assinado:
são valores da União Europeia o respeito pela dignidade humana, a liberdade, a democracia, a igualdade, o Estado de Direito, o respeito dos direitos incluindo os das pessoas pertencentes a minorias, o pluralismo, a não discriminação, a tolerância, a justiça, a solidariedade, a igualdade entre mulheres e homens, a promoção da paz, dos seus valores e do bem estar dos povos, a livre concorrência, o desenvolvimento sustentável, o combate à exclusão social, o progresso científico e tecnológico, a riqueza e diversidade cultural e linguística, a solidariedade entre as gerações e a protecção dos direitos das crianças
é apenas mais um Tratado de papel ?
certo é que poucos se podem orgulhar de passo tão gigante !
boa sorte, União Europeia
agora ficamos de ver como é que somos capazes de dar eficácia à intenção, talvez haja referendos vários, por cá está-se mesmo a ver que será formulado pela negativa (é contra o Tratado?) e como (quase) ninguém vai votar a coisa passa, é o tal do gostinho especial, o português suave, caso contrário temos o mesmo resultado dos referendos anteriores, chumbados à míngua de eleitores, deliberados para se inviabilizarem leis razoáveis e necessárias, que os extremistas tanto temiam
haja tento ou nem na Europa nos aturam ... e é bom de ver que em mais lugar nenhum se pugna pelos valores consagrados no Tratado, em mais lugar nenhum se tem conseguido segurar a Paz quanto a União Europeia, oxalá perdure e contagie o mundo
2004-10-30
suave português
vi agora que o "Português Suave" perdeu o "Suave"
faz lembrar a "Simplemente Maria" (ao menos não era dobrada em brasilês nem venezuelês, eh eh ...) mas o mal é de quem se lembra, como é que se confessa que nos lembramos de factos milenares, tempos pré-históricos, memórias ancestrais ?
mesmo do "Suave", a que só agora dei pela falta, talvez a queda e respectivo esquecimento se perca nos imemoriais tempos em que entrámos para a CEE ! (quero vê-ê-êr, Portugal, na C-É-É ..., outro eh eh !!!)
e há que reconhecer que era pleonasmo, aliás, já mo tinham dito !
a questão filosófica é se terá perdido a suavidade, embora seja politicamente incorrecto vasculhar no tema, basta o que basta e estamos sempre em perigo de, num momento de precisão, ter que cravar um ... "Português", naturalmente a um português
é que o nome pode ter a ver com a coisa, como pode não ter, mas haverá relação entre nome e qualidade, sabemos o poder da palavra sobre a realidade, daí a poesia, mas o nome é decisivo ? sobre a substância ? é o nome forma ?
também já me tinham dito que no Romeu e Julieta, quando ela o vê apaixona-se logo, mas ao saber do nome desalenta-se, não gosta de “Romeu”; então a aia de Julieta diz-lhe que não importa o nome: acaso a rosa perderia a sua fragrância se não se chamasse rosa ?
há várias teses, todas legítimas
cá para o Ditos, vale a ideia de que o nome é o nome e tem muito a ver:
[...]
se aroma, flor e cor são rosa
também seu belo nome o é ...
mas há que dar razão a quem a tem, de suave nada tinha o "Português", bah
faz lembrar a "Simplemente Maria" (ao menos não era dobrada em brasilês nem venezuelês, eh eh ...) mas o mal é de quem se lembra, como é que se confessa que nos lembramos de factos milenares, tempos pré-históricos, memórias ancestrais ?
mesmo do "Suave", a que só agora dei pela falta, talvez a queda e respectivo esquecimento se perca nos imemoriais tempos em que entrámos para a CEE ! (quero vê-ê-êr, Portugal, na C-É-É ..., outro eh eh !!!)
e há que reconhecer que era pleonasmo, aliás, já mo tinham dito !
a questão filosófica é se terá perdido a suavidade, embora seja politicamente incorrecto vasculhar no tema, basta o que basta e estamos sempre em perigo de, num momento de precisão, ter que cravar um ... "Português", naturalmente a um português
é que o nome pode ter a ver com a coisa, como pode não ter, mas haverá relação entre nome e qualidade, sabemos o poder da palavra sobre a realidade, daí a poesia, mas o nome é decisivo ? sobre a substância ? é o nome forma ?
também já me tinham dito que no Romeu e Julieta, quando ela o vê apaixona-se logo, mas ao saber do nome desalenta-se, não gosta de “Romeu”; então a aia de Julieta diz-lhe que não importa o nome: acaso a rosa perderia a sua fragrância se não se chamasse rosa ?
há várias teses, todas legítimas
cá para o Ditos, vale a ideia de que o nome é o nome e tem muito a ver:
[...]
se aroma, flor e cor são rosa
também seu belo nome o é ...
mas há que dar razão a quem a tem, de suave nada tinha o "Português", bah
2004-10-28
pois desengarrafe-se
diz o Jornal de (Neg)Ócios que o Escritor Robert Louis Stenvenson afirmava que “o vinho é poesia engarrafada”
e que a 6 e 7 de Novembro decorre na FIL, na Junqueira, em Lisboa, um certame intitulado "Encontro com o vinho e sabores"
embora possa ser muito útil à preparação (já há reclames nas ruas, em pleno Outubro ... afinal é quando um centro comercial quiser !!!) da quadra natalícia, é uma notícia (serviço, negócios) sobre sabores (prazeres, ócios) que aparenta mandar às malvas a velha regra que manda separar o trabalho da bebida ... eh eh, já me tinham dito ...
e que a 6 e 7 de Novembro decorre na FIL, na Junqueira, em Lisboa, um certame intitulado "Encontro com o vinho e sabores"
embora possa ser muito útil à preparação (já há reclames nas ruas, em pleno Outubro ... afinal é quando um centro comercial quiser !!!) da quadra natalícia, é uma notícia (serviço, negócios) sobre sabores (prazeres, ócios) que aparenta mandar às malvas a velha regra que manda separar o trabalho da bebida ... eh eh, já me tinham dito ...
2004-10-27
auto-estima pelo cano ou uma grosseria de Emídio Rangel
...
chega a ser indecente ...
a propósito da evolução da apreciação de José Manuel Fernandes sobre a actuação do Ministro Morais Sarmento, o Correio da Manhã dá voz a um comentário tonitroante de Emídio Rangel, de rara infelicidade e de nível tão subterrâneo que soa imediatamente um alerta de perigo: já me tinhas dito, Emídio Rangel
se há mó de cima e mó de baixo, na comunicação social como noutras áreas e profissões, o rancor explicará alguma coisa mas a grosseria e a falta de educação parecem totalmente dispensáveis na mão de quem atira tantas pedras, desvirtuando em absoluto uma análise que tem um ponto de partida lúcido:
- os trambolhões do Director do Público, fazendo recordar profecia várias, como a de que Durão Barroso jamais seria Primeiro Ministro; e
- a fria estratégia do governante Morais Sarmento, corporizando passo a passo o abuso do poder, em calculada e respaldada coerência, a actuação tentacular direita ao controlo dos meios de comunicação social públicos e privados, com grave dano para a liberdade, a democracia e a vida de cada cidadão
mas Emídio Rangel desperdiça argumentos, razão e oportunidade, exibindo mau senso e mau gosto, mau perder e mau ganhar, má prosa e má criação
pelos leitores do Correio da Manhã e pela ética jornalística, quem critica tem que se dar ao respeito, o que deliberadamente falhou a Emídio Rangel; lamentável ...
chega a ser indecente ...
a propósito da evolução da apreciação de José Manuel Fernandes sobre a actuação do Ministro Morais Sarmento, o Correio da Manhã dá voz a um comentário tonitroante de Emídio Rangel, de rara infelicidade e de nível tão subterrâneo que soa imediatamente um alerta de perigo: já me tinhas dito, Emídio Rangel
se há mó de cima e mó de baixo, na comunicação social como noutras áreas e profissões, o rancor explicará alguma coisa mas a grosseria e a falta de educação parecem totalmente dispensáveis na mão de quem atira tantas pedras, desvirtuando em absoluto uma análise que tem um ponto de partida lúcido:
- os trambolhões do Director do Público, fazendo recordar profecia várias, como a de que Durão Barroso jamais seria Primeiro Ministro; e
- a fria estratégia do governante Morais Sarmento, corporizando passo a passo o abuso do poder, em calculada e respaldada coerência, a actuação tentacular direita ao controlo dos meios de comunicação social públicos e privados, com grave dano para a liberdade, a democracia e a vida de cada cidadão
mas Emídio Rangel desperdiça argumentos, razão e oportunidade, exibindo mau senso e mau gosto, mau perder e mau ganhar, má prosa e má criação
pelos leitores do Correio da Manhã e pela ética jornalística, quem critica tem que se dar ao respeito, o que deliberadamente falhou a Emídio Rangel; lamentável ...
2004-10-26
Clara e o contraditório
a título de mera interrogação, pergunto-me se estaremos a deixar progredir (mais) um equívoco, a propósito da vulgarização do conceito de contraditório; talvez por (de)formação jurídica de muit(íssim)os dos intervenientes, sobretudo de entre os mais recentes, após zurzida para lamentar de um Senhor Ministro sobre o monólogo dominical do Senhor Professor Marcelo, creio que se desvirtuou completamente o sentido da antiga (no meu caso, de há anos, mas lembro-me de outros, como por exemplo o Senhor Professor Vital Moreira, já em causa mas na era pré-blogostórica) reclamação ou exigência de contraditório, caindo-se em patente confusão
primeiro, requeria-se contraditório ao Senhor Professor Marcelo por se considerar que estaria em (pré-)campanha eleitoral, para cargo indefinido mas de alta posição no Estado - Primeiro-Ministro, pois foi chefe de partido de poder; Presidente da República, pois que adoptou em tempos atitudes suficientemente ambíguas, no mínimo, para legitimar a atribuição muito generalizada da condição de candidato
ou seja, era a (ex)posição especial de usar de tribuna confundível com tempo de antena encapotado que abria o flanco à exigência de contraditório, para atenuar uma vantagem competitiva desleal de que não beneficiavam outros (pseudo)candidatos, assumidos ou nem por isso; razão porque caía mal o privilégio e se pedia que se dispusesse ao contraditório, tal como aliás se exige a quem exerce o poder
presentemente, a exigência de contraditório vem rotulada em moldes totalmente distintos, exigindo-se-lhe agora por comentar desenfreadamente os episódios dos membros do governo
ora, em política (em direito e sobretudo na prática forense e administrativa, o contraditório tem ainda a ver com a procura de restabelecimento da igualdade de armas entre contendores, enfim, para permitir o confronto, ainda que por vezes só a título formal, de posições e perspectivas diferentes, mas tem também subjacente a ideia de permitir alguma forma de intervenção à parte contra quem é proferida uma acusação, instância, decisão, etc., ou seja, o contraditório é contra a parte mais forte) o contraditório é tipicamente exigível para vigiar, fiscalizar e moderar o exercício do poder - ou seja, há contraditório quando se permitem meios de acção, argumentação e prova contra a posição "oficial" dos titulares do poder, estes por definição dotados de meios de execução e influência
escusado será acrescentar que o contraditório é condição mínima, mas não suficiente, de democracia; e é precisamente por isso que é necessário que a democracia se alimente de contraditório, interpelando os titulares do poder e denunciando o seu exercício abusivo
é para isso que servem os comentadores, os cronistas, os analistas, os editoriais - quer na perspectiva estritamente política, para demonstração da plausibilidade e até justeza ou virtude de soluções alternativas, abordagens diferentes, necessidade de contextualização, etc, quer na perspectiva jurídica, examinando a legalidade e regularidade dos actos em que se traduz os exercício do poder, ou ainda na novel análise e avaliação económica das decisões jurídicas e políticas, obrigando os detentores do poder a justificarem os fundamentos e a racionalidade das suas medidas e opções, ou a arcarem com o ónus da sua ausência ou desproporção
concluindo, creio que em política há contraditório se houver críticos, ainda que se excedam - contra o excesso político basta ao detentor do poder demonstrar a legitimidade política dos seus actos; contra outros excessos há meios adicionais, de direito, desde que merecedores de tutela - e não há contraditório, ainda que haja comentadores e comentários, se não houver críticas ! eis o equívoco !!
se houver livre opinião e crítica, ainda não estamos seguros de que haja democracia; se não houver jornais e jornalistas livres, estamos seguros de que não há democracia
e depois de ver (Eduardo Cintra Torres, no Jornal de Negócios, entre outros) escrito que ia uma santaneta para o Diário de Notícias, fazer o jeito ao Governo, é de louvar a coragem de Clara Ferreira Alves, ao recusar a Direcção do periódico da PT, digo, do Marquês, afirmandio que não é ela quem mais fica a perder ...
espero bem que já me tenhas dito, Clara
primeiro, requeria-se contraditório ao Senhor Professor Marcelo por se considerar que estaria em (pré-)campanha eleitoral, para cargo indefinido mas de alta posição no Estado - Primeiro-Ministro, pois foi chefe de partido de poder; Presidente da República, pois que adoptou em tempos atitudes suficientemente ambíguas, no mínimo, para legitimar a atribuição muito generalizada da condição de candidato
ou seja, era a (ex)posição especial de usar de tribuna confundível com tempo de antena encapotado que abria o flanco à exigência de contraditório, para atenuar uma vantagem competitiva desleal de que não beneficiavam outros (pseudo)candidatos, assumidos ou nem por isso; razão porque caía mal o privilégio e se pedia que se dispusesse ao contraditório, tal como aliás se exige a quem exerce o poder
presentemente, a exigência de contraditório vem rotulada em moldes totalmente distintos, exigindo-se-lhe agora por comentar desenfreadamente os episódios dos membros do governo
ora, em política (em direito e sobretudo na prática forense e administrativa, o contraditório tem ainda a ver com a procura de restabelecimento da igualdade de armas entre contendores, enfim, para permitir o confronto, ainda que por vezes só a título formal, de posições e perspectivas diferentes, mas tem também subjacente a ideia de permitir alguma forma de intervenção à parte contra quem é proferida uma acusação, instância, decisão, etc., ou seja, o contraditório é contra a parte mais forte) o contraditório é tipicamente exigível para vigiar, fiscalizar e moderar o exercício do poder - ou seja, há contraditório quando se permitem meios de acção, argumentação e prova contra a posição "oficial" dos titulares do poder, estes por definição dotados de meios de execução e influência
escusado será acrescentar que o contraditório é condição mínima, mas não suficiente, de democracia; e é precisamente por isso que é necessário que a democracia se alimente de contraditório, interpelando os titulares do poder e denunciando o seu exercício abusivo
é para isso que servem os comentadores, os cronistas, os analistas, os editoriais - quer na perspectiva estritamente política, para demonstração da plausibilidade e até justeza ou virtude de soluções alternativas, abordagens diferentes, necessidade de contextualização, etc, quer na perspectiva jurídica, examinando a legalidade e regularidade dos actos em que se traduz os exercício do poder, ou ainda na novel análise e avaliação económica das decisões jurídicas e políticas, obrigando os detentores do poder a justificarem os fundamentos e a racionalidade das suas medidas e opções, ou a arcarem com o ónus da sua ausência ou desproporção
concluindo, creio que em política há contraditório se houver críticos, ainda que se excedam - contra o excesso político basta ao detentor do poder demonstrar a legitimidade política dos seus actos; contra outros excessos há meios adicionais, de direito, desde que merecedores de tutela - e não há contraditório, ainda que haja comentadores e comentários, se não houver críticas ! eis o equívoco !!
se houver livre opinião e crítica, ainda não estamos seguros de que haja democracia; se não houver jornais e jornalistas livres, estamos seguros de que não há democracia
e depois de ver (Eduardo Cintra Torres, no Jornal de Negócios, entre outros) escrito que ia uma santaneta para o Diário de Notícias, fazer o jeito ao Governo, é de louvar a coragem de Clara Ferreira Alves, ao recusar a Direcção do periódico da PT, digo, do Marquês, afirmandio que não é ela quem mais fica a perder ...
espero bem que já me tenhas dito, Clara
2004-10-18
crónica do solitário
voltou "a" crónica ! ! !
há coisas assim, sejam o que forem ...
para quem se habituou a ler "A casa encantada", esta sexta-feira houve brinde, mesmo se lida só no sábado
sim, está de volta João Bénard da Costa, o da Cinemateca onde se pode perceber que há vida para além da americanalhada que nos enxameia os sucedâneos dos nimas, lá onde se aprende Rhomer, Trufaut, Godard, já para não falar dos mais antigos e também dos americanos que valiam a pena, da cor e poesia mesmo no preto e branco, no mudo, etc., os ciclos, sessões agendadas, horas na bilheteira, a fio, a saborear os programas, ficar para uns debates, discutir tudo até à última nota de vinte, guardada para o último eléctrico da recolha a Santo Amaro, afinal gasta na última imperial ... para o caminho
pois se voltou, agora é ficar com o Público à sexta, para ler quando puder ser, sem dúvida a melhor das nossas crónicas
e temos das boas: logo no mesmo periódico, mais cedo ou mais tarde como quem pisca o olho aos leitores do Diário de Lisboa, "O fio do horizonte" de Eduardo Prado Coelho, o cronista premiado - curiosamente também premiado pelo Inimigo Público, que tem olho; depois, na Xis, Fayza Hayat, a quem alguém que eu cá sei anda a pensar escrever cartas de amor; na Visão, António Lobo Antunes, cada vez mais assumido; o meu irmão angolano José Eduardo Agualusa, na Pública; no DN, que tem perdido os bons, João Céu Silva, à espera de um jardim no bairro do Arco do Cego; Carlos Quevedo, no DNA; o de “La Cancha”, não me lembro agora onde mas que escreve, sobre tudo, sobre a vida, disfarçado na página do futebol; no Expresso, passe o pedantismo, reconheça-se jeito à Pluma Caprichosa, de Clara Ferreira Alves; a genial Clara Pinto Correia, onde quer que escreva; no Jornal de Negócios, Manuel Falcão, este é cá dos blogs n’A Esquina do Rio; n’A Capital, Jacinto Lucas Pires começa a impor-se; e tantos, tantos de outros e de nós, que escrevemos umas vezes bem e outras também, incluindo as crónicas prometidas, que bem que sabem, e as que esperamos, mesmo sem saber se chegam
mas vamos ao jametinhasdito do Bénard: ainda não me passaram os pintores, da luz e das cores; tantos cineastas e escritores, Manuel de Oliveira sempre, Agustina sempre; os palácios de Génova; etc. só para ficar pelos temas mais recentes
e agora cai-nos a Arrábida e perdemo-nos nos trilhos labirínticos das infâncias e das vidas lá feitas, afinal fomos ambientalistas antes de haver ambientalismo – mas, como diz quem sabe muito, entretanto houve distracções – e os caminhos ainda se podem recuperar, que nem tudo arde
é por alguns deles que vamos parar – para tomar balanço, pois então – às memórias do solitário de quem não está nada só mas tem razão em sentir-se, em tantas coisas, solitário
Arrábida adentro, está de volta a melhor crónica do planeta e a partida para o fim de semana já está ganha ! ! !
há coisas assim, sejam o que forem ...
para quem se habituou a ler "A casa encantada", esta sexta-feira houve brinde, mesmo se lida só no sábado
sim, está de volta João Bénard da Costa, o da Cinemateca onde se pode perceber que há vida para além da americanalhada que nos enxameia os sucedâneos dos nimas, lá onde se aprende Rhomer, Trufaut, Godard, já para não falar dos mais antigos e também dos americanos que valiam a pena, da cor e poesia mesmo no preto e branco, no mudo, etc., os ciclos, sessões agendadas, horas na bilheteira, a fio, a saborear os programas, ficar para uns debates, discutir tudo até à última nota de vinte, guardada para o último eléctrico da recolha a Santo Amaro, afinal gasta na última imperial ... para o caminho
pois se voltou, agora é ficar com o Público à sexta, para ler quando puder ser, sem dúvida a melhor das nossas crónicas
e temos das boas: logo no mesmo periódico, mais cedo ou mais tarde como quem pisca o olho aos leitores do Diário de Lisboa, "O fio do horizonte" de Eduardo Prado Coelho, o cronista premiado - curiosamente também premiado pelo Inimigo Público, que tem olho; depois, na Xis, Fayza Hayat, a quem alguém que eu cá sei anda a pensar escrever cartas de amor; na Visão, António Lobo Antunes, cada vez mais assumido; o meu irmão angolano José Eduardo Agualusa, na Pública; no DN, que tem perdido os bons, João Céu Silva, à espera de um jardim no bairro do Arco do Cego; Carlos Quevedo, no DNA; o de “La Cancha”, não me lembro agora onde mas que escreve, sobre tudo, sobre a vida, disfarçado na página do futebol; no Expresso, passe o pedantismo, reconheça-se jeito à Pluma Caprichosa, de Clara Ferreira Alves; a genial Clara Pinto Correia, onde quer que escreva; no Jornal de Negócios, Manuel Falcão, este é cá dos blogs n’A Esquina do Rio; n’A Capital, Jacinto Lucas Pires começa a impor-se; e tantos, tantos de outros e de nós, que escrevemos umas vezes bem e outras também, incluindo as crónicas prometidas, que bem que sabem, e as que esperamos, mesmo sem saber se chegam
mas vamos ao jametinhasdito do Bénard: ainda não me passaram os pintores, da luz e das cores; tantos cineastas e escritores, Manuel de Oliveira sempre, Agustina sempre; os palácios de Génova; etc. só para ficar pelos temas mais recentes
e agora cai-nos a Arrábida e perdemo-nos nos trilhos labirínticos das infâncias e das vidas lá feitas, afinal fomos ambientalistas antes de haver ambientalismo – mas, como diz quem sabe muito, entretanto houve distracções – e os caminhos ainda se podem recuperar, que nem tudo arde
é por alguns deles que vamos parar – para tomar balanço, pois então – às memórias do solitário de quem não está nada só mas tem razão em sentir-se, em tantas coisas, solitário
Arrábida adentro, está de volta a melhor crónica do planeta e a partida para o fim de semana já está ganha ! ! !
2004-10-17
Sabem o que é lenha ?
a caminho de um promissor fim de semana rural, o SMS dizia: sigam A6 até saída Estremoz, direcção Portalegre, na rotunda NÃO virar p/ Sousel, continuar estrada p/ Portalegre, virar esquerda indicação Santo Amaro, logo direita Monte Novo da Courela
quem cumpriu mais ou menos, na Aldeia teve que perguntar; respondeu um ancião, de gesto largo: é seguir p’ra diante e depois virar à direita além onde está um monte de lenha ...
suspensos gesto e viajantes, o ancião indagou: sabem o que é lenha ?
jámetinhasdito ó Compadre ! ! !
depois foi pousar malas, calçar botas, tratar cavalos, conduzir gado, marcar bezerros e almoçar às tantas, depois de paragens técnicas nas redondezas a provar ensopado e febras
mas lá se arranjou maneira de encaixar uma sopinha, umas migas (de pão e de puré) e um segredo à base de pêras em leite condensado ...
depois da sesta, volteio numa égua de paciência infinita e outros passeios que tais, até à recolha junto à lareira generosa e acolhedora
à janta, orelhas de entrada, frango de tomate, carnes alentejanas e doces conventuais para amparar uma bela noite de fado, em oração, com um João Paulo profissional (veio de Vendas Novas !) e outro amador, além de voluntários vários que foram adiando o final do serão
ah ! as fatias douradas ao pequeno almoço ...
quem cumpriu mais ou menos, na Aldeia teve que perguntar; respondeu um ancião, de gesto largo: é seguir p’ra diante e depois virar à direita além onde está um monte de lenha ...
suspensos gesto e viajantes, o ancião indagou: sabem o que é lenha ?
jámetinhasdito ó Compadre ! ! !
depois foi pousar malas, calçar botas, tratar cavalos, conduzir gado, marcar bezerros e almoçar às tantas, depois de paragens técnicas nas redondezas a provar ensopado e febras
mas lá se arranjou maneira de encaixar uma sopinha, umas migas (de pão e de puré) e um segredo à base de pêras em leite condensado ...
depois da sesta, volteio numa égua de paciência infinita e outros passeios que tais, até à recolha junto à lareira generosa e acolhedora
à janta, orelhas de entrada, frango de tomate, carnes alentejanas e doces conventuais para amparar uma bela noite de fado, em oração, com um João Paulo profissional (veio de Vendas Novas !) e outro amador, além de voluntários vários que foram adiando o final do serão
ah ! as fatias douradas ao pequeno almoço ...
2004-10-10
o que diz Moniz ?
nada
um nada que é algo
ou seja, um nada que não o é
é o preço a pagar, diz Moniz
é a digressão, à falta de argumento
é a invocação de autoridade sem motivação
a convocada independência, se lá estivesse, viria a terreiro e dispensaria auto-proclamação
segundo Moniz, os jornalistas da TVI são independentes porque sim
porque é que não se nota ?
nada, diz
jametinhasdito
um nada que é algo
ou seja, um nada que não o é
é o preço a pagar, diz Moniz
é a digressão, à falta de argumento
é a invocação de autoridade sem motivação
a convocada independência, se lá estivesse, viria a terreiro e dispensaria auto-proclamação
segundo Moniz, os jornalistas da TVI são independentes porque sim
porque é que não se nota ?
nada, diz
jametinhasdito
2004-10-09
Plantar a paz
Wangari Maathai, cientista e governante queniana, ontem laureada com o Prémio Nobel da Paz, luta desde há décadas por causas antigas, hoje designadas genericamente por “sustentabilidade”.
É o próprio desenvolvimento sustentável que é nomeado, com a coincidência feliz do reconhecimento de uma mulher africana que de há muito e laboriosamente vem desenvolvendo uma intensa luta pela preservação da biodiversidade como pressuposto de melhores condições de vida para os africanos, em especial para as mulheres africanas, visando o equilíbrio do planeta em geral mas com aposta clara na viabilidade ecológica, cultural e económica.
Nessa luta, Wangari tem combatido nos planos científico, social e político, na oposição e no poder, permanecendo em campanha pelos direitos humanos e por um Monte Quénia verdejante, semeando a paz em cada árvore plantada para transmitir um mundo condigno às novas e futuras gerações.
Mais mulheres: o Nobel da Paz, em 2003, tinha sido atribuído a uma advogada iraniana, Shirin Ebadi; também ontem, o Nobel da Literatura premiou a romancista e dramaturga austríaca Elfriede Jelinek.
Sem feminismos, vai um jametinhasdito contra a prepotência patriarcal que – em muitas sociedades, actualissimamente – além do mais vem destruindo o mundo e o ameaça, rarefazendo os bens naturais e promovendo a barbárie em sua disputa, comprometendo o presente e o futuro da humanidade e do acesso universal a uma vida culta, pacífica e fraterna.
África, Mulher, Árvore, Paz ... é um sonho !!! mas será só ilusão ? será demais sonhar o sonho a perdurar ?
É o próprio desenvolvimento sustentável que é nomeado, com a coincidência feliz do reconhecimento de uma mulher africana que de há muito e laboriosamente vem desenvolvendo uma intensa luta pela preservação da biodiversidade como pressuposto de melhores condições de vida para os africanos, em especial para as mulheres africanas, visando o equilíbrio do planeta em geral mas com aposta clara na viabilidade ecológica, cultural e económica.
Nessa luta, Wangari tem combatido nos planos científico, social e político, na oposição e no poder, permanecendo em campanha pelos direitos humanos e por um Monte Quénia verdejante, semeando a paz em cada árvore plantada para transmitir um mundo condigno às novas e futuras gerações.
Mais mulheres: o Nobel da Paz, em 2003, tinha sido atribuído a uma advogada iraniana, Shirin Ebadi; também ontem, o Nobel da Literatura premiou a romancista e dramaturga austríaca Elfriede Jelinek.
Sem feminismos, vai um jametinhasdito contra a prepotência patriarcal que – em muitas sociedades, actualissimamente – além do mais vem destruindo o mundo e o ameaça, rarefazendo os bens naturais e promovendo a barbárie em sua disputa, comprometendo o presente e o futuro da humanidade e do acesso universal a uma vida culta, pacífica e fraterna.
África, Mulher, Árvore, Paz ... é um sonho !!! mas será só ilusão ? será demais sonhar o sonho a perdurar ?
2004-10-08
Extraordinária Assembleia
António Modesto Navarro, Presidente da Assembleia Municipal de Lisboa (Telefone: 218 435 130, Fax: 218 465 039)
, convoca uma sessão extraordinária para o dia 12 de Outubro de 2004, pelas 15.00 horas, no Forum Lisboa, à Avenida de Roma, 14, para apreciação do Estudo de Impacto Ambiental do Túúúúúnel do Marquês.
Certo ?
Bem, o aviso esclarece, com sublinhados próprios, que a reunião não terá período de "Intervenção do Público”, nem período de “Antes da ordem do dia”.
Tá claro ?
Ó jámetinhamdito ?
, convoca uma sessão extraordinária para o dia 12 de Outubro de 2004, pelas 15.00 horas, no Forum Lisboa, à Avenida de Roma, 14, para apreciação do Estudo de Impacto Ambiental do Túúúúúnel do Marquês.
Certo ?
Bem, o aviso esclarece, com sublinhados próprios, que a reunião não terá período de "Intervenção do Público”, nem período de “Antes da ordem do dia”.
Tá claro ?
Ó jámetinhamdito ?
2004-10-06
descer à terra
cantigamente
(ou nem tanto)
ainda há dias blogava a respeito de crítica do Prof. Jorge Bacela Gouveia à crítica dominical do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa; curiosamente, no dia seguinte Miguel Sousa Tavares, no Público, explorou também o tema...
entretanto, a incomodidade de sectores ligados ao actual Governo foi crescendo e recrudescendo, com as correspondentes manifestações
ontem reparei que o Prof. Marcelo rebelo de Sousa saíu a terreiro, devagarinho, a dizer que só comentava aos domingos, no tempo de antena habitual pago pela TVI
- que não senhor, não saía !! pois afinal saíu ...
jámetinhasdito, oh Prof. Marcelo
mas já se está por aí a ouvir "volta Marcelo"
se era falta de contraditório, agora falta o ditório, falta o contra, falta tudo ...
cá para o Ditos, o regresso de Marcelo à terra faz lembrar o bilhete só de ida que o "Expresso há uns anos ofereceu a João Carreira Bom
há perigo na esquina, avisava Elis Regina !!?
(ou nem tanto)
ainda há dias blogava a respeito de crítica do Prof. Jorge Bacela Gouveia à crítica dominical do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa; curiosamente, no dia seguinte Miguel Sousa Tavares, no Público, explorou também o tema...
entretanto, a incomodidade de sectores ligados ao actual Governo foi crescendo e recrudescendo, com as correspondentes manifestações
ontem reparei que o Prof. Marcelo rebelo de Sousa saíu a terreiro, devagarinho, a dizer que só comentava aos domingos, no tempo de antena habitual pago pela TVI
- que não senhor, não saía !! pois afinal saíu ...
jámetinhasdito, oh Prof. Marcelo
mas já se está por aí a ouvir "volta Marcelo"
se era falta de contraditório, agora falta o ditório, falta o contra, falta tudo ...
cá para o Ditos, o regresso de Marcelo à terra faz lembrar o bilhete só de ida que o "Expresso há uns anos ofereceu a João Carreira Bom
há perigo na esquina, avisava Elis Regina !!?
habemus capital
é 5 de Outubro e folga-se; antes do pequeno almoço, estira-se a vista pela jornalama espraiada sobre a banca; nesta, destaca-se A Capital; porquê ? porque interessa; e é assim que se compra um jornal, por apresentar assuntos de interesse !
com efeito, por entre a massa das primeiras páginas matinais, que as que tentam captar e retribuir o olhar e a atenção do possível comprador, sai n’A Capital a renúncia de Carlos Carvalhas
os outros, nada ...
mesmo o publico.pt, só às duas da tarde deu pelo caso
por esta e por outras, reparo agora que de há tempos para cá compro A Capital bem mais do que esporadicamente; e vejamos, só p‘ra deitar o dente à edição de hoje: além da antecipação e do destaque em si, o tratamento dado, no conjunto do editorial e do tratamento noticioso, afigura-se bem temperado, o q.b. de cozedura e condimento, dá voz às diversas sensibilidades e afinidades do PCP, faz algum malabarismo para despistar a fonte, como convém, mas de leitura directa o suficiente e mais não faz falta, ou seja, temos Capital
já agora, acrescente-se o grafismo equilibrado, sem carrossel, a boa apresentação das notícias e das análises, bons cronistas, do senior Appio Sottomayor ao júnior cada vez mais apessoado Jacinto Lucas Pires, entre outros; a bela secção blogosférica; a magnífica secção de cultura; o desporto em bom plano, sem correrias, como é exemplo a análise objectiva, sensata e isenta na denúncia da arbitragem prejudicial ao Belenenses, onde é que eu já vi isto (!) incluindo uma interessante página de xadrez – sim, no desporto, além do problema de xadrez na secção de passatempos;
as páginas parecem arrumadas, sem amálgamas, dá gosto ver – uma página, um assunto, com desenvolvimento adequado; dou um exemplo: a secção Mundo tem uma página sobre o Nobel da Medicina, lá se diz que uns cientistas andaram a cheirar o olfacto e ajudaram a compreender e a explicar o processo genético e cerebral de identificação dos cheiros, processo que nos individualiza, afinal uma defesa da natureza em busca de assegurar a sobrevivência, através da ... biodiversidade ! onde é que já ouvimos isto ? bem, estas descobertas científicas também ajudam a superar problemas médicos, daí também a atribuição do prémio e respectivos milhões
enfim, um jornal que tem notícias (o que não sucede a todos, hoje em dia sabe-se tudo primeiro pela rádio, televisão e internet) e análises, temas de investigação - as "famílias", bem estruturado e actualíssimo, com informação e interrogações: há uma nova sociedade por força da evolução do conceito de família, há aspectos práticos e jurídicos relevantes, sociais e individuais, há novos "valores" ou "falta de valores" ? - tudo com conta, peso e medida, é assim que um jornal tem interesse
jametinhas dito, ó Capital
com efeito, por entre a massa das primeiras páginas matinais, que as que tentam captar e retribuir o olhar e a atenção do possível comprador, sai n’A Capital a renúncia de Carlos Carvalhas
os outros, nada ...
mesmo o publico.pt, só às duas da tarde deu pelo caso
por esta e por outras, reparo agora que de há tempos para cá compro A Capital bem mais do que esporadicamente; e vejamos, só p‘ra deitar o dente à edição de hoje: além da antecipação e do destaque em si, o tratamento dado, no conjunto do editorial e do tratamento noticioso, afigura-se bem temperado, o q.b. de cozedura e condimento, dá voz às diversas sensibilidades e afinidades do PCP, faz algum malabarismo para despistar a fonte, como convém, mas de leitura directa o suficiente e mais não faz falta, ou seja, temos Capital
já agora, acrescente-se o grafismo equilibrado, sem carrossel, a boa apresentação das notícias e das análises, bons cronistas, do senior Appio Sottomayor ao júnior cada vez mais apessoado Jacinto Lucas Pires, entre outros; a bela secção blogosférica; a magnífica secção de cultura; o desporto em bom plano, sem correrias, como é exemplo a análise objectiva, sensata e isenta na denúncia da arbitragem prejudicial ao Belenenses, onde é que eu já vi isto (!) incluindo uma interessante página de xadrez – sim, no desporto, além do problema de xadrez na secção de passatempos;
as páginas parecem arrumadas, sem amálgamas, dá gosto ver – uma página, um assunto, com desenvolvimento adequado; dou um exemplo: a secção Mundo tem uma página sobre o Nobel da Medicina, lá se diz que uns cientistas andaram a cheirar o olfacto e ajudaram a compreender e a explicar o processo genético e cerebral de identificação dos cheiros, processo que nos individualiza, afinal uma defesa da natureza em busca de assegurar a sobrevivência, através da ... biodiversidade ! onde é que já ouvimos isto ? bem, estas descobertas científicas também ajudam a superar problemas médicos, daí também a atribuição do prémio e respectivos milhões
enfim, um jornal que tem notícias (o que não sucede a todos, hoje em dia sabe-se tudo primeiro pela rádio, televisão e internet) e análises, temas de investigação - as "famílias", bem estruturado e actualíssimo, com informação e interrogações: há uma nova sociedade por força da evolução do conceito de família, há aspectos práticos e jurídicos relevantes, sociais e individuais, há novos "valores" ou "falta de valores" ? - tudo com conta, peso e medida, é assim que um jornal tem interesse
jametinhas dito, ó Capital
2004-09-24
Comentário a comentário(*) de falta de comentário ao comentário de comentadores ... não é muita comentadoria ???
Subtítulo: o Ditos roeu a página 9 do DN de 22 de Setembro
(*) Eu cá não consigo aceder via net mas supostamente deveria aparecer em: http://dn.sapo.pt/cronica/mostra_cronica.asp?codCronica=8062&codEdicao=1243#top
Em suculentas crónicas - “A torto e a direito” - semanais, o Prof. Dr. Jorge Bacelar Gouveia, tem oferecido aos leitores do DN muita opinião que me parece bastante mais de direita que de torta (há uns anos havia no DE, isso sim, uma crónica “A torto e a direito”, esta bem mais a torto... de António Almeida, antes do London Smile, que acabou com o L no coração) e nesta edição (ainda ontem, eh eh) atacou o comentador Prof. Marcelo Rebelo de Sousa.
É que aos domingos, diz, “está em causa um trend de crítica subliminar ...” aos governos de Durão Barroso e Santana Lopes; e explica os respectivos porquês e inconvenientes, que para aqui pouco interessa, por agora ...
Ora, então o que interessa agora ?
Podia começar-se pelo título, muito mais genérico que subliminar: a pretexto da indagação “Quem comenta os comentadores ?”, o cronista exprime-se exclusivamente sobre um comentador. De tão genérico título a tão específico alvo vai uma insanável contradição, sinto.
Podia continuar-se seguindo o intróito da crónica: que a opinião pública se rende acriticamente aos profissionais do comentário (da crónica ?) o que é um “mau hábito” susceptível de degradar “a qualidade da nossa Democracia” nesta matéria.
Direi que nunca me rendi acriticamente aos comentadores, dos mais variados painéis, e que nunca senti que tal tenha ocorrido a algum sector da sociedade ou da opinião pública. Em claro exemplo contrário, veja-se como os comentadores se comentam uns aos outros, assiduamente, muitas vezes com demasiada simultaneidade e veemência, outras na recíproca e tabelar continuidade de referências com que recheiam (e até alimentam) as respectivas crónicas e comentários; para mais no caso concreto do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa há muitos anos que lhe invectivam a florentina intervenção como “opinion maker”, mesmo antes da prédica familiar dominical paga pela TVI.
Por outro lado, como esquecer as denúncias e os ataques aos comentadores “paineleiros”, quer de sectores meramente boçais quer da nata intelectual e que em nada impediu a progressiva ascensão individual, social e política de tão comentados comentadores ...
Lembro-me até de deliciosos ensaios sobre os denominados “totalistas”, pertencentes à variante de comentadores que se reclamam, mais do que generalistas, autênticos especialistas de todas as especialidades !
Voltemos então ao problema de fundo, indentificando-se as “normas fundamentais” / “regras mais elementares” / fundamentais regras” a que, afinal, desobedece “o comentário político – mas também os outros tipos de comentário”. Bem vistas as coisas a crónica em análise só indica uma: a “isenção dos comentadores”.
Ora, o comentário é servido, valorizados e favorecido muito pela especial posição de cada comentador relativamente ao tema comentado. A isenção é excelente para o bom exercício das funções de juiz, de árbitro e, em geral, de quem exerce o poder. A quem comenta e critica pede-se que saiba do que está a falar, de preferência que nos informe de que ponto de vista parte ou está associado, que interesses defende, etc. Impróprio é que se reivindique isento quando é parte. Quando permita, favoreça ou se aproveite da ambiguidade, incerteza ou desconhecimento do campo em que se posiciona. Há comentadores de todos os clubes, empresas, religiões e partidos. O seu contributo é avançar com perspectivas e argumentos que nos elucidem dos factos e da sua avaliação, com a refutação de argumentos contrários, com a denúncia de abusos de direito ou de poder, que nos enriqueçam com o que sabem e com o que pensam. Para melhor formarmos opinião, para se criticar melhor, mais informadamente, com recurso a raciocínios mais elaborados, fundamentados e claros.
Nã, a isenção não é requisito para comentar. Também nesta crónica, Prof. Jorge Bacelar Gouveia defende o poder, sem argumento convincente.
E ... com isenção ?. No mesmo jornal, duas páginas antes, o DN dá conta de que o Prof. Jorge Bacelar Gouveia será eleito Presidente do “Conselho de Fiscalização (CF) dos Serviços de Informações, vulgo secretas.”
Escreve o DN que o Prof. Jorge “Bacelar Gouveia (...) já foi membro do Conselho de Jurisdição do PSD e é, de há muito, politicamente próximo de Santana Lopes.” Sendo inquestionável a competência académica e profissional do Prof. Jorge Bacelar Gouveia, nenhuma isenção pode invocar para defender o poder ou atacar os críticos do poder.
Pode invocar factos e argumentos, ciência e opinião, mas não isenção.
De todo o modo, a isenção de um comentador não é precisa - a menos que o próprio a invoque em seu benefício ou a tente exigir aos demais, como é o caso. Jámetinhamdito!
Ah ! O Prof. Jorge Bacelar Gouveia está forrado de razão quanto à inacreditável "falta de contraditório" de tão gigantesco tempo de antena de que goza o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, embora a careca, há muito descoberta, esteja à vista de todos, sendo tal crítica generalizada e velhinha como a Sé de Braga, eh eh
Enfim, aproveitando a ocasião deste modesto comentário, então não se vê que esta página 9 do DN de quarta-feira 22 de Setembro está de feição, justamente no que toca a isenção ?
Acima do jametinhasdito comentário do Prof. Jorge Bacelar Gouveia, há “As quartadas”, de Vasco Graça Moura, e “Linhas direitas”, de Luís Delagado, que também merecem leitura atenta e proveitosa.
No conjunto, esta excelente página direita deve ser das páginas mais inclinadas da imprensa portuguesa, enfim, da que frequento.
Vejamos: na primeira, Vasco (o da) Graça Moura - reputado por muitas reconhecidas qualidades, profissionais, políticas e literárias (as que prefiro) mas também por ser, enquanto comentador, mais cavaquista que Cavaco – transpira sofrimento e auto-violentação na glosa sobre “Embandeirar em barco”. É que deve custar-lhe muito defender a actual política avestruzenta de humilhar, martirizar e criminalizar as mulheres, degradando arriscadamente as condições em que se praticam abortos. Tanto que não o defende, antes atacando, aliás habilmente, o espalhafato e aproveitamento abusivo da embarcação abortiva de importação. Com o honesto reconhecimento “de que a mulher grávida deve poder decidir em sua consciência nessa delicada questão”.
Ainda mais à direita, Luís Delgado, jornalista, bate forte nas atrapalhações do Governo, causadoras de “natural ansiedade e tensão” na problemática das listagens de professores. E lá dá a sua listagem de averiguações a empreender.
Impõe-se um jámetinhadito final - com tanta direita a bater (de criar bicho) em tanta direita, é caso para perguntar: onde pára a esquerda ?
(*) Eu cá não consigo aceder via net mas supostamente deveria aparecer em: http://dn.sapo.pt/cronica/mostra_cronica.asp?codCronica=8062&codEdicao=1243#top
Em suculentas crónicas - “A torto e a direito” - semanais, o Prof. Dr. Jorge Bacelar Gouveia, tem oferecido aos leitores do DN muita opinião que me parece bastante mais de direita que de torta (há uns anos havia no DE, isso sim, uma crónica “A torto e a direito”, esta bem mais a torto... de António Almeida, antes do London Smile, que acabou com o L no coração) e nesta edição (ainda ontem, eh eh) atacou o comentador Prof. Marcelo Rebelo de Sousa.
É que aos domingos, diz, “está em causa um trend de crítica subliminar ...” aos governos de Durão Barroso e Santana Lopes; e explica os respectivos porquês e inconvenientes, que para aqui pouco interessa, por agora ...
Ora, então o que interessa agora ?
Podia começar-se pelo título, muito mais genérico que subliminar: a pretexto da indagação “Quem comenta os comentadores ?”, o cronista exprime-se exclusivamente sobre um comentador. De tão genérico título a tão específico alvo vai uma insanável contradição, sinto.
Podia continuar-se seguindo o intróito da crónica: que a opinião pública se rende acriticamente aos profissionais do comentário (da crónica ?) o que é um “mau hábito” susceptível de degradar “a qualidade da nossa Democracia” nesta matéria.
Direi que nunca me rendi acriticamente aos comentadores, dos mais variados painéis, e que nunca senti que tal tenha ocorrido a algum sector da sociedade ou da opinião pública. Em claro exemplo contrário, veja-se como os comentadores se comentam uns aos outros, assiduamente, muitas vezes com demasiada simultaneidade e veemência, outras na recíproca e tabelar continuidade de referências com que recheiam (e até alimentam) as respectivas crónicas e comentários; para mais no caso concreto do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa há muitos anos que lhe invectivam a florentina intervenção como “opinion maker”, mesmo antes da prédica familiar dominical paga pela TVI.
Por outro lado, como esquecer as denúncias e os ataques aos comentadores “paineleiros”, quer de sectores meramente boçais quer da nata intelectual e que em nada impediu a progressiva ascensão individual, social e política de tão comentados comentadores ...
Lembro-me até de deliciosos ensaios sobre os denominados “totalistas”, pertencentes à variante de comentadores que se reclamam, mais do que generalistas, autênticos especialistas de todas as especialidades !
Voltemos então ao problema de fundo, indentificando-se as “normas fundamentais” / “regras mais elementares” / fundamentais regras” a que, afinal, desobedece “o comentário político – mas também os outros tipos de comentário”. Bem vistas as coisas a crónica em análise só indica uma: a “isenção dos comentadores”.
Ora, o comentário é servido, valorizados e favorecido muito pela especial posição de cada comentador relativamente ao tema comentado. A isenção é excelente para o bom exercício das funções de juiz, de árbitro e, em geral, de quem exerce o poder. A quem comenta e critica pede-se que saiba do que está a falar, de preferência que nos informe de que ponto de vista parte ou está associado, que interesses defende, etc. Impróprio é que se reivindique isento quando é parte. Quando permita, favoreça ou se aproveite da ambiguidade, incerteza ou desconhecimento do campo em que se posiciona. Há comentadores de todos os clubes, empresas, religiões e partidos. O seu contributo é avançar com perspectivas e argumentos que nos elucidem dos factos e da sua avaliação, com a refutação de argumentos contrários, com a denúncia de abusos de direito ou de poder, que nos enriqueçam com o que sabem e com o que pensam. Para melhor formarmos opinião, para se criticar melhor, mais informadamente, com recurso a raciocínios mais elaborados, fundamentados e claros.
Nã, a isenção não é requisito para comentar. Também nesta crónica, Prof. Jorge Bacelar Gouveia defende o poder, sem argumento convincente.
E ... com isenção ?. No mesmo jornal, duas páginas antes, o DN dá conta de que o Prof. Jorge Bacelar Gouveia será eleito Presidente do “Conselho de Fiscalização (CF) dos Serviços de Informações, vulgo secretas.”
Escreve o DN que o Prof. Jorge “Bacelar Gouveia (...) já foi membro do Conselho de Jurisdição do PSD e é, de há muito, politicamente próximo de Santana Lopes.” Sendo inquestionável a competência académica e profissional do Prof. Jorge Bacelar Gouveia, nenhuma isenção pode invocar para defender o poder ou atacar os críticos do poder.
Pode invocar factos e argumentos, ciência e opinião, mas não isenção.
De todo o modo, a isenção de um comentador não é precisa - a menos que o próprio a invoque em seu benefício ou a tente exigir aos demais, como é o caso. Jámetinhamdito!
Ah ! O Prof. Jorge Bacelar Gouveia está forrado de razão quanto à inacreditável "falta de contraditório" de tão gigantesco tempo de antena de que goza o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, embora a careca, há muito descoberta, esteja à vista de todos, sendo tal crítica generalizada e velhinha como a Sé de Braga, eh eh
Enfim, aproveitando a ocasião deste modesto comentário, então não se vê que esta página 9 do DN de quarta-feira 22 de Setembro está de feição, justamente no que toca a isenção ?
Acima do jametinhasdito comentário do Prof. Jorge Bacelar Gouveia, há “As quartadas”, de Vasco Graça Moura, e “Linhas direitas”, de Luís Delagado, que também merecem leitura atenta e proveitosa.
No conjunto, esta excelente página direita deve ser das páginas mais inclinadas da imprensa portuguesa, enfim, da que frequento.
Vejamos: na primeira, Vasco (o da) Graça Moura - reputado por muitas reconhecidas qualidades, profissionais, políticas e literárias (as que prefiro) mas também por ser, enquanto comentador, mais cavaquista que Cavaco – transpira sofrimento e auto-violentação na glosa sobre “Embandeirar em barco”. É que deve custar-lhe muito defender a actual política avestruzenta de humilhar, martirizar e criminalizar as mulheres, degradando arriscadamente as condições em que se praticam abortos. Tanto que não o defende, antes atacando, aliás habilmente, o espalhafato e aproveitamento abusivo da embarcação abortiva de importação. Com o honesto reconhecimento “de que a mulher grávida deve poder decidir em sua consciência nessa delicada questão”.
Ainda mais à direita, Luís Delgado, jornalista, bate forte nas atrapalhações do Governo, causadoras de “natural ansiedade e tensão” na problemática das listagens de professores. E lá dá a sua listagem de averiguações a empreender.
Impõe-se um jámetinhadito final - com tanta direita a bater (de criar bicho) em tanta direita, é caso para perguntar: onde pára a esquerda ?
2004-09-08
televisão, não ! obrigado ...
Afirma Peres:
"A televisão está ensopada em sangue
Caros amigos,
Devem lembrar-se do tempo em que a televisão era uma caixa mágica e uma janela para o maravilhoso, que nos proporcionava momentos únicos de deleite e prazer. Uma fresta por onde se espreitava a infinidade do mundo. Era, também, um elo de ligação entre os lugares mais remotos da Terra, uma afirmação de que, sendo diferentes, pertencíamos todos ao mesmo mundo. Era, igualmente, uma ponte que esbatia as diferenças e aproximava as pessoas.
Hoje, a televisão é um instrumento ao serviço do terror. Salvaguardando as pequenas excepções (que ainda vão existindo), a televisão tem como fim chocar e aterrorizar as pessoas. A notícia já deixou há muito de ser um facto tratado com o rigor e o distanciamento crítico que se exige, para passar a ser um produto mediático de exploração dos mais baixos instintos da condição humana. Não basta dar a notícia, agora, o que impera, é a exposição da mais deplorável miséria humana. A exploração, até ao limite do absurdo, dos sentimentos mais íntimos dos seres humanos.
Esta banalização do horror, que ensopa diariamente de sangue a televisão, está a criar uma visão do mundo dantesca, funesta e cruel. Parece que o mundo acorda diariamente com a preocupação única de matar, mutilar e violar.
Recuso-me a aceitar o mundo que a televisão nos mete pelos olhos dentro. Recuso-me a ficar refém da brutalidade mediática que por lá impera. A vida não é aquilo que a televisão nos vende diariamente: os atentados, os sequestros, as mortes na estrada, a violência doméstica, a pedofilia, a corrupção, o roubo, os atentados à vida e à dignidade das pessoas...
Isso é o lado negro da vida, que existe, é verdade, e sempre existiu. Mas uma coisa é a existência do mal e outra, bem diferente, é a promoção descarada, disfarçada de facto noticioso, que faz sobressair apenas aquilo que não presta, em detrimento daquilo que é positivo e faz avançar o mundo de forma positiva e harmoniosa.
Estamos nas mãos de gente sem escrúpulos que vende, sem pudor, com fins que não se vislumbram, o mais abominável dos produtos: a miséria humana.
Infelizmente, deixei de gostar da televisão: está ensopada em sangue.
Um abraço
Salvador Peres"
ora blogo:
Viva, caro amigo Salvador
o teu lamento é certeiro e o alvo está tão ensopado que bem merece a nossa crítica lúcida, protesto a condizer e, para além de alertar, sensibilizar, divulgar e reivindicar, tomar uma atitude defensiva: impõe-se a drástica auto-moderação do consumo, em extensão do que já fazemos para a protecção das crianças !
durante as últimas 3 semanas praticamente não vi televisão, andei mesmo 15 dias sem usar os óculos
agora de regresso a casa, já papei um jogo de futebol e algum noticiário eivado do comércio sanguinolento que denuncias
mas estou a tentar manter a média o mais próximo possível de zero horas de TV por dia, é o meu objectivo, enquanto puder ...
para a tua mensagem vai pois toda a minha compreensão e aplauso, ou seja, um magnificente jametinhasdito !
para ti, um forte abraço amigo
"A televisão está ensopada em sangue
Caros amigos,
Devem lembrar-se do tempo em que a televisão era uma caixa mágica e uma janela para o maravilhoso, que nos proporcionava momentos únicos de deleite e prazer. Uma fresta por onde se espreitava a infinidade do mundo. Era, também, um elo de ligação entre os lugares mais remotos da Terra, uma afirmação de que, sendo diferentes, pertencíamos todos ao mesmo mundo. Era, igualmente, uma ponte que esbatia as diferenças e aproximava as pessoas.
Hoje, a televisão é um instrumento ao serviço do terror. Salvaguardando as pequenas excepções (que ainda vão existindo), a televisão tem como fim chocar e aterrorizar as pessoas. A notícia já deixou há muito de ser um facto tratado com o rigor e o distanciamento crítico que se exige, para passar a ser um produto mediático de exploração dos mais baixos instintos da condição humana. Não basta dar a notícia, agora, o que impera, é a exposição da mais deplorável miséria humana. A exploração, até ao limite do absurdo, dos sentimentos mais íntimos dos seres humanos.
Esta banalização do horror, que ensopa diariamente de sangue a televisão, está a criar uma visão do mundo dantesca, funesta e cruel. Parece que o mundo acorda diariamente com a preocupação única de matar, mutilar e violar.
Recuso-me a aceitar o mundo que a televisão nos mete pelos olhos dentro. Recuso-me a ficar refém da brutalidade mediática que por lá impera. A vida não é aquilo que a televisão nos vende diariamente: os atentados, os sequestros, as mortes na estrada, a violência doméstica, a pedofilia, a corrupção, o roubo, os atentados à vida e à dignidade das pessoas...
Isso é o lado negro da vida, que existe, é verdade, e sempre existiu. Mas uma coisa é a existência do mal e outra, bem diferente, é a promoção descarada, disfarçada de facto noticioso, que faz sobressair apenas aquilo que não presta, em detrimento daquilo que é positivo e faz avançar o mundo de forma positiva e harmoniosa.
Estamos nas mãos de gente sem escrúpulos que vende, sem pudor, com fins que não se vislumbram, o mais abominável dos produtos: a miséria humana.
Infelizmente, deixei de gostar da televisão: está ensopada em sangue.
Um abraço
Salvador Peres"
ora blogo:
Viva, caro amigo Salvador
o teu lamento é certeiro e o alvo está tão ensopado que bem merece a nossa crítica lúcida, protesto a condizer e, para além de alertar, sensibilizar, divulgar e reivindicar, tomar uma atitude defensiva: impõe-se a drástica auto-moderação do consumo, em extensão do que já fazemos para a protecção das crianças !
durante as últimas 3 semanas praticamente não vi televisão, andei mesmo 15 dias sem usar os óculos
agora de regresso a casa, já papei um jogo de futebol e algum noticiário eivado do comércio sanguinolento que denuncias
mas estou a tentar manter a média o mais próximo possível de zero horas de TV por dia, é o meu objectivo, enquanto puder ...
para a tua mensagem vai pois toda a minha compreensão e aplauso, ou seja, um magnificente jametinhasdito !
para ti, um forte abraço amigo
2004-08-08
para um deus anunciado
vai daí, a meio de mais uma excelente Crónica, desta feita para Tomar, na revista Visão de 5 de Agosto (sim, é uma nota de actualidade!) o bom do nosso ex-futuro purenquantomente não candiadato a Nobel, António, o dos Lobo Antunes, acaba com o tempo de uma personagenzita por sinal inextinguível mas que dá um jeitão às crónicas e aos contos e aos romances como um chifre partido de um bibelot de louça que as casas (não é sempre a mesma ?) da(?)s história(?)s deste Lobo da guerra colonial que ainda grassa – e bem – na literatura lusa
e diz: “..., minha senhora, o seu tempo acabou. Não se zangue comigo, não tenho culpa, as leis da vida, compreende: o seu tempo acabou. Vai seguir mais um bocado na minha prosa e depois acaba igualmente....”
ora, o naco está – também merecia glosa o “Não se zangue comigo, não tenho culpa”, dá excessiva importância ao narrador, não é ? e não é só por menorizar a personagem, isso poderia bem ser uma técnica literária, há muito quem se empolgue com isso; é que estabelece um confronto pessoal entre a personagem e o narrador, como se este fizesse afinal parte do enredo, como se a personagem lhe ligasse caso... – no endeusamento do escritor ! aqui não é o sequer o narrador à busca de vitimização, é mesmo o escritor que é (quer ser ?) sujeito do enredo, da crónica e do destino alheio !
já me tinhas dito, ó António Lobo Antunes ...
já agora, a Crónica para Tomar é espectacular, apesar de poder ser em qualquer outro lugar – tem o rio, é certo (a ideia e expressão dos salgueiros reflectidos mais reais que os plantados é de mestre !) e a saída para a serra (ou um quartel ou um hospital da Misericórdia ...) mas a intitulação do lugar fica por terra – e dá bem conta, aliás intemporal, da generalizada e comprovada antecipação da nociva inutilidade da caserna enquanto projecto nacional
mas já agora, aproveita-se o post, a actualidade e o escritor para, sem endeusar, claro está, dar umas loas à Visão – só o nomezinho !!! – desta semana: um espanto de revista, uma graça muito para além da boa qualidade informativa, temos obra, grandes temas, boas fotos, boa escrita, muito para dizer, etc., os breves minutos de que foi possível beneficiar do generoso empréstimo da Visão valeram por bons, excelentes pedaços de leitura prazenteira, o melhor do dia, pese embora tratar-se de mais um dia difícil ...
a título de exemplo e com as devidas desculpas pela insistência, a recensão de Maria Alzira Seixo (MAS ? trata António Lobo Antunes por ALA !!?) da mais recente edição – a 22ª, decerto não por acaso, lembram-se do nº que saiu ao jogo em “Casablanca” ? –da obra “Memória de Elefante”; as referências são informativas e a análise é cuidada, mesmo o ponto delicado em que transparece a intervenção da autora na fixação do texto, é um ne varietur; poupando pormenores, realçaria que se fica embebido em curiosidade pela afirmação de que se poderá “encontrar finalmente o texto sem as incorrecções estilísticas e linguísticas que ao longo destes 25 anos o desfiguraram.”; ai sim ? mesmo sem ter a certeza de perceber a diferença, cresce a vontade de uma urgente releitura !
e para Maria Alzira Seixo, um já me tinhas dito merecido pela pérola com que conclui a recensão, aqui fica: “...e com a certeza de que o dia-a-dia se partilha na lembrança dos instantes felizes, na persistência do sonho e na certeza iluminada da necessidade da criação.”
feliz
e diz: “..., minha senhora, o seu tempo acabou. Não se zangue comigo, não tenho culpa, as leis da vida, compreende: o seu tempo acabou. Vai seguir mais um bocado na minha prosa e depois acaba igualmente....”
ora, o naco está – também merecia glosa o “Não se zangue comigo, não tenho culpa”, dá excessiva importância ao narrador, não é ? e não é só por menorizar a personagem, isso poderia bem ser uma técnica literária, há muito quem se empolgue com isso; é que estabelece um confronto pessoal entre a personagem e o narrador, como se este fizesse afinal parte do enredo, como se a personagem lhe ligasse caso... – no endeusamento do escritor ! aqui não é o sequer o narrador à busca de vitimização, é mesmo o escritor que é (quer ser ?) sujeito do enredo, da crónica e do destino alheio !
já me tinhas dito, ó António Lobo Antunes ...
já agora, a Crónica para Tomar é espectacular, apesar de poder ser em qualquer outro lugar – tem o rio, é certo (a ideia e expressão dos salgueiros reflectidos mais reais que os plantados é de mestre !) e a saída para a serra (ou um quartel ou um hospital da Misericórdia ...) mas a intitulação do lugar fica por terra – e dá bem conta, aliás intemporal, da generalizada e comprovada antecipação da nociva inutilidade da caserna enquanto projecto nacional
mas já agora, aproveita-se o post, a actualidade e o escritor para, sem endeusar, claro está, dar umas loas à Visão – só o nomezinho !!! – desta semana: um espanto de revista, uma graça muito para além da boa qualidade informativa, temos obra, grandes temas, boas fotos, boa escrita, muito para dizer, etc., os breves minutos de que foi possível beneficiar do generoso empréstimo da Visão valeram por bons, excelentes pedaços de leitura prazenteira, o melhor do dia, pese embora tratar-se de mais um dia difícil ...
a título de exemplo e com as devidas desculpas pela insistência, a recensão de Maria Alzira Seixo (MAS ? trata António Lobo Antunes por ALA !!?) da mais recente edição – a 22ª, decerto não por acaso, lembram-se do nº que saiu ao jogo em “Casablanca” ? –da obra “Memória de Elefante”; as referências são informativas e a análise é cuidada, mesmo o ponto delicado em que transparece a intervenção da autora na fixação do texto, é um ne varietur; poupando pormenores, realçaria que se fica embebido em curiosidade pela afirmação de que se poderá “encontrar finalmente o texto sem as incorrecções estilísticas e linguísticas que ao longo destes 25 anos o desfiguraram.”; ai sim ? mesmo sem ter a certeza de perceber a diferença, cresce a vontade de uma urgente releitura !
e para Maria Alzira Seixo, um já me tinhas dito merecido pela pérola com que conclui a recensão, aqui fica: “...e com a certeza de que o dia-a-dia se partilha na lembrança dos instantes felizes, na persistência do sonho e na certeza iluminada da necessidade da criação.”
feliz
2004-07-22
ó relvas ó relvas !
jornalama antiga é o que não falta aqui no ditos, ó vejamos: DN de 6 de Julho, secção boa vida
o título é o dito: "cozinho melhor do que faço política", afirma Relvas
só por (tudo) isso, já me tinhas dito, ó Relvas !!!
mas a coisa tem a sua substância e, em paga, a devida pedagogia; comecemos por esta - a figura à mesa que abrilhanta a sessão de boa vida (boavida@dn.pt) é Miguel Relvas, sim, também não conhecia, o secretário-geral do PSD e que terá deixado o governo anterior um nadinha antes de coiso ...
agora a dita - no tempo em que exerceu funções de secretário de Estado (em que sacrificadamente percorreu o país de lés a lés sempre a descentralizar, uns 280 mil quilómetros disso) trouxe um périplo de conhecimentos e uma fantástica garrafeira; ainda dentro do preço, eis o cardápio de restaurantes citados: A Travessa (Lisboa, ao Convento das Bernardas - começa ebm, é bom e carote, digo eu), O Malho (Malhou, Alcanena); Tia Alice (Fátima); Artur (Caniçais, Torre de Moncorvo - não havia um Artur em Torres Novas, pergunto eu ?); O Pedro (Vilarinho da Serra, Boticas - o do melhor cozido à portuguesa); Chico Elias (Tomar); Veleiros (Leça - há polvo assado); O Poleiro (Lisboa - favada, diz); Gambrinus (Lisboa, é angulas e rojões, afirma); Solar dos Presuntos (Lisboa - refere peixe assado, o que não se infere da designação comercial do estabelecimento); Matos (Lisboa - entrecosto, manda); Pabe (Lisboa - aqui, é pato); Mezzaluna (Lisboa, R. Artilharia 1 - massas de comer, pede, a poder das de gastar, acho); Cantinho da Paz (Lisboa, acho que sei onde é - caril de peixe, recomenda); e Doca do Espanhol (Lisboa, Alcântara, junto à doca de Santo Amaro, vulgo docas, ex-vulgo piscina dos putos de Alcântara - também cozido, à portuguesa, diga-se).
a peça termina com o registo da frase "sou um cliente do lado positivo da vida" porque há cada vez menos políticos a falar assim - observaria qeu este tem quilometragem para isso, eh eh ...
o título é o dito: "cozinho melhor do que faço política", afirma Relvas
só por (tudo) isso, já me tinhas dito, ó Relvas !!!
mas a coisa tem a sua substância e, em paga, a devida pedagogia; comecemos por esta - a figura à mesa que abrilhanta a sessão de boa vida (boavida@dn.pt) é Miguel Relvas, sim, também não conhecia, o secretário-geral do PSD e que terá deixado o governo anterior um nadinha antes de coiso ...
agora a dita - no tempo em que exerceu funções de secretário de Estado (em que sacrificadamente percorreu o país de lés a lés sempre a descentralizar, uns 280 mil quilómetros disso) trouxe um périplo de conhecimentos e uma fantástica garrafeira; ainda dentro do preço, eis o cardápio de restaurantes citados: A Travessa (Lisboa, ao Convento das Bernardas - começa ebm, é bom e carote, digo eu), O Malho (Malhou, Alcanena); Tia Alice (Fátima); Artur (Caniçais, Torre de Moncorvo - não havia um Artur em Torres Novas, pergunto eu ?); O Pedro (Vilarinho da Serra, Boticas - o do melhor cozido à portuguesa); Chico Elias (Tomar); Veleiros (Leça - há polvo assado); O Poleiro (Lisboa - favada, diz); Gambrinus (Lisboa, é angulas e rojões, afirma); Solar dos Presuntos (Lisboa - refere peixe assado, o que não se infere da designação comercial do estabelecimento); Matos (Lisboa - entrecosto, manda); Pabe (Lisboa - aqui, é pato); Mezzaluna (Lisboa, R. Artilharia 1 - massas de comer, pede, a poder das de gastar, acho); Cantinho da Paz (Lisboa, acho que sei onde é - caril de peixe, recomenda); e Doca do Espanhol (Lisboa, Alcântara, junto à doca de Santo Amaro, vulgo docas, ex-vulgo piscina dos putos de Alcântara - também cozido, à portuguesa, diga-se).
a peça termina com o registo da frase "sou um cliente do lado positivo da vida" porque há cada vez menos políticos a falar assim - observaria qeu este tem quilometragem para isso, eh eh ...
2004-07-05
Sophia
ah ! o livro de estilo também permite retomar a palavra de quem tanto a sentiu e ofereceu
a Sofia tinha bem a conta, a falta e o poder da palavra !
ó então algumas:
"Com fúria e com raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras
Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs a sua alma confiada
De longe muito longe desde o início
O homem soube de si desde a palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse
Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se faz com o trigo e com a terra"
Sophia de Mello Breyner Andresen
a Sofia tinha bem a conta, a falta e o poder da palavra !
ó então algumas:
"Com fúria e com raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras
Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs a sua alma confiada
De longe muito longe desde o início
O homem soube de si desde a palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse
Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se faz com o trigo e com a terra"
Sophia de Mello Breyner Andresen
2004-07-01
olá !
o mote é o terceiro toque, de infindáveis referências mas para o efeito de estrito cumprimento do estilo do jametinhasdito registe-se a remissão para o artigo de Daniel Sampaio na Xis, revista de Laurinda Alves no Público , de 19/06/2004 !
e dá-se o caso de no artigo se recomendar o uso de regras e perorar sobre a condição de professor, tudo pontuado sob a batuta de um supostamente oportuno e desejável terceiro toque, eventualmente de caixa...
já me tinhas dito ó Daniel Sampaio !!!
e dá-se o caso de no artigo se recomendar o uso de regras e perorar sobre a condição de professor, tudo pontuado sob a batuta de um supostamente oportuno e desejável terceiro toque, eventualmente de caixa...
já me tinhas dito ó Daniel Sampaio !!!
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