2009-04-26

25 de Abril, a 35 anos de luz

privilégio do Ditos, transcreve-se artigo de um participante dos revolucionários acontecimentos de 25 de Abril de 1974 que mantém um olhar atento e, com espírito de partilha, análise crítica e esperança, exprime o sentido das suas vivências e autorizadas observações


25 de Abril: Como se viveu e como se vive hoje

Por Fernando Cardoso de Sousa
Tenente-coronel reformado
Professor universitário

Para quem, como eu, viveu os momentos únicos do dia 25 de Abril de 1974, resulta gratificante reter imagens como a da transformação de um golpe militar numa revolução popular, com o entusiasmo com que toda Lisboa veio à rua saudar os militares, agitando cravos, vindos não se sabe donde, e celebrar uma festa da paz que inspirou todo o mundo.
Para quem viu o fim da guerra de África, da PIDE e dos seus informadores; do sistema de partido único e do medo de falar abertamente; da discriminação sobre a mulher e sobre os mais desfavorecidos; da impossibilidade de acesso à educação, à justiça, à saúde, pela maior parte dos portugueses; da vergonha de ser português em terra estrangeira… Para todos os que viram tantas outras transformações que, num ápice, mudaram por completo a face do país, esse (o do 25 de Abril) foi o tempo da descoberta, da entrega e da solidariedade.
Para quem, como os que nasceram depois dessa data, não faz ideia do que foi o 25 de Abril, nem o antes dessa data, nem o que significa não poder ser diferente; e que só sabe que não consegue emprego e que não tem um futuro assegurado; que assiste à deterioração da vida política e à corrupção das elites; que vê acentuar-se o primado do dinheiro, do consumismo, do fosso entre ricos e pobres e o aumento da pobreza, do desemprego, da toxicodependência e da violência... Para esses, o que é isso do 25 de Abril e da liberdade? Qual o valor da livre expressão se tantas vezes se vê dizer e fazer coisas erradas, com total impunidade?
É aqui que nós perguntamos qual a importância dos jovens não conhecerem os nomes das figuras principais do Estado Novo, ou da Revolução; não perceberem o interesse das comemorações que se insiste em fazer todos os anos; não quererem ouvir mais falar do Tarrafal, dos horrores da guerra, ou do valor da liberdade. Nós, diga-se em abono da verdade, não sabemos o que responder; não sabemos utilizar o 25 de Abril para explicar o presente e projectar o futuro. Não sabemos explicar a quem tem tudo o que é não ter nada?
E, talvez, tenha sido esse o grande mal dos que viveram o 25 de Abril: não terem cuidado de dar aos mais novos as dificuldades e a companhia de que necessitavam para poderem saber o valor de uma liberdade que se educa e se conquista, em vez do vazio de uma liberdade indiferente e irresponsável.
Não nos vão agradecer termos-lhes dado coisas demais e companhia de menos, pois estávamos demasiado ocupados a aproveitar a liberdade que tínhamos conquistado.
Só depois, quando também eles tiverem de lutar para conquistar a liberdade; só nessa altura se lembrarão de nós e festejarão então o 25 de Abril.
Poderão fazê-lo sozinhos, ou talvez ainda possamos fazer, com eles, uma democracia melhor do que a que conquistámos.


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2009-04-24

Abril, a 24

registo de interesses: Ferreira Fernandes é referencial para o Ditos, que se fosse um blog decente, em saber, qualidade expressiva e assiduidade, poderia quando muito aspirar a chegar quase ao calcanhar da última coluna do Diário de Notícias

há várias publicações, quase em toda a imprensa diária e semanal, que têm uma secção de "ditos", sob várias formas que mais dia menos dia serão aqui dissecadas, salvo seja - é desafio sentido

mas de todas cabe a primazia à mestria da crónica diária de Ferreira Fernandes, para além de outras qualidades jornalísticas já sobejamente demonstradas em carreira consistente, merecidamente reconhecida e com direito próprio ao patamar cimeiro de bem escrever e reportar

hoje (23/4) pega o boi pelos "ditos" e arrasa a mangonhice salazarenta que em Santa Comba Dão tenta trocar as voltas ao calendário da democracia e anuncia a inauguração dos arranjos no largo do ditador no dia em que Portugal celebra 35 anos da madrugada inteira e limpa

sim, o dia nascente derrubador do fascismo odiento, criminoso e miserável que arruinou vidas inocentes durante décadas, muito para além dos 48 anos a cultivar a tortura, o analfabetismo, a discriminação injusta, contra todas as diferenças e em especial contra as mulheres, a censura, a ignomínia, a fraude, a perseguição, a censura, o medo, o isolamento internacional do país, a humilhação dos portugueses mundo fora e portas dentro, a perpetuação da exploração dos mais fracos pelos mais fortes sempre sempre os mesmos, a mentira, a denúncia, a propagação das doenças e da mortalidade precoce, a subserviência, a clandestinidade, o êxodo emigratório, a estupidez, o enfado, a lavagem cerebral e a maldade

como Ferreira Fernandes exemplar e irrefutavelmente denuncia, os corregedores responsáveis pelo agendamento da cerimónia não se atrevem a declarar à transparência o que assim pretendem afrontar ou a clarificar que se arrogam celebrar o 24 de Abril no dia da Liberdade

lá ficam de ronha bolorenta e, à maneira dos chacais do botas, jametinhamdito que é para aproveitar o dia de festa nacional, esquecendo que o precioso Feriado foi conquistado à custa de muitas vidas sacrificadas pelo sanguinário tirano e para quem consente voltar ao passado é melhor lembrar que a morte saiu à rua num dia assim

esperemos que o batizo do largo e o seu criterioso cronograma inaugural não magoe a memória de quem perdeu os seus na luta por um País mais livre, mais justo e mais fraterno, que a democracia representa, a Constituição consagra e o 25 de Abril sempre simboliza



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2009-04-22

escolaridade

e eis que é finalmente anunciada a decisão: 12 anos de escolaridade obrigatória, em Portugal, país onde a luta contra o analfabetismo demorou séculos a travar

agora os arautos da desgraça poderão dizer que também tiveram a idéia, outros dirão que o país não está preparado, outros que iriam anunciar em breve, etc., mas foi Sócrates quem anunciou, essa não lhe tiram

medida estruturante do nível de vida a que aspiramos, só a elevação da escolaridade pode preparar os portugueses para superar o sacrifício de inúmeras gerações inteiras, que penaram para estudar e lutaram contra o desinteresse e a má vontade

e se de facto se conseguir abranger a totalidade da população, a escolaridade obrigatória até à porta da Universidade pode ajudar muito no desafio de minorar diferenças sociais no acesso ao ensino superior ou mesmo a tentar a dar a volta ao texto na luta contra a perpetuação do estigma da condição social, que hoje só muito raramente se vence e nem pode imaginar-se a que preço

um jametinhasdito de ouro para os 12 anos de escolaridade obrigatória!!!




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2009-04-21

outro

jametinhasdito da vacina semanal: ena, com tanta injecção qualquer dia sou outro por dentro, fica lá tudo alterado!!!



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2009-04-16

em cartaz











"mas que placares são estes da MFLeite?"

jámetinhasdito!

mas se é verdade que em campanha eleitoral valem todas as armas, é talvez questão de se procurar o enquadramento certo!!

na verdade, também na política se aspira à mais nua das verdades!!!




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2009-04-15

Abrilosa



















um nadinha cusca, a Ditosa de Abril, que desta vez encontrou mais do que foi encontrada!...
a propósito, onde está a gaivota?
vá, esta é das fáceis!!
e mesmo quem não pode concorrer tem direito a prémio!!!


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2009-04-10

tribuno

notícia em quanto é sítio: Nuno Melo candidato do CDS/PP às europeias!

de entre os panegíricos do costume, sobressai o laudatório Público, considerando que o nóvel tribuno fala bem e estuda os assuntos, recentemente carraçando eficientemente em cima da comissão parlamentar que alegadamente investiga os negócios do BPN, rematando a chave de ouro - com a viagem de Nuno Melo, ganha a Europa, perde o Parlamento Português

pois o Ditos, tão dispersamente vário, também se comove e propõe-se mesmo vencer o pseudo-trauma de partidarite, na variante particular e grave de anti-partidarite, e encomenda muito feliz estadia europeia ao dito cujo papagaio parlamentar, que vá e se detenha, que por lá os entretenha, nós por cá ficaremos felizes e contentes com menos uma aventesma de verbo de encher todo e qualquer telejornal que faz dó

vá de ida, vá de ida promovida !!!




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2009-04-09

Veneza

«O comboio tinha atravessado a estação de Mestre, atravessara, diante de S. Julião e de Fusina, a campina luminosa e húmida - e enfiava agora, num silvo estridente, pela grande ponte de Marghera. dum lado e do outro, a laguna e o céu confundiam-se no mesmo revérbero rosa e verde dum poente de Julho. Um colar de luzes tremulava, ao fundo. E desse colar de oiri uma sombra de mármore e opala emergia, ondulante, quase suspensa, como uma incomparável flor branca mergulhando no mistério da água a sua ténue haste de fogo.
Sofia correu dum lado ao outro do compartimento e, estendendo fora da janela a cabela loira, gritou, batendo as mãos, numa expressão quase infantil de alegria:
_ Veneza! É Veneza!...
E era, na verdade, na sua concha luminosa, o crepúsculo de Veneza que surgia.»

in VENEZA (figura invisível e «Ville d'inquietude» - Maurice Barrés) uma das três novelas de "O Amor e o Tempo", de Augusto de Castro, 2ª edição, 1955, edição da Empresa Nacional de Publicidade - o Autor dedica a Beltran Masses, o grande pintor de Veneza nascido em Espanha, esta inspiração, voluptuosa da Cidade dos olhos irresistíveis.

PS - nesta obra, para início de conversa:

«O Amor e o Tempo encontraram-se, num doirado dia, quando a Primavera eterna floria as olaias e os prados, numa estrada erma, à beira de um vale em que cantavam as fontes e os ninhos.
e o Tempo disse ao Amor:
_Amor, porque me foges sempre, como a sombra foge da luz? desde que o mundo é mundo, eu te procuro e te sigo e só te encontro para te ver fugir-me, só te alcanço para te perder! Amor, dir-se-ia que tens medo de mim!
E o Amor disse ao Tempo:
_ Tempo, porque me persegues, destruindo atrás de mim todas as flores que eu colho e todas as ilusões que eu semeio? Porque és a minha sombra e, fingindo seguir-me, o meu algoz? És tu quem apaga os desejos que eu crio, és tu quem sufoca a Beleza que eu sonho! Tempo, eu seria imortal sem ti. És tu quem gera as dores sobre o meu caminho. Por isso te fujo, desde que o mundo é mundo!
E o Tempo respondeu ao Amor:
_ Se eu destruo as flores que tu colhes e as ilusões que tu, Amor, semeias, o que seria dos homens se eu não seguisse na vida os teus passos ligeiros e ardentes? Se eu apago os desejos que tu espalhas, também cicatrizo as dores que tu crias!
_ Que importa isso, Tempo? Os homens bem sabem que o meu verdadeiro nome é dor e nem por isso me amam menos _ retorquiu o Amor.
_ É certo que se te chamas a Dor, eu sou o teu melhor aliado _ replicou o Tempo. se não fosse eu, quem ensinaria os homens que amam e sofrem a esquecer?»



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2009-03-30

igrejas

na Costa de Caparica:

_«por favor, onde é a igreja?»

_ «qual delas? tem tantas...»

pois, jametinhasdito!

o sotaque brasileiro da resposta acima abriu a consciência ao perguntante: o advento de comunidades imigrantes trouxe também a correspectiva multiplicidade de cultos!!

hoje a questão da diversidade de igrejas por todo o território transformou o panorama e ao olhar em redor há uma autêntica pulverização de credos e templos, já não é só o fenómeno IURD, o corropio nas imediações da Mesquita, a circulação de pares de helderes, as visitas insistentes das testemunhas de Jeová e as discretas práticas do judaísmo que faziam o essencial do pluralismo em Lisboa ou noutras, poucas, cidades

multiplicam-se por toda a parte os mais diversos cultos e as comunidades brasileira e do leste europeu levam a dianteira, a par com uma apetência crescente por várias espiritualidades, sobretudo de inspiração oriental

ao todo, há uma presença de muitas igrejas e ainda assim, por vezes não estamos despertos ou é-nos invisível o que não queremos ver

mas haja fé ...

e há !!!



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2009-03-24

arisco

ainda mal é Primavera e já aí há decotes a pensar no Verão!

a pensar? jametinhasdito!!

é acção, mesmo!!!

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2009-03-21

Marceira

























também a Ditosa de Março ajuda a procurar casa...




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2009-03-15

comunhão

um jametinhasditos captado entre secções de mini-mercado:

«_ Ó Mãe, o que é que acontece se não fizermos a primeira comunhão?»

assim é!

crescemos assim, sujeitos, quiça submetidos, a um contexto que impõe e pressupõe a penalização

preferível seria talvez conviver com um ambiente de construção afirmativa, na consciência de fazer o que consideramos importante fazer, pela positiva, porque achamos bem, porque asssim o queremos...

mas ouçamos a resposta para relembrar como se perpetua a Inquisição:

«_Já viste o que as pessoas haviam de pensar?»



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2009-03-03

concentração

em época eleitoral, é preciso concentrar!

e nada de desperdiçar munições, é disparar trunfos a preceito para alcançar as melhores condições para a própria banda, brasa à sua sardinha, saltos para a piscina, tudo vale para chegar à meta em primeiro

mesmo que seja o árbitro, o suposto isento, a escolher cartas das que tem guardadas na manga?

ora vejam bem, o Governo propõe-se legislar de acordo com a Constituição da República? e logo tal como está no Programa de Governo que apresentou? ainda por cima para obrigar a transaparência de quem tem a propriedade e a gestão dos meios de comunicação social, para evitar a sua excessiva concentração e a sua captura por momentâneos titulares dos cargos de poder, incluindo Estado e Regiões Autónomas?

pois então veto, diz Cavaco!!

vai dar um jeitão para favorecer um dos lados, adivinhemos qual...

desta nem Berlusconi se lembraria e os balsemões enviarão agradecidas flores ao inquilino do Palácio de Belém!!!

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PS - as flores dos magnatas acrescerão às flores da Pérola do Alberto João, agora percebe-se melhor o porquê da retribuição de Cavaco aos votos da Madeira que lhe deram a cadeira ... é que não foi lá para ver o povo pois nem teve autorização nem ensejo para assumar à porta da Assembleia Legislativa Regional, afinal o órgão regional representativo do voto popular



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2009-03-01

continuação!

é despedida à moda do Porto, cumprimento abrangente, contido e económico mas, jametinhamdito!!...talvez mesmo um sensaborão economicismo tripeiro!!!

de despedidas temos sortido farto: além do bom dia, boa tarde e boa noite da ordem, há até já, até à vista, até breve, adeus, vá, xau (de ciao; e retornadologismo, como bué = muito, coche = um pequeno pedaço, cena = objecto, ...), bye, ou bye bye, até mais (português do Brasil), venga (castelhano mas também portunhol raiano), até, inté, té, até à próxima (muitas vezes complementado com o tradicional "se não for antes"), até daqui a (um) bocadinho, até depois, depois falamos, vemo-nos depois, amanhã continuamos, até amanhã e até para a semana - mesmo que nada esteja aprazado para amanhã nem para a semana pois a recorrente preposição limitativa ou concomitante serve a tudo, sozinha ou acompanhada, non sense, humor e ironia inclusive, como no 'até ao meu regresso' atirado por quem fica ou ainda em casos de prazo indefinido ou indefinível, como no terrível e temível 'até sempre', quantas vezes ditado em situações sem reencontro previsível ou mesmo de irreversível ou póstuma despedida

mas frequentemente acalentamos o ocaso como alguma forma de personalização, mais ou menos estereotipada: salve, as melhoras, depois dê (ou dou) notícias, diga alguma coisa, apareça mais vezes, volte sempre, a casa é sua, já sabe o caminho, venha quando quiser, estamos por cá, bata ao ferrolho, gostei de o ver, muito gosto, vamos falando, manda postais, mais logo tens mail, a ver se telefonas, me liga, viu?, entre outras expressões habituais e para não entrar em regionalismos curiosos, ora estranhos, ora saborosos... - tem avondo, eh eh ...

já se o interlocutor é próximo, como se foi intenso ou significativo o momento que antecedeu a despedida, cai bem acrescentar a formulação de um voto: saúde, o melhor êxito, muitos sucessos - e por aí adiante...

mas também para homenagear os sucessos anteriores ou a autoestima do interlocutor, é caso de desejar continuação dos êxitos, sucessos e prosperidades

ou tão só continuação de boa disposição, continuação de boa saúde, continuação de boa festa (vernissage, recepção, inauguração, etc.) ou continuação de bom trabalho, continuação de boa colheita, continuação de boa viagem, continuação de boa vida, enfim, continuação seja do que for... espera-se que de bom!

então entra, de vento norte, a poupança padronizada: "continuação"

apenas ... e é tudo!

serve para qualquer situação, tenha ou não havido sucesso, saúde ou boa disposição

e evita equívocos e complicações, pois fica à interpretação de cada um - qualquer que seja o ponto de vista, estejam como estiverem, continuem como estão

naturalmente que alfacinhas ou mouros em geral poderão encarar a sintética assertividade portista com alguma perplexidade - 'continuação' de quê!?

mas despedida é despedida e a interrogação autoencaminha-se aos próprios botões, de toda a forma já o cimbalista vai de abalada, que se faz tarde

e por falar nisso...

Bis

digo, a tout a l'heure :)))





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2009-02-25

é Fevereiro, outra vez



























pára o relógio !

e onde pára a Ditosa ?

agora, sim, a concurso...



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scriptum post scriptum:

mas se o mimo de Fevereiro era já prémio, os acertos e acrescentos são reconhecidos e agradecidos, para sempre!

por isso, e mesmo se já não está a chover e o frio nem é bem frio, certo é que no princípio do mês havia chuva e frio e era devido prémio, pode ser?

vai daí:


É Fevereiro outra vez
Como a primeira vez

Há chuvas e torrentes
Ventos e contra-correntes

Dói à natureza também
Por ser chuva ou mãe?

Acaso o frio sente frio?
Ou se arrepia o calafrio?

Há outras maneiras de ver:
Mais cedo um minuto
Por cada amanhecer
Mais tarde uns minutos
Por cada entardecer
É o esplendor de em cada dia
Ver o dia crescer

Há névoa pelas manhãs
Tardes de sol, noites sãs

É Fevereiro outra vez
E é como a primeira vez

2009-02-16

parada circular

«...a segunda circular totalmente parada», jametinhadito a RTP1, pela manhã de hoje! poderemos talvez imaginar que a ocorrência deste fenómeno em Lisboa se deve a:

a) aquela circular foi fotografada com elevados índices de velocidade e sensibilidade, para "fixar" a imagem...

b) toda a circular está parada, por vezes também o trânsito que nelas devia circular, em especial nas inconvenientes manhãs de segunda-feira, sendo embora tudo relativo pois há um movimento circular universal através do espaço sideral que se impõe a tudo e a todos - de todo o modo, se observarmos uma estrada a deslocar-se poderemos talvez avisar a RTP1, pelo sim pelo não...

c) obras no Terreiro do Paço, com alteração da circulação automóvel e desvio de trajectos e rotinas, procurando cada um alternativa para o seu percurso para estabelecimento de novas rotinas e essa procura é também já uma rotina uma vez que a cidade está permanentemente em obras

o Ditos apressa-se a assinalar todas as alíneas, para não falhar mas também para não influenciar escolhas, sendo inteiramente admitidas novas alíneas e mesmo novos abcedários, atenta a profundidade do tema e a infinitude oferecida à explicação de tão fascinantes fenómenos

mas há um fraquinho tendencioso para a modificação dos percursos de entrada em Lisboa, para explicar o que explica a origem da expressão da secção de trânsito da RTP1, também assinalando a infeliz coincidência: estas obras começam no momento em que a melhor Praça do mundo nos era finalmente devolvida e nos devolvia o rio, após um década de obras, numa pérola de planeamento que é também um incontornável e alternadíssimo jametinhasdito!!

eventualmente, e apesar das declarações optimistas, mobilizadoras e relativamente entusiasmadas dos responsáveis, plausível é que num primeiro momento muitos automobilistas procurarão afastar-se dos locais mais congestionados

e a adopção generalizada dessa atitude criará inevitáveis congestionamentos... o que ocorrerá repetidamente durante os próximos tempos até que tacitamente se estabeleça um amplo colectivo de novas rotinas para milhares de automobilistas que acedem a Lisboa ou a cruzam diariamente

agora fica uma aposta: a promessa de 4 meses - com direito a um terceiro jametinhasdito!!! - de obras na Praça do Comércio em Lisboa merece um countdown e aceitam-se alvitres para a dilação subsequente a 14 de Junho de 2009, pode ser ?



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2009-02-13

já chegaram






o Ditos tem como prova provada a afirmação aqui emprestada (por quem tem a atenção prestes e com o devido agradecimento) para nomear o post de boas vindas às amigas andorinhas, que anteciparam em alguns dias o advento dos dias solarengos!

e jametinhamdito que o rei sol já faltava também à lusitânia gente, há demasiado tempo sob múltiplas formas de núvens!!

oxalá perdure a claridade !!!



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post post - aqui fica também a merecida homenagem às celebradas andorinhas de Mestre Bordalo Pinheiro, disponibilizadas com saber e persistência pela fábrica de cerâmica do mesmo apelido, com um oxalá de continuidade das operações, de encomendas e negócios, dos empregos e das boas tradições

2009-02-04

triatlo ... ou isso

três brevíssimos jametinhasditos e mesmo super-atléticos:



- Michael Phelps, exímio nadador dos EUA, recordista de medalhas olímpicas (umas 14, por agora...) e considerado o melhor atleta de sempre, mesmo competindo contra o super-homem da velocidade pedestre em pista de atetismo, o ultra-sónico Asain Bolt (que raio de nome mais apropriado à rapidez de deslocação, o único recordista mundial dos 100 metros livres que completou a última metade da prova a ... desacelerar!) e como tal (devia ser sempre) um exemplo para todos os desportistas do mundo ou mesmo para todas as pessoas do mundo, confessou que foi apanhado a fumar cannabis, numa festarola universitária, como tantos jovens da sua idade, valha a honestidade e o arrependimento...

afinal, errar é humano, o que se aplica mesmo aos mais sobredotados desportistas!


- Roger Federer irrompeu em lágrimas no momento de se dirigir ao público após a derrota contra Rafael Nadal - que ao choroso desespero respondeu como os grandes sabem fazer, em trato por igual como compete aos jovens, aos pares e aos mestres, declarando-se crente nas futuras vitórias do adversário suiço, que persegue o record de Pete Sampras e a conquista de mais um (o 14º...) título de Grand Slam das competições profissionais de ténis - na final do Open da Austrália, disputada há dias (1 de Fevereiro de 2009) em Melbourne...

afinal, emocionar-se é humano, o que se aplica também aos mais fortes campeões!!


- Sergey Karjakin venceu o super-torneio Corus Chess 2009, de 13 (todos contra todos, eram 14...) rondas, em Week van Zee, na Holanda, tendo o ucraniano vencido, com as peças negras, a última, combativa (evitou o empate precoce por repetição de posição, resistiu a uma sucessão de sacrifícios ameaçadores e preparou o contra-ataque) e decisiva partida, contra o cubano Leinier Dominguez-Perez, recorrendo a uma variante da defesa siciliana (1. e4; c5) popularizada, nos anos 90, pelo ex-campeão mundial Garry Kasparov - década em que Sergey Karjakin nasceu, 12 anos antes de se tornar o mais jovem Grande Mestre da história do Xadrez

agora, aos 18 anos, com a embalagem vitoriosa que leva e com o tempo à sua frente, certamente tentará ser o próximo campeão do mundo - mas para isso é preciso crescer e crescer é humano, o que se aplica também a meninos prodígio!!!



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2009-01-29

sim, é possível

mas é muito difícil, como sempre foi

após o contagiante entusiasmo de uma nova linguagem construída a sensatez e esperança, Barack Obama venceu sucessivamente a crise do Partido Democrata e as eleições presidenciais dos EUA, uma dura prova disputada em quase todo o mundo

de facto, à excepção do alçapão de extremados preconceitos de certas regiões do mundo árabe, a alta cotação eleitoral de Obama sentia-se por quase todo o planeta, como aliás a eleição americana interessou muitos cidadãos do globo inteiro, mesmo em regiões onde a realização de eleições é ainda miragem - e em alguns casos mais dramáticos tentam mesmo mudar as leis para se perpetuarem no poder...

é também de reconhecer que parte do interesse provinha da ânsia do despedimento de Bush, mas até neste caso importa assinalar que muitos dos descontentes alvoroçados não podem celebrar em casa a rotação da liderança política no seu país ou região

a magia contagiante de Obama assentou em boa medida na simplicidade, justeza e eficácia do seu pensamento, retórica e imagem: mestiço afro-americano, apresenta credenciais simultâneas de juventude e patriotismo fundador, além de cativante propensão para o diálogo, incluindo inter-religioso mas sem fraquejar no relevante aviso à navegação aos líderes do fanatismo: "... serão lembrados pelo que forem capazes de construir e não pelo que destruirem", declarou!

mas a chave máxima foi o sonoro e proclamatório "Yes, we can"!!

simples, directo, claro, justo e forte: é possível fazer melhor, viver melhor, num mundo melhor!!!

como seria de esperar, o slogan contagiou muitos americanos e não americanos, cidadãos e... políticos

e é bom que assim seja, a adesão justifica-se, tanto mais em época de crise de (auto)confiança, com problemas financeiros, económicos e sociais por toda a parte, guerras por toda a parte, desesperança por toda a parte, incluindo o ameaçador desequilíbrio energético e ambiental do planeta

natural é, pois, que tão impressionante slogan integre sem demora o imaginário de todos e o vocabulário de muitos, assim acontece amiúde em política, nas civilizações em geral e na dança a par e passo do pensamento e da linguagem

com reconhecido sentido de antecipação, o partido comunista português já se apropriou do sentido alquímico, transformador e agregador, da mensagem e do slogan de Obama

para tal, usa a expressão "sim, é possível", frequente "tradução" para língua portuguesa, agora espalhada em cartazes de propaganda partidária com que as oposições anunciam a época eleitoral - do que acusam o Governo e o partido no poder, pois o mal é sempre dos outros

esta frase supera uma certa dificuldade da tradução mais literal, já que "sim, nós podemos" é bem menos expressivo que "sim, é possível"

mas as diferenças, embora não propriamente idiossincráticas também não são apenas de semântica: Obama inclui, envolve e co-responsabiliza todos com o "we", enquanto o "é", do "sim, é possível" português e agora comunista elide o sujeito, tira-nos da acção, parece que deixa em suspenso quem é que deve garantir a "possibilidade", a mudança, o mundo melhor...

parece equivalente, mas não é

cria um vazio

a participação do eu é omissa, falta a contribuição da união necessária, a conjugação de muitos "eus", o uníssono do "nós", a responsabilidade não dos outros mas nossa, não apenas dos líderes mas dos cidadãos, não apenas dos candidatos e eleitos mas dos eleitores, incluindo os demissionários absentistas, quantas vezes em superioridade numérica de maciça, desmotivada e desmotivadora abstenção

e depois, a graça do PCP tem que se lhe diga: a evidente colagem é oportunista (o que caracteriza todo o espectro partidário, infelizmente) mas também falseadora: Obama não é comunista, bem pelo contrário, e o PC português apenas cavalga a dinâmica de vitória, desde o primeiro momento e com interesseira esperteza

aliás, não é só Obama que não é comunista, também entre os seus eleitores só muito residualmente haverá comunistas, como também o comunismo é hoje residual no mundo, confinando-se às cada vez mais periclitantes experiências norte-coreana e cubana, após a revelação e consequente desabamento do colossal embuste que foi a hegemonia soviética nos países da cortina de ferro e alguns mais sob trágica influência russa até cair o muro de Berlim

daí ser importante desmascarar o oportunismo do PC: sim, é possível? jametinhasdito!

possível é, mas não assim!!

agora oxalá desta vez a onda de alecrim chegue depressa do outro lado do Atlântico!!!




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2009-01-21

average

em futebolês nos desentemos?

a propósito de diferentes interpretações de uma regra de desempate numa competição de futebol, um responsável do organismo dirigente da modalidade veio declarar pública e solenemente que "expressão goal-average reporta-se à diferença entre golos marcados e sofridos", o que "corresponde ao entendimento comum na linguagem corrente do futebol"

a linguagem corrente do futebol ? jametinhasdito !

de facto, muitas pessoas, incluindo tarimbados comunicadores, recorrem a exemplos de futebol para melhor exprimirem os seus pontos de vista em qualquer tema ou assunto, ou porque não são capazes de explicar cabalmente o que pretendem dizer ou por acreditarem que o interlocutor não entenderá tão facilmente a argumentação directamente a partir dos termos próprios da temática em apreço devidamente expressa em língua portuguesa

ou seja, faz-se crer que o futebolês é uma língua franca, através da qual emissor e receptor melhor realizam as finalidades da comunicação: transmitir a mensagem de forma inteligível

para o dito representante da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, a literalidade e o significado da expressão goal-average são absolutamente irrelevantes para a decisão do caso, aliás já decidido por diferença - a diferença entre o sentido estrito do que está escrito e a falta de sentido do que se queira entender em ... futebolês !

um certo conceito de erudição, perfeitamente à medida da estatura de tais dirigentes...

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PS - registo de interesses: a reconhecida apetência do Ditos por pastéis de Belém (com ou sem a ditosa especiaria por que de lá zarparam as naus do Gama) e pelo club da Cruz de Cristo poderá remota mas eventualmente ter interferido muito ao de leve na escolha do tema do post...

PS2 - o caso, para os mais curiosos: o regulamento da Taça da Liga prevê, para o caso de desempate na fase de torneio da competição, o critério do "melhor goal-average"; em situação de igualdade de pontos encontram-se o Vitória (de Guimarães) e o Belenenses (de Lisboa, ao Restelo) sendo que, quanto a marcados e sofridos o clube da cidade berço tem melhor desempate no critério de diferença, enquanto os azuis preferem na média; de acordo com os regulamentos internacionais e segundo a tradução da língua inglesa, average quer dizer média e obviamente implica uma divisão e não subtracção - operação esta que aliás tem sido triste e sistematicamente aplicada ao Beleneses em inúmeras ocasiões

PS3- a cantiga: o recurso à "linguagem corrente do futebol" para decidir o caso não consta do regulamento da competição em apreço nem sequer do Acordo Ortográfico, quer na versão de 1990 ainda hoje controversa, quer na anterior, de 1945, modificada em 1973; o recurso a expressão (goal-average) em língua inglesa pode facilmente e deve ser evitada na redacção de regulamentos em Portugal, agora o que em honestidade não pode nem deve é pretender-se significar outra coisa senão exactamente o que significa, seja em inglês, seja na tradução para português: média de golos; além da inépcia na feitura e interpretação do regulamento, a desdita Liga Portuguesa de Futebol Profissional também concebeu mal o sistema da prova, ao determinar a realização de 3 grupos, na fase de torneios, para apurar 4 semi-finalistas, o que é algo que intuitivamente se percebe que está sujeito a vicissitudes, episódios e percalços; mas há uma chave de descodificação para tanta incompetência, qual seja a que em cada um dos 3 grupos estava um dos "grandes", Benfica, Sporting e F.C. Porto - está-se mesmo a ver para quê: como reza a cantiga do encarreirado reitor Barata Moura, "a águia, o leão e o dragão jogam sempre na primeira divisão", isto em futebolês por se tratar precisamente de algo que só tem cabimento em ... futebol!!!



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2009-01-19

leiteiras



















parabéns à imaginativa campanha de promoção dos Açores, que pintou de mar azul a Praça Marquês de Pombal e trouxe vacas leiteiras a pastar nos verdejantes relvados da Praça de Espanha, em Lisboa

e em boa hora o azul e o verde dos Açores contagiam de cor os transeuntes lisboetas, as cidades bem precisam de algo mais que néon e foguetório, precisam também de um pulsar mais natural, mais terreno, mais humanizado!

é que também há hortas nas cidades e, como desde há muito jametinhadito o arquitecto Gonçalo Ribeiro Teles, as hortas urbanas respondem bem a prementes necessidades actuais - e quem diz hortas diz pastagens!!

no caso de Lisboa, além das saudades dos rebanhos a pastar em verdes alamedas, as alfaces até fazem jus à cidade !!!




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2009-01-18

ó vait'emBush

o Ditos associa-se ao adeus a George W. Bush


é a despedida das funções presidenciais que exerce desde que perdeu as eleições para o mais alto cargo dos EUA, já lá vão 8 anos depois da contagem de votos mais trapalhona de que há memória

e pede emprestada a António José Teixeira a excelente crónica sobre o tema, há dias publicada no Diário Económico on line, com o expressvo e esperançoso título "Acordar do Pesadelo"

de facto, trata-se de um consulado ensombrado e desastrado, ou mesmo desastroso, com um vasto rol de episódios que entraram no anedotário [grato, jmco] global e que para a posteridade constituirão o cariz deste presidente dos Estados Unidos da América do Norte

a que acrescem as armas de destruição maciça, a invasão do Iraque, Guantánamo e New Orleans, afinal a memória com que será lembrado, tal como se recorda Franklin Roosevelt pelo New Deal, Harry Truman pela bomba atómica e o Plano Marshall de ajuda à Europa ocidental ou John Kennedy pela Baía dos Porcos, os mísseis cubanos, a denúncia do muro de Berlim, a aventura espacial e o seu trágico destino pessoal

má onda, pois, a que se podem somar sucessivas falências das teses neo-liberais representadas em Bush e tantas diatribes, usurpâncias, fraudulências...

entrementes, por assim dizer, o Ditos dispõe-se ainda a uma pequena reflexão adicional, porventura um tanto menos ouvida nestas vésperas de mudança: por falar em pesadelo, poucos líderes terão enfrentado algo com a dimensão dos bárbaros ataques aéreos que, além do mais, atingiram as Torres Gémeas e causaram a morte a milhares de pessoas que estavam a trabalhar às 9 horas da manhã, devastando a confiança em todo o mundo

e bem sabemos que é de confiança que hoje se cimenta e alimenta o mundo e que foi precisamente o cimento e o alimento da confiança que se pretendeu deliberadamente destruir em 11 de Setembro de 2001 - como nas suas fatídicas réplicas de Londres, Madrid, Bali, Bombaim e, desgraçada mas inevitavelmente, o que virá a seguir...

claro que há motivos de esperança em Barak Obama - oxalá não seja excessiva, oxalá se cumpra por inteiro, oxalá vença a inteligência e a paz

a principal esperança é, pois, que Bush não deixe saudades, para que nunca se lhe aplique o velho e tantas vezes certeiro ditado português que jametinhasdito: «depois de mim virá quem bom de mim fará»

e quem muito se apressa a foguetear as despedidas, pode sempre guardar algumas canas para celebrar outras presidências que ameaçam eternizar-se, de Putin, Chavez e Mugabe a tantos líderes em África, na Ásia, na América do Sul

é certo que há muitos motivos para maldizer Bush, a quem muitos se habituaram a culpar de todos os males do mundo, préstimo com que servirá os seus detractores até à próxima calamidade que baralhe e dê de novo trunfos para o circo mediático ou para tantos descontentamentos, contradições e idealismos inexequíveis que se travestem de progressismos arrebatados

a Bush sempre se podia arremessar quase tudo, bastando para tanto disfarçar-se traiçoeiramente de jornalista

mais difícil é fazê-lo aos ditadores não eleitos que grassam um pouco por todo o planeta, que não cedem o poder e que num ápice esmagam rebeliões como eliminam opositores mesmo que apenas supostos ou os sempre temíveis livres pensadores

mas disso nem sempre rezam as crónicas

shô, ala, baza, adeusinho ó Bush!








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2009-01-16

2009-01-12

Esmeralda

até que enfim, um texto claro e certeiro sobre o "caso Esmeralda", crédito de Marta Botelho, membro do site PNETmulher, com o mérito adicional de linkar as decisões judiciais e a cronologia relevantes

resumindo o jametinhasdito de júbilo, é de realçar:

- a referência ao pai "biológico" e à mãe "biológica", insistente na comunicação social, parece dispensável; é o pai, é a mãe e chega, não precisa de qualificativos

na realidade, a convivência humana e o direito criaram outros tipos de relação, em resultado de afeição ou adopção, neste caso com efeitos de direito muito precisos

naquelas situações e justamente para permitir melhor distinção, justifica-se então a referência a pais "afectivos" e a pais "adoptivos"

assim, não se justifica atribuir qualificativos particulares ao pai ou à mãe, em contraposição com as outras figuras - mas sim às ditas figuras por contraposição ao pai e à mãe

- pela porta dos portugueses entrou precisamente a mesma verdade que entrou nos tribunais, se bem que apenas muito raramente com a clareza de exposição e com o desinteresse (em sentido de "isenção", sem partie pris) como no post ora em apreço - mas entrou

de facto, há a guerra das parangonas e o lastimável comportamento de chacal adoptado por tantos jornalistas e editores da nossa comunicação social, mas em geral a informação relevante acabou por passar toda, para além dos títulos e chamadas, no texto restante, nas caixas, nas opiniões de especialistas e outros comentadores

muitas das pessoas que comentavam o caso dispunham da informação relevante, apesar da aderência primária às ditas parangonas e de muitos juízos precipitados

mas estes raramente resistiam a uma pergunta simples: é pá e se fosses tu o pai?

- apesar disso, a comunicação social comportou-se pelo pior do padrão sensacionalista

pior que maltratar a informação foi a falta de respeito para com os sujeitos intervenientes, a desconsideração da intimidade de uma criança ou da privacidade de uma relação parental sob delicada construção, o impudor, o ruído e a precipitação quando à vista desarmada se impunha a necessidade de cuidados de resguardo, silêncio e serenidade

por isso, não podemos contar com figurantes assim na comunicação social, temos mesmo que estar bem à defesa, enganam-nos por cêntimos de presumível audiência

- os tribunais não ficam muito prestigiados com o sucedido, deixaram correr tempo e marfim, sendo que o tempo é demasiado precioso para o desenvolvimento harmonioso de uma criança

importa, pois, decidir bem e depressa, e igualmente bem e depressa fazer cumprir a decisão

as manobras de mudança de endereço não explicam toda a incúria de funcionamento da máquina judicial de que este caso é apenas a ponta visível do iceberg

o arrastar dos processos nas diferentes decisões, a encanar a perna à rã, também não deixa bem vistos os magistrados envolvidos, azar

agora o que apetecia mesmo era que a história do caso Esmeralda parasse aqui

e de nunca mais se saber da Esmeralda

que a sua vida feliz fosse totalmente alheia a todos nós, como a de tantas crianças que não são da esfera das nossas relações

e que a história feliz da Esmeralda fosse conhecida apenas por quem é ou venha a ser das suas relações

em vez de caso nacional, seja a Esmeralda feliz e ponto!!!




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2009-01-11

trema

pois é, mal se notou na escala de Richter mas o trema saiu de cena da língua portuguesa

no Brasil, entrou em vigor o conjunto de normativos relativos ao Acordo Ortográfico celebrado entre vários Países de língua oficial portuguesa

assim, oficialmente, deixa de se escrever com trema - era uma convenção ortográfica para a pronúncia de palavras como "lingüiça", "freqüente" ou "ubiqüidade"

para quem, no Brasil, passar a escrever de acordo com o Acordo, causará insuperável angústia saber se a ousadia merece acordo dos leitores ou o modo como serão lidas tais palavras? talvez...

cai o mundo por causa disso? hmmm... jametinhamdito!

em vários Países sempre se escreveu e leu "linguiça", "frequente" e "ubiquidade", continuando-se a viver sem cair o mundo - quer dizer, sem cair por causa disso!!

da experiência, poderá certamente afirmar-se que a modificação de uma norma, a sua aprendizagem em conformidade e a sua aplicação concordante deverão ser essencialmente irrelevantes para o prosseguimento da vida

tal como nas regras de trânsito, sempre em mutação para adaptação às novas realidades ou para enfrentar os novos desafios, e em tantos outros domínios, as normas ortográficas só cristalizam nas línguas caducas, sem falantes

nas línguas vivas, as regras mudam, tempos a tempos, para benefício das comunidades falantes da língua e da própria língua

quando em vez, em vez de mudarem por decreto, tais regras podem mudar por acordo

é uma excepção à regra neste mundo, habituados que estamos ao desentendimento e à imposição por decreto

terá mesmo que ser sempre assim ? para muitos arautos da desgraça, moura é a gente que se dispõe a mudar

e que haja quem procure tratar do que há a tratar por acordo deixa muita gente desconfiada, pois é?

isso bastará para acreditar e gritar que o mundo caia?

ou trema?




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2009-01-06

efemérides

dia de reis, pois

havia uma estrelinha e começava um mundo novo...

é o sinal da LUZ

mas, entrado o ano, importa reparar:

- bicentenário de Louis Braille e boa maneira de comemorar será pugnar por melhores condições de aprendizagem para cidadãos com necessidades especiais visuais, segundo se promete voltará a existir uma Comissão de Braille e a Biblioteca Nacional dá um contributo relevante, cumprindo o seu dever

- bicentenário de Charles Darwin e 150 anos (sesquicentenário?) da obra "A origem das espécies", a merecer justíssima celebração de elevado retorno pedagógico e muitas atenções na imprensa e no bloguisfério - ainda não sabemos como tudo começou... mas graças à pertinência, persistência e iconoclastia de Darwin, sabemos hoje - na era da genómica - bastante mais de como muitas coisas se passaram até à actualidade e temos boas condições para evitar erros que prejudiquem a biodiversidade, condição sine qua non do ideal de sustentabilidade

- de menor valia para a felicidade mundial mas de formidável relevância para muito coração pastel, em 2009 comemora-se o 90º aniversário do Belenenses da Cruz de Cristo

- isto para falar apenas de efemérides que o DN, em artigo especialmente dedicado ao assunto, fez questão de não referenciar - jametinhasdito !!!


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2009-01-03

aqui há pardal





















Que bem começa o ano!


Pois este é um post “obrigaDitos” caseiro, dedicado a Ditosos de eleição:


-Ao jmco, pelo despique do tema e valiosos acrescentos!


HFM, pelos bem aguarelados votos, coloridamente retribuídos!!


-E à mafY, pela lembrança inicial e preciosas reminiscências adicionais!!!


E um obrigaDito mais geral por tanta e tão boa companhia blogueira ;->>>


Mas vamos então ao “pardal”, com o socorro utilitário do admirável Borda d’Água.


Tanto quanto consegue apurar um mortal urbano (em demasia, mas em processo de alguma recuperação, he he…) há várias formulações arreigadas por esse belo país fora, com subtis variações consoante a região ou a ocasião.


Senão, vejamos, sobre o recomeço do crescimento dos dias, vincando o modestíssimo ritmo inicial:


- «Até ao fim do Natal crescem os dias num saltinho de pardal.»


- «Passado o Natal, crescem os dias um biquinho de pardal.»


As expressões “saltinho” e “biquinho”, já portuguesmente diminuitivadas, referem-se mais a mais ao pardal, ao simples e pequeno pardalito, confinando a dimensão do aumento dos dias a algo marcadamente ténue, quase imperceptível em extensão, mas que não passa despercebido à atenção – a percepção capta o movimento, embora diminuto!


Esta é a riqueza idiossincrática das línguas e em especial dos proverbiais jametinhaDitos populares, que recorrem a analogias fabulosamente expressivas, transmitindo exemplarmente uma ideia ou imagem, de modo poético e eficaz. Há lá melhor?


Mas se o “salto” de pardal está mais generalizado nas diferentes formulações, lembremos que «Pelo Natal bico de pardal, vai ao laranjal.», e entramos na diversidade de significações.


Quando se ouve «Os dias do Natal são saltos de pardal.», além da ideia da curta duração dos dias nesta época do ano (no hemisfério Norte) perpassa também a noção de que é breve a Quadra Festiva, quer relativamente às festas propriamente ditas, quer quanto aos sentimentos que depressa se esquecem, como que denunciando ou reclamando que a atitude de dádiva deveria perpetuar-se ou perdurar ao longo do ano em vez de se confinar a um número limitado de dias festivos.


Também não tem só a ver com a duração do dia ou do reinício do seu crescimento.


Mas continua a ter a ver com ciclos e a relacionar-se com a percepção exacta dos ciclos naturais e humanos.


Mais alguns exemplos, ora referidos aos dias curtos ou a como crescem um pedacinho após o solstício de Inverno, ora a como o tempo se escoa depressa:


- «Noite de natal saltinho de pardal» (Borda d’Água)


- «Até ao fim do Natal, crescem os dias um saltinho de pardal»


- «Depois do Natal, saltinho de pardal»- «De Santa Luzia (13 de Dezembro) ao Natal, um salto de pardal, de Natal a Janeiro, um salto de carneiro» - é verdade, parece que demora menos a chegar ao Natal, face à ânsia e aos não raro árduos preparativos, que a sair dos exageros típicos das festas…


- «Dos Santos ao Natal, salto de pardal»


- «Até ao Natal salto de pardal, de Natal a Janeiro salto de carneiro e de Janeiro a Fevereiro salto de outeiro»


Depois surge outro tipo de significados, naturalmente aproveitando à ideia essencial dos provérbios populares.


Quando alguém diz «Até ao Natal um saltinho de pardal.» refere-se à rapidez da passagem do tempo, ou seja, num instante passam os dias que faltam, é um ápice que a todos surpreende!


A todos? Bem, os mais antigos e mui sabedores (as Mães, pois então!) são a honrosa excepção, com todo o mérito e para orgulho de quem apreende o valor fundamental da genuinidade…


E assim, por extensão, a tudo o que se chega mais depressa do que se imagina, pode adaptar-se a expressão, como nestes casos, referidos a distâncias físicas:


- «Daqui a Boticas é um saltinho de pardal»


- «Não muito longe, a um saltinho de pardal»


Ou neste:


- «“Noites com poemas - da Biologia à Poesia, um saltinho de pardal” - Jorge Castro», em que se anuncia um programa e se exprime a ideia de que os assuntos se interligam bem mais que seria de esperar.


E também serve à política:


- «É que daí à legitimação da política israelo-americana para o médio-oriente vai um saltinho de pardal»


Mas o melhor é fugir das diatribes político-partidárias:


- «Do PSD que repudia Santana Lopes ao que o volta a indicar para cargos de responsabilidade vai um salto de pardal que não tira sono a Manuela Ferreira Leite»


Enfim, mudando de assunto sim, como vão cinzentos estes dias, há demasiado tempo sem sol, e para afastar as neuroses tanto como para incentivar ao regresso da luminosidade, o Ditos bloga em oferenda o solinho tal como da última vez que por cá apareceu, no luminoso dia de Natal


; - >>>


e muntóbrigaDitos !!!



PS – Intrigante é a expressão «Do Natal à Sta. Luzia, cresce um palmo em cada dia.» … Curiosamente, a protectora dos olhos também é denominada Santa Lúcia, sempre evidenciando o matricial “luz” (como aliás em Lúcifer, mas isso é outra história) e se relaciona apropriadamente com o tema do renascimento da luz; e o dia 13 de Dezembro já foi noutra altura do ano, antes da reformulação do calendário para o modelo gregoriano que actualmente usamos, com um diferencial acumulado de 13 dias em relação ao calendário juliano, além de outras diferenças que foram ocorrendo ao longo dos séculos… assunto para outras pesquisas, conversas e, quem sabe, jametinhasditos!








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2008-12-30

Gaivotecnolampad'ecológica




















he he...

a ditosa de final de ano é tecnologicamente avançada, iluminadora, com top spin, asas de metal e aproveita o sol e o vento quase tão bem como as demais (e outros seres naturais) o fazem desde o princípio dos tempos

o sol é uma fonte imensa de energia, aproveitada em proporção ínfima no que respeita à utilização humana para aquecimento de águas e ar ou para produção de energia eléctrica

ainda assim, há notícias promissoras: a Central Fotovoltaica de Amareleja, em Moura, cuja ligação experimental se realizou no final de 2007, começou ontem a funcionar e tem 46 MW (megawatt) de capacidade instalada, pelo que deverá produzir 93 milhões de kWh (kilowatt/hora) e evitar a emissão de 89 mil toneladas de CO2 (dióxido de carbono) por ano

agora que os dias recomeçam a crescer (aos poucos: «Natal, bico de pardal», lembra quem sabe)no hemisfério Norte, celebrado que foi o nascimento de Cristo Rei Sol, iniciado que está o novo ano tibetano e em véspera do nosso ano Novo, vai um jametinhasdito solar e solsticial de vento em popa às energias novas que todos merecemos

Feliz, luminoso e solar 2009 !!!





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2008-12-20

Um Feliz Natal

Em tempo de advento, é salvífico formular votos festivos, em especial a quem queremos bem.

Que os leitores do Ditos celebrem a Quadra Festiva em companhia de quem amam, com saúde, harmonia e poesia!!

Neste caso, os versos votivos são gentilmente emprestados por quem sabe a poesia dos afectos!!!

Por tudo, um Feliz Natal ao Amigo Salvador, extensivo a tutti quanti ;->>>


«É neste pequeno intervalo
Das nossas vidas apressadas
Tão ocupadas com o inadiável.

É nesta curta pausa
Das nossas vidas comprimidas
Entre a agitação e o supérfluo.

É na espuma destes dias
Quando o dever reclama
Que se cumpra o ritual.
É na urgência de um gesto

No balbuciar de uma palavra
No gotejar de um aceno
Que se cumpre o Natal.

Mas que se cumpra, ainda assim
Que se saúde, ainda assim
Mais este Natal.

Seja o que for que represente
Signifique o que signifique
Um Feliz Natal.»

Salvador Peres




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2008-12-10

a la Titanic























às vezes há premonições...

provavelmente o nomezinho em nada contribuiu mas com o "afogamento" da marina da (ainda!!!) Expo98, o respectivo restaurante também se afundou em águas paradas

Titanix ? jametinhasdito !!!





















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o que faz falta

segundo a TSF, Guilherme Silva, máderense ex-líder parlamentar do PSD, jámetinhadito «que haja plenários da Assembleia da Republica apenas à terça, quarta ou quinta-feira, para evitar o problema das faltas dos deputados que saem mais cedo para o fim-de-semana»

mas Jaime Game, o Presidente da Assembleia da República e pessoa de bem, discorda, felizmente

ora, pode ser desmotivante o ambiente parlamentar em geral ou especialmente no PSD mas suprimir as obrigações como expediente para obviar à tentação de as incumprir é algo que só lembra ao diabo, salvo seja...

quem diria? _ ainda ouviremos a direita a cantar saudosamente "o que faz falta é animar a malta", podia bem ser o hino das sextas-feiras do proletariado deputacional...

«O incidente do prolongado fim-de-semana dos 48 deputados dá que pensar. Pensar que a dignidade das funções, quaisquer que elas sejam, depende do carácter e da integridade de quem as exerce. E em torno destes princípios devemo-nos unir ou separar», diz Baptista-Bastos, no Diário de Notícias de hoje, em registo com o seu quê de moralista

então, deu-se o caso: o salvo seja separou-se!!!





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2008-12-04

Dezembral





mesmo fácil, dá direito a prémio, como sempre !




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estacionar

a comandante do "Natália Correia" iniciou as operações de descolagem e já com o avião no ar faz a habitual comunicação de boas vindas aos senhores passageiros mais indicações do tempo durante o percurso e à chegada bem como a previsão da duração total do voo

alguns dos senhores passageiros trocam olhares, assentindo leve e tacitamente na cumplicidade de participar numa nova era, com todos os pros e contras das novidades, como seja a de se fazerem transportar em aeronave pilotada por uma mulher, mais uma barreira vencida na corrida de obstáculos da igualdade (de oportunidades!) de género, talvez um brinde interior, uma estranheza e outras sensações para o somatório que as grandes viagens sempre trazem

um dos senhores passageiros comenta abertamente para o comissário de bordo: com que então uma mulher, hein...? mas estamos bem entregues, não é verdade?

a confirmação veio sorridente e apaziguadora, que sim, com certeza, já voámos muitas milhas com esta comandante e de todas as vezes o voo é sempre impecável

para desfecho, a perplexidade chegou pelo jametinhasdito sexista, machista e automobilista: claro, imagino, o voo não há problema mas o que me preocupa é depois para estacionar o avião!!!

he he ...
;-)))



observações são bem vindas, obrigado
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2008-11-24

de Estado

para variar, o Ditos repousa brevemente na actualidade:

face a pressões reais, irreais e antecipadas, como tem que ser em política, o Presidente Cavaco Silva manifestou ao País que nada ter a ver com as trapalhadas em que está envolvido o BPN, recentemente nacionalizado numa inusitada vaga pós-PREC e à boleia da mega crise financeira globalizada

porém, os lobos do costume não desarmam e querem sangue pouco importa de onde - Cavaco não se demarcou do seu ex-Ministro Dias Loureiro (lembram-se: «Pai, sou Ministro!») que actualmente é também membro do Conselho de Estado, aliás como outras figuras conhecidas do vai-vem das órbitas partidárias

ao que Sua Excelência mandou que estudassem a lei, coisa pouco habitual em jornalismo e politiquês, pelo que o recado é bem dado

e razões tem Cavaco para a nervoseira: o Presidente da República não pode destituir membros do Conselho de Estado, é que sempre há umas diferençazinhas para com alguns regimes africanos e sul-americanos mais ortodoxos quanto à plenitude dos poderes instituídos, em muitos casos há bem mais do que os (ironicamente, pois claro) almejados 6 meses

então fica tudo sobre a consciência do próprio/visado/interessado?

sim ! apesar da esfarrapada remissão, jametinhasdito, para o entendimento do amigo de longa data actualmente inquilino em Belém

num caso algo parecido parecido com um concurso «a ver quem é que não sabe nada de nada», é também curiosa uma norma sobre a eventual, hipotética e académica perseguição criminal de um membro do Conselho de Estado, susceptível de operar uma certa partilha de responsabilidade quanto ao seguimento ou não do processo

mas é só mera curiosidade, ninguém me convence que era esse, afinal,o Cavacal recado...

«Artigo 14.º(Inviolabilidade)
1 . Nenhum membro do Conselho de Estado pode ser detido ou preso sem autorização do Conselho, salvo por crime punível com pena maior e em flagrante delito.2. Movido procedimento criminal contra algum membro do Conselho de Estado e indiciado este definitivamente por despacho de pronúncia ou equivalente, salvo no caso de crime punível com pena maior, o Conselho decidirá se aquele deve ou não ser suspenso para efeito de seguimento do processo.»



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lanceiros




















gaivota, enfim, gaivota, não sou

mas, ainda assim, onde estou ?






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2008-11-22

anúncio


ir de avião ao Porto ainda é uma alternativa, enquanto o TGV não se decide e apesar do Terminal 2, essa pequenina amostra do inferno que será a deslocação ao aeroporto da Ota, digo, de Canha, nos arredores da bela vila de Alcochete

com sorte, apanha-se o jornal Público e a sua particularidade de ter uma edição local, diferente em algumas páginas da edição de Lisboa - já houve uma edição Centro mas Coimbra, Viseu e Leiria não se aguentaram na paisagem da bipolaridade que marca o pequeno território do nosso grande País

as diferenças são curiosas, mas isso fica para outro jametinhasdito - mais uma corrida, mais uma viagem e o Porto aqui tão perto, diria Sérgio Godinho

histórias como a que o anúncio conta e deixa por contar já aconteceram vezes incontáveis mas é peculiar ver a sua colorida expressão em anúncio de jornal

os motivos porque alguém se dispõe ao ridículo são os mesmos das cartas de amor de Fernando Pessoa, talvez apenas fé e descaramento ou outros por explicar, sem razão

mas se alguém crê, jametinhasdito, que interessam explicações, consequências ou seja o que for ?

há momentos que tornam azul o mundo, ainda mais azul, e também por isso o azul fica tão bem no anúncio

serão momentos que paralisam?

tudo a sorver, sentidos demasiado preenchidos para elaborar seja o que for, uma calma que não deixa ver claro, nem escuro, não deixa ver - mais nada ?

e depois? depois haverá todo um processo, de consciência e dúvida, em alternância introspectiva, interrogativa e interpelativa ?

em que a imagem volta, torna a voltar, se não é a imagem é a sensação que aparece e reaparece ou então é só o coração a trepitar, à procura de nova calibração, de novo equilíbrio ?
um não sei quê que se sucede ?

será que depois tudo desemboca num gesto ? numa procura ? num grito ?

depois passa ? esquece ? e enquanto não passa e não esquece é quando algo acontece ?

no caso deu em anúncio de jornal mas em Nova Iorque, o ano passado, passou por correio electrónico mensagem idêntica, olhares cruzados no metro, a possibilidade ínfima de reencontro é testada de lista de contactos em lista de contactos, todos conhecemos alguém que conhece alguém que conhece alguém e as correntes&redes, a electrónica&comunicações, as multivias&informais, tornam o mundo pequenino, aldeia global, não importa a escala

essa história de Nova Iorque, hoje de antologia sociológica, deu em reencontro e namoro, a coisa durou uns meses, deu uma certa vivência, entrevistas e depoimentos, histórias para contar, talvez bagagem... e nada mais, ou seja, pouco

mas, ainda a la Sérgio Godinho que tão bem encanta os aforismos populares, a vida é feita de pequenos nadas

oxalá o anúncio azuleje o dia ao mais belo sorriso e, em geral, a quem sorri

bom dia!



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2008-11-21

tecnicamente

claro que não é apenas em Portugal que o jornalismo é jornalismo, para o bem e para o mal...

a afamada Reuters também tem o gene comum do "24 horas" e do "Jornal do Crime", se é que ainda existem

na espuma dos dias e por entre as sucessivas vagas em que nos é oferecida, dose após dose, a incomensurável magnitude da crise, descobriu-se um sobrevivente da chacina de Pinochet

certo dissidente, de seu nome German Cofre embora até agora anónimo, preso pela ditadura há 35 anos, afinal regressou das trevas e apresentou-se vivo, ilibando o facínora quanto a uma identificação da calamitosa lista de atrocidades - o tipo de lista que nunca é suficientemente exaustiva mas afinal também pode ter algo a descontar

mas o regressado enfrenta várias perplexidades, humanas e administrativas

ninguém se lembra dele, não o reconhecem, há que investigar - o que se compreende, até pelo efeito resistente de um quadro mental consolidado em décadas, pensão aos familiares e homenagens memoriais

e como lidar com a situação ?

bem, uma hipótese é pesquisar a ficção, mais a realidade, afinal a literatura tem exemplos vários de ressuscitação, mesmo se não há paralelo com Lázaro ou Cristo

já a Justiça tem que se fundamentar nos elementos disponíveis à apreciação do julgador, sejam certidões e relatórios, sejam perícias e testemunhos: o ponto de partida é claro: "Technically he is dead," investigating judge Carlos Gajardo told reporters. "We have to determine his true identity ... I don't know of another case (like this)."

tecnicamente morto?

jametinhasdito!

há uma autópsia por escrever, no Tribunal do Chile!!

quanto ao reaparecido, paz à sua vida!!!

he he ...



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2008-11-19

narrativa

parece, em Harvard, que há uma classificação para os modos de aprender:

ora por via axiomática, segundo teoremas, proposições, leis...

ora mediante story telling...

narrativa, portanto!

jametinhamdito, por aqui mais perto, que começamos a aprender pelo que ouvimos e vemos fazer, pelo que nos vão contando

o estudo vem depois

e o mais importante da vida, o que nos faz como gente, é o que sorvemos das histórias que vamos sabendo, o que nos contam as gentes: as nossas, primeiro; as que conhecemos, depois; as que procuramos conhecer, a todo o tempo

durante a vida inteira

ou uma narrativa mais



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incerto















assim vai o mundo... assim fica!




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2008-11-16

Sebastião sonha tudo














«O sonho é a realidade antes de acontecer», jametinhadito Sebastião Fortuna !
artesão, poeta e sonhador de mãos-à-obra, como o provam as instalações (feitas igualmente a poder dos próprios braços e que sucederam ao seu Centro de Artes e Ofícios) onde cria, expõe, ensina e aprende artes de pintores, escultores, ceramistas, canteiros, carpinteiros e outros artistas, estudiosos ou poetas
e até de contadores histórias como a do gato que ensina a voar a gaivota da novela de Luís Sepúlveda, magistralmente dita ao jeito de oração e apenas para exemplificar
num ápice, acontece o diálogo intenso, emocionado e emocionante - aliás, emoção é o mote impressionante do testemunho de Sebastião Fortuna
tudo sob o fio condutor da “procura da verdade” e de “ajudar a tornar um mundo um pouco melhor”, na convicção de tal ser obrigação de cada um e forma de agradecer a vida...

enfim, contas difíceis de fazer mas a experiência não cabe em relato algum e é bem caso de lá ir tirar teimas, de apetite aguçado para múltiplas formas de expressão artística mas sobretudo sorver a intensa narrativa humana e, nada menos, a autêntica força da natureza, talvez proveniente da resistente aldeia no sopé da Serra do Louro, na Arrábida: a Quinta do Anjo*

se de facto, sic, partimos com o mesmo que trazemos à nascença, “nus e descalços”, certo é que a vida tem que ser vivida e realizada de sonho em sonho, pois ao contrário do ideal – que é como a estrelinha que indica o rumo mas não se alcança – o sonho é alcançável, sem desistir, passo a passo

em resumo, conclusão e, não por acaso, jeito ainda de homenagear outro Sebastião, o poeta Sebastião da Gama, um jametinhasdito de júbilo: “Pelo sonho é que vamos” !!!


PELO SONHO É QUE VAMOS
Sebastião da Gama, 1953

«Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.

Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.

Chegamos? Não chegamos?
Partimos. Vamos. Somos.»



observações são bem vindas
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* a dos cheiros a alecrim, tomilho, cardo, medronho, hortelã, amêndoa, noz, azevinho; onde pastam as cabras e as ovelhas, das tenras pastagens à crista coroada a moinhos da Serra do Louro, percorrida por intrépidos caminhantes; e a mesma Quinta do Anjo, aliás, da Ford Palmela, do queijo de Azeitão ou do Moscatel de Setúbal – na realidade com pertença e origem na Quinta do Anjo!

2008-11-11

quentes&boas




também o Ditos celebra o São Martinho, ao sabor quente e bom do ideal da partilha, sobretudo no sentido de quem mais tem para com os mais necessitados, conforme nos legou o Santo homenageado a poder de castanhas

paredes meias com os decisores orçamentais - outro exercício de partilha, por vezes no sentido dos mais necessitados para com os que mais têm, mas isso é outro jametinhasdito! - estão expostos os sem abrigo que o Terreiro do Paço abriga
à beirinha, mesmo, mesmo, da porta por onde são concedidadas avultadas garantias aos desabrigados bancos, legitimamente em nome da defesa dos depositantes e da estabilidade do sistema financeiro

mas é bom que o contribuinte sinta que o esforço orçamental abriga também os desvalidos, que em nada contribuíram para o desaparecimento de tantos milhões que agora faltam ao sistema bancário, financeiro, imobiliário e outros (como o sector automóvel) que agora aparecem a ratear ajudas de Estado
a Câmara Municipal, os diversos Ministérios, os comerciantes da Praça do Comércio, ninguém está a ver ?


jametinhamdito!!!






observacões são bem vindas

2008-11-10

moldes

com a impressionante manifestação dos professores - de sábado passado - há que tirar, pelo menos, uma ilação política de fracasso ministerial: os governantes, como os políticos em geral, têm que ser capazes de reunir boas vontades para as mudanças que propõem, mesmo contra a má vontade contra as mudanças que propõem

mas a vida continua e novos dias seguem com discordâncias no horizonte

soluções?

falta aqui uma perspectiva de apaziguamento, além de algo construtivo, como é próprio e se espera de quem tão mobilizadamente rejeita a mudança

segundo o mobilizador sindicato dos professores, muitos profissionais do ensino e diversos políticos de oposição, incluídos vários da oposição, até nem estão contra a avaliação de desempenho - o principal pomo da discórdia - mas, jametinhasdito, "não nestes moldes" !

bom, se de facto há boa fé de quem apresenta semelhante objecção impõe-se-lhe que apresente outros moldes, os verdadeiros, os melhores !!

ah... já agora, que ofereça as suas propostas em moldes que todos os demais intervenientes aceitem, designamente cada um dos professores, pais, alunos, responsáveis governativos e cidadãos em geral

até para aproveitar o privilégio único de poder discutir, perorar e contra-propor sobre o sistema de avaliação, a que a generalidade dos trabalhadores nunca teve naturalmente acesso, será muito bem vindo o apaziguamento construtivo do sindicato dos professores:

_ apresentem-se de bons moldes !!!




observacões são bem vindas

2008-11-07

enquadramento



«se puderes olhar, vê; se puderes ver, repara», diz Saramago, por suposto Livro dos Conselhos, in "Ensaio sobe a cegueira"

e além do mais, a percepção é selectiva - afinal, além de olharmos o mundo com os nossos olhos, vemos o mundo com o nosso ser

o que vemos depende, pois, de quem somos

sendo certo que o que somos é muito função do que vamos olhando, vendo, reparando - e das ilações que de tudo retiramos, enfim, as nossas circunstâncias

mas para podermos reparar no que é mais relevante, edificante, para sermos pessoas melhores, como poderemos ver "bem" o mundo?

bem, há que olhar melhor - e isso treina-se

por exemplo, os cineastas, pintores e fotógrafos, entre outros tipos de artistas, exercitam o enquadramento, para um melhor recorte, selecção e consciência do mundo - do que querem ver, do que querem trabalhar, do que querem mostrar

em tal exercício, aprendemos a ver melhor, a perceber que a visão da totalidade é inalcançável, a conviver com a escolha de perspectivas, a eleger uma perspectiva para a captação de um instante, bem sabendo que outras se lhe justapõem, como iguais pedacinhos de vida recortados pelo posicionamento, experiência e desejo de cada observador

melhor, de cada interveniente, pois o sujeito que observa interfere com a realidade observada e com as observações subsequentes, tanto mais se oferece a sua particular observação à apreciação e crítica de outros observadores, reconhecendo que cada observação se integra na realidade, observada ou, talvez, a observar

pois que os pedaços de mundo a que temos acesso dependam, ao menos em certa medida, do livre arbítrio, de tal modo que, ao menos nessa medida, vemos o mundo que somos e somos o mundo que vemos

a centelha de vida, o incomensurável inerte, a memória dos tempos idos e vindouros, fará também o seu recorte, sendo de admitir que tudo se completa, alguma vez

se for o caso, se vale a pena reparar, o melhor é tentar estar preparado e, em todos os sentidos, treinar o olhar, para poder ver/ser melhor

porque o que vemos e somos, é o que do mundo recortamos






observacões são bem vindas

2008-11-04

halloween santoral


festiva é a inocência e também a salvação ou o seu desejo feito carne por manifestação da alma

ancestralmente, abrimos ao Além uma fresta, para (re)visitação recíproca, porventura um tanto menos inocente

é bem verdade que as religiões, como o comércio, a vaidade ou apenas a pulsão gregária, tendem a capturar até (ou precisamente por isso) o íntimo mais íntimo de nós, a pretexto da sua exortação colectiva, exultação pública ou exaltação mística - e, bem assim, por qualquer que seja a forma em que se manifesta o Amor

mas ai de nós, mas ai de quem, mas ai dos deuses: valha-nos o fio invisível que tece o universo, universos, os sóis inumeráveis, as infinitas terras e as esferas infindas que servem o epiciclo, que vertem à equação inicial e, revolvidas todas as paralaxes, volvem à pedra primeira, à poeira primitiva de que somos feitos e a que tornaremos em cada grão e em todo o infinito, simultânea e sucessivamente

festejemos, pois, em cada estame, espiga e flor, em cada pão, abraço ou ilusão, semente e cimento da vida por inteiro, incluído o primordial infinito que antecedeu a vida, o infindo suceder que perdurará depois e o continuum instante que nos luz o olhar, que o cruza, acende e reluz, mágico segmento de vida, morte e eternidade - ao menos - caso ou para quem isso tenha importância alguma ...

de todo o modo, desde sempre há um começo e recomeço, nascer e renascer, fim-de-ano e ano-novo-vida-nova, a-vida-são-dois-dias-e-o Carnaval-são-três, cinza para a Fénix reviver, luz ao fundo do túnel, depois da tempestade a bonança, graal imaginário, pura fé e científica esperança

simplesmente, na flor da inocência, na inquietude da máscara, perante a incerteza do desconhecido, pedimos mesmo o impossível, o milagre: a ressurreição, o pão-por-deus, o doce-ou-travessura, a festa, a festa, a festa, a que por ora chamamos Novembro mas certo é que, numa altura ou noutra, foi sempre assim

e porque não halloween?

jametinhasdito!

carpe diem




observacões são bem vindas

Novembral






















ou a Ditosa Gloriosa...







observacões são bem vindas

2008-11-03

de que

«Seria conveniente que os autarcas, últimos garantes da existência perene do PSD, se consciencializassem [de] que eleições quase em simultâneo poderão fazer com que muitas autarquias possam ser tomadas de assalto por uma inércia nacional pró-socialista.»

Luís Filipe Meneses, muitas vezes citado por variada imprensa em secções primas do Ditos, é hoje retomado no Público.pt, a partir de excerto de um fabuloso artigo de verrina partidária entre correlegionários momentaneamente desavindos, publicado no Jornal de Notícias

o texto é toda uma antologia, embora também lhe assente bem a classificação de tempo puramente perdido

o "que" é a correcção efectuada pelo editor de citações do (periódico?) on line «publico.pt», que intercala um preciso [de], como acima sublinhado

jametinhasdito!

parafraseando outra eminência nortista & elitista, penso eu de que !!






observacões são bem vindas




PS - a merecer idêntico reparo, a designação de diversos estabelecimentos "Coisas que eu gosto", como restaurantes e lojas de prendas, nem sempre citando Elis Regina ... !!!

2008-10-31

Eolos

a TSF noticia as dificuldades que enfrentam as «novas fábricas de energia eólica» ...


trata-se mesmo de fabricar vento ?

jametinhasdito !


ora, as ditas "fábricas" são afinal centrais eléctricas, que produzem electricidade a partir da energia do vento, ou seja, a energia eólica é que é aproveitada para "fabricar" electricidade, transformando uma forma de energia noutra

de facto, também o vento é o resultado de transformações de energia

e, bem assim, a utilidade que se retira da electricidade é a sua transformação noutras formas de energia, sucessivamente

no caso da energia eléctrica produzida a partir das "ventoinhas" dá-se mesmo o caso de poder ser usada para ligar o motor de outras "ventoinhas", ou seja, aproveitar o vento para produzir vento, paradoxo da era moderna e do ar condicionado !!!

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observacões são bem vindas

PS - o blog está pronto mas ...

bem, o progresso e a história da humanidade desde sempre tiveram enormes afinidades com a energia


no período ínfimo da vida do Homem sobre a Terra, a era da extracção em massa dos combustíveis fósseis corresponde a uma modestíssima fracção, pois o recurso massivo ao petróleo e carvão - como antes a lenha, que levava as legiões romanas a produzir guerras em todo o mundo ... onde é que já ouvimos isto? o Bush anda a ler história da antiguidade ... - é insustentável e totalizará apenas 200 anos ou pouco mais

o que justifica naturalmente a premência de procurar novas formas de obter energia, conservando a que existe (o uso mais racional de energia é evitar o respectivo consumo) e investir no estudo de novas fontes de produção, de preferência renováveis, incluindo o bom do senhor vento - a energia eólica


Eolos é um dos (cem?) nomes de Deus, em veneranda homenagem a insondáveis forças anímicas capazes movimentar o ar, ou seja, fabricar vento

na realidade, Eolos é tributário de Rá, outro dos Seus nomes, porque a matéria que constitui o ar é sujeita a outras insondáveis forças, como a especial energia do sol, que aquece de forma desigual – assimétrica, em linguagem power point – as massas de ar do nosso belo planeta azul, corzinha que também deve algo à luz do sol e às suas frequências de onda, mas isso é outra história

íamos então no aquecimento desigual do ar, causa de diversidade da expansão e densidade, criando diferentes massas de ar, que então se deslocam, gerando o vento – o ar em movimento
aliás, a própria existência e composição do ar deve muito ao sol, pois a sua energia, em ondas radiantes, luminosas e outras, é transformada e aproveitada de várias formas, para o que agora interessa incluindo a fotossíntese, uma extraordinária e poderosa forma de alquimia, que faz da luz … ar

enfim, produzindo reacções químicas e libertando componentes essenciais para a atmosfera e para a vida tal como a conhecemos à superfície da Terra

neste ponto, um parêntesis: o astrofísico espanhol Juan Pérez Mercader, baseado nos estudos científicos, afirma-se convicto na existência de vida para lá da que existe na Terra, ou seja, para «além do mundo» – tudo leva a crer que não se pronunciou quanto à possibilidade da existência de vida no «mundo do além» – ou seja, para lá da que conhecemos, mas isso são ainda outras histórias

por tudo, o ar move-se

ora esse movimento é susceptível de aproveitamento para as actividades humanas, maxime, económicas, dinamizando veleiros e moinhos, a partir da aplicação de princípios de transmissão mecânica vectorial que as civilizações conhecem e desenvolvem desde há milénios

mas a vida em geral já aproveita o vento desde há milhões de anos: por exemplo, talvez desde que os dinossauros iniciaram longinquamente o percurso de evolução que os fez pássaros, estes amiúde pairando sobre as correntes ascendentes de ar quente, para melhor verem e alcançarem alimento, abrigo e companhia

mais recentemente, o homem usa os mesmos princípios através de planadores variados e ainda para outros fins menos lineares

certo é que a carência de energia – aspectozinho que tem historicamente justificado a passagem de uma era para outra – e as exigências de conforto, bem como as perspectivas de lucro, exponenciaram o engenho de indivíduos e comunidades

e assim a força motriz do vento é hoje responsável pela geração de importantes quantidades de electricidade – conceito chave para a industrialização, para a optimização partilhada dos recursos e para os níveis actuais da qualidade de vida

chegamos então à aposta intensiva em meios de produção de electricidade a partir da força do vento, algo a que se poderia chamar “produção eoloeléctrica”, por paralelismo com “produção termoeléctrica” – a partir do calor, resultante da queima de combustíveis, na maioria fósseis – e com “produção hidroeléctrica” – a partir da água, mediante armazenamento em albufeira ou fluxo fluvial, mas centrais «a fio de água»

mas tal possível palavra – eoloeléctrica é perfeitamente plausível segundo as regras usuais – apresenta dificuldades de fonética ou dicção, em várias línguas, e bem sabemos que se a linguagem cria expressões adaptadas ou apropriadas aos conceitos, também a sua formulação prática é inibida ou potenciada pela dificuldade ou facilidade de uso, entre outras explicações menos ortodoxas

por exemplo, “Web log” deu “blog” e “telefone móvel” deu “telemóvel” *


PS2 - * noutros contextos, o conceito prevalecente que foi assimilado e incorporado na linguagem é algo mais simples – em geral, resume-se ao elemento “móvel”

por cá não foi assim, princípio ainda se ensaiou ”portátil” mas depressa o termo se anichou aos computadores, que passaram a ser também portáteis

curiosamente, “celular” tem bastantes adeptos, em várias línguas, incluindo a portuguesa no Brasil, para designar o telefone portátil, por referência ao processo tecnológico envolvido, mesmo para quem não faz ideia dos processos a que a tecnologia recorre para realizar as comunicações “móveis”, ou melhor, sem base em rede fixa

mas como em tantos outros temas na vida, nem sempre estamos todos de acordo - e nem temos que estar, pois é ?


2008-10-30

MagalhãeZito

























eis o amiguinho Magalhães, de que já tanto se falou e disse

resistente, a brincadeiras, a distracções e - jametinhasdito! - a muitos disparates de gente grande, é um computador português - palavras para quê?

poucas, então: só para dizer que é catita de aspecto e jeito, com programas lúdicos e educativos, como a Guida e o Zito, que ajudam a descobrir e a querer aprender

em boa hora vestido de azul, como o planeta que habitamos, oxalá dê a volta ao mundo a aposta na sua distribuição generalizada em condições acessíveis!






observacões são bem vindas