2009-06-29

2009-06-27

nem cheirar


apresentador de TV referindo-se à colega de apresentação, em momento adiantado de esforçada e cansativa sessão: "também aguento o cheiro hediondo dela e não me queixo"...

se isto não é uma queixa...

jametinhasdito!



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2009-06-22

opusler


sobre leituras, vai um respigado de uma entrevista, publicada a 13 de Junho de 2009 no jornal "i", ao padre José Rafael Espírito Santo, o líder do Opus Dei em Portugal, realizada por um seu ex-aluno:

[perguntado se leu Saramago]

«Saramago? francamente, eu uma vez comecei a ler um livro de Saramago e desisti à segunda página.

Qual?
"O Memorial do Convento". Ali há uma intenção desde a primeira página de transmitir determinados conceitos. Vê-se como é uma distorção da realidade
.»

digamos que se algo pode distorcer a realidade é julgar um livro ao chegar à segunda página – eventualmente e para quem esteja de bom coração, a terceira página poderá proporcionar novos modos de ver!

certamente a leitura completa de um livro permitirá, além da indispensável visão de conjunto, conhecer melhor os conceitos transmitidos, o que eles representam e quanto deles se apresenta simbolicamente

precisamente para suscitar uma visita às linhas e entrelinhas que só amplia o poder benéfico da reflexão, em confronto pleno com as experiências (de vida e de leituras outras) do leitor

ainda quanto à leitura, a entrevista prossegue:


«Desencorajam a leitura de livros que ponham em causa a fé católica?
Qualquer pessoa que lê um livro convém que antes se informe. Procura-se aconselhar as pessoas que se informem e vejam se precisam de ler um livro que possa pôr em causa as suas convicções. A fé não é uma questão de inteligência. Há pessoas muito inteligentes que não têm fé e outras menos que têm.»

informar-se antes de ler?

jametinhasdito!

de facto a leitura é transformadora, dá a conhecer e faz reflectir, numa simbiose entre o que nos é mostrado pelo que está escrito e aquilo que a nossa reflexão íntima nos revela

estamos e não estamos sós na leitura, há uma orientação mas relevante é o papel destinado ao leitor

daí o perigo da leitura, para quem concebe o mundo sem a luz da livre revelação interior de cada um

então haverá uma entidade ou uns senhores, que sabem e dizem aos outros o que devem ler e o que devem não ler

como saber a quem e por quem é conferida semelhante autoridade?

e se a autoridade lhes advém de lerem livros só até à segunda página, o caso está muito enquinado, faltam a fé e a inteligência mas também a humildade, essenciais para uma aprendizagem mútua, construtiva e libertadora

como a que nos oferecem leituras múltiplas, diversificadas e abertas ao surpreendente



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ps – instrutiva também é a leitura completa da entrevista, designadamente no que se refere ao excelente papel de parideira e dona de casa subidamente reservado às mulheres naquela obediência, coisa assim abaixo do medieval


2009-06-12

15 anos


e vão 15 anos !


ao princípio o nome parecia periclitante, cai não cai…


mas já lá vão 15 anos de Associação Cais, de Solidariedade Social e sem fins lucrativos, procurando contribuir para melhores condições de vida de pessoas sem casa/lar, social e economicamente vulneráveis, em situação de privação, exclusão e risco


objectivos de mérito: colocar na ordem do dia as temáticas relacionadas com a Pobreza e Exclusão social; potenciar o trabalho em parceria e rede; valorizar os beneficiários (utentes) do sistema social enquanto elementos críticos e activos; desenvolver e implementar estratégias de intervenção social adequadas às necessidades das populações alvo, pessoas muitas das quais “sem abrigo”


nos cruzamentos da cidade, os persistentes vendedores da revista disputam a atenção dos automobilistas com os distribuidores de jornais gratuitos e há um mês passaram a usar chapéu vermelho !


a revista Cais continua magnífica, de retorno muito acima do custo (2 euros, que revertem para os vendedores) e sempre com iniciativas de interesse

  • 18 de Junho, Fnac Chiado: 15 Anos, 15 Contos - Lançamento e Exposição de ilustrações;
  • 23 de Junho, \CCB, Tertúlia “Portugal Desigual” debate a Revista CAIS e o seu papel na sociedade portuguesa;
  • 2 a 5 de Julho, no Seixal: Final do Campeonato Nacional de Futebol de Rua, entre 15 equipas vencedoras dos distritais


actividades e projectos não faltam, tem havido voluntários e apoios mas bem se vê que não chegam, nunca são de mais e basta olhar à nossa volta


em Lisboa, escadas, arcos e arcadas (a morada dos arcanjos?) dão guarida a numerosa população de edredon de cartão... :<


só há boas razões para apoiar a Cais !!


e todas as razões para os nossos parabéns !!!





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2009-06-09

sempre em festa



a magnífica Visão desta semana oferece, entre tantos motivos de interesse, uma entrevista a Alexandra Lencastre, actriz catapultada por um papel de... entrevistas, por sinal na cama, sempre cenográfica, e actualmente, pelos vistos, a representar novamente uma personagem entrevistadora

como é de esperar, Alexandra Lencastre passa em revista a sua carreira e expectativas, vitórias e trabalhos, equívocos e histórias do seu percurso pessoal e familiar, incluindo sonhos e seus limites

descrente no "para sempre" mas disposta a casar outra vez, Alexandra Lencastre jametinhadito: "Adoro casamentos! Uma festa é uma festa, não tem nada a ver com a parte oficial de assinar papéis."!!

mesmo nada a ver !!!




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2009-06-07

votos contados



o Ditos fez campanha com 2 objectivos:

um, vital, que apelava à participação e animava contra a abstenção, afinal a grande vencedora desta jornada eleitoral europeia em Portugal, deixando a léguas os partidos e sobretudo espelhando a competência da opção por um dia de eleições a meio de um período de férias dos portugueses;

e outro, táctico, que se destinava a arregimentar as melhores vontades para assegurar o embarque de um basbaque para o termo de Estrasburgo ou mesmo para adelá, se viável !

contas feitas, o resultado salda-se, em benefício de legítima auto-estima blogueira, por um honroso 1-1, talvez um caso de empate moral ...

na realidade, o Ditos assume por inteiro a derrota clamorosa do incentivo à participação, saudando democraticamente a justa vitória do andando e marimbando, do desinteresse e da abstenção !!

por outro lado, a julgar pelos resultados provisórios disponíveis a esta hora, o CDS/PP terá que aliviar o jardim à beira mar plantado de dois eurodeputados, pelo que tudo leva a crer ter sido cabalmente conseguido o segundo intento de pôr as malas à porta ao Nuno Melo, oxalá o Portas (podem ser os 2 manos) lhe sigam na peugada eurológica !!!

por último e sem fastio, imagina-se que tudo o que é partido ou parecido estará a cantar vitória, a esticar percentagens e a impingir extrapolagens

mas a realidade tem números, que são também importantes, por vezes mais do que possa pensar-se em leituras apressadas e sob demagogias encantatórias

partidos

%

Lugares

PPD/PSD

31.77

8

PS

26.59

7

BE

10.68

3

CDU (PCP-PEV)

10.62

2

CDS-PP

8.39

2

Outros

11.95

0

Total

100

22


tudo somado, fácil é verificar que o partido mais votado elegeu mais um eurodeputado que o segundo classificado - a bem dizer, jametinhasdito: nada de extraordinário ... e até constituindo prémio e alento razoável para o partido que tem o encargo de governar em período de crise

e os partidos da esquerda elegeram 12 eurodeputados contra 10 dos partidos da direita, também dentro do habitual - tendo embora o perigo mas também o alerta para o perigo de dividir a esquerda beneficiando a direita, o que deverá fazer pensar um bocadinho, com consequência, quem ainda acredite na maturidade responsável que é necessário reservar para os momentos decisivos, como sejam as próximas eleições legislativas

relevante em termos europeus, ou seja, para efeitos da composição de forças políticas no Parlamento Europeu (que não para o parlapié da generalidade das acções de campanha, que tentaram e conseguiram confundir as eleições) é que o PPE, que inclui PPD/PSD e CDS/PP, tem globalmente muito maior expressão que a conseguida por estes partidos em Portugal

em termos nacionais, nenhum dos candidatos ad hoc, com o devido respeito, obteve qualquer expressividade e dá a impressão de que alguns deles nem o voto da família conseguiram - imagine-se os sorrisos amarelos amanhã ao pequeno almoço

mas com a inventiva criatividade de todo o bicho careta querer ser candidato com o seu próprio cartaz e à força aparecer uma ou outra vez na TV, desperdiçaram-se 12% dos votos, numa ineficácia irresponsável que acresce à divisão da esquerda e à elevada abstenção para falsear a justiça dos resultados - que não o seu carácter democrático

é bom lembrar, no entanto, que até Hitler chegou ao poder por via eleitoral

e vale a pena reflectir (e agir) sobre o tremendo desperdício do poder eleitoral que são a abstenção, a desunião e a pulverização

ou seja, convém sempre distinguir como e em quem é que se vota

antes de tarde piar...




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2009-06-03

campanha europeia


e o Ditos (re)entra na campanha para as eleições europeias, que em Portugal se realizam daqui a 3 dias, num domingo 7 de Junho de insondáveis geometrias também partidárias e eleitorais

 

para começar, uma declaração de interesses, de resto já antecipada - o Ditos aposta na Europa!


por várias razões: 


- porque onde a terra acaba e o mar começa é por inteiro território europeu, aliás, como dizia o Poeta, o seu rosto! 

- mas também porque o desígnio de Portugal sempre foi ser de todo o mundo e, portanto, Europa incluída!! 

- e também por acreditar que valeram bem a pena (!!!) os esforços de quem conseguiu acabar com o isolamento de Portugal na Europa e no mundo, integrando o País na mais relevante experiência de integração regional de que há memória sob a égide da paz e ainda pelos consideráveis e recíprocos benefícios económicos e de coesão social e política da nossa participação na União Europeia e no Euro

 

mas ainda porque há um futuro melhor a prosseguir, um passado a respeitar, um presente a conquistar, porque é preciso lutar contra a obscuridade e contra a xenofobia, porque há uma carta de direitos humanos a efectivar, porque há novas identidades a alcançar sem descaracterizar o que é primordial ao nosso ser e sentir de Nação mais antiga da humanidade, por vezes sob condições muito adversas que os nossos antepassados souberam superar e transmitir, e há que passar a mensagem às novas gerações, contra a indiferença, a dissolução e a abstenção, dando a cada um os meios, mos incentivos e as oportunidades para construir a fortaleza interior a que se referia o Português e Europeu Francisco de Holanda


também por causa disso e embora pouco disso tenha sido ouvido na campanha em curso, o Ditos tem um candidato preferido para mandar para longe - com efeito, muito se confirmou de há tempos para cá e Nuno Melo, cabeça de lista, dirigente partidário do CDS/PP e membro da Comissão Parlamentar de inquérito ao designado caso BPN, tem feito uma exemplar gestão eleitoral da agenda de comunicação das investigações em que participa, tudo conduzindo em benefício da sua candidatura e sem olhar a elementares princípios de hombridade, de ética política e de civilidade eleitoral, ou seja, conseguiu exceder as péssimas previsões que mereceu

 

efectuado o registo de interesses, importa assinalar brevemente o que a campanha tem oferecido a pequenas deambulações urbanas, pequeníssimas deambulações televisivas e alguma atenção à comunicação social ouvida e lida, on line incluída: no essencial, nada de novo!!

 

o que há de novo parece irrelevante - uns cartazes com rostos novos e siglas indecifráveis, algumas sem mais  prostradas no chão à porta do metropolitano, que não construíram um mínimo de mensagem reconhecível junto do eleitorado, outros cartazes escurecidos entretanto tentativamente branqueados, mais umas cachaporradas nos candidatos do PS à boa maneira dos desiludidos do PREC, o BE continua a apoiar a ETA e numa deriva palavrosa encantatória de quem se quer deixar encantar por desarrimados arroubos de regresso a nacionalizações de vários sectores, o PC mantém-se militantemente esconjurado em coligação (azul!) descomunizante de quem não reparou na queda do muro de Berlim, vai para uma eternidade, como certos crentes durante séculos não admitiam os movimentos siderais da Terra


e pouco mais

 

a incomodidade do PPD/PSD no seu próprio fato é antiga e a xenofobia securitária do CDS/PP já fede


ah... o Partido da Terra (?) apresenta como joker o movimento Libertas - seja lá o que seja, apresenta-se como (sic) «o único partido que é totalmente devotado a construir uma União Europeia melhor para si. A Libertas é o único partido que é pan-europeu. Isto significa que quando vota por Libertas está a votar por um partido que pode efectivamente trazer uma verdadeira possibilidade de tornar a UE mais aberta e responsável» 


jametinhasdito: e responsável… está convencido? além da linguagem cuidada e exemplar, tipo bué da fixe, pode não aspirar a ter grande votação mas anuncia muita devoção!!!



e é isto, por junto, razão porque fez bem quem, para se informar, não esperou pelo período de campanha eleitoral, época sinistra de arreigada intolerância


a tolerância pode nem ser uma das 7 virtudes e tão pouco uma das 4 virtudes cardinais mas sempre é uma regra de conduta moral e de boa convivência social, que parece incompatível com as campanhas eleitorais por notória falta de respeito para com as demais propostas partidárias, para com a decência no cumprimento de um mínimo de obrigações informativas especificamente em matérias referentes às eleições em questão e para com a inteligência dos eleitores e dos cidadãos em geral


se apresentar e defender o próprio programa eleitoral é um direito e um dever dos candidatos partidários, obrigação maior é respeitar sempre os outros pontos de vista, com elevação intelectual, crítica construtiva e apresentação de propostas alternativas ou, numa palavra, tolerância


mas obviamente é preciso muito mais do que isso e temos entre nós pessoas com capacidades para tudo isso e muito mais, embora talvez se encontrem muito poucas nas listas eleitorais - mas se não estão nas listas, estão pelo menos nos cadernos eleitorais e então podem e devem ir votar


e por tudo, domingo que vem, é favor ir votar, para um bom começar!!!





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2009-06-01

soquete

dia cedo, vias escassas, tempos rarefeitos, trajectos repetidos e ... numa imperceptível fagulha, curva apertada, cruzamento apressado, estacionamento roubado e eis senão que ... recíprocas e lancinantes apitadelas, chiados travados no asfalto disputado, faixas em contra-mão a assegurar a adrenalina em urbana competição, a chuva dissolvente em modo trânsito automóvel do stress quotidiano ...

e é então nesse crescendo que, de dois carros bruscamente parados no verde saiem dois condutores, mais outros espectadores, transeuntes, apaziguadores ou nem por isso de mais nervosos que os próprios contendores, que se fitam, irados, ameaçadores, no ar quilómetros de provocação encurtados a distâncias de um arregaço de mangas sustido já em embrião, os punhos atrás na culatra e na câmara um fatídico palavrão _ meia branca!

_ meia branca! _ atira venenosamente ao outro o mais incendiado em olhos raiados a faíscas provocadoras, na preparada espera de uma reacção, preparada também, pois então, que as cartilhas das horas de ponta já não deixam um automobilista sem resposta preparada a não ser que ... 

surpresa? a não ser no caso raro, mesmo improvável, que a infâmia da ofensa teime em acertar na carapaça de uma insuportável indiferença, na muralha de um implausível auto-controlo ou ... será o caso? na desarmada armadura paralisante da ... estupefacção !!

meia branca?

jametinhasdito!!

ora... assim precocemente acaba o que poderia ser uma contagiante, bela (mas perigosa, se acaso resvala às vias de facto) e modo geral interminável discussão!!!

abençoada a gaveta das peúgas quando oferece arma notória a quem se atreve, a certas horas, a entrar de carro no bulício da cidade 


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2009-05-26

in submissão?






















se calhar é assim que todos os municípios tratam os Munícipes mas a Câmara Municipal de Sintra jametinhadito ... !
























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2009-05-24

ai o cabelo

o cabelo é que me está anestesiado, jametinhadito a bi a quebrar o gelo aos expectantes "pacientes" que a esperam à porta da sala de operações!

aos 102, uma perna fracturada é lá razão para preocupação de netos que melhor fariam em cuidar de si próprios mais da respectiva e imberbe prole descendente?

bem, caso seja que se não perca a feminina compostura!!!




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2009-05-18

menorização

Cavaco viajou à Turquia

em férias, visitou a Capadócia, realizando o sonho de Maria

em toda a parte do mundo há sonhos impossíveis de realizar para muitas mulheres

perguntado se há na Turquia menorização das mulheres, conferiu que não, aceitando simpaticamente a explicação da guia turística (?)  assente na velha desculpa que serve a muitos ideólogos islâmicos para tentar desculpar o indesculpável: jametinhamdito que ao rezar na mesquita, os homens baixam-se, vão literalmente ao chão, pelo que poderiam ficar incomodados caso lá estivesse uma mulher no mesmo preparo ritual 

ou seriam as mulheres que ficariam incomodadas? 

bom, que interessa lá isso? interessa é que seria um incómodo e fica o Cavaco esclarecido

num mundo de gritantes e injustas discriminações contra as mulheres, há muitas batalhas a empreender, a continuar, a vencer, na Turquia como em qualquer outro local

acreditando que um dia o mundo será menos desigual em desfavor das mulheres, é preciso lutar activamente e começar pela consciência do problema, aventando soluções e reclamando equilíbrio, igualdade de oportunidades e a dignificação das mulheres - em rigor, dos seres humanos em geral 

com o Cavaco já sabemos que não contamos

e daí ... também parecia impossível ver uma réstia de humor naquela formalidade empedernida que sempre carregava no rosto e agora, apesar de cada vez mais na mesma na postura retrógrada de sempre, é vê-lo a enredar-se em piadas e trocadilhos

mesmo de mau gosto, sempre é uma mudança ...

:-<





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2009-05-16

fotografArte

O fotógrafo:

Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada a minha aldeia estava morta.
Não se ouvia nem um barulho, ninguém passava entre as casas.
Eu estava saindo de uma festa.
Eram quase quatro da manhã.
Ia o Silêncio pela rua carregando um bêbado.
Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada.
Preparei minha máquina de novo.
Tinha um perfume de jasmim no beiral de um sobrado.
Fotografei o perfume.
Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo.
Fotografei o perdão.
Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa.
Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre.
Por fim eu enxerguei a Nuvem de Calça.
Representou para mim que ela andava na aldeia de braços com Maiakovski - seu criador.
Fotografei a Nuvem de Calça e o poeta.
Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa mais justa para cobrir a sua noiva.
A foto saiu legal.

Manoel de Barros, in Ensaios Fotográficos, Record,2005

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2009-05-09

Nós, Europa

inexoravelmente, a geografia conferiu-nos a morfologia, a configuração e o simbolismo de rosto da Europa

aqui mesmo onde acaba a luz, o poente extremo, direito ao mar, começa a Europa

nós, afinal, sempre fomos parte da Europa, mesmo se dela nos afastámos no negrume de prolongadas noites, na surdez de alongados silêncios, na solidão de interminável, orgulhoso e vergonhoso isolamento

mas a Europa engloba também uma ideia de paz e um espírito de união, ecumenismo e esperança, lugar de construção de harmonias e diferenças, convívio entre culturas sob o respeito dos tempos, da memória, dos sonhos que nos exige o futuro

há na Europa um mar de sabedoria que é um continente habitado por mulheres e homens que receberam e sabem transmitir a possibilidade e o advento do trabalho frutuoso, da tolerância e da exigência de um mundo melhor

boas razões para, hoje em especial, celebrar a Europa



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2009-05-04

O beijo

de Alexandre O'Neill, porque sim, porque é ditoso e porque a semana vai a sonhar poesia

Congresso de gaivotas neste céu
Como uma tampa azul cobrindo o Tejo.
Querela de aves, pios, escarcéu.
Ainda palpitante voa um beijo.

Donde teria vindo! (Não é meu...)
De algum quarto perdido no desejo?
De algum jovem amor que recebeu
Mandado de captura ou de despejo?

É uma ave estranha: colorida,
Vai batendo como a própria vida,
Um coração vermelho pelo ar.

E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam, loucas!
De inveja as gaivotas a gritar...




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2009-05-02

Ditosa por Maio




















será  coreografia aérea? 

par em formação migratória?

ou a história de uma gaivota e do candeeiro que a ensinou a voar?





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2009-04-26

25 de Abril, a 35 anos de luz

privilégio do Ditos, transcreve-se artigo de um participante dos revolucionários acontecimentos de 25 de Abril de 1974 que mantém um olhar atento e, com espírito de partilha, análise crítica e esperança, exprime o sentido das suas vivências e autorizadas observações


25 de Abril: Como se viveu e como se vive hoje

Por Fernando Cardoso de Sousa
Tenente-coronel reformado
Professor universitário

Para quem, como eu, viveu os momentos únicos do dia 25 de Abril de 1974, resulta gratificante reter imagens como a da transformação de um golpe militar numa revolução popular, com o entusiasmo com que toda Lisboa veio à rua saudar os militares, agitando cravos, vindos não se sabe donde, e celebrar uma festa da paz que inspirou todo o mundo.
Para quem viu o fim da guerra de África, da PIDE e dos seus informadores; do sistema de partido único e do medo de falar abertamente; da discriminação sobre a mulher e sobre os mais desfavorecidos; da impossibilidade de acesso à educação, à justiça, à saúde, pela maior parte dos portugueses; da vergonha de ser português em terra estrangeira… Para todos os que viram tantas outras transformações que, num ápice, mudaram por completo a face do país, esse (o do 25 de Abril) foi o tempo da descoberta, da entrega e da solidariedade.
Para quem, como os que nasceram depois dessa data, não faz ideia do que foi o 25 de Abril, nem o antes dessa data, nem o que significa não poder ser diferente; e que só sabe que não consegue emprego e que não tem um futuro assegurado; que assiste à deterioração da vida política e à corrupção das elites; que vê acentuar-se o primado do dinheiro, do consumismo, do fosso entre ricos e pobres e o aumento da pobreza, do desemprego, da toxicodependência e da violência... Para esses, o que é isso do 25 de Abril e da liberdade? Qual o valor da livre expressão se tantas vezes se vê dizer e fazer coisas erradas, com total impunidade?
É aqui que nós perguntamos qual a importância dos jovens não conhecerem os nomes das figuras principais do Estado Novo, ou da Revolução; não perceberem o interesse das comemorações que se insiste em fazer todos os anos; não quererem ouvir mais falar do Tarrafal, dos horrores da guerra, ou do valor da liberdade. Nós, diga-se em abono da verdade, não sabemos o que responder; não sabemos utilizar o 25 de Abril para explicar o presente e projectar o futuro. Não sabemos explicar a quem tem tudo o que é não ter nada?
E, talvez, tenha sido esse o grande mal dos que viveram o 25 de Abril: não terem cuidado de dar aos mais novos as dificuldades e a companhia de que necessitavam para poderem saber o valor de uma liberdade que se educa e se conquista, em vez do vazio de uma liberdade indiferente e irresponsável.
Não nos vão agradecer termos-lhes dado coisas demais e companhia de menos, pois estávamos demasiado ocupados a aproveitar a liberdade que tínhamos conquistado.
Só depois, quando também eles tiverem de lutar para conquistar a liberdade; só nessa altura se lembrarão de nós e festejarão então o 25 de Abril.
Poderão fazê-lo sozinhos, ou talvez ainda possamos fazer, com eles, uma democracia melhor do que a que conquistámos.


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2009-04-24

Abril, a 24

registo de interesses: Ferreira Fernandes é referencial para o Ditos, que se fosse um blog decente, em saber, qualidade expressiva e assiduidade, poderia quando muito aspirar a chegar quase ao calcanhar da última coluna do Diário de Notícias

há várias publicações, quase em toda a imprensa diária e semanal, que têm uma secção de "ditos", sob várias formas que mais dia menos dia serão aqui dissecadas, salvo seja - é desafio sentido

mas de todas cabe a primazia à mestria da crónica diária de Ferreira Fernandes, para além de outras qualidades jornalísticas já sobejamente demonstradas em carreira consistente, merecidamente reconhecida e com direito próprio ao patamar cimeiro de bem escrever e reportar

hoje (23/4) pega o boi pelos "ditos" e arrasa a mangonhice salazarenta que em Santa Comba Dão tenta trocar as voltas ao calendário da democracia e anuncia a inauguração dos arranjos no largo do ditador no dia em que Portugal celebra 35 anos da madrugada inteira e limpa

sim, o dia nascente derrubador do fascismo odiento, criminoso e miserável que arruinou vidas inocentes durante décadas, muito para além dos 48 anos a cultivar a tortura, o analfabetismo, a discriminação injusta, contra todas as diferenças e em especial contra as mulheres, a censura, a ignomínia, a fraude, a perseguição, a censura, o medo, o isolamento internacional do país, a humilhação dos portugueses mundo fora e portas dentro, a perpetuação da exploração dos mais fracos pelos mais fortes sempre sempre os mesmos, a mentira, a denúncia, a propagação das doenças e da mortalidade precoce, a subserviência, a clandestinidade, o êxodo emigratório, a estupidez, o enfado, a lavagem cerebral e a maldade

como Ferreira Fernandes exemplar e irrefutavelmente denuncia, os corregedores responsáveis pelo agendamento da cerimónia não se atrevem a declarar à transparência o que assim pretendem afrontar ou a clarificar que se arrogam celebrar o 24 de Abril no dia da Liberdade

lá ficam de ronha bolorenta e, à maneira dos chacais do botas, jametinhamdito que é para aproveitar o dia de festa nacional, esquecendo que o precioso Feriado foi conquistado à custa de muitas vidas sacrificadas pelo sanguinário tirano e para quem consente voltar ao passado é melhor lembrar que a morte saiu à rua num dia assim

esperemos que o batizo do largo e o seu criterioso cronograma inaugural não magoe a memória de quem perdeu os seus na luta por um País mais livre, mais justo e mais fraterno, que a democracia representa, a Constituição consagra e o 25 de Abril sempre simboliza



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2009-04-22

escolaridade

e eis que é finalmente anunciada a decisão: 12 anos de escolaridade obrigatória, em Portugal, país onde a luta contra o analfabetismo demorou séculos a travar

agora os arautos da desgraça poderão dizer que também tiveram a idéia, outros dirão que o país não está preparado, outros que iriam anunciar em breve, etc., mas foi Sócrates quem anunciou, essa não lhe tiram

medida estruturante do nível de vida a que aspiramos, só a elevação da escolaridade pode preparar os portugueses para superar o sacrifício de inúmeras gerações inteiras, que penaram para estudar e lutaram contra o desinteresse e a má vontade

e se de facto se conseguir abranger a totalidade da população, a escolaridade obrigatória até à porta da Universidade pode ajudar muito no desafio de minorar diferenças sociais no acesso ao ensino superior ou mesmo a tentar a dar a volta ao texto na luta contra a perpetuação do estigma da condição social, que hoje só muito raramente se vence e nem pode imaginar-se a que preço

um jametinhasdito de ouro para os 12 anos de escolaridade obrigatória!!!




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2009-04-21

outro

jametinhasdito da vacina semanal: ena, com tanta injecção qualquer dia sou outro por dentro, fica lá tudo alterado!!!



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2009-04-16

em cartaz











"mas que placares são estes da MFLeite?"

jámetinhasdito!

mas se é verdade que em campanha eleitoral valem todas as armas, é talvez questão de se procurar o enquadramento certo!!

na verdade, também na política se aspira à mais nua das verdades!!!




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