a Irmã Lúcia faleceu a 13 de Fevereiro de 2005: paz à sua alma, atravessou o século, uma vida transportando parte significativa do imaginário português da fé
nos tempos difíceis, mas não só, a fé é um bordão extraordinário e especialmente em Portugal foi, durante décadas, a réstia de alento, união e esperança de muitas vidas
por isso, um jametinhasdito para os doutores que invectivam o luto nacional ou mesmo o interregno, voluntário, da campanha eleitoral de alguns intervenientes
embora pareça sempre Carnaval, a vida são poucos dias e há que celebrar o dia inteiro pelas forças que temos de reunir para lutar por cada dia, um bocadinho acima da existência, é preciso honrar a vida, isto não é só festa e gritaria
seja então dia de luto, para alguma reflexão, ao menos
observacoes sao benvindas
2005-02-14
Coreia do Ave
Ricardo Nascimento, futebolista do Rio Ave, partiu para a Coreia do Sul, contratado por equipa com fortes aspirações no respectivo campeonato
claro que o bater de asa de uma borboleta na Coreia pode deixar campo aberto a uma goleada do Sporting ao Rio Ave, 5-0, quem sabe o quanto esta equipa terá ficado inconformada e inconsolável com a perda de um dos seus para tão distantes paragens
aliás a Coreia do Sul já nos tinha pregado uma partida, há uns anos, jogando em casa, durante o Campeonato do Mundo, quando tirou as peneiras à selecção portuguesa que então ia com o rei na barriga
os do Rio Ave, como os do Norte em geral e talvez mesmo todo o país, estão a ficar crescentemente com os olhos em bico face à desleal competição dos têxteis asiáticos, sendo o saldo importador exponencialmente desfavorável a Portugal, com isso agravando o problema do desemprego
boa sorte à carreira do jovem atleta, pé de obra qualificado para os futebóis orientais
oxalá a resposta da qualificação profissional possa equilibrar outras balanças, externas e internas, de modo a superar-se o interesse nacional, é o jametinhasdito que fica de tão insólita contratação
e pensar que coreia é um ... insecto (!?) mas também "zona de meretrício", seja lá o que for (!??) e doença neurológica; e dança grega; e espécie vegetal; e ...
observacoes sao benvindas
claro que o bater de asa de uma borboleta na Coreia pode deixar campo aberto a uma goleada do Sporting ao Rio Ave, 5-0, quem sabe o quanto esta equipa terá ficado inconformada e inconsolável com a perda de um dos seus para tão distantes paragens
aliás a Coreia do Sul já nos tinha pregado uma partida, há uns anos, jogando em casa, durante o Campeonato do Mundo, quando tirou as peneiras à selecção portuguesa que então ia com o rei na barriga
os do Rio Ave, como os do Norte em geral e talvez mesmo todo o país, estão a ficar crescentemente com os olhos em bico face à desleal competição dos têxteis asiáticos, sendo o saldo importador exponencialmente desfavorável a Portugal, com isso agravando o problema do desemprego
boa sorte à carreira do jovem atleta, pé de obra qualificado para os futebóis orientais
oxalá a resposta da qualificação profissional possa equilibrar outras balanças, externas e internas, de modo a superar-se o interesse nacional, é o jametinhasdito que fica de tão insólita contratação
e pensar que coreia é um ... insecto (!?) mas também "zona de meretrício", seja lá o que for (!??) e doença neurológica; e dança grega; e espécie vegetal; e ...
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2005-02-09
delírios grátis
em seu belo libelo "A clivagem escondida das eleições", o impagável Professor João César das Neves, a quem ninguém oferece de almoço, acha que os partidos dizem todos o mesmo e por isso tentam encontrar diferenças "em detalhes e personalidades, mas acabam por igualar o discurso para agradar a todos. Propostas originais só nos pequenos grupos, mas a novidade aí vem sobretudo da irresponsabilidade. Uma vez no Governo, a realidade anula os sonhos e impõe a dureza da vida."
também o almoço de César não parece grátis pois neste caso concreto das eleições de 20 de Fevereiro, há pelo menos um grande partido no governo que deambula pelas questões ditas da ... irresponsabilidade... !
ora, enquanto em "alguns países, como os EUA ou Portugal, a luta fervilha e o resultado parece incerto. Noutros, pelo contrário, existe um aparente consenso e a sociedade assume uma paz ilusória. Inglaterra, Holanda e agora Espanha, entre outros, adoptaram uma atitude permissiva e liberal, despenalizando o aborto e fechando os olhos à eutanásia, às uniões de homossexuais, etc."
(um aparte: agora percebo parte da afirmação de Zita Seabra, há dias, quando de visita ao Bispo de Coimbra invectivava contra a falta de catolicismo da ...Espanha !)
depois vem o paralelo com o último grande embate ideológico da História, o modelo comunista - com o fim que se viu, com comunismo extinto e reduzido a um folclore residual, fica aberto o campo para a grande conclusão: tal como então, na URSS de 1917, há hoje países europeus que optam por soluções laxistas e permissivas, desprezando séculos de valores e tradições; mas "não resolvem o problema, limitam-se a ceder a modas intelectuais que escamoteiam a gravidade da questão. A liberdade de abortar e a diversificação do casamento parece hoje tão moderna como há umas décadas pareceu a sociedade sem classes."
e rufam os tambores rumo à professoral tirada final: "Aliás, os que hoje atacam a família e a vida são exactamente os mesmos que há uns anos defendiam a ditadura do proletariado."
a Holanda, a Inglaterra, a Espanha e os Estados Unidos da América, ó Professor João César das Neves ? jámetinhasdito !
quer-se dizer: não há conclusões grátis ...
ou como diria a Maria João, a malta sabe que a maioria dos europeus e americanos foram fortes defensores da ditadura do proletariado ...
certo é que há pelo menos uma juíza (e alguns cidadãos, associados) que não acham grátis ao Professor João e querem julgá-lo por difamação ...
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também o almoço de César não parece grátis pois neste caso concreto das eleições de 20 de Fevereiro, há pelo menos um grande partido no governo que deambula pelas questões ditas da ... irresponsabilidade... !
ora, enquanto em "alguns países, como os EUA ou Portugal, a luta fervilha e o resultado parece incerto. Noutros, pelo contrário, existe um aparente consenso e a sociedade assume uma paz ilusória. Inglaterra, Holanda e agora Espanha, entre outros, adoptaram uma atitude permissiva e liberal, despenalizando o aborto e fechando os olhos à eutanásia, às uniões de homossexuais, etc."
(um aparte: agora percebo parte da afirmação de Zita Seabra, há dias, quando de visita ao Bispo de Coimbra invectivava contra a falta de catolicismo da ...Espanha !)
depois vem o paralelo com o último grande embate ideológico da História, o modelo comunista - com o fim que se viu, com comunismo extinto e reduzido a um folclore residual, fica aberto o campo para a grande conclusão: tal como então, na URSS de 1917, há hoje países europeus que optam por soluções laxistas e permissivas, desprezando séculos de valores e tradições; mas "não resolvem o problema, limitam-se a ceder a modas intelectuais que escamoteiam a gravidade da questão. A liberdade de abortar e a diversificação do casamento parece hoje tão moderna como há umas décadas pareceu a sociedade sem classes."
e rufam os tambores rumo à professoral tirada final: "Aliás, os que hoje atacam a família e a vida são exactamente os mesmos que há uns anos defendiam a ditadura do proletariado."
a Holanda, a Inglaterra, a Espanha e os Estados Unidos da América, ó Professor João César das Neves ? jámetinhasdito !
quer-se dizer: não há conclusões grátis ...
ou como diria a Maria João, a malta sabe que a maioria dos europeus e americanos foram fortes defensores da ditadura do proletariado ...
certo é que há pelo menos uma juíza (e alguns cidadãos, associados) que não acham grátis ao Professor João e querem julgá-lo por difamação ...
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2005-02-08
2005-02-04
certos ou errados
o Expresso da Meia Noite, na SIC, hoje sem o lacinho de Nicolau Santos, já foi referido aqui no Ditos, por ter a primeira página do dito faltado à chamada na visita a São Bento
hoje comenta-se o debate de ontem, entre Santana Lopes e José Sócrates, na SIC; na RTP 2 (da volta ao mundo, lembram-se, que começou por uma volta subaquática em São Tomé e Príncipe) neste caso com edição também em linguagem gestual, assim permitindo o acompanhamento em directo por boa parte da população deficiente auditiva; em várias rádios, incluindo as edições on line via internet; e na ... blogosfera, através de inovadora iniciativa de Pacheco Pereira no Abrupto !!!
a páginas tantas, diz Raúl Vaz, Director Adjunto do Diário de Notícias: apesar da desvantagem que resulta de os portugueses terem interiorizado a vitória do Partido Socialista, Santana Lopes mostrou-se mais fluente e à vontade perante as câmaras, afinal revelando preparação em assuntos de governação e apresentando números, certos ou errados ... jametinhasdito !
é capaz de haver alguma diferença entre um caso e outro mas para o Director Adjunto do Diário de Notícias esse é um aspecto irrelevante, nada há a denunciar
também ontem nos comentários com que brindou os leitores do Abrupto, Pacheco Pereira se referiu à agradável surpresa de ver Santana Lopes a tratar de assuntos ... da governação, dizendo: "As perguntas do editor de economia da SIC são muito bem formuladas. PSL responde-lhes bem, mostrando ter-se preparado."
estes comentários são bem a prova de que não é nada disso que se espera habitualmente de Santana Lopes, mas dá-se o caso de ser o nosso Primeiro Ministro !!?
e apesar de ter recorrido à habilidade de apresentar números, certos ou errados, facto é que Santana Lopes não superou o peso da sua falta de credibilidade
insistiu que ninguém põe em causa as decisões deste governo, mas foi apenas retórico
parece mesmo viver noutro país: afirmou que o pais está muito bem, que está melhor, diz que tem um sonho - só que para o país é um pesadelo
livra !
observacoes sao benvindas
hoje comenta-se o debate de ontem, entre Santana Lopes e José Sócrates, na SIC; na RTP 2 (da volta ao mundo, lembram-se, que começou por uma volta subaquática em São Tomé e Príncipe) neste caso com edição também em linguagem gestual, assim permitindo o acompanhamento em directo por boa parte da população deficiente auditiva; em várias rádios, incluindo as edições on line via internet; e na ... blogosfera, através de inovadora iniciativa de Pacheco Pereira no Abrupto !!!
a páginas tantas, diz Raúl Vaz, Director Adjunto do Diário de Notícias: apesar da desvantagem que resulta de os portugueses terem interiorizado a vitória do Partido Socialista, Santana Lopes mostrou-se mais fluente e à vontade perante as câmaras, afinal revelando preparação em assuntos de governação e apresentando números, certos ou errados ... jametinhasdito !
é capaz de haver alguma diferença entre um caso e outro mas para o Director Adjunto do Diário de Notícias esse é um aspecto irrelevante, nada há a denunciar
também ontem nos comentários com que brindou os leitores do Abrupto, Pacheco Pereira se referiu à agradável surpresa de ver Santana Lopes a tratar de assuntos ... da governação, dizendo: "As perguntas do editor de economia da SIC são muito bem formuladas. PSL responde-lhes bem, mostrando ter-se preparado."
estes comentários são bem a prova de que não é nada disso que se espera habitualmente de Santana Lopes, mas dá-se o caso de ser o nosso Primeiro Ministro !!?
e apesar de ter recorrido à habilidade de apresentar números, certos ou errados, facto é que Santana Lopes não superou o peso da sua falta de credibilidade
insistiu que ninguém põe em causa as decisões deste governo, mas foi apenas retórico
parece mesmo viver noutro país: afirmou que o pais está muito bem, que está melhor, diz que tem um sonho - só que para o país é um pesadelo
livra !
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2005-02-03
epístola militar
os Ministros Paulo Portas e Bagão Félix enviaram 24.561 cartas aos ex-combatentes
por coincidência, as cartas foram entregues durante a campanha eleitoral
coincidência ?
a missiva diz respeito à confirmação dos dados dos interessados para, quando se reformarem, terem os processos organizados para receberem um complemento de pensão social
dá-se também o insólito de nenhum dos Ministros ser o da Segurança Social
mais coincidência ?
os Ministros remetentes são ambos candidatos do CDS/PP em campanha eleitoral
o assunto já mereceu comentário, crítica e justificação mas para além das intervenções dos políticos, surge agora a explicação do chefe do serviço de pessoal, que assumiu a iniciativa
Alberto Coelho jametinhadito que sugeriu o caso a Portas, em Setembro !
entretanto houve problemas de correios e os últimos dígitos do código postal foram meio caminho andado para as cartas chegarem em plena campanha eleitoral
houve em tempos uma outra historieta sobre epístola militar, de final feliz e bem mais construtiva, que deveria ser recordada e colada no mural da caserna do serviço de pessoal destas cartas
refiro-me à “Carta a Garcia” que muitos serviços dos ministérios deveriam todo o ano e independentemente dos ciclos eleitorais, distribuir ao pessoal
é que são cada vez mais os que passam a vida a encanar os dígitos nas terminações do que a entregar a carta a Garcia, como é o caso exemplar deste chefe de serviço que leva cinco meses a entregar uma carta ao pessoal !
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por coincidência, as cartas foram entregues durante a campanha eleitoral
coincidência ?
a missiva diz respeito à confirmação dos dados dos interessados para, quando se reformarem, terem os processos organizados para receberem um complemento de pensão social
dá-se também o insólito de nenhum dos Ministros ser o da Segurança Social
mais coincidência ?
os Ministros remetentes são ambos candidatos do CDS/PP em campanha eleitoral
o assunto já mereceu comentário, crítica e justificação mas para além das intervenções dos políticos, surge agora a explicação do chefe do serviço de pessoal, que assumiu a iniciativa
Alberto Coelho jametinhadito que sugeriu o caso a Portas, em Setembro !
entretanto houve problemas de correios e os últimos dígitos do código postal foram meio caminho andado para as cartas chegarem em plena campanha eleitoral
houve em tempos uma outra historieta sobre epístola militar, de final feliz e bem mais construtiva, que deveria ser recordada e colada no mural da caserna do serviço de pessoal destas cartas
refiro-me à “Carta a Garcia” que muitos serviços dos ministérios deveriam todo o ano e independentemente dos ciclos eleitorais, distribuir ao pessoal
é que são cada vez mais os que passam a vida a encanar os dígitos nas terminações do que a entregar a carta a Garcia, como é o caso exemplar deste chefe de serviço que leva cinco meses a entregar uma carta ao pessoal !
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O FLAGELO DE DEUS
post de Fernando Cardoso de Sousa
militar de Abril, psicólogo e professor universitário
Estou em crer que a generalidade das pessoas imagina o Presidente da República como uma entidade que toma as suas decisões seguindo um procedimento extremamente complexo, devidamente preparado por um séquito de especialistas de alto nível, onde cada pormenor é pensado, analisado, repisado, testado e retestado, e só por fim introduzido na decisão que é comunicada ao público de um modo perfeito, sem mácula, erro ou gralha, dando assim a ideia que o Presidente é uma entidade perfeita, quase Divina ou que, pelo menos, tem a obrigação de assim aparecer aos olhos do país que o elegeu e lhe fornece as condições para o exercício de tão importante cargo.
Estou também em crer que o Presidente não é nada disso: é alguém como nós, que comete os mesmos erros e acertos como qualquer mortal e que, se bem que possua uma série de ajudantes que o podem levar a tomar melhores decisões, no momento crucial está talvez mais só que qualquer um de nós quando temos de decidir sobre que camisa vestimos.
Imaginem-se a ter de tomar uma decisão urgente sobre um assunto importante, ao mesmo tempo que uma chusma de consultores vos avisavam dos perigos de todas as decisões possíveis; vos davam conselhos contraditórios sobre o caminho a tomar, conforme a opinião de cada um; vos traziam análises demolidoras transmitidas pelos meios de comunicação social... Nesse caso, provavelmente só teriam uma solução: fecharem-se num quarto escuro à prova de som, ou fugirem para uma ilha deserta e esperarem que a vossa intuição vos revelasse a decisão mais acertada a tomar. Tivessem ou não possibilidades de fazer isso, o que aconteceria é que estariam perfeitamente sós no momento da verdade, e teriam de suportar todos os riscos da decisão, pois haveria sempre quem não concordasse com este ou aquele aspecto.
É por isso que eu acredito que o Presidente está só nos momentos mais decisivos e que é um simples mortal, com todos os seus defeitos e virtudes.
É também por isso que compreendo todos os erros, incorrecções ou desvios da perfeição que acompanharam todo este processo de dissolução do Parlamento e posterior demissão do Governo.
O que me interessa é que, apesar de tudo, o Presidente nos livrou de uma calamidade.
Este primeiro-ministro representa para mim quase tudo o que há de perverso na política, e que se repercute até aos níveis elementares da hierarquia nacional: a visão de chefia como um privilégio que se atingiu com a sofreguidão da conquista do poder pelo poder, sem outro objectivo que o deitar mão a todas as mordomias que for possível obter. Neste Governo estão reunidas todas as condições para que a mediocridade se institucionalize e passe a constituir a afirmação da normalidade na coisa pública, afastando tudo e todos que possam constituir obstáculo à emergência dos que esperaram longamente por uma oportunidade onde a competência, a inteligência, a honestidade e a entrega à causa pública não constituam os critérios maiores de escolha para cargos de chefia.
Acredito também que o Dr. Santana Lopes possa não ser alguém que pretende exercer um poder despótico ou restaurar uma ditadura. Mas é precisamente porque a sua ascensão foi obra do acaso, e porque se trata de alguém cuja dimensão não excede mais do que o necessário para um animador social, que a arrogância do poder se pode mais facilmente instalar, assim como aconteceria com um qualquer anónimo que, de repente, se visse aclamado como rei pelo povo.
O medíocre retém sempre uma réstia de esperança de se vingar de todos quantos o olharam com desdém e, uma vez no poder, é-lhe fácil rodear-se de todo um séquito desejoso de privilégios, que consiga institucionalizar a sua própria mediocridade como uma nova ordem social.
Penso, por último, que este primeiro-ministro só foi possível num culminar da degeneração progressiva do exercício do poder político, que com ele terá atingido, talvez, o seu expoente máximo.
Resta-nos acreditar que a Divina Providência utilizou a pessoa do Dr. Santana Lopes para mostrar ao colectivo até que ponto se tinha desviado dos caminhos correctos de um Estado de direito e do exercício da ética como afirmação principal da inteligência humana. Podia-nos ter enviado um novo Dilúvio ou qualquer outra calamidade natural mas, em vez disso e felizmente, entendeu enviar-nos Santana Lopes como a personificação do Flagelo de Deus dos tempos modernos, e o Presidente Sampaio como o seu antídoto.
É por isso que, apesar de todos os possíveis erros, confusões, omissões ou atrasos em todo este processo, eu só posso ter uma expressão final que acompanha a minha esperança de que este país possa vir a inverter a tendência crescente para colocar os piores onde só deviam estar os melhores, e que é: muito obrigado, senhor Presidente.
PS - e sobre o título:
Quanto ao flagelo de Deus, pretendi apenas utilizar a metáfora do Átila, que foi detido, in extremis, às portas de Roma, pela simples palavra de um papa, que salvou assim a cidade da devastação que o Mongol impôs a todo o Império Romano conquistado
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militar de Abril, psicólogo e professor universitário
Estou em crer que a generalidade das pessoas imagina o Presidente da República como uma entidade que toma as suas decisões seguindo um procedimento extremamente complexo, devidamente preparado por um séquito de especialistas de alto nível, onde cada pormenor é pensado, analisado, repisado, testado e retestado, e só por fim introduzido na decisão que é comunicada ao público de um modo perfeito, sem mácula, erro ou gralha, dando assim a ideia que o Presidente é uma entidade perfeita, quase Divina ou que, pelo menos, tem a obrigação de assim aparecer aos olhos do país que o elegeu e lhe fornece as condições para o exercício de tão importante cargo.
Estou também em crer que o Presidente não é nada disso: é alguém como nós, que comete os mesmos erros e acertos como qualquer mortal e que, se bem que possua uma série de ajudantes que o podem levar a tomar melhores decisões, no momento crucial está talvez mais só que qualquer um de nós quando temos de decidir sobre que camisa vestimos.
Imaginem-se a ter de tomar uma decisão urgente sobre um assunto importante, ao mesmo tempo que uma chusma de consultores vos avisavam dos perigos de todas as decisões possíveis; vos davam conselhos contraditórios sobre o caminho a tomar, conforme a opinião de cada um; vos traziam análises demolidoras transmitidas pelos meios de comunicação social... Nesse caso, provavelmente só teriam uma solução: fecharem-se num quarto escuro à prova de som, ou fugirem para uma ilha deserta e esperarem que a vossa intuição vos revelasse a decisão mais acertada a tomar. Tivessem ou não possibilidades de fazer isso, o que aconteceria é que estariam perfeitamente sós no momento da verdade, e teriam de suportar todos os riscos da decisão, pois haveria sempre quem não concordasse com este ou aquele aspecto.
É por isso que eu acredito que o Presidente está só nos momentos mais decisivos e que é um simples mortal, com todos os seus defeitos e virtudes.
É também por isso que compreendo todos os erros, incorrecções ou desvios da perfeição que acompanharam todo este processo de dissolução do Parlamento e posterior demissão do Governo.
O que me interessa é que, apesar de tudo, o Presidente nos livrou de uma calamidade.
Este primeiro-ministro representa para mim quase tudo o que há de perverso na política, e que se repercute até aos níveis elementares da hierarquia nacional: a visão de chefia como um privilégio que se atingiu com a sofreguidão da conquista do poder pelo poder, sem outro objectivo que o deitar mão a todas as mordomias que for possível obter. Neste Governo estão reunidas todas as condições para que a mediocridade se institucionalize e passe a constituir a afirmação da normalidade na coisa pública, afastando tudo e todos que possam constituir obstáculo à emergência dos que esperaram longamente por uma oportunidade onde a competência, a inteligência, a honestidade e a entrega à causa pública não constituam os critérios maiores de escolha para cargos de chefia.
Acredito também que o Dr. Santana Lopes possa não ser alguém que pretende exercer um poder despótico ou restaurar uma ditadura. Mas é precisamente porque a sua ascensão foi obra do acaso, e porque se trata de alguém cuja dimensão não excede mais do que o necessário para um animador social, que a arrogância do poder se pode mais facilmente instalar, assim como aconteceria com um qualquer anónimo que, de repente, se visse aclamado como rei pelo povo.
O medíocre retém sempre uma réstia de esperança de se vingar de todos quantos o olharam com desdém e, uma vez no poder, é-lhe fácil rodear-se de todo um séquito desejoso de privilégios, que consiga institucionalizar a sua própria mediocridade como uma nova ordem social.
Penso, por último, que este primeiro-ministro só foi possível num culminar da degeneração progressiva do exercício do poder político, que com ele terá atingido, talvez, o seu expoente máximo.
Resta-nos acreditar que a Divina Providência utilizou a pessoa do Dr. Santana Lopes para mostrar ao colectivo até que ponto se tinha desviado dos caminhos correctos de um Estado de direito e do exercício da ética como afirmação principal da inteligência humana. Podia-nos ter enviado um novo Dilúvio ou qualquer outra calamidade natural mas, em vez disso e felizmente, entendeu enviar-nos Santana Lopes como a personificação do Flagelo de Deus dos tempos modernos, e o Presidente Sampaio como o seu antídoto.
É por isso que, apesar de todos os possíveis erros, confusões, omissões ou atrasos em todo este processo, eu só posso ter uma expressão final que acompanha a minha esperança de que este país possa vir a inverter a tendência crescente para colocar os piores onde só deviam estar os melhores, e que é: muito obrigado, senhor Presidente.
PS - e sobre o título:
Quanto ao flagelo de Deus, pretendi apenas utilizar a metáfora do Átila, que foi detido, in extremis, às portas de Roma, pela simples palavra de um papa, que salvou assim a cidade da devastação que o Mongol impôs a todo o Império Romano conquistado
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2005-02-02
pretexto imobiliário
o magnífico Jornal do Imobiliário *(acantonado em letra pequenina: este suplemento faz parte integrante do jornal Público nº 5421 de 27 de Janeiro de 2005 e não pode ser vendido separadamente) anuncia a sua conferência, a 10 de Fevereiro, entre grandes (sic)personalidades do PPD/PSD e PS, sobre gestão das cidades, obras públicas e imobiliário
e lança-se ao Padrão dos Descobrimentos para ilustrar a primeira página sob o mote “Lisboa, Cidade de empreendedores” a que este número, no essencial, é dedicado
em editorial, reclama mais um pacto de regime, para o imobiliário, pois claro e justamente: o ACP também o exigiu para os carros e impostos que lhes são sobrepostos; a AIP para a competitividade; muitos para a saúde; tantos para a justiça; uns poucos para a revisão constitucional; outros para o Tratado de Nice; e vários para uma diversidade de temas ...
é claro que poderia adiantar-se que falta(m) personalidade(s) à conferência do imobiliário, que o resto não é só paisagem e que o Jornal do Imobiliário acha que isto é o país dos pactos !
bravos !
depois tem outras minudências: no sobe e desce da ordem imobiliária, Pedro Santana Lopes, a capitais, para cima, com base em conjecturas administrativas – e mau sinal para o PS, pela possibilidade de não implementar legislação que também ninguém implementou
umas mais técnicas: a OPCA adquiriu o “scaffolding" para responder aos desafios da engenharia em Portugal, em matéria de cimbres móveis aéreos auto-lançáveis, equipamento de design inovador que reduz a mão de obra e, por essa via, a fuga à Segurança Social, ao Fisco, ao combate ao desemprego e mesmo à contratação ilegal de imigrantes ...
algumas de habilidoso marketing, como a secção “As coisas certas no lugar certo” em qual cartaz santanaz se revela que “viver em Lisboa custa tão pouco” – parecendo mesmo a reconquista do velho centro da capital de regressa ao conceito residencial de cidade habitada e humanizada ... mas a realidade mora à sombra uns belos prédios na ... Ameixoeira ! ... e Galinheiras ! oxalá esta construção beneficie as populações em geral e quem lá habita em especial mas alardear a vida em Lisboa para vender apartamentos em bairros sociais periféricos é duvidosa chicana
e as de fino recorte: Alcântara terá um ex-libiris mas razões impedem a construção de estruturas arrojadas, típicas das grandes metrópoles, pelo que nos 42 mil metros quadrados da SIL já não nascerão jardins mas espaços construídos ! depois entra a Câmara e é pontes, túneis e logo se verá para onde vão os contentores, a Carris, a gráfica Mirandela, coisa de pormenor
em suma, abundam os ditos embora sempre para o mesmo gosto
mas o verdadeiro jametinhasdito vai para a desfaçatez desavergonhada de João Pessoa e Costa, em coluna teatral e na qualidade de membro do Conselho Geral do Jornal oficial do, digo, do Imobiliário
entusiasmado nos encómios, apaparica em seu colo um “jovem e talentoso político que pôs uma autarquia do centro do país no mapa, depois resolveu na capital os problemas da reabilitação, do ambiente e da habitação, concluindo no próprio país a decretar o fim das questões da gestão da maior transportadora nacional (ena!), do maior banco nacional (ena, ena!!) e da maior petrolífera
ena, ena, ena!!!
observacoes sao benvindas
e lança-se ao Padrão dos Descobrimentos para ilustrar a primeira página sob o mote “Lisboa, Cidade de empreendedores” a que este número, no essencial, é dedicado
em editorial, reclama mais um pacto de regime, para o imobiliário, pois claro e justamente: o ACP também o exigiu para os carros e impostos que lhes são sobrepostos; a AIP para a competitividade; muitos para a saúde; tantos para a justiça; uns poucos para a revisão constitucional; outros para o Tratado de Nice; e vários para uma diversidade de temas ...
é claro que poderia adiantar-se que falta(m) personalidade(s) à conferência do imobiliário, que o resto não é só paisagem e que o Jornal do Imobiliário acha que isto é o país dos pactos !
bravos !
depois tem outras minudências: no sobe e desce da ordem imobiliária, Pedro Santana Lopes, a capitais, para cima, com base em conjecturas administrativas – e mau sinal para o PS, pela possibilidade de não implementar legislação que também ninguém implementou
umas mais técnicas: a OPCA adquiriu o “scaffolding" para responder aos desafios da engenharia em Portugal, em matéria de cimbres móveis aéreos auto-lançáveis, equipamento de design inovador que reduz a mão de obra e, por essa via, a fuga à Segurança Social, ao Fisco, ao combate ao desemprego e mesmo à contratação ilegal de imigrantes ...
algumas de habilidoso marketing, como a secção “As coisas certas no lugar certo” em qual cartaz santanaz se revela que “viver em Lisboa custa tão pouco” – parecendo mesmo a reconquista do velho centro da capital de regressa ao conceito residencial de cidade habitada e humanizada ... mas a realidade mora à sombra uns belos prédios na ... Ameixoeira ! ... e Galinheiras ! oxalá esta construção beneficie as populações em geral e quem lá habita em especial mas alardear a vida em Lisboa para vender apartamentos em bairros sociais periféricos é duvidosa chicana
e as de fino recorte: Alcântara terá um ex-libiris mas razões impedem a construção de estruturas arrojadas, típicas das grandes metrópoles, pelo que nos 42 mil metros quadrados da SIL já não nascerão jardins mas espaços construídos ! depois entra a Câmara e é pontes, túneis e logo se verá para onde vão os contentores, a Carris, a gráfica Mirandela, coisa de pormenor
em suma, abundam os ditos embora sempre para o mesmo gosto
mas o verdadeiro jametinhasdito vai para a desfaçatez desavergonhada de João Pessoa e Costa, em coluna teatral e na qualidade de membro do Conselho Geral do Jornal oficial do, digo, do Imobiliário
entusiasmado nos encómios, apaparica em seu colo um “jovem e talentoso político que pôs uma autarquia do centro do país no mapa, depois resolveu na capital os problemas da reabilitação, do ambiente e da habitação, concluindo no próprio país a decretar o fim das questões da gestão da maior transportadora nacional (ena!), do maior banco nacional (ena, ena!!) e da maior petrolífera
ena, ena, ena!!!
observacoes sao benvindas
2005-01-30
votar bem mas olhar em quem
as contas afiguram-se difíceis com a crescente recuperação de Santana Lopes nas sondagens e a manha do PRD apontada à maioria absoluta pedida pelo PS
o próprio Sampaio já falou em imperiosas alterações do regime eleitoral, para mais fácil formação de maiorias, em compreensível crise de consciência por vislumbrar um decepcionante “tudo na mesma” a 20 de Fevereiro
por isso, em conjugação com a enorme incerteza dos indecisos (oh, se há muitos...! por exemplo, no seu excelente bolg O Abrupto, Pacheco Pereira analisa tudo, não conclui e promete voltar ao assunto) talvez a clara, pronta e fundamentada posição de Freitas do Amaral possa constituir o facto novo e decisivo na aproximação do PS ao almejado objectivo de maioria absoluta
o artigo de Freitas do Amaral na revista Visão é cristalino para quem vê com olhos de ver: estes 3 anos de governo Durão-Portas-Santana nada trouxeram de bom, com entradas de Tarzan e saídas de sendeiro; e o líder do PS foi um bom Ministro
é claro que outros factores justificam esta posição de Freitas – inesperada e algo contra natura face à família política em que tem exercido a sua actividade política – a favor da maioria absoluta do PS, em que afirma pretender votar:
- o CDS e o PSD mudaram muito nos últimos tempos e já não são os partidos que integravam a sua família política, que aliás o enxovalhou;
- Freitas mudou muito desde a derrota eleitoral frente a Mário Soares, quer pela consciência que adquiriu nesse processo: a) - Soares confrontou-o com os processos disciplinares que Freitas moveu na Faculdade de Direito, refugiando-se no cumprimento da lei, quando outros denunciavam a iniquidade da lei e pagavam o preço da prisão, do exílio e da tortura ... o que para quem é lúcido dá que pensar ! e b) percebeu onde estava metido (os sobretudos verdes clonados em seu redor incomodariam até o mais ultra; pagaram-lhe com a fava; escorraçaram-no do CDS, etc.) quer pelo seu percurso político (Secretário Geral da ONU, ampliando horizontes, responsabilidades e a noção dos péssimos resultados que os políticos e os poderosos têm oferecido ao mundo ) e pessoal (escreveu sobre temas não jurídicos, revisitando a história próxima e também abrindo a sua visão da sociedade e da cultura)
- aparentemente, à luz dos dados e expectativas de hoje, o PS é a única força política com possibilidade de atingir a maioria absoluta
- a candidatura presidencial de Freitas nunca terá sucesso à direita, contra Cavaco, sem votos da esquerda, maxime, do PS – e note-se que o PS logo agradeceu o inesperado apoio
assim se chega ao voto necessário, conceito habilidoso que Freitas contrapõe simultaneamente ao voto natural (em princípio cada um vota no seu partido); ao voto útil (reclamado por ambos os Portas e sabe-se lá quem mais...); e ao voto inútil, da indiferença, do tanto faz, do absentismo, da abstenção, dos indecisos, dos que não sabem, dos que não querem saber
a expressão “voto necessário” carrega a ciência e a racionalidade em cima dos de má consciência, dos sem consciência e dos insatisfeitos
e há muitos insatisfeitos, a começar pelos que avaliam negativamente o próprio partido pelos erros cometidos em 3 anos de governo e episódios concomitantes, cavando grave fosso entre as tantas promessas mais as duras críticas de que os anteriores tinham feito tudo mal e afinal foi o que se viu, fizeram bem pior – aliás, em todos os partidos (nos blocos nem há líderes nem insatisfeitos, é tudo muito giro, a malta é gira) há quem não goste do respectivo líder, fenómeno actualmente muito amplificado por razões totalmente compreensíveis e notórias
e os que descrêem nos políticos em geral
a todos Freitas apela pungentemente, jametinhadito com todas as letras
é evidente que Freitas é livre de dar o seu voto a quem quiser e de fazer campanha por aquilo em que acredita
o vício do raciocínio é que ainda não foi desmontado: se a maioria absoluta é assim tão importante para o país, então também Guterres a merecia !
mas ninguém fez essa campanha
e Portugal ressentiu-se disso, esperemos que não irreversivelmente
apesar de Guterres ter tentado governar em contrapé, sem ter os meios nem a confiança para governar em situação difícil, ano após ano até ao grande cartão amarelo que o arreliou de vez, em 2002 Freitas reclamou maioria absoluta para o PSD, com Santana Lopes vice-presidente e portanto na equipa e na calha para governar
parece preferível acreditar que agora é que o raciocínio de Freitas está certo
observacoes sao benvindas
o próprio Sampaio já falou em imperiosas alterações do regime eleitoral, para mais fácil formação de maiorias, em compreensível crise de consciência por vislumbrar um decepcionante “tudo na mesma” a 20 de Fevereiro
por isso, em conjugação com a enorme incerteza dos indecisos (oh, se há muitos...! por exemplo, no seu excelente bolg O Abrupto, Pacheco Pereira analisa tudo, não conclui e promete voltar ao assunto) talvez a clara, pronta e fundamentada posição de Freitas do Amaral possa constituir o facto novo e decisivo na aproximação do PS ao almejado objectivo de maioria absoluta
o artigo de Freitas do Amaral na revista Visão é cristalino para quem vê com olhos de ver: estes 3 anos de governo Durão-Portas-Santana nada trouxeram de bom, com entradas de Tarzan e saídas de sendeiro; e o líder do PS foi um bom Ministro
é claro que outros factores justificam esta posição de Freitas – inesperada e algo contra natura face à família política em que tem exercido a sua actividade política – a favor da maioria absoluta do PS, em que afirma pretender votar:
- o CDS e o PSD mudaram muito nos últimos tempos e já não são os partidos que integravam a sua família política, que aliás o enxovalhou;
- Freitas mudou muito desde a derrota eleitoral frente a Mário Soares, quer pela consciência que adquiriu nesse processo: a) - Soares confrontou-o com os processos disciplinares que Freitas moveu na Faculdade de Direito, refugiando-se no cumprimento da lei, quando outros denunciavam a iniquidade da lei e pagavam o preço da prisão, do exílio e da tortura ... o que para quem é lúcido dá que pensar ! e b) percebeu onde estava metido (os sobretudos verdes clonados em seu redor incomodariam até o mais ultra; pagaram-lhe com a fava; escorraçaram-no do CDS, etc.) quer pelo seu percurso político (Secretário Geral da ONU, ampliando horizontes, responsabilidades e a noção dos péssimos resultados que os políticos e os poderosos têm oferecido ao mundo ) e pessoal (escreveu sobre temas não jurídicos, revisitando a história próxima e também abrindo a sua visão da sociedade e da cultura)
- aparentemente, à luz dos dados e expectativas de hoje, o PS é a única força política com possibilidade de atingir a maioria absoluta
- a candidatura presidencial de Freitas nunca terá sucesso à direita, contra Cavaco, sem votos da esquerda, maxime, do PS – e note-se que o PS logo agradeceu o inesperado apoio
assim se chega ao voto necessário, conceito habilidoso que Freitas contrapõe simultaneamente ao voto natural (em princípio cada um vota no seu partido); ao voto útil (reclamado por ambos os Portas e sabe-se lá quem mais...); e ao voto inútil, da indiferença, do tanto faz, do absentismo, da abstenção, dos indecisos, dos que não sabem, dos que não querem saber
a expressão “voto necessário” carrega a ciência e a racionalidade em cima dos de má consciência, dos sem consciência e dos insatisfeitos
e há muitos insatisfeitos, a começar pelos que avaliam negativamente o próprio partido pelos erros cometidos em 3 anos de governo e episódios concomitantes, cavando grave fosso entre as tantas promessas mais as duras críticas de que os anteriores tinham feito tudo mal e afinal foi o que se viu, fizeram bem pior – aliás, em todos os partidos (nos blocos nem há líderes nem insatisfeitos, é tudo muito giro, a malta é gira) há quem não goste do respectivo líder, fenómeno actualmente muito amplificado por razões totalmente compreensíveis e notórias
e os que descrêem nos políticos em geral
a todos Freitas apela pungentemente, jametinhadito com todas as letras
é evidente que Freitas é livre de dar o seu voto a quem quiser e de fazer campanha por aquilo em que acredita
o vício do raciocínio é que ainda não foi desmontado: se a maioria absoluta é assim tão importante para o país, então também Guterres a merecia !
mas ninguém fez essa campanha
e Portugal ressentiu-se disso, esperemos que não irreversivelmente
apesar de Guterres ter tentado governar em contrapé, sem ter os meios nem a confiança para governar em situação difícil, ano após ano até ao grande cartão amarelo que o arreliou de vez, em 2002 Freitas reclamou maioria absoluta para o PSD, com Santana Lopes vice-presidente e portanto na equipa e na calha para governar
parece preferível acreditar que agora é que o raciocínio de Freitas está certo
observacoes sao benvindas
2005-01-29
a título de exemplo
os títulos seriam fonte segura para matéria prima do ditos: muitas vezes generosos, sempre feitos de palavras, às vezes engraçados, com efeitos, enfeites, síntese de sínteses, trocadilhos, trocados, truncados, etc.
mas falta-lhes a autoria concreta, individualizada, nominal, são resultado de inspirações anónimas, selectas ou secretas, decididas no colectivo, à pressa, com a cabeça noutro lugar que o dos autores das peças que titulam, enredados em contas de chamariz, ganham mesmo quando acertam ao lado, vulgares, hipócritas, malvados, insidiosos, erróneos, erráticos, com segundas, terceiras e sabe-se lá que mais intenções
e no entanto, raramente ingénuos, deslavados, ineficazes, desatentos, descuidados, inocentes
no publico.pt de hoje caiu a tentação da nódoa, talvez sem maldade, só mesmo por sentido comerciante, fluorescente, como os vendedores de banha da cobra se põem em bicos de pés para gritar mais alto que os demais ou os montristas iluminam os objectos expostos de forma apelativa, com os podres à sombra e também o preço, realçando a todo o custo tudo que possa prender a atenção do eventual comprador, a ver se entra na loja e leva algo
diz então o título: “António Vitorino admite vir um dia a candidatar-se à liderança do PS”
o texto seguinte ainda busca e rebusca à procura de assunto para a venda de papel de jornal mas, espremido, não tem nada: a mensagem seria a aplicável a qualquer cidadão português, todos podem vir um dia a ser líder partidário, presidente da República, admirador de aves ou qualquer outra coisa
é claro que este exemplo é muito suave, relativo e encaixa-se perfeitamente no jargão e idiossincrasias da imprensa - tenta apenas jogar com a actual liderança do PS, em plena luta eleitoral, ao jeito de provocação, crítica e confusão, nem sempre só para vender mais papel de jornal
tem havido exemplos bem piores; em tempos, véspera de eleições, o Correio da Manha (sim, o til caiu de propósito) transformou em título toda a primeira página e dizia: vamos todos votar no primeiro – o boletim de voto do dia seguinte era encabeçado por Soares Carneiro
como ainda não havia blogues, lá foi carta ou fax ao director, aliás choveram críticas e com desavergonhada falsa fé o jornal explicava que cada eleitor vota no candidato que considera primeiro – talvez tenha havido remoque da Comissão Nacional de Eleições e umas reprimendas mas o efeito cumpriu-se (embora não o suficiente para atingir o resultado pretendido) e as intenções ficaram à vista e clara luz do dia
outro caso, menos político mas não menos grave, foi o de um Diário de Notícias que alardeava “cadeiras de bebé incendiárias”, referindo-se a um estudo das características mais ou menos inflamáveis dos tecidos e outros materiais de puericultura
e voltamos aos títulos da imprensa: às vezes inflamados, quase sempre espelhando almas, nem sempre merecem troco
observacoes sao benvindas
mas falta-lhes a autoria concreta, individualizada, nominal, são resultado de inspirações anónimas, selectas ou secretas, decididas no colectivo, à pressa, com a cabeça noutro lugar que o dos autores das peças que titulam, enredados em contas de chamariz, ganham mesmo quando acertam ao lado, vulgares, hipócritas, malvados, insidiosos, erróneos, erráticos, com segundas, terceiras e sabe-se lá que mais intenções
e no entanto, raramente ingénuos, deslavados, ineficazes, desatentos, descuidados, inocentes
no publico.pt de hoje caiu a tentação da nódoa, talvez sem maldade, só mesmo por sentido comerciante, fluorescente, como os vendedores de banha da cobra se põem em bicos de pés para gritar mais alto que os demais ou os montristas iluminam os objectos expostos de forma apelativa, com os podres à sombra e também o preço, realçando a todo o custo tudo que possa prender a atenção do eventual comprador, a ver se entra na loja e leva algo
diz então o título: “António Vitorino admite vir um dia a candidatar-se à liderança do PS”
o texto seguinte ainda busca e rebusca à procura de assunto para a venda de papel de jornal mas, espremido, não tem nada: a mensagem seria a aplicável a qualquer cidadão português, todos podem vir um dia a ser líder partidário, presidente da República, admirador de aves ou qualquer outra coisa
é claro que este exemplo é muito suave, relativo e encaixa-se perfeitamente no jargão e idiossincrasias da imprensa - tenta apenas jogar com a actual liderança do PS, em plena luta eleitoral, ao jeito de provocação, crítica e confusão, nem sempre só para vender mais papel de jornal
tem havido exemplos bem piores; em tempos, véspera de eleições, o Correio da Manha (sim, o til caiu de propósito) transformou em título toda a primeira página e dizia: vamos todos votar no primeiro – o boletim de voto do dia seguinte era encabeçado por Soares Carneiro
como ainda não havia blogues, lá foi carta ou fax ao director, aliás choveram críticas e com desavergonhada falsa fé o jornal explicava que cada eleitor vota no candidato que considera primeiro – talvez tenha havido remoque da Comissão Nacional de Eleições e umas reprimendas mas o efeito cumpriu-se (embora não o suficiente para atingir o resultado pretendido) e as intenções ficaram à vista e clara luz do dia
outro caso, menos político mas não menos grave, foi o de um Diário de Notícias que alardeava “cadeiras de bebé incendiárias”, referindo-se a um estudo das características mais ou menos inflamáveis dos tecidos e outros materiais de puericultura
e voltamos aos títulos da imprensa: às vezes inflamados, quase sempre espelhando almas, nem sempre merecem troco
observacoes sao benvindas
2005-01-27
culinária literária
;->
além da culinária, no magnífico DNA, chegando a parecer que vasculha receitas imemoriais, sentado à tasquinha do camarão a cozer ainda no mar e outras preciosidades em que invoca pitéus de palavras, quantas vezes revoltas nos temperos da imaginação, jametinhamdito que Miguel Esteves Cardoso inaugurou o pantagruel da crónica publicitária, nas páginas iniciais da revista do Expresso - que afinal não são sempre iguais, segundo descobri pelo crítico publicitário Eduardo Cintra Torres – cujas recensões, crónicas, críticas no Jornal de Negócios são numeradas, espera-se a edição em livro, por favor – de tal forma que lá fui verificar e acho que temos um género novo, literário e de publicidade, como só a arte de bem escrever é capaz de criar
ah ! as patetices de certa livralhada - era giro? ajudava às vendas? fase do armário? - era irreverência da juventude, deixá-lo...
observacoes sao benvindas
além da culinária, no magnífico DNA, chegando a parecer que vasculha receitas imemoriais, sentado à tasquinha do camarão a cozer ainda no mar e outras preciosidades em que invoca pitéus de palavras, quantas vezes revoltas nos temperos da imaginação, jametinhamdito que Miguel Esteves Cardoso inaugurou o pantagruel da crónica publicitária, nas páginas iniciais da revista do Expresso - que afinal não são sempre iguais, segundo descobri pelo crítico publicitário Eduardo Cintra Torres – cujas recensões, crónicas, críticas no Jornal de Negócios são numeradas, espera-se a edição em livro, por favor – de tal forma que lá fui verificar e acho que temos um género novo, literário e de publicidade, como só a arte de bem escrever é capaz de criar
ah ! as patetices de certa livralhada - era giro? ajudava às vendas? fase do armário? - era irreverência da juventude, deixá-lo...
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2005-01-25
o voto duplicado
a um mês das eleições, jametêemdito, em grande escala, que isto está difícil para dar o voto: a quem, perguntam ? e para quê ? então se era para eleições não se perdia meio ano ... e se fica tudo na mesma ? de que vale (fing)ir votar ?
por outro lado, pesa muito o andar-se em campanha permanente desde Julho !
eleições que há não há, Legislativas, Regionais (Autónomas), Legislativas, Autárquicas, Presidenciais, Europeias, Legislativas; referendos europeus, do túnel, das torres, dos arrrumas; orçamento passa não passa ou nem sequer há orçamento ou faz favor de haver orçamento; Governo que cai não cai, dissolve, demite, falta, não está, saiu, mergulhou, foi demitido, estava num casamento, ia ser demitido, quase que se demitia, fazia a sesta, não fazia, demissão aceite, demissão não aceite, estava demitido e demitiu-se mas a demissão não foi aceite ou foi retirada antes que fosse mesmo aceite, safa ! é de gestão mas aprova para além do mandato seguinte, outro grande feito é o toca a inaugurar o que há muito está feito, o que está feito há muito, o que ainda está a ser feito, o que haverá de ser feito e o que nunca será feito
é muita política !
nem por acaso, forrado de razão, bom senso e lucidez, vide a coluna da última página do DN de hoje, algo católica mas ecuménica q.b., em que Francisco Sarsfield Cabral analisa os perigos de encantamento do nacional absentismo e avisa da responsabilidade de cada cidadão, de todos nós, pois nem tudo está só nas mãos dos políticos – e jametinham dito: quem avisa amigo é !
há de facto muitas pessoas que colocam em dúvida a sua participação nas próximas eleições: PSD’s que não gramam do Copos, PS’s que ainda se lembram do Guterres a fugir do barco, BE’s que finalmente perceberam que é muita giro mas e depois, PC’s estremunhados com o empedernido Sousa; bem, há os CDS´s que não desarmam e vão ter a maior votaria de sempre, pois se chegaram até aqui também vão ao casamento deles
além dos sempiternos alheados, somam-se os desinteressados aos desiludidos e aos desesperançosos, os que não à bola com os mediáticos (caso em que se safa o Sousa, que bem precisava de um assessor brasileiro desses que tornaram aqueles tipos em políticos assessorados) aos que já têm tacho e aos que nunca terão nenhum, os que não mudam de partido nem sequer por uma só vez sem exemplo aos que já mudaram tudo e aos que nunca aceitariam pertencer a partido que os aceitasse, os duplicados do voto Saramago aos anula o voto com jargão revolucionário e aos que botam o xis de fora do códradinho, os que estão a trabalhar aos que estão de férias e aos que já deram para este peditório, e assim por adiantemente até lá ficarem os que já lá estão
continuamos assim e o poder mobilizador da vitimização, o ascendente oratório do Discípulo do Mito Fundador (Paz à alma de Sá Carneiro) e o frenesim promésso-demagógico-inaugurativo (ao menos durante o próximo mês não haverá aumento de impostos, gasolina, portagens mas teremos pontes, nomeações que nem dia de Reis e mega-empreendimentos diários) do verdadeiro 3 em 1 que é o Copos Primeiro, o Copos Candidato e o Copos Candidato a Candidato, que já andava em campanha para futuras Presidenciais mas começou em campanha (em plenas Regionais, lembram-se do anúncio para o ano seguinte do aumento de vencimento dos funcionários públicos ?) para a sua própria eleição no dia em que tomou posse sem eleição, dará os inevitáveis frutos: trapalhadas & amiguilhaços, S.A.R.iL., especializados em import & resort, duração indeterminada e capital a realizar pelo Zé pagante !
por ora alheados, não tarda estaremos todos numa grande ... alhada !
como só quem vota decide e muitos não votam, cada voto vale mais
ou como diz a canção, se outros não votam, votemos nós
observacoes sao benvindas
observacoes sao benvindas
por outro lado, pesa muito o andar-se em campanha permanente desde Julho !
eleições que há não há, Legislativas, Regionais (Autónomas), Legislativas, Autárquicas, Presidenciais, Europeias, Legislativas; referendos europeus, do túnel, das torres, dos arrrumas; orçamento passa não passa ou nem sequer há orçamento ou faz favor de haver orçamento; Governo que cai não cai, dissolve, demite, falta, não está, saiu, mergulhou, foi demitido, estava num casamento, ia ser demitido, quase que se demitia, fazia a sesta, não fazia, demissão aceite, demissão não aceite, estava demitido e demitiu-se mas a demissão não foi aceite ou foi retirada antes que fosse mesmo aceite, safa ! é de gestão mas aprova para além do mandato seguinte, outro grande feito é o toca a inaugurar o que há muito está feito, o que está feito há muito, o que ainda está a ser feito, o que haverá de ser feito e o que nunca será feito
é muita política !
nem por acaso, forrado de razão, bom senso e lucidez, vide a coluna da última página do DN de hoje, algo católica mas ecuménica q.b., em que Francisco Sarsfield Cabral analisa os perigos de encantamento do nacional absentismo e avisa da responsabilidade de cada cidadão, de todos nós, pois nem tudo está só nas mãos dos políticos – e jametinham dito: quem avisa amigo é !
há de facto muitas pessoas que colocam em dúvida a sua participação nas próximas eleições: PSD’s que não gramam do Copos, PS’s que ainda se lembram do Guterres a fugir do barco, BE’s que finalmente perceberam que é muita giro mas e depois, PC’s estremunhados com o empedernido Sousa; bem, há os CDS´s que não desarmam e vão ter a maior votaria de sempre, pois se chegaram até aqui também vão ao casamento deles
além dos sempiternos alheados, somam-se os desinteressados aos desiludidos e aos desesperançosos, os que não à bola com os mediáticos (caso em que se safa o Sousa, que bem precisava de um assessor brasileiro desses que tornaram aqueles tipos em políticos assessorados) aos que já têm tacho e aos que nunca terão nenhum, os que não mudam de partido nem sequer por uma só vez sem exemplo aos que já mudaram tudo e aos que nunca aceitariam pertencer a partido que os aceitasse, os duplicados do voto Saramago aos anula o voto com jargão revolucionário e aos que botam o xis de fora do códradinho, os que estão a trabalhar aos que estão de férias e aos que já deram para este peditório, e assim por adiantemente até lá ficarem os que já lá estão
continuamos assim e o poder mobilizador da vitimização, o ascendente oratório do Discípulo do Mito Fundador (Paz à alma de Sá Carneiro) e o frenesim promésso-demagógico-inaugurativo (ao menos durante o próximo mês não haverá aumento de impostos, gasolina, portagens mas teremos pontes, nomeações que nem dia de Reis e mega-empreendimentos diários) do verdadeiro 3 em 1 que é o Copos Primeiro, o Copos Candidato e o Copos Candidato a Candidato, que já andava em campanha para futuras Presidenciais mas começou em campanha (em plenas Regionais, lembram-se do anúncio para o ano seguinte do aumento de vencimento dos funcionários públicos ?) para a sua própria eleição no dia em que tomou posse sem eleição, dará os inevitáveis frutos: trapalhadas & amiguilhaços, S.A.R.iL., especializados em import & resort, duração indeterminada e capital a realizar pelo Zé pagante !
por ora alheados, não tarda estaremos todos numa grande ... alhada !
como só quem vota decide e muitos não votam, cada voto vale mais
ou como diz a canção, se outros não votam, votemos nós
observacoes sao benvindas
observacoes sao benvindas
2005-01-24
Domingo de manhã
jametinhamdito que os prazeres simples cabem numa bela rotina ...
On s’est réveillé le premier. Avec une prudence de guetteur indien on s’est habillé, faufilé de pièce en pièce. On a ouvert et refermé la porte de l’entrée avec une méticulosité d’horloger. Voilà. On est dehors, dans le bleu du matin ourlé de rose : un mariage de mauvais goût s’il n’y avait le froid pour tout purifier. On souffle un nuage de fumée a chaque expiration : on existe, libre et léger sur le trottoir du petit matin. Tant mieux si la boulangerie est un peut loin. Kerouac mains dans les poches, on a tout devancé : chaque pas est une fête. On se surprend à marcher sur le bord du trottoir comme on faisait enfant, comme si c’était la marge qui comptait, le bord des choses. C’est du temps pur, cette maraude que l’on chipe au jour quand tous les autres dorment. Presque touts. Là-bas, il faut bien sûr la lumière chaude de la boulangerie – c’est du néon, en fait, mais l’idée de chaleur lui donne un reflet d’ambre. Il faut ce qu’il faut de buée sur la vitre quand on s’approche, et l’enjouement de ce bonjour que la boulangère réserve aux seuls premiers clients – complicité de l’aube.
- cinq croissants, une baguette moulée pas trop cuite !
Le boulanger en maillot de corps fariné se montre au fond de la boutique, et vous salue comme on salue les braves à l’heure du combat.
On se retrouve dans la rue. On le sent bien: la marche du retour ne sera pas la même. Le trottoir est moins libre, un peut embourgeoisé par cette baguette coincée sous un coude, par ce paquet de croissants tenu de l’autre main. Mais on prend un croissant dans le sac. La pâte est tiède, presque molle. Cette petite gourmandise dans le froid, tout en marchand : c’est comme si le matin d’hiver se faisait croissant de l’intérieur, comme si l’on devenait soi même four, maison, refuge. On avance plus doucement, tout imprégné de blond pour traverser le bleu, le gris, le rose qui s’éteint. Le jour commence, et le meilleur est déjà pris.
Le croissant du trottoir, «La première gorgée de bière et autres plaisirs minuscules», Philippe Delerm, L’Arpenteur
observacoes sao benvindas
On s’est réveillé le premier. Avec une prudence de guetteur indien on s’est habillé, faufilé de pièce en pièce. On a ouvert et refermé la porte de l’entrée avec une méticulosité d’horloger. Voilà. On est dehors, dans le bleu du matin ourlé de rose : un mariage de mauvais goût s’il n’y avait le froid pour tout purifier. On souffle un nuage de fumée a chaque expiration : on existe, libre et léger sur le trottoir du petit matin. Tant mieux si la boulangerie est un peut loin. Kerouac mains dans les poches, on a tout devancé : chaque pas est une fête. On se surprend à marcher sur le bord du trottoir comme on faisait enfant, comme si c’était la marge qui comptait, le bord des choses. C’est du temps pur, cette maraude que l’on chipe au jour quand tous les autres dorment. Presque touts. Là-bas, il faut bien sûr la lumière chaude de la boulangerie – c’est du néon, en fait, mais l’idée de chaleur lui donne un reflet d’ambre. Il faut ce qu’il faut de buée sur la vitre quand on s’approche, et l’enjouement de ce bonjour que la boulangère réserve aux seuls premiers clients – complicité de l’aube.
- cinq croissants, une baguette moulée pas trop cuite !
Le boulanger en maillot de corps fariné se montre au fond de la boutique, et vous salue comme on salue les braves à l’heure du combat.
On se retrouve dans la rue. On le sent bien: la marche du retour ne sera pas la même. Le trottoir est moins libre, un peut embourgeoisé par cette baguette coincée sous un coude, par ce paquet de croissants tenu de l’autre main. Mais on prend un croissant dans le sac. La pâte est tiède, presque molle. Cette petite gourmandise dans le froid, tout en marchand : c’est comme si le matin d’hiver se faisait croissant de l’intérieur, comme si l’on devenait soi même four, maison, refuge. On avance plus doucement, tout imprégné de blond pour traverser le bleu, le gris, le rose qui s’éteint. Le jour commence, et le meilleur est déjà pris.
Le croissant du trottoir, «La première gorgée de bière et autres plaisirs minuscules», Philippe Delerm, L’Arpenteur
observacoes sao benvindas
2005-01-21
ex-q-Zita
D. Zita de Lisboa, ora em Coimbra, de visita a D. Albino Cleto
estava por lá a imprensa, que resumiu:
“A cabeça-de-lista do PSD por Coimbra, Zita Seabra, revelou ontem ter "um grande respeito pelo papel desempenhado em Portugal pela Igreja Católica" e considerou que, "ao não reconhecer essa tradição, alguns países da Europa - como a França, a Alemanha e a Espanha - correm um risco sério de perda de identidade". "Temos de viver com os nossos valores, que são os valores católicos!", afirmou, comentando o facto de numa das primeiras acções de pré-campanha se ter encontrado com o Bispo de Coimbra.”
não notam nada de estranho nesta afirmação? - pergunta Maria João
jametinhasdito, ó Jão, mas que ex-que-Zita
PS - já agora, muito cuidado com os Bispos: houve um em Espanha que falou no preservativo (era só em terceiro recurso, no caso de falhar a abstinência e, cumulativamente, a fidelidade - vulgo método científico denominado por ABC de prevenção da transmissão da SIDA por via sexual) e obrigou a Santa Madre Igreja a mais um desmentido formal, não fossem as paróquias afixar um célebre cartoon em que o António foi bem Expresso, eh eh ...
observacoes sao benvindas
estava por lá a imprensa, que resumiu:
“A cabeça-de-lista do PSD por Coimbra, Zita Seabra, revelou ontem ter "um grande respeito pelo papel desempenhado em Portugal pela Igreja Católica" e considerou que, "ao não reconhecer essa tradição, alguns países da Europa - como a França, a Alemanha e a Espanha - correm um risco sério de perda de identidade". "Temos de viver com os nossos valores, que são os valores católicos!", afirmou, comentando o facto de numa das primeiras acções de pré-campanha se ter encontrado com o Bispo de Coimbra.”
não notam nada de estranho nesta afirmação? - pergunta Maria João
jametinhasdito, ó Jão, mas que ex-que-Zita
PS - já agora, muito cuidado com os Bispos: houve um em Espanha que falou no preservativo (era só em terceiro recurso, no caso de falhar a abstinência e, cumulativamente, a fidelidade - vulgo método científico denominado por ABC de prevenção da transmissão da SIDA por via sexual) e obrigou a Santa Madre Igreja a mais um desmentido formal, não fossem as paróquias afixar um célebre cartoon em que o António foi bem Expresso, eh eh ...
observacoes sao benvindas
2005-01-20
sexo em Harvard
para Lawrence Summers, Reitor da Universidade americana de Harvard, os “rapazes saem-se melhor do que as raparigas nas ciências e na matemática por causa das diferenças genéticas que os separam. Existem menos mulheres a ocupar cargos importantes nas actividades ligadas à ciência e à engenharia porque elas estão menos disponíveis para trabalhar durante muitas horas seguidas, dada as suas responsabilidades na educação dos filhos.” – cita o Publico
ainda segundo o Publico, os protestos de académicas e cientistas mereceram um comentário esclarecedor de Richard Freeman, economista, professor em Harvard, para quem algumas pessoas ficaram ofendidas porque são demasiado sensíveis. (sensíveis ... se o Ditos pode perguntar, será por serem Mulheres ? ) Não me parece despropositado afirmar que homens e mulheres são biologicamente diferentes", respondeu ao jornal inglês "The Guardian”
este jornal dá também conta de que o recrutamento de mulheres docentes em Harvard desceu de 36% para 13%
ena ena, assim se tenta perpetuar a discriminação ó Harvardianos !
na página do The Guardian de 18 de Janeiro está um artigo referindo que as mulheres docentes usam menos as tecnologias didácticas e de informação que os homens (e os docentes mais antigos menos que os mais novos) adiantando tal se verifica em função do tipo de matérias leccionadas ...
enfim, esta estatística anda perto da pescadinha de rabo na boca, entrando em círculo vicioso e em jeitos de justificar a primeira teoria da ciência para os homens
nos dias de hoje, jametinhamdito que há tiques bem difíceis de explicar:
- a misturada das razões genéticas e dos serviços do lar é uma historieta das antigas, talvez pegue lá para os terceiros mundos ou para quem ainda continue a viver no tempo do Salazar;
- e então a estatística dos meios informáticos e audiovisuais vai à procura de quê ? da utilização de meios por disciplinas ou por género dos respectivos docentes ?
também por cá t(iv)emos um Ministro (sim, no século XXI...) que tratou da saúde às mulheres com pretensões ao exercício de banco em Hospitais, visto o problema dos filhos
mas há luz ao fundo do calendário: a
Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres (www.cidm.pt) editou um calendário de 2005 com 12 – doze – 12 mulheres portuguesas pioneiras, a começar por:
- Adelaide Cabete, humanista, democrata e fundadora da primeira loja maçónica;
- Carolina Ângela, a primeira mulher a votar e única nas eleições de 1911;
- Maria José Tavares, primeira Reitora universitária;
- Isabel Magalhães Colaço, a primeira doutorada em Direito;
- Carloina Michaelis, a primeira catedrática;
- Maria de Jesus Serra Lopes, primeira Bastonária dos advogados;
- Maria de Lurdes Pintasilgo, a primeira Primeira-Ministra
e primeira Presidente da Comissão, então da Condição Feminina, resultante dos Grupos de Trabalho e das Comissões existentes desde 1970 na área da participação da Mulher na vida económica e social e que deu origem à actual Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres
observacoes sao benvindas
ainda segundo o Publico, os protestos de académicas e cientistas mereceram um comentário esclarecedor de Richard Freeman, economista, professor em Harvard, para quem algumas pessoas ficaram ofendidas porque são demasiado sensíveis. (sensíveis ... se o Ditos pode perguntar, será por serem Mulheres ? ) Não me parece despropositado afirmar que homens e mulheres são biologicamente diferentes", respondeu ao jornal inglês "The Guardian”
este jornal dá também conta de que o recrutamento de mulheres docentes em Harvard desceu de 36% para 13%
ena ena, assim se tenta perpetuar a discriminação ó Harvardianos !
na página do The Guardian de 18 de Janeiro está um artigo referindo que as mulheres docentes usam menos as tecnologias didácticas e de informação que os homens (e os docentes mais antigos menos que os mais novos) adiantando tal se verifica em função do tipo de matérias leccionadas ...
enfim, esta estatística anda perto da pescadinha de rabo na boca, entrando em círculo vicioso e em jeitos de justificar a primeira teoria da ciência para os homens
nos dias de hoje, jametinhamdito que há tiques bem difíceis de explicar:
- a misturada das razões genéticas e dos serviços do lar é uma historieta das antigas, talvez pegue lá para os terceiros mundos ou para quem ainda continue a viver no tempo do Salazar;
- e então a estatística dos meios informáticos e audiovisuais vai à procura de quê ? da utilização de meios por disciplinas ou por género dos respectivos docentes ?
também por cá t(iv)emos um Ministro (sim, no século XXI...) que tratou da saúde às mulheres com pretensões ao exercício de banco em Hospitais, visto o problema dos filhos
mas há luz ao fundo do calendário: a
Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres (www.cidm.pt) editou um calendário de 2005 com 12 – doze – 12 mulheres portuguesas pioneiras, a começar por:
- Adelaide Cabete, humanista, democrata e fundadora da primeira loja maçónica;
- Carolina Ângela, a primeira mulher a votar e única nas eleições de 1911;
- Maria José Tavares, primeira Reitora universitária;
- Isabel Magalhães Colaço, a primeira doutorada em Direito;
- Carloina Michaelis, a primeira catedrática;
- Maria de Jesus Serra Lopes, primeira Bastonária dos advogados;
- Maria de Lurdes Pintasilgo, a primeira Primeira-Ministra
e primeira Presidente da Comissão, então da Condição Feminina, resultante dos Grupos de Trabalho e das Comissões existentes desde 1970 na área da participação da Mulher na vida económica e social e que deu origem à actual Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres
observacoes sao benvindas
2005-01-18
Moitinho de Almeida - amigo para sempre

decano dos Advogados e dos Rotários portugueses, insígne causídico, espírito livre e Homem de bem, Luis Pedro Moitinho de Almeida viajou para a eternidade fraterna, onde continuará a advogar a solidariedade e a pugnar por um mundo mais justo, mais culto e mais amigo
além de outras qualidades admiráveis, incluindo notáveis lucidez, expressividade e longevidade, manifestava um extraordinário gosto pela vida em todos os seus actos e relacionamentos
em especial, lembro uma ocasião em que contava um episódio ilustrativo do imperativo da vida que é a alegria, batendo-se construtivamente contra os queixumes, a maledicência, o negativismo e clamava pela nossa costela árabe da sociabilidade, alegria sã e jovialidade: no entusiasmo da defesa do seu ponto de vista e apesar dos seus noventas e tais, alçou dos reconhecidos dotes de orador e recitou de sopetão um soneto que escrevera na sequência do episódio em apreço, há quarenta anos ! ! !
para além de obra jurídica e literária, Moitinho de Almeida também escreveu diversos textos de apontamento biográfico de Fernando Pessoa, enquanto contemporâneo, amigo e estudioso do Poeta - entre outros, ALMEIDA, Luís Pedro Moitinho de, Fernando Pessoa e a Magia, Lisboa, 1959; ALMEIDA, Luís Pedro Moitinho de, Fernando Pessoa no Cinquentenário da Sua Morte, Coimbra, Coimbra Editora, 1985
do seu testemunho e análise, impressiona o texto relativo aos vales à caixa de Fernando Pessoa, característicos da luta do Poeta pela própria subsistência - apenas interrompida pela receita da edição de "Mensagem", única obra que publicou em vida, o que também revela muito sobre a sociedade portuguesa, o que até jametinhamdito, pelo menos a de então ...
eis o que nos conta sobre o local de onde Pessoa vislumbrava uma certa «tabacaria»:
A casa da Baixa que foi "lar" de Pessoa
Há pedras, há lugares que falam. A Luís Pedro Moitinho de Almeida nenhum lugar lhe fala tanto como o prédio da Rua da Prata, 71, onde viveu toda a sua família - e onde trabalhou Fernando Pessoa.
«... Em princípios do século, todo o prédio se encontrava ocupado pela minha família; nas lojas era a ourivesaria, nos 1.° e 2.º andares viviam meus bisavós Luís Pinto Moitinho e mulher e nos 3.º e 4.° andares viviam meus avós António Joaquim Simões de Almeida e mulher.
Meu pai, Carlos Eugénio Moitinho de Almeida, em 1907, passou a ocupar todo o 1.° andar onde estabeleceu um escritório comercial de comissões, consignações e conta própria.
Meu avô António Joaquim Simões de Almeida trespassara a loja, que todavia conserva ainda hoje, como disse, o nome de Ourivesaria Moitinho.
Porém, um personagem não da família, mas individualidade marcante, havia de passar a fazer parte, e de que maneira, do drama do prédio. Refiro-me a Fernando Pessoa.
E o seu drama situa-se precisamente no 1.° andar onde foi o escritório do meu pai, de quem Fernando Pessoa era correspondente de línguas (Inglês e Francês).
A seguir à sala grande dos empregados, para o lado da Rua dos Retrozeiros, havia uma sala de espera, seguida de um gabinete que Fernando Pessoa usava quando não queria utilizar o dos restantes empregados e onde eu cheguei a ter escritório de advogado, seguindo-se outra sala, onde era o gabinete do meu pai; todas as referidas salas com 4 janelas deitando para a Rua dos Retrozeiros, onde havia ao tempo a tabacaria Havaneza dos Retrozeiros.
paz e bem aventurança a Moitinho de Almeida, Amigo de Portugal, da Europa e do Mundo e Irmão do seu semelhante
Vote bem !

pois se até o selecto blog político-universitário causa-nossa faz loas à vitória de um clube de futebol, fica ainda mais legitimada a inter-acção entre os esféricos bloguísticos e futebolísticos
ora no fecho da primeira volta do campeonato nacional de futebol, que na actual gíria da coisa dá pelo nome de superliga, assinala-se em especial (não, não é a vitória do Belenenses sobre o Vitória, em Setúbal, facto e resultado a que falta a noviadade para se caracterizar como notícia, quanto mais a assinalar em especial ...) um ex aequo nos três primeiros lugares
como jametinhadito o poema e a canção infatil de José Jorge Letria, o dragão, a águia e o leão jogam sempre na primeira divisão
assim, em plena campanha eleitoral e face à igualdade a trinta pontos entre os três grandes, é caso para um trompe l'oeil pseudo-político-desportivo: entre o Porto, o Sporting e o Benfica, vota no Belenenses ! eh eh ...
ou jametinhadito, vote bem ! vote no Belém !
observacoes sao benvindas
2005-01-17
2005-01-15
São Tomé e o príncipe ... com orelhas de burro
ou a demissão da demissão do demitido - mas tanto é possível ?
Em seu magnífico blog , que chega a ser 20 – vinte – 20 minutos mais rápido que a CNN, Pacheco Pereira condena o populismo da invectiva contra o programa desportivo de Morais Sarmento – e também condena a quebra da confidencialidade de actos do Estado, por parte de que defende (ou ataca?) o Ministro mergulhador
quanto à primeira parte da questão, e como também jametinhadito num debate de televisão, Pacheco Pereira equipara o mergulho ou outro programa desportivo à leitura de um livro ou uma ida à ópera, a museu, às compras ou a uma tarde livre, tudo compatibilizando com o preenchimento de tempos sem agenda em qualquer missão oficial
com o devido imenso respeito, creio que é de facto censurável o programa de mergulho numa estância exótica em missão de Estado de natureza reservada, se se atender à diferenciação relevante, como se impõe
compreende-se o virtuosismo de quem, numa vulgar deslocação em serviço (em representação do Estado, de uma empresa ou qualquer outra instituição) aproveita as potencialidades locais para se cultivar ou divertir -aqui, porque de facto não é a mesma coisa, com a natural ressalva do respeito pelos bons costumes, mas sempre, creio, evitando exotismos excessivos ou notoriedade que possam causar susceptibilidades à entidade representada – é que há sempre um limite resultante da distinção face a uma viagem exclusivamente particular, embora ainda neste caso se imponham limites em função da sobriedade exigível a quem exerce o poder em representação do povo, em especial a quem representa o País
no entanto, neste caso, o Ministro vem dizer que lhe foi atribuída uma missão secreta do Estado – é por isso que deveria saber ater-se à maior discrição e é exactamente essa falha de discrição, sobriedade e dever de reserva que torna em promiscuidade um acto perfeitamente normal noutras circunstâncias: dar um mergulho num local propício e aprazível como São Tomé e Príncipe pode oferecer, passe a publicidade acrescida à feita pelo Ministro em mais um episódio
nestas circunstâncias, em alta missão do Estado e prosseguindo a defesa delicada e difícil de interesses portugueses, foi o Ministro que abriu passagem à quebra de confidencialidade, sendo óbvia a relação de causa e efeito com a notoriedade do programa desportivo numa estância exótica
é que o episódio em si é bem a prova de que o Ministro - orelhas de burro lhe sejam feitas - sujeitou Portugal a um mergulho indesejável numa missão oficial por natureza reservada
teria pois sido recomendável que se despachasse de regresso ou então ficasse a ler, talvez o romance “Equador”, de Miguel Sousa Tavares, com eventuais vantagens em matéria de conduta política e diplomática, além da apreciável mais valia literária
PS: a propósito de episódios, e destes não se pode acusar Sampaio de os não ter arrolado, vai ser assim até ao fim, todos os dias se descobrem demissões que antes do o serem já o eram mas depois não o são, como o sai não sai do Presidente da Caixa, de Bagão Félix, de Morais Sarmento, às tantas toda a estrutura do Estado está dissolvida e demitida e isto tudo saber-se assim é prova do maior desmazelo de um Governo que mete água mesmo a sair do barco
PS2: a propósito do Abrupto, além do justo reconhecimento e primeiro interesse do blog em geral, que continua a ser leitura (quase) diária de primeira água, vão os merecidos parabéns para o acompanhamento da “atitagem” da Huygens, incluindo a importante antecipação a poderosos meios globais de comunicação, justificando inteiramente a intensa audiência verificada, mas também de excelente qualidade - uma pequenina nota para a expressão “a data” que por lapso de tradução aparece repetida amiúde mas antes se refere a “dados” ou “informação”
PS3: São Tomé e Príncipe, o local do crime, salvo seja, tem mesmo atractivos bastantes, como é exemplo o enquadramento do programa “Na roça com os tachos”, da RTP África (Internacional ?) que, em paisagem de cascata, acabou de servir uma bem apresentada salada de frutos tropicais de fazer água na boca ...
observacoes sao benvindas
Em seu magnífico blog , que chega a ser 20 – vinte – 20 minutos mais rápido que a CNN, Pacheco Pereira condena o populismo da invectiva contra o programa desportivo de Morais Sarmento – e também condena a quebra da confidencialidade de actos do Estado, por parte de que defende (ou ataca?) o Ministro mergulhador
quanto à primeira parte da questão, e como também jametinhadito num debate de televisão, Pacheco Pereira equipara o mergulho ou outro programa desportivo à leitura de um livro ou uma ida à ópera, a museu, às compras ou a uma tarde livre, tudo compatibilizando com o preenchimento de tempos sem agenda em qualquer missão oficial
com o devido imenso respeito, creio que é de facto censurável o programa de mergulho numa estância exótica em missão de Estado de natureza reservada, se se atender à diferenciação relevante, como se impõe
compreende-se o virtuosismo de quem, numa vulgar deslocação em serviço (em representação do Estado, de uma empresa ou qualquer outra instituição) aproveita as potencialidades locais para se cultivar ou divertir -aqui, porque de facto não é a mesma coisa, com a natural ressalva do respeito pelos bons costumes, mas sempre, creio, evitando exotismos excessivos ou notoriedade que possam causar susceptibilidades à entidade representada – é que há sempre um limite resultante da distinção face a uma viagem exclusivamente particular, embora ainda neste caso se imponham limites em função da sobriedade exigível a quem exerce o poder em representação do povo, em especial a quem representa o País
no entanto, neste caso, o Ministro vem dizer que lhe foi atribuída uma missão secreta do Estado – é por isso que deveria saber ater-se à maior discrição e é exactamente essa falha de discrição, sobriedade e dever de reserva que torna em promiscuidade um acto perfeitamente normal noutras circunstâncias: dar um mergulho num local propício e aprazível como São Tomé e Príncipe pode oferecer, passe a publicidade acrescida à feita pelo Ministro em mais um episódio
nestas circunstâncias, em alta missão do Estado e prosseguindo a defesa delicada e difícil de interesses portugueses, foi o Ministro que abriu passagem à quebra de confidencialidade, sendo óbvia a relação de causa e efeito com a notoriedade do programa desportivo numa estância exótica
é que o episódio em si é bem a prova de que o Ministro - orelhas de burro lhe sejam feitas - sujeitou Portugal a um mergulho indesejável numa missão oficial por natureza reservada
teria pois sido recomendável que se despachasse de regresso ou então ficasse a ler, talvez o romance “Equador”, de Miguel Sousa Tavares, com eventuais vantagens em matéria de conduta política e diplomática, além da apreciável mais valia literária
PS: a propósito de episódios, e destes não se pode acusar Sampaio de os não ter arrolado, vai ser assim até ao fim, todos os dias se descobrem demissões que antes do o serem já o eram mas depois não o são, como o sai não sai do Presidente da Caixa, de Bagão Félix, de Morais Sarmento, às tantas toda a estrutura do Estado está dissolvida e demitida e isto tudo saber-se assim é prova do maior desmazelo de um Governo que mete água mesmo a sair do barco
PS2: a propósito do Abrupto, além do justo reconhecimento e primeiro interesse do blog em geral, que continua a ser leitura (quase) diária de primeira água, vão os merecidos parabéns para o acompanhamento da “atitagem” da Huygens, incluindo a importante antecipação a poderosos meios globais de comunicação, justificando inteiramente a intensa audiência verificada, mas também de excelente qualidade - uma pequenina nota para a expressão “a data” que por lapso de tradução aparece repetida amiúde mas antes se refere a “dados” ou “informação”
PS3: São Tomé e Príncipe, o local do crime, salvo seja, tem mesmo atractivos bastantes, como é exemplo o enquadramento do programa “Na roça com os tachos”, da RTP África (Internacional ?) que, em paisagem de cascata, acabou de servir uma bem apresentada salada de frutos tropicais de fazer água na boca ...
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