2008-11-03

de que

«Seria conveniente que os autarcas, últimos garantes da existência perene do PSD, se consciencializassem [de] que eleições quase em simultâneo poderão fazer com que muitas autarquias possam ser tomadas de assalto por uma inércia nacional pró-socialista.»

Luís Filipe Meneses, muitas vezes citado por variada imprensa em secções primas do Ditos, é hoje retomado no Público.pt, a partir de excerto de um fabuloso artigo de verrina partidária entre correlegionários momentaneamente desavindos, publicado no Jornal de Notícias

o texto é toda uma antologia, embora também lhe assente bem a classificação de tempo puramente perdido

o "que" é a correcção efectuada pelo editor de citações do (periódico?) on line «publico.pt», que intercala um preciso [de], como acima sublinhado

jametinhasdito!

parafraseando outra eminência nortista & elitista, penso eu de que !!






observacões são bem vindas




PS - a merecer idêntico reparo, a designação de diversos estabelecimentos "Coisas que eu gosto", como restaurantes e lojas de prendas, nem sempre citando Elis Regina ... !!!

2008-10-31

Eolos

a TSF noticia as dificuldades que enfrentam as «novas fábricas de energia eólica» ...


trata-se mesmo de fabricar vento ?

jametinhasdito !


ora, as ditas "fábricas" são afinal centrais eléctricas, que produzem electricidade a partir da energia do vento, ou seja, a energia eólica é que é aproveitada para "fabricar" electricidade, transformando uma forma de energia noutra

de facto, também o vento é o resultado de transformações de energia

e, bem assim, a utilidade que se retira da electricidade é a sua transformação noutras formas de energia, sucessivamente

no caso da energia eléctrica produzida a partir das "ventoinhas" dá-se mesmo o caso de poder ser usada para ligar o motor de outras "ventoinhas", ou seja, aproveitar o vento para produzir vento, paradoxo da era moderna e do ar condicionado !!!

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observacões são bem vindas

PS - o blog está pronto mas ...

bem, o progresso e a história da humanidade desde sempre tiveram enormes afinidades com a energia


no período ínfimo da vida do Homem sobre a Terra, a era da extracção em massa dos combustíveis fósseis corresponde a uma modestíssima fracção, pois o recurso massivo ao petróleo e carvão - como antes a lenha, que levava as legiões romanas a produzir guerras em todo o mundo ... onde é que já ouvimos isto? o Bush anda a ler história da antiguidade ... - é insustentável e totalizará apenas 200 anos ou pouco mais

o que justifica naturalmente a premência de procurar novas formas de obter energia, conservando a que existe (o uso mais racional de energia é evitar o respectivo consumo) e investir no estudo de novas fontes de produção, de preferência renováveis, incluindo o bom do senhor vento - a energia eólica


Eolos é um dos (cem?) nomes de Deus, em veneranda homenagem a insondáveis forças anímicas capazes movimentar o ar, ou seja, fabricar vento

na realidade, Eolos é tributário de Rá, outro dos Seus nomes, porque a matéria que constitui o ar é sujeita a outras insondáveis forças, como a especial energia do sol, que aquece de forma desigual – assimétrica, em linguagem power point – as massas de ar do nosso belo planeta azul, corzinha que também deve algo à luz do sol e às suas frequências de onda, mas isso é outra história

íamos então no aquecimento desigual do ar, causa de diversidade da expansão e densidade, criando diferentes massas de ar, que então se deslocam, gerando o vento – o ar em movimento
aliás, a própria existência e composição do ar deve muito ao sol, pois a sua energia, em ondas radiantes, luminosas e outras, é transformada e aproveitada de várias formas, para o que agora interessa incluindo a fotossíntese, uma extraordinária e poderosa forma de alquimia, que faz da luz … ar

enfim, produzindo reacções químicas e libertando componentes essenciais para a atmosfera e para a vida tal como a conhecemos à superfície da Terra

neste ponto, um parêntesis: o astrofísico espanhol Juan Pérez Mercader, baseado nos estudos científicos, afirma-se convicto na existência de vida para lá da que existe na Terra, ou seja, para «além do mundo» – tudo leva a crer que não se pronunciou quanto à possibilidade da existência de vida no «mundo do além» – ou seja, para lá da que conhecemos, mas isso são ainda outras histórias

por tudo, o ar move-se

ora esse movimento é susceptível de aproveitamento para as actividades humanas, maxime, económicas, dinamizando veleiros e moinhos, a partir da aplicação de princípios de transmissão mecânica vectorial que as civilizações conhecem e desenvolvem desde há milénios

mas a vida em geral já aproveita o vento desde há milhões de anos: por exemplo, talvez desde que os dinossauros iniciaram longinquamente o percurso de evolução que os fez pássaros, estes amiúde pairando sobre as correntes ascendentes de ar quente, para melhor verem e alcançarem alimento, abrigo e companhia

mais recentemente, o homem usa os mesmos princípios através de planadores variados e ainda para outros fins menos lineares

certo é que a carência de energia – aspectozinho que tem historicamente justificado a passagem de uma era para outra – e as exigências de conforto, bem como as perspectivas de lucro, exponenciaram o engenho de indivíduos e comunidades

e assim a força motriz do vento é hoje responsável pela geração de importantes quantidades de electricidade – conceito chave para a industrialização, para a optimização partilhada dos recursos e para os níveis actuais da qualidade de vida

chegamos então à aposta intensiva em meios de produção de electricidade a partir da força do vento, algo a que se poderia chamar “produção eoloeléctrica”, por paralelismo com “produção termoeléctrica” – a partir do calor, resultante da queima de combustíveis, na maioria fósseis – e com “produção hidroeléctrica” – a partir da água, mediante armazenamento em albufeira ou fluxo fluvial, mas centrais «a fio de água»

mas tal possível palavra – eoloeléctrica é perfeitamente plausível segundo as regras usuais – apresenta dificuldades de fonética ou dicção, em várias línguas, e bem sabemos que se a linguagem cria expressões adaptadas ou apropriadas aos conceitos, também a sua formulação prática é inibida ou potenciada pela dificuldade ou facilidade de uso, entre outras explicações menos ortodoxas

por exemplo, “Web log” deu “blog” e “telefone móvel” deu “telemóvel” *


PS2 - * noutros contextos, o conceito prevalecente que foi assimilado e incorporado na linguagem é algo mais simples – em geral, resume-se ao elemento “móvel”

por cá não foi assim, princípio ainda se ensaiou ”portátil” mas depressa o termo se anichou aos computadores, que passaram a ser também portáteis

curiosamente, “celular” tem bastantes adeptos, em várias línguas, incluindo a portuguesa no Brasil, para designar o telefone portátil, por referência ao processo tecnológico envolvido, mesmo para quem não faz ideia dos processos a que a tecnologia recorre para realizar as comunicações “móveis”, ou melhor, sem base em rede fixa

mas como em tantos outros temas na vida, nem sempre estamos todos de acordo - e nem temos que estar, pois é ?


2008-10-30

MagalhãeZito

























eis o amiguinho Magalhães, de que já tanto se falou e disse

resistente, a brincadeiras, a distracções e - jametinhasdito! - a muitos disparates de gente grande, é um computador português - palavras para quê?

poucas, então: só para dizer que é catita de aspecto e jeito, com programas lúdicos e educativos, como a Guida e o Zito, que ajudam a descobrir e a querer aprender

em boa hora vestido de azul, como o planeta que habitamos, oxalá dê a volta ao mundo a aposta na sua distribuição generalizada em condições acessíveis!






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2008-10-27

monte

"a caminho da caça fui a saber das letras

_ atira, que matas um homem! - direito a mim de gadanho...

nem me lembra disparar, mas vi-o lá caído e logo dei conta ao acontecido..."


ah, pois, compadre, vocemecê jametinhadito!!!







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2008-10-23

super homem

o carismático líder da todo-poderosa extrema-direita austríaca apresentava-se em registo viril e votou contra propostas relativas ao estabelecimento de alguns direitos dos homossexuais

jametinhasdito!

pois então não é que se descobre agora que frequantava bares gay e que mantinha uma relação amorosa com um seu correligionário partidário?

cada um é livre de ser hipócrita mas este super nazi andava a vender a máxima do 'bem prega frei Tomás' ... e ninguém via que não bate a bota com a perdigota?

faz lembrar o Hitler, a quem o aparatchik nazi tratou de ultimar a lenda um suposto casamento a bunker fechado... à frente de muitos nazis, fascistas, direitistas, conservadores, moralistas e outros sacristas, que se apregoavam e apregoam muito superiores e afinal ...

a propósito, como é nenhum dos insuperáveis investigadores, romancistas ou comentadores da nossa praça se lembrou ainda de arrancar alguns insondáveis do Salazar por debaixo das saias do íntimo cardeal Cerejeira ?

era a cereja que faltava ao botas!!!




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2008-10-14

coração árabe

o Autor Adalberto Alves, poeta e ensaísta, estudioso e viajante incansável pelos vestígios da cultura e língua árabes no nosso País mas também pelas pontes de encontro dos povos ocidentais e orientais, das suas tradições, sensibilidades e religiões, foi laureado com o prémio Sharjah 2008 para a cultura árabe, atribuído pela Unesco, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura

jametinhamdito que o nosso coração é árabe e oxalá o insígne arabista português prossiga a verdadeira viagem ao mundo das rosas que é a cooperação entre os povos, em especial no âmbito das relações luso-árabes e do seu dicionário, em curso de elaboração, de vocábulos portugueses de origem árabe



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2008-10-03

nosso

o lema é E Pluribus Unum mas jamtinhamdito que às vezes é só para alguns

a transmissão televisiva de jogos internacionais de futebol do emblema com mais adeptos na lusofonia pode ser um bom negócio em termos imediatos mas provavelmente obedecerá à mesma lógica do desenvolvimento sustentável

para poucos ganharem no momento inicial, com prejuízo de muitos, a prazo todos perderão!

ao adjudicar a um canal pago o exclusivo da transmissão de um jogo da UEFA, a empresa que detém os direitos de exploração da imagem do Benfica aposta no curto prazo e consegue realizar interessantes proveitos financeiros mas compromete o estatuto de reconhecimento que muitas ilustres personalidades dirigentes, muitos praticantes exemplares e muitos adeptos anónimos souberam construir ao longo de gerações

troca-se o benefício de alguns milhares pelo descontentamento de muitos milhões

sempre que se escolheu tais caminhos acabou-se com péssimos resultados

desta vez seria diferente ? jametinhasdito!




PS - há uma vantagem imediata adicional, por ventura igualmente precária: a Luz de casa cheia !


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2008-10-01

chumbo

a decisão/indecisão dos poderes e contrapoderes dos Estados Unidos pesa sobre muitos ombros, muitas bolsas, muitos bolsos, all over the world


é a globalização da crise - se os mercados são globais, o seu colapso é um perigoso dominó, repique de sinetas nas aldeias do mundo


nem de propósito, há dias a Cavacal figura presenteou-nos com mais uma alegria e deu de sineta a abrir a bolsa em Wall Street, gesto mítico até para um catedrático da finança, como para um estadista, mesmo para um Presidente de República


mas a inexorável lombriga corroeu por dentro o império dos mercados, o exemplo capitatalista, a suma liberal


o dólar andou tempos e tempos a fazer as delícias a turistas europeus, a magnatas japónicos, a novos-ricos soviétchicos


ajudou à escalada do petróleo nos mercados internacionais, muitas das transacções deslocaram-se para o euro ou para outras praças, regra geral mais próximas da fome de combustíveis para acalentar crescimentos económicos, populacionais e, sobretudo, de níveis de conforto, consumo e ostentação


mais as guerras aqui, ali e por toda a parte, geralmente onde haja, passe ou cheire a petróleo, agravando o problema dos incontroláveis cartéis, a crescente consciência da escassez dos recursos, mais que a sua finitude


boicotes a infraestruturas de petróleo e gás, problemas nucleares, restrições ambientalistas a projectos renováveis, custos acrescidos para novas energias, défice de investigação e longo prazo, longa espera para novas tecnologias


regulações e desregulações sucessivas e sempre legitimadas pelos mais capazes teóricos, hábeis políticos e sequazes comentadores


prevenidos, todos estamos


mas o frenesim eleitoral que o mundo vive por interpostos EUA pode baralhar as contas, se os incontáveis zeros (coisa de 250.000.000.000 US$ era a primeira tranche para os primeiros socorros aos mercados, aos bancos em estado convalescente, aos accionistas crentes, aos empregados descrentes e a outros súbditos do vil metal) não corromperam já as sinapses que conferem legalidade - e, quiça, legitimidade - a bancarrotas adiadas


há que acreditar: todos terão o momento certo de juízo para o sistema encarrilar

a Europa já nem se limita a acreditar, exige!


ficam, jametinhasdito, as perguntas esquecidas:

- há quanto e quanto tempo os EUA alimentam um escandaloso défice, deixam desvalorizar as verdinhas para ajudar às exportações e exageram no consumo interno, vivendo acima das reais e mui liberais possibilidades?

- durante quanto mais tempo a enorme "dona branca" americana soma e segue, ora deixando falir umas instituições (o centenário Lehman Brothers ) mas nacionalizando outras (públicas ou semi-públicas, inclusive, como as entidades federais de garantia de créditos na origem de muitos dos produtos tóxicos agora pulverizados) e salva outras (AIG...) ficando por saber se o Congresso finalmente e aos solavancos libertará os tais 700 biliões (americanos) de dólares - seja lá o que isto for em dinheiro - para resgatar ao sacrosssanto mercado parte do colossal défice bancário e amainar a respectiva crise (por agora) in extremis e sob a esconjurada benemerência do ... Estado?

- por quanto mais tempo continuarão os EUA a disfarçar o maior défice público do mundo à custa do financiamento de guerras um pouco por todo o mapa mundi ?





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2008-09-17

Setembral e mais além


depois da homenagem ao luar de Agosto, a Ditosa em boa hora oferecida ao Ditos trouxe um antecipado Outono, em dias de vento e céu escurecido logo em Setembro!

mais por via de influências de marketing - leve já o seu Outono e comece a pagar apenas na próxima Primavera!! - do que pelo omnipresente e enregelador "fenómeno" aquecimento global ...
talvez afinal o mesmo na origem do que algumas avós queriam dizer com o velhinho "1º de agosto, 1º de Inverno"!!!
mas para que suspensos mundos olha?
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2008-09-11

enter



arte finlandesa, Instituto Camões, Lisboa, Verão 2008




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2008-09-09

pedra & luar




bem pesada em seu poiso, aguardando o eclipse e guardando o silêncio das pedras, a Setembral Ditosa é bem a gosto testemunha a um tempo real e irreal, grande e ínfima, santa e pagã, vigiando a gente, firmemente à espera da circunvolução do céu, visitando e também visitado por estrelas, sonhos e planetas com o mesmo destino: nascer a oriente e vogar rumo a poente, habitando o ser e a representação, ouro e breu, mente e firmamento, em ciclos naturais, bem desde antes do entendimento e quiçá bem para além



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2008-09-07

they can't

hoje terminou o pseudo silêncio do PSD, desde sempre entrecortado, jametinhasdito, por ... uma primeira paginazinha semanal no "Espesso", já para não falar na omnipresente histeria acrobática de tantos barões, muitos dos quais sem nada de jeito a assinalar

e que trunfos sairam da universillyada laranja ?

denúncias disto, queixumes daquilo, um que outro reconhecimento do que tem sido feito, o imperioso alerta para a conveniência de mudança de políticas - tresandando a pedido instante de mudança de partido... - e a habitual promessa de enriquecimento para todos com o PSD no poder

é pouco

sem entusiasmo, sem fé, sem mensagem, sem alternativas concretas, sem descredibilizar ainda que parcialmente os actuais governantes, sem se prevalecer de qualquer crédito indiscutível, assim também não é por esta via que a oposição se constitui em verídica proposta de alternância - que até pode suceder, pese a aparente improbabilidade, mas sem que se vislumbre algo mais que a mera rotação partidária, alguma ideia, algum valor, qualquer centelha

há, todavia, um grito positivo: a passagem do discurso em que Manuela Ferreira Leite apela ao fim do sectarismo partidário, único ponto autocrítico desta antiga dirigente partidária, talvez sem margem de manobra para poder e querer (ou mesmo crer?) muito mais

incrivelmente, depois de criticar o esforço controleiro do partido do Governo, Manuela Ferreira Leite finda a sua tão aguardada intervenção sem abrir a porta às perguntas da comunicação social

em que ficamos ?

além de assim se enredar em manifesta incoerência, será possível conceber tabu mais apagado ?

acham mesmo que assim chegam lá?





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2008-09-06

Cuba & Timor

Gustavo, o furacão, assolou as Caraíbas e ameaçou os Estados Unidos da América do Norte, causando avultados estragos.

A maior fatia da atenção mediática foi direitinha para Nova Orleães, onde medidas excepcionais apressaram o êxodo e forçaram a precaução, mesmo perante o enfraquecimento da força dos ventos ciclónicos e a diminuição da graduação da sua perigosidade, o que se justificava ainda assim face aos dramáticos efeitos de anterior catástrofe com idêntica origem, então o tufão Katrina, persistente na memória de muitas vítimas e familiares.

Desta feita, as coisas correram melhor, apesar de tudo. Mas o 'apesar de tudo' encerra graves perdas em diversos países, habitualmente fustigados nesta época do ano com este género de tempestades e para as quais é difícil ou mesmo impossível constituir defesa segura e perene.

São pois bem vindas as ajudas.

Dos Governos de cada país, naturalmente e em primeiro lugar, o que infelizmente nem sempre sucede a tempo e horas ou com a eficácia necessária.

Pelo que é sempre de assinalar quando a ajuda vem do exterior.

Em regra, a partir de países de maior capacidade económica ou com presença habitual nos cenários em que a ajuda humanitária acontece, como é o exemplo de muitos países da União Europeia, os nórdicos sobretudo.

Ou também a partir de países com afinidades políticas relevantes ou interesses nas regiões afectadas.

Portugal tem já uma tradição de veraneio em Cuba e em todos os anos, no fim do Verão, os noticiários lembram quantos turistas temos nas zonas afectadas, por vezes com pungentes entrevistas telefónicas ou no palco das chegadas do aeroporto de Lisboa.

Recentemente, também demandamos Cuba em busca de cirurgias, como é o caso de algumas especialidades de oftalmologia.

Neste contexto, o gesto altruísta de Timor Leste tem um merecido jametinhadito de júbilo: ai quem me a Cuba !!!

Oxalá o Haiti e outros países castigados pela época de temporal consigam também atrair a solidariedade necessária a apaziguar o sofrimento das populações e apoiar a reconstrução, material e emocional.

Timor é um pequeno país, também carente, mas ao procurar exprimir o imperativo de ajudar no momento da catástrofe, quando é preciso, mesmo lá de tão tão longe, vem demonstrar ao mundo que os hemisférios não são suficientes para afastar a boa vontade e a fraternidade humanas, dando o exemplo da possibilidade imensa que é o arquipélago da solidariedade universal


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2008-09-03

tempo


é bom de ver, ou mesmo pouco vendo, a dúvida é legítima: é o tempo que faz o clima ou é o clima que faz o tempo ?

afinal o sol, o bronze, o toldo, a sombra, as horas benignas, o protector, os raios UVA e UVB, a primeira claridade do dia, o azul (ou será verde? cinza? prata? de espuma?) do mar ou do céu, qualquer céu que se veja, o infinito do horizonte, o aquecimento global, o arrefecimento local, a maré, ver onde se põe o pé, enfim, são conceitos muito relativos...

está visto (mesmo sem estar) e jametinhasdito, o estado do tempo não tem importância !

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observacões são bem vindas

2008-08-24

palmeiras

tudo tem a sua ciência, é certo e sabido, tanto quanto há sempre quem se julgue no direito de achar que sabe um pouco de tudo, ao menos de muitas coisas, vá lá, de algumas, eventualmente apenas por recurso ao bom senso, embora sempre falível quando se entra no campo específico das especialidades especializadas


por exemplo, quem é que sabe tudo de palmeiras?
umas nascem e crescem espontaneamente, sabe-se lá onde, dispensando sensos e técnicos!
outras têm localização rigorosa, após aturado estudo técnico-centífico e deliberação cuidadamente planeada, integrando-se em elaborados planos de arquitectura paisagística, a que poucos acedem...

esse mundo é então de iniciados: arquitectos paisagistas, jardineiros, regentes agrícolas, engenheiros agrónomos, agrónomos (se os há, sem engenharia...) ou botânicos, etc !

mas o mundo não acaba nos técnicos e por isso haverá uma hierarquia da coisa: coordenadores, chefes, responsáveis, directores, vereadores, políticos, o costume, pelo menos

depois, é só fazer as contas - quer dizer, a aplicação prática: avaliar o caso concreto, diagnóstico das necessidades (que segundo as melhores leis do marketing podem ser criadas e desenvolvidas expressamente para gerar um produto que lhes dê adequada resposta e mesmo, quiçá, quem sabe, porque não?, vê-se de tudo, hipotética satisfação) e projecto de resolução, arranque, execução, implementação e, além do mais, concretização, os chamados finalmentes

com ideias, imagens reais e virtuais, comparatística, seriação, benchmark, apresentação, arte-final, embrulho e expedição - business as usual, no fim de contas

e semear, ou adquirir de viveiro, no estádio mais interessante, com patine se preciso for - lembrando António Mega Ferreira, sobre a 'Expo98', hoje Parque das Nações, que recentemente afirmou ter há dez anos declarado que a zona seria bem mais simpática depois de decorrida uma década e vangloriando-se do acerto da previsão agora que já lá há árvores! extraordinário, com umas árvores o espaço fica melhor, mesmo se preenchido a cimento até ao milímetro, não tarda a Expo terá patine, os anos passam e ...

bom, mas então e as palmeiras?

ora, um dos magníficos viadutos de Lisboa, baptizado, inaugurado e, no caso, até já em funcionamento, sobrevoa uma estação da crescente rede do Metropolitano, a do Alto dos Moinhos, uma das novas mas ainda subterrânea, à antiga

à antiga mas em zona nova e descampada, confinando com estaleiros das urbanizações contíguas ao Estádio da Luz, do Hospital dos Lusíadas e do arranjo do próprio viaduto, cujas obras se eternizam e enfernizam a (falta de) segurança envolvente

apesar de se descurar o essencial (completar as obras, eliminar os estaleiros e conferir segurança aos utentes do local) o projecto previa certo "arranjo paisagístico" para a entrada da estação do metropolitano - que é também a entrada do Museu da Música e do Auditório da empresa Metropolitando de Lisboa - incluindo uma escultura e ... quatro palmeiras !!!!

as ditas palmeiras, abaixo ilustradas, embelezando a entrada da estação e o complicado cruzamento (verdadeiro nó cego, difícil de desatar) rodoviário, ficaram lindas no local, debaixo do viaduto!

sim, debaixo do viaduto!!

jametinhamdito, palmeiras a crescer debaixo do viaduto!!!

he he he ...

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2008-08-19

verniz olímpico

primeiro, era o sonho, a confiança e a poesia !

- ou, para políticos, dirigentes e comentadores, altas fasquias...

depois, eclipsaram-se algumas estrelas, planetas e satélites...

após o eclipse lunar, a insónia trouxe a excelente medalha olímpica de Vanessa Fernandes - que orgulho, para ela, para a Família, para os portugueses !!

mas numa quinzena em que muitos estão a trabalhar para o bronze, uma medalha de prata é insuficiente - veja-se o exigente editorial, no Diário de Notícias, de João Tavares, um verdadeiro campeão das olimpíadas da basófia - pois querem ouro !!!

a comunicação social ajuda à festa, empolando o bem e o mal, torcendo e distorcendo (v.g. Vicente Moura não se demite coisa nenhuma, apenas lança atoarda inoportuna quanto a hipotética renovação do mandato, que ninguém lhe reconhece nem lhe garantiu) para um suposto record de audiência, desprezando olimpicamente a verdade e o essencial, na mira de confundir o leitor

mas muitos vão no engodo, vivem bem assim: ainda recentemente, as copiosas derrotas do râguebi foram heroicamente celebradas, as modestas fantasias da bola foram e continuam a ser ... fantasiadas ... muito para além dos resultados efectivos

só os atletas olímpicos é que terão que carregar com as consequências da falta de notícias, da falta de competência de dirigentes, da falta de planeamento nas organizações e nas políticas de desporto, competição incluída, na falta de Justiça, desportiva incluída (tristemente sentenciada em fruta variada e café com leite, para chacota geral e indiferença dos responsáveis, legitimamente crentes na eterna impunidade) e até, pelos vistos, jametinhamdito, com a falta de verniz ... olímpico!!!

assim, enquanto dirigentes, políticos e apressados comentadores melhor disputariam medalhas de verniz, há que ter a noção das realidades: à excepção de um ou outro génio eleito, casos raros e pontuais, os resultados desportivos dependem da sistematização e generalização de níveis elevados das condições propiciadas na qualidade e na extensão da prática desportiva geral e de elite, ou seja, de apostas políticas - com meios, objectivos, justiça, responsabilidades definidas e assacáveis, uma vez banida a corrupção que perpetua a mediocridade

isto como condição necessária mas não suficiente...

ora, no desporto - melhor, no que resta ou no que se transformou o desporto - há muitas contingências: o super-nadador Phelps, dotado de condições invulgares e apesar de ter sozinho mais medalhas que alguns países ao fim de sucessivas ou interpoladas olimpíadas... só com muita sorte venceu a prova individual de mariposa (os 100m) - curiosamente, no apuramento dos 200m estilos, que também venceu, concluiu a primeira piscina, mariposa, atrás do português!

que a caravana passe: boa sorte aos atletas da comitiva olímpica para as provas que ainda há a disputar, para o resto das suas carreiras e para as respectivas vidas, futuro desportivo e olímpico incluído

haja fé, paciência de chinês e, já agora, os mínimos olímpicos de verniz ;->>>

















observacões são bem vindas

2008-08-14

Low cost

A precisar de um post low cost, o ditos inspira-se na excelente crónica “check out”, assinada por Aníbal Rodrigues, na Fugas/Público, de 9 de Agosto.

Aí consta, enunciadamente, um belo rol de razões para se poupar combustível na condução automóvel.

E é fácil entender, o bolso agradece, o ambiente também, a mecânica, o espírito de férias, a saúde por via do estado mais relaxado do condutor, maior ponderação na escolha do local para abastecer em busca de condições óptimas de preço e serviço, descontos, promoções, brindes, prémios e outras pontuações…

Enfim, nada de novo mas é sempre bom saber, recordar, insistir, experimentar, reviver. Afinal, é tempo de férias!

Sendo assim, o jametinhasdito vai para o … não dito – é um grandioso janãometinhasdito!!!

É verdade, o cronista entusiasta da condução moderada e ponderação praticamente não se refere a “velocidade”… conceito com o qual é difícil competir, mesmo recorrendo a tão ponderosos argumentos como os expendidos, todos de muito preço…

E, sobretudo, omitindo cuidada, inteligente e deliberadamente qualquer referência a … “acidentes”, “choques”, “sinistralidade rodoviária”, “danos”, “prejuízos”.

Pois o jametinhasdito omissivo é de ouro: mesmo em ocasião propícia a maior disponibilidade mental, o presumível leitor tende a desconsiderar tudo o que soe a problemas e, como bem se sabe, as complicações só acontecem aos outros.

A desgraça da sinistralidade tem sido invocada repetida e intensivamente mas com parcos resultados – positivos, é certo, mas diminutos face à importância e às consequências do tema na sociedade e nas vidas pessoais e familiares dos potenciais interessados: todos nós.

Também o argumento do ambiente percorre o seu trajecto bem devagar…

É pois justo reconhecer a excelente estratégia do cronista, ao ir directamente onde mais dói – o aspectozinho económico, sempre relevante mas com foros de podium em época de crise.

Embora esta, diga-se, custe a aparecer na forma agressiva que persiste na condução automóvel, em estrada ou na cidade, pois continua a ver-se extensas filas e verdadeiras corridas em contra-relógio ou pelo melhor lugar de estacionamento, em cima do passeio que seja - como lembrava o pouco liberal J. C. Espada no Expresso, face ao olímpico desprezo, de autoridades, responsáveis e cidadãos, por tudo e todos, quando o assunto é o automóvel de cada um.

Já o “Sol” vai a estatísticas devastadoras: olhando para os acidentes rodoviários do início de Agosto, um pouco por todos o País, a causa apontada é sempre a mesma, o “excesso de velocidade”. Apenas num dos casos é indicada a “falta de cinto de segurança”, mas é fácil entender que esta não é a razão do acidente mas apenas do tipo de danos e da gravidade das suas consequências.

É claro que em toda a condução automóvel, como em tantas actividades humanas, está presente o risco de acidente. E, infelizmente, há em geral mais factores para além da velocidade, concorrendo para a causa e ocorrência de muitos acidentes.

Mas é notório que os efeitos da velocidade são muitíssimo menosprezados. Bem vinda pois, ainda que a pretexto da poupança de euros, a análise e recomendação dos efeitos positivos de uma condução automóvel mais consciente, pausada e ponderada – há tempo!!!

Tempo de ter tempo ...


observacões são bem vindas

PS - e um honroso salve às propostas low cost do dito Fugas, viajando um pouco por todo o mundo, cá dentro incluído, faunas, floras e aventuras diversas, a nostalgia em Vieira de Leiria - onde se celebra a insuficiência de meios, mesmo voluntária, em busca da imaginação, da simplicidade e, afinal, da vida, em sensações e sentimentos simples e genuínos, experiências que perduram, na pele e por dentro, no coração e na alma, o que vale no fim e valeu desde o princípio - pois há lá melhor ?