2005-06-02

... ou a vã glória

ditos

... enfim, a Europa há-de trilhar os seus caminhos, umas vezes a poder de construtivos sins, umas outras por baixo de clamorosos nãos, longe vão pois os tempos em que a evolução (?) se perspectivava à bordoada, canhonada, etc.

um não terá poderosas virtudes ou mesmo muitas mais

realizar algo é porém desafio maior, implica propor, eventualmente cativar, seduzir ou animar a partilha de ideais; sujeitar-se a ceder; procurar consensos; obter compromissos

mas os tempos não estão para compromissos, todos gostam de fazer prevalecer os seus interesses, decerto legítimos

o não é inteiramente legítimo e porventura a melhor escolha, talvez até justo - bem, o recurso ao exagero é meramente didactico - mas faz lembrar a história da rã e do lacrau, a primeira propõe-se atravessar a ribeira, do que o segundo não é capaz, mas encetado o trajecto cooperativo, o lacrau concretiza a sua natureza, afundando ideal, propósito, travessia, cooperação e ... o canastro de ambos

naturalmente que a CEE não foi propriamente referendada, nem os países que a compõem no momento inicial, quase todos os que agora integram a União Europeia, ou os que constituem por ora a lista da ONU, tão pouco foi referendada a construção do Castelo de São Jorge, a cidade de Lisboa, a Torre Eiffel de Paris, a farmácia da esquina, a língua portuguesa, o armistício de 1945, o 25 de Abril, o horário de abertura do Museu Nacional de Arte Antiga, a Constituição da República ou as suas inúmeras alterações, a adesão de Portugal à CEE/CE/UE e muitas outras realizações ou aquisições humanas, muitas das quais obviamente não resistiriam a um excelso e vivaz referendo

as fontes de legitimação têm asim uma natureza fugidia face aos filtros mentais com que por vezes encaramos modernamente temas semelhantes - e a receita pode conter o germe da eficácia: tudo quanto não se queira realizar, submete-se a referendo, há enorme probalidade de ficar no papel ou mesmo no tinteiro !

nada há que propor em alternativa, nada há que ceder, nada há que aceitar

e como todas as razões são boas, o próximo projecto será ainda de mais difícil elaboração; mas é um saco de gatos, como irá colher mais e menos coesão, mais e menos federação, mais e menos liberalismo, mais e menos religião, mais e menos subsidiaridade, mais e menos social, mais e menos directório, mais e menos soberania, mais e menos economia, mais e menos política, mais e menos ética ?

por meritória e útil que seja, a vitória do não é pois sensaborona e deslavada: o que é que verdadeiramente oferece aos povos da Europa ? como se supera ? que progressos assegura ?

mas não é neutra nem indolor: além de dividir e acirrar, deve afastar a carta de direitos, o objectivo de pleno emprego e a supremacia de conceitos sociais e de solidariedade entre os povos de qualquer tentativa ou projecto de texto europeu nos próximos anos, talvez décadas, até que algum novo idealismo comunitário ou alguma transcedência solidária, eventualmente sob a premência de desânimos agonizantes, de ameaças totalitárias ou musculadas

o compromisso até pode construir a paz, castelos, países, comunidades, línguas, poemas, ciências, mas porventura com muitos defeitos pois, por definição e circunstância é de facto imperfeito

então vota não, porque jametinhasdito que não és comunista; nem sindicalista; nem operário; nem intelectual ...

2005-05-22

Não porque sim

o Pacheco Pereira é um mediático (vive disso!) e não desperdiça uma
oportunidade, ao contrário do Sporting...
também fez campanha contra o Santana, aliás desde antes de o Santana ser
Primeiro, logo que percebeu que o assunto ia dar conversa, notoriedade e
comentários sem fim
inclusivamente deixou no ar a hipótese de votar em branco ou não votar PSD
nas legislativas antecipadas pelo Sampaio (outro adepto do contra-ataque,
sistema eficaz contra convencidos, distraídos e outros esquecidos) e
lembro-me que só uns (muito poucos) dias antes das eleições desfez os
equívocos que deliberada e espectacularmente criou
razões para Sins e Nãos há sempre - e muitas !
recordo também uma recente sondagem em França, em momento em que o Não
ainda prevalecia, onde se verificava que as duas (com percentagens
muito próximas) principais (de longe, a milhas de terceiros argumentos)
razões para o Não eram: a) o Tratado Constitucional era demasiado liberal; b) o Tratado Constitucional era pouco liberal !!!
também nós podemos esgrimir razões para votarmos Não como os comunistas e
fascistas, esclarecendo que temos motivos diferentes
certo é que tal como quando está tudo a chorar há sempre tipos que
aproveitam o nicho de mercado e tornam-se vendedores de lenços de assoar,
também o nosso comentador Pacheco Pereira negoceia o seu produto, usando com
maestria os poderosos instrumentos de marketing de que faz óptimo uso, como
sejam um partido político e uma catrefa de órgãos de comunicação, blogues
incluídos

observacoes sao benvindas

2005-05-04

beijo em contramão

em crónica matinal em boa hora partilhada na TSF, faz tempo, Fernando Alves jametinhadito que viu o beijo de um casal na berma da IC 19, quando se aproximava de Lisboa no ror do trânsito matutino

o casal estava ao lado de um carro parado, no sentido de Sintra e o feliz cronista interrogava-se: seria hora de partida, estariam de regresso, seria uma pausa, haveria uma avaria ?

perturbador, como seria de esperar, o beijo em contramão despertava (!) a atenção dos transeuntes, num momento de perplexidade, como que uma prenda de travo e aroma diferente em mais um dia de trabalho na urbe

o olhar prendeu-se-lhe naquele beijo, obrigando-o a reparar, como terá sucedido a alguns outros condutores pela fresca da manhã

é assim como ouvir o galo cantar ou a chilreada dos pássaros, ver cair da árvore uma pêra, molhar os pés num ribeiro, sentir a brisa quente e reparadora

tudo pois quanto, nos escapa dia após dia, por entre os dedos, a vida afinal, nos seus quês de simplicidade e ternura, apressados e apresados na espuma das correrias artificiais que nos contam os minutos e nos roubam eternidades decisivas, como o instante de um beijo

e um beijo assim suspende o tempo e devolve-nos algo, breve mas com fragrância de verdadeira urgência ... tão urgente que o tempo não conta nem quanto nos rodeia ...

e é sempre urgente se é dado e visto às portas do dia e da cidade, na partilha de um acaso, de uma pausa, de uma berma, em perfeito recolhimento à beira da confusão, à vista de uma fila de perplexos observadores camuflados de condutores rumo a mais um dia, tornados invisíveis pelos mistérios da doçura ou da paixão, mas tocados brevemente pela graça de um beijo em contramão


observacoes sao benvindas

2005-05-03

humanos recursos

passou o dia do Trabalhador, algo despercebido, o domingo a absorver um desejável feriado e para mais era dia das Mães, que tudo merecem, deviam ter um dia grande 365 vezes por ano, toda a nossa vida

nos últimos anos, recentemente, o primeiro dia de Maio tem sido aproveitado para contestar a globalização, por vezes de forma irracional e mesmo violentamente - o problema das multinacionais, da descaracterização cultural, das deslocalizações, da procura desenfreada de lucro, (s)enfim... pese embora ser forçoso reconhecer e criticar a deficiente democraticidade do sistema económico mundial, facto que importa superar construtivamente e sem destruição nem caos

longe vão os tempos da festa do início das plantações da Primavera, com o entusiasmo de todos, dos trabalhadores em especial, também a poder de ancestrais ritos dos ciclos naturais, da vida e da alegria, partilhada por velhos e novos

entretanto o dia significou luta, martírio, coisa a sério, a polícia a carregar e morriam trabalhadores, desvaliam-se famílias, cuidava-se do valioso futuro alheio com o risco da própria vida, tempos

entretanto passou a memorial, homenagem, comemoração, celebração de vitórias e atitudes, sinal da dignidade ao de cima

depois passou a caso de política, sindicatos partidarizados

ainda serviu para alguma música ou para sair simplesmente à rua, encontrar gente e animação, um dia roubado ao patrão é também para esbanjar ao sol, no jardim, no relvado, no largo, na praça, na avenida, na alameda

agora já quase só dá na TV, havemos de ver dois ou três espécimes, protegidos a honorário e lancharete, em entrevista a explicar como eram os tempos em que havia manifestações ou apenas reuniões ou mesmo trabalhadores ...

pois a grãfinagem guru da megagestão só conhece "recursos", ainda lá botam, digo, implementam um H mas tudo se pode racionalizar, reduzir, flexibilizar, jametihamdito que estará para breve o acabar de vez com a obsolescência do superlativo "humanos" a qualificar inviamente tão fungíveis recursos

de nada vale argumentar que os trabalhadores não são recursos, são antes sujeitos que exercem actividades remuneradas aplicando o saber e a mão de obra de que dispõem, de forma organizada pelos gestores e em benefício da empresa ou entidade patronal

também de nada vale argumentar que os gestores não são recursos mas sujeitos que exercem actividades remuneradas de administração de bens alheios, organizando os factores de produção, trabalho incluído - esse sim, um factor - em benefício da empresa ou dos accionistas seus proprietários

e também de nada vale argumentar que os accionistas não são recuros mas sujeitos que aplicam e arriscam os seus capitais e economias, confiando em gestores que organizam as actividades dos trabalhadores

é que o que faz mover o mundo são os fundos anónimos que representam a abstracção de referência, porventura meros índices e siglas, informaticamente listados, em que accionistas, gestores e trabalhadores são vistos não como sujeitos mas meros factores

ora, tal como gestores e accionistas, o trabalhador não é um recurso nem factor

o trabalhador é um sujeito, gente, ser humano que nasce, aprende, cresce, vive em Família e em sociedade, em várias comunidades incluindo a laboral, esta importante sem no entanto esgotar a vida, o todo em que se realiza e dignifica a pessoa humana

era por isso o entusiasmo das primeiras plantações da Primavera, os factores serviam o homem, sujeito dinamizador da transformação dos recursos, titular de dignidade humana e Família para alimentar e educar

era por isso que lutavam e morriam os trabalhadores martirizados no primeiro Primeiro de Maio, queriam ser tratados como sujeitos, pessoa humana, Pais, Mães, Filhos, gente

entretanto sobreveio a alpaca mais a era digital e as business school, puro management, cavalgado a gurus de case study debruado a power point, deixam de ver gente, é tudo recursos, tal como está consagrado na apresentação web-based


trabalhadores o que seja ?

partilha, o que é ?

dia de quê ?




observacoes sao benvindas

2005-03-22

xeque ao ditador

o actual campeão mundial de xadrez, Garry Kimovich Kasparov, nasceu em 1963, em Baku, Azerbeijão, na então União das Repúblicas Soviéticas Socialistas

chamava-se Garry Weinstein, aprendeu a jogar xadrez aos quatro anos, aos sete perdeu o pai num acidente de viação e ficou com o nome da mãe, Kasparian, sovietizado para Kasparov

jovem genial, aos dez anos entrou para uma escola de elite, de Botvinnik, antigo campeão do mundo, aos doze anos venceu o campeonato de juniores da URSS, aos dezasseis foi campeão mundial de júniores, aos dezassete conquistou o título de Grande Mestre, aos vinte e dois tornou-se o mais jovem campeão do mundo, aos quarenta e um anos culminou a sua carreira de xadrezista precoce com ... a reforma ! ! !

no início deste mês, venceu (pela nona vez...) um dos mais fortes torneios do mundo, já clássico, realizado em Linares, em Espanha e anunciou que se retira do xadrez enquanto jogador profissional, cada vez mais dedicado à política, integrando um notável grupo de liberais opositores ao Presidente Putin

ao jogar o lance de mudança de actividade principal, Kasaparov jametinhadito que “todos não somos demais para afastar o ditador”, xeque !!!


observacoes sao benvindas

2005-03-20

Ramos ao Domingo

ao aparecer à janela, perante os fiéis, acenando um ramo de oliveira, João Paulo II janostinhadito que a prece, a esperança e a paz podem oferecer à humanidade o bem precioso de uma vida sã, digna e solidária, por que vale a pena lutar ainda que em circunstâncias difíceis como a delicada saúde do Papa

para o cristãos, hoje finda a Quaresma e começa a Semana Santa, Jesus Cristo chegou a Jerusalém

no próximo Domingo, em plena lua cheia, a primeira após o equinócio da Primavera, celebra-se o mistério da ressurreição, é o Domingo de Páscoa

esta forma de agendar a Páscoa foi oficializada no ano 325 depois de Cristo, no Concílio ecuménico convocado pelo Imperador Romano Constantino e realizado em Niceia, no antigo reino da Bitínia, então pertencente a Bizancio, que integrava o Império Romano e entretanto foi conquistado pela Turquia

a religião cristã quis assim assimilar, como noutras datas e celebrações, os ritos, cultos e cerimoniais pagãos ligados à Primavera, ao reabrir e renascimento da vida, afinal um ciclo natural que muitas comunidades humanas se dedicaram a assinalar e celebrar

ainda hoje, o cerimonial da Páscoa celebra-se com folar, bola ou pão-de-ló, amêndoas e ovos, sinal ou voto de vida, alimento e abundância, o que os ramos também sinalizam

também na religião judaica a Páscoa é celebrada com pão, ázimo, sem fermento, mas sempre alimento

os povos do mundo inteiro precisam hoje de alimento, tanto físico como espiritual – e é admirável o esforço, o alento e o significado ecuménico do gesto de João Paulo II, acenando mais do que uma fé, um rebate de esperança para a necessidade de renascimento da fraternidade humana, em todas as comunidades e religiões

longa vida ao ânimo e fé de João Paulo II


créditos: Domingo de Ramos, publico-online
Pela primeira vez em 26 anos de Pontificado, João Paulo II não presidiu à missa do Domingo de Ramos. Em silêncio, no final da oração do Angelus, o Papa abençoou com um ramo de oliveira, a partir da janela do seu quarto, os milhares de fiéis que o aguardavam na Praça de São Pedro, no Vaticano. (Foto: Pier Paolo Cito/EPA)



observacoes sao benvindas

2005-03-18

geraçao delirante

o novo Diário de Notícias, a páginas 9, dita “Geração de 70”, ao bordão da Geração de 70, tem hoje, 18 de Março de 2005, os comentários de João Miguel Tavares aos comentários de Pacheco Pereira sobre “Rostos do comentário não mudam há 20 anos”, artigo há dias em que no DN se comentava a relação entre os comentadores e os media

tanto comentário e comentador só pode ser naco para o Ditos, arriscando a actualidade

o jovem comentador de 70 desanca em Pacheco, acusado de tudo e mais alguma coisa, de estudar o comunismo, de ter opiniões, de observar os astros, de ler Chomsky, de divulgar pinturas, de publicar um blog, e por fim, de estar com visões a propósito da eventual tentação de manipulação dos órgãos de comunicação social por parte da nova equipa governamental

à partida, há que dar razão à juventude: faz lá algum sentido imaginar que o poder tentará manipular a comunicação social ...

é que nem há memória disso e então no actual Diário de Notícias nada pode autorizar tal delírio – qualificativo usado na peça para a miragem que afluiu a Pacheco Pereira – e nem é bom lembrar as recentes atribulações deste periódico, a bem dizer por se bater bravamente contra estranhas nomeações da cor do governo do momento ...

mas o jametinhasdito vai para a sanção (!) determinada pelo ... acusador, nada mais nada menos que – qual dono do jornal – arranjar-lhe “um lugarzito aqui no Diário de Notícias”, certamente em castigo de tal crime e para martirizar Pacheco Pereira ! ! !


observacoes sao benvindas

2005-03-17

silabário chave

porque jametinhamdito que a leitura é a chave do acesso a todo o outro saber, as psicólogas educacionais Paula Teles e Leonor Machado conceberam o método distema e editaram "Silabário", para as crianças disléxicas aprenderem a ler

com um sentido alerta para o carácter decisivo da intervenção precoce, as Autoras afirmam : "a linguagem oral faz parte do nosso património genético, mas a leitura e a escrita são uma invenção, têm que ser ensinadas" !

e, pode acrescentar-se, o ser humano, menor dotado de instintos, precisa de aprender para sobreviver

a leitura é a melhor fisioterapia para se aprender a ler, sobremaneira no caso das crianças com dislexia, hoje definida como incapacidade do foro neurológico, susceptível de superação e recuperação, com técnicas apropriadas

serviço público, portanto


pelo meio, umas ferroadas no "método global" adoptado em Portugal após 1974 e, ao contrário de outros países, ainda hoje persistente em muitas das nossas escolas

daí a falta de preparação de gerações inteiras que interiorizaram a péssima ortografia, a aversão à leitura, à escrita e ... pior, à capacidade de aprender

convivem melhor com o "slide", duas palavras se não puder ser uma só, um diagrama, umas setas, novo "slide" - já não é sequer "acetato" ...



observacoes sao benvindas

2005-03-13

noite de Reis

Zé Reis, índio da Meia-Praia, foi encontrado morto na esquadra de Lagos, na madrugada de 6 de Março

a autópsia saiu logo e de pronto confirmou a versão que a polícia jametinhadito: suicídio por enforcamento, as calças de ganga enroladas ao pescoço ...

pois custa a crer como é que não há advogados nas esquadras

mais depressa a ex-sede da PIDE, na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa, transforma em luxo o condomínio de memórias das barbaridades, torturas e mortes, algumas disfarçadas de suicídios dos detidos

Zeca Afonso cantava a gota rubra na calçada em tempos que importa lembrar, contra o esquecimento, o branqueamento, o apagamento ...

cantava também contra o apagamento da nobreza dos índios da Meia-Praia

mas resta viva uma enorme pobreza !?


José Afonso

Aldeia da Meia Praia
Ali mesmo ao pé de Lagos
Vou fazer-te uma cantiga
Da melhor que sei e faço

De Montegordo vieram
Alguns por seu próprio pé
Um chegou de bicicleta
Outro foi de marcha à ré

Quando os teus olhos tropeçam
No voo de uma gaivota
Em vez de peixe vê peças de oiro
Caindo na lota

Quem aqui vier morar
Não traga mesa nem cama
Com sete palmos de terra
Se constrói uma cabana

Tu trabalhas todo o ano
Na lota deixam-te nudo
Chupam-te até ao tutano
Levam-te o couro cabeludo

Quem dera que a gente tenha
De Agostinho a valentia
Para alimentar a sanha
De enganar a burguesia

Adeus disse a Montegordo
Nada o prende ao mal passado
Mas nada o prende ao presente
Se só ele é o enganado

Oito mil horas contadas
Laboraram a preceito
Até que veio o primeiro
Documento autenticado

Eram mulheres e crianças
Cada um com o seu tijolo
Isto aqui era uma orquestra
quem diz o contrário é tolo

E se a má língua não cessa
Eu daqui vivo não saia
Pois nada apaga a nobreza
Dos índios da Meia-Praia

Foi sempre tua figura
Tubarão de mil aparas
Deixas tudo à dependura
Quando na presa reparas

Das eleições acabadas
Do resultado previsto
Saiu o que tendes visto
Muitas obras embargadas

Mas não por vontade própria
Porque a luta continua
Pois é dele a sua história
E o povo saiu à rua

Mandadores de alta finança
Fazem tudo andar para trás
Dizem que o mundo só anda
Tendo à frente um capataz

Eram mulheres e crianças
Cada um com o seu tijolo
Isto aqui era uma orquestra
Que diz o contrário é tolo

E toca de papelada
No vaivém dos ministérios
Mas hão-de fugir aos berros
Inda a banda vai na estrada


observacoes sao benvindas

Marias parlamentares

questionada sobre a escassez de mulheres no Governo, Matilde Sousa Franco jametinhadito que no Parlamento são muitas

mas nem são: foram eleitos 230 deputados, dos quais 53 são mulheres, contas feitas dá cerca de 23 %

talvez a quota aumente com a chamada de alguns deputados ao Governo, com as subsequentes substituições que talvez incluam mais algumas mulheres, actualmente na lista de suplentes

para já, há 42 Marias, 39 mulheres e 3 homens, eh eh


vai a lista de parlamentares eleitos:


Abílio André Brandão de Almeida Teixeira PSD
Abílio Miguel Joaquim Dias Fernandes PCP
Adão José Fonseca Silva PSD
Agostinho Correia Branquinho PSD
Agostinho Nuno de Azevedo Ferreira Lopes PCP
Alberto Arons Braga de Carvalho PS
Alberto Bernardes Costa PS
Alberto de Sousa Martins PS
Alberto Marques Antunes PS
Alda Maria Gonçalves Pereira Macedo BE
Aldemira Maria Cabanita do Nascimento Brito Pinho PS
Álvaro António Magalhães Ferrão de Castello-Branco CDS-PP
Ana Isabel Drago Lobato BE
Ana Maria Ribeiro Gomes do Couto PS
Ana Maria Sequeira Mendes Pires Manso PSD
Ana Paula Mendes Vitorino PS
Ana Zita Barbas Marvão Alves Gomes PSD
António Alfredo Delgado da Silva Preto PSD
António Alves Marques Júnior PS
António Bento da Silva Galamba PS
António de Magalhães Pires de Lima CDS-PP
António Fernandes da Silva Braga PS
António Filipe Gaião Rodrigues PCP
António Joaquim Almeida Henriques PSD
António José Ceia da Silva PS
António José Martins Seguro PS
António Manuel de Carvalho Fereira Vitorino PS
António Ramos Preto PS
Armando França Rodrigues Alves PS
Arménio dos Santos PSD
Artur Jorge da Silva Machado PCP
Artur Miguel Claro da Fonseca Mora Coelho PS
Ascenso Luís Seixas Simões PS
Augusto Ernesto Santos Silva PS
Bernardino José Torrão Soares PCP
Bruno Jorge Viegas Vitorino PSD
Bruno Miguel Pedrosa Ventura PSD
Carlos Alberto Garcia Poço PSD
Carlos Alberto Pinto PSD
Carlos António Páscoa Gonçalves PSD
Carlos Cardoso Lage PS
Carlos Jorge Martins Pereira PSD
Carlos Manuel de Andrade Miranda PSD
Carlos Parente Antunes PSD
Cláudia Isabel Patrício do Couto Vieira PS
Daniel Jorge Martins Fangueiro PSD
Daniel Miguel Rebelo PSD
Delmar Ramiro Palas PSD
Deolinda Isabel da Costa Coutinho PS
Domingos Duarte Lima PSD
Duarte Rogério Matos Ventura Pacheco PSD
Eduardo Arménio do Nascimento Cabrita PS
Eduardo Luís Barreto Ferro Rodrigues PS
Elísio da Costa Amorim PS
Emídio Guerreiro PSD
Eugénio Fernando de Sá Cerqueira Marinho PSD
Fernanda Maria Pereira Asseiceira PS
Fernando dos Santos Cabral PS
Fernando José Mendes Rosas BE
Fernando Manuel dos Santos Gomes PS
Fernando Pereira Serrasqueiro PS
Fernando Ribeiro Moniz PS
Fernando Santos Pereira PSD
Filipe Miguel da Cruz e Queiróz Nascimento PSD
Francisco Anacleto Louçã BE
Francisco José de Almeida Lopes PCP
Francisco Miguel Baudoin Madeira Lopes PEV
Gonçalo Dinis Quaresma Sousa Capitão PSD
Gonçalo Nuno Mendonça Perestrelo dos Santos PSD
Guilherme Henrique Valente Rodrigues da Silva PSD
Guilherme Valdemar Pereira de Oliveira Martins PS
Helena Maria Andrade Cardoso Machado de Oliveira PSD
Helena Maria Moura Pinto BE
Heloísa Augusta Baião de Brito Apolónia PEV
Henrique António de Oliveira Troncho PS
Horácio André Antunes PS
Hugo José Teixeira Velosa PSD
Humberto Delgado Ubach Chaves Rosa PS
Idália Maria Marques Salvador Serrão de Menezes Moniz PS
Isabel Maria de Sousa Gonçalves dos Santos CDS-PP
Isabel Maria Pinto Nunes Jorge PS
Jacinto Serrão de Freitas PS
Jaime Carlos Marta Soares PSD
Jaime José Matos da Gama PS
Jerónimo Carvalho de Sousa PCP
João Barroso Soares PS
João Bosco Soares Mota Amaral PSD
João Cardona Gomes Cravinho PS
João Guilherme Nobre Prata Fragoso Rebelo CDS-PP
João José Tita Maurício Melo Nunes CDS-PP
João Miguel de Melo Santos Taborda Serrano PS
João Miguel Trancoso Vaz Teixeira Lopes BE
João Nuno Lacerda Teixeira de Melo CDS-PP
João Raúl Moura Portugal PS
João Rodrigo Pinho de Almeida CDS-PP
Joaquim Augusto Nunes de Pina Moura PS
Joaquim Barbosa Ferreira Couto PS
Joaquim Virgílio Leite Almeida da Costa PSD
Joel Eduardo Neves Hasse Ferreira PS
Jorge José Varanda Pereira PSD
Jorge Lacão Costa PS
Jorge Manuel Capela Gonçalves Fão PS
Jorge Manuel Gouveia Strecht Ribeiro PS
Jorge Paulo Sacadura Almeida Coelho PS
Jorge Tadeu Correia Franco Morgado PSD
José Adelmo Gouveia Bordalo Junqueiro PS
José Alberto Rebelo dos Reis Lamego PS
José António Fonseca Vieira da Silva PS
José António Freire Antunes PSD
José Apolinário Nunes Portada PS
José Augusto Clemente de Carvalho PS
José Batista Mestre Soeiro PCP
José Carlos Correia Mota de Andrade PS
José Carlos das Dores Zorrinho PS
José Eduardo Vera Cruz Jardim PS
José Honório Faria Gonçalves Novo PCP
José Manuel de Matos Correia PSD
José Manuel Ferreira Nunes Ribeiro PSD
José Manuel Lello Ribeiro de Almeida PS
José Manuel Marques de Matos Rosa PSD
José Manuel Pereira da Costa PSD
José Manuel Santos de Magalhães PS
José Mendes Bota PSD
José Miguel Abreu de Figueiredo Medeiros PS
José Miguel Nunes Anacoreta Correia CDS-PP
José Raul Guerreiro Mendes dos Santos PSD
José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa PS
Jovita de Fátima Romano Ladeira PS
Júlio Francisco Miranda Calha PS
Júlio Manuel da Silva Magalhães e Vasconcelos CDS-PP
Laurentino José Monteiro Castro Dias PS
Leonor Coutinho Pereira dos Santos PS
Luís Afonso Cerqueira Natividade Candal PS
Luís Álvaro Barbosa de Campos Ferreira PSD
Luis António Pita Ameixa PS
Luís Emídio Lopes Mateus Fazenda BE
Luís Filipe Alexandre Rodrigues PSD
Luís Filipe Carloto Marques PSD
Luís Filipe Marques Amado PS
Luís Filipe Montenegro Cardoso de Morais Esteves PSD
Luís Garcia Braga da Cruz PS
Luis Manuel de Carvalho Carito PS
Luís Manuel Gonçalves Marques Mendes PSD
Luís Maria de Barros Serra Marques Guedes PSD
Luís Miguel Morgado Laranjeiro PS
Luis Pedro Russo da Mota Soares CDS-PP
Luisa Maria Neves Salgueiro PS
Luiz Manuel Fagundes Duarte PS
Manuel Alegre de Melo Duarte PS
Manuel António Gomes de Almeida de Pinho PS
Manuel da Conceição Pereira CDS-PP
Manuel Filipe Correia de Jesus PSD
Manuel Francisco Pizarro de Sampaio e Castro PS
Manuel Joaquim Dias Loureiro PSD
Manuel Joaquim dos Santos Ferreira PSD
Manuel Luís Gomes Vaz PS
Manuel Maria Ferreira Carrilho PS
Manuel Pedro Cunha da Silva Pereira PS
Manuel Ricardo Dias dos Santos Fonseca de Almeida PSD
Marcos da Cunha e Lorena Perestrello de Vasconcelos PS
Maria Antónia Moreno Areias de Almeida Santos PS
Maria Celeste Lopes da Silva Correia PS
Maria Cristina Vicente Pires Granada PS
Maria Custódia Barbosa Fernandes Costa PS
Maria de Belém Roseira Martins Coelho Henriques de Pina PS
Maria de Lurdes Ruivo PS
Maria do Rosário Lopes Amaro da Costa da Luz Carneiro PS
Maria Germana Sousa Rocha Pimentel Rosete PSD
Maria Helena Terra de Oliveira Ferreira Dinis PS
Maria Irene Martins Baptista Silva PSD
Maria Isabel Coelho Santos PS
Maria Isabel da Silva Pires de Lima PS
Maria Jesuína Carrilho Bernardo PS
Maria João Vaz Osório Rodrigues da Fonseca PSD
Maria José Guerra Gamboa Campos PS
Maria Júlia Gomes Henriques Caré PS
Maria Luísa Raimundo Mesquita PCP
Maria Manuela de Macedo Pinho e Melo PS
Maria Natália Guterres V. Carrascalão da Conceição Antunes PSD
Maria Odete da Conceição João PS
Maria Odete dos Santos PCP
Maria Ofélia Fernandes dos Santos Moleiro PSD
Maria Teresa Alegre de Melo Portugal PS
Maria Teresa Filipe de Moraes Sarmento Diniz PS
Mariana Rosa Aiveca Ferreira BE
Mário Rui Figueira Campos Fontemanha PSD
Matilde Sousa Franco PS
Maximiano Alberto Rodrigues Martins PS
Melchior Ribeiro Pereira Moreira PSD
Miguel Bernardo Ginestal Machado Monteiro Albuquerque PS
Miguel Fernando Alves Ramos Coleta PSD
Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas PSD
Miguel João Pisoeiro de Freitas PS
Miguel Jorge Pignatelli de Ataíde Queiroz PSD
Miguel Jorge Reis Antunes Frasquilho PSD
Miguel Tiago Crispim Rosado PCP
Nelson Madeira Baltazar PS
Nuno Maria de Figueiredo Cabral da Câmara Pereira PSD
Osvaldo Alberto Rosário Sarmento e Castro PS
Paula Cristina Barros Teixeira Santos PS
Paula Cristina Ferreira Guimarães Duarte PS
Paulo Alexandre Homem de Oliveira Fonseca PS
Paulo Jorge Frazão Batista dos Santos PSD
Paulo Manuel Matos Soares PSD
Paulo Miguel da Silva Santos PSD
Pedro Dias de Sousa Pestana Bastos CDS-PP
Pedro Manuel Farmhouse Simões Alberto PS
Pedro Nuno de Oliveira Santos PS
Pedro Quartin Graça Simão José PSD
Renato Luís de Araújo Forte Sampaio PS
Renato Luís Pereira Leal PS
Ricardo Jorge Olímpio Martins PSD
Ricardo Manuel Amaral Rodrigues PS
Rosa Maria da Silva Bastos da Horta Albernaz PS
Rosalina Maria Barbosa Martins PS
Rui António Ferreira da Cunha PS
Rui David Fernandes Morais PSD
Rui do Nascimento Rabaça Vieira PS
Sandra Marisa dos Santos Martins Catarino Costa PS
Sérgio André da Costa Vieira PSD
Sérgio Lipari Garcia Pinto PSD
Susana de Fátima Carvalho Amador PS
Teresa Maria Neto Venda PS
Valter Victorino Lemos PS
Vasco Manuel Henriques Cunha PSD
Victor do Couto Cruz PSD
Victor Manuel Bento Baptista PS
Vitalino José Ferreira Prova Canas PS
Vitor Manuel Sampaio Caetano Ramalho PS
Zita Maria de Seabra Roseiro PSD



observacoes sao benvindas

2005-03-10

fiel e bando


para compensar, a Ditosa de Março trouxe a Família em bando e um Fiel Amigo que se acautela...

é claro que o Renato Monteiro este mês não pode concorrer, que se saiba ainda não há atestados dispensadores das artes fotográficas ou do mar ! ! ! Posted by Hello

2005-03-08

dia especial da eleitora


dia especial da eleitora Posted by Hello



vemos hoje, 8 de Março de 2005, poucas mulheres nos Parlamentos, menos nos Governos, raramente na Direcção das empresas

é verdade que (já) (só) não é legalmente proibido propor, eleger ou nomear mulheres para cargos e funções de elevada responsabilidade

mas a amiga Jão jametinhadito “Porque é q AINDA – e por muito tempo, snif! – faz todo o sentido a existência deste dia” ...

o país especial

João Cidade nasceu e faleceu a 8 de Março, em Montemor-o-Novo, hoje Cidade

foi trabalhar para Espanha e notabilizou-se em Granada, pelo serviço abnegado aos desvalidos e loucos

fundou os Irmãos Hospitaleiros, demonstrando que a solidariedade começa pela fraternidade

e foi santificado pelos seus milagres, altruísmo e opção por uma vida extremamente dura para amenizar a também extrema dureza de muitas vidas

participou na construção da muralha de Ceuta e de lá veio uma pedra hoje utilizada, coincidindo com a efeméride, para a fundação da Casa e Oficinas da Comunidade Sócio-Terapêutica João Cidade

a presença de quem assistiu à bela cerimónia (desenrolada em oferendas de sal, pão - para que as pessoas se reunam em volta da mesa, dois candelabros - para iluminar a Casa, bem como uma romãzeira, uma bétula, um cedro-pomba, logo plantadas e regadas a preceito) não foi agradecida porque todos estavam a edificar a sua Casa

quem nela residir, trabalhar e percorrer o seu projecto de vida e de inserção social, verá certamente gratificadas as vontades reunidas para a concretização de um projecto dedicado a pessoas especiais, por vezes sobrevivendo em condições extremas

a dignificação da vida própria e alheia é a melhor forma de existir e - como e jametinhadito a canção de Mercedes Soza - honrar a vida






observacoes sao benvindas

estrada sinistra

o Forum Mulher, onde todos podemos falar, perguntava hoje a que razões se poderá atribuir a diminuição, em cerca de 17%, do número de vítimas mortais nas estradas portuguesas, entre 2003 e 2004

só por si, a pergunta contém algumas respostas preocupantes

é que não se sabem as razões

de facto, desconhecem-se as causas dos acidentes rodoviários

e quando se conhecem, tardam ou não chegam as conclusões

uns culpam tudo e todos, outros os condutores, outros a falta de educação e civismo, outros a falta de visão ou de visibilidade, muitos culpam o excesso de velocidade, as manobras perigosas, a má qualidade das estradas, a má sinalização, o mau tempo, o azar, todos cheios de razão

e continuamos sem saber porquê

falta o estudo imediato e sistemático das causas de cada acidente, com resultados públicos, identificando os indícios, as causas prováveis, as circunstâncias relevantes

no IP 4 aumentou o número de acidentes e mortos no mesmo período

são os condutores ? o civismo travou no IP 4 ? a educação escolar ultrapassou o IP 4 a grande velocidade ?

sabe-se que o tráfego aumentou e é muito superior aos pressupostos na concepção do projecto

terá separadores centrais ? curvas suaves e abertas ? declives moderados ? inclinações laterais em função das leis da inércia ? parte importante da sinalização está nos sucateiros de alumínio ?

um senhor do Governo abriu o Forum e jametinhadito bla bla bla bla, é prova da aposta certa do Governo (?) na educação (??), no reforço das multas e (???) na fiscalização

um palpite: a proliferação de rotundas, desde que sinalizadas, contribuem para menos acidentes e menos graves - evitam ou diminuem as situações de choque frontal, frequentes nos cruzamentos

outro, talvez mais significativo quanto à redução da gravidade dos danos: os automóveis estão cada vez mais seguros !

mas continuam a ser perigosos e o perigo que representam continua a ser desconsiderado - é hoje fácil instalar, de fábrica, tacógrafos em todos os veículos

uma espécie de caixa negra do automóvel, encarregando cada um da sua própria fiscalização, preventivamente mas também para apuramento tão inequívoco quanto possível de responsabilidades

contra o consumo desenfreado de combustível

contra a caça à multa que continua a entreter uns quantos à custa da vida muitos

contra o abuso imoderado da velocidade - apenas sujeito a controlo em situações de extrema singularidade: envergonhada e cobardemente, com os agentes escondidos ou dissimulados; quando não haja outros veículos em circulação para evitar a margem de erro; em locais propícios, como longas estradas sem trânsito; ou seja, o controlo acaba por ser feito quase só nas situações menos perigosas

esquecendo o controlo nos locais onde o perigo acontece e se desenlaça em acidente

mas está fora do alcance imediato !

quem iria impor o uso generalizado de tacógrafos, a fiscalização preventiva e pedagógica, a formação precoce, a educação para a acalmia do tráfego, a identificação dos responsáveis pela concepção, manutenção, monitorização e sinalização das vias, a alteração das técnicas e dos materiais da sinalização, a expertize dos técnicos envolvidos ? ? ?





observacoes sao benvindas

2005-03-04

mão livre

o Juiz Conselheiro José Moura Nunes da Cruz foi eleito Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, após falecimento do anterior titular, Aragão Seia

no primeiro uso dos dois votos de diferença que lhe conferiram o lugar, em detrimento de Noronha da Costa, jametinhaprometido mão firme para o sector da Justiça em Portugal, a começar pelos Juizes e incluindo Governos ineptos, Advogados complicativos e todos os intervenientes em geral responsáveis pelos atrasos conhecidos que perduram há séculos

ora, se a autocrítica é benvinda e a responsabilização de quantos ganham a vida no sector da Justiça é um imperativo ético, certo é que a excessiva generalização corre o risco de deixar tudo na mesma

é até ridículo afirmar-se que ... até os Juizes devem ser responsáveis ! ! !

de acordo quanto à reivindicação de meios e limites à sobrecarga dos Juizes e Tribunais – mas de nada vale haver tais meios e limites se não forem adequadamente administrados, sendo que a lógica de um Tribunal por concelho redunda em escassez de meios em muitos casos e redundância em muitos outros

impõe-se a modernização e simplificação do funcionamento da Justiça: as decisões deveriam ser tomadas de imediato após alegações, defesa e provas; a sentença laboriosamente fundamentada pode ser produzida apenas quando tal se afigure indispensável, como em caso de recurso, evitando-se tais delongas no momento em que é preciso decidir o caso

no essencial, o problema fundamental da inércia do sector reside numa mais do que identificada obsolescência do sistema administrativo da organização judiciária, que remonta a Napoleão e à inspiração na orgânica francesa de então, acrescendo talvez um processualismo excessivo e doentio que se sobrepõe à substância com que se realiza a Justiça: a verdade em tempo útil !

e um pendor corporativista fervoroso: senão vejamos, a quarta figura do Estado, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, é eleito ... por alguns Juizes, os do Supremo Tribunal

falta um mínimo de legitimidade democrática, com significativo défice de propostas fundamentadas para a acção do titular à frente do Supremo Tribunal

os Juizes e o respectivo representante máximo deveriam dar o primeiro passo para a transformação do sector da Justiça, para evoluir de mão firme a mão livre



observacoes sao benvindas

2005-02-27

questões facturantes

Gonçalo M. Tavares (o que será o M. ? bem, acusa este impulso interrogativo, o que já não é pouco, e dá alguma força que possa faltar aos outros nomes, para não ficarem só doisinhos ...) é professor e profuso escritor, de muitos livros publicados e mais escritos

aceitou, diz, a escolha da errância que é escrever, assim tanto, sendo a variedade de tipos e estilos de livros também um trunfo facilitador da proliferação de obras

por exemplo, há os “senhores” – “O Senhor Valéry”, “O Senhor Juarroz”, “O Senhor Brecht” ... – e há os livros pretos (...) e há ... “Biblioteca”, “Jerusalém”... etc etc etc, quase todos espectaculares

a edição de de 8 de Janeiro de 2005 do imprescindível Mil Folhas/Público, designa o autor de “O descobridor de esfinges” e afirma que é um caso na literatura portuguesa

e é

dedicou muita energia a um livro intitulado “Energia e Ética”

na entrevista ao Mil Folhas (a Pedro Sena-Lino) explica a essencialidade da boa utilização da energia e da inteligência, das escolhas, portanto, e da importância de dizer muitos “nãos” e poucos, mas claros, “sins”

e conta como decidiu cedo o que queria ser, o que queria fazer, alertando para a importância do que queremos ser e fazer – o que temos que fazer, ninguém o vai fazer por nós

se não nos resolvemos, jametinhadito que nos arriscamo a passar a vida a pagar facturas de electricidade !

pois esta também jámatinhamdito: em tempos, um francês velho lobo do mar, reformou-se do serviço em terra e partiu em viagem conjugal para mais uma circum navegação

certo dia, entre alta noite e madrugada, ao largo da nossa Madeira, o soberbo veleiro que tanto estimava foi abalroado por um desses cargueiros errantes de mau porte, sem lei nem pátria, de bandeira e tripulação de conveniência, a transportar pela calada sabe-se lá o quê nas últimas flutuações até ser abatido num ferro velho lá para as longínquas e esconsas paragens do índico, sem respeitar gente nem ambiente quanto mais um pequeno barco à vela em hora e sítio errados, sobre a imensa superfície líquida do planeta

salvo in extremis, mal refeito e desconsolado, o dito marinheiro sofria agravadamente pela perspectiva de paragem forçada durante a reparação do veleiro: em casa, a vida resumia-se a pagar as facturas da electricidade !

enfim, tal como muita gente, há dtambém estinados que só sabem da electricidade que lhes entra pelo correio, em forma de factura ...

mais razões, afinal, porque indivíduos e sociedades devem saber usar bem a energia



observacoes sao benvindas

2005-02-25

ao espelho

a Xis/Público jametinhadito que “Conversas com o espelho” na crónica de Faíza Hayat, de estimada predilecção

esta semana – é de sábado mas também pode chegar uns dias depois e num caso ou noutro demora-se, às vezes sabe-se lá quanto – é dedicada ao assunto do dito espelho

o tema é em si fascinante, a crónica desta vez por acaso nem tanto

fica-se à volta do narcisismo alheio – péssimo, à Michael Jackson, tão desajuízado como desfigurado ou o "por dentro e por fora" de quem não é capaz de escutar o espelho e de nele se confrontar – e próprio, este aparentemente preferível por razões de humildade face à aceitação de imperfeições e envelhecimento e à possibilidade de correcção... ai, que vamos parar a Holywood

a interrogação que um espelho proporciona é de ordem transcendental, podendo também ser prático para quem se maquilha ou aperta o nó da gravata

o que verdadeiramente fascina não é a questão do “há mais bela do que eu?” (aliás, os objectos são incapazes de tal misericórdia) mas a revelação de como os outros nos vêem, sendo que, ao vermo-nos, somos afinal um pouco outros – e é nessa distância e proximidade, ponto focal fora de nós que nos torna duplamente sujeito, observado e observador, e cria o imperativo ético face aos outros, pois afinal sabemos ou podemos saber como nos vêem - e somos também um "outro"

é um exercício a cumprir, pois, com dúvida metódica, permitindo um complemento de auto-análise, o elemento exterior acresce à introspecção e completa ou amplia o estado de consciência: à nossa frente, o espelho mostra-nos o nosso pior inimigo

uma vez, à entrada de uma escola profissional (Forino, no parque tecnológico do Lumiar, em Lisboa) estava uma legenda sob uma moldura na parede; dizia: “eis o responsável pela qualidade”

na aproximação curiosa, imaginava-se talvez um diploma de MBA em engenharia da qualidade empunhado por um sujeito trajado rigorosamente, devidamente penteado e meticulosamente barbeado

mas encontrou-se um espelho e, nele reflectido, um manga curta à Verão, de gravata mal atada, desgrenhado de cabelo e barba desaparada

uma armadilha para o visitante, de súbito identificado individualmente e de olhos nos olhos perante a responsabilidade e a má consciência dos infindáveis problemas da qualidade

tudo agravado pela figura que todos os restantes participantes na reunião iriam ver, talvez descobrindo à transparência as fartas dúvidas sobre a possibilidade, a fatalidade e o fundamentalismo da teoria e mecânica da qualidade que vigia o mundo tecnocrático

enfim, voltando à crónica: talvez não por acaso, a dita Xis tem mais à frente um artigo sobre os olhos e os olhares; outro sobre o transtorno da personalidade designado “narcisismo”; e por aí diante, dá-se a coincidência...

em vésperas, ao apelar ao regresso de Faíza da Mauritânia, para cujo deserto ameaçou partir por uns tempos, bati à porta certa de Amiga atenta e especializada em imagens que em boa hora me emprestou esta Xis

isso depois de uma preciosa e algo especiosa mensagem electrónica com uma fotografia exactamente igual à legendada com o nome da cronista, mas encontrada num vulgar banco de dados onde todos podem ir buscar imagens - de modelos ?

e com uma hipótese que pretendia assustar qualquer um: a cara da foto não tem nada a ver com o nome da cronista e a crónica até pode ser escrita por outra pessoa

em boa verdade, essa possibilidade já tinha sido prevista, por outras razões e a cara até é o menos

no entanto, a dúvida sobre a cara ou sobre a pessoa em nada afecta a ilusão e o essencial das “Conversas com o espelho”: o que interessa é a crónica

e ao olhar o espelho ou escutá-lo já somos outros e a Faíza seria sempre a do espelho, a que não existe

daí a falta de realidade a não afectar em nada, está tudo no lugar e o lugar é fantástico e gratificante !
que interessa a foto ?

mas quem faz (mais) um achado de agulha em palheiro, diz à gente e ainda empresta a revista, interessa ! !

e bem ! ! !




observacoes sao benvindas

2005-02-22

Europa ? sí !

nuestros hermanos deram ontem o sim no primeiro dos referendos previstos sobre o Tratado que estabelece uma constituição para a Europa

a pergunta era simples, prática e eficaz: "¿Aprueba usted el Tratado por el que se establece una Constitución para Europa?"

contas feitas, participaram 42,32% dos cerca de 35 milhões de eleitores, 76,73% para jametinhamdito Sim e 17,24% votaram Não, com 6,03% de votos em branco

em Espanha, o assunto ainda não está resolvido: é necessária a ratificação parlamentar

mas a pergunta formulada não pode ser utilizada em Portugal

e os referendos anteriores em Portugal não tiveram efeito jurídico porque não alcançaram a participação de metade dos eleitores

assim se vão somando diferenças de semântica e de resultados

por outro lado, a Hungria, a Eslovénia e a Lituânia já ratificaram o Tratado, sem referendo

todos os países da União Europeia têm que se pronunciar até Outubro de 2006





observacoes sao benvindas

estilo de livro

perdido o link, ainda assim vai o postum factum

ontem a meio da tarde, em plena votação para as legislativas, o Público.pt noticiava a decisão da Comissão Nacional de Eleições de recomendar à comunicação social que se abstivesse de noticiar as declarações de Mário Soares, à saída do local de voto, reclamando a maioria absoluta do PS

e assim, com o rigor jornalístico que jametinhadito, o Público.pt deu a notícia da decisão da CNE e absteve-se de noticiar as declarações de Soares reclamando a maioria absoluta do PS

ainda há dias veio um pseudo mea culpa tentar prolongar o suposto efeito de venda de papel de jornal pretendido com hipotética aposta de Cavaco Silva na maioria absoluta do PS e com a pretensa justificação de como se poderia alcançar, por raciocínio, a veracidade da atribuição de tal hipótese a Cavaco

com um estilo destes, não há livro que resista ...

fica o fracasso do efeito desmobilizador como castigo a quem trata tão mal o público
observacoes sao benvindas

2005-02-21

carta a Pacheco ou as culpas solteiras

ao seu jeito habitual, o político e homem de comunicação Pacheco Pereira, jametinhadito que a culpa é toda do Santana Lopes e do unanimismo facilitista de quem acriticamente o apoiou - observador atento do mítico blog Abrupto, o Ditos deitou uma modesta correspondência no marco electrónico:

Caro Senhor Dr. Pacheco Pereira

por ter também a ver com apreciação sobre a sua própria actuação, partilho que pesem embora - e prevalecendo - as muitas e correctas análises já feitas, creio que a enorme responsabilidade de Santana Lopes na maioria absoluta do PS tem que ser partilhada quer com a governação de Duração Barroso, que entretanto se pôs a fancos lá para os jardins da CEE, quer com algum artifício do PR, tanto pela forma ambígua e condicionada com que deu posse ao novo governo da coligação e correu com o então líder da oposição, Ferro Rodrigues, outro grande derrotado de ontem, como pela antevista interrupção da legislatura algum tempo depois de se começarem a ver as inevitáveis salgalhadas santanais e de outros que tais

mas a convocação antecipada de eleições parece agora ter ficado justificada por inteiro, quer pela ampla participação quer pelo resultado expresso de proporcionar condições de governabilidade estável

oxalá a nova composição da AR agora mandatada e o próximo governo saibam merecer a confiança e responsabilidade que lhes é confiada

mas o resultado eleitoral é mais do que uma punição aos três anos do PPD/PSD+CDS/PP; e é mesmo mais do que uma maioria absoluta a um dos partidos

uma vez que a esquerda da esquerda – até os bloquistas apoiantes da ETA !? – também cresceu, ou seja, não houve à esquerda do PS nenhuma preocupação em contribuir para a maioria absoluta do PS, pelo contrário, poderá concluir-se que a deslocação de voto resultou de má consciência de muitos eleitores que não quiseram por os ovos todos na mesma cesta quando impediram Guterres de implementar o seu programa sem queijos limianos, benesses à república da Madeira e outras cedências a grupos minoritários, viabilizadoras de quase nada e inviabilizadoras do essencial do bom governo

mais vale tarde que nunca, diz o povo, mas o povo perdeu cinco anos

oxalá os próximos tempos permitam alguma recuperação


antonio

PS – magnífica a simultânea intervenção no Abrupto em tempo real e à vista de todos, com nota especial para o acolhimento em directo de contribuições várias mas sobretudo de António Lobo Xavier e José Magalhães

PS2 – é boa regra de marinharia que deve ser franca a movimentação do sentido e da direcção de uma embarcação – significa isto que aos demais nautas deve ser proporcionada indicação clara e atempada do nosso rumo, mediante gestos claros e ângulos significativos, evitando-se demoras e declinações subtis ou dúbias em caso de alteração de rumo, para todos perceberem e agirem em conformidade; de facto, em náutica, o movimento de uma embarcação interessa às outras, por óbvias razões de segurança; as simples regras viabilizadoras da segurança da circulação constituem mera aplicação ao trânsito marítimo de normas éticas de bom convívio em sociedade, talvez com o depuramento que a arte de navegar construiu ao longo dos séculos em que serviu a humanidade; resumindo e positivando: talvez o Dr. Pacheco Pereira, pelas responsabilidades políticas e mediáticas, pela voz e meios de que dispõe, pudesse ter sido mais claro e atempado quanto ao seu sentido de voto, a bem dos simpatizantes do seu partido e dos eleitores em geral - enfim, daqueles que o acompanham enquanto responsável partidário e opinion maker – reconhecendo embora que talvez seja significativo que não me dei conta dos resultados dos votos brancos (que há muito não tinham campanha) e nulos

PS3 – só hoje li a carta de apelo ao voto de Santana Lopes, sem timbre nem partido, endereçada aos Amigos mas no texto restrita aos que não costumam votar (???) e que, por ter sido ontem por tantos respondida de forma não epistolar, vai direitinha para o caixote do lixo, solteira


observacoes sao benvindas