2012-12-08

Ditosa ribeirinha


onde (re)pousa e sorve ar fresco olhando a neblina de luz ?

saberá a Ditosa que 2012, numerologicamente de intuitiva mudança, caminha para o fim?

e que renovações acolherão 2013?




nota - crédito fotográfico: amabilidade MPS ;_)))







observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-12-06

Avó Ermelinda


Deonilde, Germana, Ermelinda, Leonor, Joana...

do alto de uma garrafa de vinho da Casa Ermelinda de Freitas, cinco gerações de Mulheres nos contemplam!

partiu, há poucos meses, Ermelinda de Freitas, Avó de Joana, Mãe de Leonor, Filha de Germana e Neta de Deonilde, tudo nomes fortes e de notável impressão no mundo vinícola português

Ermelinda de Freitas soube inovar e respeitar a continuidade, privilegiando marcas próprias (Terras do Pó, 1997, foi a primeira marca própria da Casa Ermelinda de Freitas) para assim optimizar a vinha a que a Família se dedicava há já tantos anos, desde 1920

mas além da produção de vinhos da exploração vitivinícola familiar, premiados ao mais alto nível mundial e exprimindo também o importante esforço de internacionalização, notabilizou-se pela promoção dos vinhos da Região e da Península de Setúbal e dos vinhos de Portugal no mundo!!

ou seja, bom vinho!!!





observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-11-29

mau vinho


jametinhamdito que foi reprovado o pedido de registo da marca "Memórias de Salazar" para um vinho  de Santa Comba Dão

os motivos poderão ser substanciais, por insulto à consciência colectiva ou perigo sobre a ordem pública, conquanto o mau gosto, a ofensa ao vinho e a publicidade enganosa (que raio terá o vinho hoje produzido a ver com tão renomado baptismo?) ficarão de prevenção para eventual utilização como argumento adicional em caso de recurso, pois a ressabiada entidade requerente promete insistir

mas por falar em memória e em Salazar, o Ditos recupera uma pérola de muito preço e mais do que atempada!

à saúde ;_)))

Este senhor Salazar


É feito de sal e azar.

Se um dia chove,

A agua dissolve

O sal,

E sob o céu

Fica só azar, é natural.



Oh, c'os diabos!

Parece que já choveu...

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Coitadinho

Do tiraninho!

Não bebe vinho.

Nem sequer sozinho...



Bebe a verdade

E a liberdade,

E com tal agrado

Que já começam

A escassear no mercado.



Coitadinho

Do tiraninho!

O meu vizinho

Está na Guiné,

E o meu padrinho

No Limoeiro

Aqui ao pé,

Mas ninguém sabe porquê.



Mas, enfim, é

Certo e certeiro

Que isto consola

E nos dá fé:

Que o coitadinho

Do tiraninho

Não bebe vinho,

Nem até

Café.




29-03-1935

Fernando Pessoa  




observações são bem vindas, obrigado ;_)))

2012-11-14

bem cotada



pois, mas onde está a ditosa de alto preço?



observações são bem vindas obrigado ;_)))


crédito de gentileza fotográfica: AO

2012-10-27

oxalá!


"Oxalá o destinem às bibliotecas públicas", jametinhasdito de ouro!

Javier Marías, romancista espanhol, acaba de recusar (mais) um prémio, por se tratar de um encargo do Estado mas também, assumidamente, procurando livrar-se da conotação de prebenda pública a "manchar" a sua carreira

neste caso a obra é o romance Los Enamoramientos e o prémio tem o valor pecuniário de 20.000 euros, à conta do orçamento do Ministério da educação, Cultura e Desporto do reino de Espanha

quando em vez há atitudes que surpreendem pela coerência e ainda há bem pouco tempo a nossa admirável Maria Teresa Horta recusou o prémio D. Diniz, pela não menos admirável obra "As luzes de Leonor", romance histórico ou biografia romanceada sobre a Leonor neta de Leonor Távora, futuramente conhecida como a Marquesa de Alorna, mulher de rara coragem e inspiração

num caso e noutro, fica um sentimento de admiração pela determinação e critério, ligação da arte à vida, consequência, afinal, das palavras e dos Artistas!!

oxalá as bibliotecas públicas fiquem a ganhar, com o prémio e com a honrosa menção feita por Javier Marías

para já, curiosidade e admiração por Los Enamoramientos, como há semanas por As luzes de Leonor!!!


;_)))


observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-09-07

norma e excepção


A Lei n.º 54/2012, de 6 de Setembro, a vigorar a partir de 1 de Outubro, estabelece o regime de prevenção e combate ao furto e de receptação de metais não preciosos com valor comercial e prevê meios adicionais e de reforço no âmbito da fiscalização da actividade de gestão de resíduos, correntemente designados por sucateiros.


Tardava há muito um reforço da atenção sobre o tema, tão recrudescida se tem manifestado a pilhagem de cobre, alumínio, ferro e outros metais e ligas de uso vulgar, sector de relevante interesse económico face ao elevado preço dos materiais furtados (frequentemente lemos o eufemismo "desviados") e a extrema facilidade, baixo risco e custo irrisório com que se traficam tais materiais. É o caso de cabos eléctricos (linhas de electricidade de redes públicas ou particulares e catenárias dos caminhos de ferro) e telefónicos mas também de inúmeros equipamentos simples ou sofisticados que integram infraestruturas básicas, incluindo grelhas de sargeta e tampas de saneamento, bem assim como portões, gradeamentos e variadíssimas outras estruturas metálicas.

Um dos problemas deste flagelo é a desproporção dos proveitos face aos avultados prejuízos causados em muitos furtos: pode ser causado um dano incalculável de milhares de euros por uma simples peça metálica que nem chega a valer, a peso, 100 euros no mercado a que se destina, distribuídos  pelos diferentes intervenientes em proporção moral - o bolo maior vai para os mais graúdos do negócio e o executante de gazua e torquês arrecada migalhas e acarreta com o risco de electrocussão, reacção defensiva de proprietários e seguranças ou detenção policial. 

Pelas notícias e pelo que se observa (por exemplo, as centenas de placas de trânsito amputadas, muitas em alumínio) a actividade prospera, com consequências exponenciais para a sociedade, sendo ostensivo o papel e a impunidade de muitos sucateiros na viabilização de todo este esquema.

Assim, é muito compreensível a disciplina apertada sobre as transacções, impondo-se um rigoroso sistema de registo e auditabilidade para completa verificação e transparência de todos os intervenientes e de todos os respectivos actos, de modo a permitir às autoridades, designadamente judiciais mas também tributárias, o seguimento exaustivo da proveniência dos materiais objecto destes negócios. Esse é o problema, a pedra de toque.

E qual a solução legal agora perspectivada? _ Proibir cheques ao portador e restringir os pagamentos em dinheiro a operações de valor inferior a 50 euros!

Ora, jametinhamdito, a excepção à regra é magnânime!!

De que lado está o legislador?




observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-09-04

será azul?


Ella assim o diz ;_)))




Blue moon, you saw me standin' alone
Without a dream in my heart, without a love of my own
Blue moon, you knew just what I was there for
You heard me sayin' a prayer for
Someone I really could care for

And then there suddenly appeared before me
The only one my arms will hold
I heard somebody whisper "please adore me"
And when I looked, the moon had turned to gold

Blue moon, now I'm no longer alone
Without a dream in my heart
Without a love of my own

And then there suddenly appeared before me
The only one my arms will ever hold
I heard somebody whisper "please adore me"
And when I looked, the moon had turned to gold

Blue moon, now I'm no longer alone
Without a dream in my heart
Without a love of my own

Blue moon, now I'm no longer alone
Without a dream in my heart
Without a love of my own

Lorenz Hart, Richard Rodgers, Ella Fitzgerald




observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-08-29

poesia em voo


por onde passa a Ditosa ternurenta e apressada, retratada em verso tipo passe...?



prémio recarregável ;_)))



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2012-07-27

Verbo olímpico


segundo noticia o Público, os participantes nas Olimpíadas de Londres estão sujeitos a regras de bom gosto  e mínimos de decência nas conversetas online


o Comité Olímpico jametinhadito que proíbe a linguagem vulgar, o que faz todo o sentido e merece mais empenho que o dedicado a temas como o Acordo Ortográfico, pelos fervorosos contra e a favor 


outro preceito de valor é a obrigação de se obter o acordo de todos os intervenientes para publicação de imagens obtidas na Aldeia Olímpica - porventura vai ser muito difícil assegurar o cumprimento desta norma, tal é o à vontade com que os jovens (principalmente! mas não só...) captam e difundem imagens com desprezo olímpico dos direitos alheios

boa parte dos preceitos do documento são aliás de bom senso, mais do que verdadeiras inovações normativas: o «IOC Social Media, Blogging and Internet Guidelines for participants 
and other accredited persons at the London 2012 Olympic Games» contém um conjunto de disposições sobre o respeito da identidade e imagem de quem aparece nas fotografias, bem como indicações de boa conduta em matéria de publicação e partilha de sons, vídeos, relatos, publicidade, resultados, provas, etc.

por envergonhar os concidadãos do seu País, uma atleta grega foi expulsa da sua delegação olímpica mesmo antes da cerimónia de abertura

oxalá os nossos desavergonhados políticos (sabem que dificilmente serão expulsos por se comportarem abaixo dos mínimos) observem também o decoro olímpico no verbo governativo e parlamentar!!

e que os Jogos  comecem!!!

;_)))




observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-07-13

Colunas ditosas


da terra, das águas, dos céus, das combustões nós dentro e mais além, conhecimento, esquecimento e desconhecimento, escrito e por escrever, havido, por acontecer e outras utopias, mistérios e uni... versos ;_)))




Perguntaram-me da terra da utopia
mas ao longe só vi uma gaivota.
Da terra da utopia eu não sabia
nem do mar nem do sítio nem da rota
talvez não fosse mais que um sonho que ninguém sonhava
um soluço de Deus um cheiro a maresia
e ao longe uma gaivota que pairava
sobre um ponto no azul sobre utopia.


Manuel Alegre, Cais das colunas, in "Nada está escrito", D. Quixote

Renato Monteiro, fotografia analógica a preto e branco com legenda magistral, também cúmplice e desafiadora



observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-07-10

voamos, não voamos



Pelo sonho é que vamos






Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.

Chegamos? Não chegamos?
- Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama





observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-07-02

Abril outra vez




mudados tempos e vontades
grudados ventos, tempestades
por demais o mesmo se alevanta
o engano em passos pinta a manta
e por força de ficar tanto na mesma
anda o povo a correr como uma lesma
oxalá o rasto cole, frise e humedeça
o demagogo e os pés lhe ponha na cabeça
sempre andava um pouco mais ladino
á onde voa alienando o nosso destino
resta a voz, a esperança, a união, a poesia
e, quiçá, o voto a escorraçar a aleivosia
ou mesmo o que se impõe tão fortemente:
ir sem medo à luta, denunciar, cerrar o dente
um novo dia inteiro, um novo Abril, é já merecido
que o primeiro, se então fez luz, é já esquecido

apre, jametinhasdito!



glosa ao Prof. Adelino Maltez




observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-06-20

Ditosa posa




parece fácil...

mas onde está a Ditosa deste mês?

o prémio é a participação num evento que só ocorre uma vez por ano!


observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-06-13

fechar a porta?



por favor... 



ou arrombar portas abertas?

jametinhamdito!...





observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-06-08

aprender, sempre


aprender? mas é preciso aprender? e sempre?

num artigo em que respiga um texto de Johanni Larjanko, da EAEA (European Association for the Education of Adults), o site da Associação "O Direito de Aprender" dá voz e notícia à falta de voz e de notícias sobre o tema da Educação de Adultos

entre nós tem até havido notícias: a extinção anunciada do programa Novas Oportunidades e de tantas vontades, sonhos, saberes, realizações e projectos de futuro que levaram anos a erigir

à parte a logística, arreliadora, que afecta a referida organização, a EAEA, certo é que o predomínio da crise - como de resto, antes dela, o ostensivo massacre mediático a que fomos sujeitos através de muitos dos factores que a espoletaram, como o consumismo desregrado, a desregulação da inventiva financeira e a virtualização até de aspectos fundamentais da economia, como a casa de cada um ou da sua família - avassala grandemente os discursos, tanto os particulares como os públicos e mediáticos, a tal ponto que por (muitas) vezes se sobrepõe uma insuperável inevitabilidade de tudo quanto acontece e vai acontecer, suprimindo as alternativas, desde as verdadeiras opções às meras possibilidades e até às simples conjecturas, enevoando os próprios sonhos e, não raro, a capacidade de pensar, num crescendo breu, de apagamento e esquecimento geral...

é pois muito bem vindo o alerta: urge retomar o ponto de situação, voltar a tentar ver claro, forçar a reflexão, é preciso pensar, discutir, analisar, propor, lutar!

desde 1985 que estamos formalmente avisados, na sequência de estudos diversos culminados em Recomendação oficial da OIT, sobre a importância da formação ao longo da vida!!

claro que já havia mundo antes disso, noutras formas de expressão, desde a educação permanente ao treino e certificação da formação em diferentes formatos e modelos, estaduais, não governamentais e da pura sociedade civil, incluindo as famílias, as empresas e até projectos individuais - o nosso grande Gago Coutinho viveu até aos 90 anos e estudou toda a vida, aliás, enquanto há vida há aprendizagens

mas são múltiplos os factores de entropia, incluindo alguns provenientes da esfera da mais genuína boa vontade: é o exemplo de dedicados "gestores" de «recursos humanos» ou as respectivas administrações e inevitáveis programas, consultores, políticas e compromissos - todos tratando as pessoas como «recursos» em vez de sujeitos, participantes activos no processo de criação de valor e de sustentação da organização e da comunidade em que se insere

nessa mesma esfera se inscrevem os projectos de valorização dos «activos humanos» e até do «capital humano» - adeus pessoas, sujeitos e demais conceitos da ordem do "ser"...

o vazio de notícias, muito bem observado, não é, pois, inconsequente nem meramente acidental mas sim preocupante, correspondendo a um vazio de ideias que não resulta apenas da inconsideração mas da aplicação de uma particular ideologia, para aquietação das almas e alienação do humano que em nós anseia por oportunidades de aprender e intervir, de contribuir para a regulação do quotidiano como para os grandes desígnios que a Humanidade há muito identificou - Saramago alertava bem: chegamos mais depressa a Marte que ao nosso semelhante - e que regressam e recrudescem à medida que aumentam e se promovem as desigualdades, norte/sul, homens/mulheres, ricos/pobres, desenvolvidos/subdesenvolvidos, cibernéticos/infoexcluídos, problemas que se agigantam em todas as sociedades e à porta de casa

o reconhecimento desse apagamento, do seu propósito e da necessidade de uma consciência é um imperativo categórico, não uma nova moral mas uma inquietação necessária a bem do saber e dos seus frutos mas também do apaziguamento das políticas e economias agressivas que nos trouxeram aqui, à beira da desesperança, à ausência de relevância, a este medonho silêncio sobre o que verdadeiramente importa

jametinhamdito!!!


;_)))



observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-05-26

Oração




Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.



Natália Correia

observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-05-23

crescimento

Manuela Ferreira Leite jametinhadito: "Se não houver crescimento económico, não há a possibilidade de se conseguir consolidar as contas públicas"!

talvez esteja certa, aritmeticamente, pois como a dívida é a maior fatia do Orçamento do Estado, a intervenção depressiva nas outras rubricas de despesa afecta irremediavelmente a capacidade de geração de novas e mais receitas, deixando em roda livre o aumento dos juros e da dívida pública

para muitos intervenientes com fortes responsabilidades na condução da governação e na sua influência, tal conceito mantém-se desaparecido, abstracto ou mesmo combatido ferozmente

observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-05-11

AAA


Alexandre/Alain/Amália


se uma Ditosa...




;_)))


Gaivota


Poema: Alexandre O'Neill
Música: Alain Oulman
Interpretação: Amália Rodrigues



Se uma gaivota viesse
Trazer-me o céu de lisboa
No desenho que fizesse,
Nesse céu onde o olhar
É uma asa que não voa,
Esmorece e cai no mar.


Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
Dos sete mares andarilho,
Fosse quem sabe o primeiro
A contar-me o que inventasse,
Se um olhar de novo brilho
No meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
As aves todas do céu,
Me dessem na despedida
O teu olhar derradeiro,
Esse olhar que era só teu,
Amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
Morreria no meu peito,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde perfeito
Bateu o meu coração.





observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-03-29

DO 25 DE ABRIL À TROIKA (3)



Quanto ao alcance e inspiração da expressão “os que vieram depois”, foi gentilmente oferecida ao Ditos uma interpretação autêntica, prova competente e oportuna de que se pode legendar também os textos - mesmo os mais claros, como é o caso "DO 25 DE ABRIL À TROIKA".

Volte a palavra a Fernando Cardoso de Sousa: 

_«Estava eu numa daquelas sessões do 25 de Abril, no auditório da Câmara Municipal de Albufeira, com mais de meio milhar de jovens do secundário, na parte de perguntas e respostas, quando uma jovem se levanta e pergunta aos convidados (presidente da Câmara e dois ‘capitães’ de Abril) o que de melhor e pior tinha deixado o 25 de Abril.

Eu achei a pergunta bem difícil e empurrei para os meus colegas a resposta, que eles deram de forma pouco convincente e elaborada. E foi na iminência de eu dizer algo que fizesse sentido, que me veio um repente: – “O melhor foram vocês! A alegria de ter mais de meio milhar de jovens, num Concelho pequeno, a frequentar o ensino secundário e a fazer perguntas tão inteligentes. E o pior foram ‘”os que vieram depois’”.

E lá expliquei o conceito.  E o pessoal gostou! Mais daquela ‘o melhor são vocês’, claro.»

O Ditos também gosta, muito, do texto e seu contexto, numa perspectiva de algum modo crua e dura mas guardando uma saudável nota de esperança responsável - atitude a lembrar Gramsci, que falava em pessimismo realista e optimismo inteligente  ;_)))

Mais um muito obrigado!!!








observações são bem vindas obrigado ;_)))

DO 25 DE ABRIL À TROIKA (2)





Imagem: “Partido”, seleccionada do livro "25 de Abril”, de 1996, de J. Rosa Guerra, obra que expressa um desânimo quando a esmagadora maioria de "os que vieram depois" se lambiam com os dinheiros europeus, festejando, em sintonia com a onda urbana pós-modernista, uma das grandes perdas do povo português: a perda do sentido colectivo e do sentido do outro.

Legendando a legenda e interpretando a ligação da imagem ao texto, J. Rosa Guerra explicita:

«a palavra “partido”, associada à foto, já não significa partido político (com a grandeza da palavra polis) para remeter para um sentido de quebra, divisão, mutilação, dificuldade em caminhar …

Todas as fotos do livro foram tiradas no dia 25 de Abril (mas de 1996) ou seja, fazem a pergunta, o que é significam hoje (em 96) os ideais de Abril de construção de um Portugal mais igualitário?

Nesta imagem (de Alcântara, mas que podia ser de um subúrbio), num olhar atento à figura, percebe-se que se trata de um jovem e popular (pela indumentária): enquanto uns “que vieram depois” festejam (estamos em 96) outros mantêm a dificuldade em seguir adiante mesmo que a sua idade lhes prometa uma “longa vida”. Naquele rapaz (ele próprio mutilado no enquadramento fotográfico), já se adivinha uma juventude agarrada a um futuro contraditório, quebrado e incerto.»

Trata-se uma generosa partilha, como um ponto de cumplicidade com a crítica aos “que vieram depois”.


O Ditos agradece a J. Rosa Guerra o labor criativo, interpretativo e crítico: triplo sinal de esperança, realismo e sentido de intervenção, tão mais necessária quanto o que se antevia em 1996 nos desabou com mais uma dose de FMI de que só nos voltaremos a livrar com lucidez, dentes e punhos cerrados, permanente apelo à memória e mangas arregaçadas para semear um futuro condigno!!!







observações são bem vindas obrigado ;_)))