2013-01-30

mar canhão


jametinhamdito: onda canhão!



ou canhão da Nazaré...

à procura de sensações, de registo no Guiness boooooooooook of records, de petróleo ondulante, forasteiros do mundo inteiro, dos antípodas, do novo mundo onde portugueses chegaram primeiro, pasmam ao descobrir o mar português!!

e nós pasmamos com tanto pasmo estrangeiro e até, renovadamente, com o poder e fascínio do mar português!!

tão (en)cantado e sofrido, por poetas, pescadores, filósofos, escritores, políticos, órfãos, viúvas, navegadores, passeantes e amantes do mar, da vida e do revigorado fulgor que o seu desafio representa, privilegiado habitat e reconhecida fonte de vida, tão sanguíneo e fundamental nos genes do ser português, de cada cidadão à própria construção da nacionalidade, fado e mito fundador da portugalidade ou do seu fundamento ancestral como do seu incerto mas inexorável e inebriante futuro!!!

mas para melhor compreensão dos termos da questão e da sua impressionante alegoria, ouçamos - atentos e a saborear gostosamente - o que assertivamente reflectiu quem sabe:

«Corre a vaga à costa e vem poderosa e alta, parecendo que força alguma lhe poderá resistir; mas, ao primeiro fundo, sente-lhe o pé a trava, mais alta fica, mas a escarpa aguça, se perturba o ciclo de cada uma das suas moléculas, se esbarronda em espuma e nada mais lhe fica senão leve lembrança: nalgum ponto, porém, mordeu a rocha e moveu grão de areia, o que amanhã vai ser sedimento ou fogo. Assim dos sonhos: são pastoreio de nuvens e, nada sendo, tudo o que é vão sendo: é no que deles fica que prosseguem deuses e homens, firmes pés no solo, sonhando o que será. Os sonhos de Império se desfazem, para Portugal, quando encontram a dura penedia do mundo que viera dos Césares, do Sinédrio e dos Bárbaros, grandes e louros, e violentos. Mundo que, desde os fins do século XV, se constituía, dando preeminência, no domínio económico, ao individual sobre o colectivo, com a mais grave das ameaças à liberdade e à fraternidade dos homens; no domínio político dando-a aos senhores sobre os povos e fazendo triunfar direitos nacionalista sobre os foros, de algum modo cristãos, e sobre o próprio direito das gentes em que havia alicerces gregos sob a formação latina do que em Roma poderia sobreviver à República; e coroando-se, no XVI, com oposição, dentro da comunidade cristã, de cisma tridentino, que adorava a disciplina e não o amor, ao cisma luterano, que punha o atingir-se o alvo acima do respeito dos outros.
Calado e resoluto, decidiu-se o português como os gregos outrora: quem não aceitava os poderes novos partiu para fundar cidade aparte - e nasceu o Brasil, juntando-se sucessivamente à leva dos fundadores todos os emigrantes que ainda hoje não deixaram de seguir sua viagem - [...]»

obrigado, pela sábia análise, visão certeira e inteira actualidade, eterno Mestre Agostinho da Silva






observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-12-28

Poesia e... esperança de vida!


Segundo notícia do Diário Digital, um estudo universitário (de Jenas, Alemanha, não confundir com a Universidade do Relvas, figurão do Ano 2012) jametinhadito que «Pessoas com mau feitio podem aumentar em dois anos a esperança média de vida»!

O Ditos confessa que o texto do artigo não é lá muito fundamentado e também que não foi roer a tese germânica e muito menos se requereu apresentação de credenciais aos respectivos cientistas, consultores, observadores, o que se dá de barato - não por ausência de apurado critério jornalístico, ora essa... - por irrelevância para o essencial que agora importa: é que mais uma vez se comprova que a prova provada a que chega a ciência ou a academia já a poesia demonstrara superiormente!!

Mais a mais como hoje está, em Lisboa, uma sexta-feira de sol, aqui fica um poema de Ruy Belo* que antecipa em vários anos, em verso, o resultado agora descoberto pelos intrépidos investigadores!!!

 
Sexta-feira sol dourado


esperança de solução de todos os problemas

não por à sexta-feira ter morrido cristo

que o poeta aliás comemora a comer bacalhau

ou outro peixe trocado pelos pescadores que morreram ou morrerão no mar

esse peixe que dantes nos chegava directamente

e agora passa pelas mãos do almirante henrique tenreiro

sexta-feira sol dourado

não por à sexta-feira ter morrido cristo

mas por se dispor da semana americana

Agora é que vamos ser felizes

A sexta-feira chega enche-se o peito de ar

a eternidade é não haver papéis

a vida muda vamos contestar

talvez assim se consiga aumentar

a duração média da vida humana

Sexta-feira sol dourado

que alegria ser poeta português

Portugal fica em frente



Ruy Belo, Todos os Poemas, Assírio & Alvim, 2009 (reimpressão)


* nota de actualização de texto: onde o Poeta escreveu, com lucidez e coragem, "do almirante Herique Tenreiro",  leia-se hoje "da inefável troica"


observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-12-22

D. Inverno, Bom Inverno


jametinhamperguntado: onde está a Ditosa?




uma dica: está neste Mundo inacabado de eternos recomeços !




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2012-12-09

batota frita


o rótulo bem tenta disfarçar, incluindo batatas desidratadas (outra batota é o destaque piramidal que isola a palavra "Batatas", acentuando o abuso) na extensa lista de ingredientes de Pringles mas a realidade impõe-se: aquilo tem pouco de batata, seguramente menos de metade!






aliás, a empresa fabricante chegou, de início, a designar o produto de «Newfangled Potato Chips» mas, verdade seja jametinhasdita, o nome de batata caiu redondo e sem ondas para fora do tubo, restando um prudente "aperitivo frito"!!

há uns anos, num processo curioso, a companhia proprietária foi processada pelos serviços do IVA e condenada pelos tribunais britânicos por se ter feito prova da escassez de batata na receita e no produto; porém, mais tarde, os advogados da empresa conseguiram convencer o Supremo Tribunal do Reino Unido a obrigar o fisco a devolver uns quantos milhões de libras, aproveitando bem algumas alíneas da tabela do IVA, que pagava a título de batata frita, e precisamente por aquilo não ser feito de batata e nada ter a ver com a natureza!!!


observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-12-08

Ditosa ribeirinha


onde (re)pousa e sorve ar fresco olhando a neblina de luz ?

saberá a Ditosa que 2012, numerologicamente de intuitiva mudança, caminha para o fim?

e que renovações acolherão 2013?




nota - crédito fotográfico: amabilidade MPS ;_)))







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2012-12-06

Avó Ermelinda


Deonilde, Germana, Ermelinda, Leonor, Joana...

do alto de uma garrafa de vinho da Casa Ermelinda de Freitas, cinco gerações de Mulheres nos contemplam!

partiu, há poucos meses, Ermelinda de Freitas, Avó de Joana, Mãe de Leonor, Filha de Germana e Neta de Deonilde, tudo nomes fortes e de notável impressão no mundo vinícola português

Ermelinda de Freitas soube inovar e respeitar a continuidade, privilegiando marcas próprias (Terras do Pó, 1997, foi a primeira marca própria da Casa Ermelinda de Freitas) para assim optimizar a vinha a que a Família se dedicava há já tantos anos, desde 1920

mas além da produção de vinhos da exploração vitivinícola familiar, premiados ao mais alto nível mundial e exprimindo também o importante esforço de internacionalização, notabilizou-se pela promoção dos vinhos da Região e da Península de Setúbal e dos vinhos de Portugal no mundo!!

ou seja, bom vinho!!!





observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-11-29

mau vinho


jametinhamdito que foi reprovado o pedido de registo da marca "Memórias de Salazar" para um vinho  de Santa Comba Dão

os motivos poderão ser substanciais, por insulto à consciência colectiva ou perigo sobre a ordem pública, conquanto o mau gosto, a ofensa ao vinho e a publicidade enganosa (que raio terá o vinho hoje produzido a ver com tão renomado baptismo?) ficarão de prevenção para eventual utilização como argumento adicional em caso de recurso, pois a ressabiada entidade requerente promete insistir

mas por falar em memória e em Salazar, o Ditos recupera uma pérola de muito preço e mais do que atempada!

à saúde ;_)))

Este senhor Salazar


É feito de sal e azar.

Se um dia chove,

A agua dissolve

O sal,

E sob o céu

Fica só azar, é natural.



Oh, c'os diabos!

Parece que já choveu...

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Coitadinho

Do tiraninho!

Não bebe vinho.

Nem sequer sozinho...



Bebe a verdade

E a liberdade,

E com tal agrado

Que já começam

A escassear no mercado.



Coitadinho

Do tiraninho!

O meu vizinho

Está na Guiné,

E o meu padrinho

No Limoeiro

Aqui ao pé,

Mas ninguém sabe porquê.



Mas, enfim, é

Certo e certeiro

Que isto consola

E nos dá fé:

Que o coitadinho

Do tiraninho

Não bebe vinho,

Nem até

Café.




29-03-1935

Fernando Pessoa  




observações são bem vindas, obrigado ;_)))

2012-11-14

bem cotada



pois, mas onde está a ditosa de alto preço?



observações são bem vindas obrigado ;_)))


crédito de gentileza fotográfica: AO

2012-10-27

oxalá!


"Oxalá o destinem às bibliotecas públicas", jametinhasdito de ouro!

Javier Marías, romancista espanhol, acaba de recusar (mais) um prémio, por se tratar de um encargo do Estado mas também, assumidamente, procurando livrar-se da conotação de prebenda pública a "manchar" a sua carreira

neste caso a obra é o romance Los Enamoramientos e o prémio tem o valor pecuniário de 20.000 euros, à conta do orçamento do Ministério da educação, Cultura e Desporto do reino de Espanha

quando em vez há atitudes que surpreendem pela coerência e ainda há bem pouco tempo a nossa admirável Maria Teresa Horta recusou o prémio D. Diniz, pela não menos admirável obra "As luzes de Leonor", romance histórico ou biografia romanceada sobre a Leonor neta de Leonor Távora, futuramente conhecida como a Marquesa de Alorna, mulher de rara coragem e inspiração

num caso e noutro, fica um sentimento de admiração pela determinação e critério, ligação da arte à vida, consequência, afinal, das palavras e dos Artistas!!

oxalá as bibliotecas públicas fiquem a ganhar, com o prémio e com a honrosa menção feita por Javier Marías

para já, curiosidade e admiração por Los Enamoramientos, como há semanas por As luzes de Leonor!!!


;_)))


observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-09-07

norma e excepção


A Lei n.º 54/2012, de 6 de Setembro, a vigorar a partir de 1 de Outubro, estabelece o regime de prevenção e combate ao furto e de receptação de metais não preciosos com valor comercial e prevê meios adicionais e de reforço no âmbito da fiscalização da actividade de gestão de resíduos, correntemente designados por sucateiros.


Tardava há muito um reforço da atenção sobre o tema, tão recrudescida se tem manifestado a pilhagem de cobre, alumínio, ferro e outros metais e ligas de uso vulgar, sector de relevante interesse económico face ao elevado preço dos materiais furtados (frequentemente lemos o eufemismo "desviados") e a extrema facilidade, baixo risco e custo irrisório com que se traficam tais materiais. É o caso de cabos eléctricos (linhas de electricidade de redes públicas ou particulares e catenárias dos caminhos de ferro) e telefónicos mas também de inúmeros equipamentos simples ou sofisticados que integram infraestruturas básicas, incluindo grelhas de sargeta e tampas de saneamento, bem assim como portões, gradeamentos e variadíssimas outras estruturas metálicas.

Um dos problemas deste flagelo é a desproporção dos proveitos face aos avultados prejuízos causados em muitos furtos: pode ser causado um dano incalculável de milhares de euros por uma simples peça metálica que nem chega a valer, a peso, 100 euros no mercado a que se destina, distribuídos  pelos diferentes intervenientes em proporção moral - o bolo maior vai para os mais graúdos do negócio e o executante de gazua e torquês arrecada migalhas e acarreta com o risco de electrocussão, reacção defensiva de proprietários e seguranças ou detenção policial. 

Pelas notícias e pelo que se observa (por exemplo, as centenas de placas de trânsito amputadas, muitas em alumínio) a actividade prospera, com consequências exponenciais para a sociedade, sendo ostensivo o papel e a impunidade de muitos sucateiros na viabilização de todo este esquema.

Assim, é muito compreensível a disciplina apertada sobre as transacções, impondo-se um rigoroso sistema de registo e auditabilidade para completa verificação e transparência de todos os intervenientes e de todos os respectivos actos, de modo a permitir às autoridades, designadamente judiciais mas também tributárias, o seguimento exaustivo da proveniência dos materiais objecto destes negócios. Esse é o problema, a pedra de toque.

E qual a solução legal agora perspectivada? _ Proibir cheques ao portador e restringir os pagamentos em dinheiro a operações de valor inferior a 50 euros!

Ora, jametinhamdito, a excepção à regra é magnânime!!

De que lado está o legislador?




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2012-09-04

será azul?


Ella assim o diz ;_)))




Blue moon, you saw me standin' alone
Without a dream in my heart, without a love of my own
Blue moon, you knew just what I was there for
You heard me sayin' a prayer for
Someone I really could care for

And then there suddenly appeared before me
The only one my arms will hold
I heard somebody whisper "please adore me"
And when I looked, the moon had turned to gold

Blue moon, now I'm no longer alone
Without a dream in my heart
Without a love of my own

And then there suddenly appeared before me
The only one my arms will ever hold
I heard somebody whisper "please adore me"
And when I looked, the moon had turned to gold

Blue moon, now I'm no longer alone
Without a dream in my heart
Without a love of my own

Blue moon, now I'm no longer alone
Without a dream in my heart
Without a love of my own

Lorenz Hart, Richard Rodgers, Ella Fitzgerald




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2012-08-29

poesia em voo


por onde passa a Ditosa ternurenta e apressada, retratada em verso tipo passe...?



prémio recarregável ;_)))



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2012-07-27

Verbo olímpico


segundo noticia o Público, os participantes nas Olimpíadas de Londres estão sujeitos a regras de bom gosto  e mínimos de decência nas conversetas online


o Comité Olímpico jametinhadito que proíbe a linguagem vulgar, o que faz todo o sentido e merece mais empenho que o dedicado a temas como o Acordo Ortográfico, pelos fervorosos contra e a favor 


outro preceito de valor é a obrigação de se obter o acordo de todos os intervenientes para publicação de imagens obtidas na Aldeia Olímpica - porventura vai ser muito difícil assegurar o cumprimento desta norma, tal é o à vontade com que os jovens (principalmente! mas não só...) captam e difundem imagens com desprezo olímpico dos direitos alheios

boa parte dos preceitos do documento são aliás de bom senso, mais do que verdadeiras inovações normativas: o «IOC Social Media, Blogging and Internet Guidelines for participants 
and other accredited persons at the London 2012 Olympic Games» contém um conjunto de disposições sobre o respeito da identidade e imagem de quem aparece nas fotografias, bem como indicações de boa conduta em matéria de publicação e partilha de sons, vídeos, relatos, publicidade, resultados, provas, etc.

por envergonhar os concidadãos do seu País, uma atleta grega foi expulsa da sua delegação olímpica mesmo antes da cerimónia de abertura

oxalá os nossos desavergonhados políticos (sabem que dificilmente serão expulsos por se comportarem abaixo dos mínimos) observem também o decoro olímpico no verbo governativo e parlamentar!!

e que os Jogos  comecem!!!

;_)))




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2012-07-13

Colunas ditosas


da terra, das águas, dos céus, das combustões nós dentro e mais além, conhecimento, esquecimento e desconhecimento, escrito e por escrever, havido, por acontecer e outras utopias, mistérios e uni... versos ;_)))




Perguntaram-me da terra da utopia
mas ao longe só vi uma gaivota.
Da terra da utopia eu não sabia
nem do mar nem do sítio nem da rota
talvez não fosse mais que um sonho que ninguém sonhava
um soluço de Deus um cheiro a maresia
e ao longe uma gaivota que pairava
sobre um ponto no azul sobre utopia.


Manuel Alegre, Cais das colunas, in "Nada está escrito", D. Quixote

Renato Monteiro, fotografia analógica a preto e branco com legenda magistral, também cúmplice e desafiadora



observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-07-10

voamos, não voamos



Pelo sonho é que vamos






Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.

Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama





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2012-07-02

Abril outra vez




mudados tempos e vontades
grudados ventos, tempestades
por demais o mesmo se alevanta
o engano em passos pinta a manta
e por força de ficar tanto na mesma
anda o povo a correr como uma lesma
oxalá o rasto cole, frise e humedeça
o demagogo e os pés lhe ponha na cabeça
sempre andava um pouco mais ladino
á onde voa alienando o nosso destino
resta a voz, a esperança, a união, a poesia
e, quiçá, o voto a escorraçar a aleivosia
ou mesmo o que se impõe tão fortemente:
ir sem medo à luta, denunciar, cerrar o dente
um novo dia inteiro, um novo Abril, é já merecido
que o primeiro, se então fez luz, é já esquecido

apre, jametinhasdito!



glosa ao Prof. Adelino Maltez




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2012-06-20

Ditosa posa




parece fácil...

mas onde está a Ditosa deste mês?

o prémio é a participação num evento que só ocorre uma vez por ano!


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2012-06-13

fechar a porta?



por favor... 



ou arrombar portas abertas?

jametinhamdito!...





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2012-06-08

aprender, sempre


aprender? mas é preciso aprender? e sempre?

num artigo em que respiga um texto de Johanni Larjanko, da EAEA (European Association for the Education of Adults), o site da Associação "O Direito de Aprender" dá voz e notícia à falta de voz e de notícias sobre o tema da Educação de Adultos

entre nós tem até havido notícias: a extinção anunciada do programa Novas Oportunidades e de tantas vontades, sonhos, saberes, realizações e projectos de futuro que levaram anos a erigir

à parte a logística, arreliadora, que afecta a referida organização, a EAEA, certo é que o predomínio da crise - como de resto, antes dela, o ostensivo massacre mediático a que fomos sujeitos através de muitos dos factores que a espoletaram, como o consumismo desregrado, a desregulação da inventiva financeira e a virtualização até de aspectos fundamentais da economia, como a casa de cada um ou da sua família - avassala grandemente os discursos, tanto os particulares como os públicos e mediáticos, a tal ponto que por (muitas) vezes se sobrepõe uma insuperável inevitabilidade de tudo quanto acontece e vai acontecer, suprimindo as alternativas, desde as verdadeiras opções às meras possibilidades e até às simples conjecturas, enevoando os próprios sonhos e, não raro, a capacidade de pensar, num crescendo breu, de apagamento e esquecimento geral...

é pois muito bem vindo o alerta: urge retomar o ponto de situação, voltar a tentar ver claro, forçar a reflexão, é preciso pensar, discutir, analisar, propor, lutar!

desde 1985 que estamos formalmente avisados, na sequência de estudos diversos culminados em Recomendação oficial da OIT, sobre a importância da formação ao longo da vida!!

claro que já havia mundo antes disso, noutras formas de expressão, desde a educação permanente ao treino e certificação da formação em diferentes formatos e modelos, estaduais, não governamentais e da pura sociedade civil, incluindo as famílias, as empresas e até projectos individuais - o nosso grande Gago Coutinho viveu até aos 90 anos e estudou toda a vida, aliás, enquanto há vida há aprendizagens

mas são múltiplos os factores de entropia, incluindo alguns provenientes da esfera da mais genuína boa vontade: é o exemplo de dedicados "gestores" de «recursos humanos» ou as respectivas administrações e inevitáveis programas, consultores, políticas e compromissos - todos tratando as pessoas como «recursos» em vez de sujeitos, participantes activos no processo de criação de valor e de sustentação da organização e da comunidade em que se insere

nessa mesma esfera se inscrevem os projectos de valorização dos «activos humanos» e até do «capital humano» - adeus pessoas, sujeitos e demais conceitos da ordem do "ser"...

o vazio de notícias, muito bem observado, não é, pois, inconsequente nem meramente acidental mas sim preocupante, correspondendo a um vazio de ideias que não resulta apenas da inconsideração mas da aplicação de uma particular ideologia, para aquietação das almas e alienação do humano que em nós anseia por oportunidades de aprender e intervir, de contribuir para a regulação do quotidiano como para os grandes desígnios que a Humanidade há muito identificou - Saramago alertava bem: chegamos mais depressa a Marte que ao nosso semelhante - e que regressam e recrudescem à medida que aumentam e se promovem as desigualdades, norte/sul, homens/mulheres, ricos/pobres, desenvolvidos/subdesenvolvidos, cibernéticos/infoexcluídos, problemas que se agigantam em todas as sociedades e à porta de casa

o reconhecimento desse apagamento, do seu propósito e da necessidade de uma consciência é um imperativo categórico, não uma nova moral mas uma inquietação necessária a bem do saber e dos seus frutos mas também do apaziguamento das políticas e economias agressivas que nos trouxeram aqui, à beira da desesperança, à ausência de relevância, a este medonho silêncio sobre o que verdadeiramente importa

jametinhamdito!!!


;_)))



observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-05-26

Oração




Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.



Natália Correia

observações são bem vindas obrigado ;_)))