estafado está o brocardo: se o mal é juventude, passa com o tempo!
ainda assim, continua a ouvir-se a acobardada atoarda: veja bem, nada contra si, o problema é da sua juventude...
sim, sim, é caso para dizer: jámetinhasdito!
nem sempre se pode dizê-lo em voz alta, piedosamente...
em temos idos, cortavam-se as pernas a quem tentava estudar, aperfeiçoar-se e contribuir para o aperfeiçoamento da sociedade, apesar de a pouco e pouco haver leis instituindo alguma protecção formal ao progresso individual, à formação, ao estímulo à habilitação académica e profissional
hoje parece vencida a luta, adquirido que está em qualquer discurso político ou empresarial, exaltando a imprescindibilidade da aposta no conhecimento, na formação contínua, na qualificação das pessoas como via indispensável à semente de uma sociedade melhor, mais digna, mais humanizada e mais feliz
é assim, na retórica política nacional (assim se elegem governos e presidentes, sendo que quase todos os candidatos afloram ou reclamam o tema como central nos seus programas) e nas modernas teorias de gestão, nos manuais de conduta e de organização, nos manifestos de mudança, nos curriculos académicos, há mesmo pos-graduações e MBAs da coisa
no entanto a prática tem um longo caminho a percorrer
alguns jovens, mesmo que já amadurecidos pela vida, que acelera as idades, não tiveram direito ao cartão jovem, ainda não o havia... e correm o risco de já não ter direito à reforma quando chegar a vez, por então já não existir sustentabilidade que continue a assegurá-la
esta geração está no limbo, fase intermédia, está a chegar ao poder, aos cargos de responsabilidade, tendo carregado parceiros às costas, jovens uns, menos jovens outros, jogando por vezes apenas com metade da equipa, com o sentido do dever cumprido, com a adolescência condensada pelos intensos anos do 25 de Abril, com uma participação esforçada na vida das empresas, das profissões liberais, na vida cívica, na dinamização cultural
é a geração dos trabalhadores estudantes, que forçaram a vida a pulso, no tempo anterior aos subsídios, do voluntarismo abnegado, sacrificando a esfera pessoal e familiar de uma fase importante da vida, pagando do próprio bolso os respectivos estudos, pagando o preço que a injustiça comparativa lhes impôs nas empresas, nos partidos, no acesso a lugares, era o tempo dos concursos públicos na aceçpção autêntica da expressão, com prestação de provas públicas
é a geração que permitiu a recuperação de parte do atraso a que as gerações mais velhas antecedentes tentaram e em grande medida conseguiram condenar Portugal
é a geração que qualificou Portugal para o desígnio europeu, para o desígnio universalista que a pátria da língua portuguesa tem por destino, em paz e harmonia com os povos que ajudou a conscencializar e a reivindicar o seu lugar no mundo, a começar pelo seu próprio lugar
é a geração que pouco fez por si e que aceitou o risco do altruísmo, nada podendo agora reclamar, no mundo onde tantos outros reclamam sem olhar a méritos alheios, sem capacidade de reconhecimento do novo tempo que já chegou, do futuro que é já presente porque a tal geração intermédia a construiu no passado recente
e só há uma rota possível: continuar a acreditar, a contribuir e labutar no mesmo sentido de combater a adversidade, do espírito anquilosado e autoritário que subsiste na herança genética das ditas gerações antecedentes, que nunca aceitaram senão cinicamente o advento dos novos ventos que o 25 de Abril ofereceu ao tempo, a todas as gerações, a Portugal em geral
há pois percurso a cumprir
só resta persistir
observacoes sao bem vindas
2006-03-18
2006-03-04
provável
em chamada à primeira página da edição de 3 de Março, o Diário Económico, jornal espanhol publicado em Portugal, oferece mais uma inovação ao nosso jornalismo, esgotava que estava a novidade da técnica de sucessivos desmentidos semanais com que o Expresso impôs o grande estilo que o caracteriza
de facto, com o título em parangonas “Granadeiro provável CEO e chairman da PT”, o DE importa para as páginas económicas o tradicional método meteorológico da incerteza cautelar, científica e probabilística
a probabilidade de certa personalidade vir a exercer um ou outro cargo, ou ambos, em determinada empresa, foi decerto confirmada segundo os critérios de rigor exigíveis aos jornalistas e responsáveis editoriais
em vez de notícias, o DE jametinhadito hipóteses de notícias
mas a novidade é relativa, tal como o paralelismo com a meteorologia, há muito que a imprensa económica nos habituou a extensas e cuidadas explicações de como e porque falharam as suas próprias previsões, tal como quando nos dizem que não choveu mas também podia ter chovido e como é que tudo não aconteceu
será o meteoroeconojornalismo ?
jametinhasdito !
observacoes sao bem vindas
de facto, com o título em parangonas “Granadeiro provável CEO e chairman da PT”, o DE importa para as páginas económicas o tradicional método meteorológico da incerteza cautelar, científica e probabilística
a probabilidade de certa personalidade vir a exercer um ou outro cargo, ou ambos, em determinada empresa, foi decerto confirmada segundo os critérios de rigor exigíveis aos jornalistas e responsáveis editoriais
em vez de notícias, o DE jametinhadito hipóteses de notícias
mas a novidade é relativa, tal como o paralelismo com a meteorologia, há muito que a imprensa económica nos habituou a extensas e cuidadas explicações de como e porque falharam as suas próprias previsões, tal como quando nos dizem que não choveu mas também podia ter chovido e como é que tudo não aconteceu
será o meteoroeconojornalismo ?
jametinhasdito !
observacoes sao bem vindas
2006-02-23
Talasnico

quem for ao Talasnal, que prove o verdadeiro bolico !
segundo jametinhadito a Antena 1, no Portugal em Directo (diariamentedas 13h às 14h, salvo erro) há uma aldeia na Serra da Lousã onde interessadas doceiras olharam em volta e, deslumbradas com a abundância e autenticidade dos frutos dos castanheiros e das amendoeiras, decidiram juntar-lhe o mel feito do que as abelhas por lá manjam e desataram a experimentar até encontrar um doce endógeno, regional e aldeão
a tais ingredientes junta-se o segredo das proporções, consideradas justas por sufrágio popular de quantos aceitaram ser cobaias das sucessivas versões da preparanda guloseima, receita assim simultaneamente conventual e democrática
mas há uma última prova a realizar, que é a de lá chegar, serranias acima, a poder de pernas, fôlego e gula bastante, com a ajuda de fascinantes paisagens, silêncios lisongeiros e doses generosas de bom ar, tudo para não sofrer um fanico ao alcançar o Talasnico !
ah!... esquecia-me de ovos, açucar e q.b., os sempiternos ingredientes da doçaria universal
vamos lá provar ?
observacoes sao bem vindas
2006-02-17
5 minutos
pode lá ser ?
já foi na Rádio Renascença, na Rádio Comercial e, há um ror de anos, na RDP
o "5 minutos de Jazz" faz 40 anos !
é o poder de síntese de José Duarte !!
e o concerto comemorativo, jametinhamdito, é terça-feira próxima, 21 de Fevereiro, no Teatro São Luiz
também se canta o fado em "5 minutos", é certo
mas aqui pode dizer-se:
- Jazz begins at fourtys !!!
observacoes sao bem vindas
já foi na Rádio Renascença, na Rádio Comercial e, há um ror de anos, na RDP
o "5 minutos de Jazz" faz 40 anos !
é o poder de síntese de José Duarte !!
e o concerto comemorativo, jametinhamdito, é terça-feira próxima, 21 de Fevereiro, no Teatro São Luiz
também se canta o fado em "5 minutos", é certo
mas aqui pode dizer-se:
- Jazz begins at fourtys !!!
observacoes sao bem vindas
2006-02-15
voando sobre um ninho
de cucos, na Ilha da Madeira ...
haverá em Portugal casos de demência xenófoba ?
jametinhamdito que há !!!
é o exemplo da torpe acusação aprovada na Região Autónoma da Madeira pela maioria partidária no poder contra João Cardoso Gouveia, um deputado regional que deu voz parlamentar a uma realidade calafetada por décadas de autocracia que se refugia nos andaimes formais da democracia para escapar ao controlo substancial que o Estado de Direito pressupõe e para faltar ao respeito devido às minorias e às vozes contrárias
chegados à Madeira, quem é afinal portador da demência?
quem se perpetua no poder… a fazer lembrar outros voos sobre um ninho de cucos?
observacoes sao bem vindas
haverá em Portugal casos de demência xenófoba ?
jametinhamdito que há !!!
é o exemplo da torpe acusação aprovada na Região Autónoma da Madeira pela maioria partidária no poder contra João Cardoso Gouveia, um deputado regional que deu voz parlamentar a uma realidade calafetada por décadas de autocracia que se refugia nos andaimes formais da democracia para escapar ao controlo substancial que o Estado de Direito pressupõe e para faltar ao respeito devido às minorias e às vozes contrárias
chegados à Madeira, quem é afinal portador da demência?
quem se perpetua no poder… a fazer lembrar outros voos sobre um ninho de cucos?
observacoes sao bem vindas
2006-02-07
2006-02-05
fantástic
na TVCabo tem havido assinalável dinamismo: vários telefonemas nas últimas semanas, querem falar com fulano de tal, que ligam mais tarde, perguntando qual é a melhor altura para voltarem a telefonar
até que há uma vez que se atende, interrompendo o jantar ...
já se tentou a habilidade de pedir o número de telefone pessoal de casa de um destes profissionais das vendas por telefone à hora de jantar, mas com a ingenuidade de adiantar que era para lhe telefonar à hora de jantar deles e ... claro, o número deles nicles, jametinhasdito!
e desta vez o que era? para saber se já se tinha reparado em programas extraordinários do fantástic line ou coisada parecida
sim, de facto tem havido programas engraçados, de veleiros, um segundo canal de desporto, outro segundo canal de desporto radical, um também segundo canal de notícias de desporto, e mais isto e mais aquilo, filmes, moda, etc, até teve que se ler o manual de instalação para se desactivar certo canal inconveniente em sinal aberto
exacto, é isso, descobre o tele-técnico da TVCabo – e agora vem a boa nova: era a título experimental, passa a ser pago e com desconto fica pela módica quantia de mais um tanto por mês
assim se vence a crise, aumenta a produtividade e o crescimento económico – mas apenas do respectivo conglomerado empresarial, pois claro; e à custa de muitos alegres pagantes, também claro!
o método é o de sempre: a TVCabo começou há uns anos, mediante um preço de assinatura moderado ou pouco mais e com uma programação razoável, incluindo filmes, moda, futebol, documentários e cartoons
depois foi engordando o preço e emagrecendo a oferta, passando sucessivamente os temas mais apetecíveis para canais pagos à parte
e prossegue a estratégia, à custa de milhares de papalvos e da ausência de concorrência
mas paga-se pela TVCabo bem mais do que pela electricidade – e alguém ouviu falar de intervenção do regulador sectorial ? ou da Autoridade da Concorrência ? ou dos Governos ? ou dos partidos ? ou de comparação de preços face à média europeia ? ou face à estrutura de custos ? ou face ao investimento em infra-estruturas ou serviços úteis ao país ?
nada !
nada vezes nada !
jametinhamdito !!!
já aborrece a armadilha, gasta de vezeira e costumeira ...
vamos tentar por cobro ou pelo menos moderar isto ?
uns meses sem canais pagos à parte, para começar
interpelar-lhes a má fé
ameaçar o cancelamento
e alguma divulgAcção
vale ?
PS – na Visão de quinta-feira passada, Ricardo Araújo Pereira glosa (ia fazer o link mas ainda vão em meados de 2005 na versão em linha) o tema da campanha fantástica da TVCabo, seguindo embora outra pista e denunciando o mau funcionamento daquela empresa e a forma como abusa do monopólio para desrespeitar os Clientes
observacoes sao bem vindas
até que há uma vez que se atende, interrompendo o jantar ...
já se tentou a habilidade de pedir o número de telefone pessoal de casa de um destes profissionais das vendas por telefone à hora de jantar, mas com a ingenuidade de adiantar que era para lhe telefonar à hora de jantar deles e ... claro, o número deles nicles, jametinhasdito!
e desta vez o que era? para saber se já se tinha reparado em programas extraordinários do fantástic line ou coisada parecida
sim, de facto tem havido programas engraçados, de veleiros, um segundo canal de desporto, outro segundo canal de desporto radical, um também segundo canal de notícias de desporto, e mais isto e mais aquilo, filmes, moda, etc, até teve que se ler o manual de instalação para se desactivar certo canal inconveniente em sinal aberto
exacto, é isso, descobre o tele-técnico da TVCabo – e agora vem a boa nova: era a título experimental, passa a ser pago e com desconto fica pela módica quantia de mais um tanto por mês
assim se vence a crise, aumenta a produtividade e o crescimento económico – mas apenas do respectivo conglomerado empresarial, pois claro; e à custa de muitos alegres pagantes, também claro!
o método é o de sempre: a TVCabo começou há uns anos, mediante um preço de assinatura moderado ou pouco mais e com uma programação razoável, incluindo filmes, moda, futebol, documentários e cartoons
depois foi engordando o preço e emagrecendo a oferta, passando sucessivamente os temas mais apetecíveis para canais pagos à parte
e prossegue a estratégia, à custa de milhares de papalvos e da ausência de concorrência
mas paga-se pela TVCabo bem mais do que pela electricidade – e alguém ouviu falar de intervenção do regulador sectorial ? ou da Autoridade da Concorrência ? ou dos Governos ? ou dos partidos ? ou de comparação de preços face à média europeia ? ou face à estrutura de custos ? ou face ao investimento em infra-estruturas ou serviços úteis ao país ?
nada !
nada vezes nada !
jametinhamdito !!!
já aborrece a armadilha, gasta de vezeira e costumeira ...
vamos tentar por cobro ou pelo menos moderar isto ?
uns meses sem canais pagos à parte, para começar
interpelar-lhes a má fé
ameaçar o cancelamento
e alguma divulgAcção
vale ?
PS – na Visão de quinta-feira passada, Ricardo Araújo Pereira glosa (ia fazer o link mas ainda vão em meados de 2005 na versão em linha) o tema da campanha fantástica da TVCabo, seguindo embora outra pista e denunciando o mau funcionamento daquela empresa e a forma como abusa do monopólio para desrespeitar os Clientes
observacoes sao bem vindas
2006-02-04
Baptista Bastos
bem entregue a Baptista Bastos o Prémio de Crónica João Carreira Bom/SLP 2005
como o jornalista João Carreira Bom, o jornalista Baptista Bastos, prestigia a língua portuguesa pela via da crónica vivaz, da palavra desassombrada e da lucidez crítica
no caso em apreço, à reconhecida excelência da escrita, soma-se a pertinência das observações, análises e interpelações com que o jornalista premiado brinda os leitores da "Caneta de Sete Léguas", às sextas-feiras no Jornal de Negócios, onde se afirma disposto, apesar de Sócrates e Cavaco, a continuar as suas tarefas de ameno cronista !
é de Homem !!
sendo Baptista Bastos e Carreira Bom cronistas eleitos do Ditos, o Prémio da Sociedade da Língua Portuguesa é um jametinhasdito em cheio !!!
observacoes sao bem vindas
como o jornalista João Carreira Bom, o jornalista Baptista Bastos, prestigia a língua portuguesa pela via da crónica vivaz, da palavra desassombrada e da lucidez crítica
no caso em apreço, à reconhecida excelência da escrita, soma-se a pertinência das observações, análises e interpelações com que o jornalista premiado brinda os leitores da "Caneta de Sete Léguas", às sextas-feiras no Jornal de Negócios, onde se afirma disposto, apesar de Sócrates e Cavaco, a continuar as suas tarefas de ameno cronista !
é de Homem !!
sendo Baptista Bastos e Carreira Bom cronistas eleitos do Ditos, o Prémio da Sociedade da Língua Portuguesa é um jametinhasdito em cheio !!!
observacoes sao bem vindas
2006-02-03
Sousa Dias
Jametinhamdito que se vai tornando politicamente incorrecto mencionar os obsoletos acontecimentos e efeitos do 25 de Abril, por memória de 1974
Por isso, ó deixa cá assinalar a efeméride do 3 de Fevereiro, dos idos de 1927!
Nem mais, o dia de hoje – data do significativo movimento que opôs resistência a Gomes da Costa e à ditadura instaurada a 28 de Maio de 1926...
Em Janeiro de 1927 haviam já borbotado corajosos embora pontuais e prematuros actos de rebelião mas o pronunciamento que em 3 de Fevereiro de 1927 eclodiu no Porto foi uma, senão a única, revolta militar que verdadeiramente ameaçou a ditadura.
O movimento acabou por fracassar, como o provam as décadas seguintes de regime ditatorial com que o nosso Portugal foi ensombrado, precisamente até à revolução de 25 de Abril de 1974 instaurar a democracia.
As responsabilidades da rebelião de 3 de Fevereiro de 1927 foram assumidas pelo General Adalberto Gastão de Sousa Dias.
Personalidade heróica da República, Sousa Dias era reconhecido como homem de bem, deputado e civilista convicto.
Mas também como militar valoroso, titular de elevadas condecorações: em 1920 com o grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Avis, em 1923 com o grau de Comendador da Ordem Militar de Cristo e em 1924 com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant’Iago de Espada, entre outras.
Por feitos exemplares, como a oposição ao golpe militar de Sidónio Paes, ao “movimento das espadas” que em 1915 esteve na origem da primeira ditadura do republicanismo na qual governou Pimenta de Castro ou à “Monarquia do Norte”, de 1919, que ajudou a derrotar pondo termo à tentativa de restauração do regime monárquico em Portugal, tal como já tinha participado na revolta republicana do “31 de Janeiro”, em 1891.
As derrotas dos movimentos revolucionários criaram inúmeros exilados, tendo sido constituído um importante movimento cívico, a “Liga de Paris” ou “Liga de Defesa da República”, com papel activo na preparação de outras revoltas, infelizmente mal sucedidas. Também a via civil e política ficou longe de concretizar a mudança para a democracia, apesar das destemidas candidaturas de Norton de Matos, Quintão de Meireles e Humberto Delgado à Presidência da República.
O nosso General Sousa Dias liderou outras tentativas - como a “Revolta das Ilhas”, que comandou a partir da Madeira, onde lhe fora fixada residência - de derrube da ditadura instaurada em 28 de Maio de 1926, cuja resistência, aliás, liderou enquanto foi possível face à superioridade numérica e de meios do levantamento de 28 de Maio.
Foi aliás dos poucos militares a resistir então...
Como pena, decretada em “julgamento especial”, sofreu o degredo em São Tomé e em Cabo Verde, foram então criados campos de concentração em diversas colónias.
Veio a falecer no Mindelo, na Ilha de São Vicente, às mãos do regime ditatorial que combateu, fiel aos seus ideais democráticos e à sua estatura moral, vítima da sua coerência, dignidade e civilismo republicano.
Os seus restos mortais foram trazidos em segredo para a Metrópole, para a cidade da Guarda, onde antes se estabelecera com a sua Família.
A título póstumo, em 1977 foi reabilitado na sua carreira e na sua dignidade militar. E em 1980 foi condecorado com o grau de Grande Oficial da Ordem da Liberdade.
Bateu-se toda a vida contra a ditadura e pela democracia em Portugal e pagou com o preço da liberdade, dos maiores suplícios e, por fim, da própria vida – para quem acha que a vida de hoje é difícil... e que não vale a pena lembrar o passado...
Por mais politicamente incorrecto, certo é que se o 3 de Fevereiro de Sousa Dias tem vingado, talvez Portugal tivesse poupado 47 anos de pesadelo...
Sousa Dias nasceu em Chaves, em 1865, fez 140 anos no passado dia 31 de Dezembro.
observacoes sao bem vindas
Por isso, ó deixa cá assinalar a efeméride do 3 de Fevereiro, dos idos de 1927!
Nem mais, o dia de hoje – data do significativo movimento que opôs resistência a Gomes da Costa e à ditadura instaurada a 28 de Maio de 1926...
Em Janeiro de 1927 haviam já borbotado corajosos embora pontuais e prematuros actos de rebelião mas o pronunciamento que em 3 de Fevereiro de 1927 eclodiu no Porto foi uma, senão a única, revolta militar que verdadeiramente ameaçou a ditadura.
O movimento acabou por fracassar, como o provam as décadas seguintes de regime ditatorial com que o nosso Portugal foi ensombrado, precisamente até à revolução de 25 de Abril de 1974 instaurar a democracia.
As responsabilidades da rebelião de 3 de Fevereiro de 1927 foram assumidas pelo General Adalberto Gastão de Sousa Dias.
Personalidade heróica da República, Sousa Dias era reconhecido como homem de bem, deputado e civilista convicto.
Mas também como militar valoroso, titular de elevadas condecorações: em 1920 com o grau de Grande Oficial da Ordem Militar de Avis, em 1923 com o grau de Comendador da Ordem Militar de Cristo e em 1924 com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant’Iago de Espada, entre outras.
Por feitos exemplares, como a oposição ao golpe militar de Sidónio Paes, ao “movimento das espadas” que em 1915 esteve na origem da primeira ditadura do republicanismo na qual governou Pimenta de Castro ou à “Monarquia do Norte”, de 1919, que ajudou a derrotar pondo termo à tentativa de restauração do regime monárquico em Portugal, tal como já tinha participado na revolta republicana do “31 de Janeiro”, em 1891.
As derrotas dos movimentos revolucionários criaram inúmeros exilados, tendo sido constituído um importante movimento cívico, a “Liga de Paris” ou “Liga de Defesa da República”, com papel activo na preparação de outras revoltas, infelizmente mal sucedidas. Também a via civil e política ficou longe de concretizar a mudança para a democracia, apesar das destemidas candidaturas de Norton de Matos, Quintão de Meireles e Humberto Delgado à Presidência da República.
O nosso General Sousa Dias liderou outras tentativas - como a “Revolta das Ilhas”, que comandou a partir da Madeira, onde lhe fora fixada residência - de derrube da ditadura instaurada em 28 de Maio de 1926, cuja resistência, aliás, liderou enquanto foi possível face à superioridade numérica e de meios do levantamento de 28 de Maio.
Foi aliás dos poucos militares a resistir então...
Como pena, decretada em “julgamento especial”, sofreu o degredo em São Tomé e em Cabo Verde, foram então criados campos de concentração em diversas colónias.
Veio a falecer no Mindelo, na Ilha de São Vicente, às mãos do regime ditatorial que combateu, fiel aos seus ideais democráticos e à sua estatura moral, vítima da sua coerência, dignidade e civilismo republicano.
Os seus restos mortais foram trazidos em segredo para a Metrópole, para a cidade da Guarda, onde antes se estabelecera com a sua Família.
A título póstumo, em 1977 foi reabilitado na sua carreira e na sua dignidade militar. E em 1980 foi condecorado com o grau de Grande Oficial da Ordem da Liberdade.
Bateu-se toda a vida contra a ditadura e pela democracia em Portugal e pagou com o preço da liberdade, dos maiores suplícios e, por fim, da própria vida – para quem acha que a vida de hoje é difícil... e que não vale a pena lembrar o passado...
Por mais politicamente incorrecto, certo é que se o 3 de Fevereiro de Sousa Dias tem vingado, talvez Portugal tivesse poupado 47 anos de pesadelo...
Sousa Dias nasceu em Chaves, em 1865, fez 140 anos no passado dia 31 de Dezembro.
observacoes sao bem vindas
2006-02-01
flor de laranjeira
a Teresa e a Helena jámetinhamdito que meteram os papéis para se casarem uma com a outra segundo as instruções do advogado delas e da associação deles
e não é só para o que é que é... também é para dar na TV, nos jornais e por aí diante, blogosfera incluída, contribuindo o Ditos em justa medida das escassas possibilidades
tenta-se ainda chamar a atenção para o grave problema da Constituição da República que no temível afã de promover a igualdade, esquece-se de consagrar algumas desigualdades reivindicadas em prol (não confundir com prole) da discriminação positiva, isto é, do tratamento diferente devido a quem é diferente
e a Teresa e a Helena são diferentes, o que em certas concepções de democracia (aliás o pior dos sistemas políticos à excepção de todos os outros) pode levar à exigência de uma Constituição para cada cidadão, conquanto reivindique a sua diferença e entenda que merece sobrepor-se a tudo o mais
certo é que por mais que mudem a Constituição, factos são factos e há uma realidade constituída pela natureza há milhões de anos que permitiu a sobrevivência e a evolução da espécie
no "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, a procriação era assegurada artificalmente e certamente modificaram-se umas quantas leis para atingir tal perfeição civilizacional
admirável, pois, o novo mundo !
e nem sequer podemos dizer que não estamos avisados ...
observacoes sao bem vindas
e não é só para o que é que é... também é para dar na TV, nos jornais e por aí diante, blogosfera incluída, contribuindo o Ditos em justa medida das escassas possibilidades
tenta-se ainda chamar a atenção para o grave problema da Constituição da República que no temível afã de promover a igualdade, esquece-se de consagrar algumas desigualdades reivindicadas em prol (não confundir com prole) da discriminação positiva, isto é, do tratamento diferente devido a quem é diferente
e a Teresa e a Helena são diferentes, o que em certas concepções de democracia (aliás o pior dos sistemas políticos à excepção de todos os outros) pode levar à exigência de uma Constituição para cada cidadão, conquanto reivindique a sua diferença e entenda que merece sobrepor-se a tudo o mais
certo é que por mais que mudem a Constituição, factos são factos e há uma realidade constituída pela natureza há milhões de anos que permitiu a sobrevivência e a evolução da espécie
no "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, a procriação era assegurada artificalmente e certamente modificaram-se umas quantas leis para atingir tal perfeição civilizacional
admirável, pois, o novo mundo !
e nem sequer podemos dizer que não estamos avisados ...
observacoes sao bem vindas
2006-01-31
nevoenta
2006-01-27
Mães

a 25 de Janeiro realizou-se a 25ª Marcha das Mães da Praça de Maio, jametinhamdito que era a última...
mesmo para quem acha que não há instinto maternal, remetendo o assunto para o plano cultural, é forçoso reconhecer que haverá no futuro todas as marchas, manifestações e choradeiras que o desespero, a tenacidade e o amor são capazes de induzir no coração, nas mãos e na voz das Mães do mundo inteiro sempre que haja perigo para os filhos do mundo inteiro
sempre foi assim e a Marcha das Mães de Maio viverá mais que Matusalém !
oxalá fosse mesmo a última ...
observacoes sao bem vindas
2006-01-24
com fusão
com efeitos a partir de hoje, 23 de Janeiro de 2006, é extinta e criada a Escola Secundária com 3º Ciclo do Ensino Básico Pedro Nunes, data da publicação da Portaria nº 79/2006, no ilustre e oficial Diário da República, 1ª Série-B
é também extinta a Escola Secundária com 3º Ciclo do Ensino Básico Machado de Castro, com fusão na Escola Secundária com 3º Ciclo do Ensino Básico Pedro Nunes, para onde passam a totalidade dos respectivos alunos e os professores que lá couberem
o Pedro Nunes, ex-Liceu Normal de Pedro Nunes, à Av. Álvares Cabral, em Lisboa, é uma escola com pergaminhos
honra seja também feita à ex-Escola Industrial Machado de Castro, que em tempos teve o seu percurso próprio privilegiando a orientação prática e para as tecnologias
oxalá o novo modelo vingue e seja útil à comunidade e à educação, justificado pela optimização da gestão pedagógica e dos recursos humanos, físicos e materiais (estranha classificação, a que distingue os recursos físicos dos materiais…respeitará à dicotomia instalações e equipamentos?) no âmbito das políticas de reordenamento da rede escolar para a qualidade educativa
fica por explicar a fundamentação da medida, para além da integração na mesma área pedagógica, embora se depreenda e compreenda que a evolução dos respectivos projectos educativos se harmonizou ou pode harmonizar
jametinhamdito que a optimização é sempre óptima, a harmonia também harmoniza e o casamento entre vizinhos pode bem estender-se a liceus contíguos, pesem embora as cotas diferenciadas na origem de bastante animação, muitos sustos e alguns danos quando voavam pedras por sobre os altos muros, com ou sem aviso, safa...
oxalá se cumpram os objectivos anunciados de desenvolvimento das boas práticas e dos bons projectos educativos
fonte: Portaria nº 79/2006 - Visa a fusão entre as Escolas Secundárias com 3º Ciclo do Ensino Básico Pedro Nunes e Machado de Castro.
observacoes sao bem vindas
é também extinta a Escola Secundária com 3º Ciclo do Ensino Básico Machado de Castro, com fusão na Escola Secundária com 3º Ciclo do Ensino Básico Pedro Nunes, para onde passam a totalidade dos respectivos alunos e os professores que lá couberem
o Pedro Nunes, ex-Liceu Normal de Pedro Nunes, à Av. Álvares Cabral, em Lisboa, é uma escola com pergaminhos
honra seja também feita à ex-Escola Industrial Machado de Castro, que em tempos teve o seu percurso próprio privilegiando a orientação prática e para as tecnologias
oxalá o novo modelo vingue e seja útil à comunidade e à educação, justificado pela optimização da gestão pedagógica e dos recursos humanos, físicos e materiais (estranha classificação, a que distingue os recursos físicos dos materiais…respeitará à dicotomia instalações e equipamentos?) no âmbito das políticas de reordenamento da rede escolar para a qualidade educativa
fica por explicar a fundamentação da medida, para além da integração na mesma área pedagógica, embora se depreenda e compreenda que a evolução dos respectivos projectos educativos se harmonizou ou pode harmonizar
jametinhamdito que a optimização é sempre óptima, a harmonia também harmoniza e o casamento entre vizinhos pode bem estender-se a liceus contíguos, pesem embora as cotas diferenciadas na origem de bastante animação, muitos sustos e alguns danos quando voavam pedras por sobre os altos muros, com ou sem aviso, safa...
oxalá se cumpram os objectivos anunciados de desenvolvimento das boas práticas e dos bons projectos educativos
fonte: Portaria nº 79/2006 - Visa a fusão entre as Escolas Secundárias com 3º Ciclo do Ensino Básico Pedro Nunes e Machado de Castro.
observacoes sao bem vindas
2006-01-23
à segunda
depois do domingo, a segunda...
depois da derrota de há 10 anos, Cavaco Silva foi eleito à segunda tentativa, descontando que jametinhadito "passo" na eleição intercalar do Presidente Jorge Sampaio
mas apesar da decisão à primeira volta desta eleição, o resultado eleitoral é complexo:
Sócrates venceu em toda a linha!
A sobreposição no momento da declaração de Manuel Alegre, esse sim, candidato nesta eleição, deixa no entanto transparecer algum amargo com a expressiva diferença para o candidato oficial, Mário Soares, também porque evidencia à saciedade o custo excessivo do trajecto propositado de apoio a Cavaco Silva, que tem lhe agradecer
Mas também está de parabéns e vai ser um bom Presidente, tem todas as condições para isso, apesar de ter ganho sem as favas contadas e as postas de pescada que por aí se pavoneavam... talvez por isso parecia consternado no discurso que leu no momento da confirmação do resultado...
Ao menos durante os próximos 10 anos não haverá que pensar no assunto, apesar das pressões naturais para o reforço dos poderes do (deste!) Presidente e de outras aspirações acalentadas desde Sá Carneiro para se completar a partir da última premissa o esquema "uma maioria, um governo, um Presidente" que a direita nunca conseguiu em democracia!!!
Oxalá nem isso impeça o sonho a quem ainda tem essa capacidade...
PS - esta eleição encerra um ciclo, acabam de vez o 25 de Abril, a invocação da liberdade e a reivindicação da solidariedade!
na próxima, previsivelmente daqui a três anos e meio, já restarão poucos personagens interessados em tal bandeira, que encheria de ridículo e exotismo quem a lembrasse, já gasta, esquecida e substituída pela competitividade, liberalização ou conceitos afins; de todo o modo mesmo nesta campanha já estava praticamente fora do discurso político não fora a proposta de contrato presidencial, a voz e os valores que auguraram o apoio de muitos cidadãos a Manuel Alegre!
valente bem haja para tais cidadãos, bem como para o entusiasmo e a fraternidade que ofereceram a uma candidatura especial que se revelou afectuosa, oportuna e livre!!!
observacoes sao bem vindas
depois da derrota de há 10 anos, Cavaco Silva foi eleito à segunda tentativa, descontando que jametinhadito "passo" na eleição intercalar do Presidente Jorge Sampaio
mas apesar da decisão à primeira volta desta eleição, o resultado eleitoral é complexo:
Sócrates venceu em toda a linha!
A sobreposição no momento da declaração de Manuel Alegre, esse sim, candidato nesta eleição, deixa no entanto transparecer algum amargo com a expressiva diferença para o candidato oficial, Mário Soares, também porque evidencia à saciedade o custo excessivo do trajecto propositado de apoio a Cavaco Silva, que tem lhe agradecer
Mas também está de parabéns e vai ser um bom Presidente, tem todas as condições para isso, apesar de ter ganho sem as favas contadas e as postas de pescada que por aí se pavoneavam... talvez por isso parecia consternado no discurso que leu no momento da confirmação do resultado...
Ao menos durante os próximos 10 anos não haverá que pensar no assunto, apesar das pressões naturais para o reforço dos poderes do (deste!) Presidente e de outras aspirações acalentadas desde Sá Carneiro para se completar a partir da última premissa o esquema "uma maioria, um governo, um Presidente" que a direita nunca conseguiu em democracia!!!
Oxalá nem isso impeça o sonho a quem ainda tem essa capacidade...
PS - esta eleição encerra um ciclo, acabam de vez o 25 de Abril, a invocação da liberdade e a reivindicação da solidariedade!
na próxima, previsivelmente daqui a três anos e meio, já restarão poucos personagens interessados em tal bandeira, que encheria de ridículo e exotismo quem a lembrasse, já gasta, esquecida e substituída pela competitividade, liberalização ou conceitos afins; de todo o modo mesmo nesta campanha já estava praticamente fora do discurso político não fora a proposta de contrato presidencial, a voz e os valores que auguraram o apoio de muitos cidadãos a Manuel Alegre!
valente bem haja para tais cidadãos, bem como para o entusiasmo e a fraternidade que ofereceram a uma candidatura especial que se revelou afectuosa, oportuna e livre!!!
observacoes sao bem vindas
2006-01-22
domingo
Num domingo em que passaste na minha rua e os prédios se afastaram para que me raptasses por cima das árvores
Na límpida tarde orlada
por minhas pestanas imóveis
tua aparição abre uma estrada
de damasco por entre os automóveis.
Apareces e lgo adquires
em minha eclípica visual
a lassidão equinocial
que espalha a cor na minha íris.
Apareces como o começo
de qualquer coisa interminável
de tão importante é tão frágil
teu vulto que nem estremeço.
Apareces como se gentil-
mente viesses para apanhar um trevo
e o domingo almofada anil
cede à tendência do teu perfil
de ficares num baixo-relevo.
Natália Correia
observacoes sao bem vindas
Na límpida tarde orlada
por minhas pestanas imóveis
tua aparição abre uma estrada
de damasco por entre os automóveis.
Apareces e lgo adquires
em minha eclípica visual
a lassidão equinocial
que espalha a cor na minha íris.
Apareces como o começo
de qualquer coisa interminável
de tão importante é tão frágil
teu vulto que nem estremeço.
Apareces como se gentil-
mente viesses para apanhar um trevo
e o domingo almofada anil
cede à tendência do teu perfil
de ficares num baixo-relevo.
Natália Correia
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2006-01-21
Vasco Santos
há dias o Ditos referenciou o novo Diário de Notícias e o esforço de mudança evidenciado no novo formato e no novo estilo
na economia de um post de blog, digo de um apontamento, foram omitidos aspectos vários, de importância vária e vário grau de urgência, admitindo-se que eventualmente, na passada de futuras leituras, outras referências fossem oportunas... ou esquecidas na espuma dos dias...
porém, um dos aspectos em que se reparou foi a transferência do tradicional problema e breve crónica de xadrez para lugar mais apropriado, arejado e organizado, fora dos anúncios classificados onde estava escondido (e por vezes ia fora... junto com a água do banho...) e passando arrumadamente para junto ao lazer, à direita do bridge e das palavras cruzadas, na página da meteorologia e, de aleatoriedade afim, dos inúmeros números de diversa sorte de totolotos, entre a programação das televisões e a dos teatros, exposições e farmácias
e ao arrependimento da omissão pesava a falta de homenagem a Vasco Santos, xadrezista, jornalista e jornalista-xadrezista que durante anos nos deliciou, divertiu e instruiu com a sua crónica magnífica de xadrez, com a crítica, a notícia, a memória, a lição, a pesquisa, a inventiva, a imaginação, a diversão, incentivo e o desafio desportivo e intelectual de que só é capaz um grande e verdadeiro Mestre
porque já desde há muito, desde a sua substituição enquanto cronista de xadrez do DN, impunha-se propor ao jornal a útil e justa edição de uma selecção das suas crónicas e problemas de xadrez
poucos dias corridos e antes de voltar ao tema, o próprio DN deu conta do falecimento do Mestre Vasco Santos, amigo de sempre e de todos, pai extremoso, pedagogo incansável, generoso e disponível, bom organizador e dinamizador de torneios e iniciativas, campeão precoce e veterano, ex-jornalista, ex-seccionista de xadrez do Benfica onde muitos jovens e não só aprenderam a jogar e a estudar xadrez mas também a conviver e a competir, a entreter-se e a progredir, a treinar e a disputar, a descobrir e a evoluir muito para além das regras, da arte e do jogo do xadrez, a crescer para a própria vida
o actual cronista de xadrez do DN, António Pereira dos Santos, também de uma Família de Mestres xadrezistas, dedicou-lhe sentida e justa homenagem na primeira oportunidade e na sua muito interessante crónica de xadrez
talvez seja a hora de passar à prática a sugestão de edição de um livro de crónicas de homenagem a Vasco Santos, retribuindo condignamente o quanto Vasco Santos honrou o Diário de Notícias
observacoes sao bem vindas
na economia de um post de blog, digo de um apontamento, foram omitidos aspectos vários, de importância vária e vário grau de urgência, admitindo-se que eventualmente, na passada de futuras leituras, outras referências fossem oportunas... ou esquecidas na espuma dos dias...
porém, um dos aspectos em que se reparou foi a transferência do tradicional problema e breve crónica de xadrez para lugar mais apropriado, arejado e organizado, fora dos anúncios classificados onde estava escondido (e por vezes ia fora... junto com a água do banho...) e passando arrumadamente para junto ao lazer, à direita do bridge e das palavras cruzadas, na página da meteorologia e, de aleatoriedade afim, dos inúmeros números de diversa sorte de totolotos, entre a programação das televisões e a dos teatros, exposições e farmácias
e ao arrependimento da omissão pesava a falta de homenagem a Vasco Santos, xadrezista, jornalista e jornalista-xadrezista que durante anos nos deliciou, divertiu e instruiu com a sua crónica magnífica de xadrez, com a crítica, a notícia, a memória, a lição, a pesquisa, a inventiva, a imaginação, a diversão, incentivo e o desafio desportivo e intelectual de que só é capaz um grande e verdadeiro Mestre
porque já desde há muito, desde a sua substituição enquanto cronista de xadrez do DN, impunha-se propor ao jornal a útil e justa edição de uma selecção das suas crónicas e problemas de xadrez
poucos dias corridos e antes de voltar ao tema, o próprio DN deu conta do falecimento do Mestre Vasco Santos, amigo de sempre e de todos, pai extremoso, pedagogo incansável, generoso e disponível, bom organizador e dinamizador de torneios e iniciativas, campeão precoce e veterano, ex-jornalista, ex-seccionista de xadrez do Benfica onde muitos jovens e não só aprenderam a jogar e a estudar xadrez mas também a conviver e a competir, a entreter-se e a progredir, a treinar e a disputar, a descobrir e a evoluir muito para além das regras, da arte e do jogo do xadrez, a crescer para a própria vida
o actual cronista de xadrez do DN, António Pereira dos Santos, também de uma Família de Mestres xadrezistas, dedicou-lhe sentida e justa homenagem na primeira oportunidade e na sua muito interessante crónica de xadrez
talvez seja a hora de passar à prática a sugestão de edição de um livro de crónicas de homenagem a Vasco Santos, retribuindo condignamente o quanto Vasco Santos honrou o Diário de Notícias
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2006-01-19
Preâmbulo
a Constituição da República Portuguesa tem muitos artigos e disposições, conferindo direitos, atribuindo deveres, estabelecendo normas organizatórias, impondo preceitos programáticos, estipulando princípios fundamentais, regulando procedimentos, disciplinando relacionamentos, prevendo regras gerais, especiais e excepcionais, instituindo órgãos de soberania e o modo de designação dos respectivos titulares, estatuindo a irrenunciável soberania do povo
e tem um Preâmbulo
a redacção dos artigos tem sido alterada, aqui e ali, umas vezes quase cirurgicamente para curar sem ferir, outras mais extensa ou sofregamente, chegando a descaracterizar algo do conteúdo inicial, boas vezes modernizando-a em adequada actualização
mas o Preâmbulo mantém-se o original
certamente escrito por poetas, o Preâmbulo da Constituição da República Portuguesa jametinhadito:
...
"A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno."
Manuel Alegre e Sophia de Melo Breyner sabiam o que estavam a escrever
bem hajam por nos apontarem o caminho
oxalá o saibamos reconhecer e percorrer aproveitando a sua claridade
observacoes sao bem vindas
e tem um Preâmbulo
a redacção dos artigos tem sido alterada, aqui e ali, umas vezes quase cirurgicamente para curar sem ferir, outras mais extensa ou sofregamente, chegando a descaracterizar algo do conteúdo inicial, boas vezes modernizando-a em adequada actualização
mas o Preâmbulo mantém-se o original
certamente escrito por poetas, o Preâmbulo da Constituição da República Portuguesa jametinhadito:
...
"A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno."
Manuel Alegre e Sophia de Melo Breyner sabiam o que estavam a escrever
bem hajam por nos apontarem o caminho
oxalá o saibamos reconhecer e percorrer aproveitando a sua claridade
observacoes sao bem vindas
Alfarrobeira?
Num artigo no Público, Eduardo Lourenço avalia o “tempo de Soares” face ao mundo actualmente bem diferente do que constituiu o labor político da vida de Mário Soares.
E refere-se angustiado à divisão da esquerda na actual campanha para a eleição presidencial, comparando os seus possíveis efeitos aos da trágica e tristemente célebre Batalha de Alfarrobeira.
Mas não conta com o impossível que o realismo dos poetas e a aspiração de muitos cidadãos exige: a escolha do Presidente da República pode ser à segunda volta!
Nesse caso, como se espera que muito boa gente espere, a esquerda só poderá unir-se e reforçar-se; assim cairá a hipótese inteligente de Eduardo Lourenço, tributária de grande apreço e interpretável legitimamente como expressão de desencanto e inevitabilidade, perda e lamento, desespero na busca da dignidade que os apoiantes de Mário Soares bem merecem e o próprio bem carece no seu estertor contra si próprio e contra o facto inexorável de já não haver o tempo de Mário Soares.
E não é uma questão de idade, pelo contrário, aparenta bem, demonstra vitalidade, fôlego e persistência, tem uma vida dedicada ao combate político e não parece esmorecer na tenacidade; é mesmo o tempo, bem como a realidade e as circunstâncias, que lhe fogem e de que ele, porventura sem o perceber, também foge e se afasta, serôdio, ao agarrar-se ao lado mais sinistro, interesseiro e caciqueiro de uma máquina partidária a que já não pertence, que já não lhe pertence e que não lhe pagará favores como ele bem reclama à boca do cofre eleitoral.
E tem toda a responsabilidade nisso, a vários títulos: foi governante e presidente, teve as mais altas responsabilidades do Estado e do PS, sem ter contribuído como devia para a desejável e necessária renovação, de ideias, de pessoas e de métodos; as ideias recusam-se a comparecer - nem o PS consegue descortinar as razões que a razão desconhece para o apoiar; os métodos são os mesmos da perseguição e marginalização dos que têm ideias próprias e pensam pela própria cabeça; quanto às pessoas já se vê, pelo seu próprio exemplo enquanto candidato oficial de quarta escolha do PS: quem foi o homem novo que ele e os demais responsáveis do Estado e do PS prepararam e ajudaram a afirmar-se para oferecer à esquerda e ao país a merecida renovação? nenhum coelho saiu de tal cartola, tiveram que usar o porco espinho, veja-se bem a adesão que consegue e a desunião que a sua propositura pelo PS causou à esquerda, onde nenhum candidato desiste apesar do franco (mas de duvidoso espírito democrático) apelo feito pelos mais altos responsáveis do PS!
E porquê a referência a Alfarrobeira? é de facto genial a lucidez de Eduardo Lourenço, de uma clareza exemplar - a divisão da esquerda, juntamente com a pobreza das respectivas propostas partidárias e falta de apoio institucional da única candidatura sem apoio partidário (de um cidadão, como manda a Constituição) acalenta a ideia de que a união à direita pode fazer a força de uma dinâmica vitoriosa!
É um conceito de leitura complexa e parte do pressuposto, psicológica e sociologicamente fundamentado, de que muitas pessoas preferem votar no candidato vencedor a experimentar estar do lado errado dos sucessos da política durante todo um ciclo, sabendo que a política é hoje implacável para com os perdedores, negando-lhes acesso a lugares e bem estares, tal como antes na guerra se eliminava ou escravizava os vencidos; por isso muitos eleitores sacrificam as suas convicções ou sequer a reflectir o suficiente para determiná-las com fundamento, optando por votar cínica mas pragmaticamente no candidato que antecipam como vencedor.
Por esta via, a divisão da esquerda pode fazer a esquerda perder ou perder-se.
É este o caminho que leva Eduardo Lourenço a Alfarrobeira - e Medeiros Ferreira, no seu artigo no DN, nada entendeu, esvaziando e confundindo como muitos a construção culta e hábil de um nosso grande pensador.
Quais luzes de D. Pedro? não era a isso que se referia Eduardo Lourenço!
Era a própria noção de autodestruição, sem tomar partido na antiga batalha nem equiparar - oh horror - qualquer dos intervenientes a nenhum dos actuais candidatos; também Medeiros Ferreira está perdido no tempo: como é possível comparar Mário Soares ao antigo regente afastado, diabolizado e trucidado pelo seu sobrinho e genro, depois que assumiu o poder o Rei D. Afonso V ?
E se fosse possível, que utilidade teria ? os conceitos civilizacionais (de que os dois contendores eram portadores, representantes ou vítimas) que então se degladiavam não servem de comparação ao mundo, aos dilemas e aos problemas de hoje... e como é que isso se encaixaria, apenas por raciocínio, numa eleição com seis candidatos? Soares é apoiado por um forte aparelho partidário, pelo partido que está no poder, usando e abusando da máquina, das armas e de figuras do Partido, do Governo e do Estado, beneficiando de meios avultados logísticos e financeiros - o infante D. Pedro estava dessapossado e, pelo contrário, era o Rei que detinha o poder, os meios e as armas.
Que raio de comparação, mero lapso ou monumento à ignorância e à ligeireza na utilização da bandeira inimiga pode resistir a um mínimo de análise, caso a mereça por parte de algum exegeta mais dedicado à pedagogia que a perder tempo com a política de tais políticos argumentadeiros, mais papistas que o Papa, como Medeiros Ferreira ao tentar por na boca de Eduardo Lourenço o que este inteligentemente não disse nem quis dizer.
De todo o modo, quer o bom argumento e excelente raciocínio de Eduardo Lourenço quer o azarado dislate do glosador incidental falham na explicação do actual estado da campanha presidencial - e oxalá não se concretize o mau agoiro de nova Alfarrobeira do país ou da esquerda.
Na realidade, a candidatura de Manuel Alegre vai ganhando adeptos e entusiastas na proporção com que Cavaco Silva perde a tal dinâmica a olhos vistos todos os dias.
E as pessoas vão a pouco e pouco lembrando que ainda estão a pagar segunda e terceira vez as auto-estradas de duas faixas inauguradas na véspera de cada eleição e logo refeitas e depois alargadas com que Cavaco Silva desperdiçou as fortunas que Portugal recebeu da Comunidade Europeia durante os seus Governos, era Mário Soares Presidente. E essa memória faz pensar melhor, se calhar não basta dar o voto ao mais presumido que presumível vencedor antecipado.
Talvez estejamos perto de uma dimensão de retorno dos pragmáticos cínicos à realidade da escolha racional e afectiva do melhor candidato - se os tais eleitores (e são muitos) que se colocam sistematicamente do lado que antecipam como vencedor (e só por isso votam nele) começam a hesitar ou mesmo a perceber que Cavaco Silva pode não ganhar, então dedicar-se-ão genuinamente à escolha do seu candidato preferido, repartindo-se por outros ou pelos vários candidatos, esvaindo-se afinal a dinâmica de vitória do candidato inicialmente percebido como vencedor.
Quebrada essa barreira, Cavaco Silva poderá ser deixado à sua sorte na segunda volta.
E aí renasce o sonho e enterram-se as Alfarrobeiras!!!
Pois numa segunda volta toda a esquerda apoiará Manuel Alegre, que eventualmente passará a contar também com os tais votantes sistemáticos no possível vencedor - volta-se o bico ao prego!!!
É na semente do sonho que estamos hoje!!!
Como não pode ser maior, Portugal tem que ser melhor: mais livre, justo e fraterno!
Vamos pregar um Alegre susto ao Cavaco?
E mudar Portugal !!!
observacoes sao bem vindas
Anexo: os textos sob comentário
(não tive tempo de o fazer mais sintético nem de encontrar os links)
O tempo de Mário Soares, por Eduardo Lourenço (excertos),
«A campanha eleitoral não tem sido exactamente aquele torneio político exemplar que alguns idealistas impenitentes sonharam. Faltou-lhe paixão e sobraram escusadas flechas em forma de boomerang. [...] Trazer para esta sociedade, mais do que nunca sociedade de espectáculo, o eco da antiga paixão portuguesa, quer a recalcada do antigo regime, quer a exaltada e exaltante das duas décadas após Abril, era uma aposta arriscada, para muitos perdida e, em todo o caso, objectivamente quixotesca. Filho desses dois tempos, de que foi actor político precoce e, depois, personagem histórico, Mário Soares ousou trazer de novo para uma arena pública, já longe desses tempos turbulentos, essa antiga paixão política, sem querer saber se estaria ou não fora de estação. Passada a surpresa, esta audácia quase juvenil do antigo Presidente da República foi recebida com cepticismo por muitos, com sarcasmo por outros e, sobretudo, como uma ocasião inesperada para ajustar contas antigas e menos antigas com o homem que, melhor do que ninguém, de entre os activos, se identificou e é identificado com a Revolução de Abril e, em particular, com o tipo de democracia que ela instaurou em Portugal. [...] O mundo é que não é exactamente o mesmo mundo onde essa aventura pessoal e transpessoal foi possível. E esse mundo tinha de mudar, não o homem Mário Soares, mas a imagem dele no espelho alheio. O mesmo homem que, em tempos, passou entre nós como “o amigo americano” quando isso significava que o destino da nossa frágil democracia implicava alinhamento com a primeira das democracias ocidentais, aparece, hoje, aos olhos dos que têm interesse em cultivar essa vinha, como “antiamericano”, o que é, naturalmente, ainda mais simplista do que a antiga etiqueta. A única verdade desta valsa ideológico-mediática é clara: o antigo mundo que foi, durante décadas, o do horizonte da luta política de Mário Soares, funciona em termos de repoussoir — e Mário Soares, mais fiel aos seus ideais de sempre do que se diz, aparece, em fim de percurso, mais à “esquerda” do que nunca o foi. [...] Este tempo de Mário Soares não é apenas o tempo de Mário Soares. É o de várias gerações que, como ele, num mundo então histórica, ideológica e culturalmente dividido entre “direita” e “esquerda”, não apenas no Ocidente mas à escala planetária, escolheu um campo, numa época em que não escolher era ficar fora, não apenas do combate político, mas do combate da vida. É inócuo e só na aparência, prova de imaginária lucidez, pensar que esse comportamento releva de uma versão simplista e maniqueísta do mundo. Essa era a textura do mundo e da história que nos coube viver e só quem pretende viver fora deles se imagina sobrevoá-los como os anjos. É uma bela aposta a de Mário Soares, perdida ou ganha. Com a sua carga romanesca e a sua trama paradoxal. Mário Soares não é — nem a título histórico, nem ideológico — toda a esquerda portuguesa, mas nunca foi mais representativo dela, da sua utopia e das suas inevitáveis miragens, do que hoje, quando, aos oitenta anos, se apresenta como alguém, dentro dessa escolha, susceptível de incarnar ainda, melhor do que ninguém, essa velha aposta que entre nós nasceu com Antero e teve em António Sérgio, entre outros, as suas referências culturais, infelizmente mais vividas com sugestões poéticas do que propriamente políticas. Dizem-me que os dados há muito estão lançados e mesmo que os jogos estão feitos. Não o duvido. [...] Os seus adversários neste combate inglório e soberbo foram sempre outros. Não só os que se lembram do seu militantismo juvenil, como os que não esquecem a sua conversão definitiva ao socialismo democrático, mas, sobretudo, os que nunca lhe perdoaram o ter lutado pela democracia em Portugal, antes e depois de Abril. É isso que a verdadeira direita não esquece. É muito mais gente do que se supõe. É a mesma que põe na sua conta, como uma mancha indelével, a absurda culpa de ter “perdido” uma África que ninguém “perdeu” senão ela. [...] A esquerda não o traiu, nem ele se traiu nela. O drama é que essa esquerda de que pela última vez se faz paladino é, ao mesmo tempo, uma realidade — embora ideologicamente recente — e uma quimera. O problema da esquerda nunca foi a direita [...] mas a esquerda mesmo como pura transparência da história. A esquerda, sendo em intenção mais virtuosa, não é menos opaca, no seu angelismo imaginário, que a mais obtusa direita. Sobretudo quando não se dá conta disso. Em alegoria caseira, estas nossas eleições tão consensualmente democráticas, ilustraram com suavidade à portuguesa esta fatalidade. O combate no interior da nossa suicidária esquerda foi, à sua maneira incruenta, uma espécie de Alfarrobeira política. Talvez algum cronista, no futuro se inspire nela para nosso ensino inútil. Ou um poeta. Mas não terá Mário Soares.»
Eduardo Lourenço desvenda , por Medeiros Ferreira
Histórico artigo, o de Eduardo Lourenço hoje no Público. A Alfarrobeira política para onde a esquerda caminha em losango permeável só será evitável se o eleitorado a salvar. Escusado dizer que quem personifica as luzes que o infante D. Pedro transportava para Portugal é, hoje mais do que nunca, Mário Soares. Como escreve Eduardo Lourenço Mário Soares nunca esteve tanto ao serviço da esquerda. E houve quem quisesse perturbar e ocultar isso com palavras e obras.
Mas a mais sonora palavra será a dos votantes.
E refere-se angustiado à divisão da esquerda na actual campanha para a eleição presidencial, comparando os seus possíveis efeitos aos da trágica e tristemente célebre Batalha de Alfarrobeira.
Mas não conta com o impossível que o realismo dos poetas e a aspiração de muitos cidadãos exige: a escolha do Presidente da República pode ser à segunda volta!
Nesse caso, como se espera que muito boa gente espere, a esquerda só poderá unir-se e reforçar-se; assim cairá a hipótese inteligente de Eduardo Lourenço, tributária de grande apreço e interpretável legitimamente como expressão de desencanto e inevitabilidade, perda e lamento, desespero na busca da dignidade que os apoiantes de Mário Soares bem merecem e o próprio bem carece no seu estertor contra si próprio e contra o facto inexorável de já não haver o tempo de Mário Soares.
E não é uma questão de idade, pelo contrário, aparenta bem, demonstra vitalidade, fôlego e persistência, tem uma vida dedicada ao combate político e não parece esmorecer na tenacidade; é mesmo o tempo, bem como a realidade e as circunstâncias, que lhe fogem e de que ele, porventura sem o perceber, também foge e se afasta, serôdio, ao agarrar-se ao lado mais sinistro, interesseiro e caciqueiro de uma máquina partidária a que já não pertence, que já não lhe pertence e que não lhe pagará favores como ele bem reclama à boca do cofre eleitoral.
E tem toda a responsabilidade nisso, a vários títulos: foi governante e presidente, teve as mais altas responsabilidades do Estado e do PS, sem ter contribuído como devia para a desejável e necessária renovação, de ideias, de pessoas e de métodos; as ideias recusam-se a comparecer - nem o PS consegue descortinar as razões que a razão desconhece para o apoiar; os métodos são os mesmos da perseguição e marginalização dos que têm ideias próprias e pensam pela própria cabeça; quanto às pessoas já se vê, pelo seu próprio exemplo enquanto candidato oficial de quarta escolha do PS: quem foi o homem novo que ele e os demais responsáveis do Estado e do PS prepararam e ajudaram a afirmar-se para oferecer à esquerda e ao país a merecida renovação? nenhum coelho saiu de tal cartola, tiveram que usar o porco espinho, veja-se bem a adesão que consegue e a desunião que a sua propositura pelo PS causou à esquerda, onde nenhum candidato desiste apesar do franco (mas de duvidoso espírito democrático) apelo feito pelos mais altos responsáveis do PS!
E porquê a referência a Alfarrobeira? é de facto genial a lucidez de Eduardo Lourenço, de uma clareza exemplar - a divisão da esquerda, juntamente com a pobreza das respectivas propostas partidárias e falta de apoio institucional da única candidatura sem apoio partidário (de um cidadão, como manda a Constituição) acalenta a ideia de que a união à direita pode fazer a força de uma dinâmica vitoriosa!
É um conceito de leitura complexa e parte do pressuposto, psicológica e sociologicamente fundamentado, de que muitas pessoas preferem votar no candidato vencedor a experimentar estar do lado errado dos sucessos da política durante todo um ciclo, sabendo que a política é hoje implacável para com os perdedores, negando-lhes acesso a lugares e bem estares, tal como antes na guerra se eliminava ou escravizava os vencidos; por isso muitos eleitores sacrificam as suas convicções ou sequer a reflectir o suficiente para determiná-las com fundamento, optando por votar cínica mas pragmaticamente no candidato que antecipam como vencedor.
Por esta via, a divisão da esquerda pode fazer a esquerda perder ou perder-se.
É este o caminho que leva Eduardo Lourenço a Alfarrobeira - e Medeiros Ferreira, no seu artigo no DN, nada entendeu, esvaziando e confundindo como muitos a construção culta e hábil de um nosso grande pensador.
Quais luzes de D. Pedro? não era a isso que se referia Eduardo Lourenço!
Era a própria noção de autodestruição, sem tomar partido na antiga batalha nem equiparar - oh horror - qualquer dos intervenientes a nenhum dos actuais candidatos; também Medeiros Ferreira está perdido no tempo: como é possível comparar Mário Soares ao antigo regente afastado, diabolizado e trucidado pelo seu sobrinho e genro, depois que assumiu o poder o Rei D. Afonso V ?
E se fosse possível, que utilidade teria ? os conceitos civilizacionais (de que os dois contendores eram portadores, representantes ou vítimas) que então se degladiavam não servem de comparação ao mundo, aos dilemas e aos problemas de hoje... e como é que isso se encaixaria, apenas por raciocínio, numa eleição com seis candidatos? Soares é apoiado por um forte aparelho partidário, pelo partido que está no poder, usando e abusando da máquina, das armas e de figuras do Partido, do Governo e do Estado, beneficiando de meios avultados logísticos e financeiros - o infante D. Pedro estava dessapossado e, pelo contrário, era o Rei que detinha o poder, os meios e as armas.
Que raio de comparação, mero lapso ou monumento à ignorância e à ligeireza na utilização da bandeira inimiga pode resistir a um mínimo de análise, caso a mereça por parte de algum exegeta mais dedicado à pedagogia que a perder tempo com a política de tais políticos argumentadeiros, mais papistas que o Papa, como Medeiros Ferreira ao tentar por na boca de Eduardo Lourenço o que este inteligentemente não disse nem quis dizer.
De todo o modo, quer o bom argumento e excelente raciocínio de Eduardo Lourenço quer o azarado dislate do glosador incidental falham na explicação do actual estado da campanha presidencial - e oxalá não se concretize o mau agoiro de nova Alfarrobeira do país ou da esquerda.
Na realidade, a candidatura de Manuel Alegre vai ganhando adeptos e entusiastas na proporção com que Cavaco Silva perde a tal dinâmica a olhos vistos todos os dias.
E as pessoas vão a pouco e pouco lembrando que ainda estão a pagar segunda e terceira vez as auto-estradas de duas faixas inauguradas na véspera de cada eleição e logo refeitas e depois alargadas com que Cavaco Silva desperdiçou as fortunas que Portugal recebeu da Comunidade Europeia durante os seus Governos, era Mário Soares Presidente. E essa memória faz pensar melhor, se calhar não basta dar o voto ao mais presumido que presumível vencedor antecipado.
Talvez estejamos perto de uma dimensão de retorno dos pragmáticos cínicos à realidade da escolha racional e afectiva do melhor candidato - se os tais eleitores (e são muitos) que se colocam sistematicamente do lado que antecipam como vencedor (e só por isso votam nele) começam a hesitar ou mesmo a perceber que Cavaco Silva pode não ganhar, então dedicar-se-ão genuinamente à escolha do seu candidato preferido, repartindo-se por outros ou pelos vários candidatos, esvaindo-se afinal a dinâmica de vitória do candidato inicialmente percebido como vencedor.
Quebrada essa barreira, Cavaco Silva poderá ser deixado à sua sorte na segunda volta.
E aí renasce o sonho e enterram-se as Alfarrobeiras!!!
Pois numa segunda volta toda a esquerda apoiará Manuel Alegre, que eventualmente passará a contar também com os tais votantes sistemáticos no possível vencedor - volta-se o bico ao prego!!!
É na semente do sonho que estamos hoje!!!
Como não pode ser maior, Portugal tem que ser melhor: mais livre, justo e fraterno!
Vamos pregar um Alegre susto ao Cavaco?
E mudar Portugal !!!
observacoes sao bem vindas
Anexo: os textos sob comentário
(não tive tempo de o fazer mais sintético nem de encontrar os links)
O tempo de Mário Soares, por Eduardo Lourenço (excertos),
«A campanha eleitoral não tem sido exactamente aquele torneio político exemplar que alguns idealistas impenitentes sonharam. Faltou-lhe paixão e sobraram escusadas flechas em forma de boomerang. [...] Trazer para esta sociedade, mais do que nunca sociedade de espectáculo, o eco da antiga paixão portuguesa, quer a recalcada do antigo regime, quer a exaltada e exaltante das duas décadas após Abril, era uma aposta arriscada, para muitos perdida e, em todo o caso, objectivamente quixotesca. Filho desses dois tempos, de que foi actor político precoce e, depois, personagem histórico, Mário Soares ousou trazer de novo para uma arena pública, já longe desses tempos turbulentos, essa antiga paixão política, sem querer saber se estaria ou não fora de estação. Passada a surpresa, esta audácia quase juvenil do antigo Presidente da República foi recebida com cepticismo por muitos, com sarcasmo por outros e, sobretudo, como uma ocasião inesperada para ajustar contas antigas e menos antigas com o homem que, melhor do que ninguém, de entre os activos, se identificou e é identificado com a Revolução de Abril e, em particular, com o tipo de democracia que ela instaurou em Portugal. [...] O mundo é que não é exactamente o mesmo mundo onde essa aventura pessoal e transpessoal foi possível. E esse mundo tinha de mudar, não o homem Mário Soares, mas a imagem dele no espelho alheio. O mesmo homem que, em tempos, passou entre nós como “o amigo americano” quando isso significava que o destino da nossa frágil democracia implicava alinhamento com a primeira das democracias ocidentais, aparece, hoje, aos olhos dos que têm interesse em cultivar essa vinha, como “antiamericano”, o que é, naturalmente, ainda mais simplista do que a antiga etiqueta. A única verdade desta valsa ideológico-mediática é clara: o antigo mundo que foi, durante décadas, o do horizonte da luta política de Mário Soares, funciona em termos de repoussoir — e Mário Soares, mais fiel aos seus ideais de sempre do que se diz, aparece, em fim de percurso, mais à “esquerda” do que nunca o foi. [...] Este tempo de Mário Soares não é apenas o tempo de Mário Soares. É o de várias gerações que, como ele, num mundo então histórica, ideológica e culturalmente dividido entre “direita” e “esquerda”, não apenas no Ocidente mas à escala planetária, escolheu um campo, numa época em que não escolher era ficar fora, não apenas do combate político, mas do combate da vida. É inócuo e só na aparência, prova de imaginária lucidez, pensar que esse comportamento releva de uma versão simplista e maniqueísta do mundo. Essa era a textura do mundo e da história que nos coube viver e só quem pretende viver fora deles se imagina sobrevoá-los como os anjos. É uma bela aposta a de Mário Soares, perdida ou ganha. Com a sua carga romanesca e a sua trama paradoxal. Mário Soares não é — nem a título histórico, nem ideológico — toda a esquerda portuguesa, mas nunca foi mais representativo dela, da sua utopia e das suas inevitáveis miragens, do que hoje, quando, aos oitenta anos, se apresenta como alguém, dentro dessa escolha, susceptível de incarnar ainda, melhor do que ninguém, essa velha aposta que entre nós nasceu com Antero e teve em António Sérgio, entre outros, as suas referências culturais, infelizmente mais vividas com sugestões poéticas do que propriamente políticas. Dizem-me que os dados há muito estão lançados e mesmo que os jogos estão feitos. Não o duvido. [...] Os seus adversários neste combate inglório e soberbo foram sempre outros. Não só os que se lembram do seu militantismo juvenil, como os que não esquecem a sua conversão definitiva ao socialismo democrático, mas, sobretudo, os que nunca lhe perdoaram o ter lutado pela democracia em Portugal, antes e depois de Abril. É isso que a verdadeira direita não esquece. É muito mais gente do que se supõe. É a mesma que põe na sua conta, como uma mancha indelével, a absurda culpa de ter “perdido” uma África que ninguém “perdeu” senão ela. [...] A esquerda não o traiu, nem ele se traiu nela. O drama é que essa esquerda de que pela última vez se faz paladino é, ao mesmo tempo, uma realidade — embora ideologicamente recente — e uma quimera. O problema da esquerda nunca foi a direita [...] mas a esquerda mesmo como pura transparência da história. A esquerda, sendo em intenção mais virtuosa, não é menos opaca, no seu angelismo imaginário, que a mais obtusa direita. Sobretudo quando não se dá conta disso. Em alegoria caseira, estas nossas eleições tão consensualmente democráticas, ilustraram com suavidade à portuguesa esta fatalidade. O combate no interior da nossa suicidária esquerda foi, à sua maneira incruenta, uma espécie de Alfarrobeira política. Talvez algum cronista, no futuro se inspire nela para nosso ensino inútil. Ou um poeta. Mas não terá Mário Soares.»
Eduardo Lourenço desvenda , por Medeiros Ferreira
Histórico artigo, o de Eduardo Lourenço hoje no Público. A Alfarrobeira política para onde a esquerda caminha em losango permeável só será evitável se o eleitorado a salvar. Escusado dizer que quem personifica as luzes que o infante D. Pedro transportava para Portugal é, hoje mais do que nunca, Mário Soares. Como escreve Eduardo Lourenço Mário Soares nunca esteve tanto ao serviço da esquerda. E houve quem quisesse perturbar e ocultar isso com palavras e obras.
Mas a mais sonora palavra será a dos votantes.
2006-01-17
cor presidencial
a Visão, de quinta-feira passada, endereça aos seis candidatos presidenciais um conjunto de perguntas de carácter pessoal, à guisa de tirar nabos da púcara, como fazemos quando auscultamos da sinceridade de alguém, da seriedade de um depoente, da credibilidade do interlocutor
na verdade, mais do que os conhecimentos especializados de cada um, aspecto que poderá relevar para outro tipo de cargo e função, importa sobremaneira apurar o carácter, a hombridade, as escolhas pessoais dos candidatos à magistratura presidencial
também ontem à noite num debate televisivo jametinhamdito que as questões essenciais a resolver para formar uma decisão deveriam ser quanto ao tipo de pessoa que queremos ver na Presidência da República: alguém a quem confiaríamos a gestão da nossa fortuna ? ou alguém a quem confiaríamos a educação de um filho ?
das perguntas da Visão retive a da cor preferida dos candidatos: é pura questão de gosto, estado de alma e forma de expressão, todas as respostas são legítimas, aceitávis e correctas, gostemos ou não!!!
mas da forma de responder de cada um podemos retirar qualidades e graus de frontalidade ou manobras de diversão, espontaneidade ou deliberação, genuinidade ou preparação, sinceridade ou representação, simplicidade, complexidade ou sofisticação, enfim, muito do que precisamos saber para identificarmos ou não um candidadto com as nossas convicções - e, talvez, tomar uma decisão confortados ou contrafeitos, o que faz toda a diefrença e nos pode confirmar, infirmar ou quem sabe mudar de opinião
vejamos as respostas à Visão
- Cavaco Silva não responde - a recusa de mostrar o que sente ou pensa é extremamente esclarecedora da disponibilidade de um candidadto em dar-se a conhecer e este esconde-se; também não responde a mais nenhuma das perguntas tal como durante a campanha evitou o debate e o esclarecimento, sabe-se bem porquê
- Mário Soares - "Não uma, mas duas: o vermelho e o verde da bandeira portuguesa." - trata-se obviamente de uma resposta politicamente correcta, à procura de identifcação com um símbolo nacional mais do que exprimir sinceramente a cor da preferencia, afinal até são duas e logo quais; a resposta é a mais complicada de todas, de entre os candidatos que respondem e afinal a pergunta é bem simples; nas demais respostas Mário Soares tem invariavelmente o mesmo tipo de resposta, longa, politicamente correcta para tudo abranger e representar, com opões múltiplas e explicações várias; muitas respostas são exactamente a de que as respostas são várias, tornando-se de difícil definição a verdadeira escolha do candidato
Manuel Alegre - "O azul do mar." - há uma cor preferida, o azul, tão legítima e ideal como qualquer outra, mas relacionada com a realidade do mar, uma ligação à natureza e à poesia - dizia Fernando Pessoa que apesar dos perigos do mar, afinal foi nele que Deus espelhou o céu
Jerónimo de Sousa - "Vermelho." - franco ou interesseiro na cor partidária, certo é que é uma resposta directa de um comunista no seu reduto e está tudo dito
Francisco Louçã - "Como o testamento de Vieira da Silva: um azul de cera para voar alto, um azul cobalto para a felicidade." - também escolhe a cor azul e a poesia mas é sem dúvida uma resposta idealista, recorrendo a conceitos subjectivos, abstractos e irrealizáveis para justificar a sua preferência; é de facto assim que se podem ler muitas das respostas e propostas de Francisco Louça: palavrosa, sonhadora mas utópica
Garcia Pereira - "Azul-marinho." - ainda azul, mas correspondendo a um conceito pre-definido de uma tonalidade de cor; de facto, à sua centésima candidatura, Garcia Pereira apresentou-se desta vez com uma linguagem simples e eficaz, à beira da sensatez, o que até pode parecer bizarro para o líder do MRPP; e já não nos lembramos do significado da sigla nem sabemos o primeiro nome do candidato, o que é pena e revela o carácter residual e pessoalíssimo da iniciativa da sua candidatura, a única com a honestidade de reconhecer que não pode vencer e com o mérito de exprimir quem apoiará numa segunda volta: Manuel Alegre
apenas mais um apontamento destas respostas: perguntados se há circunstância em que um político possa licitamente mentir, além da contumaz omissão de Cavaco Silva, os demais dizem que não, com a excepção de Manuel Alegre, que responde com uma condição, a do preso político que luta contra a ditadura
Mário Soares tem novamente a resposta mais complicad e ilegível, Jerónimo de Sousa afirma defender o princípio da verdade e não vê excepções, Francisco Louça na sua certeza positivista apressa-se a dizer peremptoriamente que não, Garcia Pereira disserta sobre o conceito técnico-político-jurídico e conclui (próximo de Mário Soares) que pode haver circunstâncias que justifiquem não falar sobre certo assunto - ora, a pergunta era precisamente para cada qual dizer qual ou quais as circunstâncias pelo que são tolas ou falaciosas as respostas que dizem que há ou pode haver circunstâncias...
e o único que responde com uma concreta ligação à realidade é Manuel Alegre, identificando claramente uma circunstância determinada: um político sob a prisão de um ditador ou sob tortura pode licitamente mentir, exactamente porque é preciso agir e resistir para combater a tirania ou para proteger outro cidadão injustamente preso ou torturado
é certo que fica muito bem rodear as questões com respostas politicamente correctas, respeitando os ditames do marketing político, a ditadura de hoje
mas como jametinhadito o poema do vento que passa, mesmo em tempos de servidão, há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não
cada um que escolha
observacoes sao bem vindas
na verdade, mais do que os conhecimentos especializados de cada um, aspecto que poderá relevar para outro tipo de cargo e função, importa sobremaneira apurar o carácter, a hombridade, as escolhas pessoais dos candidatos à magistratura presidencial
também ontem à noite num debate televisivo jametinhamdito que as questões essenciais a resolver para formar uma decisão deveriam ser quanto ao tipo de pessoa que queremos ver na Presidência da República: alguém a quem confiaríamos a gestão da nossa fortuna ? ou alguém a quem confiaríamos a educação de um filho ?
das perguntas da Visão retive a da cor preferida dos candidatos: é pura questão de gosto, estado de alma e forma de expressão, todas as respostas são legítimas, aceitávis e correctas, gostemos ou não!!!
mas da forma de responder de cada um podemos retirar qualidades e graus de frontalidade ou manobras de diversão, espontaneidade ou deliberação, genuinidade ou preparação, sinceridade ou representação, simplicidade, complexidade ou sofisticação, enfim, muito do que precisamos saber para identificarmos ou não um candidadto com as nossas convicções - e, talvez, tomar uma decisão confortados ou contrafeitos, o que faz toda a diefrença e nos pode confirmar, infirmar ou quem sabe mudar de opinião
vejamos as respostas à Visão
- Cavaco Silva não responde - a recusa de mostrar o que sente ou pensa é extremamente esclarecedora da disponibilidade de um candidadto em dar-se a conhecer e este esconde-se; também não responde a mais nenhuma das perguntas tal como durante a campanha evitou o debate e o esclarecimento, sabe-se bem porquê
- Mário Soares - "Não uma, mas duas: o vermelho e o verde da bandeira portuguesa." - trata-se obviamente de uma resposta politicamente correcta, à procura de identifcação com um símbolo nacional mais do que exprimir sinceramente a cor da preferencia, afinal até são duas e logo quais; a resposta é a mais complicada de todas, de entre os candidatos que respondem e afinal a pergunta é bem simples; nas demais respostas Mário Soares tem invariavelmente o mesmo tipo de resposta, longa, politicamente correcta para tudo abranger e representar, com opões múltiplas e explicações várias; muitas respostas são exactamente a de que as respostas são várias, tornando-se de difícil definição a verdadeira escolha do candidato
Manuel Alegre - "O azul do mar." - há uma cor preferida, o azul, tão legítima e ideal como qualquer outra, mas relacionada com a realidade do mar, uma ligação à natureza e à poesia - dizia Fernando Pessoa que apesar dos perigos do mar, afinal foi nele que Deus espelhou o céu
Jerónimo de Sousa - "Vermelho." - franco ou interesseiro na cor partidária, certo é que é uma resposta directa de um comunista no seu reduto e está tudo dito
Francisco Louçã - "Como o testamento de Vieira da Silva: um azul de cera para voar alto, um azul cobalto para a felicidade." - também escolhe a cor azul e a poesia mas é sem dúvida uma resposta idealista, recorrendo a conceitos subjectivos, abstractos e irrealizáveis para justificar a sua preferência; é de facto assim que se podem ler muitas das respostas e propostas de Francisco Louça: palavrosa, sonhadora mas utópica
Garcia Pereira - "Azul-marinho." - ainda azul, mas correspondendo a um conceito pre-definido de uma tonalidade de cor; de facto, à sua centésima candidatura, Garcia Pereira apresentou-se desta vez com uma linguagem simples e eficaz, à beira da sensatez, o que até pode parecer bizarro para o líder do MRPP; e já não nos lembramos do significado da sigla nem sabemos o primeiro nome do candidato, o que é pena e revela o carácter residual e pessoalíssimo da iniciativa da sua candidatura, a única com a honestidade de reconhecer que não pode vencer e com o mérito de exprimir quem apoiará numa segunda volta: Manuel Alegre
apenas mais um apontamento destas respostas: perguntados se há circunstância em que um político possa licitamente mentir, além da contumaz omissão de Cavaco Silva, os demais dizem que não, com a excepção de Manuel Alegre, que responde com uma condição, a do preso político que luta contra a ditadura
Mário Soares tem novamente a resposta mais complicad e ilegível, Jerónimo de Sousa afirma defender o princípio da verdade e não vê excepções, Francisco Louça na sua certeza positivista apressa-se a dizer peremptoriamente que não, Garcia Pereira disserta sobre o conceito técnico-político-jurídico e conclui (próximo de Mário Soares) que pode haver circunstâncias que justifiquem não falar sobre certo assunto - ora, a pergunta era precisamente para cada qual dizer qual ou quais as circunstâncias pelo que são tolas ou falaciosas as respostas que dizem que há ou pode haver circunstâncias...
e o único que responde com uma concreta ligação à realidade é Manuel Alegre, identificando claramente uma circunstância determinada: um político sob a prisão de um ditador ou sob tortura pode licitamente mentir, exactamente porque é preciso agir e resistir para combater a tirania ou para proteger outro cidadão injustamente preso ou torturado
é certo que fica muito bem rodear as questões com respostas politicamente correctas, respeitando os ditames do marketing político, a ditadura de hoje
mas como jametinhadito o poema do vento que passa, mesmo em tempos de servidão, há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não
cada um que escolha
observacoes sao bem vindas
2006-01-16
Clara, volta que estás perdoada

sobre o artigo inaugural da colaboração de Clara Pinto Correia com um jornal tablóide, alguém a quem muito prezo jametinhadito que é um grande descaramento!
e tem muita razão mas há vida para além da razão!!
é que a vida continua, causa perplexidade as voltas que dá mas a vida continua!!!
comecei por admirar muito a Clara Pinto Correia, aproveitava a vida e o esplendor das potencialidades de uma jovem inteligente como era, abraçava causas de que já altura muitos jovens desdenhavam, realizava projectos, tinha ideias e concretizava-as, escreveu, escreveu, escreveu, muitas vezes escolhendo temas difíceis, sensíveis, longe de pacíficos, não cedeu ao marketing nem ao espírito comercial que muitos jovens (e não só...) de sucesso são tentados a seguir
entrentanto, prosseguiu os seus estudos e depois a sua profissão, especializou-se em embriologia, a biologia da reprodução, aprendeu e ensinou muito sobre genética, fecundação, os mecanismos da vida - e tinha duas vidas, investigava e publicava na área científica que a apaixonou, além de manter uma torrente impressionante de colaborações em televisões, revistas e jornais, intervenções cívicas e políticas, casou, divorciou-se, emigrou, continuou a escrever romances, a divulgar ciência, tudo, muito, muito, muito, obsessivo mesmo
às tantas, detectei-lhe algum egocentrismo, crescente, depois ostensivo, perto de narcisismo (?)
e veio a lume a adopção das suas crianças, o excessivo desvelo, as tremendistas preocupações, a ânsia de fazer tudo bem, bem demais, estranhamente bem demais
finalmente a chave: seguiu os estudos e a profissão em direcção a uma fragildade intrínseca, uma grande infelicidade, porventura mal resolvida - Clara, a força da natureza, a fortaleza em pessoa, a perseguidora da perfeição, não pode ter filhos
é em alturas destas que precisamos mesmo de apoio, compreensão e companhia à altura, para se conseguir superar aquilo que parece uma grande fatalidade mas afinal, se soubermos lidar com o assunto, pode ser encarado como apenas uma circunstância, daquelas perante a qual só nos resta reconhecer que ... a vida continua
agora está (parece) mais forte, mais humana, falível, engordou um pouco, apessoou-se, é uma mulher de plenos projectos e realizações, plena de cidadania, de activa voz cívica, tentando merecidamente estar de bem com a vida, como tantos de nós
o facto de aceitar escrever para um pasquim sem abdicar de na primeira oportunidade o caracterizar com todas as letras como tal revela bem a lucidez de que é portadora, a capacidade de intervir sem concessões, o legítimo e genuino interesse em participar e em partilhar
da colaboração com o Tal e Qual, 24 horas ou lá o que é, haverá certamente benefícios consideráveis para os respectivos leitores
e, porque não, oxalá que também para Clara Pinto Correia, para que encontre o seu lugar no mundo, no seu mundo, no nosso mundo !!!
observacoes sao bem vindas
Primavera em Santiago
o Chile escolheu Michele Bachelet para Presidente
filha de um resistente à ditadura sanguinária que choveu em Santiago, sofreu e denunciou a humilhação da tortura
agora, apresenta-se de cara erguida com a legitimidade do voto popular
oxalá faça florir o seu país e ajude a consolidar as democracias sul americanas
observacoes sao bem vindas
filha de um resistente à ditadura sanguinária que choveu em Santiago, sofreu e denunciou a humilhação da tortura
agora, apresenta-se de cara erguida com a legitimidade do voto popular
oxalá faça florir o seu país e ajude a consolidar as democracias sul americanas
observacoes sao bem vindas
2006-01-09
Notícias em mudança
à jornal, seria: DN aumenta
ou então: DN encolhe
mas efim, a ética rebloguicana exige outro comportamento: o DN mudou
aumentou de preço, encolheu o tamanho, alterou o grafismo, a aparência, a estética, a organização e o aprofundamento da informação, adoptou um subtítulo (eh lecas, o Diário de Portugal, nada menos) e renovou o contrato com os leitores
digamos que fica água na boca para a nova revista de sexta-feira, bem como para a NS e a NM (sábado e domingo) e para o site (www.dn.pt)
as mudanças vêm muito bem explicadas num encarte específico do jornal de hoje, 9 de Janeiro de 2006, bem elaborado com as setas indicativas do sentido e objectivos das mudanças, centrado em duas ideias chave – o leitor e a utilidade – adequadamente desenvolvidas e complementadas por conceitos típicos da comunicação social (credibilidade, distanciamento crítico dos poderes) e da gestão empresarial – rigor, fidelidade, exigência
o dito caderninho desenvolve mesmo o editorial do próprio jornal e acrescenta valor com sintéticos mas suculentos apontamentos de currículum vitae dos profissionais do DN e com depoimentos de personalidades da política, da cultura, da sociedade, da ciência, da economia, do empresariado, os mais deles encomiásticos mas alguns menos ou nada - v.g., curiosamente, o de Paulo Azevedo, dono do concorrente Público, que declara simplesmente que não tem hábito de ler o DN
mais uma prova de isenção de António José Teixeira, preconizando-se que continue profissionalmente em Altitude e a fazer jus aos pergaminhos do saudoso Diário de Lisboa
este post já vai longo mas ainda a tempo de comparar com a mudança anunciada na revista do Expresso, com um prévio editorial a desancar nas rubricas a eliminar na edição seguinte – lamentável, mas eficaz para quem preza a vindicta e esquece o leitor, entendido como massa abstracta, pagante e adquirida
o Ditos ainda não pode comprovar o alcance real das mudanças do Expresso, pelo que continua de quarentena como desde o ínvio afastamento de João Carreira Bom – e qual foi o crime ? porque jametinhadito umas verdades sobre a SIC que custaram a ouvir ao proprietário do ... Expresso!
agora mudou o Director que fez o frete, oxalá a nova equipa tenha a hombridade de homenagear ou ao menos fazer justiça a João Carreira Bom
e por falar em justiça, em hombridade e em jornalista, fica também aqui a devida vénia a Cáceres Monteiro, repórter inteiro que nos deixou e que deixa saudade, vai para treze anos depois de lhe ter visto o entusiasmo e a temperança no lançamento da hoje consagrada Visão
observacoes sao bem vindas
ou então: DN encolhe
mas efim, a ética rebloguicana exige outro comportamento: o DN mudou
aumentou de preço, encolheu o tamanho, alterou o grafismo, a aparência, a estética, a organização e o aprofundamento da informação, adoptou um subtítulo (eh lecas, o Diário de Portugal, nada menos) e renovou o contrato com os leitores
digamos que fica água na boca para a nova revista de sexta-feira, bem como para a NS e a NM (sábado e domingo) e para o site (www.dn.pt)
as mudanças vêm muito bem explicadas num encarte específico do jornal de hoje, 9 de Janeiro de 2006, bem elaborado com as setas indicativas do sentido e objectivos das mudanças, centrado em duas ideias chave – o leitor e a utilidade – adequadamente desenvolvidas e complementadas por conceitos típicos da comunicação social (credibilidade, distanciamento crítico dos poderes) e da gestão empresarial – rigor, fidelidade, exigência
o dito caderninho desenvolve mesmo o editorial do próprio jornal e acrescenta valor com sintéticos mas suculentos apontamentos de currículum vitae dos profissionais do DN e com depoimentos de personalidades da política, da cultura, da sociedade, da ciência, da economia, do empresariado, os mais deles encomiásticos mas alguns menos ou nada - v.g., curiosamente, o de Paulo Azevedo, dono do concorrente Público, que declara simplesmente que não tem hábito de ler o DN
mais uma prova de isenção de António José Teixeira, preconizando-se que continue profissionalmente em Altitude e a fazer jus aos pergaminhos do saudoso Diário de Lisboa
este post já vai longo mas ainda a tempo de comparar com a mudança anunciada na revista do Expresso, com um prévio editorial a desancar nas rubricas a eliminar na edição seguinte – lamentável, mas eficaz para quem preza a vindicta e esquece o leitor, entendido como massa abstracta, pagante e adquirida
o Ditos ainda não pode comprovar o alcance real das mudanças do Expresso, pelo que continua de quarentena como desde o ínvio afastamento de João Carreira Bom – e qual foi o crime ? porque jametinhadito umas verdades sobre a SIC que custaram a ouvir ao proprietário do ... Expresso!
agora mudou o Director que fez o frete, oxalá a nova equipa tenha a hombridade de homenagear ou ao menos fazer justiça a João Carreira Bom
e por falar em justiça, em hombridade e em jornalista, fica também aqui a devida vénia a Cáceres Monteiro, repórter inteiro que nos deixou e que deixa saudade, vai para treze anos depois de lhe ter visto o entusiasmo e a temperança no lançamento da hoje consagrada Visão
observacoes sao bem vindas
2006-01-03
condutas baixas
os finais de ano, talvez os finais de ciclo, são propícios a algumas atribulações, já o sabemos, esperamos sempre que não sejam convulsões e que o novo ano ou o princípio do novo ciclo tragam de volta a serenidade necessária
como jametinhadito quem sabe, é preciso calma, calma e calma !!!
de entre os habituais pedidos arrevezados de finais de ano - por assuntos que calham mesmo nestas alturas, parece que amadurecem e não podem passar para o ano seguinte, é sempre assim - um houve que me levou às catacumbas dos arquivos, zona só raramente frequentada, tem que se pedir as chaves, rever os trajectos até aos compartimentos, armários e pastas, descer várias caves, recuperar velhos planos de arquivo, antigas classificações documentais, quase o mapa do tesouro, percorrer corredores esconsos, descobrir outra vez os caminhos, reler velharias, distinguir entre cópias, originais,
e cópias de cópias ou outras mais, microfilmes de sais, eteceteras e tais
damos com papéis de que não nos lembrávamos já, dantes é que se arquivava bem, era a boa arrumação, um papel era um papel, sim senhor, tudo bem tratado, anotações relevantes, marcadores nas cláusulas mais importantes ou mais procuradas de determinados contratos ou documentos, um prazer de ver escritos nossos ou de alguém conhecido, já no mundo selecto das antiguidades de arquivo, das velharias documentais
eureka se encontramos o desejado documento, contrato, normativo, despacho, memorando, informação, nota, ordem, resolução, comunicação, guia (hi, quem se lembra das guias de remessa???), registo, aviso, protocolo, dossier, arquivador, bobine, tableau de bord (ena, tableau de bord...), instrução, manual, ofício, acta, declaração, pública forma, requerimento, enfim...
antigamente era assim!
não havia e-mail, nem search, nem find, nem blitz, era mesmo indispensável saber classificar, arquivar, anotar, marcar, copiar, guardar, indexar, saber do que se estava a tratar
depois voltar a fechar tudo, olhar para aqueles recantos e desejar ter mais umas horas para dar uma vista de olhos em certas coisas, quem sabe um dia, com mais tempo, por instantes esquecendo que quando houver que lá voltar será novamente em altura inconveniente, véspera de férias, dia feriado, último dia do prazo, emergência, inquérito, mudança de pelouro, nova administração, inspecção, auditoria, pedido de segunda via, pagamento urgente, acção judicial...
nos caminhos de regresso, com o dia perdido na poeira dos papéis e ganho no precioso documento finalmente achado, dei subitamente com os olhos num aviso implacável, a vermelho: atenção, condutas baixas
cuidados redobrados, pois, nos arquivos das caves os tectos são mais baixos que o habitual e as canalizações estão à vista, angulosas, esquinadas e perigosas, ameaçando a integridade de incautos pesquisadores, circundantes ocasionais, absortos, perdidos ou distraídos
na verdade, pode ser fatal uma cabeçada naqueles ferros, tubos e redes
daí o alerta decisivo: condutas baixas
nem sempre disso somos prevenidos!
ou não damos por isso...
observacoes sao bem vindas
como jametinhadito quem sabe, é preciso calma, calma e calma !!!
de entre os habituais pedidos arrevezados de finais de ano - por assuntos que calham mesmo nestas alturas, parece que amadurecem e não podem passar para o ano seguinte, é sempre assim - um houve que me levou às catacumbas dos arquivos, zona só raramente frequentada, tem que se pedir as chaves, rever os trajectos até aos compartimentos, armários e pastas, descer várias caves, recuperar velhos planos de arquivo, antigas classificações documentais, quase o mapa do tesouro, percorrer corredores esconsos, descobrir outra vez os caminhos, reler velharias, distinguir entre cópias, originais,
e cópias de cópias ou outras mais, microfilmes de sais, eteceteras e tais
damos com papéis de que não nos lembrávamos já, dantes é que se arquivava bem, era a boa arrumação, um papel era um papel, sim senhor, tudo bem tratado, anotações relevantes, marcadores nas cláusulas mais importantes ou mais procuradas de determinados contratos ou documentos, um prazer de ver escritos nossos ou de alguém conhecido, já no mundo selecto das antiguidades de arquivo, das velharias documentais
eureka se encontramos o desejado documento, contrato, normativo, despacho, memorando, informação, nota, ordem, resolução, comunicação, guia (hi, quem se lembra das guias de remessa???), registo, aviso, protocolo, dossier, arquivador, bobine, tableau de bord (ena, tableau de bord...), instrução, manual, ofício, acta, declaração, pública forma, requerimento, enfim...
antigamente era assim!
não havia e-mail, nem search, nem find, nem blitz, era mesmo indispensável saber classificar, arquivar, anotar, marcar, copiar, guardar, indexar, saber do que se estava a tratar
depois voltar a fechar tudo, olhar para aqueles recantos e desejar ter mais umas horas para dar uma vista de olhos em certas coisas, quem sabe um dia, com mais tempo, por instantes esquecendo que quando houver que lá voltar será novamente em altura inconveniente, véspera de férias, dia feriado, último dia do prazo, emergência, inquérito, mudança de pelouro, nova administração, inspecção, auditoria, pedido de segunda via, pagamento urgente, acção judicial...
nos caminhos de regresso, com o dia perdido na poeira dos papéis e ganho no precioso documento finalmente achado, dei subitamente com os olhos num aviso implacável, a vermelho: atenção, condutas baixas
cuidados redobrados, pois, nos arquivos das caves os tectos são mais baixos que o habitual e as canalizações estão à vista, angulosas, esquinadas e perigosas, ameaçando a integridade de incautos pesquisadores, circundantes ocasionais, absortos, perdidos ou distraídos
na verdade, pode ser fatal uma cabeçada naqueles ferros, tubos e redes
daí o alerta decisivo: condutas baixas
nem sempre disso somos prevenidos!
ou não damos por isso...
observacoes sao bem vindas
2005-12-28
Galileu ao cubo
Aos céus subiu hoje um cubo recheado de sensores e equipamentos para experiências científicas no âmbito o projecto Galileu, um sistema europeu de localização, mais rigoroso que o GPS e que terá finalidades comerciais mas também de busca e salvamento e sinal aberto.
Será talvez o mais exacto referencial de localização terrestre, com base num sistema de 30 satélites artificiais em órbita e no mais exacto relógio atómico construído pelo homem.
É também um projecto de desenvolvimento da indústria espacial europeia, agregando universidades e empresas, governos e cientistas de vários países, num gigantesco esforço financeiro, tecnológico e de cooperação internacional.
Boa sorte então para este Galileu, já que o físico, matemático e filósofo que o inspira teve que negar a realidade em que acreditava para poder sobreviver à tirania da ignorância.
Para além dos avanços científicos que realizou a partir da utilização da luneta, Galileu instituiu um novo sistema de pensar o mundo, criando novos conceitos para o explicar, como o “sistema de inércia” que permite compreender o movimento relativo de objectos na superfície de um corpo maior, admitindo a hipótese já defendida por Nicolau Copérnico e Giordano Bruno, mas também por Aristarco, trezentos anos antes de Cristo.
E à luz do que sabemos hoje, talvez os construtores das pirâmides e mesmo povos mais antigos conhecessem já o movimento da Terra em volta do Sol, facto apreensível pela experiência (um momento segundo, para Galileu) mas, sobretudo, pela racionalidade humana.
Glória ainda a Galileu, que jametinhadito: "A filosofia está escrita nesse vasto livro permanentemente aberto aos nossos olhos (quer dizer, o Universo), livro que não poderemos compreender senão começarmos por aprender a conhecer a língua e os caracteres em que está escrito. Ora, ele está escrito em linguagem matemática e os seus caracteres são o triângulo e o círculo, e outras figuras geométricas, sem as quais é humanamente imposível compreender-lhe uma só palavra.
Oxalá o primeiro cubo hoje lançado ao espaço semeie a decifração das linguagens de que é feito o universo... !!!
observacoes sao bem vindas
Será talvez o mais exacto referencial de localização terrestre, com base num sistema de 30 satélites artificiais em órbita e no mais exacto relógio atómico construído pelo homem.
É também um projecto de desenvolvimento da indústria espacial europeia, agregando universidades e empresas, governos e cientistas de vários países, num gigantesco esforço financeiro, tecnológico e de cooperação internacional.
Boa sorte então para este Galileu, já que o físico, matemático e filósofo que o inspira teve que negar a realidade em que acreditava para poder sobreviver à tirania da ignorância.
Para além dos avanços científicos que realizou a partir da utilização da luneta, Galileu instituiu um novo sistema de pensar o mundo, criando novos conceitos para o explicar, como o “sistema de inércia” que permite compreender o movimento relativo de objectos na superfície de um corpo maior, admitindo a hipótese já defendida por Nicolau Copérnico e Giordano Bruno, mas também por Aristarco, trezentos anos antes de Cristo.
E à luz do que sabemos hoje, talvez os construtores das pirâmides e mesmo povos mais antigos conhecessem já o movimento da Terra em volta do Sol, facto apreensível pela experiência (um momento segundo, para Galileu) mas, sobretudo, pela racionalidade humana.
Glória ainda a Galileu, que jametinhadito: "A filosofia está escrita nesse vasto livro permanentemente aberto aos nossos olhos (quer dizer, o Universo), livro que não poderemos compreender senão começarmos por aprender a conhecer a língua e os caracteres em que está escrito. Ora, ele está escrito em linguagem matemática e os seus caracteres são o triângulo e o círculo, e outras figuras geométricas, sem as quais é humanamente imposível compreender-lhe uma só palavra.
Oxalá o primeiro cubo hoje lançado ao espaço semeie a decifração das linguagens de que é feito o universo... !!!
observacoes sao bem vindas
2005-12-24
anjos
O Público, os Bombeiros e a Emergência Médica dão-nos hoje, véspera de Natal, a terrível notícia do falecimento de duas meninas, de três anos e seis anos, devido a inalação de fumo durante o incêndio do seu quarto.
Segundo a terrível notícia, estariam sozinhas em casa, que não dispõe de água nem electrricidade.
A terrível notícia jametinhadito que causas ainda estão por apurar...
Mas apurar o quê ?
A solidão, o desamparo, a falta de condições condignas ?
É muito triste e a dor cola-se à pele e ao coração, de nada podermos, de nada fazermos, de nada sabermos, nem os nomes das crianças...
Resta-nos a prece, para que Deus as receba em paz e as reconforte como merecem.
Mas tem havido uma sucessão de casos de carência, indiferença ou mesmo deliberada maldade sobre crianças, que inquieta e cala fundo a interrogação de quantas crianças correm perigo...
Ao menos no Natal, tempo de memória, entreajuda e concórdia, lembremo-nos de que a celebração é precisamente para lembrar e agir pelos mais carecidos, pelas crianças, pelo próximo !
E, como em boa hora diz mensagem amiga, façamos do resto do ano e do ano 2006, uma extensão daquilo que só lembramos nesta quadra: os outros...
observacoes sao bem vindas
Segundo a terrível notícia, estariam sozinhas em casa, que não dispõe de água nem electrricidade.
A terrível notícia jametinhadito que causas ainda estão por apurar...
Mas apurar o quê ?
A solidão, o desamparo, a falta de condições condignas ?
É muito triste e a dor cola-se à pele e ao coração, de nada podermos, de nada fazermos, de nada sabermos, nem os nomes das crianças...
Resta-nos a prece, para que Deus as receba em paz e as reconforte como merecem.
Mas tem havido uma sucessão de casos de carência, indiferença ou mesmo deliberada maldade sobre crianças, que inquieta e cala fundo a interrogação de quantas crianças correm perigo...
Ao menos no Natal, tempo de memória, entreajuda e concórdia, lembremo-nos de que a celebração é precisamente para lembrar e agir pelos mais carecidos, pelas crianças, pelo próximo !
E, como em boa hora diz mensagem amiga, façamos do resto do ano e do ano 2006, uma extensão daquilo que só lembramos nesta quadra: os outros...
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2005-12-19
pre-censura
Luís Botelho Ribeiro, cidadão português, professor, conhecido na aula de electrónica da faculdade de engenharia da Universidade do Minho, em Guimarães, jametinhadito:
a) vai pre-candidatar-se a Presidente da República, de Portugal!
b) vai entregar as assinaturas para a semana, com adiantamento de um terço a título de sinal!!
c) vai fazer greve de fome a seguir ao almoço, vitimizado de censura, por via de omissão televisiva, à sua pre-candidatura!!!
a censura, hoje censurada, esconde-se e actua na clandestinidade, mascarada em várias modalidades como a pre-censura, a censura disfarçada ou a censura antecipada
mas a censura vai mais adiante e tenta mesmo eliminar candidatos: é o caso da lamentável atitude do PS, interpostamente pela voz dos autorizados dirigentes Jorge Coelho, António Costa e António Vitorino, apelando à desistência dos “outros” (???) candidatos de esquerda; aqui pode haver uma estratégia, coerente com a escolha de Mário Soares para candidato oficial – o objectivo pode ser garantir a eleição de Cavaco Silva, eventualmente por compromissos não explicitados mas hoje na vox populi
é assim que entendem defender, exemplificar e promover a democracia ? consideram que a democracia se reforça pela desistência dos titulares de ideias diferentes ? então e tudo quanto estipula a Constituição da República sobre os direitos fundamentais, os direitos políticos e de cidadania, a liberdade de expressão e opinião ?
a mesma censura age ainda por modo mais subtil, tentando fazer crer já eleito certo candidato, em pose de facto consumado e arreliado por ter que ir a votos, ao ponto de se incomodar com debates, interpelações e perguntas e de se mostrar aborrecido de morte com a hipótese – porém cada vez mais provável – de haver segunda volta eleitoral
tanto chegaria para demonstrar que é redutora e mesmo insuficiente a análise esquerda/direita quanto às próximas eleições presidenciais, pese embora a valia das respectivas diferenças
a verdade é que há muito mais, estão mais dicotomias em jogo: por exemplo, candidatos partidários/não partidários; candidatos com/sem apoio partidário, incluindo um com o próprio partido contra
a partir daqui, com o devido registo de interesses: o Ditos apoia a candidatura de Manuel Alegre!
por razões simples:
- é um político no activo e não um ex-político ambicioso ou calculista;
- é o que fala de temas que podem gerar entusiasmo pelo exercício da função presidencial
. igualdade de oportunidades, incluindo entre mulheres e homens;
. aposta na educação, formação e qualificação das pessoas como via de assegurar a realização das mudanças de que o país precisa;
. ética e valores da cidadania, do seu livre exercício e dignificação;
. afirmação da identidade nacional e da lusofonia;
. afirmou concorrer pelo país e contra a crise, não contra outros candidatos;
. é o único que fala do 25 de Abril;
. é o único que recorre a uma linguagem cultural para exprimir os seus conceitos e entusiasmar os seus apoiantes ou para tentar cativar hesitantes - para a competitividade, a economia e a tecnocracia está lá o governo...;
. é corajoso, vem da resistência e luta pelos seus ideais
- tem o dom da palavra - e a palavra é fundamental na magistratura presidencial: é fundamental que o Presidente fale e conquiste o coração dos portugueses e como tal é fundamental que os candidatos falem do que pensam, debatam com todos abertamente e exprimam fundamentadamente o que pensam, não chega a pretensa obra feita no passado nem chega pedir carta branca e cega confiança
- tem mensagens inteligíveis e interessantes, dirigida aos cidadãos e não apenas aos opinion makers
- tem uma divisa admirável: liberdade, justiça, fraternidade
são razões, umas valerão mais outras menos, mas são razões que impressionam positivamente
e também por um sentimento: Manuel Alegre surge nesta eleição como um D. Quixote, vogando em ventos alterosos, radicalizados, enfrentando poderosos (disfarçados de) moinhos de vento a que ética e elegantemente atribuiu o estatuto de adversários políticos, mesmo quando alguns se comportam como inimigos, ainda que estejam precisamente no lado do campo onde se esperava encontrar amigos; apresta-se a bater-se contra máquinas partidárias, preconceitos vários, sondagens perniciosas, desconsiderações diversas, muita batota, cinismo, interesses que tentam ocultar-se...
mas prossegue o seu caminho, tem gerado muitas simpatias, até as sondagens têm melhorado, sobretudo as que davam grande folga a Cavaco Silva para uma vitória à primeira volta e que sondagem após sondagem têm vindo a perder folga, havendo já uma ou outra que admitem a hipótese de segunda volta
a ver vamos e o facto de se não atemorizar perante os cenários iniciais tão deliberadamente enegrecidos por muita esquerda e por toda a direita - hoje já menos tenebrosos, começando a dúvida a insinuar-se junto dos que anunciavam votar Cavaco apenas pela convicção generalizada de que ganharia de certeza... e não havendo certeza, cai uma forte afinidade para os se limitam a tentar acertar no vencedor, providencial
e a dúvida já se instalou, pelo menos quanto à suficiência da primeira volta
mas o Ditos não é político nem fará campanha nem argumentará que um candidato é melhor que os outros nem recorrerá a cartilhas, para o que de todo em todo seria inábil
mas não deixará de tentar refutar-se demagogias, sapos, desistências trambolhistas, dirigentes partidários palavrosos e afoitos em busca de tempo de antena gratuito e subsídios do Estado e dos contribuintes para eternos participantes profissionais em todos os escrutínios, comentadores sectários, políticos interpostos, jornalistas demasiado próximos de facções e o que mais se espera de tão costumeiro e vezeiro
e, se se proporcionar, o Ditos procurará contribuir para esclarecimento de temas relacionados com a campanha
sem censuras nem vencedores antecipados !
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a) vai pre-candidatar-se a Presidente da República, de Portugal!
b) vai entregar as assinaturas para a semana, com adiantamento de um terço a título de sinal!!
c) vai fazer greve de fome a seguir ao almoço, vitimizado de censura, por via de omissão televisiva, à sua pre-candidatura!!!
a censura, hoje censurada, esconde-se e actua na clandestinidade, mascarada em várias modalidades como a pre-censura, a censura disfarçada ou a censura antecipada
mas a censura vai mais adiante e tenta mesmo eliminar candidatos: é o caso da lamentável atitude do PS, interpostamente pela voz dos autorizados dirigentes Jorge Coelho, António Costa e António Vitorino, apelando à desistência dos “outros” (???) candidatos de esquerda; aqui pode haver uma estratégia, coerente com a escolha de Mário Soares para candidato oficial – o objectivo pode ser garantir a eleição de Cavaco Silva, eventualmente por compromissos não explicitados mas hoje na vox populi
é assim que entendem defender, exemplificar e promover a democracia ? consideram que a democracia se reforça pela desistência dos titulares de ideias diferentes ? então e tudo quanto estipula a Constituição da República sobre os direitos fundamentais, os direitos políticos e de cidadania, a liberdade de expressão e opinião ?
a mesma censura age ainda por modo mais subtil, tentando fazer crer já eleito certo candidato, em pose de facto consumado e arreliado por ter que ir a votos, ao ponto de se incomodar com debates, interpelações e perguntas e de se mostrar aborrecido de morte com a hipótese – porém cada vez mais provável – de haver segunda volta eleitoral
tanto chegaria para demonstrar que é redutora e mesmo insuficiente a análise esquerda/direita quanto às próximas eleições presidenciais, pese embora a valia das respectivas diferenças
a verdade é que há muito mais, estão mais dicotomias em jogo: por exemplo, candidatos partidários/não partidários; candidatos com/sem apoio partidário, incluindo um com o próprio partido contra
a partir daqui, com o devido registo de interesses: o Ditos apoia a candidatura de Manuel Alegre!
por razões simples:
- é um político no activo e não um ex-político ambicioso ou calculista;
- é o que fala de temas que podem gerar entusiasmo pelo exercício da função presidencial
. igualdade de oportunidades, incluindo entre mulheres e homens;
. aposta na educação, formação e qualificação das pessoas como via de assegurar a realização das mudanças de que o país precisa;
. ética e valores da cidadania, do seu livre exercício e dignificação;
. afirmação da identidade nacional e da lusofonia;
. afirmou concorrer pelo país e contra a crise, não contra outros candidatos;
. é o único que fala do 25 de Abril;
. é o único que recorre a uma linguagem cultural para exprimir os seus conceitos e entusiasmar os seus apoiantes ou para tentar cativar hesitantes - para a competitividade, a economia e a tecnocracia está lá o governo...;
. é corajoso, vem da resistência e luta pelos seus ideais
- tem o dom da palavra - e a palavra é fundamental na magistratura presidencial: é fundamental que o Presidente fale e conquiste o coração dos portugueses e como tal é fundamental que os candidatos falem do que pensam, debatam com todos abertamente e exprimam fundamentadamente o que pensam, não chega a pretensa obra feita no passado nem chega pedir carta branca e cega confiança
- tem mensagens inteligíveis e interessantes, dirigida aos cidadãos e não apenas aos opinion makers
- tem uma divisa admirável: liberdade, justiça, fraternidade
são razões, umas valerão mais outras menos, mas são razões que impressionam positivamente
e também por um sentimento: Manuel Alegre surge nesta eleição como um D. Quixote, vogando em ventos alterosos, radicalizados, enfrentando poderosos (disfarçados de) moinhos de vento a que ética e elegantemente atribuiu o estatuto de adversários políticos, mesmo quando alguns se comportam como inimigos, ainda que estejam precisamente no lado do campo onde se esperava encontrar amigos; apresta-se a bater-se contra máquinas partidárias, preconceitos vários, sondagens perniciosas, desconsiderações diversas, muita batota, cinismo, interesses que tentam ocultar-se...
mas prossegue o seu caminho, tem gerado muitas simpatias, até as sondagens têm melhorado, sobretudo as que davam grande folga a Cavaco Silva para uma vitória à primeira volta e que sondagem após sondagem têm vindo a perder folga, havendo já uma ou outra que admitem a hipótese de segunda volta
a ver vamos e o facto de se não atemorizar perante os cenários iniciais tão deliberadamente enegrecidos por muita esquerda e por toda a direita - hoje já menos tenebrosos, começando a dúvida a insinuar-se junto dos que anunciavam votar Cavaco apenas pela convicção generalizada de que ganharia de certeza... e não havendo certeza, cai uma forte afinidade para os se limitam a tentar acertar no vencedor, providencial
e a dúvida já se instalou, pelo menos quanto à suficiência da primeira volta
mas o Ditos não é político nem fará campanha nem argumentará que um candidato é melhor que os outros nem recorrerá a cartilhas, para o que de todo em todo seria inábil
mas não deixará de tentar refutar-se demagogias, sapos, desistências trambolhistas, dirigentes partidários palavrosos e afoitos em busca de tempo de antena gratuito e subsídios do Estado e dos contribuintes para eternos participantes profissionais em todos os escrutínios, comentadores sectários, políticos interpostos, jornalistas demasiado próximos de facções e o que mais se espera de tão costumeiro e vezeiro
e, se se proporcionar, o Ditos procurará contribuir para esclarecimento de temas relacionados com a campanha
sem censuras nem vencedores antecipados !
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2005-12-16
intelligence
embora sem link, o Financial Times de ontem, 15 de Dezembro de 2005, tem duas das suas enormes páginas (5 e 11) inteiras sobre as eleições no Iraque !
é evidente que se vota a melhor sorte ao povo do Iraque e o melhor sucesso do processo eleitoral, do processo parlamentar e do processo de democratização da nação, das comunidades e do estado iraquianos, o que a confirmar-se - oxalá ! - muito beneficiará as populações do país, da região e do mundo árabe - também para que não tenham sido em vão os milhares de mortos de várias nacionalidades que ensombram o passado recente do Iraque
mas além disso, na 1ª página, ao lado da foto central a 5 colunas do nosso Presidente europeu José Barroso, a 7ª coluna vai à boleia do processo eleitoral para o Parlamento iraquiano para noticiar que Bush admitiu ter decidido a guerra no Iraque com base em informações erradas !!!???
curiosamente, há um estranho emprego das aspas no título que anuncia a confissão de um estranho emprego das armas
de facto, a dita 1ª página do sempre salmático e habitualmente fleumático FT jametinhadito "wrong" intelligence
a difícil leitura não permite descortinar o porquê das aspas, talvez as aspas tenham origem no discurso assim respeitosamente noticiado... talvez lá estejam a conselho dos advogados do FT... ou porque o respectivo director, editor, titulador ou seja quem for, tenha ... digamos, medo, cautela, prudência
ou talvez as aspas estejam mal postas, seriam melhor empregues noutra expressão (intelligence?) ou não devessem de todo lá estar
mas também pode ser que, um dia, a progressividade das coisas e os tempos que virão depois de tempos tudo esclareça
por exemplo, pode ocorrer só a título de exemplo, virá um dia a saber-se (ou mesmo a reconhecer-se) que a dita intelligence foi mandada errar
abram aspas
observacoes sao bem vindas
é evidente que se vota a melhor sorte ao povo do Iraque e o melhor sucesso do processo eleitoral, do processo parlamentar e do processo de democratização da nação, das comunidades e do estado iraquianos, o que a confirmar-se - oxalá ! - muito beneficiará as populações do país, da região e do mundo árabe - também para que não tenham sido em vão os milhares de mortos de várias nacionalidades que ensombram o passado recente do Iraque
mas além disso, na 1ª página, ao lado da foto central a 5 colunas do nosso Presidente europeu José Barroso, a 7ª coluna vai à boleia do processo eleitoral para o Parlamento iraquiano para noticiar que Bush admitiu ter decidido a guerra no Iraque com base em informações erradas !!!???
curiosamente, há um estranho emprego das aspas no título que anuncia a confissão de um estranho emprego das armas
de facto, a dita 1ª página do sempre salmático e habitualmente fleumático FT jametinhadito "wrong" intelligence
a difícil leitura não permite descortinar o porquê das aspas, talvez as aspas tenham origem no discurso assim respeitosamente noticiado... talvez lá estejam a conselho dos advogados do FT... ou porque o respectivo director, editor, titulador ou seja quem for, tenha ... digamos, medo, cautela, prudência
ou talvez as aspas estejam mal postas, seriam melhor empregues noutra expressão (intelligence?) ou não devessem de todo lá estar
mas também pode ser que, um dia, a progressividade das coisas e os tempos que virão depois de tempos tudo esclareça
por exemplo, pode ocorrer só a título de exemplo, virá um dia a saber-se (ou mesmo a reconhecer-se) que a dita intelligence foi mandada errar
abram aspas
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à espreita
vamos!
em redor da Quadra Natalícia, talvez qualquer um se possa deparar com um pequeno volume de Contos, intitulado "Vésperas de Natal", em que a D. Quixote edita diversos textos de vários autores: Helena Marques, Inês Pedrosa, José Eduardo Agualusa, José Riço Direitinho, Lídia Jorge, Luís Cardoso, Manuel Alegre, Mário Cláudio e Rui Zink, inéditos uns, mais ou menos antigos outros
um exemplar da 2ª edição, de 2002, tem na página 74 a conclusão de um conto já publicado, em 2000, que jametinhadito assim:
"...
- E agora, perguntei a Baltazar ?
- Agora, respondeu o africano apontando a estrela, agora vamos para Belém."
vai um doce para quem votar no autor ?
observacoes sao bem vindas
um exemplar da 2ª edição, de 2002, tem na página 74 a conclusão de um conto já publicado, em 2000, que jametinhadito assim:
"...
- E agora, perguntei a Baltazar ?
- Agora, respondeu o africano apontando a estrela, agora vamos para Belém."
vai um doce para quem votar no autor ?
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2005-11-21
GaivoTavira

esta tem crédito: Joana Vasconcelos, a quem peço desculpa pela transfiguração em gaivota de tal bezidróglio aéreo, em exposição no magnífico Palácio da Galeria; mas em Tavira, bem poderia ser mesmo uma gaivota, lá é tudo em grande, as águas multiplicam-se por quatro e as igrejas por trinta
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Santa
no âmbito do Congresso da Nova Evangelização (Cristo Vivo) a igreja católica jametinhadito que pretende valorizar o papel da mulher na Igreja
o tema é auspicioso e prometedor, merecendo algum cuidado e estudo
voltaremos, pois
PS - quanto se viu, andava mais pela exibição e adoração da imagem de Nossa Senhora de Fátima e das relíquias de Santa Teresinha...
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o tema é auspicioso e prometedor, merecendo algum cuidado e estudo
voltaremos, pois
PS - quanto se viu, andava mais pela exibição e adoração da imagem de Nossa Senhora de Fátima e das relíquias de Santa Teresinha...
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2005-11-15
Filhos da República
Pedro Lomba, no DN de 11.11.2005, jametinhadito que “A França é de momento um caso de polícia. Depois, sim, quando a violência acabar, será um caso de política social e de política de integração. Primeiro a ordem, depois o progresso.”
Já (ques) Chirac, o Presidente de França, acha que "Quaisquer que sejam as suas origens, as crianças dos bairros difíceis são todos filhos e filhas da República".
As duas perspectivas são claramente antagónicas: o cronista do Diário de Notícias pretende significar que há desordeiros a por na ordem imediatamente e depois então se verá de eventuais razões que lhes assistam ou se há especiais dificuldades atendíveis de que sejam titulares; mas o estadista francês sublinha que importa repor a prioridade política da igualdade de todos os cidadãos perante o Estado, sem prejuízo da necessidade de actuação contra os actos de violência.
Uma análise um pouco mais consequente permitiria ainda extrair do princípio enunciado por Chirac um outro corolário: o mal estar da sociedade francesa para com a discriminação a que votou os jovens dos subúrbios foi agudizado, na origem dos tumultos e perturbação da ordem pública, por um acto político irresponsável, até agora sem remorsos do “veneno” que espalhou sobre a comunidade, atribuindo descuidada ou deliberadamente o epíteto de “racaille” (escumalha) sobre grupos de jovens incluídos precisamente na injusta discriminação social que o Presidente francês reconhece.
Mas se a França ainda não extraiu o corolário devido, terá que aceitar prolongar o convívio com a consequência necessária, havendo porém o perigo de o consolidar e enraizar, fundando afinal a segregação antagónica e destruidora dos princípios republicanos da igualdade, justiça e fraternidade.
Caberá ao Governo e ao Presidente francês um papel decisivo na pacificação, porém incompatível com a manutenção do Ministro Sarkozy, de cuja actuação a França não se pode orgulhar nem agradecer.
A prevalecer a cegueira do primado da ordem sobre a justiça, nem se acaba com a desordem nem com a injustiça.
observacoes sao bem vindas
Já (ques) Chirac, o Presidente de França, acha que "Quaisquer que sejam as suas origens, as crianças dos bairros difíceis são todos filhos e filhas da República".
As duas perspectivas são claramente antagónicas: o cronista do Diário de Notícias pretende significar que há desordeiros a por na ordem imediatamente e depois então se verá de eventuais razões que lhes assistam ou se há especiais dificuldades atendíveis de que sejam titulares; mas o estadista francês sublinha que importa repor a prioridade política da igualdade de todos os cidadãos perante o Estado, sem prejuízo da necessidade de actuação contra os actos de violência.
Uma análise um pouco mais consequente permitiria ainda extrair do princípio enunciado por Chirac um outro corolário: o mal estar da sociedade francesa para com a discriminação a que votou os jovens dos subúrbios foi agudizado, na origem dos tumultos e perturbação da ordem pública, por um acto político irresponsável, até agora sem remorsos do “veneno” que espalhou sobre a comunidade, atribuindo descuidada ou deliberadamente o epíteto de “racaille” (escumalha) sobre grupos de jovens incluídos precisamente na injusta discriminação social que o Presidente francês reconhece.
Mas se a França ainda não extraiu o corolário devido, terá que aceitar prolongar o convívio com a consequência necessária, havendo porém o perigo de o consolidar e enraizar, fundando afinal a segregação antagónica e destruidora dos princípios republicanos da igualdade, justiça e fraternidade.
Caberá ao Governo e ao Presidente francês um papel decisivo na pacificação, porém incompatível com a manutenção do Ministro Sarkozy, de cuja actuação a França não se pode orgulhar nem agradecer.
A prevalecer a cegueira do primado da ordem sobre a justiça, nem se acaba com a desordem nem com a injustiça.
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2005-11-13
parentes
as conversas em família de Marcelo Rebelo de Sousa coincidem com os momentos mais intensos da angústia da semana que vem, o tempo em que a inevitabilidade da segunda-feira, mais uma, cresce até ao amargo
talvez por isso apetece sobremaneira culpar os serões marcelistas de toda a maléfica associada ao retomar da laboriosa rotina semanal
depois, começa a ser evidente o sectarismo a favor de Cavaco Silva, encontrando sempre o ardil mais rebuscado para propangandear Cavaco à viva força... vai um dos exemplos de hoje: referindo-se à sondagem do Expresso, considerou quanto à posição atribuída a Cavaco que será muito interessante comparar com sondagens ... futuras !?? dá-se o caso de haver uma descida contínua como o facto mais relevante face às folgadas maiorias absolutas com que vinha das sondagens anteriores, agora já no limiar da passagem à segunda volta
e o sectarismo expande-se à crítica ao Governo do Partido Socialista: pretendendo que Primeiro Ministro reconheça suposta violação do programa eleitoral, como se a desconformidade das contas dos Governos de Durão Barroso e de Santana Lopes fosse pressuposto obrigatório para a elaboração de programas eleitorias da então oposição !
mas Marcelo afirma que há um dever de reconhecimento de suposto erro de José Sócrates, por confiar nas contas do Estado apresentadas pelos Governos do PPD/PSD e do CDS/PP - e como tal, insiste que Sócrates deveria confessar e jametinhadito que "não lhe cairiam os parentes na lama"
o mesmo dito para o Ministro Manuel Pinho, que deveria também reconhecer o problema da retoma da Economia e patatipatatá...
e repete a patranha dos parentes na lama para com Marques Mendes, uma vez que os Governos do PSD também deram luz verde às construções do do TGV e do aeroporto na OTA
ora bem, embora tal seja de somenos no verdadeiro atropelo às regras do tempo de antena dado em condições abusivas ao apoiante de um dos candidatos em plena corrida das eleições presidenciais, certo é que já enfastia a deselegância dos "parentes na lama" de Marcelo
observacoes sao bem vindas
talvez por isso apetece sobremaneira culpar os serões marcelistas de toda a maléfica associada ao retomar da laboriosa rotina semanal
depois, começa a ser evidente o sectarismo a favor de Cavaco Silva, encontrando sempre o ardil mais rebuscado para propangandear Cavaco à viva força... vai um dos exemplos de hoje: referindo-se à sondagem do Expresso, considerou quanto à posição atribuída a Cavaco que será muito interessante comparar com sondagens ... futuras !?? dá-se o caso de haver uma descida contínua como o facto mais relevante face às folgadas maiorias absolutas com que vinha das sondagens anteriores, agora já no limiar da passagem à segunda volta
e o sectarismo expande-se à crítica ao Governo do Partido Socialista: pretendendo que Primeiro Ministro reconheça suposta violação do programa eleitoral, como se a desconformidade das contas dos Governos de Durão Barroso e de Santana Lopes fosse pressuposto obrigatório para a elaboração de programas eleitorias da então oposição !
mas Marcelo afirma que há um dever de reconhecimento de suposto erro de José Sócrates, por confiar nas contas do Estado apresentadas pelos Governos do PPD/PSD e do CDS/PP - e como tal, insiste que Sócrates deveria confessar e jametinhadito que "não lhe cairiam os parentes na lama"
o mesmo dito para o Ministro Manuel Pinho, que deveria também reconhecer o problema da retoma da Economia e patatipatatá...
e repete a patranha dos parentes na lama para com Marques Mendes, uma vez que os Governos do PSD também deram luz verde às construções do do TGV e do aeroporto na OTA
ora bem, embora tal seja de somenos no verdadeiro atropelo às regras do tempo de antena dado em condições abusivas ao apoiante de um dos candidatos em plena corrida das eleições presidenciais, certo é que já enfastia a deselegância dos "parentes na lama" de Marcelo
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2005-11-07
no seguro
uma jovem cidadã residente na periferia da capital francesa manifestava ontem o seu acordo aos actos violentos ocorridos nos arredores de Paris (entretanto alastrados a outros pontos de França) asseverando não haver prejuízos porque os carros incendiados estão ... no seguro !!!
a ignorância pode ser o pior dos inimigos e por vezes anda perto da vileza, se é que há de facto inegenuidade na afirmação da jovem residente do subúrbio parisiense
de todo o modo, causa um arrepio lembrar as manifestações de júbilo filmadas em Bagdad e noutros locais a propósito do ataque às Torres Gémeas, em Nova Iorque, ou a a resignada compreensão em tempos dedicada à condenação à morte de um escritor crítico de certas atitudes dos dirigentes de alguns países muçulmanos
vem sempre à memória o aviso lúcido de Bertold Brecht: parece que não é nada comigo e ...
e jametinhamdito que a atitude francesa de proibir os sinais religiosos ostensivos acendeu um rastilho e criou tensões
oxalá a normalidade e o bom senso prevaleçam, de modo a que todas as razões possam fazer-se ouvir de modo pacífico e elevado, evitando a perda de vidas e bens
observacoes sao bem vindas
a ignorância pode ser o pior dos inimigos e por vezes anda perto da vileza, se é que há de facto inegenuidade na afirmação da jovem residente do subúrbio parisiense
de todo o modo, causa um arrepio lembrar as manifestações de júbilo filmadas em Bagdad e noutros locais a propósito do ataque às Torres Gémeas, em Nova Iorque, ou a a resignada compreensão em tempos dedicada à condenação à morte de um escritor crítico de certas atitudes dos dirigentes de alguns países muçulmanos
vem sempre à memória o aviso lúcido de Bertold Brecht: parece que não é nada comigo e ...
e jametinhamdito que a atitude francesa de proibir os sinais religiosos ostensivos acendeu um rastilho e criou tensões
oxalá a normalidade e o bom senso prevaleçam, de modo a que todas as razões possam fazer-se ouvir de modo pacífico e elevado, evitando a perda de vidas e bens
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2005-10-31
Princesa
… e Leonor nasceu !
Bom dia, Leonor !!
Filipe Bourbon de Espanha, Príncipe das Astúrias, o pai babado, jametinhadito que este nascimento materializa a sucessão
com efeito, os socialistas que governam em Espanha dispõem-se a mudar a lei constitucional que rege a sucessão, ainda conferindo em exclusivo aos herdeiros varões o privilégio ao trono
a confirmar-se a superação desta bizarra e anquilosa condição, o nascimento de Leonor poderá simbolizar mais um passo no caminho da igualdade de direitos entre homens e mulheres !!!
fruto da união entre a plebeia Letícia Ortiz e o herdeiro da Coroa Real Espanhola, a novíssima Princesa poderá talvez ajudar a atalhar caminho à queda de outras barreiras infundadas que subsistem nas sociedades de hoje
oxalá
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Bom dia, Leonor !!
Filipe Bourbon de Espanha, Príncipe das Astúrias, o pai babado, jametinhadito que este nascimento materializa a sucessão
com efeito, os socialistas que governam em Espanha dispõem-se a mudar a lei constitucional que rege a sucessão, ainda conferindo em exclusivo aos herdeiros varões o privilégio ao trono
a confirmar-se a superação desta bizarra e anquilosa condição, o nascimento de Leonor poderá simbolizar mais um passo no caminho da igualdade de direitos entre homens e mulheres !!!
fruto da união entre a plebeia Letícia Ortiz e o herdeiro da Coroa Real Espanhola, a novíssima Princesa poderá talvez ajudar a atalhar caminho à queda de outras barreiras infundadas que subsistem nas sociedades de hoje
oxalá
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2005-10-22
ACP 1 - ICEP 0
no rescaldo da apresentação do Orçamento de Estado, o Presidente da Associação Comercial do Porto, Rui Moreira jámetinhadito que o ICEP é um caso de utilidade reduzida para os custos que comporta, razão porque deveria deixar de existir
assim se fala claro em português e em Portugal
o nosso país dispõe de uma rede complexa e de uma tradição de asociativismo empresarial e as estruturas respectivas bem poderiam ser responsabilizadas e enobrecidas com um conjunto de funções relacionadas com a defesa de interesses próprios
do lado das vantagens inscrevem-se, pelo menos, a forte convicção de os interessados cumprirão melhor tais funções que o Estado, têm os conhecimentos, as competências e as vontades - em vez de se gastar dinheiro com serviços públicos, consultores, edifícios sede, despesas de representação, etc, etc, etc
e de uma vez por todas deixar-se-ia a sempiterna lamúria de que o Estado fez mal ou não fez ou não apoia ou não promove ou não defende ou não comparece ou não está onde é preciso ou não tem competência ou não sabe gerir - pois não ! que tratem disso os próprios interesados e que deixem de se queixar e de consumir recursos escassos
o Orçamento de Estado tem mais, muito mais, por onde se lhe diga, digo, por onde se lhe deite o Dito
observacoes sao bem vindas
assim se fala claro em português e em Portugal
o nosso país dispõe de uma rede complexa e de uma tradição de asociativismo empresarial e as estruturas respectivas bem poderiam ser responsabilizadas e enobrecidas com um conjunto de funções relacionadas com a defesa de interesses próprios
do lado das vantagens inscrevem-se, pelo menos, a forte convicção de os interessados cumprirão melhor tais funções que o Estado, têm os conhecimentos, as competências e as vontades - em vez de se gastar dinheiro com serviços públicos, consultores, edifícios sede, despesas de representação, etc, etc, etc
e de uma vez por todas deixar-se-ia a sempiterna lamúria de que o Estado fez mal ou não fez ou não apoia ou não promove ou não defende ou não comparece ou não está onde é preciso ou não tem competência ou não sabe gerir - pois não ! que tratem disso os próprios interesados e que deixem de se queixar e de consumir recursos escassos
o Orçamento de Estado tem mais, muito mais, por onde se lhe diga, digo, por onde se lhe deite o Dito
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2005-10-21
bloqueio da esquerda
curioso o debate presidencial da RTP1, ontem ao serão
quem mais falou não estava lá, resguardou-se propositadamente no telejornal quando o maralhal ainda não está a tratar das crianças, da deita, da novela, da bola, do nimas, da bica e digestivo, da leitura, da abstração, da distração, do treino, do ensaio, da sessão, da arrumação, do almoço p'rámanhã, das horas extraordinárias (ah! Sérgio Godinho) ou diatribes várias que o final do dia reserva cansada ou evasivamente a quantos e tantos labutam pelo pão e pela nação
então parecia uma discussão dos pecanitos; os outros; não interessa quem; não lá estava quem interessa; eram segundos, terceiros, duplos, sósias; representantes; procuradores, uns com procuração e outros nem; de cartilha, uns; de pacotilha, outros; amigos, alguns; empregados, também, uns mal e outros bem; a mando; a pedido; voluntários; do partido; admiradores; ambiciosos; bajuladores; havia de tudo
mas ao que interessa: perguntada se desistia, Ana Drago disse não; e se percebia que com isso dividia; Ana Drago disse não; e se se importava que assim ganhava a direita; Ana Drago disse não
a repetição é mais que ritual, é estratégica
malgrado o nome enganador, o Bloco de Esquerda só existe para aumentar as chances da direita, jametinhadito
observacoes sao bem vindas
quem mais falou não estava lá, resguardou-se propositadamente no telejornal quando o maralhal ainda não está a tratar das crianças, da deita, da novela, da bola, do nimas, da bica e digestivo, da leitura, da abstração, da distração, do treino, do ensaio, da sessão, da arrumação, do almoço p'rámanhã, das horas extraordinárias (ah! Sérgio Godinho) ou diatribes várias que o final do dia reserva cansada ou evasivamente a quantos e tantos labutam pelo pão e pela nação
então parecia uma discussão dos pecanitos; os outros; não interessa quem; não lá estava quem interessa; eram segundos, terceiros, duplos, sósias; representantes; procuradores, uns com procuração e outros nem; de cartilha, uns; de pacotilha, outros; amigos, alguns; empregados, também, uns mal e outros bem; a mando; a pedido; voluntários; do partido; admiradores; ambiciosos; bajuladores; havia de tudo
mas ao que interessa: perguntada se desistia, Ana Drago disse não; e se percebia que com isso dividia; Ana Drago disse não; e se se importava que assim ganhava a direita; Ana Drago disse não
a repetição é mais que ritual, é estratégica
malgrado o nome enganador, o Bloco de Esquerda só existe para aumentar as chances da direita, jametinhadito
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2005-10-20
como na TV
muito depois de referenciado como um dos eleitos do Ditos, Miguel Gaspar foi galardoado pela Casa da Imprensa, vencendo o Prémio de Crónicas, por causa das que publica jornalmente no Diário de Notícias
humilde, na cerimónia de atribuição que decorreu no Casino Estoril, Miguel Gaspar jametinhadito que se trata do reconhecimento da crítica de televisão
de facto, desde Mário Castrim não havia nada assim na imprensa e na comunicação social portuguesa, sobre as diatribes da TV
e dá gosto ler Miguel Gaspar mas não é bem sobre TV que faz as suas crónicas: é mesmo sobre a vida
talvez aqui se aplique também a conclusão a que há dias chegou João Abrantes, Provedor do leitor no Diário de Notícias, perorando sobre os limites estipulados no respectivo estatuto para as suas atribuições: há que escrever sobre quase tudo !!!
sobretudo, muito sobre a sociedade portuguesa, política incluída
mas também sobre o mundo em geral: a vida está globalizada em grande parte justamente por força do fenómeno televisão e de outras tecnologias que oferecem o mundo inteiro a todo o mundo, multiplicando fragmentos e fragmentando instantes em simultâneo
tal sucede directamente e em tempo real mas também por mil formas de mediatização, que reflectem e em que se reflectem as escolhas televisivas, com responsabilidades repartidas pela influência dos políticos, pela omnipresença dos investidores detentores de interesses empresariais, incluindo publicitários e grupos de comunicação, bem como pelo público que faz as audiências, revelando e "vendendo" as suas preferências, não apenas televisivas mas opções de voto e de vida, senão mesmo de alma
como nos jogos de espelhos sobrepostos, vida e TV reflectem-se mutuamente, até ao infinito
tudo isso captam os profissionais do sector, como insiste em mostrar-nos - e interpelar-nos - Miguel Gaspar, em escritas prazenteiras, crónicas acertadas e críticas certeiras !
observacoes sao bem vindas
humilde, na cerimónia de atribuição que decorreu no Casino Estoril, Miguel Gaspar jametinhadito que se trata do reconhecimento da crítica de televisão
de facto, desde Mário Castrim não havia nada assim na imprensa e na comunicação social portuguesa, sobre as diatribes da TV
e dá gosto ler Miguel Gaspar mas não é bem sobre TV que faz as suas crónicas: é mesmo sobre a vida
talvez aqui se aplique também a conclusão a que há dias chegou João Abrantes, Provedor do leitor no Diário de Notícias, perorando sobre os limites estipulados no respectivo estatuto para as suas atribuições: há que escrever sobre quase tudo !!!
sobretudo, muito sobre a sociedade portuguesa, política incluída
mas também sobre o mundo em geral: a vida está globalizada em grande parte justamente por força do fenómeno televisão e de outras tecnologias que oferecem o mundo inteiro a todo o mundo, multiplicando fragmentos e fragmentando instantes em simultâneo
tal sucede directamente e em tempo real mas também por mil formas de mediatização, que reflectem e em que se reflectem as escolhas televisivas, com responsabilidades repartidas pela influência dos políticos, pela omnipresença dos investidores detentores de interesses empresariais, incluindo publicitários e grupos de comunicação, bem como pelo público que faz as audiências, revelando e "vendendo" as suas preferências, não apenas televisivas mas opções de voto e de vida, senão mesmo de alma
como nos jogos de espelhos sobrepostos, vida e TV reflectem-se mutuamente, até ao infinito
tudo isso captam os profissionais do sector, como insiste em mostrar-nos - e interpelar-nos - Miguel Gaspar, em escritas prazenteiras, crónicas acertadas e críticas certeiras !
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2005-10-18
futebolês
as línguas em que nos entendemos são sempre benvindas e o futebol tem esse especial condão
de facto, jametinhamdito que há mais países na FIFA, a organização mundial do pontapé na bola, do que na ONU, uma colectividade de menor aderência de nações com as quotas em dia
há dias Timor Leste foi admitido à cidadania da bola, o 206º país a entrar; a ONU não chega a tanto
entretanto, as competições prosseguem o seu curso, sendo que as selecções nacionais do Brasil, de Portugal e de Angola (é difícil conceber outra ordem...) estão apuradas para o próximo campeonato do mundo, em 2006, na Alemanha
é festa lusa, concerteza, mais rija em Angola, desde logo pela novidade mas também pelo grau de dificuldade e pelo inesperado do feit
Pepetela bem agoirou, certeiro, porque há muito de injusto na esperada repartição desigual dos benefícios da participação de Angola no mundial
mas um povo em festa é sempre melhor que aos tiros, à míngua ou a carpir
em jeito de exemplo, se palestinianos e israelitas praticassem mais a rivalidade futebolística, crê-se, dedicariam menos energia à destilação do ódio, pois no futebol o adversário é a camisola de cor diferente e não o seu atlético portador
na Libéria, o conhecido futebolista George Weah disputa as eleições presidenciais, está mesmo a caminho da segunda volta com a reputada economista Ellen Johnson Sirleaf
Weah é um velho conhecido dos portugueses por via de episódio menos edificante envolvendo agressões recíprocas a um colega de profissão; mas além de destacado praticante do seu ofício, venceu também títulos de fair play
e pode bem ser o alento de concórdia, motivação e aproximação aos padrões internacionais de que tanto precisa o massacrado povo liberiano
observacoes sao bem vindas
de facto, jametinhamdito que há mais países na FIFA, a organização mundial do pontapé na bola, do que na ONU, uma colectividade de menor aderência de nações com as quotas em dia
há dias Timor Leste foi admitido à cidadania da bola, o 206º país a entrar; a ONU não chega a tanto
entretanto, as competições prosseguem o seu curso, sendo que as selecções nacionais do Brasil, de Portugal e de Angola (é difícil conceber outra ordem...) estão apuradas para o próximo campeonato do mundo, em 2006, na Alemanha
é festa lusa, concerteza, mais rija em Angola, desde logo pela novidade mas também pelo grau de dificuldade e pelo inesperado do feit
Pepetela bem agoirou, certeiro, porque há muito de injusto na esperada repartição desigual dos benefícios da participação de Angola no mundial
mas um povo em festa é sempre melhor que aos tiros, à míngua ou a carpir
em jeito de exemplo, se palestinianos e israelitas praticassem mais a rivalidade futebolística, crê-se, dedicariam menos energia à destilação do ódio, pois no futebol o adversário é a camisola de cor diferente e não o seu atlético portador
na Libéria, o conhecido futebolista George Weah disputa as eleições presidenciais, está mesmo a caminho da segunda volta com a reputada economista Ellen Johnson Sirleaf
Weah é um velho conhecido dos portugueses por via de episódio menos edificante envolvendo agressões recíprocas a um colega de profissão; mas além de destacado praticante do seu ofício, venceu também títulos de fair play
e pode bem ser o alento de concórdia, motivação e aproximação aos padrões internacionais de que tanto precisa o massacrado povo liberiano
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2005-10-16
puxa-saco
desde há muito que é impossível ler o Expresso, autêntico saco e muitas vezes mesmo um grande puxa-saco, de tão ostensivamente sectário
perdura a memória da frieza olímpica do despedimento de João Carreira Bom, porque jametinhadito umas verdades sobre o patrão da SIC, Pinto Balsemão, igualmente patrão de José António Saraiva, que levou muitos leitores a deixar de comprar o Expresso
de facto, dá-se uma vista de olhos, em casa de algum familiar ou amigo, quantas vezes intocado dentro do respectivo saco publicitário
novidades também não há, para além do frequente tremendismo de muitas parangonas de primeiras páginas, aliás desmentidas pela generalidade da comunicação social nos dias imediatos e pelo próprio Expresso na edição seguinte, a contragosto e em letras pequeninas no interior
hoje, na última página do Público, Vasco Pulido Valente nada arrisca ao apelar a que apareçam concorrentes à altura
verrinoso como de costume, Vasco Pulido Valente dá nota da mudança do director do Expresso como sintoma de fraqueza ou de fracasso de uma história contada, em poucas linhas, desde o favor pessoal de Marcelo Caetano aos jovens liberais, a símbolo e esperança de uma vida democrática após o 25 de Abril de 1974 e à vacuidade de vender papel durante o longo consulado a cargo de José António Saraiva
mas o que verdadeiramente intriga Vasco Pulido Valente é que a classe média o continue a alimentar - devido à própria iliteracia, diz – reinvindicando ainda que o país precisa de um jornal concorrente
fica por saber como: em Portugal, os que sabem ler são os mesmos, porque haverão de comprar outro jornal ?
parece bem que o melhor é confiar na mudança e isso talvez possa estar nas mãos do novo director, Henrique Monteiro, que tem muito a recuperar de 22 anos de perda de prestígio e credibilidade
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perdura a memória da frieza olímpica do despedimento de João Carreira Bom, porque jametinhadito umas verdades sobre o patrão da SIC, Pinto Balsemão, igualmente patrão de José António Saraiva, que levou muitos leitores a deixar de comprar o Expresso
de facto, dá-se uma vista de olhos, em casa de algum familiar ou amigo, quantas vezes intocado dentro do respectivo saco publicitário
novidades também não há, para além do frequente tremendismo de muitas parangonas de primeiras páginas, aliás desmentidas pela generalidade da comunicação social nos dias imediatos e pelo próprio Expresso na edição seguinte, a contragosto e em letras pequeninas no interior
hoje, na última página do Público, Vasco Pulido Valente nada arrisca ao apelar a que apareçam concorrentes à altura
verrinoso como de costume, Vasco Pulido Valente dá nota da mudança do director do Expresso como sintoma de fraqueza ou de fracasso de uma história contada, em poucas linhas, desde o favor pessoal de Marcelo Caetano aos jovens liberais, a símbolo e esperança de uma vida democrática após o 25 de Abril de 1974 e à vacuidade de vender papel durante o longo consulado a cargo de José António Saraiva
mas o que verdadeiramente intriga Vasco Pulido Valente é que a classe média o continue a alimentar - devido à própria iliteracia, diz – reinvindicando ainda que o país precisa de um jornal concorrente
fica por saber como: em Portugal, os que sabem ler são os mesmos, porque haverão de comprar outro jornal ?
parece bem que o melhor é confiar na mudança e isso talvez possa estar nas mãos do novo director, Henrique Monteiro, que tem muito a recuperar de 22 anos de perda de prestígio e credibilidade
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2005-10-11
autarquias 2005
se é que há de facto uma surpresa, é persistente: após tantos protestos e reivindicações, denúncias e reclamações, processos e acusações, comentários e opiniões, análises e interrogações, vai-se a ver e ... tudo na mesma !
temos então o que queremos ? merecemos mais ?
explicações há várias, pessoais, locais e nacionais - veja-se excelente apreciação no editorial de Sérgio Figueiredo, no Jornal de Negócios de ontem, 10 de Outubro
objectivamente, mudaram escassas autarquias e, inclusivamente, mantém-se no essencial o nível de apoio autárquico ao partido que suporta o governo mais duramente contestado a nível social desde as fases mais agudas da agonia cavaquista - dir-se-ia que afinal tudo vai bem, qual então a razão para tão ruidosos protestos e reivindicações ?
resta esperar que, nos Tribunais, a lei imponha enfim o seu império e permita corrigir ainda alguns casos, atípicos, do panorama autárquico nacional
e que as reformas em curso e a empreender prossigam corajosamente a trilha de questionar ilegítimos ou onerosos privilégios que atravancam o desenvolvimento harmonioso do país
o mais, perder ou ganhar é democrático !
mas volta a fazer-se ouvir o esplendor e a lucidez do Poeta: se o mundo é feito de mudança, a maior mudança é já não mudar tanto como soía
observacoes sao bem vindas
temos então o que queremos ? merecemos mais ?
explicações há várias, pessoais, locais e nacionais - veja-se excelente apreciação no editorial de Sérgio Figueiredo, no Jornal de Negócios de ontem, 10 de Outubro
objectivamente, mudaram escassas autarquias e, inclusivamente, mantém-se no essencial o nível de apoio autárquico ao partido que suporta o governo mais duramente contestado a nível social desde as fases mais agudas da agonia cavaquista - dir-se-ia que afinal tudo vai bem, qual então a razão para tão ruidosos protestos e reivindicações ?
resta esperar que, nos Tribunais, a lei imponha enfim o seu império e permita corrigir ainda alguns casos, atípicos, do panorama autárquico nacional
e que as reformas em curso e a empreender prossigam corajosamente a trilha de questionar ilegítimos ou onerosos privilégios que atravancam o desenvolvimento harmonioso do país
o mais, perder ou ganhar é democrático !
mas volta a fazer-se ouvir o esplendor e a lucidez do Poeta: se o mundo é feito de mudança, a maior mudança é já não mudar tanto como soía
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Angela
com o voto popular do eleitorado alemão e o acordo de Gerhard Schroeder, a Alemanha terá a sua primeira mulher Chanceler, a pessoa mais jovem a ocupar o cargo, Angela Merkl
parabéns à própria, é claro, mas também à Alemanha e, creio bem, à Europa
a multipartidária solução encontrada, embora ainda haja caminho árduo a percorrer, dignifica em muito a nobreza do gesto e decisão de Gerhard Schroeder, que exerceu honrosamente o cargo em condições difíceis, teve um excelente resultado eleitoral que permite ao SPD manter um contributo significativo na condução política e governativa da Alemanha, sabendo ceder o poder como apenas o fizeram raros grandes da história recente –Botha, Mandela, Gorbachov – em benefício do seu povo e do mundo
felicidades então para Angela Merkl e para a supercoligação governamental que vai dirigir
um voto ainda para que se não cumpram as profecias que a dão como versão nova e alemã de Margaret Thatcher – o que se espera é que as mulheres cheguem à liderança e a exerçam como mulheres, usando e oferecendo as qualidades e virtualidades femininas!
de nada adianta eleger mulheres para se comportarem como mulheres-homens, sargentos, generais ou políticos normais
Angela Merkl doutorou-se em Física em Berlim, na antiga Alemanha de Leste, pelo que reúne ainda outros elementos e vivências intelectuais e espirituais que podem qualificar o seu contributo para os grandes desafios alemães, da consolidação da unificação à chama da progressão tecnológica, científica e económica de que a Alemanha e a Europa carecem para uma participação activa na construção de um mundo melhor
merecidamente, muito boa sorte !
observacoes sao bem vindas
parabéns à própria, é claro, mas também à Alemanha e, creio bem, à Europa
a multipartidária solução encontrada, embora ainda haja caminho árduo a percorrer, dignifica em muito a nobreza do gesto e decisão de Gerhard Schroeder, que exerceu honrosamente o cargo em condições difíceis, teve um excelente resultado eleitoral que permite ao SPD manter um contributo significativo na condução política e governativa da Alemanha, sabendo ceder o poder como apenas o fizeram raros grandes da história recente –Botha, Mandela, Gorbachov – em benefício do seu povo e do mundo
felicidades então para Angela Merkl e para a supercoligação governamental que vai dirigir
um voto ainda para que se não cumpram as profecias que a dão como versão nova e alemã de Margaret Thatcher – o que se espera é que as mulheres cheguem à liderança e a exerçam como mulheres, usando e oferecendo as qualidades e virtualidades femininas!
de nada adianta eleger mulheres para se comportarem como mulheres-homens, sargentos, generais ou políticos normais
Angela Merkl doutorou-se em Física em Berlim, na antiga Alemanha de Leste, pelo que reúne ainda outros elementos e vivências intelectuais e espirituais que podem qualificar o seu contributo para os grandes desafios alemães, da consolidação da unificação à chama da progressão tecnológica, científica e económica de que a Alemanha e a Europa carecem para uma participação activa na construção de um mundo melhor
merecidamente, muito boa sorte !
observacoes sao bem vindas
2005-10-06
2005-10-04
fazer de contas
agradecidamente, o comentador Guilherme d'Oliveira Martins jametinhadito que se despede hoje (4 de Outubro) dos seus leitores do Diário Económico ... "por causa das novas funções que irei assumir dentro de dias"
em rodapé, o DE deseja felicidades esclarecedoras, especificando "...funções no Tribunal de Contas"
e em extenso artigo de Política, umas páginas antes da dita última crónica, o DE explicita exuberantemente que o Presidente da República deliberou e concertou a dilação do início das "novas funções" de Guilherme d'Oliveira Martins, por via de cuidados de resguardo face a polémicas partidárias próprias das eleições autárquicas
é forçoso concluir que a confirmação presidencial e subsequente tomada de posse de Guilherme d'Oliveira Martins causaria novo chorrilho e pateada geral em vésperas de ida às urnas, compreendendo-se bem o recato de Jorge Sampaio
mas também fica muito claramente visto que toda a gente vê a quem afectaria tal suposta perturbação
a dúvida recai então sobre as razões reais, digo, presidenciais, para o arranjo entre o prolongamento em funções, por mais uns dias, do anterior titular do cargo de Presidente do Tribunal de Contas, bem como o correspectivo diferimento da cerimónia e do início de funções do novo titular, face ao prazo legalmente estipulado, que escorregará o mesmo número de dias para data mais conveniente
de facto, o Governo propôs o Vice-Presidente da bancada parlamentar do PS, em cujas listas foi eleito deputado, para exercer as isentas funções de controlo da actividade governativa
pelos vistos, o Presidente da República dispõe-se a aceitar a façanha, como se de um exemplo democrático e de ética republicana se tratásse
mas Sua Excelência, o Presidente Jorge Sampaio, além de pactuar com a tramóia governamental, também já terá segredado a sua decisão a Guilherme d'Oliveira Martins, assim legitimado a despedidas nas páginas do jornal onde tem feito a defesa encomiástica do Governo que irá fiscalizar com isenção
e o maquiavelismo completa-se com a verdadeira manobra de isentar (sempre há razões de isenção) o Governo e o respectivo partido das mais que justificadas queixas da totalidade da oposição e de outros sectores apartidários, assim benefeciando o infractor, com a desculpa de que é necessário "sublinhar a isenção do cargo"
qual isenção ? no regime do Estado de Direito é absolutamente irrelevante a isenção declarada pelo próprio; o que conta é o decoro e a efectiva distância, incluindo a indispensável salvaguarda das aparências que os agentes do Estado, maxime o mais alto magistrado da Nação, têm o imperioso dever de respeitar - para o poderem fazer respeitar e poderem fazer-se respeitar
chama-se a isto fazer o mal e a caramunha
observacoes sao bem vindas
em rodapé, o DE deseja felicidades esclarecedoras, especificando "...funções no Tribunal de Contas"
e em extenso artigo de Política, umas páginas antes da dita última crónica, o DE explicita exuberantemente que o Presidente da República deliberou e concertou a dilação do início das "novas funções" de Guilherme d'Oliveira Martins, por via de cuidados de resguardo face a polémicas partidárias próprias das eleições autárquicas
é forçoso concluir que a confirmação presidencial e subsequente tomada de posse de Guilherme d'Oliveira Martins causaria novo chorrilho e pateada geral em vésperas de ida às urnas, compreendendo-se bem o recato de Jorge Sampaio
mas também fica muito claramente visto que toda a gente vê a quem afectaria tal suposta perturbação
a dúvida recai então sobre as razões reais, digo, presidenciais, para o arranjo entre o prolongamento em funções, por mais uns dias, do anterior titular do cargo de Presidente do Tribunal de Contas, bem como o correspectivo diferimento da cerimónia e do início de funções do novo titular, face ao prazo legalmente estipulado, que escorregará o mesmo número de dias para data mais conveniente
de facto, o Governo propôs o Vice-Presidente da bancada parlamentar do PS, em cujas listas foi eleito deputado, para exercer as isentas funções de controlo da actividade governativa
pelos vistos, o Presidente da República dispõe-se a aceitar a façanha, como se de um exemplo democrático e de ética republicana se tratásse
mas Sua Excelência, o Presidente Jorge Sampaio, além de pactuar com a tramóia governamental, também já terá segredado a sua decisão a Guilherme d'Oliveira Martins, assim legitimado a despedidas nas páginas do jornal onde tem feito a defesa encomiástica do Governo que irá fiscalizar com isenção
e o maquiavelismo completa-se com a verdadeira manobra de isentar (sempre há razões de isenção) o Governo e o respectivo partido das mais que justificadas queixas da totalidade da oposição e de outros sectores apartidários, assim benefeciando o infractor, com a desculpa de que é necessário "sublinhar a isenção do cargo"
qual isenção ? no regime do Estado de Direito é absolutamente irrelevante a isenção declarada pelo próprio; o que conta é o decoro e a efectiva distância, incluindo a indispensável salvaguarda das aparências que os agentes do Estado, maxime o mais alto magistrado da Nação, têm o imperioso dever de respeitar - para o poderem fazer respeitar e poderem fazer-se respeitar
chama-se a isto fazer o mal e a caramunha
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azul irresistível
na sua coluna de 3 de Outubro, José Carlos Abrantes aborda ainda tema “azul” sob o ponto de vista do Provedor dos Leitores do Diário de Notícias
lateralmente, ou nem tanto, oferece-nos saborosas literárias e prometedoras referências bibliográficas sobre a cor em apreço – Colette, Michel Pastoreau, L. Guimarães, L. Marshall; invoca a afirmação de Pastoreau que afirma ser o azul a cor preferida da população ocidental – Belém, Belém, Belém; espanta-se com a generalizada representação da água através da cor azul, considerando que confundimos a realidade e a sua expressão colorida – é claro que a água incolor absorve e reflecte luz, em tal medida que resulta azul a sua cor, é o comprimento de onda que caracteriza a sua composição material; cita e subscreve Ruben de Carvalho quanto à uniformização da imprensa – olha quem fala; conclui afectada a imagem e identidade editorial próprias de cada jornal, assim desfavorecendo jornais, leitores e o capital simbólico da imprensa – o que é refutável; e denuncia a submissão das políticas editoriais ao poder económico – sendo verdade, é-o por muito mais e por mais ponderosas e poderosas razões
no entanto, o Provedor dos Leitores do DN alega partir de uma posição favorável à publicidade, que afirma favorecer a informação e a escolha dos consumidores, apesar de certos desvirtuamentos e excessos, considerando que proporciona parte substancial das receitas dos jornais, que de outro modo custariam mais caro aos leitores
ora comecemos neste ponto: a questão da publicidade como fonte de receita não é tanto a sua participação na formação do preço mas a própria sobrevivência do jornal
o preço chega a ser questão de política ou de marketing, multiplicando-se aliás os jornais gratuitos – isto é, grátis para os consumidores, pois bem sabemos que quase nada há gratuito neste mundo e os jornais têm óbvios custos quer sejam pagos ou não pelo consumidor imediato
agora vamos às condicionantes que a publicidade representa para as linhas editoriais: ora, é bem certo que em muitos casos os publicitários querem os seus anúncios colados à informação, nos seus formatos e estilos, na sua proximidade, e a primeira página cumpre essa função
mas também sabemos que só uma linha editorial reconhecível e credível pode funcionar como âncora para tais intentos publicitários
logo, é muito difícil aceitar que por essa via se engana ou desfavorece o leitor, nada disso !
e a reclamação de colo por parte da publicidade é afinal a exaltação da credibilidade editorial construída por um jornal
é também óbvio, para quem aprecia o tema sem preconceitos, que nenhuma submissão económica é mais temível que a que decorre da ausência ou da escassez de recursos, sendo as receitas da publicidade, inversamente, uma fonte de autonomia financeira – e num jornal credível, a colocação de publicidade é disputada por parte dos investidores e anunciantes, contanto seja bem gerido e não se deixe sufocar comercialmente em busca apenas do lucro máximo, isto é, que procure assegurar o equilíbrio sustentável entre as diversas componentes como o retorno accionista, a satisfação de clientes e colaboradores e a inserção harmoniosa na comunidade
ainda como refutação a este argumento de José Carlos Abrantes, importa salientar que a integração dos órgãos de imprensa em poderosos grupos económicos diversificados e globalizados sempre seria maior fonte de dependência económica que a participação numa determinada acção ou campanha publicitária
pelo contrário, demonstra vitalidade e capacidade de actuação concertada, o que é fundamental para a sociedade tal como sucede no caso das emergências humanitárias ou outras causas de manifesto interesse social, com efeitos positivos para cada jornal, para os respectivos leitores e para a comunidade em geral
portanto e por favor, um pouco mais de azul !!!
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lateralmente, ou nem tanto, oferece-nos saborosas literárias e prometedoras referências bibliográficas sobre a cor em apreço – Colette, Michel Pastoreau, L. Guimarães, L. Marshall; invoca a afirmação de Pastoreau que afirma ser o azul a cor preferida da população ocidental – Belém, Belém, Belém; espanta-se com a generalizada representação da água através da cor azul, considerando que confundimos a realidade e a sua expressão colorida – é claro que a água incolor absorve e reflecte luz, em tal medida que resulta azul a sua cor, é o comprimento de onda que caracteriza a sua composição material; cita e subscreve Ruben de Carvalho quanto à uniformização da imprensa – olha quem fala; conclui afectada a imagem e identidade editorial próprias de cada jornal, assim desfavorecendo jornais, leitores e o capital simbólico da imprensa – o que é refutável; e denuncia a submissão das políticas editoriais ao poder económico – sendo verdade, é-o por muito mais e por mais ponderosas e poderosas razões
no entanto, o Provedor dos Leitores do DN alega partir de uma posição favorável à publicidade, que afirma favorecer a informação e a escolha dos consumidores, apesar de certos desvirtuamentos e excessos, considerando que proporciona parte substancial das receitas dos jornais, que de outro modo custariam mais caro aos leitores
ora comecemos neste ponto: a questão da publicidade como fonte de receita não é tanto a sua participação na formação do preço mas a própria sobrevivência do jornal
o preço chega a ser questão de política ou de marketing, multiplicando-se aliás os jornais gratuitos – isto é, grátis para os consumidores, pois bem sabemos que quase nada há gratuito neste mundo e os jornais têm óbvios custos quer sejam pagos ou não pelo consumidor imediato
agora vamos às condicionantes que a publicidade representa para as linhas editoriais: ora, é bem certo que em muitos casos os publicitários querem os seus anúncios colados à informação, nos seus formatos e estilos, na sua proximidade, e a primeira página cumpre essa função
mas também sabemos que só uma linha editorial reconhecível e credível pode funcionar como âncora para tais intentos publicitários
logo, é muito difícil aceitar que por essa via se engana ou desfavorece o leitor, nada disso !
e a reclamação de colo por parte da publicidade é afinal a exaltação da credibilidade editorial construída por um jornal
é também óbvio, para quem aprecia o tema sem preconceitos, que nenhuma submissão económica é mais temível que a que decorre da ausência ou da escassez de recursos, sendo as receitas da publicidade, inversamente, uma fonte de autonomia financeira – e num jornal credível, a colocação de publicidade é disputada por parte dos investidores e anunciantes, contanto seja bem gerido e não se deixe sufocar comercialmente em busca apenas do lucro máximo, isto é, que procure assegurar o equilíbrio sustentável entre as diversas componentes como o retorno accionista, a satisfação de clientes e colaboradores e a inserção harmoniosa na comunidade
ainda como refutação a este argumento de José Carlos Abrantes, importa salientar que a integração dos órgãos de imprensa em poderosos grupos económicos diversificados e globalizados sempre seria maior fonte de dependência económica que a participação numa determinada acção ou campanha publicitária
pelo contrário, demonstra vitalidade e capacidade de actuação concertada, o que é fundamental para a sociedade tal como sucede no caso das emergências humanitárias ou outras causas de manifesto interesse social, com efeitos positivos para cada jornal, para os respectivos leitores e para a comunidade em geral
portanto e por favor, um pouco mais de azul !!!
observacoes sao bem vindas
2005-10-03
azul
poético é reclamar um pouco mais de azul e cantar, como Gilberto Gil, por quem nos azuleja o dia
mas até já se protesta contra o azul: há dias, o sindicato dos jornalistas revoltava-se contra a submissão da generaliadde dos jornais, pintados à uma pela curiosa e imaginativa campanha azul de certa empresa de telecomunicações, levada efeito na passada quarta-feira, dia 28 de Setembro
e no DN de sexta-feira, 30 de Setembro, João Miguel Tavares tirava o chapéu a tal campanha de marketing e jametinhadito que tal realização prova que a dita empresa “tem muito dinheiro e os jornais têm muito pouco” !!!
ora, tentando comple(men)tar a inteligente análise do jornalista em contracorrente com o respectivo sindicato, talvez possa concluir-se que, uma vez que a proveniência do dinheiro é sempre a mesma – os Clientes – a realidade é que empregamos mais facilmente o nosso dinheiro em comunicações por telemóvel que na compra de jornais
talvez seja reflexo de uma generalizada preferência pelo imediato, instantâneo e actual, que julgamos caracterizar hoje as nossas sociedades
ou serão mesmo tais preferências pelo imediato, instantâneo e actual a própria vitalidade da sociedade, conferindo-lhe afinal a propensão para a velocidade, a aceleração do tempo e o esgotamento das energias, transformando, confundindo e comprimindo a totalidade da vida em pura comunicação ?
para quem está sempre em linha, disposto a comunicar e a encurtar distâncias, as despedidas que pedem cumprimento circunstancial de referência levam sempre um até já
até já
observacoes sao bem vindas
mas até já se protesta contra o azul: há dias, o sindicato dos jornalistas revoltava-se contra a submissão da generaliadde dos jornais, pintados à uma pela curiosa e imaginativa campanha azul de certa empresa de telecomunicações, levada efeito na passada quarta-feira, dia 28 de Setembro
e no DN de sexta-feira, 30 de Setembro, João Miguel Tavares tirava o chapéu a tal campanha de marketing e jametinhadito que tal realização prova que a dita empresa “tem muito dinheiro e os jornais têm muito pouco” !!!
ora, tentando comple(men)tar a inteligente análise do jornalista em contracorrente com o respectivo sindicato, talvez possa concluir-se que, uma vez que a proveniência do dinheiro é sempre a mesma – os Clientes – a realidade é que empregamos mais facilmente o nosso dinheiro em comunicações por telemóvel que na compra de jornais
talvez seja reflexo de uma generalizada preferência pelo imediato, instantâneo e actual, que julgamos caracterizar hoje as nossas sociedades
ou serão mesmo tais preferências pelo imediato, instantâneo e actual a própria vitalidade da sociedade, conferindo-lhe afinal a propensão para a velocidade, a aceleração do tempo e o esgotamento das energias, transformando, confundindo e comprimindo a totalidade da vida em pura comunicação ?
para quem está sempre em linha, disposto a comunicar e a encurtar distâncias, as despedidas que pedem cumprimento circunstancial de referência levam sempre um até já
até já
observacoes sao bem vindas
2005-09-30
alegre poesia
no Diário de Notícias de hoje, Vicente Jorge Silva jametinhadito que, ao fim e ao cabo, Manuel Alegre assegurou já uma espécie de vitória moral no combate da sua candidatura presidencial ... contra Mário Soares (!??)
ora, o colunista atribui honrosamente a Manuel Alegre o papel de D. Quixote e desenvolve a encenação quixotesca que reveste a figura do Poeta nesta peleja eleitoral, acreditando na sua causa contra tudo e contra todos, exprimindo ainda que o próprio considera viável alcançar o cargo de Presidente da República - o que só seria concebível por artes e a poder da magia poética de que é portador
e as suas armas são o voluntarismo generoso, a utopia e a poesia, bem como o capital de queixa pela forma como foi tratado na sua própria esfera política e partidária
no entanto, independentemente e para além de promissoras sondagens que caprichosamente oferecem a Manuel Alegre algum conforto moral ou estatístico, senão mesmo incentivo a ir à liça, certo é que a candidatura do Poeta pode bem afigurar-se como assente muito mais em valor intrínseco do que em mera militância anti-sistema
desde logo por, através de um homem de bem, representar uma sensibilidade interessante e interessada, por ser inspirada em valores de coerência e ética republicana – que o País tanto necessita semear urgentemente – e por se constituir num precioso e benfazejo projecto de integração de política e cultura
e há muito deveríamos ter aprendido que só a via da cultura é capaz de transformar positiva, duradoura e sustentavelmente as pessoas, as mentalidades e as comunidades
mas é de absoluta relevância refutar a ideia que perigosamente se tenta insidiar quando se afirma o pretenso capital de ressentimento ou supostos motivos inconfessáveis
esta é claramente uma candidatura que só fará sentido, só é defensável e só poderá ser vencedora sem contas a ajustar e sem nada a cobrar, antes reivindicando o registo puro e luminoso da verdade, da ascensão dos valores democráticos do Estado Social de Direito, do sentido e sentimento universal de justiça, de humanidade e de fraterna solidariedade !
aceitando partir da noção quixotesca de aspiração diligente a muitas vitórias sobre gigantes aparentes, reais e dissimulados, importa reconhecer a validade, mérito e coragem de apostar na eleição da voz poética para ilustrar o brasão da mais alta magistratura da nação
e, quem sabe, apoiá-la e incentivá-la ... !
tal como a natureza da poesia é ser construção, síntese e expressão de sabedoria e beleza, a sua contribuição para a elevação e dignificação da política não pode, não quer e não tem que ser contra ninguém ...
antes a favor de Portugal !!!
observacoes sao bem vindas
ora, o colunista atribui honrosamente a Manuel Alegre o papel de D. Quixote e desenvolve a encenação quixotesca que reveste a figura do Poeta nesta peleja eleitoral, acreditando na sua causa contra tudo e contra todos, exprimindo ainda que o próprio considera viável alcançar o cargo de Presidente da República - o que só seria concebível por artes e a poder da magia poética de que é portador
e as suas armas são o voluntarismo generoso, a utopia e a poesia, bem como o capital de queixa pela forma como foi tratado na sua própria esfera política e partidária
no entanto, independentemente e para além de promissoras sondagens que caprichosamente oferecem a Manuel Alegre algum conforto moral ou estatístico, senão mesmo incentivo a ir à liça, certo é que a candidatura do Poeta pode bem afigurar-se como assente muito mais em valor intrínseco do que em mera militância anti-sistema
desde logo por, através de um homem de bem, representar uma sensibilidade interessante e interessada, por ser inspirada em valores de coerência e ética republicana – que o País tanto necessita semear urgentemente – e por se constituir num precioso e benfazejo projecto de integração de política e cultura
e há muito deveríamos ter aprendido que só a via da cultura é capaz de transformar positiva, duradoura e sustentavelmente as pessoas, as mentalidades e as comunidades
mas é de absoluta relevância refutar a ideia que perigosamente se tenta insidiar quando se afirma o pretenso capital de ressentimento ou supostos motivos inconfessáveis
esta é claramente uma candidatura que só fará sentido, só é defensável e só poderá ser vencedora sem contas a ajustar e sem nada a cobrar, antes reivindicando o registo puro e luminoso da verdade, da ascensão dos valores democráticos do Estado Social de Direito, do sentido e sentimento universal de justiça, de humanidade e de fraterna solidariedade !
aceitando partir da noção quixotesca de aspiração diligente a muitas vitórias sobre gigantes aparentes, reais e dissimulados, importa reconhecer a validade, mérito e coragem de apostar na eleição da voz poética para ilustrar o brasão da mais alta magistratura da nação
e, quem sabe, apoiá-la e incentivá-la ... !
tal como a natureza da poesia é ser construção, síntese e expressão de sabedoria e beleza, a sua contribuição para a elevação e dignificação da política não pode, não quer e não tem que ser contra ninguém ...
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