2008-02-17
aldeia global
_ então, com que actividades te divertes lá na terra dos teus avós?
_ olha, jogo playstation !
observacões são bem-vindas
2008-01-28
gujarati

Rumi Jalaluddin
observacões são bem-vindas
2008-01-23
árvore
há dias, a crónica de Faíza Hayat versava sobre como renascemos nas árvores que nos rodeiam; do tremendo abraço de árvore tratava também o magistral e místico "A um deus desconhecido", de John Steinback; outros artistas, poetas, pintores, a consagraram como elemento salvífico e vivificador, a modos que divino, telúrico e mágico...
desde que o mundo é mundo, sempre os humanos - e não só - alimentaram e alimentaram-se do fascínio prodigioso, do encantamento e do sagrado que há na árvore, na sua força, quietude e pulsão, enraizada à nutrição da terra, que por sua vez sustenta em cooperativa alquimia
contemplação, então:
«Cada árvore é um ser para nós
Para ver uma árvore não basta vê-la
a árvore é uma lenta reverência
uma presença reminiscente
uma habitação perdida
e encontrada
À sombra de uma árvore
o tempo já não é o tempo
mas a magia de um instante que começa sem fim
a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas
e de sombras interiores
nós habitamos a árvore com a nossa respiração
com a da árvore
com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses»
António Ramos Rosa
In edição in-líbris, ilustrada por fotografias de Paulo Gaspar Ferreira e por um CD de sons gravados em Belgais com a participação de Pedro Piquero Ferreras e o Rebanho da Catarina
observacões são bem-vindas
2008-01-20
Mercúrio aqui tão perto

2007-12-26
Natal
jametinhamdito: muitos menos do que o ano passado e do que é habitual !
há um ano, um erro (? - esperamos bem!) acabou por manchar a nobreza do acto, por entre minudências processuais mal esclarecidas: terá havido descuido na preparação da proposta ministerial apresentada aos serviços da Presidência da República e o beneficiário de um dos indultos tinha afinal mais contas a prestar à justiça - acontece, mas a mácula deixa a terrível dúvida sobre o rigor da elaboração dos elementos instrutórios dos restantes procedimentos de indulto
assim, embora só impropriamente se possa invocar o "pelo pecador paga o justo " da sabedoria popular, certo é que desta vez a maior exigência e a vontade de não errar - concedendo menos indultos reduz-se a probabilidade de erro - resultaram em menos actos de clemência presidencial, prerrogativa reminescente do poder régio assegurada pela Constituição ao Presidente da República
há uns anos, um dos indultados contou a sua história: industrial, viu a sua fábrica incendiada com grave dano material e perigo para o sustento e bem estar da respectiva família; identificado o malfeitor, foi presente a juiz e saiu em liberdade, continuando a rondar a propriedade da vítima; acto contínuo, levou o meliante para um ermo e deu-lhe umas valentes sarrafadas; foi também presente a juiz mas não teve direito ao mesmo trato: ficou preso, foi julgado e condenado; anos depois, num Natal, foi indultado pelo Presidente de então, com base na situação humanitária, no bom comportamento durante a parte da pena de prisão que cumpriu e na avaliação geral da justiça do caso
enfim, como em muitos outros casos, aquele indulto não ofendeu a consciência colectiva, o senso comum ou a compreensão geral da comunidade - é uma excepção que se justifica
por isso vale a pena defender a subsistência do instituto do indulto, apoiado por análise rigorosa do ponto de vista dos factos, do direito e da moral, como válvula de escape do sistema jurídico punitivo, sujeito a erros como qualquer projecto humano
mas se o Natal é uma celebração cristã, o espírito do Natal é universal - são habituais clemências em quadras festivas maometanas, de que há inúmeros exemplos recentes
ainda há dias, o Rei Abdullah, da Arábia Saudita, concedeu indulto a uma mulher condenada, por ocasião de uma celebração religiosa
bom, o caso tornou-se muito conhecido porque a beneficiária tinha sido condenada no âmbito de um processo de violação... em que fora vítima de 7 meliantes - vá lá, também condenados!!
é que a aplicação pura das leis, ainda que consideradas justas (ao menos - ou apenas? -pelos respectivos aplicadores, supõe-se) chega a ferir o mais elementar sentido de humanidade
vale então a pena celebrar o que resta de humanidade
mesmo que não seja dia de Natal ou para quem não haja dia de Natal, casos em que é da maior valia haver Natal
dia 26 de Dezembro, por exemplo, devia ser Natal !
e nos dias seguintes, todos os dias !!
no mundo inteiro !!!
observacões são bem-vindas
2007-12-22
Feliz Inverno

hoje foi o menor dia do ano, escureceu cedo e amanhã, ao acordar, já o Inverno deu as boas vindas
provavelmente será retribuído com um bocejo matinal, espontâneo e delicado, em homenagem a mais um dia
no caso, o dia em que os dias do ano (re)começam a crescer
é Inverno outra vez, e embora haja quem acredite tê-lo avistado em Agosto, é o tempo do nosso «Inverno velho, velho, velho» de que fala o poeta Eugénio de Andrade
de todo o modo, os ciclos são para cumprir e usufruir, pois o ADN humano transporta os humores da natureza e das inexoráveis geometrias e revoluções planetária e astral
perplexo, fascinado e místico, o homem celebrou sempre o solstício de Inverno, desde a monumentalidade megalítica às festas pagãs entretanto assimiladas pelo cristianismo na quadra do Natal, mas ainda assentes nos estados de alma face à trajectória do astro-rei no firmamento, nas crenças da necessidade de replicação espiritual do renascimento da iluminação solar e na aspiração de, em cada ano e em cada dia, renascer
em tempo de pressas e consumismos, é bom retomar a noção de que ainda nos relacionamos teluricamente com os ciclos naturais, do tempo depois do tempo, quem sabe se por todos os tempos...
mas também o tempo da partilha e dos afectos, de recuperar o calor familiar, a magia e a graça das crianças plenas de expectativa, de alegria e, por fim, de um cansaço satisfeito que também nos apazigua e contagia de boas sensações
jametinhamdito que não há melhor !
voto sincero e amigo de um Natal cheio de luz
observacões são bem-vindas
2007-12-12
suceder na hora
Advogada (ninguém é perfeito) e política, senadora eleita e admirada, popular apesar da fama de mulher dura, certamente reúne qualidades bastantes para exercer as funções para que foi escolhida por votação expressiva (45%) do eleitorado argentino.
Há no entanto uma peculiaridade relevante no curriculum vitae de Cristina Kirschner, talvez simultaneamente fragilidade e trunfo: era a primeira dama!
Sucede assim ao marido e presidente em funções no mandato anterior, Nestor Kirschner, com quem começou a namorar quando ambos frequentavam a Faculdade de Direito.
A inédita sucessão conjugal (pelo menos em regime republicano) na chefia do Estado, carrega o fardo e a velada suspeita de que se trata de presumível estratagema para fazer reeleger Nestor no mandato seguinte.
Isso faria de Cristina uma Presidente “barriga de aluguer”, para prolongamento da governação por interposto cônjuge. Mentes insidiosas, porém, poderiam sempre alegar, quiçá com propriedade, que foi Nestor o testa de ferro no mandato anterior. Quem o saberá ao certo?
Mas o plano aparente inclui a repetição futura da alternância conjugal, de forma a aproveitar ao máximo a permissão constitucional de reeleição presidencial e garantindo – jametinhamdito! – um total de quatro mandatos ao casal, independentemente de eventual repartição interna de ascendente na governação da Argentina.
Tal é de facto possível, plausível e até provável, porquanto a ingénua República não interdita a sucessão familiar nos cargos de poder desde que cumpridas as formalidades eleitorais. Às vezes, nem isso.
Esclareça-se que a sucessão “republicana” pode ser conjugal (caso do casal Kirschner), fraternal (caso dos manos Castro), parental (Kabila) ou até pessoal, em que o titular sucede a si próprio, tudo à margem do ideal republicano e democrático de rotação nos postos de poder.
Em alguns casos, há necessidade de alguma sofisticação adicional em busca de um mínimo da tão desejada aparência de legitimidade legal.
Para isso, uns tentam mudar a constituição (Chávez), outros estagiam temporariamente em cargo nominal diferente (Putin, que se prepara para nomear o vice-Primeiro Ministro Medvedev para ser eleito interposto Presidente enquanto assume as funções de Primeiro-Ministro) e, claro está, outros há muito piores em desfaçatez e apego ao lugar.
Há republicanos que se sucedem "nas horas", em família e a si próprios.
Está pois na altura de dinamizar a “sucessão na hora”.
Expedientes não faltam...
E se há candidatos!!!
observacões são bem-vindas
2007-12-03
pedra
2007-12-02
Phone ética
mas só se presta a ridículo quem tem algum senso, isto é, se de todo não se desfez já do sentido do ridículo
é que no mundo globalizado de hoje, acredita-se que os desafios mais problemáticos devem superar-se pela via das oportunidades que geram...
e quando já se perdeu a vergonha, o ridículo pode render preciosos cêntimos para o relatório e contas anual
também engraçado é o esforçado emprego do "i" para reforçar o ix (Phone-x tem a mesma fonética) aos distraídos ou menos versados em inglês ... que poderiam ler "fóne-chis", prejudicando talvez o êxito da implementação do famigerado plano de marketing ou dos níveis de rendibilidade projectados
no celebrado verso "alma minha gentil ...", Camões apôs o selo do génio pela deliberação de transformar em figura de estilo um erro da linguagem comum, a cacofonia, mas também pela acumulação com outra provocação, do foro dos costumes, não sendo inocente o recurso à expressão "maminha" que é o resultado fonético do atrevimento poético
tal é permitido a valorosos poetas porque o seu reconhecimento lho permite: aos leitores não restam dúvidas sobre o carácter intencional e poético da ousadia; e porque assim é a arte, infrigir a norma e provocar as mentalidades, impondo um confronto com os limites aceites e procurando a adopção de novos limites
também a recente escolha do título "Deixa-me amar" para designar uma série televisiva (telenovela é um pouco abusivo) se compreende num projecto de deliberada cacofonia, de que o nome é apenas mais um pormenor ditado pelo marketing
há um aproveitamento da notoriedade do erro e da provocação ao nível dos costumes - neste caso, o resultado "mamar" nada terá de poesia, movendo-se tão só na suposta rendibilidade de audiência televisiva da vulgaridade
de igual modo, os CTT terão decidido em cima de aturados estudos de notoriedade e a escolha é mero produto da ditadura do marketing - às malvas com a ética
o resultado fonético pretendido "fónix" é também da ordem da vulgaridade, jargão generalizado - por substituição púdica de outra expressão de fonética aproximada e gosto ainda pior - mas correntemente utilizada por jovens cada vez mais jovens, eventualmente tão jovens que não chegaram ainda ao entendimento do significado escondido pela ténue mutação fonética
mas aos CTT, e sobretudo aos respectivos marketears, não escapam significados nem subentendidos: a aposta na vulgaridade como factor produtivo resulta directamente de projecções económica-financeiras para maximização do retorno do investimento no projecto
e da atitude perante a ética: vale tudo para realizar negócios
vale ?
observacões são bem-vindas
2007-11-27
campeão no xadrez
que outra será não se sabe mas é certo que a pretende sem Putin - ao menos sem Putin no lugar de domínio czarento do que resta da União Soviética
mas o ex-campeão voltou ao xadrez precisamente pelo afã de se manifestar activamente contra Putin
vai daí foi preso e vê o sol aos quadradinhos durante 5 dias, sob acusação de marcha ilegal
ao que consta, teria apenas autorização para a reunião e manifestação, não para grandes marchas!
jogador de ataque, também na política ensaia movimentos surpreendentes
mas a vida, como a política, em boa parte simbolizadas pelo jogo do xadrez, têm outras regras, nem todas conhecidas, e outros espaços, nem todos delimitados, bem como outros "movedores" de peças, nem sempre se apresentando para o confronto leal, próximo e virtual da arte exercida no tabuleiro das 64 casas de cores alternadas, onde se pratica a elegância, a subtileza e o virtuosismo
no mundo real, jametinhamdito, é a doer, os adversários dispõem de outras regras - ou fazem-nas!
e o resultado pode ser bem mais dramático do que a repartição de pontos entre a vitória, empate ou derrota
entretanto, Kasparov jogou também num outro tabuleiro e escreveu um livro de gestão ("How life imitates chess") em que aplica à vida empresarial alguns dos ensinamentos escaquísticos
o Financial Times achou que não é bem assim, com alguma razão, nem tudo se decide ou trata sentadinho ao tabuleiro depois de infinita preparação teórica e treino afincado
seja como for, ficou por aplicar uma das máximas do celebrado campeão: aprender com os erros... dos outros!
até ao momento, Kasparov passa pela prisão e Putin segue a sua marcha sem pedir licença a ninguém, com larga margem (70%) nas sondagens eleitorais
e já agora, ironias da política, o líder partidário Kasparov defende que não haja eleições, precisamente por antever que legitimarão Putin
é que se nem eleições houver, então o pretendente czar estará mesmo para ficar!!!
observacões são bem-vindas
2007-11-26
direito e mundo
em princípio, temos a ideia de que a realidade evolui e o direito tende a cristalizar, de algum modo, a realidade, em sucessivos patamares evolutivos, tutelando ou disciplinando aquilo que merece tutela ou disciplina à luz do aparato do Estado, corporizando normativamente (e legitimando) a futura intervenção da administração pública e coerciva da Justiça - e assim, com Pulitzer, surpreendemos o carácter conservador do direito
por outro lado, o direito surge muitas vezes a revolucionar e impulsionar as vanguardas sociais, antecipando a modificação das mentalidades, humanizando as sociedades ou edificando o progresso - foi assim em muitas das conquistas sociais no correr dos séculos e é assim pacificamente entendido no edifício e no enorme acervo jurídico da construção das comunidades europeias em torno de um projecto de aproximação económica e política, pretendendo-se também social
mas os avanços sociais e jurídicos não ocorrem necessariamente ao mesmo tempo: umas vezes interpreta-se a lei nova à luz da lei antiga, resistindo à mudança; outras vezes, algo "criativamente", enriquece-se o direito constituído com os alvores de aquisições sociais ou culturais (ética incluída) ainda não recebidas pelo universo formal da legislação e regulamentação em vigor no momento - incluindo, também, o conhecimento científico
isto a propósito do "caso" do cozinheiro com HIV recentemente debatido em reacção a um acórdão tirado em Tribunal de recurso, gerador de controvérsias várias e de um comunicado do Conselho Superior de Magistratura, de 22 de Novembro de 2007
este, começa em grande e jametinhadito: "1- O cidadão em questão não foi objecto de despedimento com justa causa, antes a entidade empregadora considerou a existência de caducidade do contrato de trabalho;"
ora, o cidadão é um ser humano, por definição (da natureza e da moral) e pela Constituição da República (do direito, então) insusceptível de ser objecto seja do que for muito menos de despedimento com ou sem justa causa - se o cidadão foi despedido, foi o sujeito do despedimento e não seu objecto!
depois, também não se explica a substância ou o efeito da diferença entre a reclamada "declaração de caducidade" e o suposto mas negado "despedimento" - ora, esclarecimento é o que se espera de um comunicado do Conselho Superior de Magistratura e não artifícios jurídicos ou manobras de diversão
e fica ainda unm sabor amargo que se repete muitas, muitas vezes, deixando amiúde os olhos aguados de raiva a requerentes de Justiça e perplexidade em múltiplos intervenientes do mundo dos tribunais: o magnífico sistema dos "factos provados" torna preto o que é branco, soalheiro um dia de chuva e cristalino o mais poluído lamaçal, mesmo quando à vista de todos, a psoteriori e para todo o sempre se verifica que o que não é não pode mesmo ser
mas em recurso, o acórdão definitivo oblitera que não se podem alterar os factos "dados" como provados pelas instâncias
mesmo se contra evidência científica, o mais puro bom senso ou repetível averiguação
observacões são bem-vindas
2007-11-23
España y las Azores
em entrevista publicada e, entretanto, muito comentada, admitiu que viu documentos com informações que não correspondiam à verdade, reconhecendo agora o que tanta gente percebeu há quatro anos
na realidade, actuando fora do quadro da ONU e perante manifestações veementes no mundo inteiro que insistentemente lhes exigia um mínimo de comprovação sobre as armas de destruição maciça que alegavam existir no Iraque, os participantes da dita reunião dos Açores, preparatória do ultimato ao Iraque e do cenário pretensamente legitimador da agressão unilateral, bem sabiam ao que iam
por muitas razões, fazendo o mal e a caramunha, difilmente alguma vez convencerão alguém de que agiram boa fé
ou, de outro modo, jametinhamdito!
em magnífico post do amigo AZblog, a 19 de Novembro, resume-se a obstinação atitude e a cegueira: o pior cego é o que não quer ver
nesse mesmo dia o diário espanhol Expansión dá pela marosca de Durão Barroso e reparou na passagem que considera fundamental para se entender o porquê da confissão: "El presidente de la Comissión Europea destacó que si Portugal organizó aquella reunión fu a petición de sus aliados y, en especial, de España."
ou seja, o jornal espanhol tenta descobrir a careca de quem sacode a água do capote procurando molhar outrem
dá-se a coincidência de tão desfarrapada desculpa cair no momento em que o seu correlegionário Aznar está sob forte crítica por outras intervenções menos respeitosas para com a soberania de países terceiros, no epicentro do incidente diplomático da cimeira ibero-americana
é claro que não passa pela cabeça de ninguém que a mudança de atitude de Durão Barroso procure encontrar apoios, nomeadamente do actual Governo socialista espanhol, para uma eventual candidatura a novo mandato como presidente da Comissão Européia...
são pequeninos os pontos e finos os fios com que se tecem as grandes teias!
observacões são bem-vindas
2007-11-17
inventar

homenagem e agradecimento à Autora, a Ditosa hoje proposta é plena de encantos e mistérios, de que a localização é mero exemplo
correspondendo ao exercício de sensibilidade que é recortar a realidade para a iluminar de fascínio, o desafio é fluir a imaginação para descobrir e atribuir significados ou segredos, suspeitando ou confirmando no vulto o vulcão, no limite a imensidão, no vinco a perfeição
ou espreitando céu e chão, ao espelho, em sucessivas reflexões
todo um caminho, a poder de contracurvas e ilusão, a luz emoldurada entre o céu e o chão, geometrias vencendo suavemente resquícios de escuridão, saboreando merecidos momentos de apaziguadora solidão, promessas de busca, plenitude e coração
mas se quisermos ater-nos à contemplação é ganho o dia, nos jogos de sombra e luz, breu e cal, muro e fuga, ainda céu e chão
decerto lugar de refúgio, o quadro amigo encontra e oferece reforçada protecção e algo mais ao abrigo de inteiras ameias contrapondo a segura rectidão à doçura contraforte de curvilíneas paredes maternais
resumindo: luz, água e pedra, saber, beleza e a eterna força da serenidade
feminografia, então
acertei?
acertamos sempre, esta Ditosa é de imaginar
mas a quem se afoitar a prémio, venha de lá a localização!
observacões são bem-vindas
Lisbonisation
eco da Agenda de Lisboa (2000, António Guterres liderava a presidência portuguesa da União Europeia, desculpem recordar...) a política europeia apressa-se a tentar alcançar quanto definiu ambiciosamente em matéria de metas para uma Europa melhor: crescimento económico, coesão social, competitividade empresarial, emprego, inovação, bem estar dos consumidores, sociedade da informação e do conhecimento
a linguagem europeia (sim, ainda mais que as realidades, as utopias precisam de uma linguagem) assimilou muitas destas palavras na prática discursiva corrente, provenientes directamente dos conceitos eleitos na célebre cimeira de Lisboa da segunda presidência portuguesa da União Europeia - a primeira foi sob os auspícios do Primeiro-Ministro Cavaco Silva e também nela Portugal deu boa conta, demonstrando capacidades que carecem exactamente de demonstração
recentemente, uma nova palavra tem vindo a ser recorrentemente utilizada, lida e ouvida: lisbonisation!
jametinhamdito!!!
o neologismo não é acidental, refere-se justamente à Agenda de Lisboa e à preocupação de responsáveis e analistas quanto à atenção devida à obtenção de resultados em linha com a estratégia europeia definida no seguimento da proposta do Primeiro-Ministro português, António Guterres
para o efeito, afirma-se, espera-se ou exige-se que as novas medidas, metas, práticas, integrem o crescimento, o emprego e a inovação, não apenas na macro política da União Europeia, mas a nível regional, nacional e local
são novas premissas para a análise custo-benefício ou mesmo condições sine qua non para a apresentação de programas ou para a legitimação de atitudes
é uma nova medida para muitos actos: lisbonisation
oxalá tenha sucesso!!!
PS - entretanto, a terceira presidência portuguesa da União Europeia, a decorrer este semestre sob a égide do Primeiro-Ministro José Sócrates, também concorre para a inclusão de Lisboa no vocabulário referencial europeu; na cimeira de Lisboa foram aprovados os termos de um novo texto constitutivo - quase constitucional, mas não se sobrepõe aos textos matriciais dos Tratados de Roma e Mastricht, a que apenas substitui disposições, se bem que extensa e substancialmente quanto às regras de funcionamento; este nosso novo acordo europeu é o Tratado Reformador, assim designado maioritariamente pelos comentadores e órgãos de comunicação internacionais, enquanto a nível nacional se insiste na designação "Tratado de Lisboa"
observacões são bem-vindas
2007-11-14
andem bem
o tema em si é interessante, actual e oportuno, pese embora alguma repetição sobre o assunto, pois todos os lançamentos de jornais gratuitos têm caído na fraqueza de filosofar, embora amiúde confinando o âmbito da investigação metafísica àquela exacta questão ou à sua pura e simples formulação afirmativa
numa breve experiência junto de alguns leitores, a pergunta transcrita nada mais suscitou além de um breve assentimento verbal ou ligeiro aceno concordante
só chamados à atenção repararam na falta de concordância verbal: ou bem se pergunta se “os jornais gratuitos contribuíram...” ou se “o aparecimento contribuiu...”
o emprego do verbo no plural está errado – o que em si não merece especial reparo, nem mesmo por o jornal se auto intitular de referência, porquanto não sabemos o que afinal lhe servirá de referência; o que inquieta é a expressiva indiferença que este tipo de questões crescentemente suscita, aos profissionais da imprensa (ia dizer da comunicação social mas aqui o negócio é outro) e aos leitores...
sem se livrarem de um jametinhasdito!, fica para outra ocasião o emprego de maiúsculas, que não corresponde ao estilo do jornal, e o “andem informadas”...
observacões são bem vindas
PS - já agora, na panóplia de gratuitos (sendo que o universo de gratuitos é bem mais amplo que os que são distribuídos em papel) o Meia Hora é de facto equilibrado, com moderação na agressividade da publicidade
e se não tem leitura para meia hora, há que reconhecer que tem artigos de interesse - os minutos que lhe são dedicados, quando calha, nem são mal empregues
PS2 - quanto ao efeito dos gratuitos sobre o nível de informação dos cidadãos (urbanos) a resposta poderá completar a pergunta: além de gratuitos, estes novos jornais são pro-activamente disponibilizados aos transeuntes e automobilistas pelo afã de jovens ardinas travestidos em garridos painéis publicitários ambulantes; alguns jornais são disponibilizados em estantes apropriadas em estabelecimentos e empresas ou junto à bilheteira dos parques de estacionamento ou ainda, como o Sexta, também encartados em jornais de circulação paga
por força dessa pro-actividade, há pois um acréscimo de incentivo à leitura e mesmo à retenção de informação, também recebida através da rádio (no carro), televisão (ao pequeno almoço) e internet (no local de trabalho), assim reforçando e cruzando as mensagens das notícias e comentários (e da publicidade) mas de forma apetecível e atractiva pela comodidade, gratuitidade e felicidade com que se preenche os tempos mortos de espera pelos transportes ou durante os trajectos urbanos
PS3 - ainda tentando imprimir mais alma à pergunta, pode também reflectir-se sobre a qualidade da informação – o facto de haver mais (quantidade) informação ou mais disponibilidade (é diferente) da informação, não significa um aumento automático da informação dos leitores
a questão da qualidade poderá aliás ser um limite aos gratuitos, unicamente dependentes da publicidade e nessa medida alheados da independência com que alguns idealistas ainda sonham para dignificação do papel da comunicação social na sociedade
que se saiba, ainda nenhum jornal gratuito trouxe qualquer tema importante à comunidade, como questionar o poder, denunciar abusos, investigar o que nos é ocultado – trata-se de um negócio, dirigido à captação de investimentos publicitários por via da (promessa de) conquista de audiências e não um projecto de comunicação social confiado nos leitores ou no consumo de informação
é certo que o negócio tenderá a melhorar com a progressão do nível de informação dos leitores enquanto público consumidor dos produtos publicitados
mas a informação é só a cenoura para a obtenção de audiências – os leitores são então para os jornais gratuitos o que as curvas da estrada, os locais altos ou os prédios de fachada notável são para as empresas de painéis publicitários, lutando por visibilidade do anúncio
talvez se deva concluir que o interesse em perguntar redunde em mostrar aos anunciantes que os consumidores dos produtos (leitores de jornais gratuitos) até gostam
e ainda "contribuirem" para o modelo de negócio, eh eh ... !
2007-11-13
actualizar (1)
vão 3 exemplos:
1 - Jean Charles de Menezes: o jovem electricista imigrante, cidadão brasileiro, seguia de metropolitano a caminho de mais um dia de trabalho, assassinado por polícias britânicos no rescaldo e sob o nervosismo dos bárbaros atentados do fanatismo islâmico em Londres
o caso ainda não está resolvido, com responsabilidades apenas parcialmente assumidas
um júri condenou a actuação da polícia mas sem culpar "os polícias"
ainda assim foi determinada uma multa, de valor correspondente a cerca de 250.000 euros, sendo também da responsabilidade policial o pagamento das custas do processo, de valor correspondente a cerca de 550.000 euros - os processos são caros! - e sem se saber ao certo se tais valores já contemplam alguma compensação à família
o saldo é trágico logo desde o momento fatal: mais uma vida perdida injustificadamente!
2 - Pedro Santana Lopes - para quem alimentava ilusões: talvez se pudesse esperar melhor desempenho na liderança da bancada da oposição do que na chefia do Governo; mas não é o único a confirmar a desilusão e a realidade devolve certos Pedros ao Parque Mayer, onde aliás estariam talvez melhor aproveitados!!
3 - Sarkozy - o Ministro francês do tempo das insurrectas e incendiárias manifestações é hoje o Prsidente de França !!!
há hoje em dia um fenómeno a despontar em Itália, no campo desportivo, que tem algumas semelhanças com aqueles conturbados momentos então protagonizados pela juventude (e não só...) urbana francesa
voltaremos ao tema das actualizações ...
observacões são bem vindas
2007-11-12
calar e ouvir
jametinhasdito!!
a anfitiriã deve ter rezado para tudo se ficar pelas palavras, eh eh !!!
naturalmente, Michelle Bachelet referia-se a actos e resultados, ou pelo menos, colocando-se os termos no mundo da diplomacia, a metas, estratégias e prazos
mas uma pequena altercação adveio do calor do palavreado do Presidente venezuelano, Chavez, acusando a torto e a direito
ao chegar a vez de José Maria Asnar, o tal do gostinho especial dos Açores, do Iraque e do estranho equívoco sobre a identificação dos assassinos dos atentados de Madrid, o Presidente do Governo espanhol, José Luis Zapatero, defendeu a honra caseira e a "qualificação" do diálogo e das ideias - mais diplomacia da boa, portanto
mas Chávez recalcitrou e fez sobrepor a sua voz às demais - além de Zapatão, também a moderação tentava assegurar o prosseguimento dos trabalhos; e mesmo Michelle Bachelet propôs que não se entrasse em "diálogo" - querendo dizer, tecnicamente, que só há diálogo quando não falam todos ao mesmo tempo, senão só há ruído
enfadado, o Rei de Juan Carlos de Espanha interpelou o falador: "por que não te calas?", dirigiu a Chávez
enfim, o diálogo - de surdos - prossegue, ainda hoje, embora Chávez tenha combinado judiciosamente o seu costumeiro "a mim ninguém me cala" com o voto esperançado de que o episódio não "arrefeça" as boas relações dos bancos, empresas e investidores espanhóis
enfim, por vezes o que custa é ouvir - e nisso nem reis, presidentes e ministros se distinguem
da turba em geral, treinadores de futebol incluídos
é para não estranharmos e, ao menos, em latim nos entendemos
observacões são bem vindas
2007-11-05
pianhas
2007-10-29
geografia da educação
há sempre ilações a retirar, por vezes ao abrigo de cuidadas reservas pois nem sempre o que parece é e a evolução trai muitas conclusões precipitadas
mas há que analisar, do elementar para o refinado
sabe-se que a qualidade/falta de qualidade de uma escola não tem o poder de contrariar o ambiente mais ou menos favorável de um estudante ou de um conjunto de alunos em relação às condições efectivas de acesso à educação e à progressão no sistema de ensino
ainda assim, é forçoso reparar em alguns elementos de distribuição geográfica: recorrendo à lista de "10 mais" e "10 menos" publicada pelo Diário de Notícias, verifica-se que nas melhores estão 6 escolas de Lisboa, 2 do Porto, 1 de Cascais e outra de Coimbra; as piores escolas são da Beira Interior, do Alentejo Interior, dos Açores, da Guiné, de Angola e, talvez não por acaso, 2 do Porto
é claro que olhar só para as "mais" e as "menos" apenas permite ver casos limite, o que impede conclusões seguras mas talvez possa indiciar tendências - fica no entanto a ressalva de que se deixa por analisar a maioria das escolas e os diversos casos em que poderiam talvez extrair-se apreciações mais relevantes
e a tendência, com as devidas ressalvas, confirma a regra geral de maior influência do ambiente socio-económico sobre os resultados escolares dos alunos do que a hipotética situação individual das escolas
talvez a análise bairro a bairro não trouxesse grandes novidades quanto à relação entre a localização e os resultados
há contudo um aspecto a considerar: em muitas das melhores escolas, sobretudo nos colégios particulares (incluindo cooperativos, mas quase sempre pertencentes a proprietários privados e não aos pais dos alunos) mas não só, os estudantes não são exclusivamente habitantes do bairro onde se localiza a escola - os pais escolhem a escola (havendo vaga e por vezes com antecedência considerável) e asseguram os meios necessários para as deslocações
já no ensino público a regra (com excepções) é a da afinidade residencial, quer por imposição regulamentar e burocrática, quer pela exiguidade de meios de deslocação que impõe a frequência da escola circum-vizinha, como aliás é mais racional
e assim o ranking vem mostrar à luz do dia as diferenças do estatuto socio-económico que os meios públicos e a política não conseguem superar
observacões são bem vindas
2007-10-28
bons ares

