2005-09-17

de volta a casa

ah !

pequeno almoço de pão e figos, iogurte natural e pêssego ...

é descascar a fruta, é o cheiro, jametinhamdito que alimentar barriga, olhos e alma... só cá no nosso Portugal ! !

a rematar, uma bela cafezana, como não há igual ...

a bela bica ! ! !

ah !




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2005-09-16

vivos !

juz a inicial definição, o que o Ditos tem comentado mais é comentadores e políticos…

desta feita, porém, por via de raro acesso de humildade e porque António Vilhena acertou na “mouche”, o jametinhasdito vai agora inteirinho para um poeta … vivo !

em coluna simpática do Público de hoje, 16 de Setembro, António Vilhena conclui que “Somos um país que trata melhor os mortos que os vivos” ! ! !

é bem verdade, excepção feita à enérgica acção atribuída ao Marquês de Pombal, vai para 250 anos

talvez nos outros países seja também assim…

mas é bem verdade que muitos estranham justas homenagens a almas vivas!

é o caso da estátua erguida a Manuel Alegre, em Coimbra

pese embora a coincidência temporal do tema envolvendo o processo das eleições presidenciais ou mesmo a venerável e meritória acção política, antes e depois da instauração da democracia em 25 de Abril de 1974, é mais do que legítimo e dignificante uma cidade honrar os seus, os ilustres, os homens de bem, os poetas

como diz António Vilhena, é a exaltação da vida, da poesia, da liberdade e da tolerância !

ou da luta em busca da afirmação de tais bens e valores !!

vivam, pois, os poetas !!!



PS - se é que um post aguenta outro post, apetece referenciar outras estátuas:

a) no Marquês de Pombal, a estátua do próprio encima um soberbo Sebastião José de Carvalho e Melo no alto de imponente pedestal, central, leonino e sobranceiro às largas vias de Lisboa que desembocam – cadê as colunas ? – no templo do estuário do Tejo; já a de Camilo Castelo Branco, um simples e mortal literato, é figura pequenina como ele e nós, num jardinzinho, rasteira e quase desapercebida, confundindo-se humildemente com os pedestres transeuntes de sempre; um contraste

b) em Oeiras, no Parque dos Poetas, como em Algés, em movimentada rua comercial e de acesso a terminais (multimodais, ficará bem dizer???) de transportes, um conjunto de estátuas de que munícipes e visitantes se podem orgulhar, a benefício de todos; um exemplo

c) e em Lisboa, onde estão as estátuas dos nossos tempos ? a Sophia ? Eugénio de Andrade ? os vivos - António Ramos Rosa ? Pomar ? um deserto



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2005-09-14

gaivota negra


é para despistar...


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seca

no Ceará, como em geral no Nordeste Brasileiro, a seca é uma terrível condicionante da vida

quando o período anual de chuvas traz humidade e pecipitação dentro ou acima da média histórica, a alegria, a jovialidade e o optimismo inundam benfazejamente as caras, os corações e as despensas

se chove pouco ou nada, é a apreensão, preocupam-se as vivalmas, baixa-se o tom e os gastos - é que o problema pode ser o início de um ciclo de seca e então caducam os cajueiros, secam as represas, ressentem-se bolsos e barrigas

à parte um litoral verdejante e até exuberante de águas, com fontes nas praias e lagoas de nascentes, o território em geral é relativamente agreste e desarborizado, seco

no entanto, dizem, diz a vox populi e vê-se exemplos diversos, basta furar uns metros e aparece água - o subsolo é rico em recursos hídricos, há grande margem para generalizar a sua ponderada exploração aos cearenses e a outros Estados nordestinos

pergunto: então porquê a míngua de água ?

percebe-se que falta o dinheiro, mas não se percebe porque faltam os apoios e faltam os programas públicos para obras de instalação de furos

pois se há dinheiro para mensalões e para os políticos terem casas de luxo no litoral, nas ilhas e noutros paraísos brasileiros...

responde o motorista do caminhão: "a seca é mais é política!"

lá, como cá, jametinhamdito !!!




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2005-09-13

contas

um sortido:

- o Governo jametinhadito que nomeou Oliveira Martins, ex-Ministro do Partido Socialista, habitual comentador abonatório do Governo do Partido Socialista em colunas de jornais e noutros meios de comunicação, deputado e Vice-Presidente da bancada parlamentar que na Assembleia da República defende o Governo do Partido Socialista para presidir ao Tribunal de Contas, órgão que julga e fiscaliza a actividade e as contas do Governo do ... Partido Socialista;
- o Presidente da República jametinhadito que confirmou a nomeação governamental;
- o líder parlamentar do PS, Alberto Martins, jametinhadito que
"Não é por os diversos presidentes da República ou altos cargos do Tribunal Constitucional terem origem partidária que deixam de ter isenção no seu desempenho.”;
- em seu político blog causa-nossa, o Professor Vital Moreira jametinhadito que “Guilherme de Oliveira Martins é uma pessoa cuja competência, qualificações e independência pessoal são inatacáveis, e que exercerá - não haja dúvidas acerca disso -- o cargo de presidente do Tribunal de Contas com impecável autoridade e isenção. Mas o Governo, ao nomear um deputado da sua bancada parlamentar, mesmo se independente, para tal cargo, expõe-se facilmente à crítica das oposições. Por princípio, deveriam ser evitadas as transferências directas do campo governamental para órgãos independentes cuja função principal é controlar... o Governo.”;

ora, as qualidades do nomeado e as boas expectativas que sobre elas se alentem em nada relevam para aferir do critério de escolha para o exercício de funções de julgamento, fiscalização e controlo do Governo do Partido Socialista de um paladino, protector e legítimo defensor do Governo do Partido Socialista

e o óbice não se resume ao problema da crítica da oposição nem de que se deveriam evitar semelhantes promiscuidades, nem é desculpado por não exigir a lei que se nomeie um magistrado de carreira ou sequer a falta de mais apertado regime legal de incompatibilidades, nem tão pouco é compensado por razões de competência e probidade do nomeado - é o mínimo, pudera... é exactamente isso o que se deve exigir e se espera de qualquer membro de qualquer organismo público

a questão é que dos pontos de vista político, democrático e ético, se afigura ilegítima, errada e nociva esta nomeação

e tais ilegitimidade, erro e danos desvalorizam e afectam a idoneidade do Tribunal de Contas e do Governo, do fiscal e do fiscalizado, e dos respectivos titulares, mas também atinge o Presidente da República, Jorge Sampaio, apóstolo, general do Partido Socialista, que é suposto ser árbitro e colocar-se num plano acima da sectarização partidária, sempre, mas em especial e sobretudo na área do seu próprio partido político

neste caso, o Governo não afrontou uma classe, corporação ou interesse específico ilegítimo, antes conseguiu cair na plena unanimidade – à excepção, claro está, da cegueira, cujos contornos rebrilham de definição, dos seus acólitos mais aferroados ou dependentes – e não apenas do sector da oposição político-partidária

é que as críticas mais irrefutáveis que recaiem sobre a actuação de Presidentes da República e Juizes do Tribunal Constitucional é precisamente a sua excessiva identificação com o Partido político que os apoia ou nomeia

e aos Presidentes de Tribunal, Governos e Presidentes da República, exigem-se boas contas




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2005-09-11

ao trabalho

em artigo interessante, fundamentado e positivo editado no Público, sexta-feira 9 de Setembro, o conhecido empresário André Jordan jametinhadito que Portugal tem a rara felicidade de dispor de políticos de excepção, exemplificando com diversos países vivendo maiores dificuldades na matéria

enfim, é uma abordagem digna esta de realçar a mais valia oferecida aos portugueses para escolha do mais alto magistrado da nação, uma vez que poderão optar por personalidades capazes, aptas para o desempenho e exigências requeridas, de reconhecidos méritos, provas dadas, susceptíveis de aportar ao país as ideias e o alento necessários

cumpre também notar que André Jordan, inteligentemente, salienta que se trata de indivíduos excepcionais, muito acima da sofrível mediania do panorama que a generalidade dos políticos representa

mas comprova a sua tese com os ex-chefes de governo de Portugal que ocupam altos cargos internacionais

a propósito das próximas eleições para as funções de Presidente da República e referindo-se a Cavaco e Soares, André Jordan identifica os principais aspectos que considera relevarem da acção do próximo Presidente da República:

- reforma do Estado e segurança social, através da consensualização orçamental plurianual - e que Sampaio não conseguiu, apesar dos esforços;
- o combate à corrupção, em particular da que grassa nas autarquias - e, acrescente-se, que vem bem ao de cima no esgar de muitos recandidatos aguerridos e empedernidos de interesseiro apego ao poder;
- a regionalização, tema em que Portugal é excepção na Europa - acrescente-se, ainda, que se impõe como imperativo de racionalização de recursos e talvez a última chance de alguma viragem no actual desordenamento do território, de que os incêndios são mero afloramento;
- fazer valer a interessante posição de Portugal no mundo, verdadeiro ponto de ligação entre a Europa, os países do Atlântico e os países em desenvolvimento, prosseguindo a dignificação da cultura lusófona

ou seja, há trabalho a fazer e há gente para o fazer

ao trabalho, pois !!!


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2005-09-09

água benta

Ao mesmo tempo que se queixam da seca, os autarcas algarvios preparam-se para licenciar a construção de mais uns 30 campos de golfe, cada um dos quais consome água por 8000 pessoas".
Miguel Sousa Tavares, comentador, PÚBLICO, 9-9-2005

As oito piscinas municipais do Algarve vão continuar encerradas “até existirem condições hidrológicas que permitam a reabertura” e a água do abastecimento de 31 campos de golfe – equivalente ao consumo de 60 por cento da população algarvia – “provém de furos e não da rede pública”, “trata-se de iniciativa privada, que tem que ser incentivada na região”.
Macário Correia, presidente da Junta Metropolitana do Algarve, METRO, 6-6-2005

pelo que jametinhamdito, ninguém está interessado em consenso em bom senso ou em qualquer senso

obviamente nem a iniciativa privada pode esgotar recursos escassos incontroladamente – e para o impedir e vigiar servem as leis e os órgãos de gestão pública – nem os legítimos interesses de piscinas e campos de golfe se confundem ou sobrepõem à reserva de fornecimento de água para consumo público, interesse de natureza diversa e gozando de protecção superior mas todos sujeitos a ponderação e juízos de adequação, sem necessidade de anulação das actividades económicas que sustentam a vida das populações e o país

no entanto, perdendo facilmente o fio à meada e a desejável análise cuidada, informada e consequente, de parte a parte prefere-se radicalizar posições, eventualmente para mera satisfação de egos inflados, venda de jornal, gestão de imagem individual... afinal interesses próprios bem menos legítimos !??

em tempo de seca, precisamos de água mas também de moderação e sentido de compromisso !



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2005-09-07

quase elementar


a banda sonora é a da capoeira!

rima com a terra, a água, o ar, o fogo, o homem, os artefactos e a imensa trabalheira...

o resto é paisagem



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Beato

afinal Solnado tinha razão, sempre há petróleo...

falta-nos o Pessa para um certeiro "e esta, hem?"

o caso é que, das reservas de Portugal, cedemos petróleo aos americanos

realmente parece impensável mas ainda bem que assim é, os EUA solicitaram ajuda perante a tragédia de uma catástrofe natural - e foi possível verificar que muitas ajudas foram disponibilizadas

neste ponto, só Pacheco Pereira vê núvens no escuro e acha importante enfatizar até à náusea que a comunicação social zurze sobre as falhas das autoridades dos EUA quanto a prevenir a acorrer à tragédia ou sublinhando que os EUA são a maior potência mundial porque... "a esquerda" está contente com o sucedido !??

a ajuda portuguesa representa de algum modo um elevado grau de abstracção e sofisticação da nossa sociedade, afinal baseada na confiança, nos mercados e no direito

de facto, reconhecidamente Portugal é muito mais dependente de petróleo que os EUA, um dos grandes produtores mundiais; mesmo as reservas da ajuda estão armazenadas na Alemanha...

no entanto, para além da destruição de vidas e bens em consequência da devastação do furacão Katrina, a zona afectada - o Golfo do México - é base de inúmeros campos de extracção de petróleo, por enquanto desactivados

e os EUA são os maiores consumidores de petróleo, pelo que há um défice real momentâneo muito grave para o funcionamento da economia dos EUA

nas trocas e baldrocas dos mercados mundiais, talvez o nosso petróleo nunca chegue a viajar e a ajuda seja concretuizada apenas mediante operações contabilísticas de saldos e transacções face à movimentação de outras reservas, armazenadas noutros países ou ainda a extrair noutros campos petrolíferos

a ironia é que, segundo recomendação agora vinda a público, o presidente dos EUA jametinhadito que é necessária a contenção do consumo de petróleo

mas não mandou racionar... talvez aconselhado por gurus financeiros que protegem os mercados contra alarmes e alterações bruscas, de efeitos nefastos sobre as expectativas e sobre a confiança

por um lado, é medida compreensível face às circunstâncias; por outro, mais vale tarde que nunca pois desde há anos, vem-se agravando um fosso entre os EUA e os países que prosseguem uma política tendente a estabelecer mundialmente metas de redução de consumos energia, sobretudo a produzida a partir de combustíveis primários, já para não falar da sistemática renitência dos EUA quanto à adesão ao Protocolo de Quioto, sendo o consumo de petróleo precisamente a principal fonte de emissões poluentes que os países signatários pretendem racionalizar

mas a racionalidade é uma batata, para os creacionistas dos EUA, Bush incluído






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2005-09-05

iraquianas - direitos quando?

segundo voz amiga e parceira (involuntária...?) do Ditos, consta que saíu no Expresso (sim, lê-se de quando em vez apesar de boicotadas as compras desde o injusto e buxista despedimento de João Carreira Bom, por sebosa decisão de José António Saraiva) uma declaração interessantíssima feita por um ex-responsável da CIA especialista em assuntos do Médio Oriente, colaborador de algumas das mais importantes revistas de Relações Internacionais… bem, em suma, um intelectual americano, com responsabilidades políticas, pelo menos no passado, de que abaixo se transcreve só a pérola, extraída do original publicado na página acima referenciada:


"MR. GERECHT: Actually, I'm not terribly worried about this. I mean, one hopes that the Iraqis protect women's social rights as much as possible. It certainly seems clear that in protecting the political rights, there's no discussion of women not having the right to vote. I think it's important to remember that in the year 1900, for example, in the United States, it was a democracy then. In 1900, women did not have the right to vote. If Iraqis could develop a democracy that resembled America in the 1900s, I think we'd all be thrilled. I mean, women's social rights are not critical to the evolution of democracy. We hope they're there. I think they will be there. But I think we need to put this into perspective."

ou seja, Mr. Gerecht jametinhadito que os direitos das iraquianas (e os dos iraquianos? ah! ninguém lhe perguntou...) são completamente irrelevantes para o processo do saque do petróleo, digo, da Constituição e da democratização do Iraque!!!

ainda bem que não há petróleo no Beato!



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2005-08-27

Meneses, de Gonzaga

saí de manhã, corri para o metro, corri para a vida, uma vida no hemisfério mais próximo de uma vida

ganhei outra vida, a vida vivida foi célere como a de quem os deuses cedo chamam

um erro, outro erro, muitos erros, o lugar errado, a hora errada, tudo errado

assim o fanatismo ganhou mais um pontinho, demonstrado que os inocentes se atrevem a viver onde e quando houver que ser

e se é certo que um dia sucede a outro, convém lembrar que qualquer um pode estar em qualquer lugar

aqui, de Gonzaga, importa homenagear a fé e confiança de Jean, jovem vitimado pelo fanatismo e uma sucessão de atropelos pretendida pelos seus bestiais mentores

alô, alô, alô !


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2005-08-18

a prever

"vamos prever intensidade de tráfego entre Grândola e a Marateca", jametinhadito o capitão da GNR, à jornalista e aos ouvintes da RFM

ora vamos lá prever: está tudo previsto ou ainda temos que prever alguma coisa ?


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2005-08-12

eis a ditosa, a gosto



sem saber onde está a Ditosa, a gosto, vai ser difícil atribuir o prémio a quem acertar

é claro que ainda assim haverá prémio, eh eh ...

a Isinha jametinhadito que desta vez não pode concorrer !!!

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2005-08-10

contribuições

"Não contribua limpando, contribua não sujando"

eis o que jametinhadito um cartaz de praia que tipifica o recurso ao desespero:

- como entender que se estacionem carros no passeio, destruindo o lancil e a calçada, mesmo quando há parques com inúmeros lugares ?

- como entender que as praias estejam cheias de detritos quando já estão equipadas com caixotes para o lixo e cinzeiros portáteis ?

- como entender que se atirem beatas acesas para a estrada se os carros têm cinzeiro ?

- nos cafés, esplanadas e restaurantes do nosso país de turismo o mau cheiro insuportável é a regra de conduta de Clientes e concessionários, o que se poderá fazer ?

- a sinalização nas estradas é roubada para venda a sucateiros de alumínio, sistematicamente, anos a fio nisto e continuam a fazer os mesmos painéis de alumínio que duram dias até voltarem ao circuito sucateiro, impunemente

- nas repartições de finanças, o contribuinte continua a ser tratado como um pequeno criminoso, o bom dia vem depois do vá para a fila

estarão as novas gerações a tempo de aprender melhores práticas e reduzir a selvajaria que grassa em redor ?

contribua, por favor



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2005-08-03

sidus magnum

Stephen Robinson, astronauta em missão no Discovery, em órbita a 300 km da Terra, saiu hoje da nave e procedeu a reparações necessárias à reentrada na atmosfera terrestre, tentando reduzir riscos tremendos para a sua própria vida e dos seus companheiros de viagem, extensíveis à continuidade do programa espacial iniciado em 1981

o regresso está previsto para a próxima segunda-feira, dia 8 de Agosto de 2005

até lá, muitos rezarão e velarão pelo progresso do voo e pelo êxito de mais um passeio sideral do vaivém

americanos e russos aventuram-se hoje no espaço imenso e desconhecido, recheado de perigos, como em tempos portugueses e espanhóis se aventuraram pelos segredos do imenso e tenebroso mar

oxalá o homem vença o desafio do conhecimento do espaço, como outrora procurou conhecer o mar e a terra, sempre em busca do verdadeiro conhecimento de si próprio



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2005-07-23

portugalizar

há dias, a revista do Expresso oferecia assanhada "grunha caprichosa" onde habitualmente escreve - e bem, pedantismo pseudo-britânico e assumido à parte - Clara Ferreira Alves

verberava contra o grunho lusitano, a cuspir palavrões à cadência de cinquenta por minuto, a insultar a eito, estacionado em cima do passeio, buzina a fundo, beata a chamuscar o transeunte, e um ror mais de etc e tais

a peça reproduzia os ditos tiques e os vernáculos palavrões, com que aliás assinava a pluma

ou seja, replicava o status que criticava, insultando indiferenciadamente o insultador e o leitor, comportando-se afinal exactamente como ... grunha

custa a aceitar mas é do que se trata

doutros passos, repetem-se em doses maciças as lamentações das crises, tudo vai mal, tão mal que muitos - Miguel Sousa Tavares, uns tantos directores de jornal e por aí em diante, além do sempiterno Vasco Pulido Valente - concluem que Portugal nem é viável (?!!)

no Diário Económico, de ontem 22 de Julho, Baptista-Bastos desencanta (exactamente) uma desenxabida tirada de um tal Roger Vailland, que sumariamente acusa de ser um grande escritor francês, que se referia a portugalizar como expressivo neologismo para significar apatia do povo, inércia, acriticismo, anestesia geral da nação, por assim ter encontrado a nossa gente enquanto em França se viviam entusiastas dias de resistência ao nazismo e à ocupação alemã

enfim, o conceito pode merecer desde logo crítica comparativa: metade ou mais da França estava nos mesmos dias feita com o ocupante ou inerte de tédio, medo ou desesperança - foi também o que sucedeu na Alemanha, milhões disseram sim a Hitler ou deixaram andar, só assim se explica onde as coisas chegaram

mas Baptista-Bastos adere e recupera a ideia para os dias de hoje do recanto à beira mar: estamos tão mal que se podia dar um golpe militar tipo Estado Novo; mas de tão mau nem temos sequer Estado, nem Novo, nem exército para se rebelar ou um ditador para se impor

em suma, estamos outra vez portugalizados, à francesa; pior, Baptista-Bastos ainda conseque ir mais abaixo, desce à Mauritânia, onde os franceses de lá dizem que Portugal é o país mais desenvolvido de África

enfim, mais negativo que um país assim só mesmo o Baptista-Bastos, que apesar de escritor e jornalista de renome e créditos firmados se mostra agora um verdadeiro arauto da desgraça que afinal faz pior que os restantes portugueses, prejudicando a média, falho de esperança e de temas que fortaleçam o brio e alentem tão mau povo,

no mesmo jornal, Manuel Falcão, jornalista, político e intelectual de craveira, faz o balanço de vida que a legitimidade das férias proprciona: afirma-se esforçado, incompreendido e desiludido, Portugal é mesmo mau, não tem saída, mesmo a sensibiliadde política que alguns reclamam está catalaogada como o pior que há, a catástrofe

pois Manuel Falcão jametinhadito que encontra o país em estado catastrófico e contribui muito para isso gritando que o país está em estado catastrófico, ampliando os efeitos que pretende denunciar

o que vale é que para a semana haverá - à excepção dos cronistas que merecem férias desde já - mais crónicas, mais jornais, mais opiniões, a vida prosseguirá

será assim tão lucrativo dizer mal ou é só por razões de estilo ? e todos à uma, dá para desconfiar, não é ? se estivessemos assim tão mal haveria alguém de tentar superar construtivamente as dificuldades, aproveitar a boleia dos que acreditam e trabalham, entusiasmar os hesitantes, apaziguar os cépticos...

estaremos a precisar de férias ?

pelo menos de crónicas pessimistas merecíamos férias ... e já ! ! !



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2005-07-21

a segurar

perguntava José Leite Pereira, no Jornal de Notícias, como e se vai José Sócrates segurar o Ministro das Finanças...

a resposta está aí, na telefonia e em alguns jornais online: primeira exoneração !

Campos e Cunha jametinhadito que tinha razões pessoais e familiares, além de que estava cansado - ou também haveria razões de sentido político de um político independente ? de um economista competente ? ou de um Ministro divergente ?

antes das convenientes explicações, o Primeiro Ministro decerto está a assegurar que haverá outro Ministro

é que é já a seguir !



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a dois tempos

o Diário de Notícias (20 de Julho de 2005) jametinhadito orgulhar-se do jornalismo que faz e concede o espaço necessário à entrevista a Freitas do Amaral

lida após as explicações do entrevistado sobre o que lá tinha declarado, a entrevista sabe a mofo e o "Diário" perdeu o qualificativo "Notícias"

na avareza de vender papel, o jornal usuou de artimanha para caçar leitores, retardando a publicação da entrevista, depois respigando extractos convenientes para elevar a expectativa do público, só então concedendo espaço à publicação da entrevista, num estratagema demasiado ostensivo e conflituoso, aviltando a inteligência dos leitores, assim submetidos à força da força de vendas, que não da prestação de um serviço de informação noticiosa

a orientação sobre si mesmo começa logo pela prioridade e destaque em caixa dada à apreciação do próprio jornal - ouve-se a si mesmo, publica-se a si mesmo e sublinha-se a si mesmo, relegando para plano menor a entrevista em apreço

mas a leitura da entrevista, além de permitir tirar qualquer dúvida - se a houvesse -sobre a manipulação encetada na véspera pelo jornal, também confirma que a entrevista é exclusivamente dirigida a procurar resquícios de despique do entrevistado em relação ao Governo, limitando-se a perguntas genéricas, requentadas e conclusivas, sem se debruçar sequer sobre a possibilidade de informar o leitor mas antes tentando criar um clima negativo

a entrevista tem 152 - cento e cinquenta e dois - 152 "não" ! ! !

quanto a temas internacionais, o jornal tratou o assunto residualmente, com duas ou três perguntas sobre temas batidos a que Freitas respondeu reiterando as posições anteriormente publicadas sobre a matéria e, aqui ou ali, mais por enfado que por sugestão, tentando explicar ao entrevistador os conceitos básicos do assunto, chegando ao ponto de traduzir o próprio português, quando se estava mesmo a ver que o entrevistado não queria era perceber ...

este jornalismo, a dois tempos, não informa, só faz rateres ! a táctica é manhosa e velha: há sempre quem olhe para a alarvidade ...



PS - a totalidade da entrevista pode ser lida nas seguintes ligações:

http://dn.sapo.pt/2005/07/20/tema/nao_seria_estranho_saisse_governo_pa.html

http://dn.sapo.pt/2005/07/20/tema/voto_contra_a_proposta_ps_nao_faco_c.html

http://dn.sapo.pt/2005/07/20/tema/em_campanha_devia_haver_declaracoes_.html

http://dn.sapo.pt/2005/07/20/tema/nao_podemos_licoes_sobre_corrupcao.html


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2005-07-13

falar por falar

em mais uma ferroada em Jorge Sampaio, o editorial do Diário de Notícias de hoje (12/7...ontem já há um bocadinho!) assinado por Raul Vaz, reivindica a má consciência do Presidente da República e aponta o dedo ao País, que considera estar pior que no início deste inquilinato de Belém

nada se alega ou autoriza a concluir que tal juízo ou alguns factos na sua origem sejam atribuíveis a Sampaio, que não governa nem tem competência para o efeito, pelo que não tem essa responsabilidade, como bem se sabe

no caso em apreço, vitupera-se que Sampaio advoga o silêncio sobre a crise portuguesa - ora, manda a honestidade intelectual que a interpretação do que o interlocutor disse deve procurar captar o que é relevante: Sampaio pretende dirigir a sua magistratura à pedagogia da atitude, da restauração da confiança e da auto-estima, precisamente porque os arautos da desgraça impregnam o discurso de problemas que antevêm infindos e insuperáveis, encontrando dificuldades em cada solução

primeiro acusava-se a esquerda de não saber governar, depois que demorava a decidir, mais tarde que as medidas ainda não passaram do papel, entretanto que podia fazer melhor, agora que isto não tem solução

bom, alguma razão tem o Presidente: comecemos por olhar para o que há a fazer, aproveitando o que está feito e contribuindo com a nossa parte ! dizer mal, falar por falar e não fazer nem deixar fazer, jametinhamdito que não interessa ao País

o mundo não se resume à crise, há outras perspectivas a desenvolver e mesmo a crise
também não é só crise, contém muitas vezes o "momentum" que origina a fé, o alento e a iniciativa para a superar

mas o editorial do DN vai por outro caminho, insistindo em que a chuva é molhada, até quando semelhanet técnica venderá papel de jornal ?

no dito caminho, passa pelo sucesso do Chile, que afinal resultou da substituição de Salvador Allende pelo ditador Pinochet - Raul Vaz omite o pormenor da substituição e proclama abençoado o sucesso! excepto, é claro, para os milhares de assassinados e desaparecidos e respectivos familiares, que ainda hoje lutam em desespero pela verdade e pela justiça

embora muito esclarecedor - do propósito de quem o escreve - e a pretexto de que se deve falar de tudo, nunca tinha visto um editorial tão silenciador...


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2005-07-08

carpe diem

os cidadãos britânicos viviam uns dias de alegre euforia: iniciaram o semestre presidencial do Conselho Europeu, em que esperam concretizar as suas ideias de como unir os europeus e assegurar um papel para a Europa no mundo; acabaram de relembrar a vitória naval de Trafalgar, em parceria com diversos outros países; decorre na Escócia uma reunião de alto nível, o G8, de quem se espera um alento na ajuda ao desenvolvimento dos povos mais desfavorecidos; celebram a vitória no exigente concurso para realização dos Jogos Olímpicos de 2012, ganhando afinal mais 7 anos de trabalho árduo para reunir o mundo inteiro em 15 ou 16 dias de convívio pacífico, fraterno e desportivo; preparam mais um grande prémio de automobilismo, prova do circuito mundial de fórmula 1, a decorrer no próximo fim de semana; e começam mais um dia de trabalho, que leva qualquer cidadão ou família a sair de casa, utilizar os transportes públicos para os seus locais de emprego

subitamente, um ardil cobardemente planeado faz explodir autocarros e carruagens de metropolitano, os meios de transporte mais populares numa grande cidade, causando inúmeras mortes e mutilações, numa tragédia inexprimível

jametinhamdito que a crueldade, a violência e a barbaridade dos nossos tempos se inscrevem sobretudo contra inocentes desprevenidos

jametinhamdito que de nada adianta chorar de raiva contra a intolerância e que o combate é tarefa para sucessivas gerações, provavelmente por tempo infinito ou enquanto a humanidade existir

jametinhamdito que o terror só pode ser vencido com uma atitude diária de heroísmo, permanente, de renovada esperança, fé e fraternidade, cuidando das feridas, reforçando a solidariedade para com os nossos próximos mas também a nível regional e global, envolvendo todos os povos e aproveitando todo o dia, todos os dias, para reafirmar dignidade humana

viva Londres, viva a liberdade e viva a paz ! ! !

hoje é um novo dia, carpe diem

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