2005-08-12

eis a ditosa, a gosto



sem saber onde está a Ditosa, a gosto, vai ser difícil atribuir o prémio a quem acertar

é claro que ainda assim haverá prémio, eh eh ...

a Isinha jametinhadito que desta vez não pode concorrer !!!

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2005-08-10

contribuições

"Não contribua limpando, contribua não sujando"

eis o que jametinhadito um cartaz de praia que tipifica o recurso ao desespero:

- como entender que se estacionem carros no passeio, destruindo o lancil e a calçada, mesmo quando há parques com inúmeros lugares ?

- como entender que as praias estejam cheias de detritos quando já estão equipadas com caixotes para o lixo e cinzeiros portáteis ?

- como entender que se atirem beatas acesas para a estrada se os carros têm cinzeiro ?

- nos cafés, esplanadas e restaurantes do nosso país de turismo o mau cheiro insuportável é a regra de conduta de Clientes e concessionários, o que se poderá fazer ?

- a sinalização nas estradas é roubada para venda a sucateiros de alumínio, sistematicamente, anos a fio nisto e continuam a fazer os mesmos painéis de alumínio que duram dias até voltarem ao circuito sucateiro, impunemente

- nas repartições de finanças, o contribuinte continua a ser tratado como um pequeno criminoso, o bom dia vem depois do vá para a fila

estarão as novas gerações a tempo de aprender melhores práticas e reduzir a selvajaria que grassa em redor ?

contribua, por favor



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2005-08-03

sidus magnum

Stephen Robinson, astronauta em missão no Discovery, em órbita a 300 km da Terra, saiu hoje da nave e procedeu a reparações necessárias à reentrada na atmosfera terrestre, tentando reduzir riscos tremendos para a sua própria vida e dos seus companheiros de viagem, extensíveis à continuidade do programa espacial iniciado em 1981

o regresso está previsto para a próxima segunda-feira, dia 8 de Agosto de 2005

até lá, muitos rezarão e velarão pelo progresso do voo e pelo êxito de mais um passeio sideral do vaivém

americanos e russos aventuram-se hoje no espaço imenso e desconhecido, recheado de perigos, como em tempos portugueses e espanhóis se aventuraram pelos segredos do imenso e tenebroso mar

oxalá o homem vença o desafio do conhecimento do espaço, como outrora procurou conhecer o mar e a terra, sempre em busca do verdadeiro conhecimento de si próprio



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2005-07-23

portugalizar

há dias, a revista do Expresso oferecia assanhada "grunha caprichosa" onde habitualmente escreve - e bem, pedantismo pseudo-britânico e assumido à parte - Clara Ferreira Alves

verberava contra o grunho lusitano, a cuspir palavrões à cadência de cinquenta por minuto, a insultar a eito, estacionado em cima do passeio, buzina a fundo, beata a chamuscar o transeunte, e um ror mais de etc e tais

a peça reproduzia os ditos tiques e os vernáculos palavrões, com que aliás assinava a pluma

ou seja, replicava o status que criticava, insultando indiferenciadamente o insultador e o leitor, comportando-se afinal exactamente como ... grunha

custa a aceitar mas é do que se trata

doutros passos, repetem-se em doses maciças as lamentações das crises, tudo vai mal, tão mal que muitos - Miguel Sousa Tavares, uns tantos directores de jornal e por aí em diante, além do sempiterno Vasco Pulido Valente - concluem que Portugal nem é viável (?!!)

no Diário Económico, de ontem 22 de Julho, Baptista-Bastos desencanta (exactamente) uma desenxabida tirada de um tal Roger Vailland, que sumariamente acusa de ser um grande escritor francês, que se referia a portugalizar como expressivo neologismo para significar apatia do povo, inércia, acriticismo, anestesia geral da nação, por assim ter encontrado a nossa gente enquanto em França se viviam entusiastas dias de resistência ao nazismo e à ocupação alemã

enfim, o conceito pode merecer desde logo crítica comparativa: metade ou mais da França estava nos mesmos dias feita com o ocupante ou inerte de tédio, medo ou desesperança - foi também o que sucedeu na Alemanha, milhões disseram sim a Hitler ou deixaram andar, só assim se explica onde as coisas chegaram

mas Baptista-Bastos adere e recupera a ideia para os dias de hoje do recanto à beira mar: estamos tão mal que se podia dar um golpe militar tipo Estado Novo; mas de tão mau nem temos sequer Estado, nem Novo, nem exército para se rebelar ou um ditador para se impor

em suma, estamos outra vez portugalizados, à francesa; pior, Baptista-Bastos ainda conseque ir mais abaixo, desce à Mauritânia, onde os franceses de lá dizem que Portugal é o país mais desenvolvido de África

enfim, mais negativo que um país assim só mesmo o Baptista-Bastos, que apesar de escritor e jornalista de renome e créditos firmados se mostra agora um verdadeiro arauto da desgraça que afinal faz pior que os restantes portugueses, prejudicando a média, falho de esperança e de temas que fortaleçam o brio e alentem tão mau povo,

no mesmo jornal, Manuel Falcão, jornalista, político e intelectual de craveira, faz o balanço de vida que a legitimidade das férias proprciona: afirma-se esforçado, incompreendido e desiludido, Portugal é mesmo mau, não tem saída, mesmo a sensibiliadde política que alguns reclamam está catalaogada como o pior que há, a catástrofe

pois Manuel Falcão jametinhadito que encontra o país em estado catastrófico e contribui muito para isso gritando que o país está em estado catastrófico, ampliando os efeitos que pretende denunciar

o que vale é que para a semana haverá - à excepção dos cronistas que merecem férias desde já - mais crónicas, mais jornais, mais opiniões, a vida prosseguirá

será assim tão lucrativo dizer mal ou é só por razões de estilo ? e todos à uma, dá para desconfiar, não é ? se estivessemos assim tão mal haveria alguém de tentar superar construtivamente as dificuldades, aproveitar a boleia dos que acreditam e trabalham, entusiasmar os hesitantes, apaziguar os cépticos...

estaremos a precisar de férias ?

pelo menos de crónicas pessimistas merecíamos férias ... e já ! ! !



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2005-07-21

a segurar

perguntava José Leite Pereira, no Jornal de Notícias, como e se vai José Sócrates segurar o Ministro das Finanças...

a resposta está aí, na telefonia e em alguns jornais online: primeira exoneração !

Campos e Cunha jametinhadito que tinha razões pessoais e familiares, além de que estava cansado - ou também haveria razões de sentido político de um político independente ? de um economista competente ? ou de um Ministro divergente ?

antes das convenientes explicações, o Primeiro Ministro decerto está a assegurar que haverá outro Ministro

é que é já a seguir !



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a dois tempos

o Diário de Notícias (20 de Julho de 2005) jametinhadito orgulhar-se do jornalismo que faz e concede o espaço necessário à entrevista a Freitas do Amaral

lida após as explicações do entrevistado sobre o que lá tinha declarado, a entrevista sabe a mofo e o "Diário" perdeu o qualificativo "Notícias"

na avareza de vender papel, o jornal usuou de artimanha para caçar leitores, retardando a publicação da entrevista, depois respigando extractos convenientes para elevar a expectativa do público, só então concedendo espaço à publicação da entrevista, num estratagema demasiado ostensivo e conflituoso, aviltando a inteligência dos leitores, assim submetidos à força da força de vendas, que não da prestação de um serviço de informação noticiosa

a orientação sobre si mesmo começa logo pela prioridade e destaque em caixa dada à apreciação do próprio jornal - ouve-se a si mesmo, publica-se a si mesmo e sublinha-se a si mesmo, relegando para plano menor a entrevista em apreço

mas a leitura da entrevista, além de permitir tirar qualquer dúvida - se a houvesse -sobre a manipulação encetada na véspera pelo jornal, também confirma que a entrevista é exclusivamente dirigida a procurar resquícios de despique do entrevistado em relação ao Governo, limitando-se a perguntas genéricas, requentadas e conclusivas, sem se debruçar sequer sobre a possibilidade de informar o leitor mas antes tentando criar um clima negativo

a entrevista tem 152 - cento e cinquenta e dois - 152 "não" ! ! !

quanto a temas internacionais, o jornal tratou o assunto residualmente, com duas ou três perguntas sobre temas batidos a que Freitas respondeu reiterando as posições anteriormente publicadas sobre a matéria e, aqui ou ali, mais por enfado que por sugestão, tentando explicar ao entrevistador os conceitos básicos do assunto, chegando ao ponto de traduzir o próprio português, quando se estava mesmo a ver que o entrevistado não queria era perceber ...

este jornalismo, a dois tempos, não informa, só faz rateres ! a táctica é manhosa e velha: há sempre quem olhe para a alarvidade ...



PS - a totalidade da entrevista pode ser lida nas seguintes ligações:

http://dn.sapo.pt/2005/07/20/tema/nao_seria_estranho_saisse_governo_pa.html

http://dn.sapo.pt/2005/07/20/tema/voto_contra_a_proposta_ps_nao_faco_c.html

http://dn.sapo.pt/2005/07/20/tema/em_campanha_devia_haver_declaracoes_.html

http://dn.sapo.pt/2005/07/20/tema/nao_podemos_licoes_sobre_corrupcao.html


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2005-07-13

falar por falar

em mais uma ferroada em Jorge Sampaio, o editorial do Diário de Notícias de hoje (12/7...ontem já há um bocadinho!) assinado por Raul Vaz, reivindica a má consciência do Presidente da República e aponta o dedo ao País, que considera estar pior que no início deste inquilinato de Belém

nada se alega ou autoriza a concluir que tal juízo ou alguns factos na sua origem sejam atribuíveis a Sampaio, que não governa nem tem competência para o efeito, pelo que não tem essa responsabilidade, como bem se sabe

no caso em apreço, vitupera-se que Sampaio advoga o silêncio sobre a crise portuguesa - ora, manda a honestidade intelectual que a interpretação do que o interlocutor disse deve procurar captar o que é relevante: Sampaio pretende dirigir a sua magistratura à pedagogia da atitude, da restauração da confiança e da auto-estima, precisamente porque os arautos da desgraça impregnam o discurso de problemas que antevêm infindos e insuperáveis, encontrando dificuldades em cada solução

primeiro acusava-se a esquerda de não saber governar, depois que demorava a decidir, mais tarde que as medidas ainda não passaram do papel, entretanto que podia fazer melhor, agora que isto não tem solução

bom, alguma razão tem o Presidente: comecemos por olhar para o que há a fazer, aproveitando o que está feito e contribuindo com a nossa parte ! dizer mal, falar por falar e não fazer nem deixar fazer, jametinhamdito que não interessa ao País

o mundo não se resume à crise, há outras perspectivas a desenvolver e mesmo a crise
também não é só crise, contém muitas vezes o "momentum" que origina a fé, o alento e a iniciativa para a superar

mas o editorial do DN vai por outro caminho, insistindo em que a chuva é molhada, até quando semelhanet técnica venderá papel de jornal ?

no dito caminho, passa pelo sucesso do Chile, que afinal resultou da substituição de Salvador Allende pelo ditador Pinochet - Raul Vaz omite o pormenor da substituição e proclama abençoado o sucesso! excepto, é claro, para os milhares de assassinados e desaparecidos e respectivos familiares, que ainda hoje lutam em desespero pela verdade e pela justiça

embora muito esclarecedor - do propósito de quem o escreve - e a pretexto de que se deve falar de tudo, nunca tinha visto um editorial tão silenciador...


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2005-07-08

carpe diem

os cidadãos britânicos viviam uns dias de alegre euforia: iniciaram o semestre presidencial do Conselho Europeu, em que esperam concretizar as suas ideias de como unir os europeus e assegurar um papel para a Europa no mundo; acabaram de relembrar a vitória naval de Trafalgar, em parceria com diversos outros países; decorre na Escócia uma reunião de alto nível, o G8, de quem se espera um alento na ajuda ao desenvolvimento dos povos mais desfavorecidos; celebram a vitória no exigente concurso para realização dos Jogos Olímpicos de 2012, ganhando afinal mais 7 anos de trabalho árduo para reunir o mundo inteiro em 15 ou 16 dias de convívio pacífico, fraterno e desportivo; preparam mais um grande prémio de automobilismo, prova do circuito mundial de fórmula 1, a decorrer no próximo fim de semana; e começam mais um dia de trabalho, que leva qualquer cidadão ou família a sair de casa, utilizar os transportes públicos para os seus locais de emprego

subitamente, um ardil cobardemente planeado faz explodir autocarros e carruagens de metropolitano, os meios de transporte mais populares numa grande cidade, causando inúmeras mortes e mutilações, numa tragédia inexprimível

jametinhamdito que a crueldade, a violência e a barbaridade dos nossos tempos se inscrevem sobretudo contra inocentes desprevenidos

jametinhamdito que de nada adianta chorar de raiva contra a intolerância e que o combate é tarefa para sucessivas gerações, provavelmente por tempo infinito ou enquanto a humanidade existir

jametinhamdito que o terror só pode ser vencido com uma atitude diária de heroísmo, permanente, de renovada esperança, fé e fraternidade, cuidando das feridas, reforçando a solidariedade para com os nossos próximos mas também a nível regional e global, envolvendo todos os povos e aproveitando todo o dia, todos os dias, para reafirmar dignidade humana

viva Londres, viva a liberdade e viva a paz ! ! !

hoje é um novo dia, carpe diem

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2005-07-07

ler

em certo prédio de Lisboa, junto a uns contentores especiais de razoável dimensão, localizados entre os elevadores e a garagem, está um enorme cartaz com ostensiva inscrição: NÃO SABEM LER ?

a interrogativa obriga a espreitar para dentro dos contentores, geralmente cheios de papel, papelão, cartão e afins !

ler então o quê ?

continuando o percurso em direcção à saída, ganha-se enfim a distância focal necessária a mais proveitosaobservação, mesmo se não particularmente atenta

vislumbram-se então vários pequenos cartazes explicativos, indicando que os contentores se destinam exclusiva e ecologicamente a receber embalagens de tonner vazias ...

daí o desepero do cartaz grande, certamente colocado por quem não investiu o suficiente nos cartazes com as indicações essenciais e depois jametinhadito que são os demais que não sabem ler

é certo que nem todos sabem mas também não chega saber ler ...


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2005-07-04

engenheiro

à semelhança de outras empresas mas de modo mais noticiado, um grande banco anunciou drástica medida: acabar internamente com o tratamento pelo título académico, engenheiro, doutor, professor

a coisa sempre teve contornos curiosos, os bacharéis e os mestres tinham insuficiente ou excessivo reconhecimento face ao respectivo título, a formação profissional, técnica e comportamental, amplificou as fontes de aquisição de conhecimentos, competências e valências, a própria experiência é hoje passível de certificação, as post (eh eh) graduações, os MBA,E,I,O,Us enchiam já os curriculum vitae

recentemente, a informalização ganhou valor próprio e mesmo o primeiro nome, senão um afectuoso diminutivo, substituem amiúde a excelência de mui excelsos e académicos graus

os exemplos de fora chegam em catadupa, trazidos por que nos visita em conferência ou nas reuniões da internacionalização política e empresarial a que o 25 de Abril nos abriu portas nos idos de 1974

por falar em abrir portas, a generalização do acesso ao ensino, passados que estão já os testemunhos para a novas gerações, extinguiu de vez o conceito e a permilagem do senhor doutor acima da plebe: praticamente todos os portugueses podem hoje concluir um dos inúmeros cursos superiores numa das inúmeras faculdades e institutos activos em todo o país

nas empresas como na administração pública, governo incluído, os responsáveis de topo dirigem hoje uma plêiade de licenciados, mestres e doutores, mesmo catedráticos, em extensa inversão de hierarquias entre o esquema organizacional e as habilitações académicas, ao ponto de patrões, administradores e ministros se verem na contingência de maior deferência para com subordinados, administrados e colaboradores

empresas há sem nenhum empregado exclusivamente “administrativo”, os recém licenciados cumprem todas as tarefas, sem horas, extraordinariamente, e muitos só entram no mercado de trabalho depois do mestrado ou doutoramento, para colaborar com chefes, directores de serviço ou patrões a quem nunca atribuiriam grau académico algum

eis algumas das verdadeiras razões para acabar com tanta titulação e falsa etiqueta, sendo certo o mérito do resultado e da finalidade

mas também jametinhamdito que no caso em apreço, do BCP, pode a medida prestar-se a interpretações algo além do pragmatismo laboral: poderia ver-se a extinção do tratamento interno pelo grau académico como forma de assinalar a ruptura organizacional, a nova liderança ou a reserva em homenagem ao último dos moicanos - Jardim Gonçalves, o engenheiro !




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2005-07-03

esposa grátis


e o que mais pode um estabelecimento comercial oferecer para o cliente ficar totalmente satisfeito ?

a crer no anúncio do JN, o Hotel Londres, ao Estoril, jametinhadito: esposa à borliu, nada menos !

e crianças de brinde !!

é o verdadeiro especial família, aproveite quem quiser, Portugal no seu melhor ainda será um país !!!

quem sabe se de turismo ? ...






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2005-07-02

centenário

atenta e afectuosamente assinalado por quem jametinhadito de história e de direito, regista-se mais um ditoso centenário deste humílimo blog

obrigado



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2005-06-30

Guerreiro

Emídio, 105 anos, cruzou e lutou por três séculos, em permanente combate pela lucidez, de que era um extraordinário titular, e pela dignidade humana

em nome da dignidade humana arriscou, guerreou e bateu-se toda uma vida, grande parte dela muito corajosamente em contraciclo !

e que vida ...

logo menos de um ano após o golpe de 1926 tentou derrubar os golpistas; se tem vencido, pouparia talvez a Portugal mais de meio século de ditadura, pobreza e ignorância

exilado, combateu o tirano Franco; se tem ganho, pouparia muitas vidas, repressão e ignomínia

depois da madrugada de Abril, fundou e dirigiu o então PPD, em contraciclo, de onde acabou por sair, também em contraciclo

ser humano e cidadão exemplar, nobre portador da bandeira e das armas do bem – pelo qual é necessário agir e bater-se, eis a sua lúcida mensagem – Emídio Guerreiro abraçou, transportou e disseminou pelos tempos (e pelas geografias, do exílio, mesmo no seu próprio País) a suprema causa da dignidade humana, que sacrificadamente defendeu com bravura, lucidez e acção

uma vida de luz



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2005-06-26

gente

ontem, sábado 25 de Junho, o Púlico tem dois homólogos do Ditos e apesar do direito que o nome do dia pressupõe, a coluna «Diz-se» transcreve do Jornal de Negócios, duas afirmações de Baptista-Bastos que não dão descanso ao Governo

nada de extraordinário, vindo de quem, sem papas na língua, sempre se destacou pela análise lúcida, crítica contundente e expressão certeira

dá-se no entanto o caso de Baptista-Bastos se referir ostensivamente a "esta gente" que nos tem governando desde há trinta anos

já outro ilustre comentador, em recente jametinhasdito, verberava contra "esta gente", seja lá o que for o conceito mas tendencialmente a coisificação de pessoas desmerecidas de maior consideração, designadamente porque, pelo que se tem visto - Baptista-Bastos - erraram tanto ou tudo, ou porque - Vasco Graça Moura - segura e aritmeticamente, vão errar tanto ou tudo

começa pois a preocupar que comentadores tão literatos e desabridos, tenham necessidade de recorrer à despersonalização e à generalização dos criticados, atribuindo-lhe o epíteto pejorativo que o «esta gente» pretende encerrar em vez da identificação exacta das pessoas e actos sob crítica

além de infeliz e menos elegante, parece retórica de último recurso mais apropriado para quem nada tem para jametinhasdizer ...

já o «DIXIT» vem aqui ter por outras razões: transcreve um conjunto de alocuções proferidas no debate mensal com o Primeiro-Ministro mas deixa um saldo estranhamente negativo - 9 (nove) 9 frases de José Sócrates para apenas 1 de Marques Mendes, líder da oposição, já para não falar do encómio à antiga de Alberto Martins, deputado do PS que se dirige ao próprio chefe por V.Exa. e procurando convencê-lo de que estamos (?) conscientes de que será um protagonista e está a sê-lo (será antes selo?) da autoridade democrática ...

esta gente ... digo, este Alberto Martins ...


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2005-06-24

em queda

o tema da quartada de Vasco Graça Moura no editorial do DN de 22 de Junho é totalmente irrelevante

mas o propósito é ostensivo: penalizar “esta gente” do Governo socialista

o ouro está nas eleições autárquicas, uma pechincha de oportunidade !

e os meios até são elementares, nem mais é preciso, o dito Governo já começou a cair, por decreto de comentador profissional à sombra de uma inteligência que «funciona com um fascinante sentido de simplificação.»

ele há personalidades assim, maternais a explicar aritmética às crianças

e a história registará a data de 16 de Junho de 2005 como um dia de entrevistas na televisão !!!

calmamente, com a mesma sóbria serenidade e honestidade intelectual com que ainda há poucos meses as quartadas davam dez anos de vigorosa longevidade governamental a Santana Lopes ...

e há poucos mais, outros dez a Durão Barroso...

livra !




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2005-06-23

lapsus parvum

dito em português corrente, um pequeno lapso !

outras palavras: um erro pequenino, coisa pouca, um lapsinho !!!

a Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, jasetinhadito "...um pouco atrapalhada" quando perorou sobre "um pronunciamento sobre um despacho do Governo Regional de um Tribunal dos Açores, que não é de Lisboa nem respeita à República Portuguesa, portanto não respeita ao nosso sistema"

ainda se pode dissecar a ambiguidade: é o Tribunal dos Açores que não respeita à República ? a sentença ? ou o Governo Regional ? ou o despacho ?

para haver safa é capaz de ser preciso interpretar a expressão ministerial no sentido de que o Tribunal não sentenciou a República ...

por via de outras interpretações o lapso deixa de ser pequeno, mesmo que a atrapalhação seja compreensível, carregando na infelicidade de uma declaração deveras precipitada

mas o jametinhasdito educacional vai para a filosofia pressuposta na tentativa de emenda, lá onde a Ministra afirma que "Os ministros são pessoas normais e cometem lapsos e só são diferentes porque têm mais responsabilidades"

esta perspectiva confina ou eleva os Ministros a pessoas, digamos ... especiais ? -

bem vistas as coisas, é justamente por terem mais responsabilidades do que as "pessoas normais" que os Ministros não podem cometer os mesmos erros - a errar como as "pessoas normais" deverão deixar de ser Ministros

aproveitando a deixa, importa admitir que a Ministra também procurou reconhecer preocupação pelos descontentamentos dos professores mas soube defender os interesses superiores da educação

num país de "munto ilevado analfabrutismo", eh eh, a prioridade tem que ser definida de forma inquívoca a favor da menor perturbação possível do ano lectivo, devendo os interesses, privilégios ou legítimos direitos sectoriais ser defendidos ou prosseguidos com cuidada limitação da extensão dos prejuízos causados aos alunos e à comunidade em geral

e nunca agravar a situação deliberando a coincidência da greve com a data prevista para realização de exames, criando uma verdadeira armadilha à raposa, o que fica muito mal a quem exerce a delicada e decisiva função docente

há tempo para cada qual se exprimir, reivindicar e lutar

desnecessário e contraproducente é fazer perigar bens preciosos, como a educação num país e sobre uma população dela especialmente carente



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2005-06-21

eterno (?) feminino socialista

de acordo com a mais recente notícia da respectiva página oficial, o Departamento Nacional de Mulheres Socialistas jametinhadito que vai fazer das suas eleições um marco histórico

o objectivo foi plenamente atingido: as candidaturas concluíram-se a 3 de Maio (vai para dois meses) e a campanha oficial começou a 19 de Maio passado (há mais de um mês) tendo entretanto circulado diversos rumores, notícias, boatos, desmentidos, promessas, hipóteses, metásteses, metáforas, suposições, pressuposições e muitas outras confusões

na realidade, a notícia é antiga, a página oficial está muito desactualizada, não diz que as eleições já foram, nem que o PS ainda não tem Presidente das Mulheres Socialistas, Conselho Consultivo também não ...

resultados ?

estão à vista, escusam de gastar mais euros, latim e tempo de antena

a compreensão alheia tem limites, onde estão as Mulheres Socialistas ?

enfim, o problema é lá delas ...


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2005-06-15

às escuras ?

a Sábado, revista com inúmeros atractivos, na edição de 3 a 8 de Junho – sim, notícias frescas – jametinhadito que também há restaurantes que servem pratos às escuras

bem visto, o verdadeiro poder dos sentidos pode ser revelado quando falta ou não usamos algum deles

neste caso, que redobrado deve ser o apuro do tacto, do ouvido, do olfacto e, instigadamente, do paladar

se é certo que os olhos também comem, e às vezes é muito mais ou mesmo só isso, é também provável que outros e intensos sabores se extraiam da experiência de comer e conviver ... sem ver !

os Clientes são ajudados pelos invisuais - que trabalham no restaurante!

de acordo com as informações da página do «Dans le Noir?», em que até a interrogativa é saborosamente prometedora, o projecto nasceu da visão de responsáveis pela Associação Paul Guinot, defensora de cegos e amblíopes franceses, para sensibilizar e proporcionar o conhecimento do modo de vida e dificuldades de quem não vê...

o que pelos vistos é possível realizar de forma construtiva, prazenteira e ética !



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visão

em Beleza e em boa hora, a Fundação Champalimaud anunciou a instituição de um Prémio, a atribuir de dois em dois anos, destinado a incentivar e compensar a investigação na área da visão, no quadro do desenvolvimento da actividade de pesquisa científica no campo da medicina

na expectativa de que frutifiquem os avanços significativos no âmbito da visão, um jametinhasdito de júbilo para quem haja bem !


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a rua do nome

a Monforte, no Alto Alentejo, são reconhecidos importantes vestígios megalíticos, estudados, enquadrados no património arqueológico da região que testemunha um passado longínquo de presença e actividade humana desde há cinco milénios

Monforte tem também inúmeros elementos edificados que remontam à época da ocupação romana, uns dois milénios de história

já no milénio passado, foi palco de lutas entre cristãos e mouros, tendo sido vitorioso o exército de D. Afonso Henriques, o Fundador de Portugal, já lá vão quase mil anos

mais recentemente, Monforte serviu na defesa contra invasores do território nacional

há dias, foi notícia por ter dado o nome de um dos seus, vivo e jovial, a um Largo, que passou a chamar-se José Carlos Malato

o topónimo homenageia e responsabiliza um profissional de rádio e televisão, no activo, esperemos que com muito para dar

acto contínuo, além de referências invejosas, soezes e boçais, o assunto mereceu também a atenção de intelectuais, mais propriamente e para o que ao Ditos interessa, deu alimento a comentadores

na revista do Expresso, a Única Bomba Inteligente Carla Hilário Quevedo perorou sobre a atribuição camarária ao seu Colega de comunicação

e no Diário de Notícias, Miguel Gaspar, verdadeiro refúgio dos media, jametinhadito que a vila de Monforte participou na “subversão da memória”, alterando o curso natural do rio da história, que tende a inundar de antepassados célebres a toponímia dos nossos lugares

mas bem sabemos que os nomes das ruas mudam e até o dos lugares, quem não se lembra do Poço passar a Fonte, em Boliqueime – e quantas mil vezes preferível seria substituir “Quinta do Cabrinha” por nome mais auspicioso para um bairro social ganhar o ânimo necessário a enfrentar tantas dificuldades no seu quotidiano ? e quantas vontades faltam para substituir o “Senhor Roubado” da placa da primeira localidade à saída de Lisboa em direcção a Loures ? e quantos comentadores, apresentadores ou locutores poderiam enobrecer muitos lugares que habitamos, de nome irreconhecível ou pateta ?

haverá poucas ruas, praças e pontes Vasco da Gama, Elias Garcia, Almirante Reis ? mais algumas alamedas, avenidas e viadutos Eça de Queiroz, Hintze Ribeiro, D. Pedro ? e freguesias de Santos ?

é bem certo que nem o dia de hoje apaga a memória, nem todos os nomes de rua são exactamente heróis, nem só de passado é feito o presente

e o caso em apreço parece mais aposta de futuro

oxalá !



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