é despedida à moda do Porto, cumprimento abrangente, contido e económico mas, jametinhamdito!!...talvez mesmo um sensaborão economicismo tripeiro!!!
de despedidas temos sortido farto: além do bom dia, boa tarde e boa noite da ordem, há até já, até à vista, até breve, adeus, vá, xau (de
ciao; e retornadologismo, como
bué = muito
, coche = um pequeno pedaço,
cena = objecto, ...),
bye, ou
bye bye, até mais (português do Brasil),
venga (castelhano mas também portunhol raiano), até,
inté, té, até à próxima (muitas vezes complementado com o tradicional "se não for antes"), até daqui a (um) bocadinho, até depois, depois falamos, vemo-nos depois, amanhã continuamos, até amanhã e até para a semana - mesmo que nada esteja aprazado para amanhã nem para a semana pois a recorrente preposição limitativa ou concomitante serve a tudo, sozinha ou acompanhada,
non sense, humor e ironia
inclusive, como no 'até ao meu regresso' atirado por quem fica ou ainda em casos de prazo indefinido ou indefinível, como no terrível e temível 'até sempre', quantas vezes ditado em situações sem reencontro previsível ou mesmo de irreversível ou póstuma despedida
mas frequentemente acalentamos o ocaso como alguma forma de personalização, mais ou menos estereotipada: salve, as melhoras, depois dê (ou dou) notícias, diga alguma coisa, apareça mais vezes, volte sempre, a casa é sua, já sabe o caminho, venha quando quiser, estamos por cá, bata ao ferrolho, gostei de o ver, muito gosto, vamos falando, manda postais, mais logo tens mail, a ver se telefonas,
me liga, viu?, entre outras expressões habituais e para não entrar em regionalismos curiosos, ora estranhos, ora saborosos... -
tem avondo, eh eh ...
já se o interlocutor é próximo, como se foi intenso ou significativo o momento que antecedeu a despedida, cai bem acrescentar a formulação de um voto: saúde, o melhor êxito, muitos sucessos - e por aí adiante...
mas também para homenagear os sucessos anteriores ou a autoestima do interlocutor, é caso de desejar continuação dos êxitos, sucessos e prosperidades
ou tão só continuação de boa disposição, continuação de boa saúde, continuação de boa festa (
vernissage, recepção, inauguração, etc.) ou continuação de bom trabalho, continuação de boa colheita, continuação de boa viagem, continuação de boa vida, enfim, continuação seja do que for... espera-se que de bom!
então entra, de vento norte, a poupança padronizada: "continuação"
apenas ... e é tudo!
serve para qualquer situação, tenha ou não havido sucesso, saúde ou boa disposição
e evita equívocos e complicações, pois fica à interpretação de cada um - qualquer que seja o ponto de vista, estejam como estiverem, continuem como estão
naturalmente que alfacinhas ou mouros em geral poderão encarar a sintética assertividade portista com alguma perplexidade - 'continuação' de quê!?
mas despedida é despedida e a interrogação autoencaminha-se aos próprios botões, de toda a forma já o cimbalista vai de abalada, que se faz tarde
e por falar nisso...
Bisdigo,
a tout a l'heure :)))observações são bem vindas
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