a seu modo, António Neves, presidente da Junta de Freguesia da Costa de Caparica, exprime o conceito inverso ao que Natália Correia invoca num verso fervorso de um poema ao jeito de oração: "Creio que tudo é eterno num segundo"
é a compressão do tempo por oposição à elasticidade do tempo - no caso da nossa saudosa poetisa, a vivência intensa de cada segundo poderia experimentar todos os sabores da eternidade, nenhum segundo deveria então ser desperdiçado pois contém a variedade e a riqueza da totalidade da vida; já para o autarca em apreço, na sofreguidão do pragmatismo de quem se vê a braços com o poder destruidor dos elementos, bem poderiam ser abolidos os segundos que faltam par o fim da época de marés vivas
enfim, há muitos fins de mês que são igualmente ansiados, também por razões de liquidez - é o que sucede quando ainda sobra mês no momento em que o ordenado acaba
menos poético, desta vez, o mar avançou sobre as protecções, arrastou as pedras com que os homens o pretendem confinar e galgou o paredeão das praias da Costa de Caparica, causando alguns estragos em vários parques de campismo
registe-se que os campistas são em rigor uma espécie muito particular de campistas, afinal residentes disfarçados de campistas em segundas habitações à beira-mar, em abusiva utilização privada de espaços e recursos públicos
mas voltando ao mar, o mencionado presidente da Junta jametinhadito, na rádio, que "o objectivo é chegar ao final do mês de Março o mais depressa possível para começarem as obras de reposição do paredão" !!!
é um objectivo realista e, em princípio, exequível: se a eternidade de Natália Correia cabe num segundo, certamente um mês ou o que dele resta também poderá caber em pouco tempo
observacões são bem vindas
PS: já agora, ao jeito de homenagem, também à fé, à Primavera e à poesia, que inclui a fraternidade, a amizade e o amor, cá vai o poema:
Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,
Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,
Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,
Creio no incrível, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas,
Creio que o Amor tem asas de ouro. Amén.
Natália Correia
2007-03-21
2007-03-15
gloriosas degenerações
talvez já ninguém ligue aos apetitosos almoços, digo, aos escritos do Prof. João César das Neves ou pelo menos, no zapping pelos jornais, não se deu conta de qualquer reacção ou comentário à excelsa crónica de 5 de Março, no Diário de Notícias, aliás com o brilhantismo a que já habituou os leitores
reza, nessa crónica, João César das Neves, que as nossas últimas cinco gerações foram bem catitas para a história de Portugal, pelos excelentes contributos transformadores que nos permitiram passar da luz a petróleo (embora haja quem, apesar de ter menos de um século de existência, ainda se lembre da candeia de azeite, da vela de estearina e do pivete do querozene) à internet (um feito português!) e da caleche ao telemóvel
essas gloriosas gerações assim analisadas atiram-nos de volta ao início do século XX, anos perdidos, porém,: foi a pior das 5, herança trágica da cabeça perdida da instauração da democracia republicana, talvez pela presença de genes nocivos do liberalismo decadente com que tivémos de amargar...
"Ó Portugal, hoje és nevoeiro", ilustra a geração do Fernando, ainda assim um escritor, embora Pessoa lúcida pois percebeu que isto não tinha saída...
vem então a segunda gloriosa, a geração "Salazar", afilhada de um político, portanto - era para botar ordem no regabofe, em nome da "segurança e estabilidade", "qualquer que fosse o preço": aqui terá que se reconhecer coerência ao autor da crónica pois a magra e rija refeição salazarenta não foi nada grátis, pois não foi, e - a la Sérgio Godinho - o coveiro que o diga ...
a degeneração subsequente oferece-nos sucessivamente a "geração Raul Solnado", depois a "geração Herman José" e agora - estava-se mesmo a ver e tinha que ser - é a geração do Gato Fedorento
e assim se nomeou um país, em cem anos de anedotário falgazão apenas entrecortado pelo breve período mais sisudo todos sabemos de quem...
breve, é maneira de dizer, há muito quem afiance que os 48 anos ainda perduram, a poder do nacional concursismo do nosso serviço público televisivo, safa !
e portanto, da caleche à internet e coisa & tal, o almoço a pagar é o branqueamento de uma geração a bem dizer tão gloriosa como as outras
esquecidos e por dizer, como convém à economia e aos objectivos em que a crónica se insere, ficam aqueles aspectozinhos da PIDE, dos assassinatos impunes, da tortura, do degredo, da prisão sem culpa formada nem direito a advogado, juíz ou defesa, da guerra do ultramar, da discriminação contra as mulheres, do analfabetismo generalizado, do condicionamento económico, do colonialismo, da censura, das eleições fraudulentas, da ausência de eleições, do partido único, dos portugueses de primeira, de segunda e de terceira, do isolamento internacional, do atraso do país, da miséria, da subalimentação, da emigração massiva, do caciquismo...
por muito bem disfarçado e mesmo que quase ninguém repare, jametinhasdito, ó Prof. João César das Neves
isto merece um museu
observacões são bem vindas
reza, nessa crónica, João César das Neves, que as nossas últimas cinco gerações foram bem catitas para a história de Portugal, pelos excelentes contributos transformadores que nos permitiram passar da luz a petróleo (embora haja quem, apesar de ter menos de um século de existência, ainda se lembre da candeia de azeite, da vela de estearina e do pivete do querozene) à internet (um feito português!) e da caleche ao telemóvel
essas gloriosas gerações assim analisadas atiram-nos de volta ao início do século XX, anos perdidos, porém,: foi a pior das 5, herança trágica da cabeça perdida da instauração da democracia republicana, talvez pela presença de genes nocivos do liberalismo decadente com que tivémos de amargar...
"Ó Portugal, hoje és nevoeiro", ilustra a geração do Fernando, ainda assim um escritor, embora Pessoa lúcida pois percebeu que isto não tinha saída...
vem então a segunda gloriosa, a geração "Salazar", afilhada de um político, portanto - era para botar ordem no regabofe, em nome da "segurança e estabilidade", "qualquer que fosse o preço": aqui terá que se reconhecer coerência ao autor da crónica pois a magra e rija refeição salazarenta não foi nada grátis, pois não foi, e - a la Sérgio Godinho - o coveiro que o diga ...
a degeneração subsequente oferece-nos sucessivamente a "geração Raul Solnado", depois a "geração Herman José" e agora - estava-se mesmo a ver e tinha que ser - é a geração do Gato Fedorento
e assim se nomeou um país, em cem anos de anedotário falgazão apenas entrecortado pelo breve período mais sisudo todos sabemos de quem...
breve, é maneira de dizer, há muito quem afiance que os 48 anos ainda perduram, a poder do nacional concursismo do nosso serviço público televisivo, safa !
e portanto, da caleche à internet e coisa & tal, o almoço a pagar é o branqueamento de uma geração a bem dizer tão gloriosa como as outras
esquecidos e por dizer, como convém à economia e aos objectivos em que a crónica se insere, ficam aqueles aspectozinhos da PIDE, dos assassinatos impunes, da tortura, do degredo, da prisão sem culpa formada nem direito a advogado, juíz ou defesa, da guerra do ultramar, da discriminação contra as mulheres, do analfabetismo generalizado, do condicionamento económico, do colonialismo, da censura, das eleições fraudulentas, da ausência de eleições, do partido único, dos portugueses de primeira, de segunda e de terceira, do isolamento internacional, do atraso do país, da miséria, da subalimentação, da emigração massiva, do caciquismo...
por muito bem disfarçado e mesmo que quase ninguém repare, jametinhasdito, ó Prof. João César das Neves
isto merece um museu
observacões são bem vindas
2007-03-02
recomenda-se
O site do Ministério da Educação... noticia uma recomendação intrigante:
"...
A segunda recomendação questiona a viabilidade do Curso de Línguas e Literaturas, que tem registado, nos últimos anos, uma procura muito baixa por parte dos alunos, impossibilitando a constituição de turmas nas escolas.
Considerando que esta situação conduz a uma formação precocemente especializada, que implica um reduzido leque de opções no prosseguimento de estudos, o GAAIRES defende a extinção do Curso de Línguas e Literaturas, com a consequente integração das suas disciplinas específicas no leque de optativas bienais e anuais do curso de Ciências Sociais e Humanas"
Jametinhasdito, ó GAAIRES... !
Também intriga um bocadinho a magreza franciscana do conjunto recomendações, a coberto da inefável técnica do chuta para o lado ... porque falta o amadurecimento(!) e o trabalho das escolas...!
Então para que diacho servirá o"Grupo de Acompanhamento", se não se considera habilitado a propor as alterações que se justifiquem ?
observacões são bem vindas
"...
A segunda recomendação questiona a viabilidade do Curso de Línguas e Literaturas, que tem registado, nos últimos anos, uma procura muito baixa por parte dos alunos, impossibilitando a constituição de turmas nas escolas.
Considerando que esta situação conduz a uma formação precocemente especializada, que implica um reduzido leque de opções no prosseguimento de estudos, o GAAIRES defende a extinção do Curso de Línguas e Literaturas, com a consequente integração das suas disciplinas específicas no leque de optativas bienais e anuais do curso de Ciências Sociais e Humanas"
Jametinhasdito, ó GAAIRES... !
Também intriga um bocadinho a magreza franciscana do conjunto recomendações, a coberto da inefável técnica do chuta para o lado ... porque falta o amadurecimento(!) e o trabalho das escolas...!
Então para que diacho servirá o"Grupo de Acompanhamento", se não se considera habilitado a propor as alterações que se justifiquem ?
observacões são bem vindas
2007-02-27
Preocupações
muita gente vai pegar nisto, mas como resistir ?
segundo oPúblico de hoje, Fátima Felgueiras jametinhadito, hoje, no salão dos Bombeiros Voluntários de Felgueiras, que "Não há nenhum autarca tão preocupado com a lei como eu"
naturalmente !
é uma afirmação de ciência, pelo que faz prova em Tribunal
pode servir de testemunho abonatório a muitos outros autarcas também a contas com a lei, embora eventualmente com razões para não estarem tão preocupados...
mas a autarca de Felgueiras, que adoptou o nome da Câmara Municipal a que preside, tem boas razões para estar preocupada com a lei
e a confissão é sempre passível de ser considerada circunstância atenuante
observacões são bem vindas
Realmente
a folha oficial da República dá hoje à estampa, designadamente, o Decreto-Lei nº 48/2007, aprovando a extinção do Serviço Nacional Coudélico e a criação da Fundação Alter Real
são inteiramente legítimas as certamente meritórias virtudes da alteração legislativa sobre a promoção da gestão do património e do conhecimento nas áreas da produção, indústria, ensino, cultura e investigação equestre
em tempos tão republicanos, dá gosto ver a instituição de uma Fundação Real pelo Estado português
a República será real ?
realmente jametinhasdito, ó República !!!
observacões são bem vindas
são inteiramente legítimas as certamente meritórias virtudes da alteração legislativa sobre a promoção da gestão do património e do conhecimento nas áreas da produção, indústria, ensino, cultura e investigação equestre
em tempos tão republicanos, dá gosto ver a instituição de uma Fundação Real pelo Estado português
a República será real ?
realmente jametinhasdito, ó República !!!
observacões são bem vindas
2007-02-26
Lapa
Que horas são que horas
Tamanho dia o outro.
Mas mesmo assim,
Considerada a memória, houve uma tal disparidade de marcas, de coisas, de ditos, de factos. Assim, assim, assim, assim, como era aquela no outro dia aquela como coreto e tal na tal metáfora?
Era assim ou assim
1974
observacões são bem vindas
Tamanho dia o outro.
Mas mesmo assim,
Considerada a memória, houve uma tal disparidade de marcas, de coisas, de ditos, de factos. Assim, assim, assim, assim, como era aquela no outro dia aquela como coreto e tal na tal metáfora?
Era assim ou assim
1974
observacões são bem vindas
Álvaro
A linguagem afastar-se-á do consenso, e exprimirá o desejo e a imaginação.
As profecias de Abab/Varetti – 1972
Álvaro Lapa – Exposição “Obras com palavras”, Museu da Cidade, 28 de Janeiro de 2007
observacões são bem vindas
As profecias de Abab/Varetti – 1972
Álvaro Lapa – Exposição “Obras com palavras”, Museu da Cidade, 28 de Janeiro de 2007
observacões são bem vindas
2007-02-23
Lisboa à vista
2007-02-17
António José Teixeira
estranho que o DN demore a noticiar a substituição da Direcção, apenas dedicando hoje umas linhas, em papel, ao agradecimento aos leitores e à expressão da justa convicção do bom trabalho feito em termos de qualidade e credibilidade
António José Teixeira teve muito pouco tempo, como vai sendo reiterada regra no DN, e é bom que se proporcionem condições a quem dirige um jornal, como é de boa visão assegurar em qualquer outro projecto ou funções
aguardemos as explicações mas jametinhasdito que salta à vista a casuística em vez de estratégia empresarial e planeamento de decisão como o respeito pelos leitores exige a quem detém um jornal ou a quem tem Clientes
talvez a direcção editorial e os leitores do DN sejam as primeiras vítimas da recente remodelação do Público
mas faz bem lembrar que, em geral, o êxito da navegação precisa mais de estabilidade e rumo certo do que de instáveis mudanças de direcção
é certo que as decisões são de responsabilidade de quem as toma, porém o DN é um património valioso demais para bruscas bolinas
e Portugal precisa de bons ventos de leitura, bem como de informação credível e de qualidade
observacões são bem vindas
António José Teixeira teve muito pouco tempo, como vai sendo reiterada regra no DN, e é bom que se proporcionem condições a quem dirige um jornal, como é de boa visão assegurar em qualquer outro projecto ou funções
aguardemos as explicações mas jametinhasdito que salta à vista a casuística em vez de estratégia empresarial e planeamento de decisão como o respeito pelos leitores exige a quem detém um jornal ou a quem tem Clientes
talvez a direcção editorial e os leitores do DN sejam as primeiras vítimas da recente remodelação do Público
mas faz bem lembrar que, em geral, o êxito da navegação precisa mais de estabilidade e rumo certo do que de instáveis mudanças de direcção
é certo que as decisões são de responsabilidade de quem as toma, porém o DN é um património valioso demais para bruscas bolinas
e Portugal precisa de bons ventos de leitura, bem como de informação credível e de qualidade
observacões são bem vindas
2007-02-08
não ou sim
No DN de ontem, Vasco Graça Moura usa a sua habitual coluna para dar a sua opinião sobre o próximo referendo.
Jametinhadito que nem não nem sim, antes pelo contrário, fica tudo como está!
Em resumo, branco mais branco não há!!
No último Verão, a Visão editou um conjunto de pequenos contos, todos de preço acessível, leitura fácil e bom efeito, em qualquer época do ano.
O de Vasco Graça Moura ("Duas mulheres em Novembro", salvo erro) versava justamente o aborto. Narrava o reencontro de duas portuguesas, de classes sociais marcadamente diferentes, reunidas pelos acasos da vida numa clínica para efeito de ... pois claro, um aborto!
Azares, opções, percursos, expectativas, direitos, obrigações, consciências, (pre)juízo social, estima pessoal, mais a classe social, enfim, um caldo de razões e emoções, em diálogos escassos, económicos, entrecortados, calados, contidos, vingados, ressentidos, ressaltados e sobretudo uma boa dose de introspecção, reflexões na primeira pessoa do singular, à vez, sobrepostas, contrapostas, uma história bem escrita, algo cinematográfica mas no interior da mente de cada uma daquelas duas mulheres, tão diferentes, tão iguais, a mesma afinal.
Os contextos: entre o 25 de Abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1975, datas de virar de página e de páginas por virar, também em diálogos calados pelo escritor, também contrapostos e sobrepostos, como os mundos sonhados, rompidos e interrompidos em momentos cruciais da nossa história de há trinta e poucos anos, se bem que ainda assim carregada dos pesos do passado e do então futuro, com que ao fim e ao cabo ainda hoje nos debatemos - em véspera de mais um referendo, andamos à volta das mesmas razões de sempre, uma mais jurídicas que outras, muitas de fé, muitas de contrafé, muitas de má fé.
Fiquei, ao ler o dito conto, com a impressão de que naquela historieta se podiam ler várias oportunidades perdidas, de vidas individuais, de classes sociais, do país, da nação, e em especial da legislação sobre as condições em que tantas mulheres praticaram o aborto, durante muitas gerações, também as nossas gerações, certamente até às actuais gerações.
Os saltos revolucionários trouxeram a igualdade de direitos e a emancipação da mulher, na Constituição de 1976 e no Código Civil em 1977, o divórcio, o exercício do comércio, o voto, etc., mas não o aborto...
Nem tudo mudou, então...
Talvez a minha leitura tenha sido errada, abusiva, querida mais do que correctamente interpretada, afinal lida sem qualquer exegese, foi só a primeira impressão, era Verão, não havia campanha, os escritores podem ter razão antes de tempo, fora do tempo, o tempo todo - os leitores também !
Mas Vasco Graça Moura deu a volta à volta do assunto e voltou à mesma, para deixar tudo como está, cada vez lava mais branco...
observações são bem vindas
Jametinhadito que nem não nem sim, antes pelo contrário, fica tudo como está!
Em resumo, branco mais branco não há!!
No último Verão, a Visão editou um conjunto de pequenos contos, todos de preço acessível, leitura fácil e bom efeito, em qualquer época do ano.
O de Vasco Graça Moura ("Duas mulheres em Novembro", salvo erro) versava justamente o aborto. Narrava o reencontro de duas portuguesas, de classes sociais marcadamente diferentes, reunidas pelos acasos da vida numa clínica para efeito de ... pois claro, um aborto!
Azares, opções, percursos, expectativas, direitos, obrigações, consciências, (pre)juízo social, estima pessoal, mais a classe social, enfim, um caldo de razões e emoções, em diálogos escassos, económicos, entrecortados, calados, contidos, vingados, ressentidos, ressaltados e sobretudo uma boa dose de introspecção, reflexões na primeira pessoa do singular, à vez, sobrepostas, contrapostas, uma história bem escrita, algo cinematográfica mas no interior da mente de cada uma daquelas duas mulheres, tão diferentes, tão iguais, a mesma afinal.
Os contextos: entre o 25 de Abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1975, datas de virar de página e de páginas por virar, também em diálogos calados pelo escritor, também contrapostos e sobrepostos, como os mundos sonhados, rompidos e interrompidos em momentos cruciais da nossa história de há trinta e poucos anos, se bem que ainda assim carregada dos pesos do passado e do então futuro, com que ao fim e ao cabo ainda hoje nos debatemos - em véspera de mais um referendo, andamos à volta das mesmas razões de sempre, uma mais jurídicas que outras, muitas de fé, muitas de contrafé, muitas de má fé.
Fiquei, ao ler o dito conto, com a impressão de que naquela historieta se podiam ler várias oportunidades perdidas, de vidas individuais, de classes sociais, do país, da nação, e em especial da legislação sobre as condições em que tantas mulheres praticaram o aborto, durante muitas gerações, também as nossas gerações, certamente até às actuais gerações.
Os saltos revolucionários trouxeram a igualdade de direitos e a emancipação da mulher, na Constituição de 1976 e no Código Civil em 1977, o divórcio, o exercício do comércio, o voto, etc., mas não o aborto...
Nem tudo mudou, então...
Talvez a minha leitura tenha sido errada, abusiva, querida mais do que correctamente interpretada, afinal lida sem qualquer exegese, foi só a primeira impressão, era Verão, não havia campanha, os escritores podem ter razão antes de tempo, fora do tempo, o tempo todo - os leitores também !
Mas Vasco Graça Moura deu a volta à volta do assunto e voltou à mesma, para deixar tudo como está, cada vez lava mais branco...
observações são bem vindas
2007-01-31
2007-01-29
Otana
com pompa e circunstância, o Ministro Máro Lino anunciou liturgicamente o modelo de privatização da ANA - Aeroportos de Portugal, S.A., a realizar conjuntamente com a adjudicação da construção e exploração do novo aeroporto, a implantar na Ota
a venda da ANA, através da transmissão maioria do respectivo capital representa, afirmou, a garantia da "atractividade dos capitais privados"
a par, também anunciou o aumento do montante total do investimento previsto e o alargamento do prazo de concessão, que era de 30 anos mas será ampliado
ou seja, mudança de pressupostos
aquilo que foi explicado publicamente já não é bem assim...
afinal, nem investimento nem concessão nem tráfego nem modelo serão os anteriormente anunciados
provavelmente, também não serão estas as condições finais, pois até ao lavar dos cestos é vindima
ainda subsiste o local, talvez o mais difícil de explicar, dadas as desvantagens óbvias decorrentes da distância, incómodo e previsíveis prejuízos que decorrerão do percurso a vencer para o principal destino dos passageiros e carga - Lisboa
curioso é o argumento da "atractividade dos capitais privados"...
os capitais privados ficarãp com o conjunto da gestão aeroportuária, talvez para não haver surpresas desagradáveis pós privatização, como tantas vezes sucedeu, assumindo-se claramente o Estado como estrito vendedor da banha da cobra pronto a alterar as regras a meio do jogo
é análogo à concessão das duas pontes, em Lisboa, no esquema financeiro da construção da nova ponte sobre o Tejo - aos privados foi assegurado que não há concorrência; há outros exemplos de concessões nestas circunstâncias, veremos se não são sempre os mesmos beneficiários, por sinal grandes paladinos do "mercado" que no entanto se dão tão mal com a existência de concorrência e a eliminam logo nos cadernos de encargos e contratos de concessão
é obra !
mas não é obra da mão invisível, é tudo ministerialmente conseguido à custa da intervenção do Estado!
e não são planos quinquenais, são concessões a 30 anos e mais !!!
jámetinhasdito, ó Ministro Mário Lino
veremos se não é mais um fogo fátuo da Gare Marítima de Alcântara, que em democracia já testemunhou vários fiascos quase tão megalómanos como os da utopia do Império
com projectos e artes de comunicação e imagem pagos a peso de ouro pelo erário público
observacoes sao bem vindas
a venda da ANA, através da transmissão maioria do respectivo capital representa, afirmou, a garantia da "atractividade dos capitais privados"
a par, também anunciou o aumento do montante total do investimento previsto e o alargamento do prazo de concessão, que era de 30 anos mas será ampliado
ou seja, mudança de pressupostos
aquilo que foi explicado publicamente já não é bem assim...
afinal, nem investimento nem concessão nem tráfego nem modelo serão os anteriormente anunciados
provavelmente, também não serão estas as condições finais, pois até ao lavar dos cestos é vindima
ainda subsiste o local, talvez o mais difícil de explicar, dadas as desvantagens óbvias decorrentes da distância, incómodo e previsíveis prejuízos que decorrerão do percurso a vencer para o principal destino dos passageiros e carga - Lisboa
curioso é o argumento da "atractividade dos capitais privados"...
os capitais privados ficarãp com o conjunto da gestão aeroportuária, talvez para não haver surpresas desagradáveis pós privatização, como tantas vezes sucedeu, assumindo-se claramente o Estado como estrito vendedor da banha da cobra pronto a alterar as regras a meio do jogo
é análogo à concessão das duas pontes, em Lisboa, no esquema financeiro da construção da nova ponte sobre o Tejo - aos privados foi assegurado que não há concorrência; há outros exemplos de concessões nestas circunstâncias, veremos se não são sempre os mesmos beneficiários, por sinal grandes paladinos do "mercado" que no entanto se dão tão mal com a existência de concorrência e a eliminam logo nos cadernos de encargos e contratos de concessão
é obra !
mas não é obra da mão invisível, é tudo ministerialmente conseguido à custa da intervenção do Estado!
e não são planos quinquenais, são concessões a 30 anos e mais !!!
jámetinhasdito, ó Ministro Mário Lino
veremos se não é mais um fogo fátuo da Gare Marítima de Alcântara, que em democracia já testemunhou vários fiascos quase tão megalómanos como os da utopia do Império
com projectos e artes de comunicação e imagem pagos a peso de ouro pelo erário público
observacoes sao bem vindas
2006-12-20
Ditosa Natalícia
2006-12-19
Jesus Muçulmano
Faranaz Keshavjee, muçulmana, Membro da Comunidade Ismailita, jametinhadito que Jesus é Muçulmano!
Em plena época natalícia, este interessante artigo do Público de hoje traz a oliveira do ecumenismo, da possibilidade e da necessidade de concórdia e harmonia.
E propõe a via do “re-conhecimento do outro”, não só nas suas diferenças mas também no muito que nos torna iguais: a dúvida e a esperança de todos nós, afinal simplesmente humanos e vulneráveis perante as complexidades da vida.
Recentemente, em contraponto, vem sendo noticiada alguma movimentação no Vaticano para o regresso da missa em latim.
E, por último, a substituição, na missa, da tradicional referência à “salvação de todos” por outra, a “salvação de muitos”, alegadamente mais próximo de pro multis, do tempo da missa dita em latim.
Mas antes do latim, era em grego, oi polloi, e a salvação de Cristo era destinada à generalidade da comunidade.
Será um pormenor, mas não deixa de indiciar certa tendência redutora; ora, a doutrina católica (aquela oficial da Igreja Romana) tem, até etimologicamente, vocação universal, pressupõe abrangência e compreensão, inclusão e universalidade.
De volta então a Faranaz Keshavjee e à sua proposta universalista, a partir da consideração de Jesus pelo Islão como um Profeta e Guia Espiritual.
Movida pela curiosidade intelectual, humanista e afectiva, Faranaz Keshavjee estudou e revisitou os fundamentos do Islão, e afirma:
- “Jesus surge no Alcorão e nos Evangelhos (ditos) Muçulmanos como o Profeta do Amor; o Guia das virtudes cardinais: a Paciência, a Humildade, a Renúncia ao materialismo, o Silêncio. Jesus também aparece como o "obreiro dos milagres"; o "viajante"; o "arrependido"; o "Redentor". Jesus é para os muçulmanos o Selo dos Santos. Jesus, é o grande Sufi. Jesus também é muçulmano!”
Para a doutrina Católica, Jesus está em toda a parte.
Nos corações muçulmanos e nos nossos.
Crentes de todas crenças.
Titulares de múltiplas humanas diferenças.
E de múltiplas humanas semelhanças !
Feliz Natal ! ! !
observacoes sao bem vindas
Em plena época natalícia, este interessante artigo do Público de hoje traz a oliveira do ecumenismo, da possibilidade e da necessidade de concórdia e harmonia.
E propõe a via do “re-conhecimento do outro”, não só nas suas diferenças mas também no muito que nos torna iguais: a dúvida e a esperança de todos nós, afinal simplesmente humanos e vulneráveis perante as complexidades da vida.
Recentemente, em contraponto, vem sendo noticiada alguma movimentação no Vaticano para o regresso da missa em latim.
E, por último, a substituição, na missa, da tradicional referência à “salvação de todos” por outra, a “salvação de muitos”, alegadamente mais próximo de pro multis, do tempo da missa dita em latim.
Mas antes do latim, era em grego, oi polloi, e a salvação de Cristo era destinada à generalidade da comunidade.
Será um pormenor, mas não deixa de indiciar certa tendência redutora; ora, a doutrina católica (aquela oficial da Igreja Romana) tem, até etimologicamente, vocação universal, pressupõe abrangência e compreensão, inclusão e universalidade.
De volta então a Faranaz Keshavjee e à sua proposta universalista, a partir da consideração de Jesus pelo Islão como um Profeta e Guia Espiritual.
Movida pela curiosidade intelectual, humanista e afectiva, Faranaz Keshavjee estudou e revisitou os fundamentos do Islão, e afirma:
- “Jesus surge no Alcorão e nos Evangelhos (ditos) Muçulmanos como o Profeta do Amor; o Guia das virtudes cardinais: a Paciência, a Humildade, a Renúncia ao materialismo, o Silêncio. Jesus também aparece como o "obreiro dos milagres"; o "viajante"; o "arrependido"; o "Redentor". Jesus é para os muçulmanos o Selo dos Santos. Jesus, é o grande Sufi. Jesus também é muçulmano!”
Para a doutrina Católica, Jesus está em toda a parte.
Nos corações muçulmanos e nos nossos.
Crentes de todas crenças.
Titulares de múltiplas humanas diferenças.
E de múltiplas humanas semelhanças !
Feliz Natal ! ! !
observacoes sao bem vindas
2006-11-22
bemquerer instante
americanices
um Ditos para desanuviar de tanta notícia de digestão difícil - eis uma das muitas boas razões para se apagar a TV ao jantar !!!
registo de interesses e inspiração: tudo fonte no bom DN lido durante o almoço (!)
ora, sucede que a Edições Murdoch (vulgo News Corporation) anuncia a desedição de magífico ex-futuro-best seller dedicado à (in)verosimilhante novela dos eventuais, supostos, alegados factos que assim teriam sido praticados isto a terem sido praticados por mediática personagem de nome sincopadao à americana, um tal OJ Simpson, ex-futebolista de uma estranha modalidade sem pés nem bola;
a Televisões Murdoch (vulgo Fox) cancela a emissão da correspectiva entrevista promocional;
o Presidente Murdoch (vulgo Robert) veio piamente explicar que o assunto era doentio, isto depois de queixas de púdicos cidadãos, incomodados telespectadores e, igualmente palpável mas um tudo nada menos etéreo, umas ameaças de processos em busca de chorudas indemnizações (à la americana, tudo aos milhões) por parte de diligentes e ansiosos causídicos da Família das vítimas - a saber, a ex-mulher do ex-futuro escritor de best sellers e um amigo dela
claro que não estamos livres de o dito livro acabar por ser publicado e o ex-futuro autor poderá mais tarde reclamar que pôs os americanos a ler, agora com a publicidade reforçada do aspecto doentio da trama e correspondente fascínio acrescido
tão pouco de haver à mesma uns processos de indemnização por prejuízos havidos e não havidos
mas se há moral a retirar desta historieta é que tudo tem o seu limite mesmo na pátria da liberdade de expressão, passe os solavancos das mesmas - a pátria, a liberdade e a expressão
(esta linha de raciocínio poderia dar pano para mangas...)
outro ponto a assinalar é que os factos ocorreram em 12 de Junho de 1994 e foram julgados em 3 de Outubro de 1995 !
1 ano e 3 meses para perseguição, detenção, inquérito, acusação, instrução, defesa, nomeação de jurados, constituição do Tribunal, produção das provas, audiências, alegações, julgamento e decisão !!
é obra !!!
claro que há pequenos reversos: a absolvição criminal de OJ Simpson mereceu intensas críticas, de natureza processual e material, para além de não coincidir com a decisão civil condenatória
em contrapartida, consta que não terá sido pago um dólar aos queixosos, familiares das vítimas
mas o cândido ex-escritor tem direito ao jametinhasdito deste post ao afirmar "Eu queria apenas esclarecer algumas coisas que ficaram pouco claras" !
pouco claras? algumas coisas ?
jametinhastido, OJ Simpson ... !
observacoes sao bem vindas
registo de interesses e inspiração: tudo fonte no bom DN lido durante o almoço (!)
ora, sucede que a Edições Murdoch (vulgo News Corporation) anuncia a desedição de magífico ex-futuro-best seller dedicado à (in)verosimilhante novela dos eventuais, supostos, alegados factos que assim teriam sido praticados isto a terem sido praticados por mediática personagem de nome sincopadao à americana, um tal OJ Simpson, ex-futebolista de uma estranha modalidade sem pés nem bola;
a Televisões Murdoch (vulgo Fox) cancela a emissão da correspectiva entrevista promocional;
o Presidente Murdoch (vulgo Robert) veio piamente explicar que o assunto era doentio, isto depois de queixas de púdicos cidadãos, incomodados telespectadores e, igualmente palpável mas um tudo nada menos etéreo, umas ameaças de processos em busca de chorudas indemnizações (à la americana, tudo aos milhões) por parte de diligentes e ansiosos causídicos da Família das vítimas - a saber, a ex-mulher do ex-futuro escritor de best sellers e um amigo dela
claro que não estamos livres de o dito livro acabar por ser publicado e o ex-futuro autor poderá mais tarde reclamar que pôs os americanos a ler, agora com a publicidade reforçada do aspecto doentio da trama e correspondente fascínio acrescido
tão pouco de haver à mesma uns processos de indemnização por prejuízos havidos e não havidos
mas se há moral a retirar desta historieta é que tudo tem o seu limite mesmo na pátria da liberdade de expressão, passe os solavancos das mesmas - a pátria, a liberdade e a expressão
(esta linha de raciocínio poderia dar pano para mangas...)
outro ponto a assinalar é que os factos ocorreram em 12 de Junho de 1994 e foram julgados em 3 de Outubro de 1995 !
1 ano e 3 meses para perseguição, detenção, inquérito, acusação, instrução, defesa, nomeação de jurados, constituição do Tribunal, produção das provas, audiências, alegações, julgamento e decisão !!
é obra !!!
claro que há pequenos reversos: a absolvição criminal de OJ Simpson mereceu intensas críticas, de natureza processual e material, para além de não coincidir com a decisão civil condenatória
em contrapartida, consta que não terá sido pago um dólar aos queixosos, familiares das vítimas
mas o cândido ex-escritor tem direito ao jametinhasdito deste post ao afirmar "Eu queria apenas esclarecer algumas coisas que ficaram pouco claras" !
pouco claras? algumas coisas ?
jametinhastido, OJ Simpson ... !
observacoes sao bem vindas
2006-11-19
gastação au Madeira
este jametinhasdito é um post scriputum à nota sobre gastadura natalícia
é que no entretanto o FIDELíssimo Alberto João Jardim antecipou-se aos gastadores do con-tenente e já deu fogo à peça nas iluminaduras festivas, para gáudio de turistas e locais
está bom de ver que é bonito de ver e a sensação é agradável, o que também tem a sua conta e medida numa região com invulgares atractivos turísticos merecedores de iniciativas aptas a potenciar essa importante fatia da economia
a ideia de necessidade de contenção mantém inteiro mérito mas, doseadamente e com critérios prudentes quanto a gastos de dinheiros públicos, há investimentos que não podem deixar de ser feitos sob pena de se comprometer o retorno de parcela da actividade económica relevante para o desenvolvimento da região
mas o malho volta à mula da cooperativa e o bailinho da Madeira vai ao ponto de ter sido adjudicada a festança a deputados do PSD, Jaime Ramos e filho, por via de insularidades legislativas que mandam às malvas a ética nos negócios e a moral na política
mas jámetinhamdito que na madeira da ilha não há moralidade
só comem alguns
os mesmos
e tudo
observacoes sao bem vindas
é que no entretanto o FIDELíssimo Alberto João Jardim antecipou-se aos gastadores do con-tenente e já deu fogo à peça nas iluminaduras festivas, para gáudio de turistas e locais
está bom de ver que é bonito de ver e a sensação é agradável, o que também tem a sua conta e medida numa região com invulgares atractivos turísticos merecedores de iniciativas aptas a potenciar essa importante fatia da economia
a ideia de necessidade de contenção mantém inteiro mérito mas, doseadamente e com critérios prudentes quanto a gastos de dinheiros públicos, há investimentos que não podem deixar de ser feitos sob pena de se comprometer o retorno de parcela da actividade económica relevante para o desenvolvimento da região
mas o malho volta à mula da cooperativa e o bailinho da Madeira vai ao ponto de ter sido adjudicada a festança a deputados do PSD, Jaime Ramos e filho, por via de insularidades legislativas que mandam às malvas a ética nos negócios e a moral na política
mas jámetinhamdito que na madeira da ilha não há moralidade
só comem alguns
os mesmos
e tudo
observacoes sao bem vindas
loas a recato
sob os auspícios do nortista e populista Menezes, um dirigente do PSD explicou no claro exigir de Cavaco Silva o devido recato nas loas a Sócrates
jametinhasdito !
ou andam esquecidos do que Sócrates fez para lá pôr o Cavaco ?
até o Marocas acabou por perceber...
e a quem não se queira lembrar, Santana reexplicou tim tim por tim em hilariante entrevista de apresentação de mais um sucesso editorial de pôr-os-portugueses-a-ler
agora queixam-se ?
jametinhamdito ...
observacoes sao bem vindas
jametinhasdito !
ou andam esquecidos do que Sócrates fez para lá pôr o Cavaco ?
até o Marocas acabou por perceber...
e a quem não se queira lembrar, Santana reexplicou tim tim por tim em hilariante entrevista de apresentação de mais um sucesso editorial de pôr-os-portugueses-a-ler
agora queixam-se ?
jametinhamdito ...
observacoes sao bem vindas
2006-11-17
gastação
era início de Novembro e estava a Av. da Liberdade em sessão de embelezamento natalício, com esferas a frutificar nas árvores, algumas das quais azuis, bem promissoras...
parecia cedo para a iluminação de Natal e tarde para a antecipação de Santana Lopes, o "Estável", longe que vão os tempos da iluminação natalícia a rodos logo no início de Outubro
depois chegou a notícia: por razões de contenção, as luzes acendem apenas duas semanas mais tarde que o previsto, a 25 de Novembro
ainda assim, um mês para alegrar a cidade, animar o comércio e iluminar os munícipes
entretanto, Eduardo Prado Coelho acolheu o tema no "Fio do Horizonte", inquieto com as despesas ainda assim excessivas em época de crise - debatia-se o Orçamento do Estado por esses dias e invocava-se a dificuldade financeira que a Câmara causou ao Município de Lisboa
pareceu estranho, quase merecia um jametinhasdto de júbilo!
pelo raro e oportuno acerto de sensatez tanto como pelo inusitado lampejo de económica racionalidade vindo de quem de esquerda política, literária e cultural !!!
é claro que estabelecimentos há que já iluminam tudo al redor para captar fidúcia ao freguês, es la vida - mas aí o caso é privado, o investidor assume o investimento, o risco e a despesa inicial, embora no final o Cliente acabe por pagar, na despesa que faz, a despesa da luz do Natal
nas Avenidas e na Baixa a conversa é bem outra, pagamos nós a investidura da Câmara no alento dos comerciantes, no embelezamento da urbe e no extasiar dos transeuntes
ora, vem hoje à luz que a Câmara de Lisboa já contabiliza mil milhões de euros de encargos financeiros, dos quais duzentos milhões em dívida de curto prazo, tudo sujeito a juros, portanto
espera-se um especial esforço de contenção
há bem pouco tempo uma carta ao director de um jornal diário falava na falta de verba que foi invocada oficialmente para não se avançar com um projecto de edições de obras da literatura portuguesa, desperdiçando-se importantes apoios de fundações americanas; e citava António Hespanha que perante o mesmo tipo de cortes recorria ao argumento de comparação com a despesa em efémeros fogos de artifício
apesar da agradável sensação que os espectáculos de fogos de artifício proporcionam, a crescidos e graúdos, a evocação deixa um nó na garganta: em tempo de contenção alto e pára o baile, o foguetório fica para depois, quando houver excedente ou suficiente margem de manobra para folias, satisfeitas que estejam as obrigações fundamentais do Estado e da Autarquia, sem prejuízo algum para projectos prioritários
se a hora é de poupar, a Câmara tem que dar o exemplo e não gastar o que tem e o que não tem
e é bom que alguém veja claro por entre as zangas de comadres com que nos empoeiram os olhos
poupe-se na artificial mas... haja luz !!!
observacoes sao bem vindas
parecia cedo para a iluminação de Natal e tarde para a antecipação de Santana Lopes, o "Estável", longe que vão os tempos da iluminação natalícia a rodos logo no início de Outubro
depois chegou a notícia: por razões de contenção, as luzes acendem apenas duas semanas mais tarde que o previsto, a 25 de Novembro
ainda assim, um mês para alegrar a cidade, animar o comércio e iluminar os munícipes
entretanto, Eduardo Prado Coelho acolheu o tema no "Fio do Horizonte", inquieto com as despesas ainda assim excessivas em época de crise - debatia-se o Orçamento do Estado por esses dias e invocava-se a dificuldade financeira que a Câmara causou ao Município de Lisboa
pareceu estranho, quase merecia um jametinhasdto de júbilo!
pelo raro e oportuno acerto de sensatez tanto como pelo inusitado lampejo de económica racionalidade vindo de quem de esquerda política, literária e cultural !!!
é claro que estabelecimentos há que já iluminam tudo al redor para captar fidúcia ao freguês, es la vida - mas aí o caso é privado, o investidor assume o investimento, o risco e a despesa inicial, embora no final o Cliente acabe por pagar, na despesa que faz, a despesa da luz do Natal
nas Avenidas e na Baixa a conversa é bem outra, pagamos nós a investidura da Câmara no alento dos comerciantes, no embelezamento da urbe e no extasiar dos transeuntes
ora, vem hoje à luz que a Câmara de Lisboa já contabiliza mil milhões de euros de encargos financeiros, dos quais duzentos milhões em dívida de curto prazo, tudo sujeito a juros, portanto
espera-se um especial esforço de contenção
há bem pouco tempo uma carta ao director de um jornal diário falava na falta de verba que foi invocada oficialmente para não se avançar com um projecto de edições de obras da literatura portuguesa, desperdiçando-se importantes apoios de fundações americanas; e citava António Hespanha que perante o mesmo tipo de cortes recorria ao argumento de comparação com a despesa em efémeros fogos de artifício
apesar da agradável sensação que os espectáculos de fogos de artifício proporcionam, a crescidos e graúdos, a evocação deixa um nó na garganta: em tempo de contenção alto e pára o baile, o foguetório fica para depois, quando houver excedente ou suficiente margem de manobra para folias, satisfeitas que estejam as obrigações fundamentais do Estado e da Autarquia, sem prejuízo algum para projectos prioritários
se a hora é de poupar, a Câmara tem que dar o exemplo e não gastar o que tem e o que não tem
e é bom que alguém veja claro por entre as zangas de comadres com que nos empoeiram os olhos
poupe-se na artificial mas... haja luz !!!
observacoes sao bem vindas
2006-11-10
túnel a metro
em seu afã tuneleiro, a Câmara Municipal de Lisboa tem prolongadamente massacrado o escalpe aos transeuntes das redondezas da Praça Marquês de Pombal, centro geográfico e de circulação pedonal em Lisboa, movimentando diariamente muitos milhares de cidadãos, assim rotundamente atingidos por demoradas obras, desfeitas e manobras no epicentro metropolitano da capital
na Rotunda, as passadeiras provisórias eternizam-se, os circuitos precarizam-se, as paragens de autocarro descontinuam-se, a fluidez ressente-se, os semáforos intermitentes acostumam-se, os sinais de trânsito transfugam-se, os polícias plantaram-se e as máquinas sedimentam-se - umas jazem lá sepultadas, algumas já lá nasceram, outras ficam lá reformadas ...
ontem, dia de greve de trabalhadores do Metropolitano, o túnel de acesso ao popular transporte subterrâneo apresentou-se decorado a pesadas grades: encerrado !
sucede que o ditoso túnel serve há décadas de travessia subterrânea da Avenida da Liberdade, eixo central da cidade por onde cruzam apressados automobilistas na chuva dissolvente dos afazeres rotineiros e dos percursos viários
junto à Praça Marquês de Pombal não há passadeiras de peões sobre a Avenida da Liberdade
aliás, para evitar tão perigosa travessia face ao movimento contínuo e intenso de automóveis que de muitos lados acedem e percorrem aquela rotunda, o passeio está delimitado por correntes metálicas que deliberadamente dificultam a passagem de peões, assim forçados a recorrer ao túnel
ou seja, foi o descalabro, com pessoas de todas as idades e condições a terem que calcorrear passeios e relva, ultrapassar as correntes e atravessar arriscadamente os lanços centrais da Avenida da Liberdade por entre automóveis desenfreados
a Câmara Municipal de Lisboa tenta abrir um túnel mas fecha os que já existem, compromeotendo a segurança dos transeuntes
jametinhasdito, ó CML pseudo-tuneleira !!!
tá mal...
observacoes sao bem vindas
na Rotunda, as passadeiras provisórias eternizam-se, os circuitos precarizam-se, as paragens de autocarro descontinuam-se, a fluidez ressente-se, os semáforos intermitentes acostumam-se, os sinais de trânsito transfugam-se, os polícias plantaram-se e as máquinas sedimentam-se - umas jazem lá sepultadas, algumas já lá nasceram, outras ficam lá reformadas ...
ontem, dia de greve de trabalhadores do Metropolitano, o túnel de acesso ao popular transporte subterrâneo apresentou-se decorado a pesadas grades: encerrado !
sucede que o ditoso túnel serve há décadas de travessia subterrânea da Avenida da Liberdade, eixo central da cidade por onde cruzam apressados automobilistas na chuva dissolvente dos afazeres rotineiros e dos percursos viários
junto à Praça Marquês de Pombal não há passadeiras de peões sobre a Avenida da Liberdade
aliás, para evitar tão perigosa travessia face ao movimento contínuo e intenso de automóveis que de muitos lados acedem e percorrem aquela rotunda, o passeio está delimitado por correntes metálicas que deliberadamente dificultam a passagem de peões, assim forçados a recorrer ao túnel
ou seja, foi o descalabro, com pessoas de todas as idades e condições a terem que calcorrear passeios e relva, ultrapassar as correntes e atravessar arriscadamente os lanços centrais da Avenida da Liberdade por entre automóveis desenfreados
a Câmara Municipal de Lisboa tenta abrir um túnel mas fecha os que já existem, compromeotendo a segurança dos transeuntes
jametinhasdito, ó CML pseudo-tuneleira !!!
tá mal...
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