2005-01-25

o voto duplicado

a um mês das eleições, jametêemdito, em grande escala, que isto está difícil para dar o voto: a quem, perguntam ? e para quê ? então se era para eleições não se perdia meio ano ... e se fica tudo na mesma ? de que vale (fing)ir votar ?

por outro lado, pesa muito o andar-se em campanha permanente desde Julho !

eleições que há não há, Legislativas, Regionais (Autónomas), Legislativas, Autárquicas, Presidenciais, Europeias, Legislativas; referendos europeus, do túnel, das torres, dos arrrumas; orçamento passa não passa ou nem sequer há orçamento ou faz favor de haver orçamento; Governo que cai não cai, dissolve, demite, falta, não está, saiu, mergulhou, foi demitido, estava num casamento, ia ser demitido, quase que se demitia, fazia a sesta, não fazia, demissão aceite, demissão não aceite, estava demitido e demitiu-se mas a demissão não foi aceite ou foi retirada antes que fosse mesmo aceite, safa ! é de gestão mas aprova para além do mandato seguinte, outro grande feito é o toca a inaugurar o que há muito está feito, o que está feito há muito, o que ainda está a ser feito, o que haverá de ser feito e o que nunca será feito

é muita política !

nem por acaso, forrado de razão, bom senso e lucidez, vide a coluna da última página do DN de hoje, algo católica mas ecuménica q.b., em que Francisco Sarsfield Cabral analisa os perigos de encantamento do nacional absentismo e avisa da responsabilidade de cada cidadão, de todos nós, pois nem tudo está só nas mãos dos políticos – e jametinham dito: quem avisa amigo é !

há de facto muitas pessoas que colocam em dúvida a sua participação nas próximas eleições: PSD’s que não gramam do Copos, PS’s que ainda se lembram do Guterres a fugir do barco, BE’s que finalmente perceberam que é muita giro mas e depois, PC’s estremunhados com o empedernido Sousa; bem, há os CDS´s que não desarmam e vão ter a maior votaria de sempre, pois se chegaram até aqui também vão ao casamento deles

além dos sempiternos alheados, somam-se os desinteressados aos desiludidos e aos desesperançosos, os que não à bola com os mediáticos (caso em que se safa o Sousa, que bem precisava de um assessor brasileiro desses que tornaram aqueles tipos em políticos assessorados) aos que já têm tacho e aos que nunca terão nenhum, os que não mudam de partido nem sequer por uma só vez sem exemplo aos que já mudaram tudo e aos que nunca aceitariam pertencer a partido que os aceitasse, os duplicados do voto Saramago aos anula o voto com jargão revolucionário e aos que botam o xis de fora do códradinho, os que estão a trabalhar aos que estão de férias e aos que já deram para este peditório, e assim por adiantemente até lá ficarem os que já lá estão

continuamos assim e o poder mobilizador da vitimização, o ascendente oratório do Discípulo do Mito Fundador (Paz à alma de Sá Carneiro) e o frenesim promésso-demagógico-inaugurativo (ao menos durante o próximo mês não haverá aumento de impostos, gasolina, portagens mas teremos pontes, nomeações que nem dia de Reis e mega-empreendimentos diários) do verdadeiro 3 em 1 que é o Copos Primeiro, o Copos Candidato e o Copos Candidato a Candidato, que já andava em campanha para futuras Presidenciais mas começou em campanha (em plenas Regionais, lembram-se do anúncio para o ano seguinte do aumento de vencimento dos funcionários públicos ?) para a sua própria eleição no dia em que tomou posse sem eleição, dará os inevitáveis frutos: trapalhadas & amiguilhaços, S.A.R.iL., especializados em import & resort, duração indeterminada e capital a realizar pelo Zé pagante !

por ora alheados, não tarda estaremos todos numa grande ... alhada !

como só quem vota decide e muitos não votam, cada voto vale mais

ou como diz a canção, se outros não votam, votemos nós





observacoes sao benvindas






observacoes sao benvindas

2005-01-24

Domingo de manhã

jametinhamdito que os prazeres simples cabem numa bela rotina ...


On s’est réveillé le premier. Avec une prudence de guetteur indien on s’est habillé, faufilé de pièce en pièce. On a ouvert et refermé la porte de l’entrée avec une méticulosité d’horloger. Voilà. On est dehors, dans le bleu du matin ourlé de rose : un mariage de mauvais goût s’il n’y avait le froid pour tout purifier. On souffle un nuage de fumée a chaque expiration : on existe, libre et léger sur le trottoir du petit matin. Tant mieux si la boulangerie est un peut loin. Kerouac mains dans les poches, on a tout devancé : chaque pas est une fête. On se surprend à marcher sur le bord du trottoir comme on faisait enfant, comme si c’était la marge qui comptait, le bord des choses. C’est du temps pur, cette maraude que l’on chipe au jour quand tous les autres dorment. Presque touts. Là-bas, il faut bien sûr la lumière chaude de la boulangerie – c’est du néon, en fait, mais l’idée de chaleur lui donne un reflet d’ambre. Il faut ce qu’il faut de buée sur la vitre quand on s’approche, et l’enjouement de ce bonjour que la boulangère réserve aux seuls premiers clients – complicité de l’aube.
- cinq croissants, une baguette moulée pas trop cuite !
Le boulanger en maillot de corps fariné se montre au fond de la boutique, et vous salue comme on salue les braves à l’heure du combat.
On se retrouve dans la rue. On le sent bien: la marche du retour ne sera pas la même. Le trottoir est moins libre, un peut embourgeoisé par cette baguette coincée sous un coude, par ce paquet de croissants tenu de l’autre main. Mais on prend un croissant dans le sac. La pâte est tiède, presque molle. Cette petite gourmandise dans le froid, tout en marchand : c’est comme si le matin d’hiver se faisait croissant de l’intérieur, comme si l’on devenait soi même four, maison, refuge. On avance plus doucement, tout imprégné de blond pour traverser le bleu, le gris, le rose qui s’éteint. Le jour commence, et le meilleur est déjà pris.

Le croissant du trottoir, «La première gorgée de bière et autres plaisirs minuscules», Philippe Delerm, L’Arpenteur


observacoes sao benvindas

Tarde de sol, espreita a Dita de Janeiro, estamos bem ? Posted by Hello

2005-01-21

ex-q-Zita

D. Zita de Lisboa, ora em Coimbra, de visita a D. Albino Cleto

estava por lá a imprensa, que resumiu:

“A cabeça-de-lista do PSD por Coimbra, Zita Seabra, revelou ontem ter "um grande respeito pelo papel desempenhado em Portugal pela Igreja Católica" e considerou que, "ao não reconhecer essa tradição, alguns países da Europa - como a França, a Alemanha e a Espanha - correm um risco sério de perda de identidade". "Temos de viver com os nossos valores, que são os valores católicos!", afirmou, comentando o facto de numa das primeiras acções de pré-campanha se ter encontrado com o Bispo de Coimbra.”

não notam nada de estranho nesta afirmação? - pergunta Maria João

jametinhasdito, ó Jão, mas que ex-que-Zita


PS - já agora, muito cuidado com os Bispos: houve um em Espanha que falou no preservativo (era só em terceiro recurso, no caso de falhar a abstinência e, cumulativamente, a fidelidade - vulgo método científico denominado por ABC de prevenção da transmissão da SIDA por via sexual) e obrigou a Santa Madre Igreja a mais um desmentido formal, não fossem as paróquias afixar um célebre cartoon em que o António foi bem Expresso, eh eh ...





observacoes sao benvindas

2005-01-20

sexo em Harvard

para Lawrence Summers, Reitor da Universidade americana de Harvard, os “rapazes saem-se melhor do que as raparigas nas ciências e na matemática por causa das diferenças genéticas que os separam. Existem menos mulheres a ocupar cargos importantes nas actividades ligadas à ciência e à engenharia porque elas estão menos disponíveis para trabalhar durante muitas horas seguidas, dada as suas responsabilidades na educação dos filhos.” – cita o Publico

ainda segundo o Publico, os protestos de académicas e cientistas mereceram um comentário esclarecedor de Richard Freeman, economista, professor em Harvard, para quem algumas pessoas ficaram ofendidas porque são demasiado sensíveis. (sensíveis ... se o Ditos pode perguntar, será por serem Mulheres ? ) Não me parece despropositado afirmar que homens e mulheres são biologicamente diferentes", respondeu ao jornal inglês "The Guardian”

este jornal dá também conta de que o recrutamento de mulheres docentes em Harvard desceu de 36% para 13%

ena ena, assim se tenta perpetuar a discriminação ó Harvardianos !

na página do The Guardian de 18 de Janeiro está um artigo referindo que as mulheres docentes usam menos as tecnologias didácticas e de informação que os homens (e os docentes mais antigos menos que os mais novos) adiantando tal se verifica em função do tipo de matérias leccionadas ...

enfim, esta estatística anda perto da pescadinha de rabo na boca, entrando em círculo vicioso e em jeitos de justificar a primeira teoria da ciência para os homens

nos dias de hoje, jametinhamdito que há tiques bem difíceis de explicar:

- a misturada das razões genéticas e dos serviços do lar é uma historieta das antigas, talvez pegue lá para os terceiros mundos ou para quem ainda continue a viver no tempo do Salazar;

- e então a estatística dos meios informáticos e audiovisuais vai à procura de quê ? da utilização de meios por disciplinas ou por género dos respectivos docentes ?

também por cá t(iv)emos um Ministro (sim, no século XXI...) que tratou da saúde às mulheres com pretensões ao exercício de banco em Hospitais, visto o problema dos filhos

mas há luz ao fundo do calendário: a

Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres (www.cidm.pt) editou um calendário de 2005 com 12 – doze – 12 mulheres portuguesas pioneiras, a começar por:

- Adelaide Cabete, humanista, democrata e fundadora da primeira loja maçónica;
- Carolina Ângela, a primeira mulher a votar e única nas eleições de 1911;
- Maria José Tavares, primeira Reitora universitária;
- Isabel Magalhães Colaço, a primeira doutorada em Direito;
- Carloina Michaelis, a primeira catedrática;
- Maria de Jesus Serra Lopes, primeira Bastonária dos advogados;
- Maria de Lurdes Pintasilgo, a primeira Primeira-Ministra

e primeira Presidente da Comissão, então da Condição Feminina, resultante dos Grupos de Trabalho e das Comissões existentes desde 1970 na área da participação da Mulher na vida económica e social e que deu origem à actual Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres



observacoes sao benvindas

2005-01-18

Moitinho de Almeida - amigo para sempre



decano dos Advogados e dos Rotários portugueses, insígne causídico, espírito livre e Homem de bem, Luis Pedro Moitinho de Almeida viajou para a eternidade fraterna, onde continuará a advogar a solidariedade e a pugnar por um mundo mais justo, mais culto e mais amigo

além de outras qualidades admiráveis, incluindo notáveis lucidez, expressividade e longevidade, manifestava um extraordinário gosto pela vida em todos os seus actos e relacionamentos

em especial, lembro uma ocasião em que contava um episódio ilustrativo do imperativo da vida que é a alegria, batendo-se construtivamente contra os queixumes, a maledicência, o negativismo e clamava pela nossa costela árabe da sociabilidade, alegria sã e jovialidade: no entusiasmo da defesa do seu ponto de vista e apesar dos seus noventas e tais, alçou dos reconhecidos dotes de orador e recitou de sopetão um soneto que escrevera na sequência do episódio em apreço, há quarenta anos ! ! !

para além de obra jurídica e literária, Moitinho de Almeida também escreveu diversos textos de apontamento biográfico de Fernando Pessoa, enquanto contemporâneo, amigo e estudioso do Poeta - entre outros, ALMEIDA, Luís Pedro Moitinho de, Fernando Pessoa e a Magia, Lisboa, 1959; ALMEIDA, Luís Pedro Moitinho de, Fernando Pessoa no Cinquentenário da Sua Morte, Coimbra, Coimbra Editora, 1985

do seu testemunho e análise, impressiona o texto relativo aos vales à caixa de Fernando Pessoa, característicos da luta do Poeta pela própria subsistência - apenas interrompida pela receita da edição de "Mensagem", única obra que publicou em vida, o que também revela muito sobre a sociedade portuguesa, o que até jametinhamdito, pelo menos a de então ...

eis o que nos conta sobre o local de onde Pessoa vislumbrava uma certa «tabacaria»:

A casa da Baixa que foi "lar" de Pessoa
Há pedras, há lugares que falam. A Luís Pedro Moitinho de Almeida nenhum lugar lhe fala tanto como o prédio da Rua da Prata, 71, onde viveu toda a sua família - e onde trabalhou Fernando Pessoa.

«... Em princípios do século, todo o prédio se encontrava ocupado pela minha família; nas lojas era a ourivesaria, nos 1.° e 2.º andares viviam meus bisavós Luís Pinto Moitinho e mulher e nos 3.º e 4.° andares viviam meus avós António Joaquim Simões de Almeida e mulher.
Meu pai, Carlos Eugénio Moitinho de Almeida, em 1907, passou a ocupar todo o 1.° andar onde estabeleceu um escritório comercial de comissões, consignações e conta própria.
Meu avô António Joaquim Simões de Almeida trespassara a loja, que todavia conserva ainda hoje, como disse, o nome de Ourivesaria Moitinho.
Porém, um personagem não da família, mas individualidade marcante, havia de passar a fazer parte, e de que maneira, do drama do prédio. Refiro-me a Fernando Pessoa.
E o seu drama situa-se precisamente no 1.° andar onde foi o escritório do meu pai, de quem Fernando Pessoa era correspondente de línguas (Inglês e Francês).
A seguir à sala grande dos empregados, para o lado da Rua dos Retrozeiros, havia uma sala de espera, seguida de um gabinete que Fernando Pessoa usava quando não queria utilizar o dos restantes empregados e onde eu cheguei a ter escritório de advogado, seguindo-se outra sala, onde era o gabinete do meu pai; todas as referidas salas com 4 janelas deitando para a Rua dos Retrozeiros, onde havia ao tempo a tabacaria Havaneza dos Retrozeiros.

paz e bem aventurança a Moitinho de Almeida, Amigo de Portugal, da Europa e do Mundo e Irmão do seu semelhante

Vote bem !




pois se até o selecto blog político-universitário causa-nossa faz loas à vitória de um clube de futebol, fica ainda mais legitimada a inter-acção entre os esféricos bloguísticos e futebolísticos

ora no fecho da primeira volta do campeonato nacional de futebol, que na actual gíria da coisa dá pelo nome de superliga, assinala-se em especial (não, não é a vitória do Belenenses sobre o Vitória, em Setúbal, facto e resultado a que falta a noviadade para se caracterizar como notícia, quanto mais a assinalar em especial ...) um ex aequo nos três primeiros lugares

como jametinhadito o poema e a canção infatil de José Jorge Letria, o dragão, a águia e o leão jogam sempre na primeira divisão

assim, em plena campanha eleitoral e face à igualdade a trinta pontos entre os três grandes, é caso para um trompe l'oeil pseudo-político-desportivo: entre o Porto, o Sporting e o Benfica, vota no Belenenses ! eh eh ...

ou jametinhadito, vote bem ! vote no Belém !





observacoes sao benvindas Posted by Hello

2005-01-15

São Tomé e o príncipe ... com orelhas de burro

ou a demissão da demissão do demitido - mas tanto é possível ?

Em seu magnífico blog , que chega a ser 20 – vinte – 20 minutos mais rápido que a CNN, Pacheco Pereira condena o populismo da invectiva contra o programa desportivo de Morais Sarmento – e também condena a quebra da confidencialidade de actos do Estado, por parte de que defende (ou ataca?) o Ministro mergulhador

quanto à primeira parte da questão, e como também jametinhadito num debate de televisão, Pacheco Pereira equipara o mergulho ou outro programa desportivo à leitura de um livro ou uma ida à ópera, a museu, às compras ou a uma tarde livre, tudo compatibilizando com o preenchimento de tempos sem agenda em qualquer missão oficial

com o devido imenso respeito, creio que é de facto censurável o programa de mergulho numa estância exótica em missão de Estado de natureza reservada, se se atender à diferenciação relevante, como se impõe

compreende-se o virtuosismo de quem, numa vulgar deslocação em serviço (em representação do Estado, de uma empresa ou qualquer outra instituição) aproveita as potencialidades locais para se cultivar ou divertir -aqui, porque de facto não é a mesma coisa, com a natural ressalva do respeito pelos bons costumes, mas sempre, creio, evitando exotismos excessivos ou notoriedade que possam causar susceptibilidades à entidade representada – é que há sempre um limite resultante da distinção face a uma viagem exclusivamente particular, embora ainda neste caso se imponham limites em função da sobriedade exigível a quem exerce o poder em representação do povo, em especial a quem representa o País

no entanto, neste caso, o Ministro vem dizer que lhe foi atribuída uma missão secreta do Estado – é por isso que deveria saber ater-se à maior discrição e é exactamente essa falha de discrição, sobriedade e dever de reserva que torna em promiscuidade um acto perfeitamente normal noutras circunstâncias: dar um mergulho num local propício e aprazível como São Tomé e Príncipe pode oferecer, passe a publicidade acrescida à feita pelo Ministro em mais um episódio

nestas circunstâncias, em alta missão do Estado e prosseguindo a defesa delicada e difícil de interesses portugueses, foi o Ministro que abriu passagem à quebra de confidencialidade, sendo óbvia a relação de causa e efeito com a notoriedade do programa desportivo numa estância exótica

é que o episódio em si é bem a prova de que o Ministro - orelhas de burro lhe sejam feitas - sujeitou Portugal a um mergulho indesejável numa missão oficial por natureza reservada

teria pois sido recomendável que se despachasse de regresso ou então ficasse a ler, talvez o romance “Equador”, de Miguel Sousa Tavares, com eventuais vantagens em matéria de conduta política e diplomática, além da apreciável mais valia literária

PS: a propósito de episódios, e destes não se pode acusar Sampaio de os não ter arrolado, vai ser assim até ao fim, todos os dias se descobrem demissões que antes do o serem já o eram mas depois não o são, como o sai não sai do Presidente da Caixa, de Bagão Félix, de Morais Sarmento, às tantas toda a estrutura do Estado está dissolvida e demitida e isto tudo saber-se assim é prova do maior desmazelo de um Governo que mete água mesmo a sair do barco

PS2: a propósito do Abrupto, além do justo reconhecimento e primeiro interesse do blog em geral, que continua a ser leitura (quase) diária de primeira água, vão os merecidos parabéns para o acompanhamento da “atitagem” da Huygens, incluindo a importante antecipação a poderosos meios globais de comunicação, justificando inteiramente a intensa audiência verificada, mas também de excelente qualidade - uma pequenina nota para a expressão “a data” que por lapso de tradução aparece repetida amiúde mas antes se refere a “dados” ou “informação”

PS3: São Tomé e Príncipe, o local do crime, salvo seja, tem mesmo atractivos bastantes, como é exemplo o enquadramento do programa “Na roça com os tachos”, da RTP África (Internacional ?) que, em paisagem de cascata, acabou de servir uma bem apresentada salada de frutos tropicais de fazer água na boca ...



observacoes sao benvindas

2005-01-14

Lobo em transportes públicos ?

dito no Público: "O director nacional da PSP, José Manuel Branquinho Lobo, foi considerado incapacitado para o exercício da magistratura, depois de ter sido sujeito a uma junta médica, em Abril de 2002."

com reforma por inteiro, como é de pleno direito

a situação foi investigada , que para isso também serve a blogosfera e essa é uma virtude das liberdades e das tecnologias de expressão

o tema das reformas tem o seu melindre mas a reforma de cada um é um direito inquestionável

e sucede que depois da reforma - quantas vezes um mero formalismo correspondente ao processo garantístico ou mera consequência legal da idade - muito boas contribuições se podem esperar de qualidades pessoais e profissionais intactas, porventura bonificadas pela experiência, disponibilidade e vontade de quem tem ainda muito a dar à sociedade

para os servidores do Estado, como é o caso em apreço, acresce o altruísmo (imposto por lei, é certo, mas uma vez aceite, é inteiro mérito do titular) de as novas funções serem remuneradas apenas entre um a três terços do respectivo vencimento, resultando afinal em considerável economia para os contribuintes

e a situação tem mesmo o seu quê de dramático, pois aparentemente vão logo ao miolo:

- "A lei determina que os aposentados possam ganhar de um terço até três terços do salário correspondente. Eu estou a receber cerca de 1200, 1300, 1400 euros líquidos", disse, aduzindo que o desempenho de novas funções o obriga a prescindir de parte da sua pensão de aposentação: "120 contos de subsídio de renda e passe de transportes públicos." - diz Lobo

talvez malvadamente forçando o beneficente do Estado a ter casa e viatura próprias !

enfim, questão essencial é a de saber se quem foi declarado incapaz de julgar, rectius, de exercer as funções de juiz, por razões do foro psicológico, pode presidir aos destinos da Polícia de Segurança Pública, a nossa PSP, e reflexivamente, como sabemos, a bem muitos mais destinos

é que à escolha do titular de tão especioso cargo não pode ter sido alheio o juízo sobre a respectiva capacidade de julgar e a sua integridade psicológica

jametinhamdito, ó governantes, que o pessoal também não foi avisado de nada disto na altura da nomeação...

mas é mesmo para José Manuel Branquinho Lobo que vai um jubilado jametinhasdito: o comandante da PSP manda em tudo ... mas na conta bancária de Lobo manda a ... "mulher" de Lobo ! ! !




observacoes sao benvindas

2005-01-05

Ano Novo Acordo Novo

depois de grande desembrulhada, é hora de interromper a anunciada ausência e voltar ao país real, já agora aproveitando um acordo - e há lá melhor maneira de começar o Ano Novo, ainda que uns dias idos já ...

de facto (que ainda não de direito) patrões e sindicatos puseram-se de acordo sem governo, dissolvido, demitido e revel ... sem governo ? ora aí está um jametinhamdito bem assente ! ó foi por isso ?

também é de assinalar que a inédita concertação social foi comunicada, de um lado, em representação dos patrões, por José António Silva, presidente da CCP - Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, e de outro (s) (?) lado (?)em representação dos trabalhadores, por ... João Proença, secretário-geral da UGT, e Manuel Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP ... cumprindo-se a ‘lei económica’ da união de uns e desunião dos mesmos ...

mas voltando ao positivo: houve compromisso ! a bem de todos ! em momento difícil do país !

empresas e trabalhadores deram um passo em frente, oxalá se aproveite o trabalho feito

oxalá o espaço de diálogo se possa expandir a outras matérias, para além das precisadas áreas da contratação colectiva, da formação profissional e mesmo da concertação social laboral

para haver alternativa a jogar a botões


PS: observacoes sao benvindas

2004-12-12

viajar ao botão


longe de quase tudo, entravado nas pregas do feudalismo, um rei, de nome Dragão, deu em escrever uma cartinha a todos os súbjametinhasditos

e que lhes dizia o ditador ? que gostava de deixar de ser o último (? assumido ?!) monarca absoluto do planeta

para tanto, remetia-lhes uma (pequena?) constituição, um escrito de 35 artigos, não mais, assim para começar; para a lerem e aprovarem; também o parlamento vai etndo alguns poderes, pouco interessa agora quais

mas é de evitar grandes limites ao remetente: para já, a política está definida, a inacessibiliadde é para manter, à capital, Triumphu, só se chega a pé para lá de circundantes montanhas; mas a coisa vai, o numerus clausus para turistas é de 3.000 por ano - a procura talvez não exceda muito a oferta mas há agências que se dão ao preparo

sem parâmetros de comparação com a nossa cultura, política ou economia, o principal indicador é a Felicidade Nacional Bruta, expressão algo forte embora o significado possa não ser líquido

a sociedade organiza-se de forma algo feudal, com a população a distribuir-se pouco concentradamente pelo território e permancendo vinculada a sistemas de auto-subsistência

o chefe de família tem que provar: em vez do nosso preconceito de atribuir esse papel ao pai e raramente à mãe, nos lares butaneses manda o membro da família merecedor da melhor estima - ai se isto viesse para cá ...

e para grandes males, grandes remédios - como o pessoal do Butão não fuma, o dito rei proibiu de todo quaisquer fumaças bem assim como a venda de tabaco, assim como assim a receita fiscal era escassa...

esta medida lembra outra geografia, pois só assim o Butão é o primeiro em qualquer coisa; então aboliram o tabaco assim como quem tem a maior árvore de natal, o governo mais demitido, o ministro de menor duração ... ai, já me sinto a viajar

 Posted by Hello

2004-12-10

governo em dissolução

este e' um ante, um post antes do dito, um jametinhasdito preventivo, por antecipacao

a esta hora, o Presidente da Republica ouve o Conselho de Estado; depois falara' ao Pais

diga o que disser... melhor, acho que vai dizer que o Governo nao conseguiu assegurar as linhas de continuidade que exigiu e que a maioria em coligacao nao foi capaz de seguir uma trajectoria de estabilidade

e' o melhor argumento, creio ... todavia nao é bom argumento !

ha que reconhecer que o Primeiro Ministro fez tudo por esquecer o bamburrio com que chegou ao lugar e pos-se a jeito

no entanto, o Governo nao foi censurado nem o Primeiro Ministro sancionado e isso tambem esta mal

em tese, creio que a assembleia não deveria ser dissolvida; ate hoje nao foi invocada qualquer facto ou razao que justifique tal medida - a haver alguma razao valida, teria sido usada; e seria benvinda; mas nao ha

as eleicoes legislativas anteriores ditaram uma composicao da Assembleia da Republica
que deve ter a oportunidade de configurar Governos no quadro da legislatura

e' certo que o Presidente da Assembleia da Republica se apagou quanto 'a questao, essencial, da formacao dos executivos, que sempre emanam da Assembleia da Republica; deixou-se ficar, cedeu a iniciativa aos partidos, ao Presidente da Republica, 'a comunicacao social, aos sempiternos candidatos presidenciais, a protagonistas varios; nao agiu, nao diligenciou, limitou-se a amuar por ninguem lhe ter ligado patavina

a Assembleia da Republica nao foi suficientemente testada, nao experimentou as suas possibilidades e sao riquissimas, consistem mesmo na principal riqueza da nossa democracia: a representacao de diferentes sensibilidades

e quanto aos erros do Governo, uns de infancia, outros da forma atabalhoada como se formou, outros da forma atabalhoada como se remodelou, outros da forma atabalhoada como se reajustou, outros por falta de coordenacao, outros por estupidez, outros por tentacao, outros por habilidades varias, outros por inabilidades varias, outros forcados por armadilhas da oposicao, outros forçados por armadilhas dos partidos da coligacao, outros por azar, outros por culpa do arbitro, muitos por culpa da comunicacao social, tantos por culpa do Lux, outros por causa das eleicoes das regioes autonomas, outros por causa das autarquicas que ai veem, outros por causa dos candidatos presidenciais, outros por causa de buracos orcamentais, outros por falta de estudo de impacto ambiental, outros por falta de calculo, outros por falta de portagens, outros por portagens a mais, outros por causa do Mar, outros por ser neta de militar, outros pelo concurso ordinal, outros por causa do barco do aborto, outros por causa do aborto do barco, outros por causa da lei do aborto, outros por causa do aborto da lei, outros por causa dos submarinos sem helio, outros que viremos a saber depois, enfim, coisinhas de nada, também reparam em tudo, estava a ser divertido e so tomadas de posse ja cantavam ca umas que tais

por isso, jametinhasdito, caro Presidente, podias bater no Governo, mandar vir outro, admoesta-lo, remodela-lo, demiti-lo

mas na verdadde, nada ha' contra a Assembleia da Republica

e nada nos garante que a vontade popular exprima uma diferente composicao para a Assembleia da Republica; para ja, nada o impede; e mesmo que se acredite na forte probabilidade de se modificar a actual reparticao de cores partidarias, a boa ergra democratica manda esperar pelo fecho do ciclo eleitoral

para nao se condenar a democracia a julgamentos de conjuntura

para evitar impulsos de conquista de poder

oxala este dito se engane e nao sirva para nada

o proximo post sera sobre um pais distante

2004-12-03

Vale sempre !

de Coja, Arganil, natural do mundo, aos 104 anos,Fernando Vale partiu para a Fraternidade eterna

homem de bem, cidadão exemplar, resistente político e cívico, Fernando Vale atravessou os séculos e viveu uma experiência extraordinária de democracia e humanismo

acreditava na juventude e na sua rebeldia, jametinhadito que a sua arma era a esperança, de pé ! ! !

bem haja, sempre

2004-12-01

mais vale só

no seguimento da anunciada intenção presidencial de concretizar o processo de dissolução da Assembleia da República, Paulo Portas diz que o CDS vai sozinho, com listas próprias, programa próprio, elenco governativo completo próprio ! ! !

seguidamente, sobre a mesma questão de concorrer isoladamente ou manter a actual coligação e depois de saber que o CDS concorre isolado, Rui Rio diz que o PSD reuniu e deliberou que vai reunir e deliberar sobre o assunto - mas jametinhasdito !

ou seja, um dos parceiros já disse que vai só; o outro, ainda acha que vai ver como é que vai !

ora digam lá se há remédio ...

2004-11-30

São Paio Nicolau Maquiavel

ninguém me tira a impressão: Sampaio jámetinhadito que é da apreciação política global

isto reúne a bênção de Cavaco, Soares, Sousa, Amaral, e outro pessoal renomado, a fila inteira por assim dizer ... isto não parece nada bom ...

talvez seja antes da reprovação política global

mas livre de Carvalhas e Ferro, com Santana nos lençóis em que está, arrisca-se a poupar uns 20 anos de sequeiro às esquerdas

é de mestre, Sampaio

2004-11-29


Tipo bolinhos ... Posted by Hello

o doce sabor da tradição ? jámetinhasdito ! ! !

os bolinhos, tipo caseiro: faz lembrar a etiqueta dos restaurantes (?) que não têm queijo da Serra e escarrapacham na batata - queijo tipo serra ...

a lista de E trezentos e tal e seguintes: infindável ...

o aroma: idêntico ao natural !??

de fugir, safa !

2004-11-28

censura da não censura de actos censuráveis

comentáro ao ponto de vista de M. YOUSSUF ADAMGY, Director da Revista Director da revista islâmica portuguesa «Al Furqán» sobre o assassinato de Theo Van Gogh - secção de opinião do Diário de Notícias de 28 de Novembro de 2004

apreciando a pública intervenção de um responsável islamista no debate em curso sobre a questão, as causas e as consequências do assassinato de Theo Van Gogh, inquieto-me por faltar ostensivamente a clara reprovação do acto bárbaro e criminoso, gorando-se mais uma oportunidade de censura da opção de substituição da lei pela barbárie de procurar fazer justiça pelas próprias mãos, para mais na versão extrema da cobarde eliminação do outro, a quem o executor não permite qualquer defesa

depois, à invocação da lista infindável que simboliza o «Terror Islâmico», Adamgy sobrepõe a vitimização de catalogação como fundamentalista ou extremista de qualquer muçulmano que queira praticar a sua religião – ora mais uma vez falta, por leve ou implícita que seja, a censura dos actos que tipificam o terror, qualquer que ele seja

aceito que possa existir o sentimento, legítimo, de que é olhado como «terrorista islâmico» qualquer homem Muçulmano que caminhe ao longo de uma movimentada rua em Londres ou Paris com uma barba e um topi ou outra coberta na sua cabeça – mas falta uma referência ao local onde estamos, Portugal, designadamente à cidade de Lisboa, com ruas movimentadas em torno da Mesquita onde inúmeros transeuntes se cruzam quotidianamente com mulheres e homens praticantes da religião islâmica, desconhecendo qualquer episódio antigo ou recente de tal percepção, o que inviabiliza a generalização a que recorre Adamgy antes impondo em boa fé a adequada ressalva

quanto à crítica de que as mulheres Muçulmanas que usem véu (lenço) não podem ir a nenhum lado no mundo Ocidental sem serem criticadas como sendo oprimidas ou estarem loucas ou atrasadas (pelo facto de se cobrirem), direi que essa crítica também se manifesta, embora a custo e corajosamente, noutros locais do globo, designadamente em sociedades islâmicas – em particular nas sociedades ocidentais, a identificação das pessoas oferece maior segurança, o que me parece aspiração inteiramente legítima, sobretudo no tempo conturbado de vulgarização e mediatização de actos de terrorismo – e até nutro simpatia pelo uso do lenço, em homens e mulheres, de modo que não impeça a fácil identificação de cada indivíduo: em Portugal, nos campos, sobretudo nas zonas agrícolas do Algarve e Alentejo, mas também no mar, ainda subsistem resquícios de antigos costumes relacionados com a protecção física contra a dureza dos elementos; a minha avó usava lenço todo o ano e dizia que “o que tapa o frio tapa o calor”; e também no ocidente subsiste a reserva de pudor no uso do véu de noiva, na cerimónia de casamento

por outro lado, Adamgy aponta como grande falha no Ocidente julgar-se o Islão pela conduta de uma minoria de pessoas islâmicas, catalogação que não é objectiva e procura distorcer a percepção do Islão – é verdadeira a constatação mas perigosa e excessiva a conclusão, que não põe a mão na consciência; na realidade, a generalização existe e embora em grande parte seja atribuível ao instinto de defesa, poderá efectivamente conter muito de preconceito e intolerância; mas, no essencial, é a falta de censura de actos de terror, absolutamente condenáveis, que permite e motiva a assimilação dos autores individuais, quantas vezes nunca identificados, aos responsáveis das comunidades receptivas ou mesmo às próprias comunidades

lembro-me da condenação à morte (sem oportunidade de defesa nem defensor nem julgamento) de um escritor crítico da evolução das sociedades islâmicas; por essa ocasião, foram entrevistados diversos cidadãos praticantes da religião islâmica e nenhum manifestou repulsa por tão abjecta condenaçã

em muitos outros casos faltou a devida censura de actos criminosos, quer por parte de cidadãos quer por parte de responsáveis políticos, religiosos, culturais, dos meios de comunicação, etc., com honorosas excepções

creio que no trabalho comum a empreender, de que é exemplo a iniciativa portuguesa anunciada em Argel, no sentido do ecumenismo e da exortação ao diálogo, há espaço para, em vez de nos limitarmos a apontar que violência gera violência – o que jametinhamdito e inclusivamente pode suscitar leituras legitimadoras da escalada -, denunciarmos a sua ilegitimidade, de modo franco e perceptível a todos, contribuindo para a distinção entre criminosos e as suas comunidades de origem ou respectivos responsáveis – assim se evitará a ampliação da generalização e do anátema, que todos queremos combater e devemos, se pudermos, ir exprimindo livre e abertamente


molho na barba

habemus Pio Sousa, o escanhoado

as barbas de molho ficaram com as barbas de molho: Jerónimo, jametinhasdito que o melhor é os críticos e outros abencerragens porem as barbas de molho !

senão ...

PS - pareceu algo contra-natura aquilo do voto secreto, sob protestos vários, com um código de barras oficialmente perfeitamente e, pasme-se, com possibilidade de voto contra e abstenção, acabando finalmente com as inconveniências do voto nulo, do voto mais branco que o do Saramago e do tradicional NS/NR e parece que também não permite teatros tipo Portas ... tudo chatices da democracia ...

2004-11-24

ó carvalho, ó carvalho

ha' dias assim: ontem comemorou-se ou realizou-se o dia da floresta autoctone

23 de Novembro e' melhor dia para plantar em Portugal do que o dia mundial da arvore, a 21 de Marco, altura em que a nossa inclemente primavera sujeita semelhantes intencoes a provaveis contrariedades

pois em boa hora e bem á medida, ontem a incansavel Quercus foi, além do mais e entre outros pontos altos, para o bosque de Monsanto apregoar a defesa do carvalho, em especial o carvalho autoctone

parafraseando o temperamental poeta Joaquim Pessoa, de quem a propósito e com a devida venia respigo uma estrofe, jametinhamdito que o nosso e bom carvalho portugues carece, muito, de adequada proteccao legal, ó carvalho, ó carvalho, tal como a nossa azinheira e o sobreiro nacional !

«Estes fatos por medida
que vestimos ao domingo
tiram-nos dias de vida
fazem guardar-nos segredos
e tornam-nos tão crueis
que para comprar aneis
vendemos os proprios dedos.»