Subtítulo: o Ditos roeu a página 9 do DN de 22 de Setembro
(*) Eu cá não consigo aceder via net mas supostamente deveria aparecer em: http://dn.sapo.pt/cronica/mostra_cronica.asp?codCronica=8062&codEdicao=1243#top
Em suculentas crónicas - “A torto e a direito” - semanais, o Prof. Dr. Jorge Bacelar Gouveia, tem oferecido aos leitores do DN muita opinião que me parece bastante mais de direita que de torta (há uns anos havia no DE, isso sim, uma crónica “A torto e a direito”, esta bem mais a torto... de António Almeida, antes do London Smile, que acabou com o L no coração) e nesta edição (ainda ontem, eh eh) atacou o comentador Prof. Marcelo Rebelo de Sousa.
É que aos domingos, diz, “está em causa um trend de crítica subliminar ...” aos governos de Durão Barroso e Santana Lopes; e explica os respectivos porquês e inconvenientes, que para aqui pouco interessa, por agora ...
Ora, então o que interessa agora ?
Podia começar-se pelo título, muito mais genérico que subliminar: a pretexto da indagação “Quem comenta os comentadores ?”, o cronista exprime-se exclusivamente sobre um comentador. De tão genérico título a tão específico alvo vai uma insanável contradição, sinto.
Podia continuar-se seguindo o intróito da crónica: que a opinião pública se rende acriticamente aos profissionais do comentário (da crónica ?) o que é um “mau hábito” susceptível de degradar “a qualidade da nossa Democracia” nesta matéria.
Direi que nunca me rendi acriticamente aos comentadores, dos mais variados painéis, e que nunca senti que tal tenha ocorrido a algum sector da sociedade ou da opinião pública. Em claro exemplo contrário, veja-se como os comentadores se comentam uns aos outros, assiduamente, muitas vezes com demasiada simultaneidade e veemência, outras na recíproca e tabelar continuidade de referências com que recheiam (e até alimentam) as respectivas crónicas e comentários; para mais no caso concreto do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa há muitos anos que lhe invectivam a florentina intervenção como “opinion maker”, mesmo antes da prédica familiar dominical paga pela TVI.
Por outro lado, como esquecer as denúncias e os ataques aos comentadores “paineleiros”, quer de sectores meramente boçais quer da nata intelectual e que em nada impediu a progressiva ascensão individual, social e política de tão comentados comentadores ...
Lembro-me até de deliciosos ensaios sobre os denominados “totalistas”, pertencentes à variante de comentadores que se reclamam, mais do que generalistas, autênticos especialistas de todas as especialidades !
Voltemos então ao problema de fundo, indentificando-se as “normas fundamentais” / “regras mais elementares” / fundamentais regras” a que, afinal, desobedece “o comentário político – mas também os outros tipos de comentário”. Bem vistas as coisas a crónica em análise só indica uma: a “isenção dos comentadores”.
Ora, o comentário é servido, valorizados e favorecido muito pela especial posição de cada comentador relativamente ao tema comentado. A isenção é excelente para o bom exercício das funções de juiz, de árbitro e, em geral, de quem exerce o poder. A quem comenta e critica pede-se que saiba do que está a falar, de preferência que nos informe de que ponto de vista parte ou está associado, que interesses defende, etc. Impróprio é que se reivindique isento quando é parte. Quando permita, favoreça ou se aproveite da ambiguidade, incerteza ou desconhecimento do campo em que se posiciona. Há comentadores de todos os clubes, empresas, religiões e partidos. O seu contributo é avançar com perspectivas e argumentos que nos elucidem dos factos e da sua avaliação, com a refutação de argumentos contrários, com a denúncia de abusos de direito ou de poder, que nos enriqueçam com o que sabem e com o que pensam. Para melhor formarmos opinião, para se criticar melhor, mais informadamente, com recurso a raciocínios mais elaborados, fundamentados e claros.
Nã, a isenção não é requisito para comentar. Também nesta crónica, Prof. Jorge Bacelar Gouveia defende o poder, sem argumento convincente.
E ... com isenção ?. No mesmo jornal, duas páginas antes, o DN dá conta de que o Prof. Jorge Bacelar Gouveia será eleito Presidente do “Conselho de Fiscalização (CF) dos Serviços de Informações, vulgo secretas.”
Escreve o DN que o Prof. Jorge “Bacelar Gouveia (...) já foi membro do Conselho de Jurisdição do PSD e é, de há muito, politicamente próximo de Santana Lopes.” Sendo inquestionável a competência académica e profissional do Prof. Jorge Bacelar Gouveia, nenhuma isenção pode invocar para defender o poder ou atacar os críticos do poder.
Pode invocar factos e argumentos, ciência e opinião, mas não isenção.
De todo o modo, a isenção de um comentador não é precisa - a menos que o próprio a invoque em seu benefício ou a tente exigir aos demais, como é o caso. Jámetinhamdito!
Ah ! O Prof. Jorge Bacelar Gouveia está forrado de razão quanto à inacreditável "falta de contraditório" de tão gigantesco tempo de antena de que goza o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, embora a careca, há muito descoberta, esteja à vista de todos, sendo tal crítica generalizada e velhinha como a Sé de Braga, eh eh
Enfim, aproveitando a ocasião deste modesto comentário, então não se vê que esta página 9 do DN de quarta-feira 22 de Setembro está de feição, justamente no que toca a isenção ?
Acima do jametinhasdito comentário do Prof. Jorge Bacelar Gouveia, há “As quartadas”, de Vasco Graça Moura, e “Linhas direitas”, de Luís Delagado, que também merecem leitura atenta e proveitosa.
No conjunto, esta excelente página direita deve ser das páginas mais inclinadas da imprensa portuguesa, enfim, da que frequento.
Vejamos: na primeira, Vasco (o da) Graça Moura - reputado por muitas reconhecidas qualidades, profissionais, políticas e literárias (as que prefiro) mas também por ser, enquanto comentador, mais cavaquista que Cavaco – transpira sofrimento e auto-violentação na glosa sobre “Embandeirar em barco”. É que deve custar-lhe muito defender a actual política avestruzenta de humilhar, martirizar e criminalizar as mulheres, degradando arriscadamente as condições em que se praticam abortos. Tanto que não o defende, antes atacando, aliás habilmente, o espalhafato e aproveitamento abusivo da embarcação abortiva de importação. Com o honesto reconhecimento “de que a mulher grávida deve poder decidir em sua consciência nessa delicada questão”.
Ainda mais à direita, Luís Delgado, jornalista, bate forte nas atrapalhações do Governo, causadoras de “natural ansiedade e tensão” na problemática das listagens de professores. E lá dá a sua listagem de averiguações a empreender.
Impõe-se um jámetinhadito final - com tanta direita a bater (de criar bicho) em tanta direita, é caso para perguntar: onde pára a esquerda ?
2004-09-24
2004-09-08
televisão, não ! obrigado ...
Afirma Peres:
"A televisão está ensopada em sangue
Caros amigos,
Devem lembrar-se do tempo em que a televisão era uma caixa mágica e uma janela para o maravilhoso, que nos proporcionava momentos únicos de deleite e prazer. Uma fresta por onde se espreitava a infinidade do mundo. Era, também, um elo de ligação entre os lugares mais remotos da Terra, uma afirmação de que, sendo diferentes, pertencíamos todos ao mesmo mundo. Era, igualmente, uma ponte que esbatia as diferenças e aproximava as pessoas.
Hoje, a televisão é um instrumento ao serviço do terror. Salvaguardando as pequenas excepções (que ainda vão existindo), a televisão tem como fim chocar e aterrorizar as pessoas. A notícia já deixou há muito de ser um facto tratado com o rigor e o distanciamento crítico que se exige, para passar a ser um produto mediático de exploração dos mais baixos instintos da condição humana. Não basta dar a notícia, agora, o que impera, é a exposição da mais deplorável miséria humana. A exploração, até ao limite do absurdo, dos sentimentos mais íntimos dos seres humanos.
Esta banalização do horror, que ensopa diariamente de sangue a televisão, está a criar uma visão do mundo dantesca, funesta e cruel. Parece que o mundo acorda diariamente com a preocupação única de matar, mutilar e violar.
Recuso-me a aceitar o mundo que a televisão nos mete pelos olhos dentro. Recuso-me a ficar refém da brutalidade mediática que por lá impera. A vida não é aquilo que a televisão nos vende diariamente: os atentados, os sequestros, as mortes na estrada, a violência doméstica, a pedofilia, a corrupção, o roubo, os atentados à vida e à dignidade das pessoas...
Isso é o lado negro da vida, que existe, é verdade, e sempre existiu. Mas uma coisa é a existência do mal e outra, bem diferente, é a promoção descarada, disfarçada de facto noticioso, que faz sobressair apenas aquilo que não presta, em detrimento daquilo que é positivo e faz avançar o mundo de forma positiva e harmoniosa.
Estamos nas mãos de gente sem escrúpulos que vende, sem pudor, com fins que não se vislumbram, o mais abominável dos produtos: a miséria humana.
Infelizmente, deixei de gostar da televisão: está ensopada em sangue.
Um abraço
Salvador Peres"
ora blogo:
Viva, caro amigo Salvador
o teu lamento é certeiro e o alvo está tão ensopado que bem merece a nossa crítica lúcida, protesto a condizer e, para além de alertar, sensibilizar, divulgar e reivindicar, tomar uma atitude defensiva: impõe-se a drástica auto-moderação do consumo, em extensão do que já fazemos para a protecção das crianças !
durante as últimas 3 semanas praticamente não vi televisão, andei mesmo 15 dias sem usar os óculos
agora de regresso a casa, já papei um jogo de futebol e algum noticiário eivado do comércio sanguinolento que denuncias
mas estou a tentar manter a média o mais próximo possível de zero horas de TV por dia, é o meu objectivo, enquanto puder ...
para a tua mensagem vai pois toda a minha compreensão e aplauso, ou seja, um magnificente jametinhasdito !
para ti, um forte abraço amigo
"A televisão está ensopada em sangue
Caros amigos,
Devem lembrar-se do tempo em que a televisão era uma caixa mágica e uma janela para o maravilhoso, que nos proporcionava momentos únicos de deleite e prazer. Uma fresta por onde se espreitava a infinidade do mundo. Era, também, um elo de ligação entre os lugares mais remotos da Terra, uma afirmação de que, sendo diferentes, pertencíamos todos ao mesmo mundo. Era, igualmente, uma ponte que esbatia as diferenças e aproximava as pessoas.
Hoje, a televisão é um instrumento ao serviço do terror. Salvaguardando as pequenas excepções (que ainda vão existindo), a televisão tem como fim chocar e aterrorizar as pessoas. A notícia já deixou há muito de ser um facto tratado com o rigor e o distanciamento crítico que se exige, para passar a ser um produto mediático de exploração dos mais baixos instintos da condição humana. Não basta dar a notícia, agora, o que impera, é a exposição da mais deplorável miséria humana. A exploração, até ao limite do absurdo, dos sentimentos mais íntimos dos seres humanos.
Esta banalização do horror, que ensopa diariamente de sangue a televisão, está a criar uma visão do mundo dantesca, funesta e cruel. Parece que o mundo acorda diariamente com a preocupação única de matar, mutilar e violar.
Recuso-me a aceitar o mundo que a televisão nos mete pelos olhos dentro. Recuso-me a ficar refém da brutalidade mediática que por lá impera. A vida não é aquilo que a televisão nos vende diariamente: os atentados, os sequestros, as mortes na estrada, a violência doméstica, a pedofilia, a corrupção, o roubo, os atentados à vida e à dignidade das pessoas...
Isso é o lado negro da vida, que existe, é verdade, e sempre existiu. Mas uma coisa é a existência do mal e outra, bem diferente, é a promoção descarada, disfarçada de facto noticioso, que faz sobressair apenas aquilo que não presta, em detrimento daquilo que é positivo e faz avançar o mundo de forma positiva e harmoniosa.
Estamos nas mãos de gente sem escrúpulos que vende, sem pudor, com fins que não se vislumbram, o mais abominável dos produtos: a miséria humana.
Infelizmente, deixei de gostar da televisão: está ensopada em sangue.
Um abraço
Salvador Peres"
ora blogo:
Viva, caro amigo Salvador
o teu lamento é certeiro e o alvo está tão ensopado que bem merece a nossa crítica lúcida, protesto a condizer e, para além de alertar, sensibilizar, divulgar e reivindicar, tomar uma atitude defensiva: impõe-se a drástica auto-moderação do consumo, em extensão do que já fazemos para a protecção das crianças !
durante as últimas 3 semanas praticamente não vi televisão, andei mesmo 15 dias sem usar os óculos
agora de regresso a casa, já papei um jogo de futebol e algum noticiário eivado do comércio sanguinolento que denuncias
mas estou a tentar manter a média o mais próximo possível de zero horas de TV por dia, é o meu objectivo, enquanto puder ...
para a tua mensagem vai pois toda a minha compreensão e aplauso, ou seja, um magnificente jametinhasdito !
para ti, um forte abraço amigo
2004-08-08
para um deus anunciado
vai daí, a meio de mais uma excelente Crónica, desta feita para Tomar, na revista Visão de 5 de Agosto (sim, é uma nota de actualidade!) o bom do nosso ex-futuro purenquantomente não candiadato a Nobel, António, o dos Lobo Antunes, acaba com o tempo de uma personagenzita por sinal inextinguível mas que dá um jeitão às crónicas e aos contos e aos romances como um chifre partido de um bibelot de louça que as casas (não é sempre a mesma ?) da(?)s história(?)s deste Lobo da guerra colonial que ainda grassa – e bem – na literatura lusa
e diz: “..., minha senhora, o seu tempo acabou. Não se zangue comigo, não tenho culpa, as leis da vida, compreende: o seu tempo acabou. Vai seguir mais um bocado na minha prosa e depois acaba igualmente....”
ora, o naco está – também merecia glosa o “Não se zangue comigo, não tenho culpa”, dá excessiva importância ao narrador, não é ? e não é só por menorizar a personagem, isso poderia bem ser uma técnica literária, há muito quem se empolgue com isso; é que estabelece um confronto pessoal entre a personagem e o narrador, como se este fizesse afinal parte do enredo, como se a personagem lhe ligasse caso... – no endeusamento do escritor ! aqui não é o sequer o narrador à busca de vitimização, é mesmo o escritor que é (quer ser ?) sujeito do enredo, da crónica e do destino alheio !
já me tinhas dito, ó António Lobo Antunes ...
já agora, a Crónica para Tomar é espectacular, apesar de poder ser em qualquer outro lugar – tem o rio, é certo (a ideia e expressão dos salgueiros reflectidos mais reais que os plantados é de mestre !) e a saída para a serra (ou um quartel ou um hospital da Misericórdia ...) mas a intitulação do lugar fica por terra – e dá bem conta, aliás intemporal, da generalizada e comprovada antecipação da nociva inutilidade da caserna enquanto projecto nacional
mas já agora, aproveita-se o post, a actualidade e o escritor para, sem endeusar, claro está, dar umas loas à Visão – só o nomezinho !!! – desta semana: um espanto de revista, uma graça muito para além da boa qualidade informativa, temos obra, grandes temas, boas fotos, boa escrita, muito para dizer, etc., os breves minutos de que foi possível beneficiar do generoso empréstimo da Visão valeram por bons, excelentes pedaços de leitura prazenteira, o melhor do dia, pese embora tratar-se de mais um dia difícil ...
a título de exemplo e com as devidas desculpas pela insistência, a recensão de Maria Alzira Seixo (MAS ? trata António Lobo Antunes por ALA !!?) da mais recente edição – a 22ª, decerto não por acaso, lembram-se do nº que saiu ao jogo em “Casablanca” ? –da obra “Memória de Elefante”; as referências são informativas e a análise é cuidada, mesmo o ponto delicado em que transparece a intervenção da autora na fixação do texto, é um ne varietur; poupando pormenores, realçaria que se fica embebido em curiosidade pela afirmação de que se poderá “encontrar finalmente o texto sem as incorrecções estilísticas e linguísticas que ao longo destes 25 anos o desfiguraram.”; ai sim ? mesmo sem ter a certeza de perceber a diferença, cresce a vontade de uma urgente releitura !
e para Maria Alzira Seixo, um já me tinhas dito merecido pela pérola com que conclui a recensão, aqui fica: “...e com a certeza de que o dia-a-dia se partilha na lembrança dos instantes felizes, na persistência do sonho e na certeza iluminada da necessidade da criação.”
feliz
e diz: “..., minha senhora, o seu tempo acabou. Não se zangue comigo, não tenho culpa, as leis da vida, compreende: o seu tempo acabou. Vai seguir mais um bocado na minha prosa e depois acaba igualmente....”
ora, o naco está – também merecia glosa o “Não se zangue comigo, não tenho culpa”, dá excessiva importância ao narrador, não é ? e não é só por menorizar a personagem, isso poderia bem ser uma técnica literária, há muito quem se empolgue com isso; é que estabelece um confronto pessoal entre a personagem e o narrador, como se este fizesse afinal parte do enredo, como se a personagem lhe ligasse caso... – no endeusamento do escritor ! aqui não é o sequer o narrador à busca de vitimização, é mesmo o escritor que é (quer ser ?) sujeito do enredo, da crónica e do destino alheio !
já me tinhas dito, ó António Lobo Antunes ...
já agora, a Crónica para Tomar é espectacular, apesar de poder ser em qualquer outro lugar – tem o rio, é certo (a ideia e expressão dos salgueiros reflectidos mais reais que os plantados é de mestre !) e a saída para a serra (ou um quartel ou um hospital da Misericórdia ...) mas a intitulação do lugar fica por terra – e dá bem conta, aliás intemporal, da generalizada e comprovada antecipação da nociva inutilidade da caserna enquanto projecto nacional
mas já agora, aproveita-se o post, a actualidade e o escritor para, sem endeusar, claro está, dar umas loas à Visão – só o nomezinho !!! – desta semana: um espanto de revista, uma graça muito para além da boa qualidade informativa, temos obra, grandes temas, boas fotos, boa escrita, muito para dizer, etc., os breves minutos de que foi possível beneficiar do generoso empréstimo da Visão valeram por bons, excelentes pedaços de leitura prazenteira, o melhor do dia, pese embora tratar-se de mais um dia difícil ...
a título de exemplo e com as devidas desculpas pela insistência, a recensão de Maria Alzira Seixo (MAS ? trata António Lobo Antunes por ALA !!?) da mais recente edição – a 22ª, decerto não por acaso, lembram-se do nº que saiu ao jogo em “Casablanca” ? –da obra “Memória de Elefante”; as referências são informativas e a análise é cuidada, mesmo o ponto delicado em que transparece a intervenção da autora na fixação do texto, é um ne varietur; poupando pormenores, realçaria que se fica embebido em curiosidade pela afirmação de que se poderá “encontrar finalmente o texto sem as incorrecções estilísticas e linguísticas que ao longo destes 25 anos o desfiguraram.”; ai sim ? mesmo sem ter a certeza de perceber a diferença, cresce a vontade de uma urgente releitura !
e para Maria Alzira Seixo, um já me tinhas dito merecido pela pérola com que conclui a recensão, aqui fica: “...e com a certeza de que o dia-a-dia se partilha na lembrança dos instantes felizes, na persistência do sonho e na certeza iluminada da necessidade da criação.”
feliz
2004-07-22
ó relvas ó relvas !
jornalama antiga é o que não falta aqui no ditos, ó vejamos: DN de 6 de Julho, secção boa vida
o título é o dito: "cozinho melhor do que faço política", afirma Relvas
só por (tudo) isso, já me tinhas dito, ó Relvas !!!
mas a coisa tem a sua substância e, em paga, a devida pedagogia; comecemos por esta - a figura à mesa que abrilhanta a sessão de boa vida (boavida@dn.pt) é Miguel Relvas, sim, também não conhecia, o secretário-geral do PSD e que terá deixado o governo anterior um nadinha antes de coiso ...
agora a dita - no tempo em que exerceu funções de secretário de Estado (em que sacrificadamente percorreu o país de lés a lés sempre a descentralizar, uns 280 mil quilómetros disso) trouxe um périplo de conhecimentos e uma fantástica garrafeira; ainda dentro do preço, eis o cardápio de restaurantes citados: A Travessa (Lisboa, ao Convento das Bernardas - começa ebm, é bom e carote, digo eu), O Malho (Malhou, Alcanena); Tia Alice (Fátima); Artur (Caniçais, Torre de Moncorvo - não havia um Artur em Torres Novas, pergunto eu ?); O Pedro (Vilarinho da Serra, Boticas - o do melhor cozido à portuguesa); Chico Elias (Tomar); Veleiros (Leça - há polvo assado); O Poleiro (Lisboa - favada, diz); Gambrinus (Lisboa, é angulas e rojões, afirma); Solar dos Presuntos (Lisboa - refere peixe assado, o que não se infere da designação comercial do estabelecimento); Matos (Lisboa - entrecosto, manda); Pabe (Lisboa - aqui, é pato); Mezzaluna (Lisboa, R. Artilharia 1 - massas de comer, pede, a poder das de gastar, acho); Cantinho da Paz (Lisboa, acho que sei onde é - caril de peixe, recomenda); e Doca do Espanhol (Lisboa, Alcântara, junto à doca de Santo Amaro, vulgo docas, ex-vulgo piscina dos putos de Alcântara - também cozido, à portuguesa, diga-se).
a peça termina com o registo da frase "sou um cliente do lado positivo da vida" porque há cada vez menos políticos a falar assim - observaria qeu este tem quilometragem para isso, eh eh ...
o título é o dito: "cozinho melhor do que faço política", afirma Relvas
só por (tudo) isso, já me tinhas dito, ó Relvas !!!
mas a coisa tem a sua substância e, em paga, a devida pedagogia; comecemos por esta - a figura à mesa que abrilhanta a sessão de boa vida (boavida@dn.pt) é Miguel Relvas, sim, também não conhecia, o secretário-geral do PSD e que terá deixado o governo anterior um nadinha antes de coiso ...
agora a dita - no tempo em que exerceu funções de secretário de Estado (em que sacrificadamente percorreu o país de lés a lés sempre a descentralizar, uns 280 mil quilómetros disso) trouxe um périplo de conhecimentos e uma fantástica garrafeira; ainda dentro do preço, eis o cardápio de restaurantes citados: A Travessa (Lisboa, ao Convento das Bernardas - começa ebm, é bom e carote, digo eu), O Malho (Malhou, Alcanena); Tia Alice (Fátima); Artur (Caniçais, Torre de Moncorvo - não havia um Artur em Torres Novas, pergunto eu ?); O Pedro (Vilarinho da Serra, Boticas - o do melhor cozido à portuguesa); Chico Elias (Tomar); Veleiros (Leça - há polvo assado); O Poleiro (Lisboa - favada, diz); Gambrinus (Lisboa, é angulas e rojões, afirma); Solar dos Presuntos (Lisboa - refere peixe assado, o que não se infere da designação comercial do estabelecimento); Matos (Lisboa - entrecosto, manda); Pabe (Lisboa - aqui, é pato); Mezzaluna (Lisboa, R. Artilharia 1 - massas de comer, pede, a poder das de gastar, acho); Cantinho da Paz (Lisboa, acho que sei onde é - caril de peixe, recomenda); e Doca do Espanhol (Lisboa, Alcântara, junto à doca de Santo Amaro, vulgo docas, ex-vulgo piscina dos putos de Alcântara - também cozido, à portuguesa, diga-se).
a peça termina com o registo da frase "sou um cliente do lado positivo da vida" porque há cada vez menos políticos a falar assim - observaria qeu este tem quilometragem para isso, eh eh ...
2004-07-05
Sophia
ah ! o livro de estilo também permite retomar a palavra de quem tanto a sentiu e ofereceu
a Sofia tinha bem a conta, a falta e o poder da palavra !
ó então algumas:
"Com fúria e com raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras
Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs a sua alma confiada
De longe muito longe desde o início
O homem soube de si desde a palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse
Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se faz com o trigo e com a terra"
Sophia de Mello Breyner Andresen
a Sofia tinha bem a conta, a falta e o poder da palavra !
ó então algumas:
"Com fúria e com raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras
Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs a sua alma confiada
De longe muito longe desde o início
O homem soube de si desde a palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse
Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se faz com o trigo e com a terra"
Sophia de Mello Breyner Andresen
2004-07-01
olá !
o mote é o terceiro toque, de infindáveis referências mas para o efeito de estrito cumprimento do estilo do jametinhasdito registe-se a remissão para o artigo de Daniel Sampaio na Xis, revista de Laurinda Alves no Público , de 19/06/2004 !
e dá-se o caso de no artigo se recomendar o uso de regras e perorar sobre a condição de professor, tudo pontuado sob a batuta de um supostamente oportuno e desejável terceiro toque, eventualmente de caixa...
já me tinhas dito ó Daniel Sampaio !!!
e dá-se o caso de no artigo se recomendar o uso de regras e perorar sobre a condição de professor, tudo pontuado sob a batuta de um supostamente oportuno e desejável terceiro toque, eventualmente de caixa...
já me tinhas dito ó Daniel Sampaio !!!
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