vai daí, a meio de mais uma excelente Crónica, desta feita para Tomar, na revista Visão de 5 de Agosto (sim, é uma nota de actualidade!) o bom do nosso ex-futuro purenquantomente não candiadato a Nobel, António, o dos Lobo Antunes, acaba com o tempo de uma personagenzita por sinal inextinguível mas que dá um jeitão às crónicas e aos contos e aos romances como um chifre partido de um bibelot de louça que as casas (não é sempre a mesma ?) da(?)s história(?)s deste Lobo da guerra colonial que ainda grassa – e bem – na literatura lusa
e diz: “..., minha senhora, o seu tempo acabou. Não se zangue comigo, não tenho culpa, as leis da vida, compreende: o seu tempo acabou. Vai seguir mais um bocado na minha prosa e depois acaba igualmente....”
ora, o naco está – também merecia glosa o “Não se zangue comigo, não tenho culpa”, dá excessiva importância ao narrador, não é ? e não é só por menorizar a personagem, isso poderia bem ser uma técnica literária, há muito quem se empolgue com isso; é que estabelece um confronto pessoal entre a personagem e o narrador, como se este fizesse afinal parte do enredo, como se a personagem lhe ligasse caso... – no endeusamento do escritor ! aqui não é o sequer o narrador à busca de vitimização, é mesmo o escritor que é (quer ser ?) sujeito do enredo, da crónica e do destino alheio !
já me tinhas dito, ó António Lobo Antunes ...
já agora, a Crónica para Tomar é espectacular, apesar de poder ser em qualquer outro lugar – tem o rio, é certo (a ideia e expressão dos salgueiros reflectidos mais reais que os plantados é de mestre !) e a saída para a serra (ou um quartel ou um hospital da Misericórdia ...) mas a intitulação do lugar fica por terra – e dá bem conta, aliás intemporal, da generalizada e comprovada antecipação da nociva inutilidade da caserna enquanto projecto nacional
mas já agora, aproveita-se o post, a actualidade e o escritor para, sem endeusar, claro está, dar umas loas à Visão – só o nomezinho !!! – desta semana: um espanto de revista, uma graça muito para além da boa qualidade informativa, temos obra, grandes temas, boas fotos, boa escrita, muito para dizer, etc., os breves minutos de que foi possível beneficiar do generoso empréstimo da Visão valeram por bons, excelentes pedaços de leitura prazenteira, o melhor do dia, pese embora tratar-se de mais um dia difícil ...
a título de exemplo e com as devidas desculpas pela insistência, a recensão de Maria Alzira Seixo (MAS ? trata António Lobo Antunes por ALA !!?) da mais recente edição – a 22ª, decerto não por acaso, lembram-se do nº que saiu ao jogo em “Casablanca” ? –da obra “Memória de Elefante”; as referências são informativas e a análise é cuidada, mesmo o ponto delicado em que transparece a intervenção da autora na fixação do texto, é um ne varietur; poupando pormenores, realçaria que se fica embebido em curiosidade pela afirmação de que se poderá “encontrar finalmente o texto sem as incorrecções estilísticas e linguísticas que ao longo destes 25 anos o desfiguraram.”; ai sim ? mesmo sem ter a certeza de perceber a diferença, cresce a vontade de uma urgente releitura !
e para Maria Alzira Seixo, um já me tinhas dito merecido pela pérola com que conclui a recensão, aqui fica: “...e com a certeza de que o dia-a-dia se partilha na lembrança dos instantes felizes, na persistência do sonho e na certeza iluminada da necessidade da criação.”
feliz
2004-08-08
2004-07-22
ó relvas ó relvas !
jornalama antiga é o que não falta aqui no ditos, ó vejamos: DN de 6 de Julho, secção boa vida
o título é o dito: "cozinho melhor do que faço política", afirma Relvas
só por (tudo) isso, já me tinhas dito, ó Relvas !!!
mas a coisa tem a sua substância e, em paga, a devida pedagogia; comecemos por esta - a figura à mesa que abrilhanta a sessão de boa vida (boavida@dn.pt) é Miguel Relvas, sim, também não conhecia, o secretário-geral do PSD e que terá deixado o governo anterior um nadinha antes de coiso ...
agora a dita - no tempo em que exerceu funções de secretário de Estado (em que sacrificadamente percorreu o país de lés a lés sempre a descentralizar, uns 280 mil quilómetros disso) trouxe um périplo de conhecimentos e uma fantástica garrafeira; ainda dentro do preço, eis o cardápio de restaurantes citados: A Travessa (Lisboa, ao Convento das Bernardas - começa ebm, é bom e carote, digo eu), O Malho (Malhou, Alcanena); Tia Alice (Fátima); Artur (Caniçais, Torre de Moncorvo - não havia um Artur em Torres Novas, pergunto eu ?); O Pedro (Vilarinho da Serra, Boticas - o do melhor cozido à portuguesa); Chico Elias (Tomar); Veleiros (Leça - há polvo assado); O Poleiro (Lisboa - favada, diz); Gambrinus (Lisboa, é angulas e rojões, afirma); Solar dos Presuntos (Lisboa - refere peixe assado, o que não se infere da designação comercial do estabelecimento); Matos (Lisboa - entrecosto, manda); Pabe (Lisboa - aqui, é pato); Mezzaluna (Lisboa, R. Artilharia 1 - massas de comer, pede, a poder das de gastar, acho); Cantinho da Paz (Lisboa, acho que sei onde é - caril de peixe, recomenda); e Doca do Espanhol (Lisboa, Alcântara, junto à doca de Santo Amaro, vulgo docas, ex-vulgo piscina dos putos de Alcântara - também cozido, à portuguesa, diga-se).
a peça termina com o registo da frase "sou um cliente do lado positivo da vida" porque há cada vez menos políticos a falar assim - observaria qeu este tem quilometragem para isso, eh eh ...
o título é o dito: "cozinho melhor do que faço política", afirma Relvas
só por (tudo) isso, já me tinhas dito, ó Relvas !!!
mas a coisa tem a sua substância e, em paga, a devida pedagogia; comecemos por esta - a figura à mesa que abrilhanta a sessão de boa vida (boavida@dn.pt) é Miguel Relvas, sim, também não conhecia, o secretário-geral do PSD e que terá deixado o governo anterior um nadinha antes de coiso ...
agora a dita - no tempo em que exerceu funções de secretário de Estado (em que sacrificadamente percorreu o país de lés a lés sempre a descentralizar, uns 280 mil quilómetros disso) trouxe um périplo de conhecimentos e uma fantástica garrafeira; ainda dentro do preço, eis o cardápio de restaurantes citados: A Travessa (Lisboa, ao Convento das Bernardas - começa ebm, é bom e carote, digo eu), O Malho (Malhou, Alcanena); Tia Alice (Fátima); Artur (Caniçais, Torre de Moncorvo - não havia um Artur em Torres Novas, pergunto eu ?); O Pedro (Vilarinho da Serra, Boticas - o do melhor cozido à portuguesa); Chico Elias (Tomar); Veleiros (Leça - há polvo assado); O Poleiro (Lisboa - favada, diz); Gambrinus (Lisboa, é angulas e rojões, afirma); Solar dos Presuntos (Lisboa - refere peixe assado, o que não se infere da designação comercial do estabelecimento); Matos (Lisboa - entrecosto, manda); Pabe (Lisboa - aqui, é pato); Mezzaluna (Lisboa, R. Artilharia 1 - massas de comer, pede, a poder das de gastar, acho); Cantinho da Paz (Lisboa, acho que sei onde é - caril de peixe, recomenda); e Doca do Espanhol (Lisboa, Alcântara, junto à doca de Santo Amaro, vulgo docas, ex-vulgo piscina dos putos de Alcântara - também cozido, à portuguesa, diga-se).
a peça termina com o registo da frase "sou um cliente do lado positivo da vida" porque há cada vez menos políticos a falar assim - observaria qeu este tem quilometragem para isso, eh eh ...
2004-07-05
Sophia
ah ! o livro de estilo também permite retomar a palavra de quem tanto a sentiu e ofereceu
a Sofia tinha bem a conta, a falta e o poder da palavra !
ó então algumas:
"Com fúria e com raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras
Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs a sua alma confiada
De longe muito longe desde o início
O homem soube de si desde a palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse
Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se faz com o trigo e com a terra"
Sophia de Mello Breyner Andresen
a Sofia tinha bem a conta, a falta e o poder da palavra !
ó então algumas:
"Com fúria e com raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras
Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs a sua alma confiada
De longe muito longe desde o início
O homem soube de si desde a palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse
Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se faz com o trigo e com a terra"
Sophia de Mello Breyner Andresen
2004-07-01
olá !
o mote é o terceiro toque, de infindáveis referências mas para o efeito de estrito cumprimento do estilo do jametinhasdito registe-se a remissão para o artigo de Daniel Sampaio na Xis, revista de Laurinda Alves no Público , de 19/06/2004 !
e dá-se o caso de no artigo se recomendar o uso de regras e perorar sobre a condição de professor, tudo pontuado sob a batuta de um supostamente oportuno e desejável terceiro toque, eventualmente de caixa...
já me tinhas dito ó Daniel Sampaio !!!
e dá-se o caso de no artigo se recomendar o uso de regras e perorar sobre a condição de professor, tudo pontuado sob a batuta de um supostamente oportuno e desejável terceiro toque, eventualmente de caixa...
já me tinhas dito ó Daniel Sampaio !!!
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