2007-09-10

contar ou nem por isso...

há dias, um jornalista generalista entrevistava um jornalista especialista:

– então e se o BCE [Banco Central Europeu] aumentar as taxas, o que é que acontece ?

– «nada ! os bancos comerciais já anteciparam a subida de taxas do BCE e o preço do dinheiro tem vindo a aumentar nos mercados, reflectindo-se nos clientes e encarecendo os contratos e empréstimos, pelo que a concretização da esperada medida já não produzirá efeitos...»

jametinhasdito!

os clientes começam logo a pagar um aumento que vai haver...

por acaso, ou talvez não, o BCE decidiu diversamente, não aumentou as taxas e os bancos já estão a mudar a sua posição - para futuros contratos

mas nos contratos anteriores os encargos para o cliente, mesmo injustificados, já não voltam atrás, os juros mais altos já foram cobrados!

ou seja, os clientes pagam antecipadamente por conta dos aumentos com que os bancos contam e já pagaram quando afinal se dão conta de que não chegou a existir o aumento de taxas com que os bancos contavam - e com esse argumento os bancos repercutiram sobre os clientes um encargo inexistente ... (?)

são muitas contas

outras contas que também não bateram como se contava: um dia destes, à tarde, os noticiários anunciaram a eliminação da equipa portuguesa de basquetebol, em importante competição em que participa, a decorrer em Espanha

noticiou-se o regresso da selecção nacional, em função de um resultado insuficiente para prosseguir a prova, uma vez que venceu a selecção da Letónia por margem inferior à que tinha sido anunciada como necessária

porém, à noite a comunicação social desdizia-se: afinal a equipa portuguesa de basquetebol passou à fase seguinte, porque a Espanha perdeu o seu encontro da última jornada do respectivo grupo, que liderava, o mesmo que o nosso

tão inesperada situação foi comunicada a contraciclo mas sem uma explicação cabal, falta a relação de causa efeito, sem a qual a reviravolta é incompreensível – só no dia seguinte alguma comunicação social esboçou explicar que o regulamento da prova ... pa ta ti pa ta tá ...

seguindo em prova, em vez de regressar a casa, a equipa portuguesa viajou para Madrid, em festa, até ao hotel onde esperavam ... a selecção letã, vencida por Portugal

ninguém contava

de facto, nem sempre contamos com o que acontece

muitas vezes nem contamos com o que pode acontecer

outras, também não contamos que aconteça o que pode não acontecer ou mesmo com o que não pode acontecer

isto de contar e não contar tem muito que se conte !!!



observacões são bem vindas

2007-09-06

o mal e a caramunha

dia 4 deste Setembro, terça-feira passada, Eduardo Cintra Torres articulava no Público sobre um relatório publicado pela ERC - Entidade Reguladora da Comunicação Social - a respeito do tratamento noticioso dado aos diferentes candidatos nos principais telejornais durante o período que antecedeu as eleições intercalares de Lisboa

no artigo, o crítico analisa o trabalho da ERC e aponta diversos aspectos e várias incongruências: que o relatório não foi pedido por ninguém; que escolheu o critério do tom desfavorável das notícias para concluir que António Costa foi o mais atingido; e que omitia os dados sobre qual o candidato com mais referências favoráveis, suspeitando que seria precisamente António Costa

dia 5, ontem, Estrela Serrano, na qualidade de vogal da ERC, escreveu um artigo de página inteira criticando o crítico, recorrendo expressivamente a ataque, catilinária, ignorância, estilo caceteiro, desonestidade intelectual, etc., etc., etc., num avolumar de adjectivos pejorativos sobre a pessoa, o profissionalismo, o trabalho e a opinião do crítico

hoje, dia 6, o Público volta a conceder espaço a Eduardo Cintra Torres, que se pronuncia contra a linguagem utilizada por Estrela Serrano e faz a sua avaliação dos factos sob comentário

possivelmente o pingue-pongue (este, o Público tem outro, institucionalizado, entre 2 jornalistas da casa) continuará

no essencial - e esta nota foi pensada logo após leitura da reacção da vogal - o crítico tem razão: Estrela Serrano afirma ipsis verbis que a ERC tem o poder estatutário de produzir o relatório, confirmando inteiramente que não foi pedido por ninguém, como Eduardo Cintra Torres afirmou; que o relatório omite os dados sobre o tom favorável das notícias, tal como o crítico apontou; e ainda que efectivamente as referências recaíram na sua maioria sobre António Costa, exactamente como o crítico antecipou

ou seja, a vogal da Entidade Reguladora recorre a um jornal para criticar Eduardo Cintra Torres com termos agressivos, deselegantes e totalmente infundados

mas comprova factualmente as afirmações do crítico e confessa precisamente a principal nódoa apontada ao relatório, matéria sobre a qual o crítico anunciou a sua desconfiança e denunciou justamente a omissão

com o seu artigo no Público, a vogal revela que Entidade Reguladora dispunha dos dados bem como da respectiva análise estatística mas não os divulgou no relatório concebido para o efeito

só o fez em reacção à denúncia pública de um crítico, em artigo de jornal de mau gosto e transbordando ressentimento

Estrela Serrano zurze a pessoa e o trabalho do crítico mas admite os factos e a omissão sob crítica !

má via para as funções da Entidade Reguladora da Comunicação Social, que por este caminho não se dá ao respeito

faz o mal e a caramunha !!

jametinhadito !!!


observacões são bem vindas

por Setembro


jametinhamdito: não há duas sem três !

e chamei-lhe um figo ...


obrigado, obrigado

; - >



observacões são bem vindas

2007-09-01

ditosa restauracional





mas relativamente a Agosto há concurso!


e prémio!!


os conferiandos estão premiados por inerência ...


mas mesmo assim podem concorrer, eh eh ... !!!




observacões são bem vindas

a gosto




já a setembrar, a Ditosa é de Agosto, em mais um por de sol depois da faina, perdida a sesta, os óculos, a password...

enfim, férias

como no sonho, ou melhor, a vivência da paz, da água e do reencontro com a própria alma é das principais metas das férias

merecidos são o tempo e o espaço para o apaziguamento das lembranças, o retempero das forças, o activar da atenção e dos sentidos, a reunião de energias, a contemplação

e para actividades ou inactividades a gosto

oxalá baste para os próximos onze meses, em que tais momentos decerto ainda rareiam mais

; - >


observacões são bem vindas

2007-08-25

horizonte

por um fio, todo o horizonte e o horizonte de todos !

Eduardo Prado Coelho merece um jametinhasditos de honra, no fio do horizonte !!

em paz, polemizando amena e nobremente, em busca de poesia e luz !!!


observacões são bem vindas

2007-08-18

ar livre - Torga

algumas das leituras ja feitas e siga a bela vida!

alias, jametinhamdito que onde se estah bem eh no campo, principalmente longe da praia, eh eh ...

a proposito, longe tambem de pseudo-polemicas em hora de centenario, releia-se e relembre-se o que mais interessa:

"Ar livre, que nao respiro!
Ou sao pela asfixia?
Miseria de cobardia
Que nao arromba a janela
Da sala onde a fantasia
Estiola e fica amarela!

Ar livre, digo-vos eu!
Ou estamos nalgum museu
De manequins de cartao?
Abaixo!
E ninguem se importe!
Antes o caos que a morte...
De par em par, pois entao?!

Ar livre! correntes de ar
Por toda a casa empestada!
(Vendavais na terra inteira,
A propria dor arejada,
- E nos nesta borralheira
De estufa calafetada!)

Ar livre!
Que ninguem canta
Com a corda na garganta,
Tolhido da inspiracao!
Ar livre, como se tem
Fora do ventre da mae,
Desligado do cordao!

Ar livre, sem restricoes!
Ou ha pulmoes, Ou nao ha!
Fechem as outras riquezas,
Mas tenham fartas as mesas
Do ar que a vida nos dah!"

Miguel Torga
in "Cantico do Homem"



observacões são bem vindas

2007-07-27

leituras

a leitura é um fascínio

como exprimia um campeão de xadrez, a propósito do seu jogo, dizendo que permite aprender com os erros ... dos outros

ai de quem não aprenda com os erros próprios...

mas a leitura é especialmente enriquecedora para a aprendizagem - e esta é a principal arma biológica de que dispõe a espécie humana

os livros são um artifício armadilhado para nos proporcionar simultaneamente os vectores da aprendizagem, o exercício intelectual e o prazer da decifração de mensagens, códigos, enredos, mistérios, romances, histórias, aventuras mil

ler, pois!

mas "quem quer aprender, tem que andar ao ler", diziam os antigos

e a blogosfera complementa exemplarmente o acesso ao conhecimento, digamos, perene, que os livros representam

os "postais" e "comentários" são imediatamente apelativos, quase sem regras, voluntários e de interessante dinamismo, embora se esqueçam mais facilmente que um livro

e então um bom livro, daqueles com quem estabelecemos uma relação cúmplice, de leitura sôfrega, quantas vezes aqui em segredo, escondido dentro de nós enquanto o sorvemos e desvendamos

ah! um bom livro...

oferecer um livro é dizer que queremos um amigo

emprestar um livro... jametinhasdito, só mesmo a um amigo!

e se não podemos oferecer nem emprestar, mas queremos um amigo, recomendamos um livro!

confidenciamos o que estamos a ler...

ou partilhamos o nosso top 5 ou 10, em jeito de rede pesqueira de amizades

e a amizade é salvífica, reciprocamente

por isso há que agradecer as boas recomendações, pessoais, nos jornais, dos comentadores que tais, bloguisféricas e outras mais

o Ditos dá também conta de leituras, embora actuais: “A magia do sensível”, de David Abram, Gulbenkian; “Os últimos dias de Camões”, de Guillaume de la Chapelle, Climepsi; “A casa do sal”, de Cristina Norton, Dom Quixote; “Linda Inês ou o grande desvairo”, de Armando Martins Janeira, Pássaro de Fogo; e “A lógica da sentença”, de José da Costa Pimenta, Petrony

boas leituras

;->>>



PS - livro especialmente interessante é o que está exposto no Museu da Água, até meados de Setembro: "Livro de Pan II", exposição peculiar de J. Rosa Guerra, muito recomendável

um verdadeiro percurso referencial, eis a essência nobre de mais este magnífico "Livro"

para além do gosto pela arte e do profundo respeito pelo seu papel na dignificação da vivência humana, o "Livro de Pan II" representa igualmente os caminhos da introspecção, da reflexão em múltiplos sentidos, da meditação prática em que respira a arte a que J. Rosa Guerra nos vem habituando

e os laços recíprocos da arte e da psicologia são benfazejos à desalienação do artista como à de todos com quem partilha as suas referências e criatividade

imperdível então é subir os degraus de ferro por entre os maquinismos e mecanismos da Museu da Água, e saciar a sede de leitura mesmo onde seriam dispensáveis as palavras

mas elas estão lá!

e para as fruir e compreender não é preciso saber ler nem escrever

eh eh ...




observacões são bem vindas

2007-07-26

Tempo de Férias


parte-se para férias na convicção de libertação, carregamento de energias e intenções, renascimento para outra vida, de disponibilidades várias, Família e Amigos em lugar cimeiro, de algum retemperamento e reflexão pessoal, balanço também para um regresso mais produtivo

conciliação e reconciliação, portanto





vamos embora!


;->>>




PS - o prémio para a localização da(s) Ditosa(s) de Julho será proporcionado no recomeço da época bloguisférica; mas a Manela não pode concorrer, até porque já foi premiada com um incentivo à iniciação nas lides blogueiras, que se aguardam com um jametinhasdito muito agradecido e amigo!



observacões são bem vindas

2007-07-23

stop-at-two

Chris Rapley, ex-chefe de missão do Governo Britâncio na Antártida pretente demonstrar que mantém a cabeça fria no seu próximo cargo de director do Science Museum de Sua Majestade

fã de Conan Doyle e Sherlock Holmes, o “O novo director de um dos principais museus britânicos, o Museu da Ciência, defende uma nova arma no combate ao aquecimento global: o controlo de natalidade”

o Diário Digital é algo parangónico na leitura que faz do The Observer/The Guardian:
Director de museu defende menos filhos contra aquecimento
Numa reportagem publicada este domingo pelo jornal The Observer, Chris Rapley argumenta que uma população menor no futuro significará «menos dióxido de carbono na atmosfera, porque haverá menos pessoas a usar carros e electricidade».
Rapley, que assume oficialmente o cargo a 1 de Setembro, alega que «para atingir esse objectivo basta gastar uma parte do dinheiro necessário para desenvolver soluções tecnológicas, novas centrais nucleares ou produzir combustíveis renováveis».
«Porém, todos decidiram ignorar o assunto silenciosamente», afirma Rapley, que antes de ser escolhido director do museu era o chefe da missão britânica na Antártida
.”

e o homem que veio do frio tem a sua razão

Jeremy Rifkin, reputado conferencista recentemente a proferir uma palestra em Portugal, insistiu na sua tese de que os transportes são apenas o 3º sector poluidor - o 1º é a construção e o 2º a indústria pecuária para produção alimentar

ou seja, 3 sectores directamente relacionados com o total de população

na realidade, qualquer que seja a tecnologia, o planeta é capaz de ter um limite máximo de capacidade para sustentar o crescimento da população

no entanto, receio bem que o estado de coisas se agrave demasiado antes de em absoluta certeza se descobrir se de facto existe tal limite e qual é...

mas mesmo com a estabilização ou redução da população mundial total, o consumo energético deverá continuar a crescer para além dos limites físicos do planeta quanto aos recursos fósseis e capacidade de absorção de emissões poluentes

a questão do crescimento populacional é apenas um dos factores a considerar e não o único, sendo certo que o nosso cientista polar hoje homenageado no Ditos, casado e pai de duas filhas, até já cumpriu a sua parte na política de controlo natalidade que alguns "verdes" defendem para o Império Britânico

então voltamos à mesma: quanto à energia, é preciso apostar na eficiência e redução do consumo energético, bem como em novas soluções de produção de energia, electricidade incluída, que não esgotem os recursos naturais - o complicado é "como"... e "coragem"!

mas os receios relativos à demografia excessiva são de sempre e a humanidade tem uma grande tradição de moderar esse "problema", por diversos meios e com assinalável frequência - só os fanáticos da CEE/UE e os utopistas do acordo de paz no médio oriente tentam frustrar uma das respostas mais consistentes a esse inconveniente desafio...

Chris Rapley, jametinhasdito: o Malthus não está só !!!




PS - mas por vezes escreve-se direito por linhas tortas: por exemplo, a UE nomeou um conhecido pacifista, arreigado amigo dos árabes e fecundo indefectível do consenso mundial, para mediador do conflito israelo-árabe, pelo que é fácil antever-se que não é por causa de Tony Blair que a população no local irá aumentar...





observacões são bem vindas

2007-07-10

Áfricas

há dias, em mais uma entrevista, pergutaram abruptamente a Mia Couto: "que acha da situação de África?"

a resposta foi inteligente: "qual África? há várias Áfricas..."

assim é, de facto, jametinhamdito!

hoje, em Lisboa, Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, revelou-se preocupado e considerou a pobreza, a Sida e as deficiências na saúde os problemas mais graves do continente africano, que são actualmenteo centro dos esforços da ONU, salientando a difícil situação no Darfur, no Sudão, e na Somália

nem uma palavra sobre as ditaduras, a usura e a promoção da guerra civil fraticida que trepana vários povos africanos desde há décadas e que geram a pobreza, a Sida, as deficiências na saúde, a perpetuação da dívida, o Darfur, o Sudão, a Somália, Angola (curioso o despacho "ausente" da Angolapress, que refere vários temas menos o que interessa), Moçambique, o Zimbabwe e por aí diante

a que foge a ONU ?

observacões são bem vindas

2007-07-04

peso dos livros

a biblioteca do Vaticano encerrará a partir do próximo dia 14

o edifício está a dar de si, tem quase 500 anos e suporta 1.600.000 livros

é obra!

e são precisas obras!!

embora seja reconhecido o peso dos livros, eis uma boa confirmação, jametinhamdito!!!

por isso, durante os próximos três anos as estruturas serão reforçadas e modernizadas, avisa a simpática página da Vaticana na internet, com um expressivo sinal de trânsito a assinalar trabalhos na via


as consultas reduzir-se-ão mas continuará a funcionar o curso de Biblioteconomia, na escola anexa à Biblioteca Vaticana


PS - sobre a importância dos livros na vida de cada um, dizia o poeta mexicano Gabriel Zaid:

«¿Qué demonios importa si uno es culto, está al día o ha leído todos los libros?

Lo que importa es cómo se anda, cómo se ve, cómo se actúa después de leer.

Si la calle y las nubes y la existencia de los otros tienen algo que decirnos.

Si leer nos hace, físicamente, más reales.»










observacões são bem vindas

2007-06-08

sem fios

"A não existência de efeitos secundários nesta forma de transformação de energia tem ainda outro efeito, segundo o MIT: a colocação de pessoas ou objectos entre o emissor e o receptor da energia em nada afecta a passagem da energia."

Em nada afecta a passagem da energia ?

jametinhasdito!

O que interessa é saber se afecta ... as pessoas !!!


"Cientistas conseguem transmitir energia com tecnologia sem fios

Investigadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT na sigla inglesa) anunciaram quinta-feira um novo avanço ao conseguirem acender uma lâmpada transmitindo a energia necessária por meio da tecnologia sem fios.
Esta descoberta faz prever que em breve os telemóveis e outros aparelhos electrónicos possam receber energia sem necessidade de estarem ligados à corrente eléctrica.
De acordo com uma artigo publicado quinta-feira na Science Express, uma publicação online da Science, o conceito de envio de energia através da rede sem fios não é novo, mas até agora a sua utilização em larga escala tem sido considerada ineficaz, uma vez que a energia electromagnética gerada iria irradiar em todas as direcções.
Contudo, no Outono, um cientista do MIT, Marin Soljacic, descobriu a maneira de fazer a transferência de energia recorrendo a ondas electromagnéticas definidas.
A chave é fazer com que o aparelho fornecedor e o receptor comuniquem na mesma frequência de modo a receber a energia de forme eficiente, sem a perda até agora considerada.
O princípio é idêntico àquele que permite a um cantor de ópera partir um copo de vidro com a voz, desde que o objecto esteja a comunicar na mesma frequência daquela voz.
O avanço agora conseguido no MIT tem a ver com o facto de pela primeira vez se conseguir a transferência eficaz da energia, sem perdas.
Os cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts conseguiram fazer acender uma lâmpada de 60 watts colocada a dois metros da fonte geradora de energia.
«Foi uma experiência excitante. O processo utilizado é fácil de reproduzir. Não custa nada regressarmos ao trabalho no laboratório e reproduzir o processo sempre que quisermos», comentou Marin Soljacic.
A descoberta permite pensar num futuro próximo em que os aparelhos funcionem sem necessidade pilhas, evitando os problemas associados à sua reciclagem e aos efeitos nocivos dos químicos tóxicos de que são feitas.
No entanto, os cientistas ainda têm muito que trabalhar pois o processo desenvolvido no MIT é eficaz a 40-45%, ou seja, a maior parte da energia gerada pela fonte emissora não chegou à lâmpada.
Marin Soljacic considerou que o processo tem de pelo menos duplicar a sua eficiência, antes de poder competir com as formas tradicionais de fornecimento de energia aos aparelhos eléctricos e electrónicos.
Designado por «WiTricity» (contracção de Wireless - sem fios - e Electricity - electricidade), o processo desenvolvido pelo MIT vai ser desenvolvido não só para miniaturizar o receptor de energia como para aumentar o alcance.
O objectivo é conseguir, por exemplo, que uma única fonte de energia sem fios possa alimentar todos os aparelhos existentes num dado espaço, como a sala de uma casa.
Nos testes até agora efectuados não foram detectados quaisquer danos nos telemóveis, computadores portáteis e cartões de crédito que se encontravam no laboratório, mas o MIT admite a necessidade de mais estudos.
A não existência de efeitos secundários nesta forma de transformação de energia tem ainda outro efeito, segundo o MIT: a colocação de pessoas ou objectos entre o emissor e o receptor da energia em nada afecta a passagem da energia."






observacões são bem vindas

2007-05-25

à saúde

a secção "Science Briefing" do Finantial Times de hoje, assinada por Rebecca Knight, traz várias notícias interessantes:
- o elixir da juventude já existe e engarrafado - é o retinol, uma forma de vitamina A, que hidrata a pele!
- os anéis de Saturno revelam algumas surpresas e o maior é constituído por agrupamentos de partículas mais densos do que se pensava, pelo que a respectiva massa deve ser pelo menos duas vezes superior às estimativas, além de que as ditas partículas estão em permanente colisão entre si, sem a distribuição uniforme que se admitia, ou seja, com intervalos que deixam passar a luz!!
- e o vinho faz bem à saúde !!!

esta última descoberta permite o verdadeiro jametinhasdito: "a drink a day keeps dementia at bay"

é certo que neste ponto a ciência apenas vem confirmar o saber milenar da humanidade, mas o fleumático FT refere um estudo do jornal "Neurology" que recorreu ao método experimental para comprovar que a incidência do consumo moderado de alcool, principalmente vinho, tem efeitos benéficos contra a progressão de doenças do foro neurológico

e as boas notícias são para celebrar com um copo !



PS - como o link só é acessível aos assinantes do jornal, vai anexo o resumo



alcohol consumption, mild cognitive impairment, and progression to dementia. - Solfrizzi, V, D'Introno, A, Colacicco, A, Capurso, C, Del Parigi, A, Baldassarre, G, Scapicchio, P, Scafato, E, Amodio, M, Capurso, A, Panza, F
Objective: To estimate the impact of alcohol consumption on the incidence of mild cognitive impairment and its progression to dementia.Methods: We evaluated the incidence of mild cognitive impairment in 1,445 non-cognitively impaired individuals and its progression to dementia in 121 patients with mild cognitive impairment, aged 65 to 84 years, participating in the Italian Longitudinal Study on Aging, with a 3.5-year follow-up. The level of alcohol consumption was ascertained in the year before the survey. Dementia and mild cognitive impairment were classified using current clinical criteria.Results: Patients with mild cognitive impairment who were moderate drinkers, i.e., those who consumed less than 1 drink/day (approximately 15 g of alcohol), had a lower rate of progression to dementia than abstainers (hazard ratio [HR] 0.15; 95% CI 0.03 to 0.78). Furthermore, moderate drinkers with mild cognitive impairment who consumed less than 1 drink/day of wine showed a significantly lower rate of progression to dementia than abstainers (HR 0.15; 95% CI 0.03 to 0.77). Finally, there was no significant association between higher levels of drinking (>=1 drink/day) and rate of progression to dementia in patients with mild cognitive impairment vs abstainers. No significant associations were found between any levels of drinking and the incidence of mild cognitive impairment in non-cognitively impaired individuals vs abstainers.Conclusions: In patients with mild cognitive impairment, up to 1 drink/day of alcohol or wine may decrease the rate of progression to dementia.(C)2007AAN Enterprises, Inc.



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2007-05-23

desota

ouvido na rádio, o histriónico Ministro das Obras Públicas (ou o raio de nome que agora tiver) e da Ota jametinhadito um novo argumento contra a opção pela margem sul do Tejo para construção do futuro aeroporto de Lisboa

é que tal localização colocaria o aeroporto onde não há gente, nem escolas, nem hotéis !
ou seja, em "pleno deserto" !!!

será o conhecido deserto de Atacoina ? do Gobirreiro ? do Saaralcochete ?

é certo que na zona os aquíferos são subterrâneos enquanto na Ota os rios teriam que ser soterrados

mas talvez Mário Lino seja um verdadeiro iconoclasta e tenha conseguido finalmente o que a oposição mai-los ambientalistas não alcançaram: reverter 30 anos de estudos a favor da Ota e colocar em cima da mesa a necessidade de novos estudos para uma decisão política fundamentada

de preferência, em critérios racionais


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2007-05-17

baby bum

algures no Illinois, um avô babado ofereceu um canhangulo ao adorável neto de seus 10 mesitos

acto contínuo e em coerência familiar de costumes, o pai babado dedilhou pela internet um pedido de licença de porte de arma em nome do rebento

a Polícia do respectivo Estado, ao abrigo da lei, deferiu o requerimento e emitiu uma bela licença de porte de arma, por enquanto mero documento de enxoval

lá mais para diante, mal o licenciado coma os flocos todos de manhã, há-de experimentar uns balázios em amena confraternização familiar, talvez para animar o lanche ou para celebrar a primeira cervejola ou something else...

pouco depois aprenderá a ler, mais tarde será pai e renovará o ciclo dos cowboys no oeste selvagem em que ainda vivem muitas políticas, leis, práticas, instituições, autoridades , cidadãos e eleitores norte-americanos

participará numa ou mais das guerras que os EUA têm em qualquer parte do mundo para manterem o seu poderio, domínio e esbulho

e naturalmente oferecerá um arsenal de afectuosos brindes de armas e munições aos queridos filhos e netos, para que deles fruam e usufruam, perpetuando o ciclo do american dream

brave new world, cada vez mais na mesma

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just do it




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2007-05-13

ver


parafraseando o saramagal conselho:

se puderes olhar, vê!

se puderes ver, repara!!

e se reparares numa gaivota a posicionar-se para ver, se puderes, tira-lhe o retrato !!!



nota: o profissional fotografador não pode concorrer, já ganhou direito ao prémio; obrigado ;->















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2007-05-12

Armenia mate



ante uma tal beleza, o Arménio Aronian sorri como quem encaixa mais uma linda taça!

neste caso, merecidamente, após vitória sobre o actual Campeão do Mundo, o russo Vladimir Kramnik

a Arménia viu nascer o Campeão do Mundo Tigran Petrosian - ó a limpeza como venceu outro Campeão do Mundo, Boris Spassky - e tem com o venerando jogo do xadrez uma relação de especial paixão, fascínio e talento


naturalmente e como jametinhamdito, hoje há certos incentivos antes inimaginados, como é bem exemplo a emissão de moeda com os nomes dos membros da brilhante equipa olímpica da Arménia

um raro gesto de reconhecimento que é simultaneamente notável promoção da modalidade

assim se constrói a auto-estima de um povo, aproveitando as elites para desenvolvimento das suas potencialidades de forma generalizada e sistemática

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2007-05-03

inocência à prova



no magnífico jornal gratuito a 1 centimo por cobrar, o director António Mendonça escreve Oje que "Só no caso de não conseguir prová-la é que, muito provavelmente, será declarado culpado." !





jametinhamdito !!


efectivamente, em Nota intitulada "Estado de Direito", o director do jornal Oje afirma o direito do arguido de "poder provar a sua inocência em Tribunal"

há de facto esse direito, no Estado de Direito

mas não é isso que distingue o Estado de Direito - e mal seria...

o que caracteriza o Estado de Direito é exactamente o contrário, isto é, nenhum cidadão tem que fazer prova da sua inocência

na realidade, é sempre muito difícil fazer "a prova da inocência" - facto negativo

por isso, o que o Estado de Direito veio assegurar é que a realização da Justiça exige antes a prova do crime (dos respectivos pressupostos, dos factos e da culpa) sem a qual prevalece a inocência e sem que o cidadão arguido se veja em situação de "provar" seja o que for

no caso do Estado português, a Constituição da República determina garantias e estrutura de processo criminal - cfr. Artigo 32º números 2 e 5

"Artigo 32.º
(Garantias de processo criminal)
...
2. Todo o arguido se presume inocente até ao trânsito em julgado da sentença de condenação, devendo ser julgado no mais curto prazo compatível com as garantias de defesa.
...
5. O processo criminal tem estrutura acusatória, estando a audiência de julgamento e os actos instrutórios que a lei determinar subordinados ao princípio do contraditório.
A diferença é enorme: nos regimes policiais (o inverso do Estado de Direito) algumas normas permitiam a incriminação de quem não lograsse provar a sua inocência; diversamente, no Estado de Direito, quem acusa é que tem que provar a existência e prática efectiva dos factos, bem como a sua imputação ao arguido e a respectiva culpa, além da demonstração do seu enquadramento em lei penal prévia."

de outro modo não há crime

e o cidadão continua a ser, e bem, considerado inocente até prova - "positiva" dos factos de que é acusado

decorrentes dos preceitos constitucionais típicos do Estado de Direito, diversas normas legais consagram aspectos materiais e processuais que concretizam o princípio da presunção da inocência

por exemplo, o arguido tem o direito de não responder a perguntas, excepto quanto à sua identidade e, se for caso disso, antecedentes criminais

o respeito pelo silêncio e pela passividade do arguido é justamente resultado do primado da presunção de inocência que caracteriza o Estado de Direito - os acusadores que façam prova

no essencial, porém, e embora através de expressão imperfeita, a Nota do Director do jornal Oje pretende realçar a supremacia de legitimidade do Estado de Direito, assegurando que não se pode pedir a cabeça de cada um sem se provar o indispensável fundamento

razão porque a dita Nota, até prova em contrário, presume-se inocente!

; - )




observacões são bem vindas

a luz e o túnel

Carmona Rodrigues tem sido instado, por diversos dirigentes partidários, a abandonar as funções de Presidente da Câmara Municipal de Lisboa para que foi eleito há dois anos

a eleição foi antecedida de peripécias que o envolveram

suspendeu anteriores funções na Câmara para ser Ministro

passou de Vice a Presidente enquanto Santana Lopes foi Primeiro Ministro

cedeu a vez e voltou a Vice quando Santana Lopes regressou à Câmara, exonerado por Jorge Sampaio

herdou uma situação difícil na Câmara, em parte por responsabilidade própria, na parte em que os números dois têm responsabilidade

o caso do túnel do Marquês de Pombal é sintomático: arma de arremesso da campanha eleitoral de Santana Lopes, a construção do túnel foi mal planeada - Carmona Rodrigues é um reputado professor de engenharia, reconhecendo por isso as virtudes do adequado planeamento - e apressadamente iniciada, sem os estudos exaustivos nem os formalisnos legais e contratuais que se justificavam

objecto de contestação igualmente eleitoralista mas em boa parte fundamentada, as obras demoraram-se com grande transtorno e acrescida despesa para a cidade

tenaz, prosseguiu as obras, cumprindo as ordens judiciais, e abriu recentemente o túnel ao uso público, na data significativa do 25 de Abril, com desanuviamento do trânsito subterrâneo e à superfície

há ainda trabalhos em curso, que estão a ser feitos

ou seja, partindo de uma situação que não escolheu (mas apoiou) e que não dominou, foi capaz de realizar o que era necessário, como compete a um Presidente de Câmara

o coro de objecções ficou assim vazio - a obra está ao serviço da cidade!

mas a Câmara tem outros problemas, de início sobretudo financeiros e políticos - depois avolumando-se em processos judiciais, primeiro administrativos, entretanto criminais

a vereação fez e desfez alianças, tornou-se ainda mais difícil de governar; diversos vereadores, incluindo da oposição, abandonaram ou suspenderam as suas funções, uns foram substituídos outros não

Carmona Rodrigues aguentou o barco

acusado de paralisação da Câmara interpelou os acusadores: quais as obras paradas ou deliberações em impasse ? calou as críticas mas não calou os críticos

pedem eleições desde que as perderam

agora, até o PSD se sente tentado a arriscar uma eleição, motivado pela crescente impopularidade do PS, à boleia da incomodidade às medidas da governação, do peso do meio do mandato do Governo a meças com a convocação da primeira greve geral dos últimos dois governos e da má prestação do Primeiro Ministro José Sócrates no caso da pseudo-deslicenciatura - e do uso afinal indevido do título de engenheiro a que a respectiva Ordem se arroga direito de reserva, concluindo o País que, por via de uma alínea no Estatuto da Ordem dos Engenheiros, nem todos os licenciados em engenharia são engenheiros...

voltando à vereação, com tantos vereadores opositores como vereadores do "executivo", num caso e noutro cada um de sua nação, poucos aguentariam o barco em rumo certo como Carmona Rodrigues tem aguentado

mas Carmona Rodrigues não é um "político", não é um profissional do carreirismo político, não é um partidário

na realidade, está a tirar o tacho aos encartados

também por isso, o mesmo PSD que nunca o apoiou verdadeiramente deixa-o agora cair na ânsia de mostrar serviço - não no âmbito municipal ao serviço de Lisboa mas na oposição ao Governo do País

mas Carmona Rodrigues é independente

e crescido - já foi Ministro de Portugal e nada tem a provar sobre a sua competência profissional

sabe pensar pela sua cabeça e, mesmo cumprindo a cortesia de ouvir quem tem que ouvir, certamente decidirá por si

de facto, novas eleições em Lisboa servirão para um eventual cartão amarelo ao Governo e redistribuição de jobs & boys mas ninguém garante que algo mude verdadeiramente

talvez seja exactamente para garantir que tudo fica na mesma que tantos pedem agora eleições em Lisboa

oxalá Carmona Rodrigues não lhes faça a vontade


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2007-04-16

excepção à regra





as regras, bem sabemos, são para cumprir


mas há excepções


uma das regras das excepções é o exagero de excepções à regra


os sinais de trânsito, por exemplo, destinam-se a disciplinar a utilização das vias rodoviárias, por onde circulam veículos, pelo que consistem em imagens, essencialmente, embora haja, naturalmente, excepções


a opção por imagens tem a ver com a uniformidade e universalidade que permitem leitura e interpretação directa e imediata do respectivo conteúdo, evitando equívocos ou hesitações e consequentes acidentes ou demoras


em suma, os sinais de trânsito devem proporcionar completa apreensão do seu significado num relance, à velocidade da circulação rodoviária - e, já agora, a todos os utilizadores da via pública


por isso as imagens são, por regra, extremamente explícitas, baseadas em:


- formas geométricas, simples e de cores fortes, certamente não por acaso se usa o vermelho para exprimir perigo e proibição e o azul para obrigação;

- números, para limites de velocidade, etc

- símbolos, convencionais mas em geral figurativos, embora estilizados ou letras (H...), portanto sempre bem expressivos


o recurso a textos (palavras...) é assim uma excepção


para além dos avisos indicativos de locais, apenas em casos de pequenas indicações ou a título de excepção à regra expressa pelo sinal propriamente dito: excepto Carris, excepto moradores, excepto trânsito local, excepto dias úteis, pares ou ímpares ou das tantas às tantas horas, em espinha, excepto cargas e descargas, excepto portadores de título especial, excepto acesso a obras ou ao nº tal, excepto tomada e largada de passageiros, excepto veículos autorizados, e assim por diante


sempre há uns mais discursivos: "ao abrigo do artº 50º do Código da Estrada" - estacionamento interdito em frente ao portão do vizinho...


ora, actualmente proliferam sinais carregados de chapas complementares com textos sucessivos: "excepto trânsito local" + "das 22.00h às 06.00h" + "bombeiros"


por vezes, quando se consegue concluir a leitura dos complementos já se ultrapassou o sinal e eventualmente já foi praticada infracção... ou não, depende do conteúdo das excepções remanescentes!


talvez sinalizando, também, esses excessos de excepções, o sinaleco retratado neste post atentou no esquecimento das regras em prol da lembrança das excepções


é que se não há regra sem excepção, também não deveria haver excepção sem regra




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orientação



as amigas ditosas não perdem a orientação...

mesmo quando o mundo urbano se expande mais do que seria desejável

; - >




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2007-04-11

pontes

era uma vez uma ponte

quem quer que conte ?

então conto: lá para os idos finais de 70, anos 1800, ia um comboio a passar e a ponte caiu, quem sabe se lá ia algum conde...

quem quer que conte? então conto: a tragédia levou os escoceses à boa reacção, iniciando nova construção logo em 1883, depois de se considerar que o túnel oferecia maior risco

e mãos à obra, com o objectivo de substituir a travessia ferroviária por uma estrutura, digamos, indestrutível, a Firth of Forth Rail Bridge, no estuário do rio Forth, em Quensferry, perto de Edimburgo, na Escócia


o esquema construtivo desta ponte - Firth of Forth Bridge - é fantástico, quer do ponto de vista da solução construtiva quer do aspecto final, ainda hoje imponente
em 1964 foi inaugurada nova ponte, a Forth Road Bridge, durante algum tempo a maior ponte suspensa da Europa... até à inauguração da ponte sobre o Tejo, entre Lisboa (Alcântara, tinha que ser) e Almada
quase igual à nossa!


a mesma silhueta elegante, o característico M alongado e um extenso tabuleiro suspenso no ar, pendurado a 70 metros acima da água, a poder de engenhosos cabos suportados em poderosos pilares

num relance, só o cinzento é diferente da cor férra da nossa ponte, gémea um bocadinho maior, um nadinha imperceptível à vista
a maior diferença é a travessia ferroviária: a nossa foi realizada há alguns anos, já nos esquecemos do transtorno das obras, completando o projecto inicial; na Escócia, não foi prevista ...

afinal, neste particular o ditador que a grei ainda há dias escolheu televisivamente teve visão de futuro, isolou o país mas não deixou Lisboa demasiado isolada da margem irmã

hoje tem outro nome, livre da má fama e do narcisismo do instituidor da PIDE, da censura e da fraude, passsando a usar o simbolismo da urgência revolucionária e o calendário da democracia restaurada: 25 de Abril, passam agora 33 anos

e, jametinhamdito, é um gosto a liberdade percorrê-la a pé

maior gosto ainda, é percorrê-la em busca de um novo record de solidariedade !!!


; - >



PS - quase esquecia: Queensferry discute hoje o problema das portagens, em £ibras, e a necessidade de uma nova travessia ... ferroviária !
e a nossa ponte, mesmo se projectada para o futuro, também já tem companhia no estuário do Tejo, baptizada com um nome que já aguentou mais de 500 anos, Vasco da Gama
mas a nova travessia não contempla a ferrovia, talvez o assunto volte à agenda, sobretudo se a Ota der bota, eh eh !!!


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2007-03-21

O Tempo e o Mar

a seu modo, António Neves, presidente da Junta de Freguesia da Costa de Caparica, exprime o conceito inverso ao que Natália Correia invoca num verso fervorso de um poema ao jeito de oração: "Creio que tudo é eterno num segundo"

é a compressão do tempo por oposição à elasticidade do tempo - no caso da nossa saudosa poetisa, a vivência intensa de cada segundo poderia experimentar todos os sabores da eternidade, nenhum segundo deveria então ser desperdiçado pois contém a variedade e a riqueza da totalidade da vida; já para o autarca em apreço, na sofreguidão do pragmatismo de quem se vê a braços com o poder destruidor dos elementos, bem poderiam ser abolidos os segundos que faltam par o fim da época de marés vivas

enfim, há muitos fins de mês que são igualmente ansiados, também por razões de liquidez - é o que sucede quando ainda sobra mês no momento em que o ordenado acaba

menos poético, desta vez, o mar avançou sobre as protecções, arrastou as pedras com que os homens o pretendem confinar e galgou o paredeão das praias da Costa de Caparica, causando alguns estragos em vários parques de campismo

registe-se que os campistas são em rigor uma espécie muito particular de campistas, afinal residentes disfarçados de campistas em segundas habitações à beira-mar, em abusiva utilização privada de espaços e recursos públicos

mas voltando ao mar, o mencionado presidente da Junta jametinhadito, na rádio, que "o objectivo é chegar ao final do mês de Março o mais depressa possível para começarem as obras de reposição do paredão" !!!

é um objectivo realista e, em princípio, exequível: se a eternidade de Natália Correia cabe num segundo, certamente um mês ou o que dele resta também poderá caber em pouco tempo

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PS: já agora, ao jeito de homenagem, também à fé, à Primavera e à poesia, que inclui a fraternidade, a amizade e o amor, cá vai o poema:

Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Amén.

Natália Correia

2007-03-15

gloriosas degenerações

talvez já ninguém ligue aos apetitosos almoços, digo, aos escritos do Prof. João César das Neves ou pelo menos, no zapping pelos jornais, não se deu conta de qualquer reacção ou comentário à excelsa crónica de 5 de Março, no Diário de Notícias, aliás com o brilhantismo a que já habituou os leitores

reza, nessa crónica, João César das Neves, que as nossas últimas cinco gerações foram bem catitas para a história de Portugal, pelos excelentes contributos transformadores que nos permitiram passar da luz a petróleo (embora haja quem, apesar de ter menos de um século de existência, ainda se lembre da candeia de azeite, da vela de estearina e do pivete do querozene) à internet (um feito português!) e da caleche ao telemóvel

essas gloriosas gerações assim analisadas atiram-nos de volta ao início do século XX, anos perdidos, porém,: foi a pior das 5, herança trágica da cabeça perdida da instauração da democracia republicana, talvez pela presença de genes nocivos do liberalismo decadente com que tivémos de amargar...

"Ó Portugal, hoje és nevoeiro", ilustra a geração do Fernando, ainda assim um escritor, embora Pessoa lúcida pois percebeu que isto não tinha saída...

vem então a segunda gloriosa, a geração "Salazar", afilhada de um político, portanto - era para botar ordem no regabofe, em nome da "segurança e estabilidade", "qualquer que fosse o preço": aqui terá que se reconhecer coerência ao autor da crónica pois a magra e rija refeição salazarenta não foi nada grátis, pois não foi, e - a la Sérgio Godinho - o coveiro que o diga ...

a degeneração subsequente oferece-nos sucessivamente a "geração Raul Solnado", depois a "geração Herman José" e agora - estava-se mesmo a ver e tinha que ser - é a geração do Gato Fedorento

e assim se nomeou um país, em cem anos de anedotário falgazão apenas entrecortado pelo breve período mais sisudo todos sabemos de quem...

breve, é maneira de dizer, há muito quem afiance que os 48 anos ainda perduram, a poder do nacional concursismo do nosso serviço público televisivo, safa !

e portanto, da caleche à internet e coisa & tal, o almoço a pagar é o branqueamento de uma geração a bem dizer tão gloriosa como as outras

esquecidos e por dizer, como convém à economia e aos objectivos em que a crónica se insere, ficam aqueles aspectozinhos da PIDE, dos assassinatos impunes, da tortura, do degredo, da prisão sem culpa formada nem direito a advogado, juíz ou defesa, da guerra do ultramar, da discriminação contra as mulheres, do analfabetismo generalizado, do condicionamento económico, do colonialismo, da censura, das eleições fraudulentas, da ausência de eleições, do partido único, dos portugueses de primeira, de segunda e de terceira, do isolamento internacional, do atraso do país, da miséria, da subalimentação, da emigração massiva, do caciquismo...

por muito bem disfarçado e mesmo que quase ninguém repare, jametinhasdito, ó Prof. João César das Neves

isto merece um museu




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2007-03-02

recomenda-se

O site do Ministério da Educação... noticia uma recomendação intrigante:

"...
A segunda recomendação questiona a viabilidade do Curso de Línguas e Literaturas, que tem registado, nos últimos anos, uma procura muito baixa por parte dos alunos, impossibilitando a constituição de turmas nas escolas.
Considerando que esta situação conduz a uma formação precocemente especializada, que implica um reduzido leque de opções no prosseguimento de estudos, o GAAIRES defende a extinção do Curso de Línguas e Literaturas, com a consequente integração das suas disciplinas específicas no leque de optativas bienais e anuais do curso de Ciências Sociais e Humanas"

Jametinhasdito, ó GAAIRES... !

Também intriga um bocadinho a magreza franciscana do conjunto recomendações, a coberto da inefável técnica do chuta para o lado ... porque falta o amadurecimento(!) e o trabalho das escolas...!

Então para que diacho servirá o"Grupo de Acompanhamento", se não se considera habilitado a propor as alterações que se justifiquem ?



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2007-02-27

Preocupações


muita gente vai pegar nisto, mas como resistir ?

segundo oPúblico de hoje, Fátima Felgueiras jametinhadito, hoje, no salão dos Bombeiros Voluntários de Felgueiras, que "Não há nenhum autarca tão preocupado com a lei como eu"

naturalmente !

é uma afirmação de ciência, pelo que faz prova em Tribunal

pode servir de testemunho abonatório a muitos outros autarcas também a contas com a lei, embora eventualmente com razões para não estarem tão preocupados...

mas a autarca de Felgueiras, que adoptou o nome da Câmara Municipal a que preside, tem boas razões para estar preocupada com a lei

e a confissão é sempre passível de ser considerada circunstância atenuante




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Realmente

a folha oficial da República dá hoje à estampa, designadamente, o Decreto-Lei nº 48/2007, aprovando a extinção do Serviço Nacional Coudélico e a criação da Fundação Alter Real

são inteiramente legítimas as certamente meritórias virtudes da alteração legislativa sobre a promoção da gestão do património e do conhecimento nas áreas da produção, indústria, ensino, cultura e investigação equestre

em tempos tão republicanos, dá gosto ver a instituição de uma Fundação Real pelo Estado português

a República será real ?

realmente jametinhasdito, ó República !!!



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2007-02-26

Lapa

Que horas são que horas

Tamanho dia o outro.

Mas mesmo assim,
Considerada a memória, houve uma tal disparidade de marcas, de coisas, de ditos, de factos. Assim, assim, assim, assim, como era aquela no outro dia aquela como coreto e tal na tal metáfora?
Era assim ou assim

1974


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Álvaro

A linguagem afastar-se-á do consenso, e exprimirá o desejo e a imaginação.

As profecias de Abab/Varetti – 1972




Álvaro Lapa – Exposição “Obras com palavras”, Museu da Cidade, 28 de Janeiro de 2007


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2007-02-23

Lisboa à vista




surpreendida, no lugar do retrato, ave dos cantores de Lisboa, apetece cantar: Ditosa, estás à janela...
mas o seu a seu dono!
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2007-02-17

António José Teixeira

estranho que o DN demore a noticiar a substituição da Direcção, apenas dedicando hoje umas linhas, em papel, ao agradecimento aos leitores e à expressão da justa convicção do bom trabalho feito em termos de qualidade e credibilidade

António José Teixeira teve muito pouco tempo, como vai sendo reiterada regra no DN, e é bom que se proporcionem condições a quem dirige um jornal, como é de boa visão assegurar em qualquer outro projecto ou funções

aguardemos as explicações mas jametinhasdito que salta à vista a casuística em vez de estratégia empresarial e planeamento de decisão como o respeito pelos leitores exige a quem detém um jornal ou a quem tem Clientes

talvez a direcção editorial e os leitores do DN sejam as primeiras vítimas da recente remodelação do Público

mas faz bem lembrar que, em geral, o êxito da navegação precisa mais de estabilidade e rumo certo do que de instáveis mudanças de direcção

é certo que as decisões são de responsabilidade de quem as toma, porém o DN é um património valioso demais para bruscas bolinas

e Portugal precisa de bons ventos de leitura, bem como de informação credível e de qualidade



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2007-02-08

não ou sim

No DN de ontem, Vasco Graça Moura usa a sua habitual coluna para dar a sua opinião sobre o próximo referendo.

Jametinhadito que nem não nem sim, antes pelo contrário, fica tudo como está!

Em resumo, branco mais branco não há!!

No último Verão, a Visão editou um conjunto de pequenos contos, todos de preço acessível, leitura fácil e bom efeito, em qualquer época do ano.

O de Vasco Graça Moura ("Duas mulheres em Novembro", salvo erro) versava justamente o aborto. Narrava o reencontro de duas portuguesas, de classes sociais marcadamente diferentes, reunidas pelos acasos da vida numa clínica para efeito de ... pois claro, um aborto!

Azares, opções, percursos, expectativas, direitos, obrigações, consciências, (pre)juízo social, estima pessoal, mais a classe social, enfim, um caldo de razões e emoções, em diálogos escassos, económicos, entrecortados, calados, contidos, vingados, ressentidos, ressaltados e sobretudo uma boa dose de introspecção, reflexões na primeira pessoa do singular, à vez, sobrepostas, contrapostas, uma história bem escrita, algo cinematográfica mas no interior da mente de cada uma daquelas duas mulheres, tão diferentes, tão iguais, a mesma afinal.

Os contextos: entre o 25 de Abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1975, datas de virar de página e de páginas por virar, também em diálogos calados pelo escritor, também contrapostos e sobrepostos, como os mundos sonhados, rompidos e interrompidos em momentos cruciais da nossa história de há trinta e poucos anos, se bem que ainda assim carregada dos pesos do passado e do então futuro, com que ao fim e ao cabo ainda hoje nos debatemos - em véspera de mais um referendo, andamos à volta das mesmas razões de sempre, uma mais jurídicas que outras, muitas de fé, muitas de contrafé, muitas de má fé.

Fiquei, ao ler o dito conto, com a impressão de que naquela historieta se podiam ler várias oportunidades perdidas, de vidas individuais, de classes sociais, do país, da nação, e em especial da legislação sobre as condições em que tantas mulheres praticaram o aborto, durante muitas gerações, também as nossas gerações, certamente até às actuais gerações.

Os saltos revolucionários trouxeram a igualdade de direitos e a emancipação da mulher, na Constituição de 1976 e no Código Civil em 1977, o divórcio, o exercício do comércio, o voto, etc., mas não o aborto...

Nem tudo mudou, então...

Talvez a minha leitura tenha sido errada, abusiva, querida mais do que correctamente interpretada, afinal lida sem qualquer exegese, foi só a primeira impressão, era Verão, não havia campanha, os escritores podem ter razão antes de tempo, fora do tempo, o tempo todo - os leitores também !

Mas Vasco Graça Moura deu a volta à volta do assunto e voltou à mesma, para deixar tudo como está, cada vez lava mais branco...




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2007-01-29

Otana

com pompa e circunstância, o Ministro Máro Lino anunciou liturgicamente o modelo de privatização da ANA - Aeroportos de Portugal, S.A., a realizar conjuntamente com a adjudicação da construção e exploração do novo aeroporto, a implantar na Ota

a venda da ANA, através da transmissão maioria do respectivo capital representa, afirmou, a garantia da "atractividade dos capitais privados"

a par, também anunciou o aumento do montante total do investimento previsto e o alargamento do prazo de concessão, que era de 30 anos mas será ampliado

ou seja, mudança de pressupostos

aquilo que foi explicado publicamente já não é bem assim...

afinal, nem investimento nem concessão nem tráfego nem modelo serão os anteriormente anunciados

provavelmente, também não serão estas as condições finais, pois até ao lavar dos cestos é vindima

ainda subsiste o local, talvez o mais difícil de explicar, dadas as desvantagens óbvias decorrentes da distância, incómodo e previsíveis prejuízos que decorrerão do percurso a vencer para o principal destino dos passageiros e carga - Lisboa

curioso é o argumento da "atractividade dos capitais privados"...

os capitais privados ficarãp com o conjunto da gestão aeroportuária, talvez para não haver surpresas desagradáveis pós privatização, como tantas vezes sucedeu, assumindo-se claramente o Estado como estrito vendedor da banha da cobra pronto a alterar as regras a meio do jogo

é análogo à concessão das duas pontes, em Lisboa, no esquema financeiro da construção da nova ponte sobre o Tejo - aos privados foi assegurado que não há concorrência; há outros exemplos de concessões nestas circunstâncias, veremos se não são sempre os mesmos beneficiários, por sinal grandes paladinos do "mercado" que no entanto se dão tão mal com a existência de concorrência e a eliminam logo nos cadernos de encargos e contratos de concessão

é obra !

mas não é obra da mão invisível, é tudo ministerialmente conseguido à custa da intervenção do Estado!

e não são planos quinquenais, são concessões a 30 anos e mais !!!

jámetinhasdito, ó Ministro Mário Lino

veremos se não é mais um fogo fátuo da Gare Marítima de Alcântara, que em democracia já testemunhou vários fiascos quase tão megalómanos como os da utopia do Império

com projectos e artes de comunicação e imagem pagos a peso de ouro pelo erário público





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2006-12-20

Ditosa Natalícia





em voo festivo, a Ditosa deste Natal já contém e oferece o prémio devido a quem a contemplar, para além do merecimento de quem identificar o local, desafio habitual do Ditos a pretexto das gaivotas amigas

um Natal Feliz e Amigo para todos, cheio de voos, sonhos e abraços




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2006-12-19

Jesus Muçulmano

Faranaz Keshavjee, muçulmana, Membro da Comunidade Ismailita, jametinhadito que Jesus é Muçulmano!

Em plena época natalícia, este interessante artigo do Público de hoje traz a oliveira do ecumenismo, da possibilidade e da necessidade de concórdia e harmonia.

E propõe a via do “re-conhecimento do outro”, não só nas suas diferenças mas também no muito que nos torna iguais: a dúvida e a esperança de todos nós, afinal simplesmente humanos e vulneráveis perante as complexidades da vida.

Recentemente, em contraponto, vem sendo noticiada alguma movimentação no Vaticano para o regresso da missa em latim.

E, por último, a substituição, na missa, da tradicional referência à “salvação de todos” por outra, a “salvação de muitos”, alegadamente mais próximo de pro multis, do tempo da missa dita em latim.

Mas antes do latim, era em grego, oi polloi, e a salvação de Cristo era destinada à generalidade da comunidade.

Será um pormenor, mas não deixa de indiciar certa tendência redutora; ora, a doutrina católica (aquela oficial da Igreja Romana) tem, até etimologicamente, vocação universal, pressupõe abrangência e compreensão, inclusão e universalidade.

De volta então a Faranaz Keshavjee e à sua proposta universalista, a partir da consideração de Jesus pelo Islão como um Profeta e Guia Espiritual.

Movida pela curiosidade intelectual, humanista e afectiva, Faranaz Keshavjee estudou e revisitou os fundamentos do Islão, e afirma:

- “Jesus surge no Alcorão e nos Evangelhos (ditos) Muçulmanos como o Profeta do Amor; o Guia das virtudes cardinais: a Paciência, a Humildade, a Renúncia ao materialismo, o Silêncio. Jesus também aparece como o "obreiro dos milagres"; o "viajante"; o "arrependido"; o "Redentor". Jesus é para os muçulmanos o Selo dos Santos. Jesus, é o grande Sufi. Jesus também é muçulmano!”

Para a doutrina Católica, Jesus está em toda a parte.

Nos corações muçulmanos e nos nossos.

Crentes de todas crenças.

Titulares de múltiplas humanas diferenças.

E de múltiplas humanas semelhanças !

Feliz Natal ! ! !



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2006-11-22

bemquerer instante



















sentir um sossego assim, evocar a força dos quatro elementos e invocar a lembrança dos bem queridos é um instante à beira do paraíso


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americanices

um Ditos para desanuviar de tanta notícia de digestão difícil - eis uma das muitas boas razões para se apagar a TV ao jantar !!!

registo de interesses e inspiração: tudo fonte no bom DN lido durante o almoço (!)

ora, sucede que a Edições Murdoch (vulgo News Corporation) anuncia a desedição de magífico ex-futuro-best seller dedicado à (in)verosimilhante novela dos eventuais, supostos, alegados factos que assim teriam sido praticados isto a terem sido praticados por mediática personagem de nome sincopadao à americana, um tal OJ Simpson, ex-futebolista de uma estranha modalidade sem pés nem bola;

a Televisões Murdoch (vulgo Fox) cancela a emissão da correspectiva entrevista promocional;

o Presidente Murdoch (vulgo Robert) veio piamente explicar que o assunto era doentio, isto depois de queixas de púdicos cidadãos, incomodados telespectadores e, igualmente palpável mas um tudo nada menos etéreo, umas ameaças de processos em busca de chorudas indemnizações (à la americana, tudo aos milhões) por parte de diligentes e ansiosos causídicos da Família das vítimas - a saber, a ex-mulher do ex-futuro escritor de best sellers e um amigo dela

claro que não estamos livres de o dito livro acabar por ser publicado e o ex-futuro autor poderá mais tarde reclamar que pôs os americanos a ler, agora com a publicidade reforçada do aspecto doentio da trama e correspondente fascínio acrescido

tão pouco de haver à mesma uns processos de indemnização por prejuízos havidos e não havidos

mas se há moral a retirar desta historieta é que tudo tem o seu limite mesmo na pátria da liberdade de expressão, passe os solavancos das mesmas - a pátria, a liberdade e a expressão

(esta linha de raciocínio poderia dar pano para mangas...)

outro ponto a assinalar é que os factos ocorreram em 12 de Junho de 1994 e foram julgados em 3 de Outubro de 1995 !

1 ano e 3 meses para perseguição, detenção, inquérito, acusação, instrução, defesa, nomeação de jurados, constituição do Tribunal, produção das provas, audiências, alegações, julgamento e decisão !!

é obra !!!

claro que há pequenos reversos: a absolvição criminal de OJ Simpson mereceu intensas críticas, de natureza processual e material, para além de não coincidir com a decisão civil condenatória

em contrapartida, consta que não terá sido pago um dólar aos queixosos, familiares das vítimas

mas o cândido ex-escritor tem direito ao jametinhasdito deste post ao afirmar "Eu queria apenas esclarecer algumas coisas que ficaram pouco claras" !

pouco claras? algumas coisas ?

jametinhastido, OJ Simpson ... !






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2006-11-19

gastação au Madeira

este jametinhasdito é um post scriputum à nota sobre gastadura natalícia

é que no entretanto o FIDELíssimo Alberto João Jardim antecipou-se aos gastadores do con-tenente e já deu fogo à peça nas iluminaduras festivas, para gáudio de turistas e locais

está bom de ver que é bonito de ver e a sensação é agradável, o que também tem a sua conta e medida numa região com invulgares atractivos turísticos merecedores de iniciativas aptas a potenciar essa importante fatia da economia

a ideia de necessidade de contenção mantém inteiro mérito mas, doseadamente e com critérios prudentes quanto a gastos de dinheiros públicos, há investimentos que não podem deixar de ser feitos sob pena de se comprometer o retorno de parcela da actividade económica relevante para o desenvolvimento da região

mas o malho volta à mula da cooperativa e o bailinho da Madeira vai ao ponto de ter sido adjudicada a festança a deputados do PSD, Jaime Ramos e filho, por via de insularidades legislativas que mandam às malvas a ética nos negócios e a moral na política

mas jámetinhamdito que na madeira da ilha não há moralidade

só comem alguns

os mesmos

e tudo




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loas a recato

sob os auspícios do nortista e populista Menezes, um dirigente do PSD explicou no claro exigir de Cavaco Silva o devido recato nas loas a Sócrates

jametinhasdito !

ou andam esquecidos do que Sócrates fez para lá pôr o Cavaco ?

até o Marocas acabou por perceber...

e a quem não se queira lembrar, Santana reexplicou tim tim por tim em hilariante entrevista de apresentação de mais um sucesso editorial de pôr-os-portugueses-a-ler

agora queixam-se ?

jametinhamdito ...



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2006-11-17

gastação

era início de Novembro e estava a Av. da Liberdade em sessão de embelezamento natalício, com esferas a frutificar nas árvores, algumas das quais azuis, bem promissoras...

parecia cedo para a iluminação de Natal e tarde para a antecipação de Santana Lopes, o "Estável", longe que vão os tempos da iluminação natalícia a rodos logo no início de Outubro

depois chegou a notícia: por razões de contenção, as luzes acendem apenas duas semanas mais tarde que o previsto, a 25 de Novembro

ainda assim, um mês para alegrar a cidade, animar o comércio e iluminar os munícipes

entretanto, Eduardo Prado Coelho acolheu o tema no "Fio do Horizonte", inquieto com as despesas ainda assim excessivas em época de crise - debatia-se o Orçamento do Estado por esses dias e invocava-se a dificuldade financeira que a Câmara causou ao Município de Lisboa

pareceu estranho, quase merecia um jametinhasdto de júbilo!

pelo raro e oportuno acerto de sensatez tanto como pelo inusitado lampejo de económica racionalidade vindo de quem de esquerda política, literária e cultural !!!

é claro que estabelecimentos há que já iluminam tudo al redor para captar fidúcia ao freguês, es la vida - mas aí o caso é privado, o investidor assume o investimento, o risco e a despesa inicial, embora no final o Cliente acabe por pagar, na despesa que faz, a despesa da luz do Natal

nas Avenidas e na Baixa a conversa é bem outra, pagamos nós a investidura da Câmara no alento dos comerciantes, no embelezamento da urbe e no extasiar dos transeuntes

ora, vem hoje à luz que a Câmara de Lisboa já contabiliza mil milhões de euros de encargos financeiros, dos quais duzentos milhões em dívida de curto prazo, tudo sujeito a juros, portanto

espera-se um especial esforço de contenção

há bem pouco tempo uma carta ao director de um jornal diário falava na falta de verba que foi invocada oficialmente para não se avançar com um projecto de edições de obras da literatura portuguesa, desperdiçando-se importantes apoios de fundações americanas; e citava António Hespanha que perante o mesmo tipo de cortes recorria ao argumento de comparação com a despesa em efémeros fogos de artifício

apesar da agradável sensação que os espectáculos de fogos de artifício proporcionam, a crescidos e graúdos, a evocação deixa um nó na garganta: em tempo de contenção alto e pára o baile, o foguetório fica para depois, quando houver excedente ou suficiente margem de manobra para folias, satisfeitas que estejam as obrigações fundamentais do Estado e da Autarquia, sem prejuízo algum para projectos prioritários

se a hora é de poupar, a Câmara tem que dar o exemplo e não gastar o que tem e o que não tem

e é bom que alguém veja claro por entre as zangas de comadres com que nos empoeiram os olhos

poupe-se na artificial mas... haja luz !!!


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2006-11-10

túnel a metro

em seu afã tuneleiro, a Câmara Municipal de Lisboa tem prolongadamente massacrado o escalpe aos transeuntes das redondezas da Praça Marquês de Pombal, centro geográfico e de circulação pedonal em Lisboa, movimentando diariamente muitos milhares de cidadãos, assim rotundamente atingidos por demoradas obras, desfeitas e manobras no epicentro metropolitano da capital

na Rotunda, as passadeiras provisórias eternizam-se, os circuitos precarizam-se, as paragens de autocarro descontinuam-se, a fluidez ressente-se, os semáforos intermitentes acostumam-se, os sinais de trânsito transfugam-se, os polícias plantaram-se e as máquinas sedimentam-se - umas jazem lá sepultadas, algumas já lá nasceram, outras ficam lá reformadas ...

ontem, dia de greve de trabalhadores do Metropolitano, o túnel de acesso ao popular transporte subterrâneo apresentou-se decorado a pesadas grades: encerrado !

sucede que o ditoso túnel serve há décadas de travessia subterrânea da Avenida da Liberdade, eixo central da cidade por onde cruzam apressados automobilistas na chuva dissolvente dos afazeres rotineiros e dos percursos viários

junto à Praça Marquês de Pombal não há passadeiras de peões sobre a Avenida da Liberdade

aliás, para evitar tão perigosa travessia face ao movimento contínuo e intenso de automóveis que de muitos lados acedem e percorrem aquela rotunda, o passeio está delimitado por correntes metálicas que deliberadamente dificultam a passagem de peões, assim forçados a recorrer ao túnel

ou seja, foi o descalabro, com pessoas de todas as idades e condições a terem que calcorrear passeios e relva, ultrapassar as correntes e atravessar arriscadamente os lanços centrais da Avenida da Liberdade por entre automóveis desenfreados

a Câmara Municipal de Lisboa tenta abrir um túnel mas fecha os que já existem, compromeotendo a segurança dos transeuntes

jametinhasdito, ó CML pseudo-tuneleira !!!

tá mal...


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2006-11-08

a paga e a banca

em momento de rara actualidade, pois decorre ainda a quadratura do círculo, este post cai pesadamente sobre António Lobo Xavier, invectivando contra o justicialismo e defendendo o statuo quo da magra contribuição bancária para o bolo fiscal da nação

António Lobo Xavier jametinhadito que são as pessoas que pagam os impostos e por isso o agravamento da tributação sobre a banca sairá reflexamente dos bolsos dos contribuintes

escondendo embora alguma verdade, a afirmação de António Lobo Xavier deixa de fora o rabo dos donos dos bancos, os respectivos accionistas, cujo lucro se encontra algures entre os momentos de pagamento de impostos por parte dos conglomerados bancários e os custos efectivamente suportados pelos cidadãos, em particular pelos cidadãos contribuintes e mais em particular pelos cidadãos contribuintes que são inexoravelmente Clientes dos bancos

e esse algures é muito precioso, importando defendê-lo a todo o custo de qualquer diferimento, como bem se depreende e entrelê da revolta de João Salgueiro

também Jorge Coelho tem direito a realce e distinção, pela "discriminação positiva" que insistentemente reconhece aos bancos, esquecendo-se de clarificar que tal "discriminação positiva" é reconhecida a favor (!) e em benefício (!!) dos bancos mas contra os contribuintes em geral (!!!), afinal as pessoas que pagam os impostos a que se refere o seu companheiro de quadricircularização

a esquadria da esfera dos impostos bancários tem também um senão contra os Clientes dos bancos, por via de preços não sujeitos a regulação nem a regime de transparência ou fundamentação, limitando-se a supervisão bancária a exigir a afixação das comissões cobradas pelos serviços prestados, obrigação naturalmente cumprida em cartaz de letra de corpo mínimo afixado no andar de cima da agência ou loja de atendimento, em paredes cegas de suporte às escadas ou notro esconso enfeitado a floreira, tudo locais por onde ninguém circula ou sem condições para leitura nem a indispensável lupa

e só há escassos dias foi possível começar a travar uma arrevesada prática de décadas em que os bancos arredondam segundo as conveniências, invertendo o critério para manter o remanescente sempre a favor da banca, que assim ganha sempre, como nos casinos

é que de aperto em aperto ainda assutam a banca mais rentável da Europa...

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2006-10-31

Greve a metro

Estão em greve os trabalhadores do metro, em Lisboa. Entre os maquinistas a adesão aproxima-se dos 100%, segundo os sindicatos FESTRU. As estações estão todas paradas. O trânsito, caótico. A empresa contratou transportes alternativos, a 100.000 euros por dia.

É a quinta vez este ano que o metro para por greve. E estão previstas mais paralisações nos próximos dias 7 e 9 de Novembro.

A greve prejudica todos os utentes – de modo mais grave quem já pagou as assinaturas – e a economia da cidade, bem como a boa disposição da população em geral afectada pelos desacertos, atrasos e arrelias induzidos pela paralisação do metropolitano e pela sobrecarga dos outros meios de transporte.

A conflitualidade decorre da luta pelo prolongamento do acordo de empresa celebrado em 1976 e que termina no fim de 2007. São pois direitos e regalias de um pacto com 30 anos que se discutem acirradamente. Ninguém cede, ninguém desiste dos seus interesses, ninguém acautela os interesses alheios.

Ora, vai um jametinhasdito de ira para os (ir)responsáveis sindicais, para os (ir)responsáveis patronais e para os (ir)responsáveis da tutela governativa.

Porque não explicam de modo transparente porque é que utentes e população em geral têm que pagar tão pesada factura, porque não ponderam os legítimos interesses próprios com os igualmente legítimos interesses alheios, porque não mostram trabalho feito de boa vontade na resolução das divergências sem as tornar conflituosas e nocivas para a empresa, para os seus Clientes e para a comunidade.

A empresa pública Metropolitano de Lisboa aparece em 279º lugar na classificação das mil maiores empresas não financeiras feita pelo jornal “Público”, com vendas de 71,6 milhões de euros.

Mas apresenta 162 milhões de euros de prejuízo, ou seja, mais do dobro do que facturou em 2005.

E as vendas diminuíram 4,4% apesar do aumento do preço dos bilhetes e assinaturas.

Há portanto um problema estrutural e há responsáveis pelo problema estrutural. Haverá solução para o problema estrutural ?

A criação de condições para o estado permanente de greve parece agravar a situação da empresa e do estado dos transportes da cidade.

Quem manda ? quem gere ? quem decide ?

Aliás, a crise estende-se ao sector: no extremo errado da classificação do Público aparece a CP com a orbital quantia de 1.444,6 milhões de euros de capitais próprios negativos – tenebroso.

Compara com o déficit do sector eléctrico, de 400 milhões de euros, que tanta celeuma deu.

Mas o sector dos transportes continua, avassalador: mais algumas centenas de milhões de euros preenchem a negro o fundo da tabela classificativa dos capitais próprios negativos.

Estão lá a Carris, de Lisboa, a STPC, do Porto, a EMEF, os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, a Fiat Portuguesa (privada) e outras, manchando o sector e, por arrastamento, uma boa parte da nossa economia.

Com índices assim, é fácil concluir que a recuperação vem longe...

E em casa onde não há pão, trabalhadores, gestores públicos e governantes, todos ralham sem razão, e quem paga a fava é o povão.

A greve não ajuda a resolver a crise da empresa e atinge sobretudo quem precisa de recorrer à rede pública de transportes. Os responsáveis - sindicais, patronais e governamentais - têm é que apresentar trabalho e resultados.

Assim, não !






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2006-10-30

Absolutamente

O Presidente brasileiro, Inácio Lula da Silva, hoje reeleito, teve um primeiro mandato atribulado, com sucessivas e intermináveis CPI – comissões parlamentares de inquérito a propósito de inúmeros casos envolvendo políticos de diversos quadrantes políticos e vários níveis de responsabilidade.

Numa entrevista televisiva durante a campanha presidencial, uma jornalista interpelou um político brasileiro, questionando-o sobre insinuações de corrupção de que era sujeito. O entrevistado jametinhadito prontamente, com ar indignado: corrupto eu ? absolutamente!

Ou seja, o político brasileiro repudiava a acusação através de uma expressão que, na sua literalidade e de acordo com os padrões portugueses de uso da nossa Língua, afirma exactamente o oposto.

Enfim, as Línguas têm muitas propriedades e qualidades, sendo a versatilidade uma das mais interessantes.

O português brasileiro tem significativas diferenças, que não apenas de mera ortografia, face àquilo que consideramos ser o padrão de Portugal.

O mesmo sucede com a evolução do nosso idioma nos países de Língua Oficial Portuguesa.

Essa pode bem ser uma riqueza da Língua Portuguesa, desde que compreendida e estudada, assimilando-se linhas de evolução que as circunstâncias lhe imprimem, aproveitando-se para a reforçar como pátria, elo de ligação e fraternidade entre os diversos povos que a falam.

E o Brasil deu um passo relevante na defesa, dignificação e promoção da Língua Portuguesa, ao instituir o (ao que muitos dizem) magnífico Museu da Língua Portuguesa.

Vale a pena visitar a página do Museu da Língua Portuguesa na internet.

E, claro, se for a São Paulo, é mais uma actividade recomendável na oferta cultural da maior cidade brasileira, digo, da Língua Portuguesa !!!



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Absolutamente

O Presidente brasileiro, Inácio Lula da Silva, hoje reeleito, teve um primeiro mandato atribulado, com sucessivas e intermináveis CPI – comissões parlamentares de inquérito a propósito de inúmeros casos envolvendo políticos de diversos quadrantes políticos e vários níveis de responsabilidade.

Numa entrevista televisiva durante a campanha presidencial, uma jornalista interpelou um político brasileiro, questionando-o sobre insinuações de corrupção de que era sujeito. O entrevistado jametinhadito prontamente, com ar indignado: corrupto eu ? absolutamente!

Ou seja, o político brasileiro repudiava a acusação através de uma expressão que, na sua literalidade e de acordo com os padrões portugueses de uso da nossa Língua, afirma exactamente o oposto.

Enfim, as Línguas têm muitas propriedades e qualidades, sendo a versatilidade uma das mais interessantes.

O português brasileiro tem significativas diferenças, que não apenas de mera ortografia, face àquilo que consideramos ser o padrão de Portugal.

O mesmo sucede com a evolução do nosso idioma nos países de Língua Oficial Portuguesa.

Essa pode bem ser uma riqueza da Língua Portuguesa, desde que compreendida e estudada, assimilando-se linhas de evolução que as circunstâncias lhe imprimem, aproveitando-se para a reforçar como pátria, elo de ligação e fraternidade entre os diversos povos que a falam.

E o Brasil deu um passo relevante na defesa, dignificação e promoção da Língua Portuguesa, ao instituir o (ao que muitos dizem) magnífico Museu da Língua Portuguesa.

Vale a pena visitar a página do Museu da Língua Portuguesa na internet.

E, claro, se for a São Paulo, é mais uma actividade recomendável na oferta cultural da maior cidade brasileira, digo, da Língua Portuguesa !!!



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2006-10-17

Outonal




a Ditosa de Outono vai Lu(i)sidia e o Ditos agradece à mão amiga que lhe surpreendeu o voo, a direcção e os sentidos

que mais se poderá saber ?



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2006-10-02

pesca à linha.com

o Ditos dá as boas vindas ao novo publico.pt, às novas funcionalidades, acessos e interactividades, bem como a mais atenção ao leitor e às suas contribuições e participação

dir-se-ia que não há propriamente inflexão mas antes uma verdadeira evolução, pois a possibilidade de aceder aos artigos do Público impresso, embora condicionadamente como é natural, vem acrescida de um conjunto de mais valias para o leitor e ... mesmo para novos leitores !

saúda-se em particular a vertente de captação de novos leitores e de funcionalidades apelativas à interacção com o jornal, com quem o faz e com quem o lê!

é autêntico serviço público, que bem merece ser compensado com ganhos em audiência e preferência dos compradores de espaço publicitário

um jametinhasdito de júbilo e de parabéns pela iniciativa de revivificação do Público em linha!!!

bem haja quem...



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2006-09-30

aos quadradinhos ?

e ao terceiro sábado já não compro o Sun, digo, o jornal Sol !

o Expresso talvez, mas só se calhar... e durante anos (desde o virulento mau perder contra o dedo na ferida de João Carreira Bom) também esteve a jejum

digamos que foi para experimentar (e dar hipóteses) a remodelação dos semanários, com o oportuno encerramento do Independente e o oportuno restyling do Expresso, já para não falar das coincidentes alterações em diversas publicações (pequenas mudanças de cadernos adicionais no Público, campanha agressiva do Correio de Manhã de sábado e outras alterações de fim de semana) tudo por ocasião do oportuno lançamento do Sol

e digamos que está visto, mais DVD menos DVD, sendo de assinalar a curiosidade de alguns "leitores" atirarem o saco inteiro para o lixo logo no momento da compra, arrecadando apenas o dito DVD

o que deixa por terra toda a estatística sobre tiragens, liderança, circulação e conceitos afins do mundo editorial

voltando ao Sol: a primeira página do primeiro número tinha que ser mais parangona que sempre, o objectivo assumido é o de ser líder desde início

para isso serviram-se da imagem de Isaltino Morais, assim interposto vendedor de Sol em papel, por via do estafado problema da casa penhorada no âmbito de processo judicial em curso

qual a notícia ? jametinhasdito!! nenhuma !!!

era mesmo só caça-compradores para milhares de jornais, tantos quantos os DVD expressamente oferecidos pelo semanário concorrente, no caso o da situação

bem arquitectado, portanto, a la António José Saraiva

o visado achou talvez menos graça e defendeu-se

daí ao segundo número, o Director confesso não vai de modos: a coisa é a sério e, notícia de primeira página, o jornal processa Isaltino, por virtude de intolerância "em relação à calúnia, procurando ter com o país uma relação séria e exigindo ser retribuído" - e pelos vistos, ai de quem...

por outro lado, mais um processo, mais notícias sobre o Sol, mais vendas de jornal e por aí fora, regista-se o método ...

mas, pior um pouco, Margarida Marante faz logo de jornalista advogada de defesa

e recorre à velha técnica da cadeira vazia (da SIC, de Balsemão, do sistema criticado por ... João Carreira Bom, o que motivou a sua perseguição e expulsão por José António Saraiva) numa página inteira repetindo enorme fotografia, recordando o percurso político de Isaltino, recenseando o que poderá acontecer aos processos e a Isaltino Morais - tudo notícias frescas, portanto - e concluindo com perguntas formuladas e que não foram respondidas, uma autêntica bomba perfuradora na razão da vítima

admitindo que o Sol terá muitos e bons leitores (ou grandes, como os que fazem os grandes jornais) e que poderá dar um grande contributo ao país de conquistar sobretudo novos leitores (sendo inteiramente legítimo que dispute leitores e até compradores a outras publicações) creio que é de dispensar ameaças ensombradoras de construir um Sol aos quadradinhos

cada qual se proteja



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2006-09-25

Setembral au paradis





em terras de Ocidente, Al-Gharb de outros tempos, restam ainda resplandescentes paraísos, habitados à uma por empedernidos viajantes e esvoaçantes residentes

as amigas ditosas de Setembro sabem mais de equinócios que muitos laboratórios mateorológicos e aproveitam o sol e a refrescante brisa do mar

de peito feito, percorrem pelo ar as correntes quentes que sobrevoam as linhas que cosem a terra ao mar

nas pedras extremas, os homens prolongam o fio que liga a espuma ao horizonte, reto ao paraíso, a pretexto de umas horas meditabundas a remexer a origem e o fim da vida, sempre ténue, sempre revolucionária, sempre esplêndida !

se as gaivotas são as mesmas da canção da liberdade, como elas somos livres... de sonhar !!!



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2006-08-14

TV incendiária

Inacreditável e vergonhosa a forma raivosa e de mau perder com que a SICnotícias concluiu hoje uma informação sobre a interdição temporária de acesso ao centro de comando de uma operação dos bombeiros no combate a um incêndio.

Na peça, a SICnotícias dava conta de não lhe ter sido permitido aceder a um "local público" (???) transformado em central de operações durante um combate a incêndio pelos nossos soldados da paz.

Para reticente chave de ouro, uma garbosa jornalista jametinhadito que "até parece que (os bombeiros, a GNR, o Ministro ?) têm algo a esconder ..."

Apesar do enquadramento de idênticos procedimentos em países civilizados, por razões óbvias, a SICnotícias caiu na esparrela de nos presentear com mais uma lamentável peça revanchista, justamente num tema em que as TV portuguesas têm bastas culpas no cartório, pelo insistente arremedo incendiário que não se cansam de atear, bem sabendo os nefastos efeitos que resultam e por isso tão denodadamente procuram :((

Haja tento...


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2006-08-07

encolhas de Marcelo

mais um Domingo, mais uma conversa em Família, à la Marcelo Rebelo de Sousa

no último Domingo de Julho, comentara a notícia da passagem à reforma de Manuel Alegre, incompetentemente truncada por jornais de 5ª categoria, logo rebatendo na vox populi e nos seus programas ecos

percebendo, mesmo segundo os dados truncados pela comunicação urubu, que nada havia de irregular na pensão de reforma sob notícia, Marcelo encolheu-se: estava tudo bem mas Manuel Alegre não precisa da reforma da RDP, recebe mais de direitos de autor, devia prescindir, era o que faria Marcelo naquela situação, em seu lugar renunciaria, jametinhadito!

caiu, pois, no logro e na categoria da dita imprensa, tentando safar-se com moralismos de quem se acha na certeza de saber mais que o próprio, alvitrando ainda para a hipotética renúncia que decidiria se acaso estivesse em tal condição, que supunha ser a de ter direito a uma reforma por três meses de trabalho, a situação afigurava-se injusta, mesmo se totalmente regular face aos descontos efectuados durante uma vida, mais de 30 anos, tendo os serviços da Segurança Social atribuído automaticamente a pensão de reforma nos termos da lei

aliás, conforme Marcelo reconheceu, Manuel Alegre exerceu o seu direito de opção para receber apenas um terço da referida pensão, uma vez que se mantém no activo como Deputado,auferindo o respectivo vencimento

o processo de reforma foi desencadeado por Manuel Alegre ter atingido 70 anos de idade

Marcelo voltou hoje ao tema, para corrigir o tiro: afinal não era uma reforma por três meses de trabalho na RDP, era "a reforma", a pensão de reforma referente à totalidade da actividade profissional de Manuel Alegre, deixando finalmente cair a patranha dos três meses de trabalho na RDP

mais ainda houve direito a mais uma encolha de Marcelo

para terminar, a conversa em Família discorreu sobre a duplicação de pensões de que os Deputados beneficiam se perfizerem 12 anos de mandato, o que neste caso já sucedeu e excedeu, Alegre está na Assembleia desde a Constituinte, em 1975

e é assim, aparato, estrondo e hipotética renúncia virtuosa no último Domingo de Julho, a corrigir com o mal já feito na conversa do primeiro Domingo de Agosto

haja paciência


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