o Ditos dá as boas vindas ao novo publico.pt, às novas funcionalidades, acessos e interactividades, bem como a mais atenção ao leitor e às suas contribuições e participação
dir-se-ia que não há propriamente inflexão mas antes uma verdadeira evolução, pois a possibilidade de aceder aos artigos do Público impresso, embora condicionadamente como é natural, vem acrescida de um conjunto de mais valias para o leitor e ... mesmo para novos leitores !
saúda-se em particular a vertente de captação de novos leitores e de funcionalidades apelativas à interacção com o jornal, com quem o faz e com quem o lê!
é autêntico serviço público, que bem merece ser compensado com ganhos em audiência e preferência dos compradores de espaço publicitário
um jametinhasdito de júbilo e de parabéns pela iniciativa de revivificação do Público em linha!!!
bem haja quem...
observacoes sao bem vindas
2006-10-02
2006-09-30
aos quadradinhos ?
e ao terceiro sábado já não compro o Sun, digo, o jornal Sol !
o Expresso talvez, mas só se calhar... e durante anos (desde o virulento mau perder contra o dedo na ferida de João Carreira Bom) também esteve a jejum
digamos que foi para experimentar (e dar hipóteses) a remodelação dos semanários, com o oportuno encerramento do Independente e o oportuno restyling do Expresso, já para não falar das coincidentes alterações em diversas publicações (pequenas mudanças de cadernos adicionais no Público, campanha agressiva do Correio de Manhã de sábado e outras alterações de fim de semana) tudo por ocasião do oportuno lançamento do Sol
e digamos que está visto, mais DVD menos DVD, sendo de assinalar a curiosidade de alguns "leitores" atirarem o saco inteiro para o lixo logo no momento da compra, arrecadando apenas o dito DVD
o que deixa por terra toda a estatística sobre tiragens, liderança, circulação e conceitos afins do mundo editorial
voltando ao Sol: a primeira página do primeiro número tinha que ser mais parangona que sempre, o objectivo assumido é o de ser líder desde início
para isso serviram-se da imagem de Isaltino Morais, assim interposto vendedor de Sol em papel, por via do estafado problema da casa penhorada no âmbito de processo judicial em curso
qual a notícia ? jametinhasdito!! nenhuma !!!
era mesmo só caça-compradores para milhares de jornais, tantos quantos os DVD expressamente oferecidos pelo semanário concorrente, no caso o da situação
bem arquitectado, portanto, a la António José Saraiva
o visado achou talvez menos graça e defendeu-se
daí ao segundo número, o Director confesso não vai de modos: a coisa é a sério e, notícia de primeira página, o jornal processa Isaltino, por virtude de intolerância "em relação à calúnia, procurando ter com o país uma relação séria e exigindo ser retribuído" - e pelos vistos, ai de quem...
por outro lado, mais um processo, mais notícias sobre o Sol, mais vendas de jornal e por aí fora, regista-se o método ...
mas, pior um pouco, Margarida Marante faz logo de jornalista advogada de defesa
e recorre à velha técnica da cadeira vazia (da SIC, de Balsemão, do sistema criticado por ... João Carreira Bom, o que motivou a sua perseguição e expulsão por José António Saraiva) numa página inteira repetindo enorme fotografia, recordando o percurso político de Isaltino, recenseando o que poderá acontecer aos processos e a Isaltino Morais - tudo notícias frescas, portanto - e concluindo com perguntas formuladas e que não foram respondidas, uma autêntica bomba perfuradora na razão da vítima
admitindo que o Sol terá muitos e bons leitores (ou grandes, como os que fazem os grandes jornais) e que poderá dar um grande contributo ao país de conquistar sobretudo novos leitores (sendo inteiramente legítimo que dispute leitores e até compradores a outras publicações) creio que é de dispensar ameaças ensombradoras de construir um Sol aos quadradinhos
cada qual se proteja
observacoes sao bem vindas
o Expresso talvez, mas só se calhar... e durante anos (desde o virulento mau perder contra o dedo na ferida de João Carreira Bom) também esteve a jejum
digamos que foi para experimentar (e dar hipóteses) a remodelação dos semanários, com o oportuno encerramento do Independente e o oportuno restyling do Expresso, já para não falar das coincidentes alterações em diversas publicações (pequenas mudanças de cadernos adicionais no Público, campanha agressiva do Correio de Manhã de sábado e outras alterações de fim de semana) tudo por ocasião do oportuno lançamento do Sol
e digamos que está visto, mais DVD menos DVD, sendo de assinalar a curiosidade de alguns "leitores" atirarem o saco inteiro para o lixo logo no momento da compra, arrecadando apenas o dito DVD
o que deixa por terra toda a estatística sobre tiragens, liderança, circulação e conceitos afins do mundo editorial
voltando ao Sol: a primeira página do primeiro número tinha que ser mais parangona que sempre, o objectivo assumido é o de ser líder desde início
para isso serviram-se da imagem de Isaltino Morais, assim interposto vendedor de Sol em papel, por via do estafado problema da casa penhorada no âmbito de processo judicial em curso
qual a notícia ? jametinhasdito!! nenhuma !!!
era mesmo só caça-compradores para milhares de jornais, tantos quantos os DVD expressamente oferecidos pelo semanário concorrente, no caso o da situação
bem arquitectado, portanto, a la António José Saraiva
o visado achou talvez menos graça e defendeu-se
daí ao segundo número, o Director confesso não vai de modos: a coisa é a sério e, notícia de primeira página, o jornal processa Isaltino, por virtude de intolerância "em relação à calúnia, procurando ter com o país uma relação séria e exigindo ser retribuído" - e pelos vistos, ai de quem...
por outro lado, mais um processo, mais notícias sobre o Sol, mais vendas de jornal e por aí fora, regista-se o método ...
mas, pior um pouco, Margarida Marante faz logo de jornalista advogada de defesa
e recorre à velha técnica da cadeira vazia (da SIC, de Balsemão, do sistema criticado por ... João Carreira Bom, o que motivou a sua perseguição e expulsão por José António Saraiva) numa página inteira repetindo enorme fotografia, recordando o percurso político de Isaltino, recenseando o que poderá acontecer aos processos e a Isaltino Morais - tudo notícias frescas, portanto - e concluindo com perguntas formuladas e que não foram respondidas, uma autêntica bomba perfuradora na razão da vítima
admitindo que o Sol terá muitos e bons leitores (ou grandes, como os que fazem os grandes jornais) e que poderá dar um grande contributo ao país de conquistar sobretudo novos leitores (sendo inteiramente legítimo que dispute leitores e até compradores a outras publicações) creio que é de dispensar ameaças ensombradoras de construir um Sol aos quadradinhos
cada qual se proteja
observacoes sao bem vindas
2006-09-25
Setembral au paradis

em terras de Ocidente, Al-Gharb de outros tempos, restam ainda resplandescentes paraísos, habitados à uma por empedernidos viajantes e esvoaçantes residentes
as amigas ditosas de Setembro sabem mais de equinócios que muitos laboratórios mateorológicos e aproveitam o sol e a refrescante brisa do mar
de peito feito, percorrem pelo ar as correntes quentes que sobrevoam as linhas que cosem a terra ao mar
nas pedras extremas, os homens prolongam o fio que liga a espuma ao horizonte, reto ao paraíso, a pretexto de umas horas meditabundas a remexer a origem e o fim da vida, sempre ténue, sempre revolucionária, sempre esplêndida !
se as gaivotas são as mesmas da canção da liberdade, como elas somos livres... de sonhar !!!
observacoes sao bem vindas
2006-08-14
TV incendiária
Inacreditável e vergonhosa a forma raivosa e de mau perder com que a SICnotícias concluiu hoje uma informação sobre a interdição temporária de acesso ao centro de comando de uma operação dos bombeiros no combate a um incêndio.
Na peça, a SICnotícias dava conta de não lhe ter sido permitido aceder a um "local público" (???) transformado em central de operações durante um combate a incêndio pelos nossos soldados da paz.
Para reticente chave de ouro, uma garbosa jornalista jametinhadito que "até parece que (os bombeiros, a GNR, o Ministro ?) têm algo a esconder ..."
Apesar do enquadramento de idênticos procedimentos em países civilizados, por razões óbvias, a SICnotícias caiu na esparrela de nos presentear com mais uma lamentável peça revanchista, justamente num tema em que as TV portuguesas têm bastas culpas no cartório, pelo insistente arremedo incendiário que não se cansam de atear, bem sabendo os nefastos efeitos que resultam e por isso tão denodadamente procuram :((
Haja tento...
observacoes sao bem vindas
Na peça, a SICnotícias dava conta de não lhe ter sido permitido aceder a um "local público" (???) transformado em central de operações durante um combate a incêndio pelos nossos soldados da paz.
Para reticente chave de ouro, uma garbosa jornalista jametinhadito que "até parece que (os bombeiros, a GNR, o Ministro ?) têm algo a esconder ..."
Apesar do enquadramento de idênticos procedimentos em países civilizados, por razões óbvias, a SICnotícias caiu na esparrela de nos presentear com mais uma lamentável peça revanchista, justamente num tema em que as TV portuguesas têm bastas culpas no cartório, pelo insistente arremedo incendiário que não se cansam de atear, bem sabendo os nefastos efeitos que resultam e por isso tão denodadamente procuram :((
Haja tento...
observacoes sao bem vindas
2006-08-07
encolhas de Marcelo
mais um Domingo, mais uma conversa em Família, à la Marcelo Rebelo de Sousa
no último Domingo de Julho, comentara a notícia da passagem à reforma de Manuel Alegre, incompetentemente truncada por jornais de 5ª categoria, logo rebatendo na vox populi e nos seus programas ecos
percebendo, mesmo segundo os dados truncados pela comunicação urubu, que nada havia de irregular na pensão de reforma sob notícia, Marcelo encolheu-se: estava tudo bem mas Manuel Alegre não precisa da reforma da RDP, recebe mais de direitos de autor, devia prescindir, era o que faria Marcelo naquela situação, em seu lugar renunciaria, jametinhadito!
caiu, pois, no logro e na categoria da dita imprensa, tentando safar-se com moralismos de quem se acha na certeza de saber mais que o próprio, alvitrando ainda para a hipotética renúncia que decidiria se acaso estivesse em tal condição, que supunha ser a de ter direito a uma reforma por três meses de trabalho, a situação afigurava-se injusta, mesmo se totalmente regular face aos descontos efectuados durante uma vida, mais de 30 anos, tendo os serviços da Segurança Social atribuído automaticamente a pensão de reforma nos termos da lei
aliás, conforme Marcelo reconheceu, Manuel Alegre exerceu o seu direito de opção para receber apenas um terço da referida pensão, uma vez que se mantém no activo como Deputado,auferindo o respectivo vencimento
o processo de reforma foi desencadeado por Manuel Alegre ter atingido 70 anos de idade
Marcelo voltou hoje ao tema, para corrigir o tiro: afinal não era uma reforma por três meses de trabalho na RDP, era "a reforma", a pensão de reforma referente à totalidade da actividade profissional de Manuel Alegre, deixando finalmente cair a patranha dos três meses de trabalho na RDP
mais ainda houve direito a mais uma encolha de Marcelo
para terminar, a conversa em Família discorreu sobre a duplicação de pensões de que os Deputados beneficiam se perfizerem 12 anos de mandato, o que neste caso já sucedeu e excedeu, Alegre está na Assembleia desde a Constituinte, em 1975
e é assim, aparato, estrondo e hipotética renúncia virtuosa no último Domingo de Julho, a corrigir com o mal já feito na conversa do primeiro Domingo de Agosto
haja paciência
observacoes sao bem vindas
no último Domingo de Julho, comentara a notícia da passagem à reforma de Manuel Alegre, incompetentemente truncada por jornais de 5ª categoria, logo rebatendo na vox populi e nos seus programas ecos
percebendo, mesmo segundo os dados truncados pela comunicação urubu, que nada havia de irregular na pensão de reforma sob notícia, Marcelo encolheu-se: estava tudo bem mas Manuel Alegre não precisa da reforma da RDP, recebe mais de direitos de autor, devia prescindir, era o que faria Marcelo naquela situação, em seu lugar renunciaria, jametinhadito!
caiu, pois, no logro e na categoria da dita imprensa, tentando safar-se com moralismos de quem se acha na certeza de saber mais que o próprio, alvitrando ainda para a hipotética renúncia que decidiria se acaso estivesse em tal condição, que supunha ser a de ter direito a uma reforma por três meses de trabalho, a situação afigurava-se injusta, mesmo se totalmente regular face aos descontos efectuados durante uma vida, mais de 30 anos, tendo os serviços da Segurança Social atribuído automaticamente a pensão de reforma nos termos da lei
aliás, conforme Marcelo reconheceu, Manuel Alegre exerceu o seu direito de opção para receber apenas um terço da referida pensão, uma vez que se mantém no activo como Deputado,auferindo o respectivo vencimento
o processo de reforma foi desencadeado por Manuel Alegre ter atingido 70 anos de idade
Marcelo voltou hoje ao tema, para corrigir o tiro: afinal não era uma reforma por três meses de trabalho na RDP, era "a reforma", a pensão de reforma referente à totalidade da actividade profissional de Manuel Alegre, deixando finalmente cair a patranha dos três meses de trabalho na RDP
mais ainda houve direito a mais uma encolha de Marcelo
para terminar, a conversa em Família discorreu sobre a duplicação de pensões de que os Deputados beneficiam se perfizerem 12 anos de mandato, o que neste caso já sucedeu e excedeu, Alegre está na Assembleia desde a Constituinte, em 1975
e é assim, aparato, estrondo e hipotética renúncia virtuosa no último Domingo de Julho, a corrigir com o mal já feito na conversa do primeiro Domingo de Agosto
haja paciência
observacoes sao bem vindas
2006-08-05
Ai Cuba
Uns espanhuéis sabichões jametinhamdito que analisaram apressadamente escassos gramas de poeira óssea e afirmam tratar-se de ínfima porção de Zarco, o outro, que quandolhe conveio passou a assinar Cristóvão Colombo.
Mas esqueceram-se, jametinhamdito, de cumprir as regras - próprias das nações civilizadas - da ética científica e da diplomacia e querem fazer-se esquecidos da razão porque o dito navegador luso, depois de nomear de São Salvador, o seu nome próprio, a primeira ilha que encontrou a ocidente dos Açores, saudoso da sua terra natal nos arredores de Beja, a uma outra ilha da América Central chamou Cuba.
Esta é também conhecida por, 500 anos depois, ter sido delegada (por despacho exarado no verso da guia de marcha para internamento hospitalar ?) a um tal Raul, por força de impedimento clínico de seu real irmão, o ditador Alberto João, digo, Fidel Castro... que os deuses aguentem cheio de saúde !
A quem for possível ir o mais brevemente à República filial da Freguesia de Santo Domingo de Benfica, é pôr tudo em pratos limpos, jametinhasdito, a navegar em águas cristalinas e prestar justa homenagem ao famoso descobridor português que, a soldo de D. João II executou o colossal embuste da maior manobra de diversão da história geo-política, distraindo os espanhóis das riquezas da terra brasílis antes identificadas pelos nossos marinheiros.
Como leitura de férias - o Ditos pode emprestar um exemplar a quem ainda não leu - recomenda-se o "Codex 632", de José Rodrigues dos Santos, escrito durante os entreváis das bombas do Afeganistão, das armas de destruição maciça do Iraque, dos rockets do sul do Líbano, dos mísseis israelo-americanos, mais das traulitadas várias servo-croatas, checo-eslovacas, nagorno-karabakas, bósnio-herzigova, digo, hesgrovinas e outras que tais, sempre a acabar em ais ...
Saudações luzitanas, eh eh ! ! !
PS - agora a sério, recomendação cultural para férias grandes recairia sobre o romance policial "Longe de Manaus", de Francisco José Viegas, outro jornalista escritor da nossa pátria que é a língua portuguesa, mai'nada !
observacoes sao bem vindas
Mas esqueceram-se, jametinhamdito, de cumprir as regras - próprias das nações civilizadas - da ética científica e da diplomacia e querem fazer-se esquecidos da razão porque o dito navegador luso, depois de nomear de São Salvador, o seu nome próprio, a primeira ilha que encontrou a ocidente dos Açores, saudoso da sua terra natal nos arredores de Beja, a uma outra ilha da América Central chamou Cuba.
Esta é também conhecida por, 500 anos depois, ter sido delegada (por despacho exarado no verso da guia de marcha para internamento hospitalar ?) a um tal Raul, por força de impedimento clínico de seu real irmão, o ditador Alberto João, digo, Fidel Castro... que os deuses aguentem cheio de saúde !
A quem for possível ir o mais brevemente à República filial da Freguesia de Santo Domingo de Benfica, é pôr tudo em pratos limpos, jametinhasdito, a navegar em águas cristalinas e prestar justa homenagem ao famoso descobridor português que, a soldo de D. João II executou o colossal embuste da maior manobra de diversão da história geo-política, distraindo os espanhóis das riquezas da terra brasílis antes identificadas pelos nossos marinheiros.
Como leitura de férias - o Ditos pode emprestar um exemplar a quem ainda não leu - recomenda-se o "Codex 632", de José Rodrigues dos Santos, escrito durante os entreváis das bombas do Afeganistão, das armas de destruição maciça do Iraque, dos rockets do sul do Líbano, dos mísseis israelo-americanos, mais das traulitadas várias servo-croatas, checo-eslovacas, nagorno-karabakas, bósnio-herzigova, digo, hesgrovinas e outras que tais, sempre a acabar em ais ...
Saudações luzitanas, eh eh ! ! !
PS - agora a sério, recomendação cultural para férias grandes recairia sobre o romance policial "Longe de Manaus", de Francisco José Viegas, outro jornalista escritor da nossa pátria que é a língua portuguesa, mai'nada !
observacoes sao bem vindas
2006-07-21
2006-07-13
o contador de gaivotas
(Donde sopra esta brisa assim e quente que me segreda aos ouvidos?)
Ofício difícil, este de vaguear pela praia.
Aceitei uma vaga azul,
a sul
do paralelo de Mú.
Faço-o com empenho,
mas não é fácil.
Sem horários,
o tempo é tecido nas marés,
pela dança do sol com a lua.
O recenseamento das gaivotas
é registado com rigor no quadro da areia da praia.
Mas isso tem os seus preceitos e não pode ser em qualquer sítio.
Tem que ser naquela zona onde o mar vem ler.
Desconheço o que acontece depois,
mas seguramente o mar guardará tudo na memória
em água e sal
para eterna conservação.
Tenho ainda outra missão
e dela só posso falar muito genericamente
por causa do segredo profissional.
Guardo pares de pegadas
deixadas ali muito paralelamente
na areia molhada de quando a maré se agacha.
A seguir o mar, na sua regularidade, recolhe-as e, depois de tratada a informação, permite a leitura aos interessados.
É por isso que os amantes procuram a beira-mar,
sobretudo naquela hora mágica que antecede o crepúsculo.
E quando dizem “amo-te” é porque se asseguraram
que isso está escrito lá ao fundo,
na horizontal do mar,
só para quem sabe ler na água.
Gregório Salvaterra, contador de gaivotas e poeta público
(transcrito de "Mar Algarvio", Maio 2006, CCDRAlgarve e Município de Portimão
observacoes sao bem vindas
Ofício difícil, este de vaguear pela praia.
Aceitei uma vaga azul,
a sul
do paralelo de Mú.
Faço-o com empenho,
mas não é fácil.
Sem horários,
o tempo é tecido nas marés,
pela dança do sol com a lua.
O recenseamento das gaivotas
é registado com rigor no quadro da areia da praia.
Mas isso tem os seus preceitos e não pode ser em qualquer sítio.
Tem que ser naquela zona onde o mar vem ler.
Desconheço o que acontece depois,
mas seguramente o mar guardará tudo na memória
em água e sal
para eterna conservação.
Tenho ainda outra missão
e dela só posso falar muito genericamente
por causa do segredo profissional.
Guardo pares de pegadas
deixadas ali muito paralelamente
na areia molhada de quando a maré se agacha.
A seguir o mar, na sua regularidade, recolhe-as e, depois de tratada a informação, permite a leitura aos interessados.
É por isso que os amantes procuram a beira-mar,
sobretudo naquela hora mágica que antecede o crepúsculo.
E quando dizem “amo-te” é porque se asseguraram
que isso está escrito lá ao fundo,
na horizontal do mar,
só para quem sabe ler na água.
Gregório Salvaterra, contador de gaivotas e poeta público
(transcrito de "Mar Algarvio", Maio 2006, CCDRAlgarve e Município de Portimão
observacoes sao bem vindas
2006-07-05
intromissão

hoje as equipas de Portugal e França disputarão um lugar na final do campeonato mundial de futebol
ao certo, uma defrontará a Itália, já apurada, e a outra encontrará a Alemanha, candidata ao 3º lugar caseiro
se fosse a brincadeira "descubra o erro", a solução era facílima: Portugal raramente vai à fase final seja do que for, apesar de nem estarmos mal representados pelo futebol, francamente acima da média das nossas possibilidades num ror de modalidades desportivas
pior, bem acima da média de muitas modalidades económicas, políticas, educativas, culturais e de desenvolvimento social e humano em geral
talvez por isso e porque a massa humana é feita muito de emoções, os adeptos estão entusiasmados e muitos cidadãos tornaram-se adeptos durante a fase mais intensa do campeonato do mundo
e como se vê na imagem, a competição pode restringir-se ao terreno de jogo, ficando a rua para a expressão de desportivismo alegre e salutar, como é de boa vizinhança entre países com muitos lações fraternos
o desemprego, os azares da vida, o desalento, tudo pode esperar, adiando a má onda enquanto se aproveita a onda festiva
sim, porque haver uma onda de expectativa é já bom motivo de festa !
e por falar em festa, talvez o factor decisivo possa resultar de um alento especial com que os franceses não poderão contar - os industriais de ovos moles apoiam a selecção portuguesa, com a conta, peso e medida de uma receita doce de Aveiro, de onde também há boas notícias
oxalá esta receita supere a poção de Asterix, Obelix e Zidanix
assim os nossos Figolo, Ricardo Mãos de Aço e Cristiano Sem Pavor, provem a doce receita da vitória por que todos esperamos
já agora que nos intrometemos no campeonato dos grandes, era lindo trazer-lhes a taça para não serem sempre os mesmos a ganhar!
querem a taça ? jametinhasdito !!
a taça é nossa !!!
observacoes sao bem vindas
PS - o Ditos cumpriu o segundo centenário, de aqui fica discreto sinal; mas diz o ditado que "ao ano andante, aos dois falante", será que é melhor estudar como é que se põe audio nisto ? aceitam-se dicas e obrigado, por tudo !
abortar a lei
o Tribunal de Aveiro reapreciou um processo em que eram acusados 17 arguidos, anteriormente absolvidos por falta de provas incriminatórias, uma vez que certos exames médicos acusatórios haviam sido considerados realizados sob irregularidade processual
com a atribuição, pela Relação de Coimbra, de valor probatório aos ditos exames, ginecológicos, o novo julgamento divergiu do primeiro e condenou 5 dos arguidos: o médico responsável pela clínica, a técnica de saúde e 3 das mulheres que abortaram
haverá certamente recursos por parte da defesa e muitos julgamentos no passado concluiram pela absolvição de mulheres que abortaram, tendo ainda havido um indulto presidencial no mandato de Jorge Sampaio
mas ficam a doer muitas perguntas: só as mulheres são condenadas ? estarão sozinhas no assunto ? protegem os seus maridos e companheiros ?
jametinhasdito!
já a intervenção pública da Ordem dos Médicos contém elementos positivos, questionando o papel atribuído à lei e às punições para resolver algo que pertence à esfera dos valores, apelando à reflexão da sociedade
quanto ao médico, se bem que talvez para as aparências, o corporativismo promete acrescentar mais uma punição - disciplinar - assim receitando a eliminação da coerência...
também estranhamente, a Ordem dos Médicos não se pronuncia sobre o problema de saúde pública que alegadamente subsiste em Portugal, sem que se conheça desmentido oficial
então há diagnóstico mas não há terapia ?
jametinhasdito!!
se houver consciência e bom senso, alguém ficará a remoer a abstenção ao referendo de 1998
mas mais ainda quem caíu na armadilha do referendo
e de alguma forma todos quantos se deixaram enredar na inércia desde pelo menos 1974 - subsiste na lei portuguesa a condenação discriminatória e vexatória da mulher por ser mulher, o que deveria pura e simplesmente ter acabado no 25 de Abril, deveria decorrer da Constituição e deveria impor-se por força dos conceitos irrenunciáveis da igualdade de direitos e oportunidades
enquanto os legisladores, parlamentares e governantes, forem maioritariamente homens, como manda o Cavaco, Portugal pode ganhar jogos de futebol mas permanecerá uma vergonha no campeonato da civilização
jametinhasdito!!!
observacoes sao bem vindas
com a atribuição, pela Relação de Coimbra, de valor probatório aos ditos exames, ginecológicos, o novo julgamento divergiu do primeiro e condenou 5 dos arguidos: o médico responsável pela clínica, a técnica de saúde e 3 das mulheres que abortaram
haverá certamente recursos por parte da defesa e muitos julgamentos no passado concluiram pela absolvição de mulheres que abortaram, tendo ainda havido um indulto presidencial no mandato de Jorge Sampaio
mas ficam a doer muitas perguntas: só as mulheres são condenadas ? estarão sozinhas no assunto ? protegem os seus maridos e companheiros ?
jametinhasdito!
já a intervenção pública da Ordem dos Médicos contém elementos positivos, questionando o papel atribuído à lei e às punições para resolver algo que pertence à esfera dos valores, apelando à reflexão da sociedade
quanto ao médico, se bem que talvez para as aparências, o corporativismo promete acrescentar mais uma punição - disciplinar - assim receitando a eliminação da coerência...
também estranhamente, a Ordem dos Médicos não se pronuncia sobre o problema de saúde pública que alegadamente subsiste em Portugal, sem que se conheça desmentido oficial
então há diagnóstico mas não há terapia ?
jametinhasdito!!
se houver consciência e bom senso, alguém ficará a remoer a abstenção ao referendo de 1998
mas mais ainda quem caíu na armadilha do referendo
e de alguma forma todos quantos se deixaram enredar na inércia desde pelo menos 1974 - subsiste na lei portuguesa a condenação discriminatória e vexatória da mulher por ser mulher, o que deveria pura e simplesmente ter acabado no 25 de Abril, deveria decorrer da Constituição e deveria impor-se por força dos conceitos irrenunciáveis da igualdade de direitos e oportunidades
enquanto os legisladores, parlamentares e governantes, forem maioritariamente homens, como manda o Cavaco, Portugal pode ganhar jogos de futebol mas permanecerá uma vergonha no campeonato da civilização
jametinhasdito!!!
observacoes sao bem vindas
2006-06-25
meia noite e ponto

pela beleza e porque o exotismo espreita em todas as latitudes, o Ditos pediu emprestada a imagem do sol da meia noite à página do torneio de xadrez a decorrer em Tromso, Noruega
as partidas - muito díspares mas algumas engraçadas - podem ser facilmente seguidas
jametinhamdito que o sol da meia noite é pleno de atractivos !!!
observacoes sao bem vindas
2006-06-22
adivinha

parecia anúncio de vidente professor bruxo mestre espírita adivinho tarólogo esotérico caça-notas
mas não é!
embora a finalidade possa ter algo em comum, algo de espirituoso, algo de dispendioso
há-de ser coisa ou casa de venda de vinhos, seus congéneres e afins, inclusivamente em idiomas turísticos, que é como quem diz, para inglês ver
curiosamente, ali perto, há uma loja de conservas que é uma preciosidade e vende outras tais: jaquinsinhos de conserva, pois então; carapaus; escabeches variados; sardinhas em todas as mil e uma modalidades como as confecções de bacalhau; polvo; atuns diversos; qualidades de cavala; tudo emprateleirado; nem tudo à vista mas chega-se lá de banquinho; um pau de comerciante faz chegar a lata a mãos ágeis e destas para as mãos ávidas dos Clientes; improváveis como a diversidade enlatada...
à Rua da Madalena, à Sé, no sopé da colina do Castelo, a caminho da Mouraria ou de Alfama, da Cerca Moura, de São Vicente, de Santa Luzia, da Graça, ou para cá, da Baixa, Terreiro do Paço, Martim Moniz, Praça da Figueira, Rossio, Socorro, Santa Justa...
observacoes sao bem vindas
2006-05-30
ocaso

é hora do pôr do sol
é hora de serenar
o ocaso sucede e sucede-se, há que aproveitar enquanto luz, aproveitar mesmo os seus últimos raios de energia e luz, combativamente se necessário ou se for o jeito de melhor aproveitar a vida, condignamente
no fio de azeite e no centro das estrelas
mas se a luz do sol é a flor da vida, pode também suceder o seu raio derradeiro iluminar-nos em serena doçura
ao ciclo natural sobrevem a dignidade e a serenidade
toda a hora é digna
em paz
observacoes sao bem vindas
2006-05-28
votar no feminino
a 28 de Maio de 1911, foi a votos a eleição de deputados à Assembleia Constituinte
Carolina Beatriz Ângelo, viúva, médica, activista da causa feminista e dirigente associativa, deu corpo a intenção colectiva e inscrevera-se no recenseamento eleitoral, que lhe foi negado por ser o voto, como outros direitos políticos, então reservado a homens
reclamou para o Tribunal da Boa Hora e o processo foi apreciado, por assim ter calhado na escala de distribuição, pelo juiz João Baptista de Castro, por sinal pai da também dirigente feminista Ana de Castro Osório
a sentença julgou procedente a pretensão, reconhecendo à reclamante plena capacidade eleitoral, por saber ler e escrever, ser chefe de família e ser cidadão português
ler e escrever estava sumamente demonstrado pela licenciatura em medicina;
chefe de família decorria da situação e estado civil de viuvez; já quanto à condição de cidadão foi preciso recorrer a interpretação jurídica, a prodigiosa hermenêutica que pode usar de alguma livre criação na procura do sentido legal, desde que disponha de apoio suficiente na letra da lei – à data, muitos consideraram que o juiz forçou o espírito da lei
ou seja, a qualidade de cidadão português, definida pelo Código Civil sem distinguir mulheres de homens, era então bem mais que o considerado pelo legislador eleitoral de 1911 – na lei eleitoral, a expressão "cidadão" era referida apenas aos homens
mas a sentença, além de competente exegese jurídica, invocou também a “moderna justiça social” e os “princípios republicanos de liberdade, igualdade e fraternidade”
uma vez recenseada, Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher portuguesa a exercer o direito de voto
no momento, o presidente ainda perguntou à mesa se alguém se opunha... obviamente sob protesto da cidadã eleitora devidamente recenseada, por ser acto ilegítimo face à lei eleitoral e à sentença que validou o recenseamento e o direito de votar
e segundo afirmou, votou em políticos que aceitavam atribuir, ainda que com restrições, direitos políticos às mulheres: Teófilo Braga, Afonso Costa, Magalhães Lima
mas mesmo as organizações feministas – que lutavam pelos direitos das mulheres e das crianças! – só reclamavam o direito de voto para algumas mulheres, em função dos baixíssimos graus de instrução – a taxa de analfabetismo em Portugal era de 76% e de 90% nas mulheres – e de autonomia financeira das mulheres portuguesas de então, assim muito influenciáveis - pelo ... clero (!?!) devido à educação jesuítica - e dependentes - de quem seria ? a administração de bens era atribuída aos homens!
mesmo assim, o direito de voto das mulheres só veio a ser consagrado em 1931
Adelaide Cabete foi então a primeira mulher a votar no ultramar, em Angola – era também activista e dirigente feminina, viúva e médica
o diploma era fundamental, pois enquanto para os homens era requisito bastante saber ler e escrever, para as mulheres era necessário curso secundário ou superior
quanto a outros direitos políticos o caminho ainda seria mais árduo; mas já em 1911 Carolina Beatriz Ângelo defendia que certos cargos públicos deviam ser exercidos unicamente por mulheres – referia-se então às juntas paroquiais mas valeria a pena carrear este argumento para o debate e fundamentação teórica das quotas mínimas de um terço de participação feminina nas listas eleitorais para a Assembleia da República, recentemente consagrada sob o auspicioso baptismo de "lei da paridade"
a igualdade de direitos perante a lei só veio a ser consagrada depois do 25 de Abril de 1974
esta é talvez uma das boas razões para se recordar e referir esta data, de que se vai perdendo a noção e o sentido, sobretudo nas gerações mais jovens, para quem é difícil entender o porquê de tanta insistência nas comemorações, nos feitos de antes e depois ou na ideia de trajectória: o percurso e a história da luta por certos direitos, a sua aceitação pela comunidade, a sua consagração legal e, quando assim é, a sua efectivação na prática social, nas instituições e na mentalidade
a Constituição da República Portuguesa, de 1976, cujo preâmbulo proclama o propósito de construir um país mais livre, mais justo e mais fraterno, além de reconhecer a todos os cidadãos a mesma dignidade social e igualdade perante a lei (artigo 13º, princípio da igualdade) estabelece no artigo 49º o sufrágio universal, estipulado também como dever cívico: têm direito de sufrágio todos os cidadãos maiores de 18 anos
jametinhamdito que hoje, ao menos quanto à consagração legal do direito de voto de homens e mulheres, tudo é legal, igual e consensual !
na prática e quanto a outros direitos políticos e de participação pessoal e efectiva na vida e nos cargos públicos, não é assim tão simples
mas o primeiro voto feminino em Portugal entrou na urna, para eleger os deputados à Assembleia Constituinte, em 28 de Maio de 1911, faz hoje 95 anos ! !
e foi obra ! ! !
observacoes sao bem vindas
Carolina Beatriz Ângelo, viúva, médica, activista da causa feminista e dirigente associativa, deu corpo a intenção colectiva e inscrevera-se no recenseamento eleitoral, que lhe foi negado por ser o voto, como outros direitos políticos, então reservado a homens
reclamou para o Tribunal da Boa Hora e o processo foi apreciado, por assim ter calhado na escala de distribuição, pelo juiz João Baptista de Castro, por sinal pai da também dirigente feminista Ana de Castro Osório
a sentença julgou procedente a pretensão, reconhecendo à reclamante plena capacidade eleitoral, por saber ler e escrever, ser chefe de família e ser cidadão português
ler e escrever estava sumamente demonstrado pela licenciatura em medicina;
chefe de família decorria da situação e estado civil de viuvez; já quanto à condição de cidadão foi preciso recorrer a interpretação jurídica, a prodigiosa hermenêutica que pode usar de alguma livre criação na procura do sentido legal, desde que disponha de apoio suficiente na letra da lei – à data, muitos consideraram que o juiz forçou o espírito da lei
ou seja, a qualidade de cidadão português, definida pelo Código Civil sem distinguir mulheres de homens, era então bem mais que o considerado pelo legislador eleitoral de 1911 – na lei eleitoral, a expressão "cidadão" era referida apenas aos homens
mas a sentença, além de competente exegese jurídica, invocou também a “moderna justiça social” e os “princípios republicanos de liberdade, igualdade e fraternidade”
uma vez recenseada, Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher portuguesa a exercer o direito de voto
no momento, o presidente ainda perguntou à mesa se alguém se opunha... obviamente sob protesto da cidadã eleitora devidamente recenseada, por ser acto ilegítimo face à lei eleitoral e à sentença que validou o recenseamento e o direito de votar
e segundo afirmou, votou em políticos que aceitavam atribuir, ainda que com restrições, direitos políticos às mulheres: Teófilo Braga, Afonso Costa, Magalhães Lima
mas mesmo as organizações feministas – que lutavam pelos direitos das mulheres e das crianças! – só reclamavam o direito de voto para algumas mulheres, em função dos baixíssimos graus de instrução – a taxa de analfabetismo em Portugal era de 76% e de 90% nas mulheres – e de autonomia financeira das mulheres portuguesas de então, assim muito influenciáveis - pelo ... clero (!?!) devido à educação jesuítica - e dependentes - de quem seria ? a administração de bens era atribuída aos homens!
mesmo assim, o direito de voto das mulheres só veio a ser consagrado em 1931
Adelaide Cabete foi então a primeira mulher a votar no ultramar, em Angola – era também activista e dirigente feminina, viúva e médica
o diploma era fundamental, pois enquanto para os homens era requisito bastante saber ler e escrever, para as mulheres era necessário curso secundário ou superior
quanto a outros direitos políticos o caminho ainda seria mais árduo; mas já em 1911 Carolina Beatriz Ângelo defendia que certos cargos públicos deviam ser exercidos unicamente por mulheres – referia-se então às juntas paroquiais mas valeria a pena carrear este argumento para o debate e fundamentação teórica das quotas mínimas de um terço de participação feminina nas listas eleitorais para a Assembleia da República, recentemente consagrada sob o auspicioso baptismo de "lei da paridade"
a igualdade de direitos perante a lei só veio a ser consagrada depois do 25 de Abril de 1974
esta é talvez uma das boas razões para se recordar e referir esta data, de que se vai perdendo a noção e o sentido, sobretudo nas gerações mais jovens, para quem é difícil entender o porquê de tanta insistência nas comemorações, nos feitos de antes e depois ou na ideia de trajectória: o percurso e a história da luta por certos direitos, a sua aceitação pela comunidade, a sua consagração legal e, quando assim é, a sua efectivação na prática social, nas instituições e na mentalidade
a Constituição da República Portuguesa, de 1976, cujo preâmbulo proclama o propósito de construir um país mais livre, mais justo e mais fraterno, além de reconhecer a todos os cidadãos a mesma dignidade social e igualdade perante a lei (artigo 13º, princípio da igualdade) estabelece no artigo 49º o sufrágio universal, estipulado também como dever cívico: têm direito de sufrágio todos os cidadãos maiores de 18 anos
jametinhamdito que hoje, ao menos quanto à consagração legal do direito de voto de homens e mulheres, tudo é legal, igual e consensual !
na prática e quanto a outros direitos políticos e de participação pessoal e efectiva na vida e nos cargos públicos, não é assim tão simples
mas o primeiro voto feminino em Portugal entrou na urna, para eleger os deputados à Assembleia Constituinte, em 28 de Maio de 1911, faz hoje 95 anos ! !
e foi obra ! ! !
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2006-05-23
2006-05-21
Chinesices finas
Na edição de ontem da Única, Clara Ferreira Alves gasta em boa consciência a sua crónica a perorar contra a Zara, como é moda corrente politicamente correcta.
Vai dizendo que o produto é bom e barato mas... tão bom e tão barato que quem compra só pode saber muito bem que fica a dever a crianças asiáticas cuja força de trabalho é vilmente explorada pela marca.
A solução é optar por outras marcas, devidamente nomeadas, de entre as de fama de luxo internacional.
Também zurzindo contra a exploração de trabalhadores asiáticos, António Barreto repisa a sua boa consciência na edição de hoje do Público, a respeito da verdadeira praga que são as lojas de chineses em Portugal.
O problema surge da falta ou dificuldade de limpeza de flutes, de champanhe, e de cálices de Porto com assinatura de mediático autor.
Depois de ir aos melhores centros comerciais e mercearias finas, armazéns caros e vidreiros recomendados, a solução aparece mesmo à mão, numa loja chinesa perto de si, como há em tudo o que é beco, avenida ou rua.
Trata-se do indispensável escovilhão, ex-libris esquecido mas da maior utilidade para bem arquitectados serviços de louça.
Resta dizer que também ainda os há nas feiras, nas praças e na mais remediada imaginação de qualquer cabo de colher e esponja de lavar a loiça.
Mas voltando ao cerne da questão, os nossos cronistas jametinham dito que no mais finório pano cai a nódoa asiática.
E a plebe precisa de ler e saber, de quando em vez, que gente fina é outra coisa.
Chinesices à parte ... !
PS – sorry, links não há, que são reservados a assinantes e pagos...
PS2 – é claro que António Barreto escreve certeiro quanto ao preconceito acerca do comércio chinês estabelecido em Portugal: dados divulgados pela Câmara de Comércio Luso Chinesa demonstram que os tecidos, calçado e bugigangas que poderiam fazer perigar a produção nacional têm afinal peso bem reduzido nas contas da nossa balança comercial com a China, incluindo as regiões de Hong Kong e Macau, com margem para desenvolver mas muito baseadas na compra e venda de máquinas eléctricas e mecânicas...
PS3 – também a questão, relevante, do trabalho efectuado em condições injustas em todo o mundo, merece um comentário substantivo: sem dúvida que o caminho é lutar contra a exploração, em todas as comunidades como no nosso país; mas o boicote só por si nada resolve, sendo necessário pressionar os respectivos governos e empresários, bem como apoiar as organizações internacionais relevantes, no sentido da promoção do comércio justo e de melhores condições para os trabalhadores e para as sociedades em geral, lá como cá, na óptica da responsabilidade social e do desenvolvimento sustentável; glosando Almeida Garrett, é bom ter consciência e questionar quantos milhões de seres humanos é preciso manter pobres para proporcionar luxos ainda que tão subtilmente ostentados como os dos cronistas que hoje calharam na rifa do Ditos !!!
observacoes sao bem vindas
Vai dizendo que o produto é bom e barato mas... tão bom e tão barato que quem compra só pode saber muito bem que fica a dever a crianças asiáticas cuja força de trabalho é vilmente explorada pela marca.
A solução é optar por outras marcas, devidamente nomeadas, de entre as de fama de luxo internacional.
Também zurzindo contra a exploração de trabalhadores asiáticos, António Barreto repisa a sua boa consciência na edição de hoje do Público, a respeito da verdadeira praga que são as lojas de chineses em Portugal.
O problema surge da falta ou dificuldade de limpeza de flutes, de champanhe, e de cálices de Porto com assinatura de mediático autor.
Depois de ir aos melhores centros comerciais e mercearias finas, armazéns caros e vidreiros recomendados, a solução aparece mesmo à mão, numa loja chinesa perto de si, como há em tudo o que é beco, avenida ou rua.
Trata-se do indispensável escovilhão, ex-libris esquecido mas da maior utilidade para bem arquitectados serviços de louça.
Resta dizer que também ainda os há nas feiras, nas praças e na mais remediada imaginação de qualquer cabo de colher e esponja de lavar a loiça.
Mas voltando ao cerne da questão, os nossos cronistas jametinham dito que no mais finório pano cai a nódoa asiática.
E a plebe precisa de ler e saber, de quando em vez, que gente fina é outra coisa.
Chinesices à parte ... !
PS – sorry, links não há, que são reservados a assinantes e pagos...
PS2 – é claro que António Barreto escreve certeiro quanto ao preconceito acerca do comércio chinês estabelecido em Portugal: dados divulgados pela Câmara de Comércio Luso Chinesa demonstram que os tecidos, calçado e bugigangas que poderiam fazer perigar a produção nacional têm afinal peso bem reduzido nas contas da nossa balança comercial com a China, incluindo as regiões de Hong Kong e Macau, com margem para desenvolver mas muito baseadas na compra e venda de máquinas eléctricas e mecânicas...
PS3 – também a questão, relevante, do trabalho efectuado em condições injustas em todo o mundo, merece um comentário substantivo: sem dúvida que o caminho é lutar contra a exploração, em todas as comunidades como no nosso país; mas o boicote só por si nada resolve, sendo necessário pressionar os respectivos governos e empresários, bem como apoiar as organizações internacionais relevantes, no sentido da promoção do comércio justo e de melhores condições para os trabalhadores e para as sociedades em geral, lá como cá, na óptica da responsabilidade social e do desenvolvimento sustentável; glosando Almeida Garrett, é bom ter consciência e questionar quantos milhões de seres humanos é preciso manter pobres para proporcionar luxos ainda que tão subtilmente ostentados como os dos cronistas que hoje calharam na rifa do Ditos !!!
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2006-05-13
ladies only - bandeiras femininas
no próximo dia 20 de Maio, no Estádio Nacional, ao Jamor, em Oeiras, pretende-se fazer uma bandeira humana apenas com a participação de mulheres
portuguesas, como o estandarte verde e rubro, é bom de ver!
e será bom de ver, em muitos sentidos
por outro lado, dia 28 de Maio realiza-se a primeira edição da corrida "LISBOA A MULHER E A VIDA - 5KM EDP", iniciativa organizada pelo Maratona Clube de Portugal, com o apoio da Associação Portuguesa de Senologia, da Liga Portuguesa contra o Cancro e de diversas entidades
da Rocha do Conde de Óbidos, em Santos, à Torre de Belém, estes 5 quilómetros junto ao Tejo, em Lisboa, serão corridos apenas por mulheres
mais do que uma prova, este percurso ribeirinho, destina-se a conseguir receitas para compra de aparelhos de rastreio do cancro da mama
eventos reservados à participação de mulheres, são casos de verdadeira discriminação
embora não corresponda ao conceito de discriminação positiva de “tratamento mais favorável para reposição de equilíbrio perante uma situação de desigualdade injustificada”
mas o sentido continua a ser positivo: no caso da moldura feminina para dar forma humana à bandeira portuguesa, trata-se de apoiar a selecção nacional de futebol, envolvendo uma importante parcela da população, habitualmente menos incentivada a participar na modalidade
e sem dúvida que a modalidade, o desporto e a sociedade em geral podem beneficiar deste especial incentivo e alento, com vista a uma vivência mais humanizada, participada e diversificada
apelando ao convívio de todos os sectores da população e das famílias, contribui-se para este tipo de fenómenos de massas ser vivido sem reservas nem segregações mas em harmonia e festa
no caso da corrida das mulheres contra o cancro da mama, as finalidades compreendem um especial alerta e dinamização das mulheres, convocando-as a uma participação activa e pública, contribuindo de todo o modo, pela notoriedade suscitada, para a sensibilização de toda a sociedade
jametinhamdito que “discriminação positiva” não é tudo o que parece!!
apesar disso, estes casos de participação exclusiva de mulheres são especiais e positivos, oxalá bem concorridos e de resultados atingidos!!!
observacoes sao bem vindas
portuguesas, como o estandarte verde e rubro, é bom de ver!
e será bom de ver, em muitos sentidos
por outro lado, dia 28 de Maio realiza-se a primeira edição da corrida "LISBOA A MULHER E A VIDA - 5KM EDP", iniciativa organizada pelo Maratona Clube de Portugal, com o apoio da Associação Portuguesa de Senologia, da Liga Portuguesa contra o Cancro e de diversas entidades
da Rocha do Conde de Óbidos, em Santos, à Torre de Belém, estes 5 quilómetros junto ao Tejo, em Lisboa, serão corridos apenas por mulheres
mais do que uma prova, este percurso ribeirinho, destina-se a conseguir receitas para compra de aparelhos de rastreio do cancro da mama
eventos reservados à participação de mulheres, são casos de verdadeira discriminação
embora não corresponda ao conceito de discriminação positiva de “tratamento mais favorável para reposição de equilíbrio perante uma situação de desigualdade injustificada”
mas o sentido continua a ser positivo: no caso da moldura feminina para dar forma humana à bandeira portuguesa, trata-se de apoiar a selecção nacional de futebol, envolvendo uma importante parcela da população, habitualmente menos incentivada a participar na modalidade
e sem dúvida que a modalidade, o desporto e a sociedade em geral podem beneficiar deste especial incentivo e alento, com vista a uma vivência mais humanizada, participada e diversificada
apelando ao convívio de todos os sectores da população e das famílias, contribui-se para este tipo de fenómenos de massas ser vivido sem reservas nem segregações mas em harmonia e festa
no caso da corrida das mulheres contra o cancro da mama, as finalidades compreendem um especial alerta e dinamização das mulheres, convocando-as a uma participação activa e pública, contribuindo de todo o modo, pela notoriedade suscitada, para a sensibilização de toda a sociedade
jametinhamdito que “discriminação positiva” não é tudo o que parece!!
apesar disso, estes casos de participação exclusiva de mulheres são especiais e positivos, oxalá bem concorridos e de resultados atingidos!!!
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2006-04-29
o cravo e a ferradura

cravos de quem quer bem
Decerto que os Amigos leitores do Ditos não se esqueceram do cravo, nem se esqueçam do megafone para as palavras de ordem proletárias do próximo Primeiro de Maio... eh eh !
Graçolas à parte, pode afirmar-se que o cravo é apenas uma flor (bem, uma palavra também é apenas uma palavra mas por vezes pode muito, pode ser um punhal ou talvez mesmo... causar uma revolução?) e em Abril há cravos, é a natureza a florir sem intenções!
Mas para as sociedades humanas até um simples cravo pode ganhar um significado especial. Por exemplo, em 25 de Abril de 1974, o povo que acompanhava in situ e in loco as operações militares na baixa lisboeta, onde exercem actividade muitas “vendedeiras” de flores, aproveitou o belo colorido das ditas então disponíveis, à venda – era Abril, nada mais que isso - para enfeitar a festa popular em que se transformou a revolução dos Capitães e outros oficiais. O gesto é bonito e contagiante. Lisboa - primeiro e todo o país depois – aderiu ao cravo. Por ser prático. Havia cravos. Primeiro, porque era a flor do dia. Depois, pela beleza estética, pelo crescente significado de associação à alegria da libertação e como símbolo da participação popular nos acontecimentos. Um dia fantástico. As pessoas vibraram. De emoção. Também de dúvida ou mesmo de medo. Além dos cravos, houve também corrida a latas de conserva e outros abastecimentos alimentares de reserva. Desconhecia-se como poderia evoluir a revolta, havendo no ar o pólen primaveril de ânimos exaltados, nunca se sabe. Acabou mesmo por ser decretado um conjunto de medidas contra o açambarcamento, para evitar a espiral da rotura. Mas a generalização dos cravos pode também ser vista da perspectiva de um sentimento inconsciente e colectivo relativamente ao desenrolar da revolução. O povo sábio não quis arcar com as culpas devastadoras de não ter lutado o suficiente pela sua própria libertação. Esse é um grande valor e símbolo do cravo. Com os cravos ao peito dos transeuntes e na boca das armas dos soldados, o povão apropriou-se do pronunciamento militar e fez sua a revolução. As consequências não são despiciendas. Os alemães e os italianos ainda hoje calam fundo a passividade ou mesmo o apoio às ignóbeis ditaduras respectivas. A má consciência. Como foi possível a adesão de tão significativa parcela da população, durante tantos anos, a tão carnificentas ditaduras? E como se convive com isso pelo devir? Em Portugal, em Abril de 74, foi diferente. A ditadura caiu às mãos do descontentamento de militares mas o povão estava lá, na rua, para a libertação de cada alma florir em cada peito, tingido a vermelho mas pela cor das pétalas de uma singela flor popular. A revolução era toda nossa, do povo. Assim já não era só contra as condições das comissões de serviço na guerra no ultramar. Com o povo na rua e em cima dos carros de combate, a apoiar os revoltosos, a revolução tinha que ser levada às últimas consequências, sem cedências nem retrocessos. Tinha mesmo que derrubar o regime. E, obviamente, demitir os seus donos. Com a omnipresença do povo, a liberdade e a democracia não ficaram manchadas de sangue nem de culpa de um país inteiro, foram adoptadas pelo próprio povo. É isso o que cravo simples leva na lapela dos políticos e manifestantes nas comemorações da libertação. Do fim e da queda da ditadura, da guerra colonial, da censura, da denúncia, do medo, dos filhos ilegítimos, das mulheres inferiores aos homens na letra da injusta lei, da iliteracia crónica e do analfabetismo persistente, do agudo isolamento do país, das vidas clandestinas, dos julgamentos sem defesa e sem justiça, das detenções sem culpa só pelo crime de pensar livremente, dos assassinatos e torturas de Estado, do atraso económico, humano e social que o fascismo, o corporativismo e o nacionalismo serôdio reservavam ao país. No cravo, estão os que se bateram, muitos em troca da própria vida ou dos seus entes queridos, mas também os que protestavam alto ou baixinho, os que calavam funda a raiva e a revolta, os que calavam consentidamente, os que calavam em aprovação, os que ajudaram à festa dos vampiros mas entenderam mudar de rumo com o virar de página do regime. É fazer a revolução sem disparar. Porque ao lado de cada soldado estava um civil, cem civis, mil civis. Ao lado de cada arma estava Portugal. Não era preciso disparar, se estávamos todos ali. Expiadas as culpas. Eis o cravo. A flor da ablação do tiro no momento da revolução. O cravo é a vontade do povo. A expressão popular. Não é exclusivo das elites nem dos militares. Nem de importação. O cravo não é mercearia fina. É a espontaneidade dos transeuntes. É a flor da época. Prosaica. E garrida. Que enfeita as águas furtadas, os poiais de pedra lioz e os varandins de ferro das fachadas de azulejo das ruas e vielas dos bairros populares. Numa cerimónia política solene, o cravo na lapela é levar o povo no coração, junto ao pulsar que a recordação emociona dentro do peito. O cravo é o peito aberto, genuíno, à vista, oferecido. E quem não tem o peito aberto, genuíno, à vista, não o pode oferecer. Eis porque às vezes falta o cravo. Lembram-se de alguém que nunca usou cravo ao peito? Querem ver que estão para aí a pensar nalgum professor de finanças... jametinhamdito!
ou no que dá a ferradura presidencial ...
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2006-04-20
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