sobre leituras, vai um respigado de uma entrevista, publicada a 13 de Junho de 2009 no jornal "i", ao padre José Rafael Espírito Santo, o líder do Opus Dei em Portugal, realizada por um seu ex-aluno:
[perguntado se leu Saramago]
«Saramago? francamente, eu uma vez comecei a ler um livro de Saramago e desisti à segunda página.
Qual?
"O Memorial do Convento". Ali há uma intenção desde a primeira página de transmitir determinados conceitos. Vê-se como é uma distorção da realidade.»
digamos que se algo pode distorcer a realidade é julgar um livro ao chegar à segunda página – eventualmente e para quem esteja de bom coração, a terceira página poderá proporcionar novos modos de ver!
certamente a leitura completa de um livro permitirá, além da indispensável visão de conjunto, conhecer melhor os conceitos transmitidos, o que eles representam e quanto deles se apresenta simbolicamente
precisamente para suscitar uma visita às linhas e entrelinhas que só amplia o poder benéfico da reflexão, em confronto pleno com as experiências (de vida e de leituras outras) do leitor
ainda quanto à leitura, a entrevista prossegue:
«Desencorajam a leitura de livros que ponham em causa a fé católica?
Qualquer pessoa que lê um livro convém que antes se informe. Procura-se aconselhar as pessoas que se informem e vejam se precisam de ler um livro que possa pôr em causa as suas convicções. A fé não é uma questão de inteligência. Há pessoas muito inteligentes que não têm fé e outras menos que têm.»
informar-se antes de ler?
jametinhasdito!
de facto a leitura é transformadora, dá a conhecer e faz reflectir, numa simbiose entre o que nos é mostrado pelo que está escrito e aquilo que a nossa reflexão íntima nos revela
estamos e não estamos sós na leitura, há uma orientação mas relevante é o papel destinado ao leitor
daí o perigo da leitura, para quem concebe o mundo sem a luz da livre revelação interior de cada um
então haverá uma entidade ou uns senhores, que sabem e dizem aos outros o que devem ler e o que devem não ler
como saber a quem e por quem é conferida semelhante autoridade?
e se a autoridade lhes advém de lerem livros só até à segunda página, o caso está muito enquinado, faltam a fé e a inteligência mas também a humildade, essenciais para uma aprendizagem mútua, construtiva e libertadora
como a que nos oferecem leituras múltiplas, diversificadas e abertas ao surpreendente
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ps – instrutiva também é a leitura completa da entrevista, designadamente no que se refere ao excelente papel de parideira e dona de casa subidamente reservado às mulheres naquela obediência, coisa assim abaixo do medieval






