2014-01-12
Janeiro rima com... Primeiro!
o que vê, lá do alto, a primeira Ditosa do ano 2014 ?
o Rei !
mas onde está a Ditosa?
observações são bem vindas obrigado ;_)))
2013-12-22
a Pinho Vargas e a quem de Bem
sempre, desde tempos imemoriais alguns homens exploram outros, o que
sucede agora a uma insidiosa escala global e com armas falaciosamente
camufladas, ora veiculadas por poderosos meios propagandísticos legalizados sob
chancela de certa comunicação social, senão toda pelo menos de modo
generalizado... e aparentemente invencível... mas umas vezes só durante um bocadinho… outras, com direito a intervalo de sabor a ditosa glória, mesmo se imerecida, mesmo se tudo tenha que voltar ao que o mundo manda...
porém há sempre o Povo, a arraia miúda, o pulsar genuíno de "quem não sente não é boa gente", quando em vez a
repor alguma réstia de moralidade, seja para baralhar e dar de novo, a
título de vingança ou de revolução, de umas pázadas e algumas cabeças rachadas
os mais cínicos e ostensivos políticos ou senhorais não se livram quando lhes
chega a hora!
intervaladamente, há uma elite conspirativa que também avisa
ou age, mais ou menos discretamente e em vários casos segundo critérios justos,
de humanos referenciais, por bandeira o afeto no peito verdadeiro, libertários e libertadores!!
mas também sempre, a espaços mais inspirada e ativamente,
temos os artistas, poetas, músicos, cineastas, encenadores, intelectuais,
alguém que se impõe pelo seu dom e dedicação mas é também portador de esperança
e contagiante resistência, em muitos casos pela voz, pelo exemplo, pela
palavra, por um incisivo sentido do despertar - em que se inclui a lúcida e generosa cidadania exercida pelo Maestro António Pinho Vargas, intervenção que vem enobrecendo a paisagem
deprimente que o facebook serve universalmente!!!
ao Maestro mas, atenta a ocasião, extensivamente aos Leitores do Ditos: bem haja a quem sente e pensa,
acredita e partilha, poliniza e enleva, boa sorte a quem de bem e excelsas Festividades a todos, junto
de quem mais amam ;_)))
observações são bem vindas obrigado ;_)))
2013-12-02
rinoDitosa
é uma ditosa um bocadinho rinocerôntica (?!)
mas muito pedagógica e, ainda e sempre, vaidosa ;_)))
onde está a Ditosa?
observações são bem vindas obrigado ;_)))
2013-11-18
O som «f» que faltava
O estudo de línguas pode ser apaixonante.
É frequente que algumas palavras contenham em si muito de história acumulada ao longo de séculos durante períodos de invasão de diferentes povos. Como geralmente o povo invasor encontra uma população a viver num determinado território, existe um choque natural entre a língua falada pelo invasor e a que é usada pelo povo invadido. Se os invasores possuem uma língua que se adapta relativamente bem ao idioma falado no território conquistado, a leitura dos muitos topónimos já existentes, para dar apenas um exemplo, faz-se de maneira relativamente fácil. Se não, a variação pode ser enorme. Quando os descendentes de vikings, naquela altura franco-normandos, invadiram a Grã-Bretanha e derrotaram o rei anglo-saxão em 1066, eles acabaram por alisar o caminho para, gradualmente, fazer com que o saxónico inglês se tornasse uma língua com muito mais elementos latinos do que o alemão, por exemplo, e pudesse hoje em dia tornar-se a grande língua franca do mundo.
É frequente que algumas palavras contenham em si muito de história acumulada ao longo de séculos durante períodos de invasão de diferentes povos. Como geralmente o povo invasor encontra uma população a viver num determinado território, existe um choque natural entre a língua falada pelo invasor e a que é usada pelo povo invadido. Se os invasores possuem uma língua que se adapta relativamente bem ao idioma falado no território conquistado, a leitura dos muitos topónimos já existentes, para dar apenas um exemplo, faz-se de maneira relativamente fácil. Se não, a variação pode ser enorme. Quando os descendentes de vikings, naquela altura franco-normandos, invadiram a Grã-Bretanha e derrotaram o rei anglo-saxão em 1066, eles acabaram por alisar o caminho para, gradualmente, fazer com que o saxónico inglês se tornasse uma língua com muito mais elementos latinos do que o alemão, por exemplo, e pudesse hoje em dia tornar-se a grande língua franca do mundo.
Por vezes, mesmo dentro daquele que é hoje o mesmo país dos
tempos antigos, os invasores viram a sua língua foneticamente alterada pelo
substrato linguístico que encontraram na região conquistada. Um mero exemplo da
invasão muçulmana da Península Ibérica já há muitos séculos pode ilustrar bem o
que pretendo dizer. A palavra árabe oued,
que basicamente significa “rio” ou “arroio”, foi convertida no lado atlântico
do território português em “ode”, enquanto na parte leste do nosso território e
em todo o sul de Espanha foi transformada em «guad». As línguas, no seu entrechoque,
funcionam um pouco como a combinação de cores: se pintarmos amarelo sobre azul
fresco ficaremos com verde. Múltiplas outras combinações são possíveis. Do
exemplo acima, ainda hoje temos na costa atlântica topónimos de terras e rios
substancialmente diferentes: Odemira (rio Mira), Odeceixe, Odeáxere, Odivelas,
etc. na parte ocidental do nosso território, e Guadiana, Guadalquivir (rio
Grande), Guadalupe, etc. na parte leste de Portugal e no sul de Espanha.
Se oued se
transformou em ode numa parte do território onde o povo tinha uma forma de
falar diferente da outra em que a transformação foi para guad, pode imaginar-se já que determinados outros sons sofreram
igualmente alterações de monta.
Quando os romanos invadiram a Península Ibérica e acabaram
por dominá-la, embora nuns sítios mais do que noutros, houve muitos sons do
latim falado então que foram convertidos noutros, pelas razões já apontadas.
Esses sons alteravam-se principalmente em palavras usadas quotidianamente, ou
seja, na linguagem popular, e tendiam a manter-se nas palavras mais eruditas,
com uma frequência de uso muito mais baixa. Assim é que, para dar apenas dois
ou três exemplos, os grupos consonânticos «pl» e «fl» se converteram muitas
vezes em «ch», como se vê em pluvia e
plumbum que passaram, respectivamente
a “chuva” e “chumbo”, enquanto flavius
e flama se transformaram em “Chaves” e “chama”.
Por outro lado a queda de sons intervocálicos, nomeadamente
do «l», do «n» e, mais raramente, do «d» nas palavras de origem latina é uma das
principais características do galaico-português. Neste aspecto, a língua falada
em Portugal e na Galiza distingue-se substancialmente do castelhano, onde essa
mesma queda não se registou devido ao facto de os falantes não serem os mesmos
e não reunirem as mesmas características linguísticas, já que possuíam um
substracto diferente.
Este é
um fenómeno que torna mais difícil para os castelhanos o entendimento de muitas
palavras portuguesas, não sendo o inverso verdadeiro pela simples razão de que
muitas das palavras que, na sua forma popular, perderam ou o «l», o «n», ou
mesmo o «d», mantiveram esses sons na sua forma erudita, menos usada no
dia-a-dia e, portanto, menos sujeita a erosão pelo seu uso constante. Os
exemplos são muitos, pelo que me limitarei a dar dois para cada um dos
casos:
- Dolor, em castelhano, é apenas dor em português (o «l» entre duas vogais caiu naturalmente nas palavras de uso frequente, embora se tenha mantido nos vocábulos mais eruditos, como doloroso.
- Color em castelhano converteu-se em cor no galaico-português. Contudo, entendemos color muito bem porque dizemos colorir, coloração, etc.
Com o «n» passa-se o mesmo. A luna castelhana passou a lua em português, mas em formas mais
eruditas mantemos o «n», como em lunar, lunático, etc.
Conimbriga passou a Coimbra igualmente pela queda do «n»,
mas um habitante de Coimbra é um conimbricense, i.e., o «n» mantém-se na
palavra erudita.
Apesar de menos frequente, com o «d» ocorre o mesmo fenómeno
em várias palavras. É o que nos faz dizer fiel, enquanto os castelhanos dizem fidel. Na forma erudita, porém, dizemos
fidelíssimo.
Igualmente em sede (de bispado, por exemplo), o «d» caiu e
originou a palavra Sé. Mas dizemos sedear.
Através destes exemplos já podemos ver que quando um espanhol nos fala
de la dolor de las personas, não
temos qualquer dificuldade em entendê-lo. No entanto, em português os «ll» e o «n»
caíram, pelo que dizemos "a dor das pessoas". Será que um espanhol
nos entende com a mesma facilidade?
Ilustrado com alguns exemplos o caso da existência de
diferenças linguísticas, lembremos que há determinados sons existentes numa
língua que não existem noutras. O nosso português, por exemplo, não tem o som «th»
(there, their), que é tão frequente
no inglês. Felizmente, isso não constitui grande problema para a maioria dos
portugueses.
Já o mesmo não se pode dizer dos chineses a falarem
português. Como a sua língua não possui o som «r» do nosso “rato” ou “carro”,
eles substituem-no pelo que acham mais próximo, mas que mesmo assim fica algo
longe. Daí que encontremos muitos chineses a dizerem «lalanja» em vez de
“laranja”, e se tenha banalizado entre as pessoas mais velhas o clássico pregão
dos chineses que vendiam gravatas na rua: Glavata
balata! Entretanto, note-se que os chineses bilingues nascidos em Portugal
já pronunciam bem o «r», como seria de esperar.
E depois desta longa introdução chegamos finalmente ao caso
que me trouxe a escrever este apontamento: a não existência do som «f» inicial
em numerosas palavras castelhanas. Dou a palavra a Paiva Raposo, um dos
coordenadores de uma gramática da língua portuguesa recentemente publicada pela
Fundação Gulbenkian:
“Num dado período da primeira metade do primeiro milénio, depois da invasão romana da Península Ibérica, um grupo de habitantes do norte da Península, rudes e sem muita instrução, resistiram aos romanos durante muito tempo e não se assimilaram tanto como outros habitantes da Península. Numa dada altura decidiram finalmente aprender latim, possivelmente para poderem comunicar com os colonizadores e outros habitantes da Ibéria que já tinham aprendido a língua. Acontece que a língua materna dessas pessoas – não relacionada com o latim e nem sequer indo-europeia – não possuía o som «f». Ora, quando essa gente começa a falar em latim – certamente um latim macarrónico na época –, vai omitir sistematicamente esse som «f» das palavras latinas que o têm em posição inicial, como ficatum (fígado), ferrum (ferro) e farina (farinha). Era como se em português passássemos a dizer “ígado” em vez de fígado, “herro” em vez de ferro, ou “igo” em vez de figo. Imagine-se os comentários dos falantes educados do latim ao ouvir esses ignorantes. No entanto, foi esse falar rude que veio a originar a língua em que Cervantes escreveu o Dom Quixote. O castelhano é uma das pouquíssimas línguas românicas na qual não se pronuncia o «f» inicial latino, juntamente com o gascão.”
Curioso com o facto, que desconhecia, procurei elaborar uma
pequena listagem de palavras de uso normal em castelhano em que o «f» inicial
do português não existe, sendo graficamente substituído por um «h». Este «h»
não se pronuncia, tanto quanto sei de castelhano, mas assinala a ausência do «f»,
tal como em francês même, bête, tête,
fête, hôpital assinalam a queda de um «s» que anteriormente terá existido
(e que na língua portuguesa se mantém nos correspondentes etimológicos:
“mesmo”, “besta”, “festa”, “testa”, “hospital”,
embora tenha havido uma certa evolução semântica).
Na tabela abaixo,
estão em primeiro lugar, por ordem alfabética, as palavras em português e, na
segunda coluna, em castelhano:
José Manuel Carvalho-Oliveira
nota: este saborosíssimo e agradecido jametinhadito linguístico deve-se a gentil e consolidada parceria entre o Ditos e o Autor do texto, blogger habitual do AZBlog
observações são bem vindas obrigado ;_)))
2013-11-17
A estimar se vai ao longe
Perequação das estimativas de vários organismos e entidades (incluindo Finanças, BP, UE, OCDE e FMI) já incorporando as avaliações da troica.
Outro jametinhasdito a registar com interesse podia ser um conjunto de indicadores da Irlanda, que tem mais dívida que Portugal, ou um comparativo* sumário, que dificilmente justifica o diferencial de juros que se verifica...**
** «O embaixador referia-se à proximidade entre Portugal e a Irlanda em indicadores como a dívida pública, ambas acima dos 120% do produto interno bruto, ao desempenho das exportações, que desde 2008 cresceram cerca de 20% em ambos os países, ou o desemprego, que ronda os 15% nos dois países.
observações são bem vindas obrigado ;_)))
2013-11-04
a caminho do sol pôr
uma fácil, para variar... e com direito a uma carta,
A Ícarus:
Pairar, sobre a memória,
doçura a sul e sol
em linhas e horas de escrever
Tecer, ponto a ponto,
impulso, inércia e labirinto
em cada entardecer
Decifrar, em voo,
desenhos e desejos,
poemas aéreos lidos e por ler
A um olhar, a ponte sustém
o coração, asas de ser
e sonhos, mil sonhos a haver
observações são bem vindas, obrigado ;_)))
2013-11-02
guião guia mor
o Ditos foi deitar o dente ao guião guia mor do Paulinho das feiras e não ficou totalmente desiludido: há guião!
grassa a demagogia e a insensatez reconhecível do desespero de campanha eleitoral (!?) mas a páginas tantas (cfr. pg 46) aparece um sinal de reforma: do Governo!!
ei-la, em mais 7 maravilhosos pontos, aqui desembaraçados do patuá da treta:
• unificar “pagamentos” e funções comuns das 12 secretarias-gerais do Governo;
• integrar a “função jurídica e contenciosa” dos organismos do Governo e reduzir o recurso a serviços externos;
• integrar as funções de prospetiva, planeamento, políticas públicas e medição do seu impacto, dos Gabinetes de Estudos e Planeamento do Governo;
• concentrar os departamentos e unificar as relações externas do Governo;
• agregar as Inspecções-Gerais do Governo;
• gestão centralizada de compras, serviços partilhados e serviços comuns do Governo;
• racionalizar o património imobiliário do Estado proprietário e inquilino.
Pedro e Paulo, mãos à obra!!!
o Ditos voltará ao tema... entretanto, observações são bem vindas, obrigado ;_)))
2013-10-15
a hora da voz
Ficção e fotografia ou... «Uma outra voz»!
Parabéns a Gabriela Ruivo Trindade e aos seus leitores!!
Jametinhamdito: Precisamos de outras vozes ;_)))
Nota: assim como em relação à obra da contista canadiana vencedora do Nobel de 2013, o ditos ainda não deitou o dente à outra voz escrita pela jovem psicóloga de Estremoz; a seu tempo... mas fica já nota de admiração pela dedicação, investimento e um grande amor ao que tem para nos contar, ao respeito pela memória de uma Família, de uma cidade e de um País em bolandas pelo mundo, como agora lhe acontece em terras britânicas, como outras e outros jovens valorosos que arregaçam as mangas e fazem o que há a fazer: dizer alto e bom som que há lugar para quem acredita e faz acreditar, que vale a pena lutar e passar a mensagem, que vale a pena Ser, intensamente!!!
Nota2: o Ditos considera fundamental creditar devidamente o Autor, por enquanto desconhecido mas merecedor de pleno direito dos seus créditos pela foto publicada no jornal Público - ressalve-se, da legenda do Público, a infeliz expressão "retirada", desde logo revelando má consciência - a foto partilha-se, não se retira...
observações são bem vindas obrigado ;_)))
a hora do vazio
«Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência, porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo.
De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.»
jametinhadito Fernando Pessoa!
ora, sábio e sagaz, FP deduziu de ciência ou empiricamente a inexistência de romance instantâneo ou indolor e bem o exprimiu em verso à beira ensaio...
mas se o estático e descolorido ensombrado que empresta à virtude pode resultar em instantâneo e em dor, ainda há sobra de ânimo e taxonomia para a esperança de um romance ou tempo de brincar aos impossíveis?
e quanto ao ampliar do vazio, expressão do outro mundo que acorda este: há vários nadas e talvez o que não ilumina, inspira ou acalma seja outro que não a consciência da ausência de que falam Santo Agostinho ou Sophia, em grau diverso de aflição, e porventura a lei da subsistência - ou prevalência!! - da matéria sobre a forma (a que explica a água mole em pedra dura...) ou o deus do éter e de quem procura o quinto elemento possam deter a detenção, a poética abulia ou mesmo o risco sério de implosão!!!
;_)))
ora, sábio e sagaz, FP deduziu de ciência ou empiricamente a inexistência de romance instantâneo ou indolor e bem o exprimiu em verso à beira ensaio...
mas se o estático e descolorido ensombrado que empresta à virtude pode resultar em instantâneo e em dor, ainda há sobra de ânimo e taxonomia para a esperança de um romance ou tempo de brincar aos impossíveis?
e quanto ao ampliar do vazio, expressão do outro mundo que acorda este: há vários nadas e talvez o que não ilumina, inspira ou acalma seja outro que não a consciência da ausência de que falam Santo Agostinho ou Sophia, em grau diverso de aflição, e porventura a lei da subsistência - ou prevalência!! - da matéria sobre a forma (a que explica a água mole em pedra dura...) ou o deus do éter e de quem procura o quinto elemento possam deter a detenção, a poética abulia ou mesmo o risco sério de implosão!!!
;_)))
observações são bem vindas obrigado ;_)))
2013-10-13
a hora do conto
Contista e canadiana, portanto mulher, Alice Munro esteve presente em anteriores listas de candidatos nobelizáveis, mas atentas as jametinhamditas características, o Prémio Nobel da Literatura em 2013 é triplamente inesperado!
Ao Canadá faltava este reconhecimento, raramente atribuído a contistas e poucas vezes a mulheres. Apenas 13 mulheres ganharam o Prémio Nobel da Literatura desde 1901. A última a merecer a distinção Nobel também mereceu uma breve nota aqui no Ditos: Herta Muller ;_)))
Oxalá ambas sejam mais lidas, também entre nós!!
Mas são os contos, enquanto género literário nem sempre bem considerado, os principais vencedores... e bem assim os seus leitores!!!
;_)))
observações são bem vindas, obrigado ;_)))
2013-09-15
refrescar
a Ditosa de Setembro de 2013 apresenta-se em modo SPA: a hidratação é muito importante!
e ainda é Verão!
mas... onde se refresca a Ditosa?
observações são bem vindas obrigado ;_)))
crédito fotográfico: JPdeBM
2013-07-20
dissimulação e revogável
em primeiro lugar, convém lembrar, em seus 7 pontos maravilha:
«1. Apresentei hoje de manhã a minha demissão do Governo ao
primeiro-ministro.
2. Com a apresentação do pedido de demissão, que é
irrevogável, obedeço à minha consciência e mais não posso fazer.
3. São conhecidas as diferenças políticas que tive com o
ministro das Finanças. A sua decisão pessoal de sair permitia abrir um ciclo
político e económico diferente. A escolha feita pelo primeiro-ministro teria,
por isso, de ser especialmente cuidadosa e consensual.
4. O primeiro-ministro entendeu seguir o caminho da mera
continuidade no Ministério das Finanças. Respeito mas discordo.
5. Expressei, atempadamente, este ponto de vista ao
primeiro-ministro, que, ainda assim, confirmou a sua escolha. Em consequência,
e tendo em atenção a importância decisiva do Ministério das Finanças, ficar no
Governo seria um acto de dissimulação. Não é politicamente sustentável, nem é
pessoalmente exigível.
6. Ao longo destes dois anos protegi até ao limite das
minhas forças o valor da estabilidade. Porém, a forma como, reiteradamente, as
decisões são tomadas no Governo torna, efectivamente, dispensável o meu contributo.
7. Agradeço a todos os meus colaboradores no Ministério dos
Negócios Estrangeiros a sua ajuda inestimável que não esquecerei. Agradeço aos
meus colegas de Governo, sem distinção partidária, toda a amizade e cooperação.
Paulo Portas, 2 de Julho de 2013»
ou seja:
a) o Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, demite-se com uma
carta pública identificando a vontade de sair no seguimento do chumbo, pelo
Tribunal Constitucional, de alguns aspectos - significativos mas de valor muito
relativo face ao problema global da economia e das finanças de Portugal - e
reconhecendo que a sua equipa errou em tudo: previsões e respectivas políticas;
b) o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo
Portas, líder do CDS/PP que sustentava em coligação a maioria parlamentar de
apoio ao Governo, também se demite com um comunicado público em protesto contra
a «continuidade» - sic - da promoção
de membros da equipa que reconhecidamente falhou em tudo: a proposta do
Primeiro-Ministro Passos Coelho era então nomear Ministra das Finanças Ana
Maria Albuquerque, ex-Secretária de Estado de Vítor Gaspar, sendo também
promovidos (já pertenciam à dita equipa que, reconhecida e confessadamente,
falhou em tudo) 2 novos Secretários de Estado, um dos quais Hélder Reis,
ex-chefe do... jametinhasdito gabinete responsável pelas previsões de apoio àssobreditas políticas - «Hélder Reis era até agora director no Gabinete de
Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais (GPEARI), a
entidade que no Ministério das Finanças é responsável pelas previsões
económicas e pela definição da estratégia financeira e orçamental»;
c) face ao descalabro e desagregação do Governo, Passos tira
da cartola vários coelhos: não aceita o pedido de demissão de Portas, faz
várias cedências ao CDS/PP para assegurar a sua permanência (e a da coligação) no
Governo e propõe a Cavaco Silva, Presidente da República, uma reformulação do
Governo com novos Ministros e um Vice-Primeiro-Ministro, precisamente o
coliga-descoliga irrevogavelmente revogável Paulo Portas;
d) outras cartolas destapam novas minhocas: Cavaco ignora
olimpicamente o Primeiro-Ministro e a sua reformulanda proposta de continuidade
governativa, surpreendendo o País e o Mundo - cá dentro, poucos se terão
lembrado e muito menos sonhado com fosse o que fosse vindo de Belém, por
isso... e lá fora, a estupefacção fez a notícia, cada agência tinha uma
interpretação da mensagem e dos propósitos de Cavaco, aliás logo remendado em
ulterior comunicado rectificativo e apressador, «um prazo muito curto»,
jametinharrecalcitrado o PR! - com um desafio exigente: ante o desentendimento
dos dois partidos do Governo, Cavaco vislumbrava o entendimento de três
partidos desentendidos!! é obra!!!
e) subsistindo o desentendimento, entra-se noutra fase do
nervosismo político e politiqueiro: e agora, o que virá de Belém? pode não ser
fácil ver claro mas é bom analisar com um mínimo de objectividade e bom senso -
só quem não quis ver é que se deixou iludir pela anedótica proposta da
luminária cagarra presidencial... agora, embrulha! ou pior, ainda mais nos
embrulha... ;(
na realidade, um esforço de consenso governativo por parte
de Cavaco teria justificação e oportunidade após as eleições que deram maioria
relativa a Sócrates!!
a judiciosa e interesseira omissão presidencial permitiu,
então, que todos os partidos da oposição montassem a sua rasteira ao Governo
minoritário, à falsa fé!!!
assim, qual a justificação para vir agora propor consenso
tripartidário na sequência da bernarda no Governo com apoio parlamentar
maioritário da coligação PPD/PSD-CDS/PP ?
se nem os coligados se entendem, com sucessivas demissões,
omissões e cartas de público e recíproco enxovalho, como imaginar em boa fé que
3 partidos desentendidos se entendam?
em breve saberemos a verdadeira motivação da aparente jogada
paspalha de Cavaco, a menos que este queira à força dar razão ao que por aí lhe
chamam...
azar ;(
a propósito, a antecipação diferida de eleições inventada
por Cavaco Silva para daqui a um ano - como? para quê? e porquê? - é uma figura
jurídico-constitucional inovadora a merecer estudo em nota de rodapé de vários
manuais de direito constitucional no próximo ano lectivo, no Prefácio do
próximo "Roteiros VI" (ou VII... ou VIII... ou... safa! três mandatos
é azar demasiado até para insuspeitos apoiantes) e, é claro, em tudo o que seja
programa satírico, humorístico e de rega bofe em jornais, rádios, TV, facebook
e conversas de café especializadas no mais incrível anedotário nacional
haverá ainda abecedário bastante para prolongamento do resto
desta crise, por mais que o Presidente retarde as inevitáveis eleições
resumindo, positivando e convidando a apostar (mais) uma
imperial ou um pastelinho de Belém:
I - estaremos condenados a continuar no pântano de que
fugiram, sucessivamente, Guterres, Barroso e Sócrates, e de que foi corrido
Santana?
II - haverá eleições legislativas juntamente com as
autárquicas, ainda este ano, como interessa a muitos também por assim se evitar
a redução a metade dos lugares de Deputado e adjacentes como impõe o sentido
ético, a boa relação custo-eficácia do funcionamento e o exemplo que se espera
da Assembleia da República?
III - ou atrever-se-á Cavaco a cagarrar algum dos seus
amigos e apoiantes para uma aventura de Governo de iniciativa presidencial,
sujeitando-o (Carlos Costa? David Justino? Rui Rio?) ou sujeitando-a (Manuela
Ferreira Leite? Leonor Beleza? Teresa Patrício Gouveia?) à facada conjunta de
todos os príncipes maquiavélicos, jovens turcos e empedernidos tachistas dos
partidos com assento parlamentar?
observações são bem vindas!
obrigado ;_)))
2013-07-16
celebrar na praia
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Sophia de Melo Breyner Andresen, in O Mar dos Meus Olhos
(Editorial Caminho, 2010)
observações são bem vindas obrigado ;_)))
natural
Louvor da Poesia, Sebastião da Gama
Dá-se aos que têm sede,
não exige pureza.
Ah! Se fossemos puros,
p’ra melhor merecê-la!...
Sabe a terra, a montanhas,
caules tenros, raízes,
e no entanto desce
da Floresta dos Mitos!
Água tão generosa
como a que a gente bebe.
_ fuja dela Narciso
e quem não tenha sede.
Arrábida – 7.2.1950
obrigado ;_)))
2013-07-02
ênfase
ao jeito de celebração:
RECONSTITUIÇÃO DE PAISAGEM COM FIGURA
Talvez no fundo,onde o ramo se agita sob
as cores indecisas
do crepúsculo,a tua figura minúscula se
recorte ainda ; um som de aves
surgirá de entre as árvores,no bosque,e
sob o escurecer alguém fará
ouvir um poema breve no qual todas estas
coisas,com a necessária clareza,
poderão soar aos humanos
ouvidos.Porém,ainda um brilho divino
envolve este desenho que de memória
reproduzo.Os teus passos aproximam-
se e subitamente chegas,rindo,enquanto a
prosa e o verso se detêm
nas margens iluminadas do teu corpo.Tons
dominantes de cinzento,de azul,
de um claríssimo verde,se confundem
agora nos meus olhos. Em vão os
fecho ; com a precisão de uma obcessiva
memória de novo se combinam
e constroem o quadro vegetal e celeste
em que te moves.Um brando agitar
de folhas e o roçar dos teus cabelos no
vestido,eis quanto então
fixaram os meus ouvidos.Mas me ausento
dessa paisagem.Só uma voz,única
e estranha,repete sucessivamente as tuas
últimas palavras,e este verso
se liberta da tentação de algures para
regressar e envolver-se na concha
húmida do poema.A palavras se
reduz,afinal,quanto antes está escrito.
Um hálito de pó e sintaxe faz-me voltar
na cadeira,pegar no papel em que
escrevo e levantá-lo à altura dos olhos
– para novamente te ver,à
transparência,no fundo luminoso e
inacessível da janela entreaberta.
Nuno Júdice, in O CORTE NA ÊNFASE,
Colecção "O oiro do dia", Editorial Inova/Porto
Desenho de Domingos Pinho
Fevereiro / 1978
(250 exemplares, numerados)
observações são bem vindas!
obrigado ;_)))
2013-07-01
a Europa faz-se
com ou sem falta de Merkl ...
notícia é que a União Europeia passa a 28!
parabéns à Europa e à Croácia, boa sorte para todos e para o nosso futuro comum!!
quanto à festa inaugural, é de mestre - melhor dizendo, é de Merkl - a ausência como forma ostensiva de reforçar ainda mais a omnipresença da chanceler alemã, nas vidas de todos os cidadãos europeus!!!
mas só faz falta quem está ;_)))
observações são bem vindas obrigado ;_)))
2013-06-24
desconversa em família
o sermão dominical do Prof. Marcello bem tenta branquear o desacerto governamental: jametinhadito que é só estupidez e incompetência e exemplifica, bem ou mal, com o exemplo do extraordinário Conselho de Ministros de Alcobaça, Património Mundial, para mais uma reunião inútil, improdutiva e contraproducente
desde logo, pela inusitada autoflagelação de expor cada um e todos os Ministros do Governo de Portugal a um banho público de vaias
depois, por obrigar o porta-voz a dizer coisa nenhuma no final do... encontro!
pois, foi isso mesmo, afinal não aconteceu nada: os Ministros chegaram de espada, era sábado, a reunião era num Mosteiro Nacional, fundado em 1153 em terrenos que o Rei D. Afonso Henriques ofereceu a Bernardo do Claraval... mas não aconteceu nada, estavam ali só a passar o tempo... por estranha (?) coincidência ou nem tanto, havia casamento no mesmo lugar do pomposo Conselho de Ministros
Poiares Maduro teve que vir à porta dizer que nada aconteceu mas que também não fazia mal, não estava previsto nada de importante, era só uma simples reunião, compreendam lá...
Poiares Maduro (fica a dever um jametinhasdito ao Ditos por ter declarado que os portugueses contestam muito) é um conceituado jurista, doutorado em direito, professor em inúmeras Universidades, venceu o Prémio Gulbenkian da Ciência e detém a Comenda de Santiago da Espada - é titular de muito mais do que meros títulos honoríficos, tem um curriculum impressionante para a sua idade (45 anos) e presta-se a este enxovalho?
ná, desta vez não convence ninguém, o Marcelo, catano!!
alguma coisa aconteceu - e grave - para terem que assumir em flagrante tão colossal fracasso, um flop monumental
sua presidencial eminência, de nulidade em nulidade, ainda nem pestanejou com o grotesco episódio, talvez possa confidenciar o caso num dos próximos sensacionais prefácios
mas é escusado branquear o que se passou: um dia, talvez em breve, saberemos todos o que falhou, quem boicotou o quê, que vichyssoise azedou
oxalá nesse dia já esteja alguém competente ao leme do País
;_)))
observações são bem vindas obrigado ;_)))
2013-05-27
má sorte...
finda a época futebolística, mais uma vez com os habituais ânimos e desânimos de adeptos, desportistas participantes e respectivos dirigentes, é de realçar uma curiosa anomalia na distribuição do ânimo entre vencedores e vencidos: trata-se de Pinto da Costa, sempiterno presidente do FCP, a manifestar tristeza apesar de ter ganho o campeonato nacional, queixando-se amargamente do desprezo a que foi e se sente votado...
na realidade, regra geral as vitórias são para celebrar e partilhar, pelo que o azedume pode parecer estranho: mas não é!
má sorte o dito responsável ter sido apanhado em escutas telefónicas nunca desmentidas, infelizmente sem consequências judiciais do foro criminal como se impunha, já que todos ouvimos que em muitas vezes a explicação para inexplicáveis vitórias ou o evitar de certas derrotas correspondentes à verdade desportiva, quer pelos episódios de férias pagas aos árbitros por lamentável engano do departamento de contabilidade do FCP - e a agência mandar para lá a factura, outro lamentável acaso, é claro - quer pelo esquema de prostituição que esteve instituído e é objecto do anedotário nacional
assim, a equipa de futebol do FCP foi construindo uma carreira merecedora da chacota e do desprezo de que agora (e provavelmente para o resto da vida, ao menos nos momentos de lucidez em que transpareça a má consciência) o mesmo responsável sofra as consequências da podridão forjada, embora apenas moralmente e mesmo assim só porque ainda há autarcas impolutos que não compactuam com a corrupção!!
juridicamente pode haver alguma impunidade, mesmo assim nunca um tão flagrante atropelo à lei passa as malhas eternamente, a história se encarregará de trazer o azeite ao de cima e a vergonha dos implicados aparecerá à claridade e à censura geral da comunidade
como na tragédia medieval, também apresentada no palco da Comuna em 1991 (venceu um Sete de Ouro) com encenação de João Mota sobre argumento de John Ford, má sorte ter sido... !!!
observações são bem vindas obrigado ;_)))
2013-05-09
2013-04-21
Elegia para uma Ditosa
Estamos no mês de Abril, mês do aniversário de Sebastião da Gama.
Sabe o que se tem feito para lembrar este poeta que foi um marco importante da poesia portuguesa em meados do século XX? Que há um livro de memórias da mulher, Joana Luísa? Que houve o descerramento de uma lápide na casa em que nasceu? Que o livro "Pelo sonho é que vamos" faz 60 anos? Que há uma exposição em Azeitão a propósito deste livro?
Que a obra do poeta foi evocada em Azeitão no fim de semana passado?
Que se falou de Sebastião da Gama a propósito das telas de João Vaz?
Que há um selo comemorativo dos 60 anos de "Pelo sonho é que vamos"?
Que...?
Créditos: texto - comunicação de João Reis Ribeiro, Presidente da Associação Cultural Sebastião da Gama
observações são bem vindas obrigado ;_)))
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