2012-05-26

Oração




Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.



Natália Correia

observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-05-23

crescimento

Manuela Ferreira Leite jametinhadito: "Se não houver crescimento económico, não há a possibilidade de se conseguir consolidar as contas públicas"!

talvez esteja certa, aritmeticamente, pois como a dívida é a maior fatia do Orçamento do Estado, a intervenção depressiva nas outras rubricas de despesa afecta irremediavelmente a capacidade de geração de novas e mais receitas, deixando em roda livre o aumento dos juros e da dívida pública

para muitos intervenientes com fortes responsabilidades na condução da governação e na sua influência, tal conceito mantém-se desaparecido, abstracto ou mesmo combatido ferozmente

observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-05-11

AAA


Alexandre/Alain/Amália


se uma Ditosa...




;_)))


Gaivota


Poema: Alexandre O'Neill
Música: Alain Oulman
Interpretação: Amália Rodrigues



Se uma gaivota viesse
Trazer-me o céu de lisboa
No desenho que fizesse,
Nesse céu onde o olhar
É uma asa que não voa,
Esmorece e cai no mar.


Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
Dos sete mares andarilho,
Fosse quem sabe o primeiro
A contar-me o que inventasse,
Se um olhar de novo brilho
No meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
No meu peito bateria,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde cabia
Perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
As aves todas do céu,
Me dessem na despedida
O teu olhar derradeiro,
Esse olhar que era só teu,
Amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
Morreria no meu peito,
Meu amor na tua mão,
Nessa mão onde perfeito
Bateu o meu coração.





observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-03-29

DO 25 DE ABRIL À TROIKA (3)



Quanto ao alcance e inspiração da expressão “os que vieram depois”, foi gentilmente oferecida ao Ditos uma interpretação autêntica, prova competente e oportuna de que se pode legendar também os textos - mesmo os mais claros, como é o caso "DO 25 DE ABRIL À TROIKA".

Volte a palavra a Fernando Cardoso de Sousa: 

_«Estava eu numa daquelas sessões do 25 de Abril, no auditório da Câmara Municipal de Albufeira, com mais de meio milhar de jovens do secundário, na parte de perguntas e respostas, quando uma jovem se levanta e pergunta aos convidados (presidente da Câmara e dois ‘capitães’ de Abril) o que de melhor e pior tinha deixado o 25 de Abril.

Eu achei a pergunta bem difícil e empurrei para os meus colegas a resposta, que eles deram de forma pouco convincente e elaborada. E foi na iminência de eu dizer algo que fizesse sentido, que me veio um repente: – “O melhor foram vocês! A alegria de ter mais de meio milhar de jovens, num Concelho pequeno, a frequentar o ensino secundário e a fazer perguntas tão inteligentes. E o pior foram ‘”os que vieram depois’”.

E lá expliquei o conceito.  E o pessoal gostou! Mais daquela ‘o melhor são vocês’, claro.»

O Ditos também gosta, muito, do texto e seu contexto, numa perspectiva de algum modo crua e dura mas guardando uma saudável nota de esperança responsável - atitude a lembrar Gramsci, que falava em pessimismo realista e optimismo inteligente  ;_)))

Mais um muito obrigado!!!








observações são bem vindas obrigado ;_)))

DO 25 DE ABRIL À TROIKA (2)





Imagem: “Partido”, seleccionada do livro "25 de Abril”, de 1996, de J. Rosa Guerra, obra que expressa um desânimo quando a esmagadora maioria de "os que vieram depois" se lambiam com os dinheiros europeus, festejando, em sintonia com a onda urbana pós-modernista, uma das grandes perdas do povo português: a perda do sentido colectivo e do sentido do outro.

Legendando a legenda e interpretando a ligação da imagem ao texto, J. Rosa Guerra explicita:

«a palavra “partido”, associada à foto, já não significa partido político (com a grandeza da palavra polis) para remeter para um sentido de quebra, divisão, mutilação, dificuldade em caminhar …

Todas as fotos do livro foram tiradas no dia 25 de Abril (mas de 1996) ou seja, fazem a pergunta, o que é significam hoje (em 96) os ideais de Abril de construção de um Portugal mais igualitário?

Nesta imagem (de Alcântara, mas que podia ser de um subúrbio), num olhar atento à figura, percebe-se que se trata de um jovem e popular (pela indumentária): enquanto uns “que vieram depois” festejam (estamos em 96) outros mantêm a dificuldade em seguir adiante mesmo que a sua idade lhes prometa uma “longa vida”. Naquele rapaz (ele próprio mutilado no enquadramento fotográfico), já se adivinha uma juventude agarrada a um futuro contraditório, quebrado e incerto.»

Trata-se uma generosa partilha, como um ponto de cumplicidade com a crítica aos “que vieram depois”.


O Ditos agradece a J. Rosa Guerra o labor criativo, interpretativo e crítico: triplo sinal de esperança, realismo e sentido de intervenção, tão mais necessária quanto o que se antevia em 1996 nos desabou com mais uma dose de FMI de que só nos voltaremos a livrar com lucidez, dentes e punhos cerrados, permanente apelo à memória e mangas arregaçadas para semear um futuro condigno!!!







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2012-03-27

DO 25 DE ABRIL À TROIKA



Por Fernando Cardoso de Sousa
Ten-Cor de Infª na Reforma

Parte I – O 25 de Abril e os ideais

Foi uma longa espera no Terreiro do Paço. Espera que viesse uma ordem para avançarmos e prendermos os membros do governo que víamos espreitar-nos das janelas. Não percebíamos porque é que as ordens não vinham, quando tudo nos parecia tão fácil dali. Mas cumprimos bem e ninguém resolveu agir por conta própria.
Finalmente vieram as ordens para avançarmos e, é claro, já lá não estava ninguém, ou só restavam alguns coronéis, chefes de gabinete ou investidos de outras funções, que resolveram não fugir. E fizeram bem, pois também nada lhes aconteceu, já que ninguém nos tinha mandado prendê-los; até conversaram calmamente com alguns oficiais sobre a justeza do golpe. Mas a missão ainda era (pensávamos nós) capturar membros do governo e assim fomos andando pelos corredores do palácio esperando encontrar algum retardatário. Mas eis senão quando uma porta enorme nos barrou o caminho e, se bem que todos procurassem a chave, ela teimava em não aparecer. Era lógico que os fugitivos tinham fechado a porta à chave, para dificultar a perseguição. Que fazer então? Aparentemente só havia uma solução: arrombar a porta de qualquer forma pois, por muito resistente que fosse, não conseguiria deter militares aguerridos e determinados. Só que…quem é que arromba? Uns não queriam a violência, outros hesitavam em tomar a iniciativa mas todos, de um modo geral, achávamos mal danificar uma porta tão bonita e valiosa, ainda por cima fazendo parte da Fazenda Nacional…e não se arrombou. Ainda procurámos alternativas mas, como não encontrámos, voltámos por onde tínhamos entrado e fomos embora.
Do Terreiro do Paço, um grupo seguiu para a António Maria Cardoso – quartel da PIDE e outro para a Penha de França – quartel da Legião Portuguesa. Eu segui no da Legião e, à medida que nos íamos aproximando, os soldados tomavam posição em prédios contíguos à fortaleza, prontos a ripostar ao primeiro sinal de resistência. E o grosso da coluna lá seguia, imbuída do espirito de missão mais revolucionário e aguerrido.
E esse espírito era necessário, pois começámos a vislumbrar legionários armados, que nos espreitavam do cimo das muralhas. Só que, em vez de tomarem posições defensivas e camufladas, limitavam-se a passear a descoberto e a olhar para nós com curiosidade. Ainda por cima com as armas em bandoleira, daquelas Mauser da I Guerra, em contraste flagrante com o armamento pesado e moderno (para português, claro), que se passeava debaixo dos seus olhos. Era demais!
E chegámos ao portão de entrada que, apesar do adiantado da hora, se encontrava teimosamente fechado. Num ápice as Chaimites tomaram posição, apontando as peças, no que foram seguidas pelo pessoal que, devidamente entrincheirado, visava a porta auxiliar, que fazia parte do imenso portão de ferro. E, quando esperávamos que algumas granadas desfizessem o portão em pedaços, o chefe da força, major Jaime Neves…tocou à campainha. E, nada…
Tocou novamente e, passado um tempo considerável, apareceu alguém à civil que…perguntou o que queríamos. E com uma paciência de Jó, o major lá explicou que se tratava de uma revolução (de que talvez já tivessem ouvido falar) e que estávamos ali para tomar conta do quartel, pelo que deveriam render-se rapidamente, para evitar derramamento de sangue. E a figura fez que tinha percebido, retirou-se e…fechou a porta de novo. E só muito depois lá apareceu o comandante – general Pimenta de Castro – e sua comitiva, a declarar a rendição. Ato contínuo, a tal figura à civil – um coronel reformado – em jeito de encenação e à falta de uma espada, saca da pistola, retira o carregador e deposita o conjunto no chão, em sinal de rendição. Todos respirámos de alívio mas, quando nos preparávamos para entrar calmamente no quartel, o tal coronel reformado, tem um vipe (inspiração momentânea), volta atrás, apanha a pistola do chão, introduz o carregador, arma a pistola e, barrando a entrada no portão, exclama: - “Não me renderei! Só por cima do meu cadáver!”. E ali estávamos nós com 300 armas e 10 canhões apontados aquela figura rocambolesca, sem saber o que fazer. E, mais uma vez, com muita paciência, o major lá explicou ao coronel o ridículo da situação, que voltou a colocar a pistola no chão e entrou à nossa frente.
E, daí a pouco tempo, já confraternizávamos alegremente com o ‘inimigo’, comendo presuntos e chouriços, bem regados com bom vinho, atividade que, pelos vistos, constituía ocupação principal dos legionários.
Ao fim da tarde, apareceu uma força militar toda fresquinha (já não dormíamos há quase 48 horas), com ar muito operacional e determinado, com ordens para nos substituir, começando de imediato a sua ocupação principal que foi “sacar” tudo o que pudesse ter valor. Aí comecei a aprender que a revolução, afinal, pertencia aos que “vinham depois” e achei que seria melhor sair definitivamente de cena e recolher-me a quartéis. E da intenção passei à ação quando, uns dias depois, numa daquelas operações de busca por denúncia de existência de armas escondidas (inexistentes, claro), no interior do Castelo de S. Jorge, vi um furriel sair de um compartimento com o ar mais feliz e alienado deste mundo, pois tinha conseguido roubar um cabide de arame, daqueles que costumamos deitar para o lixo, quando vamos buscar a roupa à lavandaria. Era realmente a altura me ir embora, pois a revolução, para mim, tinha acabado e pertencia agora aos que “vieram depois”.


Parte II – O tempo da “troika”
De certo modo, é essa ainda a sensação que tenho hoje, quando vejo oportunistas sacarem tudo o que conseguem, sem qualquer consideração pelos outros ou pelo país. É como se os dinheiros e património públicos lhes pertencessem e todas as mordomias se justificassem pelos “sacrifícios” que passam (ou passaram). Tal como no pós-25 de Abril, os medíocres, os impreparados, os apressados e os que, de um modo geral, não estão dispostos (ou não têm capacidade) para vencer na vida a pulso de esforço próprio, tomam conta das ocorrências pela via do partido, ou de outra agremiação de troca de favores, desde que as circunstâncias permitam que o façam com um mínimo de risco para si próprios.
No fundo, isso mesmo aconteceu connosco, quando, depois de sairmos do Terreiro do Paço, encontrámos uma multidão entusiasta, que nos vangloriava como reis. E muitos de nós, simples soldados, pouco habituados a banhos de multidão, convencemo-nos que, afinal, éramos mesmo reis, merecedores de todas as regalias e poder quando, na realidade, pouco tínhamos feito com risco verdadeiro. E tantos foram os que se deixaram inebriar pela luxúria do poder, durante o PREC que se seguiu, até descobrirem que, afinal, não eram reis nem génios mas simples soldados ignorantes.
O 25 de Abril deixou muita coisa, boa e má, mas nenhuma tão execrável como aqueles que “vieram depois” e que ainda ocupam muitos dos lugares deixados vagos pelos do antigo regime e pelos que lutaram para que tudo mudasse.
Se calhar, tem de ser mesmo assim e a única esperança é que o sistema vá aprendendo e nós próprios vamos sendo mais capazes de colocar, nos lugares de poder, os tais génios e reis, que temos, mas que teimamos em não valorizar.
Na verdade, se examinarmos os motivos do colapso de sociedades inteiras, como os Vikings ou os Maias, vemos aí razões ligadas à manutenção dos sistemas de poder instituídos, que impediram que soluções verdadeiramente eficazes pudessem surgir. Não propriamente por destruição intencional dos recursos mas por terem criado um vazio de imaginação inerente à incapacidade do poder em gerar um discurso diferente daquele que o fez poder, mesmo que tal signifique o aniquilamento total, como na Alemanha de Hitler ou na Líbia de Kadhafi.
O que faz falta é agir sobre a nossa capacidade coletiva de tomar a iniciativa de definir e resolver os problemas. A base do iceberg compõe-se da incomensurável letargia de um povo demasiado habituado a ser governado, em vez de governar-se. Assim, o verdadeiro mérito de um governo, deste Governo, não estará tanto em sanear as contas públicas (condição sine qua non, é certo) mas sim em libertar a sociedade civil para construir o futuro do País. E, para isso, é necessário destruir as bases em que se constituiu o poder que nos levou a esta crise.





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2012-03-19

modos de não mudar



Dos modos

Pequenina a paz que nos vão dando
os que dando se comovem.
É a paz a quatro linhas: Boas Festas.
É a paz da sobremesa: doce de ovos.
É a paz da nebelina: demos graças.
É a paz do não te rales
E não fales
E não faças.

Ana Maria Ferreira
in Arquipélagos da memória, a Torre de Babel e outras histórias
Plural – Gota de água, INCM, 1984


ps - porque jametinhamdito...






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2012-03-14

mestria


ou aprendizado? 


_ O pinheiro manso tem a copa redonda!

_ As pessoas mansas são redondas?


Quem jametinhadito e quem jametinhaperguntado?

Quem é Aprendiz e quem é Mestre  ?





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2012-03-11

Outono




folhas caídas de Outono chegado, a Natureza é Mestre do calendário trocado









a Princesa Magnólia, vestida a rigor,  ilude o Inverno e desponta em flor





















a sul, a ladina Andorinha antecipa e anuncia a Primavera em tempo de ilusão: estão os dias um perfeito Verão




















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2012-03-08

Cesária voa mais alto


jametinhamdito que o movimentado Aeroporto Internacional de São Pedro, na ilha mágica de São Vicente, em Cabo Verde, é hoje em boa hora rebatizado: a ideia já tem meses mas é concretizada numa feliz conjugação de homenagens às Mulheres e em especial a Cesária Évora!

a quem viajou ao ladinho de Cesária sabe muito bem a justíssima homenagem, pela humildade e cativante simpatia mas também, ao sair do avião em S. Pedro, pela calorosa recepção e interminável salva de palmas que os amigos, admiradores e circundantes invariavelmente lhe dedicavam durante o trajecto, a pé, até ao modesto mas digno edifício aeroportuário




parabéns a todos, especialmente a Elas!!

e é tanta sodade!!!

;_)))



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ps - créditos: pela utilização da fotografia é devido um café, margoso

2012-03-07

QREN é você!



jametinhamdito que há uma «guerra de Jardim e manjerona» para saber quem "gere" os fundos europeus do QREN, o ministro das Finanças - que nunca trabalhou numa empresa - ou o da Economia - que também não, mas escrevia lá de fora ...


o que está por dizer é que a Troica externa tem a última palavra a dizer - ou devia ter - e por isso o Primeiro Ministro tem que alterar alguma coisa, que mais não seja para que tudo fique essencialmente na mesma


e falta alguém dizer que uma boa mudança na gestão dos dinheiros europeus seria muito bem vinda para o povo português, por muito que doa a alguns políticos e aos vendedores de automóveis de alta cilindrada onde vai parar o "apoio" a fábricas em segunda mão, a formação profissional para não pagar ordenados, a criação dos mesmos postos de trabalho de sempre (com os milhões de postos de trabalho "criados" com os fundos comunitários toda a população portuguesa estaria várias vezes empregada, um dia que façam as contas ficaremos a saber quantos empregos teria cada português) e a inovação ou a projectos de interesse nacional que nunca viram a luz do dia, talvez por terem sido negociados à noite

então não é de estranhar tanta pressão para tudo continuar na mesma???





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2012-03-04

bus

a Ditosa de Março prefere os transportes públicos !





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2012-02-15

Arte


discurso directo: 

Toda a arte é perfeitamente inútil - Óscar Wilde

A arte só faz sentido se for útil - Antoni Tàpies




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ps - Toda a arte é simultaneamente superfície e símbolo.
Os que penetram para lá da superfície, fazem-no a suas próprias expensas.
Os que lêem o símbolo, fazem-no a suas próprias expensas.
O que a arte espelha realmente é o espectador e não a vida.
A diversidade de opinião sobre uma obra de arte revela que a obra é nova, complexa e vital.
Quando os quando os críticos divergem, o artista está em consonância consigo próprio.
Podemos perdoar um homem que faça uma coisa útil desde que não a admire. A única desculpa para fazer uma coisa inútil é ser objecto de intensa admiração.
Toda a arte é perfeitamente inútil.

Óscar Wilde, in retrato de Dorian Gray (Prefácio)

2012-02-11

20 valores


de média!

jámetinhadito o Eng. Ivo Gonçalves acerca da nota de formatura no Liceu Normal de Pedro Nunes, por ter tido 19 final a Latim e 20 a todas as demais disciplinas

depois cursou engenharia no Instituto Superior Técnico, sempre com as melhores classificações, e fez uma carreia notável no sector energético português, em tempos difíceis e contribuindo para a superação de graves crises -

foi o único gestor público a manter a sua posição após a revolução do 25 de Abril de 1974

deu corpo à electrificação do País, universalizando um serviço que hoje temos por adquirido e essencial

reconhecido escorpião, apesar de muito senhor e acérrimo praticante da sua racionalidade, provou à saciedade que a competência e o sucesso podem perfeitamente compatibilizar-se com os valores éticos, a inteligência, o bom humor e, até, a bonomia!!

muito lhe devemos

um Senhor, acima de 20 valores!!!



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2012-02-10

chaparro


publicada a Resolução da Assembleia da República a instituir o sobreiro como árvore nacional, o jametinhasDitos recupera um post arbóreo, poético e premonitório

Canadá (plátano, na bandeira nacional desde 1965) e China (ginkgo biloba) também têm árvores como símbolos nacionais oficiais mas muitos outros países elegeram evocação em individualizada espécie arbórea: Israel e a figueira, França e o carvalho (símbolo da luz e do conhecimento, significativo para druidas) ou o Líbano e o cedro, só para exemplificar...

por cá e também por respaldo em diploma legal, salve o ditoso e autóctone quercus suber !!!

;_)))


2004-11-24


ó carvalho, ó carvalho

ha' dias assim: ontem comemorou-se ou realizou-se o dia da floresta autoctone

23 de Novembro e' melhor dia para plantar em Portugal do que o dia mundial da arvore, a 21 de Marco, altura em que a nossa inclemente primavera sujeita semelhantes intencoes a provaveis contrariedades

pois em boa hora e bem á medida, ontem a incansavelQuercus foi, além do mais e entre outros pontos altos, para o bosque de Monsanto apregoar a defesa do carvalho, em especial o carvalho autoctone

parafraseando o temperamental poeta Joaquim Pessoa, de quem a propósito e com a devida venia respigo uma estrofe, jametinhamdito que o nosso e bom carvalho portugues carece, muito, de adequada proteccao legal, ó carvalho, ó carvalho, tal como a nossa azinheira e o sobreiro nacional !

«Estes fatos por medida
que vestimos ao domingo
tiram-nos dias de vida
fazem guardar-nos segredos
e tornam-nos tão crueis
que para comprar aneis
vendemos os proprios dedos.» 


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vida


secreta

Només allò que és íntim sobreviu
i, a poc a poc, es converteix en l'àmbit
en què, cansat, reposo del desori
de cada dia.Jo i els meus records
salvats curosament de l'escomesa
duna vida viscuda com qui fa
camí amb el vent de cara i no se sent
gairebé mao compromés amb el ritme
qui li dictem els deures i les modes.

Només l'imaginari converteix
el fer e desfer en una altra lucidesa
agosarada i tràgica. Després,
tot el que quedi escrit a les parets
dels sentits balbs serà vida secreta,
l'única que em pertany i que puc sempre
contemplar, temerari e desembolt,
com qui s'inventa una nova memòria.


jametinhadito Miquel Martí i Pol


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2012-02-03

desacordo


segundo noticia o Público, o recém-nomeado Vasco Graça Moura iniciou a sua presidência com prepotência e jametinhadesdito a aplicação do novo (de 1990! há quem tenha nascido um tanto antes e ainda seja razoavelmente novo...) Acordo Ortográfico no CCB, talvez a sua primeira medida de gestão conhecida na instituição

acontece que a lei governamental obriga as entidades tuteladas pelo Estado quanto à aplicação do sobredito Acordo Ortográfico, votado na Assembleia da República em sequência de convenção internacional entre países lusófonos sobre harmonização da ortografia da língua portuguesa

claro que todas as opiniões são legítimas e cada um é livre de escrever, nos seus documentos pessoais, como bem entender, incluindo a opção por norma ortográfica diversa da que está em vigor: e pode preferir-se qualquer das anteriores, antes ou depois de 1911 e mesmo desde o galaico-português do tempo da fundação da nacionalidade ou mesmo em latim - há também quem escreva em economês, informatiquês e powerpointês, e até quem conferencie em inglês mesmo quando são lusófonos oradores e audiência !!

o que parece contestável é desprezar a lei e os destinatários da instituição para que foi nomeado, apenas para impor a sua convicção pessoal, sem cuidar dos interesses dos colaboradores e audiência do CCB

em coerência, Vasco Graça Moura mandará reescrever os documentos já elaborados, os cartazes já divulgados, as mensagens emitidas e os ofícios já endereçados?

a vindicta de Vasco Graça Moura deverá fazer correr tinta, ao sabor das aderências e contestações quanto ao Acordo Ortográfico, mas agora também quanto a uma nova frente de batalha que é a do respeito, devido em democracia, pela norma legal em vigor e pelo acquis cultural do CCB!!!

trata-se de uma decisão de legalidade muito duvidosa que dificilmente obrigará os colaboradores internos e externos (prestadores de serviços e os próprios serviços da administração pública) e causará algumas contrariedades

veremos se todos amocham e o clima de medo enevoa também o CCB...



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2012-02-02

palavrYmagem




E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam, loucas!
De inveja as gaivotas a gritar...

Alexandre O'Neill





Daria Palotti


créditos: publicado no Facebook pela Associação Andante - A Andante é uma companhia de teatro que tem como objectivo principal a promoção da leitura, a sedução de leitores. Transformamos livros de poesia, romances, contos, em espectáculos de teatro. Sem fins lucrativos. De Alcochete.

ps - o Ditos também tem página no Facebook...


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2012-01-30

voltefactum


segundo informa a imprensa e vários blogues, o éspêsso jametinhadito que uns cavaquistas terão dito que ...

quem se lembra dos factos políticos e do respectivo hodierno Maquiavel ?

por falar em putativa paternidade e no providencial regresso de notícias inventadas para haver conversa, vai daí, conversa puxa conversa e ao domingo, como habitual, em família, o inefável professor Marcelo mandou aos desamparados cavaquistas um recado claro: deixem trabalhar o País, digo, o Governo, digo, o Cavaco!

aliás, no habitual processo de codificação múltipla, a mensagem marcelina era cumulativa: recadiços cavaquistas incluídos, toca a trabalhar, tudo a trabalhar!!

por causa da crise e da troica e do momento e isso... e ... ah... e o Relvas boa vida é um erro de casting, o cozinheiro político Relvas está a mais, fora o Relvas, pim!!!

;_)))



ps - só mais um nível de código marcelês: o Gaspar até que trabalha, a falar é que a porca torce o rabo... então, para aparentar uma troca, alguém sugere um ministro que trabalha pouco e fala muito ?




observações são bem vindas obrigado ;_)))

2012-01-21

gratuito


esta janeirosa é oferecida ao Ditos pela feliz conjugação de olhar atento e clicar ainda mais atento, ora em amarelo sentado, ora a calcorrear mundo fora, cá dentro!

mas vamos à nossa Ditosa, antes de perguntar onde se acastela


é um caso gratuito: trabalho gratuito, desabafo gratuito!

quem é que isto faz lembrar?


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observações são bem vindas obrigado ;_)))