2005-03-13

Marias parlamentares

questionada sobre a escassez de mulheres no Governo, Matilde Sousa Franco jametinhadito que no Parlamento são muitas

mas nem são: foram eleitos 230 deputados, dos quais 53 são mulheres, contas feitas dá cerca de 23 %

talvez a quota aumente com a chamada de alguns deputados ao Governo, com as subsequentes substituições que talvez incluam mais algumas mulheres, actualmente na lista de suplentes

para já, há 42 Marias, 39 mulheres e 3 homens, eh eh


vai a lista de parlamentares eleitos:


Abílio André Brandão de Almeida Teixeira PSD
Abílio Miguel Joaquim Dias Fernandes PCP
Adão José Fonseca Silva PSD
Agostinho Correia Branquinho PSD
Agostinho Nuno de Azevedo Ferreira Lopes PCP
Alberto Arons Braga de Carvalho PS
Alberto Bernardes Costa PS
Alberto de Sousa Martins PS
Alberto Marques Antunes PS
Alda Maria Gonçalves Pereira Macedo BE
Aldemira Maria Cabanita do Nascimento Brito Pinho PS
Álvaro António Magalhães Ferrão de Castello-Branco CDS-PP
Ana Isabel Drago Lobato BE
Ana Maria Ribeiro Gomes do Couto PS
Ana Maria Sequeira Mendes Pires Manso PSD
Ana Paula Mendes Vitorino PS
Ana Zita Barbas Marvão Alves Gomes PSD
António Alfredo Delgado da Silva Preto PSD
António Alves Marques Júnior PS
António Bento da Silva Galamba PS
António de Magalhães Pires de Lima CDS-PP
António Fernandes da Silva Braga PS
António Filipe Gaião Rodrigues PCP
António Joaquim Almeida Henriques PSD
António José Ceia da Silva PS
António José Martins Seguro PS
António Manuel de Carvalho Fereira Vitorino PS
António Ramos Preto PS
Armando França Rodrigues Alves PS
Arménio dos Santos PSD
Artur Jorge da Silva Machado PCP
Artur Miguel Claro da Fonseca Mora Coelho PS
Ascenso Luís Seixas Simões PS
Augusto Ernesto Santos Silva PS
Bernardino José Torrão Soares PCP
Bruno Jorge Viegas Vitorino PSD
Bruno Miguel Pedrosa Ventura PSD
Carlos Alberto Garcia Poço PSD
Carlos Alberto Pinto PSD
Carlos António Páscoa Gonçalves PSD
Carlos Cardoso Lage PS
Carlos Jorge Martins Pereira PSD
Carlos Manuel de Andrade Miranda PSD
Carlos Parente Antunes PSD
Cláudia Isabel Patrício do Couto Vieira PS
Daniel Jorge Martins Fangueiro PSD
Daniel Miguel Rebelo PSD
Delmar Ramiro Palas PSD
Deolinda Isabel da Costa Coutinho PS
Domingos Duarte Lima PSD
Duarte Rogério Matos Ventura Pacheco PSD
Eduardo Arménio do Nascimento Cabrita PS
Eduardo Luís Barreto Ferro Rodrigues PS
Elísio da Costa Amorim PS
Emídio Guerreiro PSD
Eugénio Fernando de Sá Cerqueira Marinho PSD
Fernanda Maria Pereira Asseiceira PS
Fernando dos Santos Cabral PS
Fernando José Mendes Rosas BE
Fernando Manuel dos Santos Gomes PS
Fernando Pereira Serrasqueiro PS
Fernando Ribeiro Moniz PS
Fernando Santos Pereira PSD
Filipe Miguel da Cruz e Queiróz Nascimento PSD
Francisco Anacleto Louçã BE
Francisco José de Almeida Lopes PCP
Francisco Miguel Baudoin Madeira Lopes PEV
Gonçalo Dinis Quaresma Sousa Capitão PSD
Gonçalo Nuno Mendonça Perestrelo dos Santos PSD
Guilherme Henrique Valente Rodrigues da Silva PSD
Guilherme Valdemar Pereira de Oliveira Martins PS
Helena Maria Andrade Cardoso Machado de Oliveira PSD
Helena Maria Moura Pinto BE
Heloísa Augusta Baião de Brito Apolónia PEV
Henrique António de Oliveira Troncho PS
Horácio André Antunes PS
Hugo José Teixeira Velosa PSD
Humberto Delgado Ubach Chaves Rosa PS
Idália Maria Marques Salvador Serrão de Menezes Moniz PS
Isabel Maria de Sousa Gonçalves dos Santos CDS-PP
Isabel Maria Pinto Nunes Jorge PS
Jacinto Serrão de Freitas PS
Jaime Carlos Marta Soares PSD
Jaime José Matos da Gama PS
Jerónimo Carvalho de Sousa PCP
João Barroso Soares PS
João Bosco Soares Mota Amaral PSD
João Cardona Gomes Cravinho PS
João Guilherme Nobre Prata Fragoso Rebelo CDS-PP
João José Tita Maurício Melo Nunes CDS-PP
João Miguel de Melo Santos Taborda Serrano PS
João Miguel Trancoso Vaz Teixeira Lopes BE
João Nuno Lacerda Teixeira de Melo CDS-PP
João Raúl Moura Portugal PS
João Rodrigo Pinho de Almeida CDS-PP
Joaquim Augusto Nunes de Pina Moura PS
Joaquim Barbosa Ferreira Couto PS
Joaquim Virgílio Leite Almeida da Costa PSD
Joel Eduardo Neves Hasse Ferreira PS
Jorge José Varanda Pereira PSD
Jorge Lacão Costa PS
Jorge Manuel Capela Gonçalves Fão PS
Jorge Manuel Gouveia Strecht Ribeiro PS
Jorge Paulo Sacadura Almeida Coelho PS
Jorge Tadeu Correia Franco Morgado PSD
José Adelmo Gouveia Bordalo Junqueiro PS
José Alberto Rebelo dos Reis Lamego PS
José António Fonseca Vieira da Silva PS
José António Freire Antunes PSD
José Apolinário Nunes Portada PS
José Augusto Clemente de Carvalho PS
José Batista Mestre Soeiro PCP
José Carlos Correia Mota de Andrade PS
José Carlos das Dores Zorrinho PS
José Eduardo Vera Cruz Jardim PS
José Honório Faria Gonçalves Novo PCP
José Manuel de Matos Correia PSD
José Manuel Ferreira Nunes Ribeiro PSD
José Manuel Lello Ribeiro de Almeida PS
José Manuel Marques de Matos Rosa PSD
José Manuel Pereira da Costa PSD
José Manuel Santos de Magalhães PS
José Mendes Bota PSD
José Miguel Abreu de Figueiredo Medeiros PS
José Miguel Nunes Anacoreta Correia CDS-PP
José Raul Guerreiro Mendes dos Santos PSD
José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa PS
Jovita de Fátima Romano Ladeira PS
Júlio Francisco Miranda Calha PS
Júlio Manuel da Silva Magalhães e Vasconcelos CDS-PP
Laurentino José Monteiro Castro Dias PS
Leonor Coutinho Pereira dos Santos PS
Luís Afonso Cerqueira Natividade Candal PS
Luís Álvaro Barbosa de Campos Ferreira PSD
Luis António Pita Ameixa PS
Luís Emídio Lopes Mateus Fazenda BE
Luís Filipe Alexandre Rodrigues PSD
Luís Filipe Carloto Marques PSD
Luís Filipe Marques Amado PS
Luís Filipe Montenegro Cardoso de Morais Esteves PSD
Luís Garcia Braga da Cruz PS
Luis Manuel de Carvalho Carito PS
Luís Manuel Gonçalves Marques Mendes PSD
Luís Maria de Barros Serra Marques Guedes PSD
Luís Miguel Morgado Laranjeiro PS
Luis Pedro Russo da Mota Soares CDS-PP
Luisa Maria Neves Salgueiro PS
Luiz Manuel Fagundes Duarte PS
Manuel Alegre de Melo Duarte PS
Manuel António Gomes de Almeida de Pinho PS
Manuel da Conceição Pereira CDS-PP
Manuel Filipe Correia de Jesus PSD
Manuel Francisco Pizarro de Sampaio e Castro PS
Manuel Joaquim Dias Loureiro PSD
Manuel Joaquim dos Santos Ferreira PSD
Manuel Luís Gomes Vaz PS
Manuel Maria Ferreira Carrilho PS
Manuel Pedro Cunha da Silva Pereira PS
Manuel Ricardo Dias dos Santos Fonseca de Almeida PSD
Marcos da Cunha e Lorena Perestrello de Vasconcelos PS
Maria Antónia Moreno Areias de Almeida Santos PS
Maria Celeste Lopes da Silva Correia PS
Maria Cristina Vicente Pires Granada PS
Maria Custódia Barbosa Fernandes Costa PS
Maria de Belém Roseira Martins Coelho Henriques de Pina PS
Maria de Lurdes Ruivo PS
Maria do Rosário Lopes Amaro da Costa da Luz Carneiro PS
Maria Germana Sousa Rocha Pimentel Rosete PSD
Maria Helena Terra de Oliveira Ferreira Dinis PS
Maria Irene Martins Baptista Silva PSD
Maria Isabel Coelho Santos PS
Maria Isabel da Silva Pires de Lima PS
Maria Jesuína Carrilho Bernardo PS
Maria João Vaz Osório Rodrigues da Fonseca PSD
Maria José Guerra Gamboa Campos PS
Maria Júlia Gomes Henriques Caré PS
Maria Luísa Raimundo Mesquita PCP
Maria Manuela de Macedo Pinho e Melo PS
Maria Natália Guterres V. Carrascalão da Conceição Antunes PSD
Maria Odete da Conceição João PS
Maria Odete dos Santos PCP
Maria Ofélia Fernandes dos Santos Moleiro PSD
Maria Teresa Alegre de Melo Portugal PS
Maria Teresa Filipe de Moraes Sarmento Diniz PS
Mariana Rosa Aiveca Ferreira BE
Mário Rui Figueira Campos Fontemanha PSD
Matilde Sousa Franco PS
Maximiano Alberto Rodrigues Martins PS
Melchior Ribeiro Pereira Moreira PSD
Miguel Bernardo Ginestal Machado Monteiro Albuquerque PS
Miguel Fernando Alves Ramos Coleta PSD
Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas PSD
Miguel João Pisoeiro de Freitas PS
Miguel Jorge Pignatelli de Ataíde Queiroz PSD
Miguel Jorge Reis Antunes Frasquilho PSD
Miguel Tiago Crispim Rosado PCP
Nelson Madeira Baltazar PS
Nuno Maria de Figueiredo Cabral da Câmara Pereira PSD
Osvaldo Alberto Rosário Sarmento e Castro PS
Paula Cristina Barros Teixeira Santos PS
Paula Cristina Ferreira Guimarães Duarte PS
Paulo Alexandre Homem de Oliveira Fonseca PS
Paulo Jorge Frazão Batista dos Santos PSD
Paulo Manuel Matos Soares PSD
Paulo Miguel da Silva Santos PSD
Pedro Dias de Sousa Pestana Bastos CDS-PP
Pedro Manuel Farmhouse Simões Alberto PS
Pedro Nuno de Oliveira Santos PS
Pedro Quartin Graça Simão José PSD
Renato Luís de Araújo Forte Sampaio PS
Renato Luís Pereira Leal PS
Ricardo Jorge Olímpio Martins PSD
Ricardo Manuel Amaral Rodrigues PS
Rosa Maria da Silva Bastos da Horta Albernaz PS
Rosalina Maria Barbosa Martins PS
Rui António Ferreira da Cunha PS
Rui David Fernandes Morais PSD
Rui do Nascimento Rabaça Vieira PS
Sandra Marisa dos Santos Martins Catarino Costa PS
Sérgio André da Costa Vieira PSD
Sérgio Lipari Garcia Pinto PSD
Susana de Fátima Carvalho Amador PS
Teresa Maria Neto Venda PS
Valter Victorino Lemos PS
Vasco Manuel Henriques Cunha PSD
Victor do Couto Cruz PSD
Victor Manuel Bento Baptista PS
Vitalino José Ferreira Prova Canas PS
Vitor Manuel Sampaio Caetano Ramalho PS
Zita Maria de Seabra Roseiro PSD



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2005-03-10

fiel e bando


para compensar, a Ditosa de Março trouxe a Família em bando e um Fiel Amigo que se acautela...

é claro que o Renato Monteiro este mês não pode concorrer, que se saiba ainda não há atestados dispensadores das artes fotográficas ou do mar ! ! ! Posted by Hello

2005-03-08

dia especial da eleitora


dia especial da eleitora Posted by Hello



vemos hoje, 8 de Março de 2005, poucas mulheres nos Parlamentos, menos nos Governos, raramente na Direcção das empresas

é verdade que (já) (só) não é legalmente proibido propor, eleger ou nomear mulheres para cargos e funções de elevada responsabilidade

mas a amiga Jão jametinhadito “Porque é q AINDA – e por muito tempo, snif! – faz todo o sentido a existência deste dia” ...

o país especial

João Cidade nasceu e faleceu a 8 de Março, em Montemor-o-Novo, hoje Cidade

foi trabalhar para Espanha e notabilizou-se em Granada, pelo serviço abnegado aos desvalidos e loucos

fundou os Irmãos Hospitaleiros, demonstrando que a solidariedade começa pela fraternidade

e foi santificado pelos seus milagres, altruísmo e opção por uma vida extremamente dura para amenizar a também extrema dureza de muitas vidas

participou na construção da muralha de Ceuta e de lá veio uma pedra hoje utilizada, coincidindo com a efeméride, para a fundação da Casa e Oficinas da Comunidade Sócio-Terapêutica João Cidade

a presença de quem assistiu à bela cerimónia (desenrolada em oferendas de sal, pão - para que as pessoas se reunam em volta da mesa, dois candelabros - para iluminar a Casa, bem como uma romãzeira, uma bétula, um cedro-pomba, logo plantadas e regadas a preceito) não foi agradecida porque todos estavam a edificar a sua Casa

quem nela residir, trabalhar e percorrer o seu projecto de vida e de inserção social, verá certamente gratificadas as vontades reunidas para a concretização de um projecto dedicado a pessoas especiais, por vezes sobrevivendo em condições extremas

a dignificação da vida própria e alheia é a melhor forma de existir e - como e jametinhadito a canção de Mercedes Soza - honrar a vida






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estrada sinistra

o Forum Mulher, onde todos podemos falar, perguntava hoje a que razões se poderá atribuir a diminuição, em cerca de 17%, do número de vítimas mortais nas estradas portuguesas, entre 2003 e 2004

só por si, a pergunta contém algumas respostas preocupantes

é que não se sabem as razões

de facto, desconhecem-se as causas dos acidentes rodoviários

e quando se conhecem, tardam ou não chegam as conclusões

uns culpam tudo e todos, outros os condutores, outros a falta de educação e civismo, outros a falta de visão ou de visibilidade, muitos culpam o excesso de velocidade, as manobras perigosas, a má qualidade das estradas, a má sinalização, o mau tempo, o azar, todos cheios de razão

e continuamos sem saber porquê

falta o estudo imediato e sistemático das causas de cada acidente, com resultados públicos, identificando os indícios, as causas prováveis, as circunstâncias relevantes

no IP 4 aumentou o número de acidentes e mortos no mesmo período

são os condutores ? o civismo travou no IP 4 ? a educação escolar ultrapassou o IP 4 a grande velocidade ?

sabe-se que o tráfego aumentou e é muito superior aos pressupostos na concepção do projecto

terá separadores centrais ? curvas suaves e abertas ? declives moderados ? inclinações laterais em função das leis da inércia ? parte importante da sinalização está nos sucateiros de alumínio ?

um senhor do Governo abriu o Forum e jametinhadito bla bla bla bla, é prova da aposta certa do Governo (?) na educação (??), no reforço das multas e (???) na fiscalização

um palpite: a proliferação de rotundas, desde que sinalizadas, contribuem para menos acidentes e menos graves - evitam ou diminuem as situações de choque frontal, frequentes nos cruzamentos

outro, talvez mais significativo quanto à redução da gravidade dos danos: os automóveis estão cada vez mais seguros !

mas continuam a ser perigosos e o perigo que representam continua a ser desconsiderado - é hoje fácil instalar, de fábrica, tacógrafos em todos os veículos

uma espécie de caixa negra do automóvel, encarregando cada um da sua própria fiscalização, preventivamente mas também para apuramento tão inequívoco quanto possível de responsabilidades

contra o consumo desenfreado de combustível

contra a caça à multa que continua a entreter uns quantos à custa da vida muitos

contra o abuso imoderado da velocidade - apenas sujeito a controlo em situações de extrema singularidade: envergonhada e cobardemente, com os agentes escondidos ou dissimulados; quando não haja outros veículos em circulação para evitar a margem de erro; em locais propícios, como longas estradas sem trânsito; ou seja, o controlo acaba por ser feito quase só nas situações menos perigosas

esquecendo o controlo nos locais onde o perigo acontece e se desenlaça em acidente

mas está fora do alcance imediato !

quem iria impor o uso generalizado de tacógrafos, a fiscalização preventiva e pedagógica, a formação precoce, a educação para a acalmia do tráfego, a identificação dos responsáveis pela concepção, manutenção, monitorização e sinalização das vias, a alteração das técnicas e dos materiais da sinalização, a expertize dos técnicos envolvidos ? ? ?





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2005-03-04

mão livre

o Juiz Conselheiro José Moura Nunes da Cruz foi eleito Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, após falecimento do anterior titular, Aragão Seia

no primeiro uso dos dois votos de diferença que lhe conferiram o lugar, em detrimento de Noronha da Costa, jametinhaprometido mão firme para o sector da Justiça em Portugal, a começar pelos Juizes e incluindo Governos ineptos, Advogados complicativos e todos os intervenientes em geral responsáveis pelos atrasos conhecidos que perduram há séculos

ora, se a autocrítica é benvinda e a responsabilização de quantos ganham a vida no sector da Justiça é um imperativo ético, certo é que a excessiva generalização corre o risco de deixar tudo na mesma

é até ridículo afirmar-se que ... até os Juizes devem ser responsáveis ! ! !

de acordo quanto à reivindicação de meios e limites à sobrecarga dos Juizes e Tribunais – mas de nada vale haver tais meios e limites se não forem adequadamente administrados, sendo que a lógica de um Tribunal por concelho redunda em escassez de meios em muitos casos e redundância em muitos outros

impõe-se a modernização e simplificação do funcionamento da Justiça: as decisões deveriam ser tomadas de imediato após alegações, defesa e provas; a sentença laboriosamente fundamentada pode ser produzida apenas quando tal se afigure indispensável, como em caso de recurso, evitando-se tais delongas no momento em que é preciso decidir o caso

no essencial, o problema fundamental da inércia do sector reside numa mais do que identificada obsolescência do sistema administrativo da organização judiciária, que remonta a Napoleão e à inspiração na orgânica francesa de então, acrescendo talvez um processualismo excessivo e doentio que se sobrepõe à substância com que se realiza a Justiça: a verdade em tempo útil !

e um pendor corporativista fervoroso: senão vejamos, a quarta figura do Estado, o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, é eleito ... por alguns Juizes, os do Supremo Tribunal

falta um mínimo de legitimidade democrática, com significativo défice de propostas fundamentadas para a acção do titular à frente do Supremo Tribunal

os Juizes e o respectivo representante máximo deveriam dar o primeiro passo para a transformação do sector da Justiça, para evoluir de mão firme a mão livre



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2005-02-27

questões facturantes

Gonçalo M. Tavares (o que será o M. ? bem, acusa este impulso interrogativo, o que já não é pouco, e dá alguma força que possa faltar aos outros nomes, para não ficarem só doisinhos ...) é professor e profuso escritor, de muitos livros publicados e mais escritos

aceitou, diz, a escolha da errância que é escrever, assim tanto, sendo a variedade de tipos e estilos de livros também um trunfo facilitador da proliferação de obras

por exemplo, há os “senhores” – “O Senhor Valéry”, “O Senhor Juarroz”, “O Senhor Brecht” ... – e há os livros pretos (...) e há ... “Biblioteca”, “Jerusalém”... etc etc etc, quase todos espectaculares

a edição de de 8 de Janeiro de 2005 do imprescindível Mil Folhas/Público, designa o autor de “O descobridor de esfinges” e afirma que é um caso na literatura portuguesa

e é

dedicou muita energia a um livro intitulado “Energia e Ética”

na entrevista ao Mil Folhas (a Pedro Sena-Lino) explica a essencialidade da boa utilização da energia e da inteligência, das escolhas, portanto, e da importância de dizer muitos “nãos” e poucos, mas claros, “sins”

e conta como decidiu cedo o que queria ser, o que queria fazer, alertando para a importância do que queremos ser e fazer – o que temos que fazer, ninguém o vai fazer por nós

se não nos resolvemos, jametinhadito que nos arriscamo a passar a vida a pagar facturas de electricidade !

pois esta também jámatinhamdito: em tempos, um francês velho lobo do mar, reformou-se do serviço em terra e partiu em viagem conjugal para mais uma circum navegação

certo dia, entre alta noite e madrugada, ao largo da nossa Madeira, o soberbo veleiro que tanto estimava foi abalroado por um desses cargueiros errantes de mau porte, sem lei nem pátria, de bandeira e tripulação de conveniência, a transportar pela calada sabe-se lá o quê nas últimas flutuações até ser abatido num ferro velho lá para as longínquas e esconsas paragens do índico, sem respeitar gente nem ambiente quanto mais um pequeno barco à vela em hora e sítio errados, sobre a imensa superfície líquida do planeta

salvo in extremis, mal refeito e desconsolado, o dito marinheiro sofria agravadamente pela perspectiva de paragem forçada durante a reparação do veleiro: em casa, a vida resumia-se a pagar as facturas da electricidade !

enfim, tal como muita gente, há dtambém estinados que só sabem da electricidade que lhes entra pelo correio, em forma de factura ...

mais razões, afinal, porque indivíduos e sociedades devem saber usar bem a energia



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2005-02-25

ao espelho

a Xis/Público jametinhadito que “Conversas com o espelho” na crónica de Faíza Hayat, de estimada predilecção

esta semana – é de sábado mas também pode chegar uns dias depois e num caso ou noutro demora-se, às vezes sabe-se lá quanto – é dedicada ao assunto do dito espelho

o tema é em si fascinante, a crónica desta vez por acaso nem tanto

fica-se à volta do narcisismo alheio – péssimo, à Michael Jackson, tão desajuízado como desfigurado ou o "por dentro e por fora" de quem não é capaz de escutar o espelho e de nele se confrontar – e próprio, este aparentemente preferível por razões de humildade face à aceitação de imperfeições e envelhecimento e à possibilidade de correcção... ai, que vamos parar a Holywood

a interrogação que um espelho proporciona é de ordem transcendental, podendo também ser prático para quem se maquilha ou aperta o nó da gravata

o que verdadeiramente fascina não é a questão do “há mais bela do que eu?” (aliás, os objectos são incapazes de tal misericórdia) mas a revelação de como os outros nos vêem, sendo que, ao vermo-nos, somos afinal um pouco outros – e é nessa distância e proximidade, ponto focal fora de nós que nos torna duplamente sujeito, observado e observador, e cria o imperativo ético face aos outros, pois afinal sabemos ou podemos saber como nos vêem - e somos também um "outro"

é um exercício a cumprir, pois, com dúvida metódica, permitindo um complemento de auto-análise, o elemento exterior acresce à introspecção e completa ou amplia o estado de consciência: à nossa frente, o espelho mostra-nos o nosso pior inimigo

uma vez, à entrada de uma escola profissional (Forino, no parque tecnológico do Lumiar, em Lisboa) estava uma legenda sob uma moldura na parede; dizia: “eis o responsável pela qualidade”

na aproximação curiosa, imaginava-se talvez um diploma de MBA em engenharia da qualidade empunhado por um sujeito trajado rigorosamente, devidamente penteado e meticulosamente barbeado

mas encontrou-se um espelho e, nele reflectido, um manga curta à Verão, de gravata mal atada, desgrenhado de cabelo e barba desaparada

uma armadilha para o visitante, de súbito identificado individualmente e de olhos nos olhos perante a responsabilidade e a má consciência dos infindáveis problemas da qualidade

tudo agravado pela figura que todos os restantes participantes na reunião iriam ver, talvez descobrindo à transparência as fartas dúvidas sobre a possibilidade, a fatalidade e o fundamentalismo da teoria e mecânica da qualidade que vigia o mundo tecnocrático

enfim, voltando à crónica: talvez não por acaso, a dita Xis tem mais à frente um artigo sobre os olhos e os olhares; outro sobre o transtorno da personalidade designado “narcisismo”; e por aí diante, dá-se a coincidência...

em vésperas, ao apelar ao regresso de Faíza da Mauritânia, para cujo deserto ameaçou partir por uns tempos, bati à porta certa de Amiga atenta e especializada em imagens que em boa hora me emprestou esta Xis

isso depois de uma preciosa e algo especiosa mensagem electrónica com uma fotografia exactamente igual à legendada com o nome da cronista, mas encontrada num vulgar banco de dados onde todos podem ir buscar imagens - de modelos ?

e com uma hipótese que pretendia assustar qualquer um: a cara da foto não tem nada a ver com o nome da cronista e a crónica até pode ser escrita por outra pessoa

em boa verdade, essa possibilidade já tinha sido prevista, por outras razões e a cara até é o menos

no entanto, a dúvida sobre a cara ou sobre a pessoa em nada afecta a ilusão e o essencial das “Conversas com o espelho”: o que interessa é a crónica

e ao olhar o espelho ou escutá-lo já somos outros e a Faíza seria sempre a do espelho, a que não existe

daí a falta de realidade a não afectar em nada, está tudo no lugar e o lugar é fantástico e gratificante !
que interessa a foto ?

mas quem faz (mais) um achado de agulha em palheiro, diz à gente e ainda empresta a revista, interessa ! !

e bem ! ! !




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2005-02-22

Europa ? sí !

nuestros hermanos deram ontem o sim no primeiro dos referendos previstos sobre o Tratado que estabelece uma constituição para a Europa

a pergunta era simples, prática e eficaz: "¿Aprueba usted el Tratado por el que se establece una Constitución para Europa?"

contas feitas, participaram 42,32% dos cerca de 35 milhões de eleitores, 76,73% para jametinhamdito Sim e 17,24% votaram Não, com 6,03% de votos em branco

em Espanha, o assunto ainda não está resolvido: é necessária a ratificação parlamentar

mas a pergunta formulada não pode ser utilizada em Portugal

e os referendos anteriores em Portugal não tiveram efeito jurídico porque não alcançaram a participação de metade dos eleitores

assim se vão somando diferenças de semântica e de resultados

por outro lado, a Hungria, a Eslovénia e a Lituânia já ratificaram o Tratado, sem referendo

todos os países da União Europeia têm que se pronunciar até Outubro de 2006





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estilo de livro

perdido o link, ainda assim vai o postum factum

ontem a meio da tarde, em plena votação para as legislativas, o Público.pt noticiava a decisão da Comissão Nacional de Eleições de recomendar à comunicação social que se abstivesse de noticiar as declarações de Mário Soares, à saída do local de voto, reclamando a maioria absoluta do PS

e assim, com o rigor jornalístico que jametinhadito, o Público.pt deu a notícia da decisão da CNE e absteve-se de noticiar as declarações de Soares reclamando a maioria absoluta do PS

ainda há dias veio um pseudo mea culpa tentar prolongar o suposto efeito de venda de papel de jornal pretendido com hipotética aposta de Cavaco Silva na maioria absoluta do PS e com a pretensa justificação de como se poderia alcançar, por raciocínio, a veracidade da atribuição de tal hipótese a Cavaco

com um estilo destes, não há livro que resista ...

fica o fracasso do efeito desmobilizador como castigo a quem trata tão mal o público
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2005-02-21

carta a Pacheco ou as culpas solteiras

ao seu jeito habitual, o político e homem de comunicação Pacheco Pereira, jametinhadito que a culpa é toda do Santana Lopes e do unanimismo facilitista de quem acriticamente o apoiou - observador atento do mítico blog Abrupto, o Ditos deitou uma modesta correspondência no marco electrónico:

Caro Senhor Dr. Pacheco Pereira

por ter também a ver com apreciação sobre a sua própria actuação, partilho que pesem embora - e prevalecendo - as muitas e correctas análises já feitas, creio que a enorme responsabilidade de Santana Lopes na maioria absoluta do PS tem que ser partilhada quer com a governação de Duração Barroso, que entretanto se pôs a fancos lá para os jardins da CEE, quer com algum artifício do PR, tanto pela forma ambígua e condicionada com que deu posse ao novo governo da coligação e correu com o então líder da oposição, Ferro Rodrigues, outro grande derrotado de ontem, como pela antevista interrupção da legislatura algum tempo depois de se começarem a ver as inevitáveis salgalhadas santanais e de outros que tais

mas a convocação antecipada de eleições parece agora ter ficado justificada por inteiro, quer pela ampla participação quer pelo resultado expresso de proporcionar condições de governabilidade estável

oxalá a nova composição da AR agora mandatada e o próximo governo saibam merecer a confiança e responsabilidade que lhes é confiada

mas o resultado eleitoral é mais do que uma punição aos três anos do PPD/PSD+CDS/PP; e é mesmo mais do que uma maioria absoluta a um dos partidos

uma vez que a esquerda da esquerda – até os bloquistas apoiantes da ETA !? – também cresceu, ou seja, não houve à esquerda do PS nenhuma preocupação em contribuir para a maioria absoluta do PS, pelo contrário, poderá concluir-se que a deslocação de voto resultou de má consciência de muitos eleitores que não quiseram por os ovos todos na mesma cesta quando impediram Guterres de implementar o seu programa sem queijos limianos, benesses à república da Madeira e outras cedências a grupos minoritários, viabilizadoras de quase nada e inviabilizadoras do essencial do bom governo

mais vale tarde que nunca, diz o povo, mas o povo perdeu cinco anos

oxalá os próximos tempos permitam alguma recuperação


antonio

PS – magnífica a simultânea intervenção no Abrupto em tempo real e à vista de todos, com nota especial para o acolhimento em directo de contribuições várias mas sobretudo de António Lobo Xavier e José Magalhães

PS2 – é boa regra de marinharia que deve ser franca a movimentação do sentido e da direcção de uma embarcação – significa isto que aos demais nautas deve ser proporcionada indicação clara e atempada do nosso rumo, mediante gestos claros e ângulos significativos, evitando-se demoras e declinações subtis ou dúbias em caso de alteração de rumo, para todos perceberem e agirem em conformidade; de facto, em náutica, o movimento de uma embarcação interessa às outras, por óbvias razões de segurança; as simples regras viabilizadoras da segurança da circulação constituem mera aplicação ao trânsito marítimo de normas éticas de bom convívio em sociedade, talvez com o depuramento que a arte de navegar construiu ao longo dos séculos em que serviu a humanidade; resumindo e positivando: talvez o Dr. Pacheco Pereira, pelas responsabilidades políticas e mediáticas, pela voz e meios de que dispõe, pudesse ter sido mais claro e atempado quanto ao seu sentido de voto, a bem dos simpatizantes do seu partido e dos eleitores em geral - enfim, daqueles que o acompanham enquanto responsável partidário e opinion maker – reconhecendo embora que talvez seja significativo que não me dei conta dos resultados dos votos brancos (que há muito não tinham campanha) e nulos

PS3 – só hoje li a carta de apelo ao voto de Santana Lopes, sem timbre nem partido, endereçada aos Amigos mas no texto restrita aos que não costumam votar (???) e que, por ter sido ontem por tantos respondida de forma não epistolar, vai direitinha para o caixote do lixo, solteira


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2005-02-20

Dama ao xeque


Mãe e campeã de xadrez: Judite Polgar vs Leko Posted by Hello

Wiljk aan Zee é uma cidade holandesa onde se joga um dos mais fortes torneios de xadrez do mundo

na edição de 2005, classificou-se em quarto lugar uma xadrezista húngara, Judite Polgar

em 2003 tinha conseguido o segundo lugar, logo a seguir ao indiano Anand, um dos mais fortes jogadores de xadrez dos nossos tempos

o jametinhasdito de júbilo vai para um facto admirável: a licença de maternidade que em 2004 usou a melhor xadrezista do mundo, em nada lhe afectou o extraordinário nível competitivo

em termos absolutos tem o nono rating, 2728 pontos Elo, o sistema de pontuação oficial de xadrez

vai um exemplo de táctica surpreendente, para que se possa verificar, na partida que jogou de brancas contra Ivan Solokov, bósnio ex-jugoslavo, naturalizado holandês, também Grande-Mestre, 2685 de pontuação Elo:

1.e4 – e5; 2.Cf3 – Cc6; 3.Bb5 – a6; 4.Ba4 – Cf6; 5.o-o – Be7; 6.Te1 – b5; 7. Bb3 – d6; 8. c3 – o-o; 9. h3 – Cb8; 10.d4 – Cbd7; 11.Cbd2 – Bb7; 12.Bc2 – c5; 13.d5 – g6; 14.Cf1 – a5; 15.a4 – b4; 16.Bd3 – Dc7; 17.Ce3 – bxc3; 18. bxc3 – c4; 19.Bc2 – Ba6; 20.Cd2 – Tfc8; 21.Ba3 – Bf8; 22.Df3 – Bg7; 23.g3 – Tab8; 24.Rg2 – Cb6; 25.g4 – Cfd7; 26.h4 – Cc5; 27.Bxc5 – Dxc5; 28.h5 – Cd7; 29.Th1 – Cf8; 30.g5 – Tb2; 31.Cg4 – gxh5; 32.Cf6+ - Bxf6; 33.gxf6 – Cg6; 34.Rf1 – h4; 35.Dh5 – Rh8; 36.Cf3 – Txc2; 37.Th2 – Txf2+; 38. Txf2 – Cf4; 39.Dxh4 – Tg8; 40.Th2 1-0

! ! !

já agora: Judite Polgar foi a mulher mais jovem a ganhar a norma de Mestre Internacional, em 1989, quando tinha 12 anos; a mais jovem mulher Grande Mestre, aos 15 anos; e foi a primeira mulher a vencer um torneio misto de alto nível - o jogo do xadrez é talvez a única modalidade desportiva em que isso acontece ...


observacoes sao benvindas

2005-02-19

Bugiar


invasores?vão bugiar!!! Posted by Hello


O magnífico farol do Bugio, desde há trinta anos sem faroleiro devido à electrificação pública – já tinha grupos electrogéneos desde 1959; desde 1946 funcionava a incandescência de vapor de petróleo, substituindo o gás, desde 1933, o petróleo, desde 1893, e o azeite, de que consumia 12 litros por dia - e automatização da respectiva operação, é um dos ex-libris do Tejo, de Lisboa e de Portugal.

Foi implantado em 1755 sobre a igualmente magnífica Fortaleza de São Lourenço da Cabeça Seca – o nome do local bem poderá dever-se à permanência de uma redonda careca de areal no meio do rio, sendo que as restantes areias que se estendem até à margem esquerda da foz são escondidas pela preia-mar (a maré alta) e mudam de lugar com as estações e ao longo dos anos.

Pela geografia estratégica, a construção de uma praça forte no local afigurava-se ideal para defesa militar da entrada da barra de Lisboa, nomeadamente contra o eterno presumível invasor espanhol.

Ironicamente, mas pelas mesmas razões de racionalidade de que é feita a estratégia militar, passem os pleonasmos, foi Filipe, rei da Espanha que na altura incluía Portugal, que mandou fortificar o local, ainda antes de 1590.

Face à envergadura da obra, de difícil engenharia hidráulica, civil e militar, a sua realização, em sucessivas fases de construção, modificação, reforço, recuperação e reformulação, prolongou-se no tempo e ficou por isso a dever-se a vários autores, engenheiros, arquitectos, encarregados de obra, adjuntos, assistentes, etc, relevando Frei João Cazale, que fez os trabalhos debaixo de água, Leonardo Turriano, António Simões, Mateus do Couto, Conde de Cantanhede, Frei João Turriano.

Por essa altura muitas obras militares de defesa da costa se fizeram na linha Cascais. E tal como hoje, as obras nunca mais acabavam.

A páginas tantas, o nosso D. João IV, determina a construção de uma fortaleza na Cabeça Seca, onde já havia artilharia e guarnição. Mas exigiu que a obra fosse entregue a engenheiro português. É que eram sempre chamados estrangeiros, sobretudo espanhóis e italianos.

E o decreto real de 12 de Março de 1643 jametinhadito: «a experiência tem mostrado na fortificação de Cascais como estes homens vencem tão grandes ordenados e tão bem pagos, fazem e desfazem muitas vezes o que se obra. É de crer que sendo português servirá com mais amor e contentar-se-á com menos.»

Esta política oficial permanece desde então. Se for da casa, tem apego ao trabalho, há-de dar o litro, custa menos dinheiro e nem tem direito a importar-se com isso!

Em bastantes casos, quase apetece acrescentar: e de todo o modo é o que vai trabalhar, fazer o que há a fazer, meter as mãos na massa, fazer o trabalho de sapa, arrumar a casa, deitar mãos à obra, etc, etc, etc !

Certo é que ainda hoje a útil e fascinante construção assenta em planta circular raríssima, de duplo círculo concêntrico, entretanto reforçado por enrocamentos modernos mais resistentes, em blocos prefabricados de betão.

Assim relativamente defendido, ali no meio do mar, batido pela forte ondulação da barra do Tejo, o farol é por vezes visitado por curiosos ou banhistas privilegiados que em dias mais calmos e na maré baixa, se bronzeiam numa língua de areia concorrida por quem lá pode chegar, a bordo de alguma embarcação de pequeno calado.

Também ao longe a vista continua a encantar - e a vender apartamentos em prédios por andares, sempre com o Bugio nos folhetos promocionais, quase sempre com uma nesga de rio e, com sorte, de Bugio, pelo menos até à construção da fiada em frente de mais prédios com idêntica oferta promocional: vista para o Bugio !

E há lá melhor ...

2005-02-18

votar de caras


votar de caras Posted by Hello

ou como jametinhadito a Isinha: há que homenagear o Quino e a Mafalda...

mas também quem não pode votar, por qualquer condição

e os e os muitos que votam

e os que ...

2005-02-15

prior antecipado

a bela da revista do ACP – Automóvel Club de Portugal tem pergaminhos editoriais, com acérrima defesa da instituição de que é o órgão de comunicação oficial

quase sempre interessante, tem em especial uma secção para “posts” dos sócios onde se exprime e denuncia forte e feio, muitas vezes com indicação explícita do “local do crime” e ilustrada com fotografias dignas da rubrica rodoviária do “Portugal no seu melhor” ...

tem também sempre notícias desportivas, história e novidades do sector, coluna de ditos, página cultural, programas turísticos, oferta de serviços, golfe, artigos de chorar por mais, ferramentas daquelas que até apetece precisar, com estojo e tudo, relógios, canetas, chapéu de chuva e um sem fim de utilidades, incluindo o tradicional mapa das estradas que de facto ainda não se inventou melhor

peca por ser excessivamente encomiástica, com mais fotografias do presidente da direcção do respectivo Club – por décadas, César Torres, ex-acmpeão de automobilismo, a coisa piorou com Alberto Romano, ex-ex-director do ACP, e continua em derrapagem com Carlos Barbosa, ex-Correio da Manhã – do que no Vaticano o Papa, lembram-se do Casimiro, do Sérgio do Godinho ?

nem por acaso, o editorial deste mês intitula-se “Estamos no bom caminho” e o gato por lebre confirma-se inteiramente: refere-se aos efeitos que estão a surtir das campanhas dos últimos governos ... sendo caso para esperar que governos destes tenham mesmo sido os últimos

é ver o perigo constante e os resultados funestos da circulação em locais mal concebidos, mal conservados e mal sinalizados – as placas de sinalização são feitas de alumínio e logo roubadas para venda ao quilograma nos sucateiros, devastando a segurança rodoviária ao longo do país inteiro e isto repete-se e perdura...

as auto-estradas entram em obras, circula-se devagar e sem segurança mas não se suspendem nem reduzem as portagens

etc. e adiante...

mas o jametinhasdito vai para o artigo da página 6: Carmona Rodrigues resolve problema do Prior Velho (!!!)

bem, a referência ao local em concreto explica-se porque a garagem do ACP fica para aqueles lados – e embora o Prior Velho não seja Lisboa, o acesso deve ser de conta da CML

começa-se então a ler e até apetece ir ao Prior Velho ver tudo resolvido por quem resolve – afinal não é só o Liedson, no Sporting; o Simaozinho, no Benfica; o Antchouet, no Belenenses; o Jardel, quando usava a cabeça ...

mas tal como no pontapé na bola, só depois do golo é que se canta o resolve

é que no fim de tanto agradecimento ao senhor presidente da Câmara, vem o balde de água fria e a revista ACP conclui: “Esperamos, pois, que a solução prometida pelo Presidente da CML seja rapidamente implementada ...”

ou seja, nada resolvido, jametinhasdito !

é como nós com os arrumadores de automóveis, damos logo a moedinha por antecipado, a ver se não há riscos, em todos os sentidos !

assim é o trato da revista ao Presidente da Câmara

mas faz lembrar o ditado: quem agradece antecipado ...




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2005-02-14

a terceira pastorinha

a Irmã Lúcia faleceu a 13 de Fevereiro de 2005: paz à sua alma, atravessou o século, uma vida transportando parte significativa do imaginário português da fé

nos tempos difíceis, mas não só, a fé é um bordão extraordinário e especialmente em Portugal foi, durante décadas, a réstia de alento, união e esperança de muitas vidas

por isso, um jametinhasdito para os doutores que invectivam o luto nacional ou mesmo o interregno, voluntário, da campanha eleitoral de alguns intervenientes

embora pareça sempre Carnaval, a vida são poucos dias e há que celebrar o dia inteiro pelas forças que temos de reunir para lutar por cada dia, um bocadinho acima da existência, é preciso honrar a vida, isto não é só festa e gritaria

seja então dia de luto, para alguma reflexão, ao menos




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Coreia do Ave

Ricardo Nascimento, futebolista do Rio Ave, partiu para a Coreia do Sul, contratado por equipa com fortes aspirações no respectivo campeonato

claro que o bater de asa de uma borboleta na Coreia pode deixar campo aberto a uma goleada do Sporting ao Rio Ave, 5-0, quem sabe o quanto esta equipa terá ficado inconformada e inconsolável com a perda de um dos seus para tão distantes paragens

aliás a Coreia do Sul já nos tinha pregado uma partida, há uns anos, jogando em casa, durante o Campeonato do Mundo, quando tirou as peneiras à selecção portuguesa que então ia com o rei na barriga

os do Rio Ave, como os do Norte em geral e talvez mesmo todo o país, estão a ficar crescentemente com os olhos em bico face à desleal competição dos têxteis asiáticos, sendo o saldo importador exponencialmente desfavorável a Portugal, com isso agravando o problema do desemprego

boa sorte à carreira do jovem atleta, pé de obra qualificado para os futebóis orientais

oxalá a resposta da qualificação profissional possa equilibrar outras balanças, externas e internas, de modo a superar-se o interesse nacional, é o jametinhasdito que fica de tão insólita contratação

e pensar que coreia é um ... insecto (!?) mas também "zona de meretrício", seja lá o que for (!??) e doença neurológica; e dança grega; e espécie vegetal; e ...


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2005-02-09

delírios grátis

em seu belo libelo "A clivagem escondida das eleições", o impagável Professor João César das Neves, a quem ninguém oferece de almoço, acha que os partidos dizem todos o mesmo e por isso tentam encontrar diferenças "em detalhes e personalidades, mas acabam por igualar o discurso para agradar a todos. Propostas originais só nos pequenos grupos, mas a novidade aí vem sobretudo da irresponsabilidade. Uma vez no Governo, a realidade anula os sonhos e impõe a dureza da vida."

também o almoço de César não parece grátis pois neste caso concreto das eleições de 20 de Fevereiro, há pelo menos um grande partido no governo que deambula pelas questões ditas da ... irresponsabilidade... !

ora, enquanto em "alguns países, como os EUA ou Portugal, a luta fervilha e o resultado parece incerto. Noutros, pelo contrário, existe um aparente consenso e a sociedade assume uma paz ilusória. Inglaterra, Holanda e agora Espanha, entre outros, adoptaram uma atitude permissiva e liberal, despenalizando o aborto e fechando os olhos à eutanásia, às uniões de homossexuais, etc."

(um aparte: agora percebo parte da afirmação de Zita Seabra, há dias, quando de visita ao Bispo de Coimbra invectivava contra a falta de catolicismo da ...Espanha !)

depois vem o paralelo com o último grande embate ideológico da História, o modelo comunista - com o fim que se viu, com comunismo extinto e reduzido a um folclore residual, fica aberto o campo para a grande conclusão: tal como então, na URSS de 1917, há hoje países europeus que optam por soluções laxistas e permissivas, desprezando séculos de valores e tradições; mas "não resolvem o problema, limitam-se a ceder a modas intelectuais que escamoteiam a gravidade da questão. A liberdade de abortar e a diversificação do casamento parece hoje tão moderna como há umas décadas pareceu a sociedade sem classes."

e rufam os tambores rumo à professoral tirada final: "Aliás, os que hoje atacam a família e a vida são exactamente os mesmos que há uns anos defendiam a ditadura do proletariado."

a Holanda, a Inglaterra, a Espanha e os Estados Unidos da América, ó Professor João César das Neves ? jámetinhasdito !

quer-se dizer: não há conclusões grátis ...

ou como diria a Maria João, a malta sabe que a maioria dos europeus e americanos foram fortes defensores da ditadura do proletariado ...

certo é que há pelo menos uma juíza (e alguns cidadãos, associados) que não acham grátis ao Professor João e querem julgá-lo por difamação ...





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2005-02-04

certos ou errados

o Expresso da Meia Noite, na SIC, hoje sem o lacinho de Nicolau Santos, já foi referido aqui no Ditos, por ter a primeira página do dito faltado à chamada na visita a São Bento

hoje comenta-se o debate de ontem, entre Santana Lopes e José Sócrates, na SIC; na RTP 2 (da volta ao mundo, lembram-se, que começou por uma volta subaquática em São Tomé e Príncipe) neste caso com edição também em linguagem gestual, assim permitindo o acompanhamento em directo por boa parte da população deficiente auditiva; em várias rádios, incluindo as edições on line via internet; e na ... blogosfera, através de inovadora iniciativa de Pacheco Pereira no Abrupto !!!

a páginas tantas, diz Raúl Vaz, Director Adjunto do Diário de Notícias: apesar da desvantagem que resulta de os portugueses terem interiorizado a vitória do Partido Socialista, Santana Lopes mostrou-se mais fluente e à vontade perante as câmaras, afinal revelando preparação em assuntos de governação e apresentando números, certos ou errados ... jametinhasdito !

é capaz de haver alguma diferença entre um caso e outro mas para o Director Adjunto do Diário de Notícias esse é um aspecto irrelevante, nada há a denunciar

também ontem nos comentários com que brindou os leitores do Abrupto, Pacheco Pereira se referiu à agradável surpresa de ver Santana Lopes a tratar de assuntos ... da governação, dizendo: "As perguntas do editor de economia da SIC são muito bem formuladas. PSL responde-lhes bem, mostrando ter-se preparado."

estes comentários são bem a prova de que não é nada disso que se espera habitualmente de Santana Lopes, mas dá-se o caso de ser o nosso Primeiro Ministro !!?

e apesar de ter recorrido à habilidade de apresentar números, certos ou errados, facto é que Santana Lopes não superou o peso da sua falta de credibilidade

insistiu que ninguém põe em causa as decisões deste governo, mas foi apenas retórico

parece mesmo viver noutro país: afirmou que o pais está muito bem, que está melhor, diz que tem um sonho - só que para o país é um pesadelo

livra !



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