2011-02-23

xeque árabe


jámetinhamdito que a Europa, vergonhosamente, se apressa agora a descobrir a inaceitável corrupção de Ben Ali, Mubarak ou Kadhafi, tendo antes feito interesseira vista grossa à notória falta de democracia e negócios sujos na Tunísia, no Egipto e na Líbia...

é bem verdade!

em alguns casos de ditaduras impiedosas prolongadas, até pode ter havido sanções ou embargos, por sinal amplamente criticados, mas geralmente contra países sem grandes recursos!!

só que importa lembrar que a culpa não pode ser só da comunidade internacional, dos parceiros ou de países terceiros!!!

a principal responsabilidade continua a ser dos ditos ditadores sanguinários que se eternizaram abusivamente no poder; a seguir, de quem os apoia internamente; e depois, infelizmente, de gerações sucessivas do povo que pactuou e pactua com tais senhores, até um dia a juventude acordar desesperada e tentar mudar, com o preço da própria vida e de muitas outras vidas inocentes, assim a situação desavergonhada se disponha a matar manifestantes pacíficos e desarmados em vez do tradicional encarceramento e discreta eliminação!!!

mas atenção: não é só a tenda do Kadhafi que está a estrebuchar em xeque, despeitada e impiedosa, muitos palácios por este mundo fora estão certamente a reforçar a repressão, a trancar portas e a exportar fortunas, colocando familiares a salvo no estrangeiro, pois se em Lisboa, Gdansk e Timisoara foi possível restabelecer liberdade, esperança e democracia, longe mas muito longe disso ficaram Tiananmen, Minsk, Teerão, Cabinda, Moldávia e Birmânia, só para dar alguns exemplos à flor da pena e esquecendo - até quando? - Luanda, Havana e Caracas

oxalá a juventude seja capaz de encontrar formas harmoniosas de superação da culpa de tantas décadas de conivência das gerações antecedentes e seja capaz de expulsar os esbirros sem os substituir por outros da mesma estirpe ou porventura menos civilizados

sim, que ainda a procissão vai no adro... e se muitos Países europeus temem agora a migração massiva dos ... situacionistas, colaboracionistas e outros oportunistas expulsos pelas revoltas populares árabes, a menos que sejam portadores de estupendo cheque árabe, certo é que mais à contraluz se realça a necessidade de uma política de acolhimento de migrantes continente africano, de modo a assegurar um reequilíbrio harmonioso Norte / Sul, económico, demográfico e cultural

;_)))



ps - nem por acaso, a secção "oil & energy" da Reuters acaba de despachar uma curiosa partilha de preocupação sobre a reacção líbia à revolta popular contra 42 anos de tirania, assimilando a vizinha e eterna euro-candidata Turquia aos mais ousados Estados europeus que já se manifestaram - Portugal, entre outros países, parece estar a salvaguardar a integridade e o regresso dos seus nacionais, antes de maiores declarações, estando ainda muito presente a célebre visita de Kadhafi e as vicissitudes da sua bela tenda beduína (entretanto oferecida ao amigalhaço Chavez, que pretendia dar-lhe uso nas cheias de Dezembro passado em Caracas) em que assentou arraiais e recebeu a nata portuguesa em 2007, no Forte de São Julião da Barra, bem como as 4 (!) visitas de Estado feitas por Sócrates nos últimos anos, a mais recente em Setembro passado, para uma reunião de 20 minutos entre 10 países ribeirinhos do Mediterrâneo e uma noitada de comemorações da revolução líbia, incluindo a especial distinção de ir para a festa no carro do próprio Kadhafi, tudo sob a justificação dos 35 mil milhões de euros em negócios entre Portugal e a Líbia, destacando-se o petróleo para a Galp, a construção civil e... numa prova de isenção das confissões, o Banco Espírito Santo...


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2011-02-21

Todos para a rua!!!!


jametinhamdito que circula com insistência mensagem a convocar 1 milhão de pessoas para a Avenida da Liberdade pela demissão de toda a classe política !?

agora até já tem data marcada mas o estilo é de aproveitamento da bolha dos movimentos contestatários contra as ditaduras de décadas da Pérsia e da Arábia

na substância não haverá grandes afinidades quanto à razão de ser das revoltas populares da Tunísia, do Egipto e de outros países com ditadores e nepotismos instalados há muito, com sistemas de controlo social e censura, sem eleições, comunicações nem partidos políticos livres, sem direitos de livre reunião, sem a generalidade de direitos de liberdade de circulação, reunião, expressão, crítica e contestação que vigora em Portugal

então quais são as razões invocadas? a julgar pela primeira e pela última, além de pura e simplesmente demagógicas, são de um nível patético de preconceito e desinformação, de todo o modo com manifesta inversão de sentido da relevância e das prioridades

«1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas, etc.) dos três Presidentes da República retirados;

30. Pôr os Bancos a pagar impostos.»

outras, entre as 30 articuladas, pertencem à esfera do senso comum

«14. Controlar o pessoal da Função Pública (todos os funcionários pagos por nós) que nunca está no local de trabalho. Então em Lisboa é o regabofe total. HÁ QUADROS (directores gerais e outros) QUE, EM VEZ DE ESTAREM NO SERVIÇO PÚBLICO, PASSAM O TEMPO NOS SEUS ESCRITÓRIOS DE ADVOGADOS A CUIDAR DOS SEUS INTERESSES....;

15. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos que servem para garantir tachos aos apaniguados do poder - há hospitais de província com mais administradores que pessoal administrativo. Só o de PENAFIEL TEM SETE ADMINISTRADORES PRINCIPESCAMENTE PAGOS... pertencentes ás oligarquias locais do partido no poder...

16. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar;»

mas são razões de sempre, dificultando a atribuição de alguma credibilidade a tão ambiciosa iniciativa: 1 milhão de pessoas na Av. da Liberdade, para controlar funcionários absentistas e encomendas duvidosas?

parece demasiado forçado, tanto mais que se cola ao início do novo mandato presidencial e à catadupa de moções de censura...

haverá conjugação?

ou será mero trolaró?

enfim, certamente nesse dia haverá algo mais útil para fazer!

;_)))






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2011-02-15

das arábias



eis o caro preço da liberdade: chegou a hora de reivindicar

egípcios e tunisinos são povos realizadores mas a tentação de desatar a reclamar é grande

começou no Irão, alastrou a regiões árabes, em busca de liberdade contra décadas de ditaduras, e está de volta ao Irão, cujos ditadores se apressaram a clamar vitória em revolução alheia e vão reprimindo a revolta intramuros

em alguns casos, a ditadura foi decapitada, mas ainda não se sabe se resiste, persiste ou desiste, com exércitos e ex-governantes ainda instalados

certo é que sem um ditador o povo já começa a poder reclamar de si próprio, embora seja difícil lidar com a culpa de anos de consentimento ou contemporização

oxalá os povos árabes saibam dar boa resposta às suas legítimas aspirações, sem deslizar para outras formas de usurpação do poder e sem cair na ratoeira de Lampedusa, mudando apenas o ditador para tudo o mais ficar na mesma





















nota: crédito ao cartunista Bennett e ao tenessiano Chattanooga Times Free Press, bem como à gentileza de JMC-O


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2011-02-11

modo pausa


a descoberta de uma pessoa falecida há anos num apartamento vendido em execução fiscal deve merecer alguma reflexão

primeiro pela constatação de uma vida só, sem ajuda, abandonada ao esquecimento

situação que se repete extensivamente nas nossas sociedades, com muito isolamento e alheamento, em especial na população sénior

como foi possível chegar a este ponto?

alerta!

o perigo é real, pode e vai repetir-se e voltar a acontecer (como já aconteceu) nova tragédia próximo de todos nós

neste caso, ou melhor, em casos destes, é ainda mais difícil, inútil e inconsequente deitar as culpas em Sócrates e Cavaco, no Governo ou no Estado, no sistema ou na globalização

a culpa é nossa, de todos nós, caminhando para o vazio, por vezes depressa ou mesmo depressa demais, para lado nenhum

claro que existe a segurança social, as igrejas, o voluntariado - mas todos esses meios deverão ser complementares a formas de organização mais elementares de solidariedade, em que os seres humanos estabelecem laços, de pertença a famílias, a vizinhança, a comunidades

porque andarmos todos a circular de carro em avenidas cheias não faz de nós uma comunidade

morarmos muitos no mesmo prédio não faz de nós vizinhos

ter um apelido comum não nos torna familiares

os laços verdadeiros são os que nós construímos ao ver e querer saber uns dos outros, os que resultam de mútuo conhecimento e reconhecimento, da convivência e partilha, das decisões comuns, da entreajuda, da diversificação da nossa esfera de relacionamentos e do seu fortalecimento e vitalidade

a chama acesa, afinal, para além do umbigo

em vez de apagada e ensimesmada

dá que pensar...




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2011-02-04

Ode Triunfal


Álvaro de Campos

À dolorosa luz das grandes lâmpadas eléctricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
Em fúria fora e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados fora,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!

Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical --
Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força --
Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro,
Porque o presente é todo o passado e todo o futuro
E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas
Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,
E pedaços do Alexandre Magno do século talvez cinquenta,
Átomos que hão de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem,
Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes,
Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,
Fazendo-me um excesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.

Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
Ser completo como uma máquina!
Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!
Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,
Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento
A todos os perfumes de óleos e calores e carvões
Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!

Fraternidade com todas as dinâmicas!
Promíscua fúria de ser parte-agente
Do rodar férreo e cosmopolita
Dos comboios estrénuos,
Da faina transportadora-de-cargas dos navios,
Do giro lúbrico e lento dos guindastes,
Do tumulto disciplinado das fábricas,
E do quase-silêncio ciciante e monótono das correias de transmissão!

Horas europeias, produtoras, entaladas
Entre maquinismos e afazeres úteis!
Grandes cidades paradas nos cafés,
Nos cafés -- oásis de inutilidades ruidosas
Onde se cristalizam e se precipitam
Os rumores e os gestos do Útil
E as rodas, e as rodas-dentadas e as chumaceiras do Progressivo!
Nova Minerva sem-alma dos cais e das gares!
Novos entusiasmos da estatura do Momento!
Quilhas de chapas de ferro sorrindo encostadas às docas,
Ou a seco, erguidas, nos pianos-inclinados dos portos!
Actividade internacional, transatlântica, Canadian-Pacific!
Luzes e febris perdas de tempo nos bares, nos hotéis,
Nos Longchamps e nos Derbies e nos Ascots,
E Piccadillies e Avenues de l'Opera que entram
Pela minh'alma dentro!

Hé-lá as ruas, hé-lá as praças, hé-la-hó la foule!
Tudo o que passa, tudo o que pára às montras!
Comerciantes; vadios; escrocs exageradamente bem-vestidos;
Membros evidentes de clubes aristocráticos;
Esquálidas figuras dúbias; chefes de família vagamente felizes
E paternais até na corrente de oiro que atravessa o colete
De algibeira a algibeira!
Tudo o que passa, tudo o que passa e nunca passa!
Presença demasiadamente acentuada das cocotes;
Banalidade interessante (e quem sabe o quê por dentro?)
Das burguesinhas, mãe e filha geralmente,
Que andam na rua com um fim qualquer,
A graça feminil e falsa dos pederastas que passam, lentos;
E toda a gente simplesmente elegante que passeia e se mostra
E afinal tem alma lá dentro!

(Ah, como eu desejaria ser o souteneur disto tudo!)

A maravilhosa beleza das corrupções políticas,
Deliciosos escândalos financeiros e diplomáticos,
Agressões políticas nas ruas,
E de vez em quando o cometa dum regicídio
Que ilumina de Prodígio e Fanfarra os céus
Usuais e lúcidos da Civilização quotidiana!

Notícias desmentidas dos jornais,
Artigos políticos insinceramente sinceros,
Notícias passez à-la-caisse, grandes crimes --
Duas colunas deles passando para a segunda página!
O cheiro fresco a tinta de tipografia!
Os cartazes postos há pouco, molhados!
Vients-de-paraitre amarelos com uma cinta branca!
Como eu vos amo a todos, a todos, a todos,
Como eu vos amo de todas as maneiras,
Com os olhos e com os ouvidos e com o olfacto
E com o tacto (o que palpar-vos representa para mim!)
E com a inteligência como uma antena que fazeis vibrar!
Ah, como todos os meus sentidos têm cio de vós!

Adubos, debulhadoras a vapor, progressos da agricultura!
Química agrícola, e o comércio quase uma ciência!
Ó mostruários dos caixeiros-viajantes,
Dos caixeiros-viajantes, cavaleiros-andantes da Indústria,
Prolongamentos humanos das fábricas e dos calmos escritórios!

Ó fazendas nas montras! ó manequins! ó últimos figurinos!
Ó artigos inúteis que toda a gente quer comprar!
Olá grandes armazéns com várias secções!
Olá anúncios eléctricos que vêm e estão e desaparecem!
Olá tudo com que hoje se constrói, com que hoje se é diferente de ontem!
Eh, cimento armado, beton de cimento, novos processos!
Progressos dos armamentos gloriosamente mortíferos!
Couraças, canhões, metralhadoras, submarinos, aeroplanos!

Amo-vos a todos, a tudo, como uma fera.
Amo-vos carnivoramente,
Pervertidamente e enroscando a minha vista
Em vós, ó coisas grandes, banais, úteis, inúteis,
Ó coisas todas modernas,
Ó minhas contemporâneas, forma actual e próxima
Do sistema imediato do Universo!
Nova Revelação metálica e dinâmica de Deus!

Ó fábricas, ó laboratórios, ó music-halls, ó Luna-Parks,
Ó couraçados, ó pontes, ó docas flutuantes --
Na minha mente turbulenta e incandescida
Possuo-vos como a uma mulher bela,
Completamente vos possuo como a uma mulher bela que não se ama,
Que se encontra casualmente e se acha interessantíssima.

Eh-lá-hô fachadas das grandes lojas!
Eh-lá-hô elevadores dos grandes edifícios!
Eh-lá-hô recomposições ministeriais!
Parlamento, políticas, relatores de orçamentos;
Orçamentos falsificados!
(Um orçamento é tão natural como uma árvore
E um parlamento tão belo como uma borboleta.)

Eh-lá o interesse por tudo na vida,
Porque tudo é a vida, desde os brilhantes nas montras
Até à noite ponte misteriosa entre os astros
E o amor antigo e solene, lavando as costas
E sendo misericordiosamente o mesmo
Que era quando Platão era realmente Platão
Na sua presença real e na sua carne com a alma dentro,
E falava com Aristóteles, que havia de não ser discípulo dele.

Eu podia morrer triturado por um motor
Com o sentimento de deliciosa entrega duma mulher possuída.
Atirem-me para dentro das fornalhas!
Metam-me debaixo dos comboios!
Espanquem-me a bordo de navios!
Masoquismo através de maquinismos!
Sadismo de não sei quê moderno e eu e barulho!

Up-lá hó jóquei que ganhaste o Derby,
Morder entre dentes o teu cap de duas cores!

(Ser tão alto que não pudesse entrar por nenhuma porta!
Ah, olhar é em mim uma perversão sexual!)

Eh-lá, eh-lá, eh-lá, catedrais!
Deixai-me partir a cabeça de encontro às vossas esquinas,
E ser levantado da rua cheio de sangue
Sem ninguém saber quem eu sou!

Ó tramways, funiculares, metropolitanos,
Roçai-vos por mim até ao espasmo!
Hilla! hilla! hilla-hô!
Dai-me gargalhadas em plena cara,
Ó automóveis apinhados de pândegos e de putas,
Ó multidões quotidianas nem alegres nem tristes das ruas,
Rio multicolor anónimo e onde eu me posso banhar como quereria!
Ah, que vidas complexas, que coisas lá pelas casas de tudo isto!
Ah, saber-lhes as vidas a todos, as dificuldades de dinheiro,
As dissensões domésticas, os deboches que não se suspeitam,
Os pensamentos que cada um tem a sós consigo no seu quarto
E os gestos que faz quando ninguém pode ver!
Não saber tudo isto é ignorar tudo, ó raiva,
Ó raiva que como uma febre e um cio e uma fome
Me põe a magro o rosto e me agita às vezes as mãos
Em crispações absurdas em pleno meio das turbas
Nas ruas cheias de encontrões!

Ah, e a gente ordinária e suja, que parece sempre a mesma,
Que emprega palavrões como palavras usuais,
Cujos filhos roubam às portas das mercearias
E cujas filhas aos oito anos -- e eu acho isto belo e amo-o! --
Masturbam homens de aspecto decente nos vãos de escada.
A gentalha que anda pelos andaimes e que vai para casa
Por vielas quase irreais de estreiteza e podridão.
Maravilhosa gente humana que vive como os cães,
Que está abaixo de todos os sistemas morais,
Para quem nenhuma religião foi feita,
Nenhuma arte criada,
Nenhuma política destinada para eles!
Como eu vos amo a todos, porque sois assim,
Nem imorais de tão baixos que sois, nem bons nem maus,
Inatingíveis por todos os progressos,
Fauna maravilhosa do fundo do mar da vida!

(Na nora do quintal da minha casa
O burro anda à roda, anda à roda,
E o mistério do mundo é do tamanho disto.
Limpa o suor com o braço, trabalhador descontente.
A luz do sol abafa o silêncio das esferas
E havemos todos de morrer,
Ó pinheirais sombrios ao crepúsculo,
Pinheirais onde a minha infância era outra coisa
Do que eu sou hoje. . . )

Mas, ah outra vez a raiva mecânica constante!
Outra vez a obsessão movimentada dos ónibus.
E outra vez a fúria de estar indo ao mesmo tempo dentro de todos os comboios
De todas as partes do mundo,
De estar dizendo adeus de bordo de todos os navios,
Que a estas horas estão levantando ferro ou afastando-se das docas.
Ó ferro, ó aço, ó alumínio, ó chapas de ferro ondulado!
Ó cais, ó portos, ó comboios, ó guindastes, ó rebocadores!

Eh-lá grandes desastres de comboios!
Eh-lá desabamentos de galerias de minas!
Eh-lá naufrágios deliciosos dos grandes transatlânticos!
Eh-lá-hô revoluções aqui, ali, acolá,
Alterações de constituições, guerras, tratados, invasões,
Ruído, injustiças, violências, e talvez para breve o fim,
A grande invasão dos bárbaros amarelos pela Europa,
E outro Sol no novo Horizonte!

Que importa tudo isto, mas que importa tudo isto
Ao fúlgido e rubro ruído contemporâneo,
Ao ruído cruel e delicioso da civilização de hoje?
Tudo isso apaga tudo, salvo o Momento,
O Momento de tronco nu e quente como um fogueiro,
O Momento estridentemente ruidoso e mecânico,
O Momento dinâmico passagem de todas as bacantes
Do ferro e do bronze e da bebedeira dos metais.

Eia comboios, eia pontes, eia hotéis à hora do jantar,
Eia aparelhos de todas as espécies, férreos, brutos, mínimos,
Instrumentos de precisão, aparelhos de triturar, de cavar,
Engenhos, brocas, máquinas rotativas!

Eia! eia! eia!
Eia eletricidade, nervos doentes da Matéria!
Eia telegrafia-sem-fios, simpatia metálica do inconsciente!
Eia túneis, eia canais, Panamá, Kiel, Suez!
Eia todo o passado dentro do presente!
Eia todo o futuro já dentro de nós! eia!
Eia! eia! eia!
Frutos de ferro e útil da árvore-fábrica cosmopolita!
Eia! eia! eia, eia-hô-ô-ô!
Nem sei que existo para dentro. Giro, rodeio, engenho-me.
Engatam-me em todos os comboios.
Içam-me em todos os cais.
Giro dentro das hélices de todos os navios.
Eia! eia-hô eia!
Eia! sou o calor mecânico e a electricidade!

Eia! e os rails e as casas de máquinas e a Europa!
Eia e hurrah por mim-tudo e tudo, máquinas a trabalhar, eia!

Galgar com tudo por cima de tudo! Hup-lá!

Hup-lá, hup-lá, hup-lá-hô, hup-lá!
Hé-lá! He-hô Ho-o-o-o-o!
Z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z-z!

Ah não ser eu toda a gente e toda a parte!

Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)



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2011-01-28

post-gnóstico eleitoral


reconfirmado: o contrato presidencial é por 10 anos, assim já adquirido na consciência geral (e nos acordos entre os poderosos partidários, como foi o caso Sócrates-Cavaco para 2006-2016) mesmo se algum idealismo ainda resiste e diz não, em heróica utopia

porém, a realidade confirma a realidade e vo(l)ta tudo como está, directamente (eis o esplendor da democracia e toda a legitimidade aos vencedores) ou através da divisão própria ou alheia e ainda por via da ignorância expressa em votos brancos e nulos suficientes para ditar outro resultado - ou ao menos um segundo escrutínio, tal como havia sucedido em 2006

de facto, votar branco ou nulo favorece o candidato mais votado, contribuindo para o cômputo dos 50% requeridos para haver eleição à primeira volta - e há boas razões para desconfiar se o resultado final seria o mesmo numa segunda volta, pelo menos em 2006 era muito duvidoso

votar branco ou nulo, tal como a abstenção voluntária, é como pregar pregos na água, renunciando ao poder de decidir conquistado para o povo em 25 de Abril de 1974 - quem vota branco, nulo ou se abstém faz o mesmo a que eram obrigados os portugueses antes de 1974: vê o seu destino definido pelos outros, aleatoriamente ou, porventura, por inefáveis messias salazarentos dos novos tempos

e não foi acidental a comparação de Rui Rio, equiparando Cavaco a Salazar com indisfarçável orgulho, logo no início noite eleitoral

é que muitos portugueses (mais de metade) pretendem mesmo livrar-se do incómodo direito de voto, abstendo-se de exercer a difícil escolha do seu próprio destino, remetendo-se ao silêncio acabrunhado da abstenção e do voto branco ou nulo, ainda que numerosos e até esclarecidos lhe atribuam um especialíssimo e personalizadíssimo significado, geralmente grandioso - para dar uma lição aos políticos, como se eles se importassem e como se os candidatos fossem os titulares do poder, em vez de apenas o exercerem em nome do povo, o verdadeiro soberano

engano de avestruz: em democracia o poder é do eleitor - pelo que a bofetada eleitoral de quem se abstém, e vota branco ou nulo é apenas em si próprio e não nos representantes escolhidos, afinal, por quem fez o que há a fazer, exercer o seu direito e cumprir o seu dever através do voto validamente expresso num dos candidatos - e outros poderiam ser os candidatos, para isso mesmo serve a consagração constitucional do direito a eleger e ser eleito

no limite e por absurdo, para quem defende a virtualidade da abstenção e do voto branco ou nulo como forma de expressão eleitoral, com a lei actualmente em vigor, basta ver que se todos os cidadãos menos um se abstivessem e votassem branco ou nulo seria o único voto validamente expresso a escolher o presidente ou os destinos do País

mas ainda que a lei (e a Constituição) fosse alterada para dar algum nexo ao voto branco (e porque não à abstenção e ao voto nulo? eventualmente obtendo-se uma declaração notarial do ... "não-eleitor" a explicar ao mundo qual o insigne atributo oculto no seu inexpressivo gesto) ficaríamos com o problema-limite por resolver: em caso de maioria (já agora, simples, qualificada ou absoluta?) de votos brancos ou nulos (da abstenção já temos exemplos bastantes) quem se encarregaria de representar o eleitorado soberano? os não eleitos ? repetindo o acto eleitoral? proibindo a candidatura dos anteriores candidatos? para sempre ou só dessa vez? e mudando de lista ou partido? ou de programa eleitoral, se o tiver?

da pessegada do cartão do cidadão versus nº de eleitor ainda não estamos totalmente conversados: o PSD insiste em pedir a demissão do Ministro mas em coerência, se acha que isso influiu no processo eleitoral, deveria requerer a repetição do acto em todas as mesas de voto onde se verificou essa perturbação - mas alguém acredita se pretendem ou arriscam alguma coerência?

mas temos tempo para reflectir, aí estão mais 5 anos - um novo ciclo, com o mesmo presidente que se desinteressa pela cultura

tal como a maioria dos portugueses, ufana-se de nunca ter ido à ópera nem ler livros ou jornais, espelhando exactamente o que vai na cabeça dos seus eleitores - e é bom lembrar que a votação em Cavaco é mais expressiva nos locais onde a instrução é mais básica ou inexistente, levando a crer que se o País fosse totalmente analfabeto Cavaco atingiria quase 100% dos votos, uma vez que espelha o País que temos - e que ainda vamos continuar a ter, no novo ciclo de menos do mesmo decidido em 23 de Janeiro do ano da graça de 2011

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2011-01-27

cortes salariais


o Prof. Luís Menezes Leitão, no blog "Albergue espanhol", publicou há dias e vem defendendo, um texto em que procura refutar as teses de constitucionalidade da medida governamental (das normas que a concretizam) que determina cortes nos salários de alguns funcionários públicos - e para o efeito, recorre a citação (de um extracto) do Manual do Prof. Marcelo, o verdadeiro iniciador das "conversas em família" de que temos uma réplica aos domingos ou quando dá jeito

é inquestionável a competência jurídica do Prof. Luís Menezes Leitão, da Faculdade de Direito de Lisboa, bem como a sua legitimidade para questionar e contrariar conclusões opostas de teses de outros ilustres Profs., da mesma ou de outras Universidades

mas é claro que, se o post revela os melhores sentimentos, escusado seria o apelo ao antes do 25 de Abril de 1974, além de não ser possível nem comparável e nada haver a glorificar em tão sanguinários tempos, mesmo se muito doutos como o citado professor que o muito respeitável blogger reivindica para avalista da tese expendida

e é também claro que todos nos sentimos aviltados pelo gravoso das medidas excepcionais que os tempos de crise obrigam a invocar

mas tem que se reconhecer algum realismo na necessidade premente de gastar menos do que o que se tem

é como em nossas casas - seja a culpa de quem for, quando já não temos mais dinheiro, não o podemos gastar

era assim com muitos de nós quando vivíamos com os nossos pais, era assim quando vivíamos sozinhos e é assim ainda hoje e desde que temos Família a nosso cargo

tal como tantas pessoas e famílias, gastando o que não tinham, acabaram por ter que pagar custosos juros, perder património ou até, infelizmente, desestruturar a própria ligação familiar, economia comum e projectos de vida em conjunto

isso mesmo pode acontecer a um País - tornar-se insolvente, perder património, desestruturar-se

no lar, quando a hora é de aperto, toca a rebate e há que dar as mãos em união, passar mal e fazer sacrifícios para salvaguardar o mais importante e um futuro condigno

no País, depois de muitos anos consecutivos de défice, crescente e até galopante, tem que haver um esforço de acalmia e tem que haver superavit, tem que haver anos de poupança, custe o que custar

a redução dos salários da função pública pode ser constitucional ou inconstitucional, depende das leis e das diferentes interpretações, muitas bem legítimas apesar de aparentemente contraditórias mas de certeza dispensando a invocação dos algozes, muito menos a sua glorificação serôdia - só por falta de honestidade intelectual ou pura má fé se deusifica o inefável seguidor do botas a propósito do que permite ou não a actual Constituição

é compreensível, merecidamente, toda a solidariedade para com os funcionários públicos afectados - os menos vulneráveis, só a partir de certo rendimento e de forma progressiva são atingidos pelos cortes

mas desde há vários anos que muitas empresas no sector privado tiveram que reduzir salários aos seus colaboradores e muitas dessas situações ainda hoje perduram (calhou a muitas famílias e vai continuar assim) e nem todas puderam respeitar o mesmo patamar de salvaguarda e conceitos de progressividade de rendimentos, e nem todas se ficaram pelos cortes aplicáveis à função pública, pois em muitos casos foram bem mais drásticos

já para não falar nas empresas que tiveram que fechar, pelos que os respectivos trabalhadores ficaram sem o respectivo posto de trabalho assegurado - prerrogativa de que só mesmo os funcionários públicos podem regozijar-se, nada havendo a opor, diga-se

mas teria ficado muito bem na fotografia, aos funcionários públicos, aos reivindicativos sindicalistas da função pública e a autorizados (ainda assim, apesar do apoio reclamado aos doutrinadores do antigo regime) professores, terem então manifestado solidariedade para com esses trabalhadores do sector privado que perderam parte dos seus salários ou mesmo o próprio posto de trabalho

ou, ao menos, como mínimo ético para iludir o cinismo que não disfarçam, fazer-lhes uma justa referência pelo antecedente sacrifício, sem voz nem garantias ou regalias de que só os funcionários públicos podem beneficiar - e sem pareceres de poderosos jurisconsultos ou bloggers bem intencionados


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2011-01-23

branco é...





a galinha eleitoral botou mais do mesmo e a democracia é isto mesmo: ovos postos, contados, fica tudo como está, então está bem assim e continua a valer a bela máxima: merecemos o que aceitamos!

mesmo que, nos tempos mais próximos, falte alguma paciência para os queixumes do costume, a cor da realidade obriga a cerrar fileiras, focar e, porque resta lutar e porque que é democrático, importa continuar a trabalhar

e fortemente

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ps - nestas eleições, muitos cidadãos, heroicamente, enfrentaram a resignação, o frio, a desinformação, a ocultação e o branqueamento, mais a incompetência da atribulação entre o cartão único (???) e o nº de eleitor, ampliando a propensão para a abstenção, infelizmente de sempre mas de modo acrescido em processos eleitorais de segundo mandato presidencial: há que os referenciar e reverenciar!

ps2 - como nota significativa à boca das primeiras projecções de reeleição do Presidente, o primeiro comentário de Rui Rio foi para comparar Cavaco a Salazar, com o orgulho e o embevecimento que muito caracteriza tão alto responsável do PPD/PSD!!

ps3 - comparando resultados, Alegre não beneficiou dos apoios partidários que cinicamente lhe foram prestados com renitência e por vergonha de nova humilhação do BE e do PS, que assim ficam outra vez mal na fotografia - desta vez não era só o rabo escondido, estava o gato inteiro de fora!!!

2011-01-20

voto eficiente


insidiosas correntes propagam oportunístico apelo a voto branco (a pretexto de que assim seria substituída a lista de candidatos) ou nulo por inscrição satírica (antigamente, ao menos, era "revolucionária"...) em protesto contra os "esqueletos no armário" (a propósito, há um interessante blog sobre o assunto no ditoso AZBlog) de vários ou de todos os concorrentes

ora, importa refutar o boato insistente na pessegada do voto em branco ou da sua criativa grafitização

trata-se apenas de reforçar as reais e assustadoras possibilidades de reeleger o candidato residente, procurando confundir os eleitores para facilitar a verdadeira batalha de um dos concorrentes: o grande objectivo do incumbente é decidir o escrutínio logo à primeira volta, pois de contrário o resultado será bem diferente - numa segunda volta, outro galo declamaria!

de facto, para a determinação dos resultados, a legislação eleitoral (quer para a AR, quer para o PR) equipara os votos brancos aos nulos: não valem – mesmo nada, o que aumenta as possibilidades dos ansiados 50% dos votos «expressos» na primeira volta

é que para efeito (a «causa eficiente», em Aristóteles) do apuramento dos votos, nas presidenciais, a Lei é muito simples e clara: ganha o mais votado, desde que tenha mais de metade dos votos validamente expressos

se não tiver mais de metade, vão os dois mais votados a novo sufrágio, quer dizer, à segunda volta!!

ou seja, o voto branco ou nulo é absolutamente ineficiente, tem um efeito zero no apuramento dos resultados - porém, o seu apelo é enganoso, porque favorece ainda mais o que já tem a natural vantagem de estar no lugar

isto quer dizer que, se numa segunda volta, todos os eleitores menos um votassem branco ou nulo, o eleitor que votasse válido num dos candidatos é que escolheria, sozinho, o novo Presidente - todos os seguidores do apelo ao voto branco ou nulo teriam sido eficientemente ludibriados!!

afinal, em vez de branquear ou grafitar o voto, quem não gosta de nenhum dos candidatos podia e devia apresentar-se como candidato, desde que tenha mais de 35 anos de idade

agora com este cardápio, a maneira de ser eficiente é, então, votar mesmo num dos candidatos

mas além de votar de forma eficiente, o que é um direito e um dever cívico, podemos também aspirar a um pouco mais e votar com satisfação, esperança e alegria

mesmo para propensos grafitadores, há maneira melhor de alegrar o voto

é o voto alegre!!!

;_)))



registo de interesses: o Ditos apoia Mafalda e Manuel Alegre a Belém

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2011-01-18

ditosa industriosa



















com vista para a indústria e vária passarada mecânica, a janeiral ditosa repousa de travessias cada vez mais caras...


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2011-01-17

bola


assuntos do dia, bem sabemos, são a alegre campanha das nossas presidenciais, o drama das cheias no Brasil e na Austrália, o macabro folhetim português em Times Squares, a revolução popular na Tunísia, um sem fim de tragédias mundo fora, nuns casos por causa dos homens, noutros seja pelo que for e de tudo ou quase tudo estamos bem servidos de informação, porventura para além do razoável e até do humanamente suportável...

e aqui entra a bola: apesar de tudo, há refúgios de sonho que nos permitem o intervalo e o fôlego para (re)encarar a difícil realidade, seja por via da arte, própria, alheia ou em conjugação, seja por via de outras sublimações, seja ainda e também pelo desporto, em profusão irracional de idolatrias e cores!

por cá, o início da segunda volta do campeonato nacional de futebol, digo, Liga (seguido de conveniente marca designativa e comercial) reencontra o FCPorto à frente e pujante, também aproveitando exemplarmente as benesses e ingenuidades alheias; o SLBenfica na peugada, apesar de vitória maculada por golo duplamente irregular e involuntário; e o SportingCP em desaire caseiro e institucional, à procura de rumo e novo presidente mas sobretudo de golos e vitórias

mas como bem cantava José Jorge Letria, o dragão, a águia e o leão, jogam sempre na primeira divisão!!

e, por falar nisso, o CFBelenenses pode bem ter começado a reviravolta milagrosa, de ânimo, poder de concretização e de lugar na respectiva classificação!!!



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2011-01-15

Janeiro Régio



Soneto quase inédito

Surge Janeiro frio e pardacento,

Descem da serra os lobos ao povoado;

Assentam-se os fantoches em São Bento

E o Decreto da fome é publicado.


Edita-se a novela do Orçamento;

Cresce a miséria ao povo amordaçado;

Mas os biltres do novo parlamento

Usufruem seis contos de ordenado.


E enquanto à fome o povo se estiola,

Certo santo pupilo de Loyola,

Mistura de judeu e de vilão,


Também faz o pequeno "sacrifício"

De trinta contos - só! - por seu ofício

Receber, a bem dele... e da nação.


JOSÉ RÉGIO Soneto escrito em 1969, no dia de uma reunião

de antigos alunos.



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2011-01-12

em português


bem nos entendemos, valente!


jametinhasdito, Mourinho, é uma atitude bem de português !!

mas reconheça-se, é caso especial, após reivindicação de estatuto de "special one" e atingido por mérito o de "number one", é obra de bem dirigir-se ao mundo em português, tanto mais que se trata de um profissional que se apressa a dominar a língua do País em que trabalha, o que aliás é também muito português!!!




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2011-01-10

vez primeira


oficialmente iniciada a campanha eleitoral das presidenciais em Portugal, há, sem dúvida, uma sensação generalizada de inevitabilidade de continuação do presidente em funções

com a consequente inércia... muitos eleitores poderão considerar que nem vale a pena participar, tudo está já decidido

e potencia-se tal statu quo também por haver alguma tendência para, por seguidismo ou egoísmo, votar no presumível vencedor, que assim aglutina duplamente vantagens circunstanciais mais do que por mérito próprio

acresce a divisão, algo forçada - um dia se compreenderá porquê - no lado esquerdo do espectro eleitoral

a estatística tem peso, é certo, mas foi um primor ouvir Alegre dizer: «alguma vez será a primeira»!

importa acreditar que é possível vencer a inércia, o voto carneiro e divisão sinistra!!

porque numa segunda volta seria outra, a história!!!

;_)))


registo de interesses: tal como no processo eleitoral de há 5 anos, o Ditos não fará campanha mas apoia a candidatura de Manuel Alegre

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2011-01-03

Nova Partida


a 8 anos da celebração do V centenário da primeira circum-navegação, o empresário e velejador António Quina (sim, familiar dos medalhados olímpicos, Mário e José Quina) partiu hoje em viagem de preparação de uma nova e comemorativa volta ao Mundo por mares dantes navegados por lusas gentes, honrando a ciência e o labor do projecto pioneiro de Fernão de Magalhães !

é um jametinhasdito contra a inércia e contra o esquecimento, pela via factual, por mão própria e pondo os pés ao caminho, para o fazer, neste caso calculando azimutes, arregaçando as mangas e içando as velas!!

bons ventos ajudem a intrépida tripulação e quem a apoiar, até ao porto de ... partida e uma vez cumprido com êxito o périplo Atlântico hoje iniciado em Oeiras!!!

[...]
E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português. [...]

in Mensagem, Fernando Pessoa, o mesmo poema em que o rosto da Europa fita o Ocidente e o futuro ;_)))



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2010-12-25

ditosas em terra



















de peito feito ao vento agreste mas em tempo de cerrar fileiras, em reflexão, em redobrada atenção

e onde estão as ditosas?




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Natal.F




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Natal.E

























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Natal.D



Igreja de Santo Estêvão

Na igreja de Santo Estêvão
Junto ao cruzeiro do adro
Houve em tempos guitarradas
Não há pincéis que descrevam
Aquele soberbo quadro
Dessas noites bem passadas

Mal que batiam trindades
Reunia a fadistagem
No adro da santa igreja
Fadistas, quantas saudades
Da velha camaradagem
Que já não há quem a veja

Santo Estêvão, padroeiro
Desse recanto de Alfama
Faz um milagre sagrado
Que voltem ao teu cruzeiro
Esses fadistas de fama
Que sabem cantar o fado


Fernando Maurício




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Natal.C


O sol é grande, caem co’a calma as aves

do tempo em tal sazão, que soe ser fria;

esta água que d’alto cai acordar-me-ia

do sono não, mas de cuidados graves.


Ó cousas, todas vãs, todas mudaves,

Qual é tal coração qu’em vós confia?

Passam os tempos, vai dia trás dia,

Incertos muito mais que ao vento as naves.


Eu vira já aqui sombras, vira flores,

vi tantas águas, vi tanta verdura,

as aves todas cantavam d’amores.


Tudo isso é seco e mudo; e de mestura,

também mudando-me eu fiz doutras cores:

e tudo o mais renova, isto é sem cura!


Sá de Miranda





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Natal.B




















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Natal.A





















um encantador Pai Natal preencheu ontem o ecrã da secção de análise de imprensa do telejornal matinal da SIC

na realidade, trata-se do delegado para um grande centro comercial do verdadeiro Pai Natal, esse em verdadeiro serviço no seu verdadeiro local de trabalho


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2010-12-15

Acontece!


aconteceu...


seguia-se-lhe os passos, numa agenda roda viva, dava-se a volta ao mundo, especialmente ao mundo onde em português nos entendemos, numa alegria movida a estímulo, a magia, a boa disposição, a lucidez de análise e rigor na crítica, a pronta intervenção, a firme e competente moderação, a sensível fotografia que ensinava a olhar, a humanismo, a cultura!!


;_)))


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ps - viva a Câmara Clara!!!

2010-12-14

Ditânic


primo, na sequência de amável lembrança de ditoso leitor, a Ditosa de Dezembro é titânica!



secondo, o dito Titanic está a ser aceleradamente corroído por uma nova (?) bactéria papa-ferro, o que pode ser uma bela notícia para constituição de um formidável exército submarino capaz de reciclar os milhões de toneladas de salvados que jazem no fundo do mar, de entre submarinos distraídos, navios por-mais-que-inafundáveis surpreendidos e plataformas petrolíferas reformadas ou mal pagas, salvo seja...

pior é se a dita bactéria também pequenalmoça barcos vivos e outras estruturas que não convém afundar, ou mesmo se por distracção de algum cientista ou insídia de algum mau artista da guerra bacteriológica, acaba por se instalar em terra mais ou menos firme e começa a devorar inoxidáveis fundações da nossa engenhosa civilização!!

terzo, já que as bactérias são inevitáveis, habitando o nosso mundo desde os primórdios (nem sabemos ao certo se não terá sido uma bactéria, com o seu grupinho ladino, a corroer a estrela solar e dela fazer descolar os restos orbitais mais ou menos arrefecidos a que chamamos planetas e meteoros) e até o nosso corpo, aliás aos milhões e por vezes com grave inconveniente, como as que nos habitam as gengivas e corroem os dentes se não escovamos bem umas e outros, também podiam habitar outros mundos, morar em Titã, só por exemplo e para ligar umas às outras, para termos a certeza de que pode haver vida em sítios ainda mais insuportáveis que o belo mas mal tratado planeta azul

e assim parecia, aos amigos da NASA e companhia, que jametinhamdito haver umas bactérias nutridas a arsénio sem lhes acontecer o que sucedeu ao Napoleão (teoria, aliás, também controversa), o que alteraria o paradigma do DNA comum a tantos outros seres... e alimentaria a aventura de pesquisa de formas de vida extra-terrestre, universo fora carregadinho de lugares inabitáveis

mas afinal não será bem assim, embora possa continuar em aberto a variedade de hipótese de diferentes formas vida, ainda mais estranha que as nossas, nos confins do universo, pois ao que se apurou, afinal as ditas bactérias arsenívoras andavam à socapa a ingerir fósforo, banalíssimo ingrediente da dieta do DNA de qualquer eucarionte, humanos incluídos!!!

;_)))







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2010-12-13

Pai-Natal


o Natal, já se sabe, é quando queira um Homem de agá grande

mas nem sempre queremos ver onde o vazio enche de fome tantos quantos minguam sem ter nem haver

se ao menos o renascer do Menino nos abrir o coração para os ver, os olhos para os conhecer e as mãos para lhes tocar, Seremos por Ventura, seus irmãos

na era da especulação e da espectacularidade, nem tudo é consumo e entretenimento, é bom que haja pensamentos elevados, ideias com sentido, espírito crítico, acção realizadora e impulso de mudança

em 1964, a revista "Notícia", de Angola, seleccionou poucos versos natalícios de entre grande quantidade de produção alusiva à época - o que se diria hoje em que só em Portugal se publicam 44 livros por dia, a maior parte dos quais vende apenas escassos exemplares no próprio acto do lançamento, além da extraordinária profusão de edições on line, mais ou menos avulsas e porventura ainda mais efémeras - e respigou um poema publicado em "O Namibe", um verdadeiro jametinhasdito de alerta que se mantém actual e que aqui fica com o devido agradecimento à amabilidade e dinamismo de divulgação cultural da Dra. Ivone Vilares e à preservação da memória e espírito de partilha da escritora Maria de Lourdes Antunes

PAI NATAL

Pai-Natal,

Gorducho como és,

Com esse ventre obeso,

Como podes passar nas chaminés

Sem ficar preso?


E como podes inda sem perigo,

Com essas botas grossas, quando avanças,

Não perturbar o sono das crianças

Que adormeceram a sonhar contigo ?!


Como podes passar,

Com essas barbas grandes e nevadas,

Sem medo de assustar

Crianças que se encontrem acordadas ?


Eu sei, eu digo-te a razão,

Embora se me parta o coração !


É porque tu, risonho Pai-Natal,

Só entras em palácios de cristal,

Por chaminés de mármores e jade,

Onde o rotundo ventre

Passe, deslize e entre

Libérrimo, em perfeito à vontade !


Como podem as botas vigorosas

Rangerem um momento

Se alcatifas caras, preciosas,

Se espreguiçam por todo o pavimento!


Nem podes assustar

Crianças que se encontrem acordadas

Porque tens o cuidado de tirar

Essas revoltas barbas tão nevadas !


E assim é,

Risonho Pai-Natal de riso e gestos ledos,

Vais aos palácios ricos por teu pé,

Vasar o grande saco de brinquedos !


Antes fosses, risonho Pai-Natal,

Na noite friorenta, de portal em portal,

De tormenta em tormenta!

E descesses aos lares pobrezinhos,

Onde há doridas mães talvez chorando

Ao seio acalentando

Os pálidos filhinhos !

Ou fosses campo em fora em longas caminhadas,

A descobrir crianças sem abrigo,

Adormecidas nuas e geladas

E inda a sonhar contigo!


Mas não são esses, não, os teus caminhos,

Tu que vestes veludos e arminhos !


Quando Jesus nasceu,

No rigoroso frio do Inverno,

Nu e natural,

Sem outra bênção que o olhar materno,

Sem mais calor que um bafo irracional,

Onde é que estavas tu, Oh ! Pai-Natal ?!

Por onde andavas tu, Oh ! Pai-Natal ?!


Sei bem onde é que estavas !

Sei bem por onde andavas !


Andavas entre risos e folguedos,

Já com as barbas brancas e os bigodes,

A despejar o saco de brinquedos

_Na chaminé de Herodes!...


Angelino da Silva Jardim

Publicado em “O Namibe” e na revista “Notícia”, em Angola, 1964


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2010-12-10

unhas & dentes



_ ó tio, então deixou de roer as unhas?


_ deixei? jametinhasdito! com a dentadura postiça não se consegue roer as unhas!!

;_)))




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2010-12-02

FIFA 2018


pressa não há!



















mas até ver, aindanãometinhamdito nadica de nadicas!!

boa sorte, futebol, porque há vida para além dos meandros de tanta negociação!!!

^;_)))







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2010-11-29

Novembral






















nas alturas, pois então !

mas onde está a Ditosa?

;_)))



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2010-11-25

pela trela


no teatro paralamentar, bem sabemos, onde prevalece a comédia, também há lugar para o drama, o melodrama e a treladrama!

para o comunista Honório Novo, os deputados do PS e os membros do Governo estão condicionados por um acordo de estabilidade institucional entre os dois partidos com maior representação parlamentar, mas custa-lhe muito e grita-o lancinantemente

a propósito da aprovação do Orçamento do Estado para 2011, vendo chumbada uma proposta do PCP com a votação contrária do CDS/PP e do PS, mais a abestenção (o "e" a mais é de propósito!) do PSD, que se abstém de tudo e de todos a tentar escapar por entre a chuva na gusma de ganhar as próximas eleições, táctica apelativa mas não garantida, Honório Novo jametinhadito que PS e Governo andam pela trela do PSD!!!

pela trela? por gesto menos grosseiro demitiu-se um Ministro, quando Manuel Pinho, respondeu com uma marradinha à provocação de outro deputado do PCP...

a julgar pelo que lá se chamam uns aos outros, eis a Assembleia da República a que temos direito


;(((


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2010-11-20

carinho


o carinho, bem se sabe, é o melhor sentimento do mundo, um afago de alma, a expressão afectuosa da pureza e do altruísmo

ai...

José Mourinho fez-se intitular "embaixador" da candidatura à realização em Portugal da Ryder Cup, salvo erro, um importante campeonato de golfe, modalidade muito conhecida pela elegância dos seus praticantes e da sua prática, regra geral envolvendo somas astronómicas de dinheiro, tudo contado, é claro, entre a palamenta ostentada pelos desportistas, a primorosa organização das provas, a magnitude promocional e publicitária, os negócios "ventilados" durante as competições e treinos, ou o esforço de instalações apropriadas, não raro de rara beleza arquitectónica e paisagística, geralmente em harmonia com a envolvente de imponentes projectos imobiliários, hoteleiros, comerciais, etc

diga-se que o golfe tem uma característica relevante, pois é dos poucos desportos que se podem praticar quase durante a vida inteira

o gesto do conhecido treinador de futebol, já firmado no estatuto de embaixador de Portugal, é susceptível de fomentar a notoriedade da iniciativa golfista a realizar na Comporta, a sul do Sado

a justificação, legitimadora da tacada do técnico da bola no mundo do golfe, é fundada no ... carinho à Comporta!

carinho?

jametinha$dito, ó Jos€ Mourinho!!

;_)))

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2010-11-16

livre?




















ninguém é livre! _ jametinhadito Aung San Suu Kyi, após o fim do cativeiro em que a mantiveram os responsáveis pelo regime militar da Birmânia

carinha laroca aos 65 anos, a Nobel da Paz de ... uf, onde já vai 1991, recusa um estatuto que seria normal para o nosso quadro mental mas muito especial sob ditadura, onde a liberdade de todos e de cada um não é mais que uma quimera

também Cuba tem vindo a libertar prisioneiros, há mesmo uma programação decorrente de um antigo acordo, com a Igreja Católica, pelo qual muitos (39) presos saíram do País - dos 13 que não aceitaram a liberdade do exílio, foi agora solto Arnaldo Ramos Lauzurique, a quem aos 68 anos foi permitido permanecer na ilha de nome alentejano, e que se apressou a declarar alto e bom som que vai continuar a fazer oposição à ditadura militar dos irmãos Castro

nos dois casos, ao reclamar por democracia na primeira oportunidade de expressão pública, com espírito destemido, revelam ainda guardar a capacidade de ver claro, de sentir claro e de falar claro, sem o cinismo a que muitos políticos e outros responsáveis recorrem demasiadas vezes, para mal de todos, pintando o mundo a falsas cores, iludindo os eleitores e forçando os cidadãos de países inteiros ou de grande parte do mundo a viver sob a pior forma de censura: a auto-censura que provém do medo, do constrangimento mental e de condicionamentos culturais agrilhoadores!!

que exemplos!!!

;_)))



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2010-11-11

à vela

foram agorinha mesmo publicados os resultados das eleições intercalares para os órgãos estatutários da Federação Portuguesa de Vela, de que o Ditos dá conta com excepcionalíssima actualidade - à hora deste web log, a notícia ainda não consta de nenhum órgão de informação...

parece estranha a forma de divulgação dos resultados eleitorais na página da FPV:

«Resultados das Eleições Intercalares realizadas ontem, 10 de Novembro, nas cinco regiões do país.

Assembleia Geral - 42; 5 brancos; 2 nulos
Presidente - 41; 5 brancos; 2 nulos
Conselho de Justiça - 41; 5 brancos; 2 nulos
Conselho Fiscal - 41; 6 brancos; 2 nulos
Conselho de Arbitragem - 41; 6 brancos; 2 nulos
Conselho de Disciplina - 41; 6 brancos; 2 nulos»

quem foi então eleito? jametinhasdito!

alguma descodificação poderá revelar que era uma lista única (mas qual?) e que por isso teve uma inevitável vitória, aliás expressiva... para os votos... expressos!!

seria sinal de calmaria? a calmaria seria bom sinal?

ná!

nesta magnífica modalidade, calmaria e tempestade podem deixar tudo à deriva, é preciso reunir boas condições de vento para navegações seguras, prazenteiras e que nos levem a algum lado, de preferência para e por onde queremos ir

mas vão turbolentos os ventos da Vela, na meteorologia institucional e federativa - a FPV perdeu o estatuto de utilidade pública desportiva, por falta de adaptação dos respectivos estatutos à lei, sobretudo porque a legislação reforça regras de democraticidade que muitas federações não cumprem e é também o caso do futebol, que no entanto e por agora não é para aqui chamado

arribemos ao tema: as eleições intercalares em questão foram marcadas para ontem após a marcação de eleições, para 20 de Novembro, pela nóvel Federação de Vela de Portugal, em processo de constituição - prova de que há ventos agitados na Vela em Portugal - enquanto contestação "excêntrica", isto é, de fora, sendo certo que não deverão existir duas federações nacionais da mesma modalidade, tanto mais que as verbas (? sempre as verbas!) de apoios estão a ser geridas pelo Comité Olímpico Português, por determinação governamental

oxalá os ventos permitam à Vela portuguesa, de tradição e condições extraordinárias, rumar ao bom porto das excelentes navegações, de democratização de um dos poucos desportos que se podem praticar quase sem limite de idade, em contacto harmonioso com a natureza

o azimute só pode ser a dignificação da modalidade!!!

;_)))

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2010-11-09

Páscoa alta


chumbos na pauta! ...

é um jametinhasdito antigo mas convém não descurar do que avisa a sabedoria popular!!

com efeito, no ano lectivo em curso, a interrupção de Páscoa surge já nos idos bem idos de Abril - o domingo de Páscoa em 2011 é a 24 de Abril - pelo que se prolonga o 2º período e encurta o 3º e último, não raro destinado a prementes recuperações...

só que, para quem deixar tudo para a última, há escassas hipóteses de grandes recuperações, abeirando-se então da verdade popular que, perante a Páscoa alta, bem avisa amigamente a malta!!

;_)))


ps - as interrupções lectivas seguem muito de perto o calendário religioso católico, o que sempre é curioso num Estado laico

ps2 - para amenizar a estranheza, já que a lei separa o Estado das igrejas, diga-se que o Natal (relacionado com o solstício de Inverno, pelo menos antes de certa marca de refrigerante imperial, não confundir com a verdadeira imperial, ter dado cor e frenesim ao consumismo natalício - ou a poesia lhe ter oferecido o ano inteiro) ocorre numa época em que desde tempos ancestrais se festeja o advento de um novo tempo, do renascer da luz, cujos festejos civis e pagãos foram simbólica e espiritualmente aproveitados por vários poderes, incluindo algumas Igrejas, o mesmo sucedendo com a Páscoa, cuja data é determinada em função da ocorrência da fase lunar mais espectacular, a Lua Cheia, após o equinócio da Primavera no hemisfério Norte, e por isso também momento festivo de tradição popular e especial significado telúrico, independentemente da sua apropriação religiosa

ps3 - as Páscoas em 2011 culminam então no Domingo 24 de Abril, pelo que a Segunda-feira seguinte, onde não seja também dia feriado, será então uma verdadeira ponte: a ponte 25 de Abril, eh eh ...


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