de horror que empestam as televisões no episódio final que espera os ditadores? quantas vidas vão antecipadamente cobrar pelo seu próprio estertor? que quantidade de recursos e futuros vão consumir e destruir enquanto adiam a degola?

- e um oásis de luz chamado Gulbenkian, um outro mundo ou o seu utópico avatar, com ou sem vida (como jametinhadito o Professor Jorge Calado em "Haja luz" e na conferência que há dias proferiu nos auditórios, salas adjacentes, hall e escadarias da sede da Fundação Gulbenkian) para lá da conhecida: depois do extraordinário sucesso da primeira parte de uma prodigiosa exposição de ARTE em torno da "natureza morta" (porque será que em inglês se diz "still life", invocando conceitos opostos - vida/morte - e diversas gramáticas para designar o  inanimado, em que o homem não está mas está?) eis que inaugurou ontem a segunda parte da mostra, uma selecção criteriosa e difícil de conceber em Portugal ou mesmo de igualar em qualquer parte do mundo; parte boa do mundo foi preciso convocar para o efeito, os melhores museus e colecções contribuíram avultadamente com a cedência temporária deobras que provavelmente apenas veremos juntas uma vez na vida! e que obras...!! desta vez, cerca de 100 anos nos contemplam do espaço de exposições da sede da Fundação Gulbenkian, mais ou menos de 1850 (a fotografia, pois é!!!) a 1950, fim da Guerra e da ilustre vida do patrono Calouste, início de novas eras na sociedade, na economia e inevitavelmente na arte e no mercado da arte, com o advento do império dos objectos (que a arte representa, por vezes tão fielmente que os julgamos tocar e até comemos com os olhos, ora a arte os apreende ora tenta compreender, ora os distorce, transforma, imagina, outras vezes representam afinal a arte e a questionam enquanto obras de... não arte, mas que também nos olham, como viu e mostra Magritte) e do consumo até à obsessão, porventura a semente do mundo que temos hoje; mais, é ir lá ver, imaginar e sonhar!!!




talvez se torne a estes temas de tanto apetecer... ;_)))






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roubos


é preciso grande sentido de abstracção e muita descontracção natural para um plebeu não se tornar alarmista ao sentir a multiplicação dos roubos de que vai sendo vítima a cada passo - e sucedem-se os passos, ante pequenos e grandes roubos a que assistimos com avultada sensação de impunidade, que aliás vai crescendo em vil apagamento e sombra sobre o sentido de exigência, responsabilidade e consequência

há dias, numa estação de serviço - das poucas que ainda subsistem em ambiente urbano, com pessoal para tratar do abastecimento de combustível, diante de vizinhos e transeuntes, no bulício citadino em que tantos olham e ninguém vê  - deparava-se uma operação inusitada: o operador ajudava um condutor a despejar sucessivos bidões de gasolina para o depósito de uma viatura ligeira, excepto na idade

face à curiosidade de algum utente, uma explicação tranquila: o diligente gasolineiro explicava tranquilamente que o condutor abastece habitualmente naquele posto a viatura da empresa e depois de atestar o respectivo depósito enche também um bidão, que lá fica à guarda dos funcionários da gasolineira

após umas quantas idas à estação de serviço por motivos profissionais, faz lá uma visita ao fim de semana e usa os bidões cheios com a gasolina paga pelo patrão para abastecer a sua viatura particular

«a vida tá má», jametinhadito...

um roubo à vista de todos, com a intervenção de profissionais!

às vezes, uma máquina fotográfica faz muita falta ...

;_(





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2011-10-16

é de César





uma evidência a que poucos ousam dar voz!

para a história (e pouco mais, talvez... além do prejuízo para o País e para os portugueses) fica o justo reparo de Carlos César: Cavaco torpedeou as regras democráticas e usou os poderes constitucionais, e toda a influência de que dispõe, a favor do seu partido!!

afirmações como a de César em nada afectam a consideração pessoal que pode e deve existir, nem tão pouco o respeito institucional sempre devido!!!

mas também nada impõe o silenciamento do que o próprio Cavaco, ostensivamente, se arroga em diversas ocasiões, a começar pelo agressivo e deselegante discurso de tomada de posse após a reeleição (Cavaco beneficiou, repetidamente, de uma estranha confluência de forças a dividir a esquerda, em maquiavelismos com a participação instrumentalizadora, instrumentalizada e palaciana de Mário Soares e Fernando Nobre, que envergonharão para sempre a nossa história eleitoral) e na obcecada perseguição que encetou ao governo minoritário de Sócrates, desde a respectiva eleição até... aos dias de hoje... sim, continua a querer valer-se de razões, certamente por má consciência

apesar de tudo, tarde e a más horas lá reconheceu (ou descobriu?) que a crise é internacional e, recentemente, até foi lá fora invectivar o directório europeu de Merkl e Sarkozy

se aos poucos, o essencial acaba por vir a lume, a César o jametinhasditos que é de César
;_)))





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2011-10-15

2 leituras

aliás 3








bom fim de semana, bom tudo !!!




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2011-10-12

líquida consciência




ante a crise dos valores, a crise de valores, problema e solução do pé para a mão!

apesar do véu negro da calamidade e da paz social ameaçada, há quem insista em debelar a maleita a poder de veneno, enquanto isso ganhando uns juros penhorados e outras vergonhas desavergonhadas

ganância nas barbas das autoridades, mais super que visão, sempre em vista da impunidade

afinal, a ética da consciência líquida em acção!!

ou seja, a liquidação da consciência!!!

mas isso é antes...

e depois?










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2011-09-29

sol pôr


e de onde a Ditosa avista o ocaso?






ao pôr do fogo
te aguardo vigilante
o ouro do regresso
instante, sem tempo ou sombra
nem saudosa consciência
nem distância do olhar
posto no fulgor
cozido ao fogo de mor
esperança





foto: gentileza MPS



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2011-09-25

inversão


subtítulo: ónus da prova ou inversão da inversão 




a crítica, no essencial, é que a inversão do ónus da prova, além de inconstitucional, fere o Estado de Direito e permite abusos, devassas e outras heresias

vamos a um exemplo: um cidadão, inocente, honesto e titular de um benemérito cargo público, faz 12 anitos (30, se for na Madeira) de vereação, a vencer 3.000 e picos euros por mês mais uns fringe beneficts na gama média/baixa, nada que dê para ficar em suites VIP no Astoria ou no Sofitel

finda a exemplar e abnegada comissão ao serviço do venerável público, durante a qual casou as filhas em banquetes principescos para 800 convidados (digamos que as forças vivas do concelho, seus limítrofes e alguma representatividade da administração central, mais as simpáticas famílias dos senhores construtores e assim, tudo sem chamar à colação uns assessores de imprensa, consultores/recolectores ou tarólogos de pública relação, nem nada) o nosso amigo e concidadão passou de plebeu a detentor de um rol diversificado de quotas de capital em sociedades off shore, andares de luxo em nome da mãe, tias e afins, quintas em nome da sobrinha, chorudas contas tarifadas a táxi e em local (ao) fresco tipo Suiça

no processo penal tradicional, em que é mais fácil uma toa passar no buraco de uma agulha do que averbar uma simples admoestação a título de pena suspensa na cédula criminal de um ladrão titular de um cargo público e outros poderosos (porque ainda há os que os lá põem, por interposto voto universal, secreto e convenientemente periódico) o resultado tem sido monótono: o nosso felizardo é um filantropo, invariavelmente e até ao fim do prazo de prescrição!

só teve o azar de lhe sair o totobola mesmo sem ter preenchido o boletim e lhe caírem umas mais valias obsessivas na bolsa em que não jogou ou umas heranças oportunamente justas de quem não tinha mais que uns tarecos, o que obviamente suscita a inveja do povo, dos vereadores sem pasta e do procurador da circunscrição

folga-se que o novo processo penal que nos baixa o ranking da civilização para BBB ou menos terá resultados idênticos

só que os (a)visados artistas/especialistas terão que se sujeitar a roubar um bocadinho menos!!

o Estado de Direito fica, formalmente, com mais um pequenino rombo, se o TC for na conversa ou estiver distraído (às vezes falta um leal conselheiro e estraga algumas contas...) mas já não tem ranking para descer, já bateu no fundo

e duvida-se que o problema esteja nas cuecas reveladas pela forçada transparência dos súbitos ganhos, talvez seja mais a dor de se saber quem realmente as habita, em que águas cálidas se retempera e que pleiades observa no doce remanso de uma reforma dourada, a pagar por incautos defensores do ónus das provas a favor de quem, por definição e afincado exercício, está em condições de as subtrair ao escrutínio da justiça

na verdade, nada há a temer nesta e noutras leis lampedusianas: como de costume, muda só o necessário para ficar tudo na mesma!!!



;_)))



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2011-09-22

albertinagem



poderá haver mesmo crime de burla, artigo 217º e seguintes do Código Penal - há engano, benefícios ilegítimos e prejuízos avultados; pelo menos...

a mesma pena é estabelecida para "Quem, tendo-lhe sido confiado, por lei ou por acto jurídico, o encargo de dispor de interesses patrimoniais alheios ou de os administrar ou fiscalizar, causar a esses interesses, intencionalmente e com grave violação dos deveres que lhe incumbem, prejuízo patrimonial importante é punido com pena de prisão até três anos ou com pena de multa." - artigo 224º do Código Penal, crime de infidelidade, também com agravamentos em função do valor e da qualidade do agente   

é que o problema da "responsabilidade política" - para que remetem Cavaco, Passos e outros coniventes - esbarra precisamente no nepotismo: como esperar dos beneficiados e dos intimidados que façam justiça?

tem forçosamente que ser a lei do País a dar resposta e não o PSD/Madeira ou os eleitores madeirenses, que falharam o bom senso mínimo da rotatividade e da limitação temporal e institucional do poder pessoal de um só homem e do seu círculo promíscuo, explosivo cadinho para o império da fraude e do abuso

a verdade, na sua calamitosa extensão, apenas será conhecida após Alberto João Jardim ser corrido do poder no arquipélago da Madeira, quando os intimidados perderem o medo e se dispuserem a denunciar os abusos e os seus comparsas tiverem que revelar os factos para salvar a pele

quanto à questão da oportunidade, por decorrer a campanha eleitoral, jámetinhamdito: o inquérito-crime é iniciado na sequência de factos trazidos agora a lume, embora de conhecimento anterior de alguns responsáveis

e o reconhecimento do dolo, agora atabalhoadamente jametinhasdesdito, foi exactamente um bordão eleitoral do indiciado, bufada ao charuto na sua arrogante pesporrência habitual

infelizmente, a pagar pelo contribuinte com língua de palmo, pelo desperdício eleitoral com que se esbanjaram milhões, pelos juros acrescidos e pelas tristes figuras e insultos a que foram sujeitos os portugueses, já para não falar na humilhação e sentimento de culpa dos madeirenses

miséria...






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